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quinta-feira, 4 de abril de 2013

0.4- ...POR QUE CRER NO DEUS CRISTÃO?


ANO
7

EDIÇÃO
2437
Como anunciado na edição de ontem, transcrevemos a parte final da entrevista de Richard Dawkins. A apresentação e as primeiras perguntas foram apresentadas ontem. A apresentação e as primeiras perguntas foram trazidas ontem. Preciso registrar dois detalhes acerca da postagem da primeira parte da entrevista: 1) assuntos como este são ao gosto dos leitores, levando a um recorde de visitas em 2013 (quase 300 no Brasil e mais oito países), isto catapultados por colegas que indicaram as edições de ontem e hoje para seus grupos de pesquisa, como pude ver no Facebook. 2) o alto nível de polemistas em campos opostos, trazendo uns e outros argumentos respeitáveis. Isto posto, à segunda parte da entrevista, com Dawkins:
 
O senhor diz que há uma tendência ao silêncio em relação às doutrinas religiosas dos outros, que as pessoas evitam debater sobre suas próprias crenças, e que esse fato é nocivo à sociedade. Não seria necessário simplesmente respeitar as diferentes crenças das pessoas?
Não devemos respeitar crenças que influenciam a vida de crianças e que vão contra conhecimento dado como consenso na comunidade científica.
Uma coisa é uma pessoa dizer que acredita em Papai Noel e manter esta crença dentro de sua família -ainda que eu considere uma pena para os filhos.
Quando algumas pessoas, contudo, começam a ensinar que a Terra tem apenas cerca de 10 mil anos, aí eu acho um absurdo e quero lutar contra isso.
Um novo papa acaba de ser eleito. Ele é argentino. É possível dizer que isso representa um avanço em termos políticos da fé no mundo em desenvolvimento?
Se pensarmos que haverá uma menor centralização política daqueles que determinam o futuro da Igreja Católica, sim, sem dúvida.
No Brasil, a Igreja Católica tem perdido fiéis para outras tradições protestantes. Alguns atribuem tal fenômeno à dinâmica dos rituais católicos, ainda bastante hierarquizados e tradicionais, se comparados às religiões protestantes.
Não conheço bem o contexto brasileiro, mas é possível imaginar que a não participação ativa dos fiéis nas missas católicas é um dos fatores que provavelmente têm contribuído para tal queda.
Explicando melhor, os rituais protestantes nos EUA são como shows, os participantes dançam, cantam, tocam instrumentos.
Suponho que no Brasil as missas ainda tenham um formato bastante tradicional e que provavelmente tenham pouco apelo social para conquistar seguidores jovens.
Em sua obra, o senhor dá ênfase à possibilidade de qualquer um rejeitar crenças religiosas ou vivências espirituais e ainda assim ter uma vida plena e ética. Sem as religiões, onde é que encontraríamos códigos morais?
Suspeito que não encontramos regras morais nos ensinamentos religiosos. Se fosse esse o caso, nossa conduta moral não se alteraria praticamente a cada década. Seria estanque.
Pense que até bem recentemente nós considerávamos a escravidão como algo normal e que também as mulheres não deveriam participar dos processos democráticos.
E quanto ao que não conseguimos explicar? Não vem daí uma das "necessidades" da religião e da crença no "sobrenatural"?
Essa talvez seja uma das explicações que mais me aborrecem para se crer em uma deidade.
Eu gostaria que as pessoas não fossem preguiçosas, covardes e derrotistas o suficiente para dizer: "Eu não consigo explicar, portanto isso deve ser algo sobrenatural". A resposta mais correta e corajosa seria a seguinte: "Eu não sei ainda, mas estou trabalhando para saber".
Acabam de ser divulgados os primeiros resultados das pesquisas sobre índices de felicidade idealizados pelo governo do primeiro-ministro britânico, David Cameron. O sr. já investigou a relação entre religiosidade e felicidade?
Não vi os resultados ainda. Quanto à relação entre religiosidade e felicidade, ainda que eu não tenha estudado o assunto, é possível prever que tal correlação é mais um mito do que um fato.
Os países que apresentam melhores índices de desenvolvimento humano e, em tese, uma melhor condição para a existência da felicidade, são países com o maior número de ateus do mundo.
Seus cidadãos encontram bem-estar, alegria e consolo nas possibilidades sociais, culturais e intelectuais concretamente disponíveis em seus países, não em entes divinos.

13 comentários:

  1. Já ouvi uma vez um comentário o qual adito agora, pois sua veracidade ratifica-se na entrevista postada. "Quer ouvir falar de Deus? Vá conversar com os ateus!" Certamente, Deus está muito mais "na boca" dos ateus do que entre as conversas de pessoas que nele crêem. Porque será? Porque a fé é mansa e serena, tal qual o fio de prata descrito por Rui Barbosa em "A Paixão da Verdade". Realmente é fácil e prazeroso viver com fé, difícil deve ser viver sem ela. Pela falta de fé o homem se permite desmandos a exemplo do holocausto, porque uma pessoa que realmente seja temente a um Deus não tem tais procedimentos. Talvez se tivesse fé Tarquínio o soberbo não tivesse levado a doce Lucrecia a desgraça do suicídio. E quantos "Tarquínios" eclodiram e eclodem até os dias de hoje pela falta de uma certeza de que existirá uma cobrança maior. Não estou evocando a velha piada, tão bem contada pelo nosso Mestre Attico em suas contagiantes palestras; "homem mau com quatro letras-ateu". Quero enfatizar que a fé é subjetiva, e curioso é observar que se incomoda muito mais quem não a tem. Ninguem até então provou cientificamente que Deus existe, e muito menos que não existe.

    abraços

    Antonio Jorge

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  2. Limerique

    Homem/deus dicotomia que intriga
    Qual razão para existir essa liga?
    Será por mera travessura?
    Poderia ser outra criatura
    Porque deus não parece com formiga?

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  3. Limerique

    Se observadas evidências somem
    Da natureza vieram espécimens
    Tão certo como zeus
    Inexiste qualquer deus
    Porque deus está na mente do homem.

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  4. Limerique

    Para explicar o que não sabemos
    E colocar tudo na cesta, aunemos
    Talvez por trigonometria
    Deus tudo criou em sete dias
    Ente que não sentimos, sequer vemos.

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  5. Limerique

    Se há uma verdade, e uma só
    Não contrária à ciência, porém pró
    Está até nas escrituras
    Que nós como criaturas
    Dele viemos e voltaremos ao pó.

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  6. Ao Mestre Chassot:Eu consigo explicar a meu modo, as coisas boas estão em nós assim como as coisas ruins. Basta fazermos e para fazer independe da vontade de Deus se ele existe ou não.As vêzes Mestre me pergunto será que o homem pode dizer que não precisa mais de Deus? ou com o avanço da tecnologia em todas as áreas levam a achar que tudo pode?. Vejam o que diz o Físico Alemão Alberto Einstein- prêmio Nobel . " Todo profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimentos religioso, pois não pode admitir que ele seja o primeiro a perceber os extraordinariamente belos conjumtos de seres que ele comtempla. No universo, imcompreensível como ele é, manifesta-se uma inteligência superior e ilimitada. A opinião corrente que sou ateu, baseia-se sobre grande equívoco, quem quisesse desprender de minhas teorias científicas não teria compreendido o meu pensamento. Concluo o que diz em Atos dos Apóstolos 2 vesículo 44 até 46 pelo um mundo bem melhor. Talvez é isso que consigo dizer. Um forte abraço Ley

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  7. Limerique

    Richard Dawkins, o cientista ateu
    Autêntico, nem um pouco fariseu
    Vê por detrás do muro
    Sobre isso está seguro
    Na verdade, Richard Dawkins sou eu.

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  8. Limerique

    Judeu, muçulmano e até cristão
    Inventaram a alma para dar coesão
    Criaram também o tal céu
    Para onde não vai incréu
    Tudo isso suporte para religião.

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  9. Limerique

    Criou-nos a sua imagem há quem diga
    Essa arrogância realmente me intriga
    Se todos somos animais
    Por suposto então iguais
    Por que deus não tem cara de formiga?

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  10. Meu caro Chassot!
    O Richard Dawkins segue polêmico em sua obra DEUS, UM DELÍRIO! Quanto à perda de fiéis por parte da religiao catolica realmente tem a ver com a espetacularização destes eventos, muito bem lembrado pelo GUY DEBORD. E há disponibilidade desta obra em versao on-line no endereço http://www.cisc.org.br/portal/biblioteca/socespetaculo.pdf
    Abraço do JB e estou com saudade de nosso almoço. Quem sabe?

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  11. Meu caro Jairo,
    a madrugada aqui na fria Dom Pedrito ~~ ver blogue de hoje ~~ é completada com a companhia de Guy Debord. Não conhecia ‘A sociedade do espetáculo’. A primeira espiadela me entusiasma. Muito obrigado. Disponível para almoço. Nesta quarta-feira, á noite falo no Unilasalle num painel sobre o Papa Francisco.
    Uma boa sexta-feira,
    attico chassot

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  12. Evaldo Luis Pauly5 de abril de 2013 14:19

    Freud é outro intelectual ateu. Não sei se podemos incluir Freud na militância ateísta, porque, curiosamente, o primeiro psicanalista leigo a integrar o círculo de Freud foi o pastor e teísta militante, Oskar Pfister. Ele foi colaborador e amigo de Freud e o acompanhou até a morte em Londres. Tanto a tradição psicanalítica ignora a presença e a contribuição do Pastor Pfister no grupo de intelectuais que trabalharam com Freud; quanto a tradição teológica não aceitou que um dos seus tenha colaborado com Freud. A psicóloga e Dra. em Teologia, Karin Hellen Kepler Wondracek, rompe com essa “ignorância psico-teológica” ao organizar a tradução e publicação do livro “Cartas Entre Freud e Pfister: Um diálogo entre a psicanálise e a fé cristã”, em segunda edição, pela Editora Ultimato de Viçosa/MG. Além de traduzir a correspondência, essa pesquisadora organizou o livro “O futuro e a ilusão: um embate com Freud sobre psicanálise e religião” publicado pela Vozes em 2003, com o qual contribui com o capítulo “Psicanálise da igreja e da religião. O pastor e psicanalista Pfister: a alma da cura d'almas”. A tese doutoral da Prof. Karin foi publicada pela Sinodal de São Leopoldo em 2005, sob o título “O amor e seus destinos: a contribuição de Oskar Pfister para o diálogo entre teologia e psicanálise”.

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  13. Meu caro Evaldo,
    meu amigo e coordenador, aqui de Dom Pedrito, no intervalo de duas falas, a imensa gratidão por tão denso comentário que enriquece esta blogada.
    Abriste-me mais pistas de leituras em seara que sou neófito,

    attico chassot

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