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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

CLUBE DE LEITURA?...EXPERIMENTE! VALE A PENA!

ANO 17*** 10/02/2023***EDIÇÃO 2070

Há dias, ainda neste janeiro tecido por tempos de sentimentos tão antípodas, alguém me inquiriu: “Que livro estás lendo?” Fiz-me surpreso.  Parecia um desvelar de minha intimidade. Dei-me conta que houve momentos que essa era uma pergunta usual.  As listas dos 10 livros de ficção e dos 10 livros de não ficção eram termômetros para trocarmos opiniões acerca de alguns títulos. Fazímos escolhas. Nas livrarias (= lojas que vendiam livros, nas  quais havia locais que se podia assentar para obter informações de livros, lendo orelhas e/ou quarta capas) as listas antes referidas eram afixadas a cada semana, para orientar seleções.

 Hoje, parece que nem mais as novelas têm catalisado temas de discuções. Há muitas ofertas de novelas e assemelhados que podem ser vistas em horários pessoais mais díspares por streaming. Nossos horários quase sagrado de ouvir (rádio) ou ver (televisão) podem ser substituídos pelos podcasts acessados a hora que quisermos, em diferentes plataformas. Aquele cuidado de não telefonar para os pais na hora do Repórter Esso não mais subsiste. Cada um faz seu horário. Aliás, isso de fazer seu horário não é tão trivial. Sei de netos que, queridamente, preparam agendas (com datas, horários e canais) para facilitarem múltiplas escolhas para que seus avós possam escolher quais as partidas de futebol que querem assistir, por exemplo. Outra novidade: as narrações de um jogo de futebol por rádio se transformaram, naturalmente, em uma transmissão por imagem (qual televisão).

A mirada dos dois parágrafos que preludiam esta edição parece nos remeter à última edição deste blogue: mudanças há tão surpreendentes que chegam a dar medo. 

 Não tenho o perfil do número sempre minguante de umas poucas dezenas de leitores que a cada dia visitam (resisti a tentação de colocar ‘leem’) a edição semanal deste blogue. Acredito que entre estes haja um número significativo de ‘órfãos do Círculo do Livro’. Em minha biblioteca na secção ficção há dezenas de livros capa dura adquiridos nos anos 1970/80 escolhidos, quinzenalmente, de catálogo. Tenho uma enciclopédia Larousse em 30 volumes (hoje, aposentada pela Wikipédia) adquirida no Círculo do Livro. Pela mesma razão doei os 20 volumes da Enciclopédia Mérito ao ITerra.

O Círculo do Livro foi uma editora brasileira que existiu entre 1973 e 2000 de propriedade do Grupo Abril e da editora alemã Bertelsmann. Vendia livros por um "sistema de clube", onde os sócios recebiam uma revista quinzenal com sugestão de livros acompanhados de pequena resenha a serem escolhidos. Havia a obrigação de comprar ao menos um livro por mês. Livros de excelente qualidade que chegavam custar a terça parte de uma edição brochura nas livrarias. Em 1983 a editora anunciou um quadro de oitocentos mil sócios espalhados por 2.850 municípios brasileiros, atendidos por uma cadeia de mais de dois mil vendedores e da distribuição através dos correios.

Mas, por que este saudosismo? Simplesmente para dizer que  temos algo muito mais emocionante que o Círculo do livro. Eu já disse para mais de um colega bibliófilo: “Tu deverias conhecer a TAG, ela parece que foi feito para ti!...” O que é a TAG? A resposta está na página https://taglivros.com/ da qual  trago excertos para tecer esta blogada. Esta é a segunda vez que a TAG é heliocêntrica neste blogue. A primeira, em agosto de 2018, quando eu completava meio ano no clube* Também esta edição foi fonte à edição de hoje: esta comemorativa dos meus cinco anos na TAG.

As imagens AGO/2018 (½ ano de TAG) e FEV2023 (5 anos de TAG)

Endereço da edição dos seis meses de filiação à TAG: https://mestrechassot.blogspot.com/2018/08/24-tag-experiencias-literarias.htm

A TAG - EXPERIÊNCIAS LITERÁRIAS é um clube de assinatura de livros que envia mensalmente para o endereço do assinante um kit que inclui uma obra selecionada a dedo por um curador especial, e ainda uma revista temática acerca do livro do mês e um mimo, escolhido de acordo com o autor ou título do livro. A primeira remessa foi enviada em agosto de 2014. Cada caixinha que chega me encanta e imagino que apenas 65 receberam o primeiro kit e hoje (não tenho atualização dos dados) esses se transformaram em mais de 40 mil, espalhados em 1,7 mil municípios de todos estados do Brasil, lendo a cada mês um mesmo livro. Se tu tens um DNA de bibliófilo certamente és ou serás envolvido pela tagmania. Vale a pena. Experimente!

Este blogar é uma homenagem de gratidão à Cassandra, que com competência e zelo lidera o grupo de leitores TAG Porto Alegre!

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

24.- TAG - EXPERIÊNCIAS LITERÁRIAS



ANO
 13
Livraria virtual
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
33667

 

DO DIÁRIO: nesta terça-feira, 21/08, a Rede Municipal de Igrejinha, liderados pelos professores da Escola Dom Pedro II, homenageou o colega Israel Luca, que faleceu subitamente aos 40 anos, no dia 13. Houve uma sessão com dois momentos. No primeiro, marcados pelo mote “ele existe porque contamos a sua história” houve evocação de reminiscências do Israel. O segundo momento se constituiu em uma aula de Ciências para qual fui distinguido com a docência.

Eu não tenho o perfil de mais de uma centena de leitores que a cada dia visitam (resisti a tentação de colocar ‘leem’) a edição semanal deste blogue. Acredito que entre estes haja um número significativo de ‘órfãos do Circulo do Livro’. Em minha biblioteca na secção ficção há dezenas de livros capa dura adquiridos nos anos 1970/80 escolhidos quinzenalmente de catálogo. Tenho uma enciclopédia Larousse em 30 volumes (hoje, aposentada pela Wikipédia) adquirida no Círculo do Livro.

O Círculo do Livro foi uma editora brasileira que existiu entre 1973 e 2000 de propriedade do Grupo Abril e da editora alemã Bertelsmann. Vendia livros por um "sistema de clube", onde os sócios recebiam uma revista quinzenal com sugestão de livros acompanhados de pequena resenha a serem escolhidos. Havia a obrigação de comprar ao menos um livro por mês. Livros de excelente qualidade que chegavam custar a terça parte de uma edição brochura nas livrarias.

 Em 1983 a editora anunciou um quadro de oitocentos mil sócios espalhados por 2.850 municípios brasileiros, atendidos por uma cadeia de mais de dois mil vendedores e da distribuição através dos correios.

Mas, por que este saudosismo? Simplesmente para dizer que agora temos algo muito mais emocionante que o Círculo do livro. Eu já disse para mais de um colega bibliófilo: “Tu deverias conhecer a TAG, ela parece que foi feito para ti!...”
O que o TAG? A resposta, que está na página https://taglivros.com/ da qual trago excertos para tecer esta blogada.

A TAG - EXPERIÊNCIAS LITERÁRIAS é um clube de assinatura de livros que envia mensalmente para o endereço do assinante um kit que inclui uma obra selecionada a dedo por um curador especial, e ainda uma revista temática sobre literatura e um mimo, escolhido de acordo com o autor ou título do livro.

A ideia surgiu com três apaixonados pela leitura: Gustavo Lembert da Cunha, 22 anos, Arthur Dambros, 23 anos, e Tomás Susin dos Santos, 24 anos. Dos três prenomes surgiu o nome TAG. Em Porto Alegre, os ex-estudantes de Administração usaram a característica em comum e criaram o primeiro clube de assinatura virtual do gênero, que faz a entrega dos livros na casa do associado. A primeira remessa foi enviada em agosto de 2014.

"A gente trabalha com a experiência da leitura, não somente com a venda de livros. A gente não queria ser mais uma livraria online", explica Cunha, um dos sócios. Isso porque por R$ 69,90, o assinante recebe um livro por mês em casa. "A gente sabe que não é barato. Que um livro na livraria é bem mais barato. Por isso a gente vende a experiência de leitura, e não o livro. E está dando certo".]

Lançamos o clube em julho de 2014, com muitos sonhos e infinitas dúvidas. "Conseguiremos fazer um negócio de livros dar certo em um país conhecido por ser de 'não leitores'?" “Desde o início, a proposta era que não fôssemos os únicos responsáveis pela seleção das obras que enviamos. Entramos em contato com grandes referências do cenário cultural e as convidamos para participar da TAG como curadores”.

A TAG hoje a MAIOR COMUNIDADE LITERÁRIA DO BRASIL da qual se diz em sua página: “Tivemos um crescimento vertiginoso em 2015 e 2016, o que nos consolidou como um dos maiores clubes de assinatura do Brasil. Em 2017, mais do que um clube de assinatura, nos tornamos uma grande comunidade literária. Somos milhares de pessoas compartilhando opiniões, críticas e sentimentos ao redor de boas histórias. As caixinhas mensais nos unem como clube, mas já contamos com uma série de outros canais para nos conectarmos e ampliarmos nossa paixão pela literatura: aplicativo, blog, loja de produtos literários, encontros presenciais, mídias sociais, e outros que estão sendo preparados. Em dezembro recebemos o Prêmio Empreendedor de Sucesso da Revista Pequenas Empresa Grandes Negócios.

Em 2018, as surpresas foram muitas (para nós e para os nossos associados). Em fevereiro, divulgamos a TAG Inéditos, uma nova linha de assinatura que entrega aos associados best-sellers inéditos no Brasil. Em abril, recebemos o prêmio The Quantum Publishing Innovation do Excellence Award, prêmio mundial de inovação no mercado editorial que acontece durante a Feira do Livro de Londres. Em junho, abrimos a nossa loja virtual — recheada de produtos literários — para o público em geral. E isso só no primeiro semestre!”

“Enviamos, todos os meses, kits que buscam expandir os horizontes literários dos nossos associados e enriquecer a relação deles com os livros. Temos diversos desafios no horizonte e, para concretizar os vários sonhos que vêm por aí, estamos em busca de novos personagens que queiram ser protagonistas dos próximos capítulos nessa emocionante e desafiadora aventura que é empreender”.

Sou sócio da TAG desde fevereiro. Isso significa que neste agosto recebi minha sétima caixinha surpresa. É sempre uma emoção abrir a caixinha. Com exceção da primeira, com o livro O alforje, as outras seis sempre tiveram sua abertura solenizada. Convido alguém para apadrinhar; se estou sozinho uma taça de vinho ajuda curtir a surpresa. De cada caixinha, o destaque é um original e primoroso livro que tem um guardador inspirado na obra do mês. O livro é muito bonito; parece uma peça de museu. Há sempre um marcador e um mimo muito bem escolhido e uma revista sobre o livro e o autor do mês. Sobre os mimos me deleitaria escrever páginas. Curto muito os meus primeiros sete livros. Criei um espaço especial (ainda provisório) para as obras da TAG. Cada caixinha que chega me encanta e imagino que apenas 65 receberam o primeiro kit e hoje esses se transformaram em quase 40 mil, espalhados em 1,7 mil municípios em todos estados do Brasil, lendo a cada mês um mesmo livro.

Se tu tens um DNA de bibliófilo certamente és ou serás envolvido pela tagmania. Vale a pena. Experimente!

sexta-feira, 28 de junho de 2024

QUEM SABE LER: NUNCA ESTÁ SOZINHO

 

28/06/2024

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

 

  ANO 17

LIVRARIA VIRTUAL

  3.359 

          QUEM SABE LER: NUNCA ESTÁ SOZINHO

28/06/2024  Hoje trago algo muito saboroso: um livro de ficção. Houve tempo (quando este blogue era diário: acreditem!) que uma das sete edições semanais era uma resenha de um livro. Estimulava aos meus orientandos leituras ficcionais para melhorar a escrita de teses e dissertações. 

Vale narrar aqui minha dificuldade com uma leitura ficcional no ‘horário de trabalho’. Parece que estava lesando meu empregador (mesmo quando este já não mais existe!).

Parece um senso comum: o primeiro parágrafo, usualmente, define a (des)gostosura de todo livro. Trago como exemplo a abertura do livro que terminei nesta quarta-feira: Eram jovens, educados e ambos virgens, nessa noite de núpcias e viviam num tempo em que conversar sobre as dificuldades sexuais era completamente impossível. Mas nunca é fácil. Estavam sentados para jantar numa saleta do primeiro andar de uma estalagem georgiana. No quarto adjacente, visível através da porta aberta, ficava uma cama de dossel, mais para estreita, cuja colcha era de um branco puro e espantosamente liso, como se não tivesse sido esticada por mãos humanas. Edward não mencionou que nunca estivera num hotel antes, ao passo que Florence, depois de tantas viagens com o pai na infância, já era veterana. Aparentemente, estavam bem dispostos. O casamento na igreja de St. Mary em Oxford, tinha corrido bem; o serviço fora digno, a recepção animada; o bota-fora dos amigos de escola e de faculdade exaltado e arrebatador. 

Transcrevi cerca da metade do primeiro parágrafo do livro Na praia do premiado escritor inglês Ian McEwan, nascido em Alderhot, em 1949. 

Muito provavelmente se minha leitora/meu leitor estivesse lendo este sumarento parágrafo no livro de onde retirei o texto aqui transcrito desejaria ler pelo menos a segunda parte do primeiro parágrafo para dar uma espiadela como ficaram amarrotados os lençóis que parecem ter sido alisados por anjos. Fiquem tranquilos não cometerei spoiler, mesmo que contasse que li mais de uma centena de páginas sei muitas das interrogações que afloram à leitura de Na praia.

Ainda merece destaque especial do posfácio de Bernardo Carvalho (1960, Rio de Janeiro), que enquanto também tradutor do livro, mostrando significados de ler a obra antes de traduzir.

A edição do livro que aqui referi é carinhos profução da TAG-Experiências literárias, que pode, também ser conhecida neste blogue nas edições de 09/02/2023 https://mestrechassot.blogspot.com/search?q=TAG 

24/08/2018 https://mestrechassot.blogspot.com/2018/08/24-tag-experiencias-literarias.htm   

Depois de instigá-los com as núpcias de Florence e Edward compartilho três momentos desta semana nos quais foram abandonados momentos de frutuosas solitudes:

1.- Na quarta-feira, 26/06 por mais de 2,5 horas o Edni Oscar Schroeder e eu partilhamos tentativas de respostas a cruciais interrogações. Estas são muito mais árduas e complexas se as comparamos com nossas tentativas em estruturarmos, nos anos 1970, a área de ensino de Química na UFRGS.

2.- Ontem, quinta-feira, 27/06, recebi a visita do Otávio e Maridalva Maldaner. Há mais de quatro anos que não nos víamos. Faltou tempo para assuntar, ainda dos tempos da Unijui. Um tanat acompanhou o bolo de aipim que o João Paulo preparou. O frio prometido não veio; A lareira fica na promessa… Ganhei uma linda orquídea lindamente embalada. 

3.-  Nesta sexta-feira, 28/06 viajo para Xangri-lá para celebrar o décimo-quinto aniversário do Pedro, filho do meu filho André e da Tatiana. Ele é (pela cronologia) o quarto dos meus oito netos (4 meninas + 4 meninos). Mesmo que os meteorologistas anunciam temperaturas negativas para o fim de semana o coração está abrasado pelos reencontros familiares. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

* * * É UM CLÁSSICO!... * * *

 


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  •  ANO 17*** 20/01/2023***EDIÇÃO 2068

O tema da blogada desta semana foi gestado no assistir a Roda Viva, na segunda-feira. Não sou muito dado a assistir televisão. Minha fonte de notícia é o rádio. A lazer opto pela  leitura de livros em suporte papel ou no kindle. Podem me rotular de ‘antigamente’. Roda Viva é (quase) o único programa que assisto, com uma fidelidade de missa dominical. Não raro me perguntam: O que estás lendo? Este interrogante oportuniza falar da TAG Experiencias Literárias : (https://mestrechassot.blogspot.com/2018/08/24-tag-experiencias-literarias.html). Os meus netos surpresos no convío de cerca de 4 mil livros grelam os olhos e não resistem: Vô tu já leste todos estes livros? Não! têm muitos que deixo para quando me aposentar!

Na última segunda-feira, 16 de janeiro, no centro da Roda estava Jorge Caldeira. Nasceu no dia 20 de dezembro de 1955, em São Paulo.  Jorge Caldeira é escritor, doutor em ciência política e mestre em sociologia. Bacharel em CCiências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Caldeira é especialista na história do Brasil. Nos últimos anos, dedica-se a analisar a questão ambiental.

É autor de livros como Mauá, empresário do Império e do best seller A história da riqueza no Brasil, que analisa as bases e o desenvolvimento da nossa economia, costumes e governos. Também escreveu livros sobre Diogo Antônio Feijó, José Bonifácio, Noel Rosa, Ronaldo, Guilherme Pompeo, Júlio Mesquita e outros personagens citados em obras como Brasil – A história contada por quem viu, 101 brasileiros que fizeram história e História do Brasil com empreendedores.

Eleito para integrar a Academia Brasileiras de Letras no dia 7 de julho de 2022.  Nos últimos anos, dedicou-se a analisar a questão ambiental. No discurso de posse, em novembro, ele comparou o Brasil a um grande jardim que precisa ser cultivado e cuidado para ter um futuro promissor. “Para restaurar o equilíbrio perdido, criar um futuro, é necessário tratar da natureza como um jardim. Como uma nova construção do homem. E lembrar que o paraíso é descrito como jardim. Esse grande jardim pode ser o Brasil. O país tem a natureza mais produtiva do planeta. Precisa saber dar valor a ela, pensar nela. Só assim, o homem brasileiro capturará, como dinheiro, o preço do carbono. Esta será a fonte de riqueza, numa economia de equilíbrio entre homem e natureza. Como se sabia desde sempre”.

A A maior parte da Roda Viva (que está disponível na página da TV Cultura) foi dedicada ao último livro BRASIL PARAÍSO RESTAURÁVEL  de Jorge Caldeira, onde mapas como os da capa acima, se mostram referidos às áreas de diferentes regiões proporcionais a produtibilidade da natureza. No sábio dizer da escritora e professssora Leyla Perrone-Moisés “este livro já é um clássico!”.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Autoridade & Credibilidade à Maculada Conceição

 ANO 17*** 24/02/2023***EDIÇÃO 2072

Na edição do dia 10 deste mês causou-me estranhamento a inquisição: “Que livro estás lendo?” Fiz-me surpreso.  Parecia um desvelar de minha intimidade. Hoje pretendo falar mais acerca de leituras que de livros. 

Quando meus filhos eram pequenos, a um deles foi solicitado pela escola a desenhar uma cena doméstica de seu pai. Opção desenhada: o pai em uma rede lendo. Hoje, o homo lector subsiste. Mesmo tendo um cartaz na biblioteca com uma frase do poeta Manoel de Barros: a rede é a vasilha de dormir mais parecida com útero materno. Aos 83 a rede está quase aposentada.

   A leitura é um perpetuum mobile no meu cotidiano. Há frações de tempos díspares. O tempo maior é para a leitura acadêmica (leituras de teses e dissertações, leituras para a produção de textos etc.), a leitura recreativa (melhor dizendo: ficção). Aqui devo reconhecer que mesmo recomendando a meus orientandos leitura ficcional, eu ainda tenho dificuldades de cumprir a recomendação. Como sou participante de um clube de leitura, este item (leitura recreativa) é bem aproveitado no livro do Mês da Tag (ver blogue de 10/11).

Desejo focar em outra modalidade leitura, que pode ser um híbrido entre a leitura acadêmica e a leitura recreativa. Não é o louvado o livro de cabeceira (há muito não leio na cama). É um livro que está num local destacado no meu scriptorium e, usualmente, me faz companhia nos intervalos, quando vou tomar um gostoso sol no jardim.

Nunca Pura: Estudos Históricos de Ciência

como se Fora Produzida por Pessoas com

Corpos, Situadas no Tempo, no Espaço, na

Cultura e na Sociedade e Que Se

Empenham por Credibilidade e Autoridade.

Editora TRAÇO FINO Belo Horizonte MG

ISBN13 :9788580541106

Páginas: 543

Publicação:2013  1a Edição

Encadernação: BROCHURA

        O detentor do destaque principal desta terceira modalidade, há mais de dez anos, é o livro Nunca Pura, já assuntado neste blogue em pelo menos três vezes. Parece oportuno trazer a apreciada obra Steven Shapin, agora numa mirada como terceira modalidade de leitura, quando me deleito deste livro enquanto consumo em goles quase homeopáticos.

O livro tem mais de 550 páginas, das quais cerca de 150 são de notas. Mas não são notas de rodapé. Nem são de fim de capítulo. São notas de fim de livro. Estas duas últimas me desagradam, principalmente no fim do capítulo. São difíceis de localizar.

Parece oportuno fazer o ofertório de uma sobremesa: uma palhinha de Nunca Pura: “Os ensaios de Shapin reunidos neste livro incluem reflexões sobre as relações históricas entre ciência e senso comum, entre ciência e modernidade, e entre ciência e ordem moral. Exploram a relevância dos contextos físicos e sociais na construção do conhecimento científico, os métodos adequados para se entender a ciência historicamente, a dieta como um ponto instigante de investigação histórica, a identidade daqueles que fizeram o conhecimento científico, e os meios pelos quais a ciência adquiriu credibilidade e autoridade”. 

Steven Shapin argumenta que a ciência, para todos, esta imensa autoridade e poder, é e sempre foi um esforço humano, submetido às nossas capacidades e limites. Dito de outro modo, a ciência nunca foi pura. Os ensaios de Shapin coletados no livro incluem reflexões sobre as relações históricas entre a ciência e o senso comum, entre ciência e modernidade, bem como entre a ciência e a ordem moral.

Nunca Pura: Estudos Históricos de Ciência como se Fora Produzida por Pessoas com Corpos, Situadas no Tempo, no Espaço, na Cultura e na Sociedade e Que se Empenham por Credibilidade e Autoridade.Só este subtítulo (com estas maiúsculas desacertadas) já é quase uma súmula. Em que pese o tom coloquial do livro, é distante poder fazer uma resenha, mesmo porque tem 554 páginas das quais mais de um quarto (148) são de notas, das quais, muitas sumarentas.

Steven Shapin, em seu sumarento tratado acerca de estudos históricos da Ciência:  Nunca  pura traz narrativas excepcionais, mostrando o quanto e como os que fizeram/fazem a Ciência são seres humanos, logo esta não é uma produção incólume. Por tal, eu me atreveria rebatizar livro Nunca pura para “Maculada concepção” ou “Maculada conceição”. Aqui ouso -- de maneira respeitosa -- fazer um contraponto ao mais polêmico dos quatro dogmas marianos da igreja católica romana: Imaculada Conceição.

*** Refiro os quatro dogmas marianos numa sequenciação temporal: 1º dogna é da Antiguidade: Maria ser mãe de um Deus (Concílio de Niceia – 325); 2º dogma é do período medieval: virgindade perpétua (Concílio de Latrão – 649); 3º  dogma,  proclamado em 1854— o mais celebrado e o que tem mais destaque comemorativo -- este dogma decorre do pressuposto que os pais de Maria (Joaquim e Ana) a conceberam sem a mácula do pecado original, este que ferreteou a todos em consequência do pecado de Eva; 4º assunção de Maria aos céus com corpo e alma foi proclamado em  1º de novembro de 1950.  

Mas para instigar, um pouco mais, a imaginação de meus leitores trago a sinopse e o sumário do livro.

Sinopse Steven Shapin argumenta que a ciência, para todos esta imensa autoridade e poder, é e sempre foi um esforço humano, submetido às nossas capacidades e limites. Dito de outro modo, a ciência nunca foi pura. Os ensaios de Shapin coletados neste livro incluem reflexões sobre as relações históricas entre a ciência e o senso comum, entre ciência e modernidade, bem como entre a ciência e a ordem moral.

Sumário

1 Baixando o Tom na História da Ciência: Um Chamado Nobre

PARTE I - MÉTODOS E MÁXIMAS

2 O Amor de Cordélia: Credibilidade e os Estudos Sociais da Ciência

3 Como Ser Anticientífico

4 Ciência e Preconceito em Perspectiva Histórica

PARTE II - LUGARES E PRÁTICAS

5 A Casa da Experiência na Inglaterra do Século Dezessete

6 Bomba e Circunstância: A Tecnologia Literária de Robert Boyle

PARTE III - A PESSOA CIENTÍFICA

7 "A Mente é Seu Próprio Lugar”: Ciência e Solitude na Inglaterra do Século Dezessete

8 “Um Scholar e um Cavalheiro”: A Identidade Problemática

8 do Praticante Científico na Inglaterra do Século Dezessete

9 Quem Foi Robert Hooke?

10 Quem É o Cientista Industrial? Comentários da Sociologia Acadêmica e de Chão de Fábrica nos Estados Unidos, de cerca de 1900 a cerca de 1970

PARTE IV - O CORPO DE CONHECIMENTO E O CONHECIMENTO DO CORPO

11 O Filósofo e a Galinha: Sobre a Dietética do Conhecimento Descorporificado

12 Como Comer Como um Cavalheiro: Dieta e Ética na Inglaterra no Início da Era Moderna

PARTE V - O MUNDO DA CIÊNCIA E O MUNDO DO SENSO COMUM

13 Confiando em George Cheyne: Expertise Científica, Senso Comum e Autoridade Moral na Medicina de Dieta do Início do Século Dezoito

14 Economias Proverbiais: Como um Entendimento de Algumas Características Linguísticas e Sociais do Senso Comum Pode Lançar Luz sobre Corpos de Conhecimento de Prestígio Maior, A Ciência, por Exemplo

15 Descartes, o Doutor: Racionalismo e suas Terapias

PARTE VI - CIÊNCIA E MODERNIDADE

16 Ciência e o Mundo Moderno