ANO
7
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Inaugurando uma nova
fase: Agora, SEMANÁRIO.
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EDIÇÃO
2477
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Esta é a
primeira edição deste blogue depois da migração de diário (por 6,8 anos) para semanário.
Vestibularmente, agradeço os acarinhamento de meus leitores entendendo a opção
anunciada na edição anterior. Houve mensagens que me emocionaram. Obrigado a
cada uma e cada um. Não posso negar que a sensação de abstinência é, às vezes,
amarga, mas há também, uma sensação de alívio.
Nesta
quinta-feira — dia eleito à circulação
semanal — viajo à tarde para Santa Maria (são 4 horas de ônibus) para a conferência
de encerramento do III Seminário do Pibid da UNIFRA. A proposta para discussão
é Indisciplinaridade: um passo além da
transdiciplinaridade. Volto na madrugada. Para mim, é significativo ser a
primeira vez que retorno a Santa Maria — tão presente em minha infância como
filho de ferroviário —, após o macabro 27JAN13.
Acerca de
minha fala, em um momento destaco que nosso fazer Educação não se consubstancia
numa ilha programada por nossa fantasia. Há múltiplas realidades, a nos alertar
sobre a impossibilidade da existência de um mundo ideal.
Todavia, a visão fracionada da realidade não ocorre
assim por acaso. As agências de fomento – o nome não poderia ser mais poético –
tendem a contratar especialistas cada vez mais especializados, para resolver
segmentariamente um problema. A maior parte das análises, diagnósticos e
propostas para dar respostas a uma demanda, só tem uma característica comum:
entender o problema com seus óculos específicos. Peritos de cada uma das áreas
propõem soluções no terreno das outras:
– o educador considera que é impossível
oferecer uma educação de qualidade a meninos cujos pais não têm trabalho e
moradia adequada e sofrem de carências alimentares, portanto propõe começar a
resolver a questão do emprego, da moradia e da saúde;
– o experto em
empregos sustenta que precisa começar atendendo as questões educativas, pois os
novos modelos laborais requerem uma formação e capacitação tal que sem educação
não pode haver emprego de qualidade; ainda afirma que se requer boas condições
sanitárias da população para que se possa trabalhar adequadamente;
– o perito em
segurança afirma que precisa começar educação, emprego e erradicação da
pobreza, pois está comprovado estatisticamente – e isso é decisivo – que quanto
maior o nível educativo, menor é o uso da violência e que quanto maior o nível
de equidade social, menor a taxa de violência em geral;
– o experto em
saúde afirma que não há sistema de saúde sustentável sem pleno emprego (pois o
sistema público não pode atender satisfatoriamente a toda a população) sem
educação suficiente (base da prevenção) e sem condições ambientais e
educacionais adequadas;
– o perito em
habitações afirma que sem emprego e sem educação toda a política de moradias
não passa de mero assistencialismo.
– o perito em
questões ambientais remete o inicio de suas ações à segurança, à educação, à
saúde, ao emprego...
Como nenhum
dos problemas centrais da vida é possível ser abordado sem múltiplas conexões
com outros problemas vitais, resulta que parece impossível de solucionarmos
aquele problema no qual temos expertise. É preciso pensar, deixando de lado as
nossas especializações, transgredindo as fronteiras de nossas disciplinas é
propormos ações que tragam a marca daquilo que Del Pércio propõe como “a
in-disciplina como a metodologia mais adequada para abordar a análise das
principais tendências sociais”. (p. 20).
DEL PERCIO,
Enrique M. La condición social: Consumo, poder y representación en el capitalismo
tardío. Buenos
Aires: Altamira, 2006.





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