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quinta-feira, 29 de julho de 2010

29.- Vigília do 4º aniversário

Porto Alegre Ano 4 # 1456

A vigília do quarto aniversário desse blogue enseja reflexões. Essas devem ser necessariamente repartidas com meus queridos leitores e leitoras. Não vou trazer aqui o interrogante que, há dois anos foi central em algumas edições. ¿Por que escrevo? O divã psicanalítico da internet é por demais público para essa discussão.

Durante quatro anos, sem faltar um dia (os quatro dias que faltam para 4 x 365 + 1 estão nos dias da primeira semana de agosto de 2006, quando não me definira por uma periodicidade diária), publicar algo, se afigura para alguns como um fazer meio neurótico. Devo confessar que acredito que tenha vivido um período de adição ou de adicto (= dependente de; submisso// nem Houaiss e nem o Aulete registram adito e adição nesta acepção). Acredito que me superei. Não vou confessar que esta adição tem sido mais usual no exterior, quando o blogueiro narcíseo que habita em mim, aflora mais. Disse que não me deitaria no divã... e já estou me expondo.

Pautara para falar hoje acerca do quanto está contemplada a tese principal que desejaria explicita em cada uma das blogadas: os blogues como instrumentos pós-modernos para fazer alfabetização científica. Já defendi isso em um artigo científico, mais de uma vez referido aqui. Há edições que tal parece óbvio, por exemplo, na edição bisada ontem Coltan: o precioso ouro azul, manchado de sangue. Mas, e as duas primeiras edições desta semana, onde trouxe relato da peregrinação mística visitando o Templo da LBV e a Catedral de Brasília? Dentro de uma leitura mais ampla de alfabetização científica que tenho defendido, parece que sim. Especialmente se tivermos presentes as repetidas defesas dos diferentes óculos para lermos o mundo natural.

Acrescento a isto, a tentativa de síntese que fiz quando tentei contraponto: Templo da LBV versus Catedral, visitados na mesma manhã e disse que se me exigissem apenas um par de adjetivos para caracterizar um e outra elegeria: solidez e leveza. Ou deixando esta dupla material, pensando em mentefatos: esotérico (o templo da LBV) e exotérico (a catedral). Talvez, outro óculo veria: aquele, místico e esta religiosa. Claro que são comparações pretensiosas, até porque aventurar-se a definir obras monumentais com três pares de adjetivos é inenarrável.

Assim, pretensiosamente, parece que mesmo quando faço relatos que podem ser diário de um viageiro ou diário de um mestre-escola ou até a atenta vigilância aos assim chamados formadores de opinião esteja – num sentido muito amplo – fazendo alfabetização científica. Essa discussão merece ser retomada em outro momento.

O comentário trazido neste blogue, em 19 de maio, acerca da explosão em uma plataforma de exploração de petróleo da empresa British Petroleum, localizada no Golfo do México, a cerca de 80 quilômetros da costa da Louisiana, Estados Unidos. O acidente causou a morte de 11 pessoas e provocou um incontrolável vazamento. Assunto retomado em 21 de junho, quando se constata que algo que impacta está ver a riqueza de BP – a mega poluidora – que tem 18,3 bilhões de barris de reservas de petróleo (o Brasil tem 12,8 bilhões). A BP está em 30 países e tem 16 refinarias, com 1,5 vez o petróleo do Brasil e resiste a indenizar os danos causados.

Hoje, quando se anuncia que BP teve prejuízos da ordem de 30 bilhões de dólares – valor de uma ordem de grandeza que tenho dificuldades de imaginar – há pelo menos dois dolorosos prejuízos que não têm contabilização e certamente são maiores que aqueles que a amarga a BP.

Lembrei-me de uma frase atribuída a Lord Kelvin: “Só podemos falar, a respeito daquilo que podemos medir.” Lateralmente registro que preparo um seminário no Mestrado Profissional de Reabilitação e Inclusão, acerca de pesquisa qualitativa

onde faço um repto a William Thomson (1824 - 1907), mais tarde conhecido como Lord Kelvin, é os cientistas mais notáveis e ecléticos da segunda revolução industrial, do período de apogeu do Império Britânico. Ontem, em uma conversa confundi com seu contemporâneo e conterrâneo Sir Joseph John Thomson, também conhecido por J. J. Thomson, (1856 - 1940) um físico britânico que descobriu o elétron. Quem pode medir o Amor? ou mais, as artes, a filosofia, o sentimentos religiosos...

Mas, volto a outros prejuízos imensuráveis do desastre protagonizado pela BP. Estes são de duas dimensões. 1) centenas de homens e mulheres que foram desempregados pois faliram inúmeras empresas que se dedicavam a pesca ou ao turismos e vivem crises em seus círculos sociais, com casamento desfeitos, entrega a vícios, internamento em hospitais psiquiátricos etc. 2) a dolorosa destruição ambiental, talvez no maior desastre ecológico dos tempos recentes, com milhares de animais e vegetais (especialmente da fauna e flora oceânica). Os produtos químicos lançados ao mar para absorver o petróleo, foram em grande parte precipitados ao fundo do oceano.

Quem avalia e indeniza estas duas dimensões, senhor Lord Kelvin, acerca dos quais não apenas podemos falar, mas sentir? Realmente, há um século vivia-se o triunfo das certezas matematizáveis. Esta foi a marca da passagem do Século 19 para 20.

Cem anos depois, ao referir o final do ‘nosso século’ (já disse mais de uma vez que todos os meus leitores são homens e mulheres do século passado) talvez pudesse dizer que se o mesmo começou marcado pelas certezas termina sob o signo da incerteza. Isso pode ser sintetizado pela frase ‘Só tenho uma certeza: as minhas incertezas!’ de Ilya Prigogine (1917-2003), galardoado com Prêmio Nobel de Química em 1977.

Conversa como essas acredito que fazem alfabetização científica. Pois é nutrido nessas reflexões que este blogue amanhã faz quatro anos. No desejo de uma frutuosa quinta-feira adito o convite para a edição de celebração de amanhã.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

28.- Preparando o dia trinta: 4º aniversário

Porto Alegre Ano 4 # 1455

Hoje inicio um tríduo de blogadas, que culminam na sexta-feira dia no qual este blogue completa quatro anos. Escolhi para iniciar essa celebração com a trazida daquela blogada que a meu juízo foi a mais importante destas quase 1,5 mil que postei aqui. Ela é muito recente, e talvez será novidade para poucos. Depois de postá-la vivi algumas experiências importantes.

Trouxe o assunto em um auditório de cerca de 70 docentes universitários gaúchos, houve um que sabia era coltan. Em uma fala para colegas da área das Ciências Exatas de uma grande universidade catarinense o assunto era desconhecido para todos. No ENEQ, tanto em um mini-curso como em uma palestra perguntei ¿O que é coltan? a numerosos auditórios, onde predominavam mestres e doutores: ocorreu o mesmo. Então, além de explicar, o que é coltan conto das vítimas das disputas das grandes potências e falei também do trabalho do Dr. Mukwege.

Penso que foi de todas as blogadas aquela que recebeu mais comentários: dezenove (esse número dificilmente passa de seis). Assim, na jubilação da comemoração que se avizinha, com a indulgência de meus leitores, reedito aquela tida como a blogada mais significativa, publicada a 13 deste mês. Ela é especialmente dedicada aos meus novos leitores, pois na última semana houve um significativo crescimento destes.

13.- Coltan: o precioso ouro azul, manchado de sangue // POA Ano 4 # 1440

Vou contar nesta madrugada fria, cerca de 6ºC – uma pequena – mas importante e dolorosa – história. Meus leitores que me acompanharam aqui nas últimas duas semanas conhecem os passos que vou fazer, mas como eu – e, talvez por minha causa – foram menos atentos.

No dia 28 de junho escrevi aqui acerca do Denis Mukwege. Disse então que ele é médico, formado no Burundi. Este é um pequeno país de África, que foi colônia belga, encravado entre o Ruanda a norte, a Tanzânia a leste e a sul e a República Democrática do Congo a oeste. É o país mais pobre do continente africano mesmo tendo um solo muito rico em riquezas minerais, como coltan [Coltan é um mistura de dois minerais: Columbita e Tantalita. Em português essa mistura recebe o nome columbita-tantalita. Da columbita se extrai o nióbio e da tantalita, o tântalo], ouro e outros minerais.

Pois hoje quero falar acerca do que está entre os colchetes, que eu, de maneira ingênua, enxertei no texto acima, por não saber o que era coltan. Dias depois (quinta-feira, dia 8 deste mês) quando trouxe correspondências trocadas com o Dr. Milton Paulo de Oliveira, o cirurgião plástico gaúcho, que em 2008 foi à República Democrática do Congo e operou junto com o Dr. Denis Mukwege, escrevi, que no endereço do grupo Task Force há possibilidade de preciosos (e, às vezes dolorosos) aprendizados sobre África, como por exemplo: A alta tecnologia está ligada à guerra e à barbárie não apenas por meio da indústria de armas. Computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos podem ser parte de uma trágica conexão entre tecnologias avançadas e o sofrimento humano, o trabalho escravo e guerras intermináveis. Mais uma vez, fui ingênuo.

Ontem o Dr. Milton Paulo postou um comentário neste blogue do qual trago um excerto: a Espanha me surpreendeu por dois motivos. O primeiro, a conquista da Copa do Mundo, mas o segundo creia, professor, foi o mais impactante. Soube da publicação de um livro chamado “Coltan" do jornalista espanhol Alberto Vázques-Figueroa, através de matéria na TV espanhola, que adicionei em meu blog Task Force. Como um problema dessa magnitude permanece quase desconhecido em nosso país? Figueroa, muito bem dá a resposta.

Este comentário deixou-me instigado. A agenda era extensa na segunda-feira chuvosa e fria. Cavei tempo. Primeiro conheci Alberto Vázques-Figueroa. Ele nasceu o 11 de novembro de 1936 na capital de Tenrife. Pouco depois, vê-se exilado com sua família a África por motivos políticos, onde passou toda sua infância e adolescência. Aos vinte anos converteu-se em professor de submarinismo num navio-escola. Cursou jornalismo em Madri e a partir de 1962 começou a trabalhar como enviado especial de jornais e revistas e, posteriormente, da Televisão Espanhola. Depois de quinze anos de jornalismo, centrou sua trajetória literária, com mais de quarenta livros publicados e traduzidos aos mais diversos idiomas. Nove de suas novelas foram levadas ao cinema e nos dias atuais, é um dos autores mais lidos do panorama literário espanhol.

Li alguns excertos do livro que refere o Dr. Milton Paulo no Google.Books e vi os vídeos da Televisão Espanhola, com entrevistas muito didáticas de Alberto Vázques-Figueroa a partir amanipucrs.blogspot.com/ e então convenci-me que devia explicações a meus leitores sobre o ‘Coltan’.

Retomem o meu entre colchetes do dia 28. Coltan é um mistura de dois minerais: Columbita e Tantalita. A columbita não tem valor significativo. O coltan é o ouro azul, no qual o valor está na tantalita, minério de onde se extrai o tântalo. É devido ao tântalo que os telefones celulares, televisores, computadores, os satélites, os GPS... diminuíram de tamanho, de maneira tão significativa nos últimos anos. Mas isso é muito pouco.

O tântalo é um metal cinzento, pesado, dúctil, muito duro, resistente a corrosão por ácidos e um bom condutor de calor e eletricidade (talvez 80 vezes maior que o cobre). Em temperaturas abaixo de 150°C o tântalo é quase completamente imune ao ataque químico, mesmo pela agressiva água régia. Somente é atacado pelo ácido fluorídrico ou mediante fusão alcalina. O elemento tem um ponto de fusão apenas menor que o do tungstênio e o rênio. O tântalo tem a maior capacitância por volume entre todas as substâncias.

O principal uso do tântalo é como óxido, um material dielétrico, para a produção de componentes eletrônicos, principalmente capacitores, que são muito pequenos em relação a sua capacidade. Por causa desta vantagem do tamanho e do peso os principais usos para os capacitores de tântalo incluem uma ampla gama de aparelhos que assistimos miniaturizar-se nos últimos anos.

O tântalo também é usado para produzir uma série de ligas que possuem altos pontos de fusão, alta resistência e boa ductilidade. O tântalo de carbono, um tipo de carbeto muito duro, é usado para produzir ferramentas de cortes, furadeiras e máquinas trefiladoras. O tântalo em superligas é usado para produzir componentes de motores de jatos, equipamentos para processos químicos, peças de mísseis e reatores nucleares. Filamentos de tântalo são usados para a evaporação de outros metais como o alumínio.

Por ser não-irritante e totalmente imune à ação dos fluidos corporais, é usado extensivamente para produzir equipamentos e implantes cirúrgicos em medicina e odontologia. O óxido de tântalo é usado para elevar o índice de refração de vidros especiais para lentes de câmera. O metal também é usado para produzir peças eletrolíticas de fornalhas de vácuo.

As maiores reservas de tantalita (na forma coltan, ou seja, junto com a columbita) estão na República do Congo (cerca de 80%; a Austrália, Brasil e Tailândia tem cerca de 20%). Ocorre que essa riqueza mineral do século 21, cujo valor era desconhecido a cerca de 20 anos, catalisa uma guerra civil há anos em torno da posse das minas, entre outras complicações étnicas, territoriais e políticas. Quem domina o coltan... dominará todas as comunicações. Não é sem razão que as guerras locais, nos é apresentado como guerras tribais. É negócio sujo. É crime. Se continuam os massacres que houve quando da colonização da África.

A ONU apresenta estimativas desconcertantes: talvez, já morreram mais 4 milhões de pessoas na disputa pelo "ouro azul", além do impressionante faturamento de mais de US$250 milhões que teve o Exército de Ruanda com o comércio do caro mineral, mesmo que não haja mineração de coltan neste país vizinho do Congo.

A mineração do ‘ouro azul’ emprega crianças em condições subumanas e provoca grandes impactos no meio-ambiente tropical do Congo, uma vez que não se tomam as devidas medidas de mitigação ambiental (fato óbvio no meio de uma região em guerra) além das minas se estarem próximas e algumas dentro de parques nacionais.

Trouxe muito pouco. Talvez o mitológico ‘suplício de ‘Tântalo’ seja um prenúncio desta tragédia do Século 21. Vou voltar com esse assunto. Por hoje, votos de uma muito boa terça-feira.

Aos votos de uma excelente quarta-feira adito o convite de lermos amanhã, vigílio do quarto aniversário deste blogue. Até então.

terça-feira, 27 de julho de 2010

27.- Catedral de Brasília: o segundo tempo de uma peregrinação mística

Porto Alegre Ano 4 # 1453

Madrugada com temperatura de 8ºC e vários locais com temperaturas negativas no Rio Grande do Sul. Não foi sem razão que nesta semana que encerra o recesso julino, onde tenho sessões de orientação, tivemos ontem uma noite de lareira. Para hoje se anuncia mais um dia frio, mas com sol.

Ontem contei aqui, que na manhã de domingo em Brasília, com os meus colegas Maurivan Ramos (PUCRS), Aureli Caamaño e Fina Guitart (estes da Universidade de Barcelona) fiz uma jornada mística em dois tempos. No primeiro visitamos o imponente Templo da Boa Vontade – que ainda me envolve e com o qual teci a blogada de ontem – no segundo tempo, visitamos a majestosa Catedral de Brasília, assuntada no comentário de hoje.

Pode haver exagero na chamada de texto que encontrei enquanto buscava algo para aditar ao relato que desejavatecer para contar aos meus leitores o segundo tempo da manhã de domingo: "Brasília's Cathedral The most beautiful church of modern style in the world.

Mas não há como não se encantar com aquela que é um marco na Arquitetura e Engenharia brasileiras. Realmente é uma estrutura singular e audaz que denota o gênio do seu arquiteto Oscar Niemeyer e o caráter inovador dos expertos do cálculo e construção do Brasil.

Talvez por primeiro devesse fazer um breve contraponto com Templo da LBV, visitado na mesma manhã. São concepções diferentes. Se precisasse apenas um par de adjetivos para uma e outra elegeria: solidez e leveza. Ou deixando esta dupla material, pensando em mentefatos: esotérico (o templo da LBV) e exotérico (a catedral). Talvez, outro óculo veria: aquele, místico e esta religiosa. Claro que são comparações pretensiosas, até porque é aventurar-se a definir obras monumentais com três pares de adjetivos.

A Catedral de Brasília foi construída no período de 1959 a 1970: é uma das obras mais

admiradas do arquiteto Oscar Niemeyer, com uma estrutura inovadora e ousada, que, à época, afirmou a competência e ousadia dos profissionais brasileiros no cenário mundial.

“Niemeyer procurou uma forma compacta e límpida, composta por 16 montantes de concreto que, ao invés de se unirem em teto, arco ou ogiva, convergindo para uma abóbada protetora e invertida, se opõem, ao contrário, num gesto violento de tensão, como o de duas mãos estendidas com os dedos abertos num espasmo de súplica. Outros a comparam com a coroa de espinhos de Cristo na Paixão. Representa algo inteiramente oposto à serenidade ascética do Gótico ou ao contentamento erótico do Barroco”.

Apresenta-se como um volume único, capaz de surgir com a mesma pureza, seja qual for o ângulo de visão, pela planta circular e a estrutura que se lança ao céu em uma série de elementos hiperbólicos. A arquitetura valoriza a forma escultórica, um marco visual reforçado pela escala monumental do sítio onde está implantada e pela homogeneidade do conjunto de edifícios da Esplanada dos Ministérios.

No topo, uma coroa serve de apoio para garantir a amarração e rigidez, permitindo a iluminação pelo alto. O interior da Catedral é todo revestido de mármore, somando, no total, 500 toneladas desse material.

Completando o conjunto, o campanário e o batistério, em forma ovóide. O interior


possui três esculturas de anjos, em duralumínio, suspensas por cabos de aço, no centro da nave. As dimensões das três peças são: 2,22m de comprimento e 100 kg, a menor; 3,40m de comprimento e 200 kg, a média; e 4,25m e 300 kg, a maior. Essas obras foram realizadas com a colaboração do escultor Dante Croce, em 1970. Na foto dois dos anjos que fotografei. Em outra foto, o Aureli me fotografou no mesmo cenário.

Os vitrais são de autoria da artista plástica Marianne Peretti. No total, ocupam uma área de 2.200m2, cada peça tendo 10m de base por 30m de altura, composto por 16 gomos de 140m2 em fibra de vidro nas cores azul, verde e branco.

No interior da Catedral há uma réplica da Pietá de Michelangelo exposta na Basílica de São Pedro em Roma. É a primeira cópia em 500 anos de existência micromilimetricamente igual a original. Chegou à Brasília em 21 de dezembro de 1989. Foi produzida pelo museu do Vaticano autorizado pelo Papa. É feita de mármore em pó e resina. Pesa 600 quilos e tem 1,74m de altura. Levou 3 anos para ser concluída. A estátua foi abençoada pelo Papa João Paulo II em junho de 1989. Estou na foto junto à estátua, fotografado pelo Maurivan. É preciso dizer que a mim sempre comove esse grupo escultórico – Maria com filho morto – seja no original que vi no Vaticano em 1989 ou esta réplica. Há um tempo usava uma imagem da Pietá fazendo o contraponto com foto das barbáries de guerra, onde aparecem as Pietás do século 21.

Assim completo os relatos dos dias de Brasília. Desta vez não foram de reclusão na CAPES, ni MEC ou na UnB. Mesmo que de quarta-feira a sábado passei no: Centro de Ensino Fundamental GAN, a escola de ensino fundamental da rede pública do Distrito Federal e nas magníficas instalações da Fundação Oswaldo Cruz, onde dei mini-curso. A manhã de domingo foi muito diferente e a contei ontem e hoje. Agora votos de uma muito boa terça-feira e o convite para nos lermos aqui amanhã.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

26.- Um quarteto em peregrinação mistica

Porto Alegre Ano 4 # 1453

A manhã que abre a última semana julina é ensolarada. Ela contrasta com a noite chuvosa de minha chegada a Porto Alegre ontem, quando fui amorosamente esperado pela Gelsa no aeroporto. Foi gostoso, então, oferecer uma carona à colega Lenir Basso Zanon da Unijui.

Ensolarada também foi a manhã de domingo em Brasília onde com os colegas Maurivan Ramos (PUCRS), Aureli Caamaño e Fina Guitart (estes da Universidade de Barcelona) fizemos uma jornada mística em dois tempos. No primeiro, visitamos o imponente Templo da Boa Vontade – que comento em seguida – e no segundo, a majestosa Catedral de Brasília, objeto de comentário em outra blogada, mas da qual deixo um petisco agora: a transcrição dos dizeres da camiseta de uma das frequentadoras, por coincidência, conhecida do Aureli de outro congresso científico: CASTIDADE: Deus quer, você consegue.

Considerada uma das sete maravilhas de Brasília, Templo da Boa Vontade é a maior construção piramidal do século XX, com 21 metros de altura. Todo de mármore branco o templo, pólo do ecumenismo religioso foi inaugurado em outubro de 1989 com a presença de 50 mil participantes.

Fundado por Paiva Netto, o Templo é o monumento mais visitado de Brasília,

segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Distrito Federal. Em 20 anos, mais de 20 milhões de peregrinos do país e do mundo já visitaram o Templo da Paz.

A maior atração do templo é, sem dúvida, o cristal de 21 kg e 14 cm, localizado no ápice da pirâmide. Responsável por captar a luz do sol para o interior da pirâmide, ele eleva a vibração do salão e faz um trabalho de cromoterapia.

Ontem, nós quatro fizemos o caminho da peregrinação, dentro da pirâmide. Segue-se a espiral de pedras negras (na foto registrei a marcha de uma peregrina) formado no chão, chegando ao centro toca-se o círculo de cobre e levanta-se as mãos para o alto, a intenção da caminhada é fazer uma oração ou meditação. Para se purificar, se retorna pelas pedras brancas e, ao final, toma-se um gole de água da fonte – que faz o mesmo percurso do espiral, mas por debaixo da terra.


Além do espiral, você também visitamos os espaços anexos à pirâmide, a galeria de arte, o Memorial Alziro Zarur, a Sala Egípcia, o Salão Nobre, a lojinha de souvenir, os jardins subterrâneos.

Legião da Boa Vontade (LBV) é uma entidade conhecida no Brasil por fazer assistência social. Os seus dirigentes também mantêm programação de rádio e televisão e atividade religiosa própria. A LBV foi fundada oficialmente em 1º de janeiro de 1950, no Rio de Janeiro, Brasil, por Alziro Zarur. Ele presidiu a entidade até 1979, quando faleceu. José de Paiva Netto é o atual Diretor-Presidente. A instituição também está presente em Portugal. A LBV foi a primeira organização não-governamental brasileira a associar-se ao Departamento de Informação Pública das Nações Unidas (DPI), a partir de 1994.

Alziro Abrahão Elias David Zarur (Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 1914 — Rio de Janeiro, 21 de outubro de 1979) foi um jornalista, radialista, poeta e escritor, fundador e primeiro presidente da Legião da Boa Vontade.

Filho de imigrantes árabes foi aluno brilhante do Colégio Dom Pedro II e já nesse tempo demonstrava seu pendor para o jornalismo e para a liderança: depois de escrever em todos os órgãos do colégio, fundou o próprio jornal (O Atalaia) e foi chamado para dirigir o órgão oficial, Boletim do Colégio Pedro II.

Dono de uma voz tocante, participou da chamada "Era de Ouro" do rádio brasileiro. Criou os programas Enciclopédia Literária, Você não tem consciência!, Gatinhos e Sinucas, Teatro de Gente Nova, Policial Zarur e As Aventuras de Sherlock Holmes. Transcrevendo a obra de Arthur Conan Doyle para a linguagem radiofônica, Zarur lançou o programa policial educativo no país, encerrando todas as produções com a sentença: "O Bem nunca será vencido pelo Mal".

Tendo sido criado por sua avó no Catolicismo Romano e frequentado diversos círculos religiosos - templos protestantes, centros espíritas, sociedades positivistas, etc - Zarur afastou-se dos círculos sociais durante 1 ano, entre 1948 e 1949, vivenciando um "exílio espiritual" para planejar, em pormenores, a obra que viria a fundar.

Assim, em 4 de março de 1949, criou o programa A hora da Boa Vontade na Rádio Globo. O programa, de forte cunho religioso, destinava-se principalmente aos doentes do corpo e da alma. Obteve índices estrondosos de audiência, mas foi muito criticado por pessoas do meio radiofônico, que viam a iniciativa de Zarur ora como um mero modismo, ora como fanatismo, ou ainda como maneira de projetar-se para futuros empreendimentos políticos.

Em 1950, fundou a Legião da Boa Vontade, com o objetivo de promover o diálogo inter-religioso e contribuir para o desenvolvimento solidário por meio de ações nas áreas social, educacional, cultural e filosófica.

Com o estabelecimento da LBV, Zarur iniciou a Cruzada de Religiões Irmanadas, em prol da união das crenças, na busca pela paz. Teve adesão de diversos padres, pastores, líderes espíritas e lideranças de outros segmentos doutrinários. No entanto, oito anos depois abandonou o projeto dessa Cruzada alegando o despreparo das autoridades religiosas para o ecumenismo. Porém, sua preocupação em respeitar as diferentes religiões foi reconhecida pelo Vaticano. Zarur recebeu do Núncio Apostólico Dom Sebastião Baggio a Medalha do Papa Paulo VI, "por serviços prestados à causa do Ecumenismo".

Em outubro de 1973, proclamou em Maringá a instalação na Terra da Religião de Deus, a 4ª Revelação de Deus aos homens - as demais haviam sido a revelação a Moisés, a revelação a Jesus Cristo e a revelação dos espíritos superiores a Allan Kardec. Na ocasião, prometeu um Templo Ecumênico a ser erigido em Brasília, o qual foi concretizado anos depois por seu sucessor José de Paiva Netto.

Zarur também fundou a Agência Paz Promoções, que passou a ser responsável pelos lançamentos literários da LBV. Em 1976, Alziro Zarur sagrou-se campeão mundial de permanência no ar, com a impressionante marca de 33 mil audições

José Simões de Paiva Netto (Rio de Janeiro, 2 de março de 1941) é presidente da Legião da Boa Vontade (LBV) desde 1979. Atuando nesta entidade, escreveu livros e artigos. Mesmo sem ter jamais cursado uma universidade, é escritor, jornalista, radialista, compositor, poeta e líder religioso.

José Simões de Paiva Netto (Rio de Janeiro, 2 de março de 1941) é presidente da Legião da Boa Vontade (LBV) desde 1979. Atuando nesta entidade, escreveu livros e artigos. Mesmo sem ter jamais cursado uma universidade, é escritor, jornalista, radialista, compositor, poeta e líder religioso.

Em 1989, Paiva Netto inaugurou, em Brasília/DF, o Templo da Boa Vontade (TBV), um pólo do Ecumenismo Total e Irrestrito, com arquitetura arrojada e frequentado em virtude da sua Espiritualidade universalista.

Na expectativa de ter trazido a meus leitores algo acerca deste pólo místico que se irradia do Brasil central, desejo um excelente começo desta ultima semana julina. Fixa a dívida de falar sobre o segundo tempo da peregrinação mística que Fina, Maurivan, Aureli e eu fizemos ontem. Até uma nova interação do binômio escrita↔ leitura.

domingo, 25 de julho de 2010

25.- De um domingo com retrospectos e expectativas

Brasília Ano 4 # 1452

Um domingo que tem um sabor de exílio. O ENEQ terminou ontem à noite e só estarei chegando à Porto Alegre no começo da noite. Esta manhã, alguns colegas e eu vamos aproveitar para fazer turismo. Já estive mais de uma dezena de vezes na capital, mas não conheço muito mais que a UnB, o MEC, a CAPES.

Ontem foi um extenso sábado, ultimo dia do evento que consumiu 15 horas (08h-23h) fora do apartamento e também com abstinência total de internet. Até as 13h ficamos no magnífico e novíssimo (inaugurado nesse mês) da Fundação Fiocruz – www.fiocruzbrasília.fiocruz.br – onde

os convidados se reuniram com Cezar Zulko, recém empossado presidente da Sociedade Brasileira de Química. Este inicialmente apresentou uma proposta de uma licenciatura especial de Química. Ao iniciar os debates busquei trazer uma realidade inconcebível: a existência de um nós (a Divisão de Ensino) e vocês (a SBQ). Insisti que somos parte da SBQ e temos uma história de mais de 30 anos de produção fazendo Educação com a Química, insistindo que nós nos víamos nessa licenciatura.

A manhã terminou com a apresentação do documento aos presidenciáveis que elaboráramos na véspera onde reivindicamos destes a promessa da adoção em que a Educação seja uma ação política de Estado. Almoçamos a sombra de centenárias árvores as margens do Lago Paranoá. Na foto, na mesa de refeição, estou ao lado Prof. Zulko.

À tarde e à noite, as atividades foram no: Centro de Ensino Fundamental GAN, a escola de ensino fundamental da rede pública do Distrito Federal que nos acolheu nesses quatro dias. Na primeira parte da tarde, houve uma sessão comemorativa aos 15 anos da revista Química Nova na Escola, que recebeu também homenagens da Revista Educació Química da Societat Catalana de Química, de Barcelona, pelos Profs. Drs. Aureli Caamaño e Fina Guitart e do Journal of Science Education, da Colômbia pelo Prof. Dr, Yury Orlik.

Houve após Apresentação de Painéis Impressos e II Mostra de Materiais Didáticos – II MOMADIQ e Lançamento de livros. Autografei vários ‘Diálogos de aprendentes’ capítulo do Ensino de Química em Foco. Os meus outros livros presente no evento se esgotaram já na véspera. A nova edição do Alfabetização científica: questões e desafios para a Educação, está sendo muito aguardada. Ainda dei duas entrevistas para subsidiar trabalhos de pesquisas. Não é fácil, às vezes cansado, concentrar-se neste fazer.

As 19h iniciou a Plenária de Encerramento que terminou depois das 21h30min. Primeiro houve uma avaliação do evento, muito positiva onde se destacou o árduo trabalho do Coordenador do XV ENEQ, Ricardo Gauche e sua equipe e especialmente a dezena de estudantes de graduação é pós-graduação. No evento houve 1703 inscritos, que enviaram 817 trabalhos para 12 linhas temática, dos quais foram aceitos 602. Um momento significativo da plenária de encerramento foi a decisão entre duas cidades que postulavam a realização, em 2012, do XVI ENEQ: Salvador e Uberlândia. O plenário estava dividido. Propus e foi aceito pelos proponente e assembleia, que como em 2014 haverá Copa (em Salvador e não em Uberlândia) que o XVI em 2012 seja em Salvador e o XVII, em 2014 seja em Uberlândia. O Ricardo passou então o bastão ao José Luis, que nos receberá em Salvador dentro de dois anos. Ao final ainda foi lido o documento aos presidenciáveis, aprovado pelo plenário com estrondosa salva de palmas.

Já encerrado o evento, como nos outros dias tirei muitas fotos. Mas comoveu-me a

homenagem da professora Nília O. S. Lacerda, da rede pública estadual de Goiás, e doutoranda do PPGEC-UnB que me presenteou com finos mimos, da produção de papel artesanal a partir da fibra de bananeira. Ela ministrou um dos 25 mini-cursos do ENEQ: A Química e o Papel de Fibra de Bananeira, onde apresentou as etapas de produção e suas relações com os conteúdos químicos e correlatos, objetivando esclarecer e permitir uma melhor compreensão do processo de produção de papel de fibra de bananeira e favorecendo uma aprendizagem mais significativa dos conceitos científicos, suas relações com o ensino para formação de atitudes e valores, tomada de decisão e resolução de problemas voltados para um enfoque CTS (Ciência, Sociedade e Tecnologia). Na foto estou com Nília recebendo os presentes, que estavam acompanhados de carinhosa dedicatória.

Almocei com o José L. P. B. Silva ( UFBA), Roque Morais (FURG) e Pedro Pinto Neto (UNICAMP). Tínhamos muitos assuntos que embalaram frutuosa conversação.

Dentro de mais um pouco, inicio o passeio brasiliense, na expectativa do retorno. Um bom domingo a cada uma e cada um.