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sexta-feira, 5 de julho de 2024

NUM JULHO MUITO ESPECIAL

 

05/07/2024

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                      NUM JULHO MUITO ESPECIAL

05/07/2024  Há um tempo, talvez quando a Escola era mais valorizada e assim marcada por calendários de toda uma comunidade, havia então um quase sagrado referencial: as férias de julho. Hoje, nem mesmo a Escola é homogênea em seus calendários, por exemplo, em muitas Escolas, nesses dias julinos está havendo aulas.

Qual a significativa ‘adjetivação-título’ para UM JULHO MUITO ESPECIAL. Desde a última segunda-feira estamos celebrando um mês muito especial: o blogue está de aniversário

No dia 30 de julho estaremos completando jubilosamente uma data especialíssima: completaremos 18 anos. Daí porque a data é significativa! Nestas quatro sextas-feiras julinas, vamos remexer os baús com ‘marca saudade’ e em cada uma das quatro edições faremos uma edição memorial.

Já tenho uma escolha para edição de hoje: buscava algo das comemorações do décimo aniversário deste bloque. Eis a edição de 30 de julho de 2016: DEZ ANOS Hoje este blogue evoca o histórico 30 de julho de 2006, quando circulou a primeira edição. Esta edição número 3195 é a edição número 1 do ano 11. Com estes números se pode avaliar que em quase 90% destes 10 anos o blogue foi diário. Há um tempo, por razões que não volto a detalhar, este blogue (e outros) perdeu atratividade. Por um tempo o número de acessos diários era sempre acima de 600. Hoje está em torno de 200. Nos últimos 30 dias a média foi de 223,6. Poderia dizer que se houvesse 10 leitores por dia já teria valido a pena a edição. Mas, as exigências dos leitores requerem outras plataformas de disseminação do conhecimento, por isso a partir de hoje se institui. Assim, esta celebração não é festiva como em outros 30 de julho. O blogue nestes 10 anos procurou/procura e continuará tentar fazer alfabetização científica. Se este artefato cultural não se mostra mais tão eficiente há que atrelá-lo (não: aditá-lo, é mais prenhe de significados; atrelar é sujeitar o outro. Aditar é adicionar, fazer dita, tornar feliz) a outros.Por tal esta comemoração dos 10 anos anuncia tentativas de ampliação das possibilidades de socializar o que estou lendo/escrevendo, por onde ando ensinando e comentando o que fazem meus orientandos. Também estas diferentes mídias continuam a ser ofertadas aos meus leitores para divulgarem suas produções.

Esta semana um jovem estudante disse que ele sente em leituras o ‘sotaque chassot’. Vibrei. Contei-lhe, então, que algo que muito gratifica é quando um leitor me diz “quando te leio, parece que estou te ouvindo numa aula ou numa palestra”.

Assim uma promessa no festejamento dos 10 anos: vou buscar cultivar o sotaque chassot. Desafios são para serem vencidos. Vamos vencer. 

Mas, me surge, quase aditada na celebração 30 de julho de 2016 10 anos do blogue, a edição de TERÇA-FEIRA, 29 DE DEZEMBRO DE 2009 acerca dos anos do Fórum Social Mundial em Porto Alegre: Janeiro de 2010 Mesmo que tardiamente, associo-me a partir de hoje a comentar – e especialmente a divulgar – o Fórum Social Mundial. Porto Alegre será dentro de mês, cenário de mais uma edição de um evento que, a partir de 1991, projetou mundialmente a capital dos gaúchos.

O que é o Fórum Social Mundial? O FSM é um espaço de debate democrático de idéias, aprofundamento da reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo. Após o primeiro encontro mundial, realizado em 2001, se configurou como um processo mundial permanente de busca e construção de alternativas às políticas neoliberais. Esta definição está na Carta de Princípios, principal documento do FSM.

Como será o FSM em 2010? No ano em que celebrará 10 anos de seu processo, o Fórum Social Mundial não terá um evento global único e centralizado. Em 2010, o FSM se dará de forma permanente ao longo de todo o ano, através de eventos e atividade em várias partes do mundo. Será um ano em que as atenções do processo do FSM estarão especialmente voltadas para o tema da crise global, compreendida em suas várias dimensões – econômica, ambiental, política, social, cultural, alimentar, civilizatória.

Kpomassé, Madri, Praga, Salvador e Porto Alegre estão entre as cidades que darão início às celebrações dos 10 anos do processo do Fórum Social Mundial em 2010. O calendário de eventos começará na Grande Porto Alegre, com o I Fórum Social e a I Feira Mundial de Economia Solidária, de 22 a 24 de janeiro, em Santa Maria. Logo depois, no dia 25, terá início o Fórum Social 10 anos Grande Porto Alegre. Na mesma região acontecerá também, de 26 a 28 de janeiro, o Fórum Mundial de Teologia e Libertação em São Leopoldo. Ainda no Brasil, Salvador receberá de 29 a 31 o Fórum Social Temático da Bahia.

Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre divulga programação de seminário internacional. Já estão confirmadas as mesas e alguns nomes de palestrantes do Seminário Internacional “10 Anos depois: desafios e propostas para um outro mundo possível”, que acontecerá dentro da programação do Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre, de 25 a 29 de janeiro. Entre os nomes já confirmados/as estão Boaventura de Souza Santos (Portugal), David Harvey (EUA), Francisco Whitaker (Brasil), João Pedro Stédile (Brasil), Diana Senghor (Senegal), Immanuel Wallerstein (EUA), Samir Amin (Egito), Christophe Aguitton (França) e Virgínia Vargas (Peru). 

As atividades do seminário acontecerão sempre pela manhã, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. Além do seminário, a programação do Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre inclui ainda as atividades auto-gestionadas, que acontecerão sempre à tarde, e a décima edição do Acampamento Internacional da Juventude, que desta vez acontecerá em Novo Hamburgo e cujas inscrições acontecem de 1º a 31/12, através do site http://www.acampamentofsm.org.br. As inscrições das atividades auto-gestionadas serão feitas diretamente com o comitê organizador de cada um dos municípios participantes (Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga) em prazo a ser divulgado em breve.
Outros eventos ocorrerão na região no mesmo período. De 22 a 29 de janeiro, será realizado, em Santa Maria e em Canoas, o I Fórum Social e a I Feira Mundial de Economia Solidária e, de 26 a 28, em São Leopoldo, o Fórum Mundial de Teologia e Libertação. O Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre faz parte do processo do Fórum Social Mundial 2010, que acontecerá de forma descentralizada, com eventos e atividades ao longo de todo ano em várias partes do mundo. 

Vale visitar http://www.forumsocialmundial.org.br



sexta-feira, 28 de junho de 2024

QUEM SABE LER: NUNCA ESTÁ SOZINHO

 

28/06/2024

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          QUEM SABE LER: NUNCA ESTÁ SOZINHO

28/06/2024  Hoje trago algo muito saboroso: um livro de ficção. Houve tempo (quando este blogue era diário: acreditem!) que uma das sete edições semanais era uma resenha de um livro. Estimulava aos meus orientandos leituras ficcionais para melhorar a escrita de teses e dissertações. 

Vale narrar aqui minha dificuldade com uma leitura ficcional no ‘horário de trabalho’. Parece que estava lesando meu empregador (mesmo quando este já não mais existe!).

Parece um senso comum: o primeiro parágrafo, usualmente, define a (des)gostosura de todo livro. Trago como exemplo a abertura do livro que terminei nesta quarta-feira: Eram jovens, educados e ambos virgens, nessa noite de núpcias e viviam num tempo em que conversar sobre as dificuldades sexuais era completamente impossível. Mas nunca é fácil. Estavam sentados para jantar numa saleta do primeiro andar de uma estalagem georgiana. No quarto adjacente, visível através da porta aberta, ficava uma cama de dossel, mais para estreita, cuja colcha era de um branco puro e espantosamente liso, como se não tivesse sido esticada por mãos humanas. Edward não mencionou que nunca estivera num hotel antes, ao passo que Florence, depois de tantas viagens com o pai na infância, já era veterana. Aparentemente, estavam bem dispostos. O casamento na igreja de St. Mary em Oxford, tinha corrido bem; o serviço fora digno, a recepção animada; o bota-fora dos amigos de escola e de faculdade exaltado e arrebatador. 

Transcrevi cerca da metade do primeiro parágrafo do livro Na praia do premiado escritor inglês Ian McEwan, nascido em Alderhot, em 1949. 

Muito provavelmente se minha leitora/meu leitor estivesse lendo este sumarento parágrafo no livro de onde retirei o texto aqui transcrito desejaria ler pelo menos a segunda parte do primeiro parágrafo para dar uma espiadela como ficaram amarrotados os lençóis que parecem ter sido alisados por anjos. Fiquem tranquilos não cometerei spoiler, mesmo que contasse que li mais de uma centena de páginas sei muitas das interrogações que afloram à leitura de Na praia.

Ainda merece destaque especial do posfácio de Bernardo Carvalho (1960, Rio de Janeiro), que enquanto também tradutor do livro, mostrando significados de ler a obra antes de traduzir.

A edição do livro que aqui referi é carinhos profução da TAG-Experiências literárias, que pode, também ser conhecida neste blogue nas edições de 09/02/2023 https://mestrechassot.blogspot.com/search?q=TAG 

24/08/2018 https://mestrechassot.blogspot.com/2018/08/24-tag-experiencias-literarias.htm   

Depois de instigá-los com as núpcias de Florence e Edward compartilho três momentos desta semana nos quais foram abandonados momentos de frutuosas solitudes:

1.- Na quarta-feira, 26/06 por mais de 2,5 horas o Edni Oscar Schroeder e eu partilhamos tentativas de respostas a cruciais interrogações. Estas são muito mais árduas e complexas se as comparamos com nossas tentativas em estruturarmos, nos anos 1970, a área de ensino de Química na UFRGS.

2.- Ontem, quinta-feira, 27/06, recebi a visita do Otávio e Maridalva Maldaner. Há mais de quatro anos que não nos víamos. Faltou tempo para assuntar, ainda dos tempos da Unijui. Um tanat acompanhou o bolo de aipim que o João Paulo preparou. O frio prometido não veio; A lareira fica na promessa… Ganhei uma linda orquídea lindamente embalada. 

3.-  Nesta sexta-feira, 28/06 viajo para Xangri-lá para celebrar o décimo-quinto aniversário do Pedro, filho do meu filho André e da Tatiana. Ele é (pela cronologia) o quarto dos meus oito netos (4 meninas + 4 meninos). Mesmo que os meteorologistas anunciam temperaturas negativas para o fim de semana o coração está abrasado pelos reencontros familiares. 

sábado, 22 de junho de 2024

UM PESO: DUAS MEDIDAS

 

21/06/2024

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            UM PESO: DUAS MEDIDAS

21/06/2024  Há uma leitura fantasticamente desigual. Parece difícil imaginar um homem sendo auscultado com um estetoscópio para que ouça batimentos cardíacos para que com estes ser estimulado a interromper uma gestação. Não é sem razão que Juliana Bublitz, titular do ‘Informe especial’ da Zero Hora desta sexta-feira, afirma: Se homens não cometessem violência sexual, o atual debate sobre aborto seria desnecessário. Hoje, em muitos O que mais incomoda, no debate político torto que viceja no Brasil, é a obsessão por punir e culpabilizar a mulher no lugar de endurecer legislação contra o estuprador Nenhuma mulher deseja abortar. Ninguém acorda pensando: “Que bom, hoje vou fazer um aborto”

É ainda a Dra. Juliana Bublitz que, de maneira enfática, afirma: A vida é o bem maior, e nós, em especial, sabemos disso, porque somos as responsáveis por gerá-la em nosso ventre. 

Nossos parlamentos, em diferentes instâncias, especialmente na câmara federal, nos obrigam reconhecer que estamos, a olhos vistos, nós estamos numa teocracia marcada por bancadas coesas e retrógradas que lêem a Bíblia com viseiras míopes e tétricas. Desejando que as águas das enchentes não embotem, ainda mais, a coesa bancada da Bíblia.

Encerro esta blogada com a citação de mais um excerto do texto antes referido, recomentando a leitura da íntegra do mesmo:  Interromper uma gravidez não é um passeio no parque, nem motivo de alegria e muito menos uma decisão fácil, mesmo nos casos extremos previstos em lei (estupro, risco de vida para a mãe e anencefalia do feto), ao contrário do que faz parecer o debate político torto que viceja no Brasil.

1 JULIANA BUBLITZ Jornalista, mestre em Desenvolvimento Regional e doutora em História Social, ingressou no Grupo RBS em 1999. 

2 "TEOCRACIA Sociedade em que a autoridade, considerada como emanação de Deus, é exercida pelos seus ministros. TEOCRACIA", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

14/06/2024.- UM SONORO BIS PARA FAFÁ DE BELÉM!

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       14/06/2024

14/06/2024.- UM SONORO BIS PARA FAFÁ DE BELÉM!

Está tétrica e dolorosa virada Abril/Maio/Junho deste bissexto 2024 gerou muitas realidades: talvez a solidariedade seja a generosidade maior e mais bonita (custei a encontrar o adjetivo bonita para solidariedade. Mesmo que seja trivial, me parece muito adequado). Mas solidariedade feito arte é ainda mais emocionante. 

Talvez, quase devêssemos a cada anoitecer escolher a peça do dia: haveria dias de difíceis escolhas. Quem não se emocionou com o cavalo no telhado? Quem não lacrimejou com a cantata de Fafá de Belém chorando fazendo o Guaíba virar mar! 

Vou trazer ‘o meu fora de série’! Há alguns momentos que Fafá de Belém canta o Hino Nacional facilmente localizáveis na internet com buscadores. Vou apenas referir dois momentos: Tancredo Neves morreu no feriado nacional de 21 de abril de 1985, fazendo chorar quase a nação inteira. Talvez a leitura desse parágrafo evoque em alguns as emoções de um show fúnebre protagonizado por uma rede de televisão, que anunciou a morte, com Fafá de Belém cantando o hino nacional em não usual arranjo musical. Outros, porque então não eram ainda alfabetizados, talvez tenham poucas lembranças do ano no qual o mundo acompanhava mais uma guerra entre dois vizinhos Irã e Iraque, que já se estendia há anos.

A outra manifestação foi em uma sessão do Senado Brasileiro comemorando 25 anos da Constituição de 1988. Nesta comemoração Fafá de Belém faz comovente declaração de fé pública à democracia. 

Refiro uma terceira celebração recém ocorrida  quando agora Fafá de Belém faz requintada solidariedade aos gaúchos em decorrência da destruição do Rio Grande do Sul pelas enchentes desta virada Abril/Maio/Junho 2024.

Um comentário lateral: nunca me orgulhei de ser gaúcho, especialmente no cenário atual. Digo o mesmo a ser brasileiro… Americano, jamais pois uma nação que se faz propriedade deste gentílico. Talvez, adiro a latino americano.

Peço às minhas leitoras/aos meus leitores que me relevem por não conseguir colocar imagens de cada um dos três eventos.


sexta-feira, 7 de junho de 2024

LENDO E RELENDO

    Há dez anos li o livro que trago a uma bisada! 

Não sei explicar porque o elegi para estar continuadamente a meus olhos. 

Há por quê!



Neste fim de ano me deleitei com três livros — em suporte papel, é claro — que me envolveram gostosamente. Pela ordem li Infiel / Zelota /Einstein e a religião. Este último, ainda, não terminei. Os três se interconectam, como quero mostrar em três blogadas distintas, ainda em dezembro. Hoje comento algo mais do primeiro.
Antecipo, que mesmo tendo sido leituras de hora de recreio (¿por que temos que dicotomizar tempo de trabalho e tempo de lazer?) foram de muito proveito para meus estudos. A resposta à pergunta no parêntesis mereceria uma blogada especial acerca da tutela que nos fazem os deuses Cronos e Kairós.
Já em 16NOV2014, trouxe aqui um comentário prévio de Infiel – a história de uma mulher que desafiou o islã, quando, ainda, não havia concluído a leitura.
HIRSI ALI, Ayaan 1969 --. Infiel – a história de uma mulher que desafiou o islã. Título original: Infidel. Tradução de Luis A. de Araujo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 496 p. ISBN 978-85-359-1109-1.
Ao lado da ratificação do que foi registrado então, adito que a autobiografia de Ayaan Hirsi Ali, uma negra somali, da idade de meus filhos, que viveu sua infância e juventude marcada por uma fiel e dolorosa observância do islamismo, é o mais inclemente repto ao profeta Maomé e ao Alcorão que li em toda minha história. Assim, Ayaan mostra o quanto normas que estão no livro sagrado, escritas há mais de 14 séculos não pode servir de norma hoje. Por outro lado ela diz ser Maomé um pedófilo.
Esta referência está nos bastidores do livro resenhado aqui* em 05JAN2013, que recebeu comentários do seu autor paquistanês, quando Aisha narra: “Eu tinha 6 anos quando me casei com o Mensageiro, embora nossa união só tenha sido consumada quando se iniciaram minhas regras aos 9 anos de idade. Ao longo dos anos, tomei consciência de meu casamento [...]. Mais do que a maioria de mulheres de minha época, fui alvo das adagas ocultas do ciúmes e do rumor. Talvez isso já fosse esperado. Um preço que devo pagar por ser a esposa preferida do homem do homem mais reverenciado e odiado que o mundo jamais conheceu” (p. 12).
*PASHA, Kamram. A Mãe dos fiéis: um romance sobre o nascimento do Islã. [Original inglês:Mother of the Believers. Tradução: Mariluce Pessoa] Rio de Janeiro: Record. 2012. 532p, 230x160x28 mm. ISBN 978-85-01-08995-3
É preciso acrescentar que também não conheço nenhum relato de sofrimentos físicos e humilhações a que uma pessoa tenha estado submetida. Trago um exemplo entre dezenas: a ablação do clitóris, quando era uma menina de cinco anos, sem anestesia e posterior submetida à costura da vagina, também sem anestesia, deixando apenas um pequeno orifício para excretar a urina. Depois, quando do casamento, a defloração tem como consequência a imobilização para caminhar por duas semanas, tanta foram as dores e as violências físicas sofridas na noite de núpcias.
Ainda, surras frequentes e brutais da mãe por causa de possíveis violações a normas religiosas (como por exemplo, deixar mostrar partes do corpo que pudessem causar distração/excitação a homens) e um espancamento por um pregador do Alcorão que lhe causou uma fratura do crânio.
Não sem razão que Ayaan mesmo fugindo para Europa e se tornando deputada de parlamento europeu pela Holanda tenha ainda hoje viver em alternados esconderijos. Vale ler. É um livro imperdível.