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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

18SET2020#Um blogar com ontem/hoje/amanhã

 

18SET2020#Um blogar com ontem/hoje/amanhã

 

 ANO 15

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3688

Hoje, sexta-feira, às 16h na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) em Redenção CE, farei a palestra de encerramento do I WORKSHOP LUSÓFONO DE INTEGRAÇÃO EM QUÍMICA (I WLIQ).


Num momento de integração com os países parceiros de quatro continentes: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, na busca de uma troca de conhecimentos.

Esta live tem uma celebração doméstica: em 13 de maio, em evento na Universidade Federal do Cariri fazia a minha primeira live. Completávamos então destes tempos pandêmicos, que já ultrapassara meio ano. Menos de 3 semanas estava mais uma vez no Ceará, na UECE, em Crateús, inaugurava junho com a 5ª live. Hoje, mais uma vez no Ceará — agora, a primeira vez na UNILAB —vivo as emoções da 50ª live.

Encerrava assim, a última edição, na pretérita sexta-feira, quando sem ser sociólogo ou antropólogo ousava estruturar um extrato da população em três classes sociais: peço que este texto seja lido como um amealhar de observações. É oportuno considera-lo não mais do que um rascunho de um texto em construção. Comentários com discordâncias e com concordâncias são bem-vindos.

Amealhei comentários significativos. Como estes ocorrem a posteriori do acesso da maioria dos leitores, muitas vezes não são lidos. Há um alerta evangélico: “E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa” (Mateus 5:15). Por tal publicizo, aqui e agora, alguns comentários postados durante a semana.

Prof. Jairo Brasil, 11 de setembro de 2020 21:47

Meu caro Mestre. Mesmo tendo se arvorado em terreno pouco afeito, tua lauda é muito clara e possui muita pertinência com a temática atual do Governo PSICOPATA do Planalto. Abraço do JB e boa semana.

Joni, 11 de setembro de 2020 21:55

Pertinentes observações Professor! Definitivamente, somos um país de classe C, com enormes diferenças sociais, e, no ritmo que vamos, ainda levará gerações para nos transformarmos num país socialmente justo.

Amarildo Alves12 de setembro de 2020 15:39

Olá! Como está mestre Chassot?

Textos como esse nos ajudam a entender nossa realidade. Desafiam-nos a refletir na busca por soluções. E também nos fortalecem na luta pela resistência/sobrevivência, pois saber que um sábio como senhor pensa assim é um motivo de esperança e convicção de que estamos do lado certo da força. Abraço.

Unknown14 de setembro de 2020 11:05

Excelente reflexão, Prof. Chassot! Repassando ao nossos estudantes. Gosto muito de suas análises, transdisciplinares, imbricando os aspectos políticos aos que nos rodeiam dia-a-dia. Falta muita da dimensão política na formação de professores, sobretudo, no campo das ciências! Agradeço a partilha, boa semana!

Regilany 14 de setembro de 2020 13:36

Olá professor Chassot, parabéns pelo texto com tanta clareza do momento que estamos vivenciando! Respeitosamente,

Vanderlei Gularte Farias14 de setembro de 2020 23:29

Excelente análise, caro Mestre!!!

É por tal clareza sobre o conceito de CLASSES que se demonizou Karl Marx...

Imaginemos como seria se fosse possível ensinar a todos sobre tal temática de forma tranquila? Vivemos tempos em que, infelizmente, é preciso escolher certas palavras... para que não nos queimem na fogueira do adjetivismo imbecil da ignorância. Abraços

ÉLCIO MÁRIO PINTO, 16 de setembro de 2020 12:01

Salve, meu bom amigo Áttico. À parte um possível exercício ilegal de profissão... faz-me pensar que todo mundo gosta de apitar no ambiente escolar. É tanta intromissão, que não raro, existem empresas especializadas que assumem tal condução. Então, há mais irregularidades sob o céu das profissões do que pode captar nossa modesta consciência. Gostei de tua análise, o que me fez pensar no Prof. Jessé José Freire de Souza que trabalha a identificação de classes no Brasil. Aqueles que defendem a abjeta situação com seus abjetos atores, permita-me, sem a ilegalidade de profissão, colocá-los no que defino como "A Teoria do Frango". Toda vez que o consumidor tira o galináceo do terreiro para degolá-lo e dele alimentar-se, os demais reagem e em seguida, voltam ao cotidiano com a consciência tranquila de que 'não foi comigo'. Esses também alimentarão a sedenta e insaciável fome de poder e bens da classe superior e seus dirigentes. Meu abraço, diretamente de Sorocaba, com calor e esperando chuva para amanhã.

Depois de evocar os comentários à edição passada deste blogue, ao nos abeberarmos dos sumarentas postagens recém transcritas e prelibar o que será a blogada cinquentenária desta tarde, inserida no mundo lusófono, ofereço, aqui e agora, o anúncio de uma blogada que certamente por muito tempo será lembrada como live mais significativa de minha história. Esta deve ocorrer no (re)encontro que Grupo Ciência e Espiritualidade, inserto no Núcleo de Multi-atividades da Adufrgs terá com o mestre budista Lama Padma Samten, que foi professor do Instituto de Física da UFGRS de 1969 a 1994

 O Grupo Ciência e Espiritualidade, que desde 2018 promove encontros e palestras, coordenado pela Profa. Dra. Dinorá Fraga, acolhe em suas atividades associados da Adfurgs e é aberto aos que desejarem entender as interações do binômio ciência e espiritualidade.

 O Professor Alfredo Aveline, em 1996 foi ordenado lama — título que significa líder, sacerdote e professor. Como físico, dedicou-se especialmente ao exame da teoria quântica, na qual encontrou afinidade com o pensamento budista. Não é difícil prever o quanto a live (link aqui na próxima sexta-feira) dia 29, terça-feira, ensejará auxilio na compreensão da espiritualidade e da cultura de paz como caminho para que se desenvolvam cada vez melhores relações no ambiente onde vivemos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

11SET2020#Classes sociais no bolsonarismo

 




 

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3687

Mais difícil que redigir uma blogada é decidir qual será o mote (= tema ou assunto de algo, opção 4, de 7 no Priberam). Esta indecisão começa na sexta-feira, logo após postar a edição semanal.

Pensara em evocar nesta postagem o 19º aniversário do mega-atentado ao WTC... Recordaria então que: “se em 11 de Setembro de 2001, morreram 3 mil inocente, na destruição das torres do WTC: já foram muito lamentados. A cada dia, hoje, morrem 30 mil por falta de água” e/ou então, diria que todos nós lembramos o que fazíamos naquela manhã, que por aqui fora primaveril. Eu acompanhado de familiares e colegas sepultava minha mãe no bucólico cemitério do Faxinal, na zona rural de Montenegro, RS.

Resolvo navegar por mares não dantes navegados. Sei que, por não ser sociólogo ou antropólogo, certamente poderei ser enquadrado em dispositivos legais por estar praticando exercício profissional ilegal. Mas, há os que não sendo médicos prescrevem Ivermectina, Cloroquina, entre outras panaceias. Se comparado minha infração, ela é menos grave e causo menos riscos a outrem.

Em tempos de pandemia, que de vez em vez, se transmuta em pandemônio, enquadro uma significativa porção de brasileiros em três estratos.


Para não se dizer que uso o óculo do senso comum, tenho como fonte de informações: observações, leituras, diálogos e especialmente uma mais extensa oitiva de rádio. Aceito a pecha de démodé, mas prefiro o rádio à televisão ou à imprensa escrita. O acesso ao rádio se faz em um amplo espectro: ouço de segunda a sexta-feira o boletim da Rádio Vaticano e no cotidiano, diferentes emissoras ditas de pensamento religioso e uma emissora de rádio de uma rede explicitamente de direita.

Com os referidos construtos culturais, guardando uma clássica estruturação social, tento narrar, talvez, reescrever três classes e constato que me enquadro em uma classe média’ por estar inserto entre uma classe A ou classe Alta e uma Classe C ou classe Baixa.

Mesmo reconhecendo minha ousadia, não sem temor, ouso narrar cada um destes três estratos sociais, neste pandemônio de tempos de um bolsonarismo pandêmico. Inicio cada um dos três estratos com um verbete consagrado e tento em cada um dos três segmentos ‘aditar observações para um Brasil 2020’. Desejo que este texto seja lido como um amealhar de observações, que ainda são um rascunho de texto que talvez não vá muito além de um esqueleto a ser encarnado.

Classe A ou Classe Alta “... é uma classe social presente no capitalismo moderno que se convencionou tratar como possuidora de um poder aquisitivo e de um padrão de vida e de consumo além do razoável, de forma a não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência como também a permitir-se formas variadas de lazer e cultura, é comum chegar aos padrões de consumo eventualmente considerados exagerados” (Wikipédia). Num Brasil 2020 são aqueles que em tempos pandêmicos — mais provavelmente — veem o seu capital aumentar. É o mais heterogêneo dos três grupos. Há aqui aqueles nesta pandemia fizeram descobertas como o trabalho distante do local tido como usual é mais produtivo e mais econômico.

 Aqui estão aqueles que são representados no parlamento pelos Bês do Boi, da Bala, da Bola, da Bíblia. Os do Boi e os da Bala estão cada vez mais consorciados. São os que se apoderam de terras (mesmo que estas sejam de ancestrais grupos indígenas) e as defendem a bala, afinal tudo é Agro.

 Uma parte dos da Bíblia (aqueles donos de igrejas que não pagam impostos) estão na Classe A. Parte significativa dos da Bíblia está na classe C.

 Aqui estão os da Bola (jogadores e cronistas esportivos) crentes que devem e podem defender o Brasil do comunismo. Pertencem ao tropel de bolsonaristas aqueles que ganham muito dinheiro (mal havido) mas são incapazes de serem socialmente útil. Há os que continuam mamando em úberes inesgotáveis que a cada mês fornecem aposentadorias nababescas obtidas muitas vezes pela adição de penduricalhos ad eternum.

Estão também nesta classe A, os atravessadores entre as etapas de produção e comercialização de uma inumerável quantidade de produtos (especialmente agrícolas).

 Provavelmente estão nesta classe uma legião de recebedores de salários e vantagens do Ministério da Defesa, que se diz ter orçamento maior que o do Ministério da Educação. Talvez os de mais alto escalão nem sejam incapazes de saber o porquê aquilo que fazem não serve para nada mais útil do que serem fiéis sentinelas e eternos guardiões para impedir entrada do comunismo no Brasil vindo da União Soviética (sic) e de impedir que o PT continue roubando.

É esta poderosa Classe Alta que hoje, com artimanhas obscuras elege e controla parlamentos.

Classe Média “... é uma classe social presente no capitalismo moderno que se convencionou a tratar como possuidora de um poder aquisitivo e de um padrão de vida e de consumo razoáveis, de forma a não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência como também a permitir-se formas variadas de lazer e cultura, embora sem chegar aos padrões de consumo eventualmente considerados exagerados das classes superiores.” (Wikipédia). Em um Brasil 2020 são aqueles que mais provavelmente veem o seu capital ser corroído a cada dia. A presença de bolsonaristas neste segundo grupo é muito pequena. Há alguns eleitores arrependidos, mas pouco convictos. Parece haver poucos conversos e os neo-bolsonaristas são usualmente discretos por serem minoria. Entre os professores — destes profissionais a maioria parece ser da Classe Média — que são capazes de oferecer um ensino mais crítico e por tal são acusados pela Classe A de serem militantes comunistas.

 Sobre a Classe Média há uma pecha de que todos são sindicalistas de esquerda tentando tirar vantagens dos trabalhadores das duas outras classes. Se brada a toda hora em certa emissora que Brasil de Bolsonaro só não vai melhor por que o PT continua roubando e atrapalhando.

O desprezo que governo alimenta à Educação faz uma parcela de trabalhadores imensamente desgastada. Neste período de se ter que ‘inventar’ uma educação remota se tem feito professoras e professores fazerem quase milagres. O desrespeito aos educadores se manifesta de muitas maneiras. Uma insidiosa é o não respeito as indicações dos nomes expressos nas listas elaboradas para a escolha de reitores.

Realmente ser de Classe Média tendo o desprezo da Classe A e terraplanismo da classe C é realmente estressante.

Classe Baixa “... é uma classe social presente no capitalismo moderno que se convencionou tratar como a que menos possui poder aquisitivo, bem como a que possui um padrão de vida e de consumo baixo em relação às demais camadas da população. Desta forma, supre suas necessidades de sobrevivência com dificuldade e, muitas vezes, é impossibilitada de permitir-se formas variadas de lazer e entretenimento. É composta principalmente pelo proletariado e por desempregados.” (Wikipédia). No Brasil 2020, a Classe Baixa é paupérrima se comparada com a Classe Alta. A Classe C é também muito maior que as classes Alta e Médias juntas. Em outra comparação, entre as duas classes, a classe C é muito mais fiel ao bolsonarismo que a classe A.

A Classe C é mais homogênea e uma parte muito significativa dela, por causa da pandemia, está tendo micro-doses de capital injetada direto na veia, recebendo uma merecida ajuda, que está tendo um sintoma indesejado: o aumento do preço do arroz, pois o aumento do consumo do mesmo faz os supermercados aumentarem o preço.

Esta classe C é a melhor exemplificação do quanto na República Cívico Militar Teocrática do Brasil, a terceira de suas três dimensões viceja de maneira exuberante. Há inclusive dificuldades de se entender a matriz desta teocracia. A pergunta: Qual a tua religião? tem respostas do tipo: sou cristão / sou evangélico / sou reformado / sou carismático / sou ... que aparentemente mascara qual a denominação corresponsável numa prática que vais desde uma asquerosa concepção de que o escarro do pastor na boca do fiel torna este imune a vírus até uma tradicional igreja do tipo descrito em Atos dos Apóstolos.

Renovo meu pedido feito antes: que este texto seja lido como um amealhar de observações. Considere ainda são um rascunho de um texto em construção. Comentários com discordâncias e com concordâncias são bem-vindos.

Espero que na vindoura sexta-feira nos leiamos uma vez mais. Até então.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

04SETEMBRO2020 e... Setembro veio!

 

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Setembro chegou! E chegou com promessas… Quando setembro chegar o inverno terá acabado e o amanhecer virá me acordar, apressado. Não mais haverá folhas secas caídas ao chão, pois as cores, antes tímidas, voltarão em puro êxtase, bailando num festival deliciosamente provocante. Quando setembro chegar o sol estará pleno, iluminando os mares do meu mundo. Uma brisa suave teimará em bater de leve em meu rosto, desajeitando meus cabelos úmidos e pesados. Um aroma antigo se fará presente, trazendo consigo a quietude do meu ser...” (www.pensador.com/autor /ludmila_guarconi/) E o poetar se fez realidade. Nem faltou neste 2020 a Semana da Pátria com Fogo Simbólico e desfiles.

Adicionar legenda
A amoreira não está mais nua. [foto] Cobriu-se de um folharedo verde viçoso. A pimenteira ubérrima disputa com as duas videiras espaços para se aramar.
E... setembro chegou. Talvez, neste 2020 ele foi esperado como nunca. A chegada de setembro tem sempre um (a)gosto como advento. Este ano, as anunciadas tragédias agostinas na Presidência da República, (como em 1954, o suicídio de Getúlio; em 1961, a renúncia de Jânio; em 2016 o golpe à Dilma ou em 2017 os panelaços de fora Temer) espraiaram evocações por todo mês.

Algo paradoxal. Nestes tempos pandêmicos tintados de dor e de luto também estão insertos vivências de intensa e fértil troca de saberes. Esta quarentena que já se fez tetra, dentro de mais um mês será uma pentaquarentena.

A repentina descoberta que trabalhos não precisam ser feitos próximo do local físico do emprego, ocorreu por contingências de isolamento sanitário e agora se faz, em muitas situações, para sempre e em acelerada expansão.

Nesta terça-feira, na 5ª aula do curso História da Ciência em um heptagrama, desenhava o (nosso) Século 20, buscando cenário para analisarmos a Revolução freudiana. Dava-me conta que, minha afirmação de que nós, os vintenários, tivemos/temos nossa formação na Escola e na Universidade (que já não era válida para nossos filhos e para nosso netos), agora, também não é mais válida para nós. As lives, que eu desconhecia quando fiz a primeira, em 13 de maio — já com dois meses de isolamento — são o mais exitoso mentefato cultural para disseminação de saberes. O meu grau de envolvimento neste meu novo exigente metier pode ser aferido quando constato que amanhã à tarde, com o grupo de orientandos liderados por Daniel Soares, na minha 48ª live, leremos Antígona, na ratificação de algo muito lembrado aos orientandos: para produzir uma tese ou uma dissertação palatável, ler ficção é preciso.

Não tenho contabilizado as muitas lives que assisto. Aliás, só não assisto mais (dentre as sedutoras ofertas que os cards me fazem) por falta de tempo. Precisaríamos de um aplicativo que selecionasse e agendasse as lives que nos são ofertadas. Preciso estudar muitas horas na eleição e preparação das lives que ministro.

Também perco muito tempo com ‘aspectos tecnológicos’ como iluminação, conexões e outros qetais. Mais uma vez me convenço o quanto a suportação da pandemia seria algo muito mais seguro (e até muito mais tranquilo) se não tivéssemos desorientações governamentais como os mais recentes desmandos do Ministro do Meio Ambiente e do presidente, suficientes para nos perturbar e até esquecer Guedes.

 Afortunadamente o liveziar os gratifica e conforta. Ainda esta semana, fui entrevistado por quatro fraternos colegas goianos para a produção de um podcast para o grupo ENSINECAST. À abertura, Marlon Soares anunciou que desejava referir que em 1996, assistiu uma fala minha em Campo Grande e esta determinou sua migração da dita área da Química hard para se envolver com Educação nas Ciências. Ouvir algo assim de uma das mais expressivas liderança da Educação no Brasil, reconhecido como um dos mais queridos orientadores de mestrado e doutorado no Laboratório de Educação Química e Atividades Lúdicas do Instituto de Química da UFG é o melhor catalisador para no envolvermos mais na busca de um mundo melhor e mais justo.

Desejo a cada uma e cada um de meus queridos leitores um sumarento feriadão. Expectante que na vindoura sexta-feira possamos trocar as melhores e verazes notícias e, também, saborosos saberes.

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

28AGOSTO2020 e... o Agosto 2020 se esvai

 


 

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3685

 E... agosto se esvai. O que dizer dele? A assim chamada quarentena já vai fazer meio ano. Lembro que no começo da segunda quinzena de março, refiz a compra de passagem à Marabá do final de março para o final de abril. Tudo parecia que seria logo ali e no máximo se espraiaria por longos quarenta dias. Agora já vencemos 4 x 40 e talvez, venha outro tanto.

Tenho tanto a contar desta última semana de agosto, que devo fazer uma seleção. Não sei bem por onde começar.

Uma semana com cinco lives é para ter saberes a mancheias para trocar. Nas aulas do curso: História da Ciência em um heptagrama, a partir da 3ª aula, passei a dividir o palco com colegas que têm mais expertise que eu. O Felipe na 3ª aula fez uma releitura do Iluminismo com os óculos de Nietzsche; na 4ª aula o Prof. Dr. Rogério Seixas nos levou a uma viagem de circum-navegação com o HMS Beagle; na semana que vem, na 5ª aula vamos a divã do psicanalista Rodnei; na 6ª aula a Ana — uma doutora em Química — catalisará uma caminhada ao avesso: das disciplinas à indisciplina.

É muito significativo o quanto nestes perambulares para fazer Alfabetização Científica eu vou (quase) fisicamente aos locais onde se origina a live. Esta semana estive em dois locais que me são inebriantes e por tal vivi com intensidades inusual duas revisitações.

Na segunda-feira, estive no IFSP campus Sertãozinho onde fui fraternalmente acolhido pelo meu querido amigo Paulo Sergio Calefi, que há um ano me fora anfitrião. Foi muito sumarento sonhar com futuras parecerias. Há porquê torcer para que o pré-candidato se transmute em candidato e, então, em diretor do Campus.

Na quarta-feira, uma vez mais as emoções transbordaram. Voltei a viver utopias. Retornei à Escola que quisera para todos os alunos do Planeta. 


Recordei, levado pelo Prof. Dr. Frederico para evocar os 10 dias de residência na Escola de Ensino Médio do Sesc, DO Rio de Janeiro, há um ano. Desta quarta-feira trago as perguntas de dois participantes me fizeram. Os interrogantes trazidos por uma aluna e por um ex-aluno poderiam originar pelo menos duas outras palestras.

A Alana Meireles com quem evoquei a visita ao Observatório Nacional desde Vilhena RO perguntou: Em seu livro “A Ciência Através dos Tempos” o senhor fala que os gregos são os fundadores da ciência e dá quatro motivos para isso que são: uma grande curiosidade intelectual, ausência de uma organização administrativo-religiosa, uma maior participação dos cidadãos em assuntos públicos e um constante aperfeiçoamento da argumentação e da dialética. Na live, o senhor fala sobre os óculos ao qual vemos o mundo, citando o senso comum, o pensamento magico, os saberes primevos, os mitos, as religiões e a ciência. No momento atual a ciência se mostra de extrema importância no cotidiano das pessoas, porém ainda há aqueles que duvidam e preferem ver o mundo pelos óculos da ignorância, desrespeitando as atuais normas de segurança. A minha pergunta é, o senhor acha que o mundo ao qual vivemos hoje, onde temos todas as informações de maneira rápida e muitas vezes não conseguimos fazer grandes reflexões a respeito das mesmas e nem aprofundar nossos conhecimentos, há pouca participação na vida pública, muitas pessoas vendo os fatos sobre o óculos da religião monoteísta e estando cada vez mais cercado pela argumentação conhecida como “textão do facebook” no qual não há uma discussão e sim um cancelamento de ideias contrárias que podem prejudicar a nossa futura ciência, ou até mesmo diminuir o interesse das pessoas em conhecimento cientifico?

Outro aluno, Gabriel Botelho, já formado na Escola Sesc, cursando Química, perguntou: 1.- De que maneira a ciência poderia transformar o mundo negativamente? 2.- Sobre usar dois óculos diferentes, como evitar conflitos entre eles?

Hoje, quando estiver começando o Shabath, pela primeira vez, estarei em uma escola Beneditina, pois com Alessandra, minha colega da Unifesspa, vamos ao Instituto Pio XI, no Rio de Janeiro ver se Ciência é também coisa de mulher. Expectante.

Três outras gratificações da semana: (1) Um spreaker (que não sabia o que era) publicado em espanhol na Colômbia, onde falo da transição da Idade Média para os assim chamados tempos modernos; (2) ontem à tarde gravei um podcast na Universidade de Coimbra, em Portugal; e (3) um inesperado convite para mediar um diálogo: Espiritualidades em tempos de pandemia entre Monge Budista Padma Santem e o Prof. Dr. Cícero M. Teixeira.

Agora... esperar quando setembro chegar. Talvez, com a primavera superaremos o pandemônio que presidente faz de uma pandemia que melhor seria se transcorresse com menos ameaças de bofeteadas na cara.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

21AGOSTO2020 Cruéis tempos levíticos

 


 Mais uma semana nestes tempos de pandemia e de pandemônio que no Brasil se faz tintada de luto. Na semana passada, citei aqui passagens de um dos cinco primeiros livros (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, que compõem o Pentateuco) da Bíblia hebraica e do Antigo Testamento cristão). A referência fora ao Levítico, o terceiro livro. Estranhava então — talvez,ou melhor, me surpreendia — que normas que se dizem discursos de Deus no monte Sinai a Moisés, que as recebeu com a missão de repeti-las aos israelitas, durante o Êxodo (Êxodo 19:1). A surpresa é que normas macchistas, exaradas há pelo menos 5 milênios ainda vigissem.

Pois esta semana, os censores dos crentes e dos não crentes superaram fatídicos zelos e exigiram que seus legalismos absurdos e desumanos fossem impostos a uma menina de 10 anos vítima de estupro pelo próprio tio no Espírito Santo. Ela teve seu nome divulgado na internet e foi alvo de ataques de hordas cristãs. É dolorosamente perturbador quando o ocorrido se faz revelador de um movimento cada vez mais intenso na base religiosa do bolsonarismo. A Ponto — uma newsletter semanal do Brasil de Fato — de hoje revela que o Brasil registra ao menos seis abortos por dia em meninas de 10 a 14 anos, e uma média anual de 26 mil partos de mães com idades entre 10 a 14 anos. Ainda que não haja uma lei específica sobre o aborto, há um conjunto de normas que respaldam a realização do procedimento em casos de estupro. Portanto, diante da garantia legal e da trágica frequência destes casos no Brasil, é de se perguntar por que este caso em específico gerou tanta repercussão.

E os indícios apontam para um nome: Damares Alves, aquela que quando escolhida para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do atual governo revelou que ‘conheceu’ (no sentido bíblico) Jesus numa goiabeira. A ministra já foi apontada como possível vice de Bolsonaro em 2022.

Damares dialoga com uma imensa base religiosa e conservadora, que não está restrita apenas aos evangélicos: a infâmia na frente de hospital recifense foi comandada por grupos católicos e o presidente da CNBB veio a público para condenar não o estupro, mas o aborto realizado na criança. Há ainda o padre de Carlinda MT que culpabilizou a menina dizendo que ela permitiu porque estava gostando.

E eu, em aula, ontem noite elogiava o Papa Francisco por defender que as vacinas não fossem propriedades de uma nação e também não se destinassem por primeiro aos ricos e sim aos mais vulneráveis. Mesmo situações díspares parece que a CNBB e alguns padres não estão em sintonia com o Papa.

Como celebrar a passagem de uma semana distante fisicamente de quem amamos seria mais fácil se o presidente, ainda nesta quarta-feira, em um Brasil já com mais de 112 mil mortos (dos quais quase 3 mil no RS), não viesse a público dizer que não adianta usar máscara contrariando, com sua insapiência, uma recomendação universal.

Não vou trazer assuntos outros pois a situação não apenas me entristece; ela também me enoja. Talvez na próxima sexta-feira, quando nos encontrarmos de novo, a situação não piore. Até então.