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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

15.- TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA

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Começamos mais uma semana. Pelo calendário meteorológico esta deve ser a última semana do inverno de 2014. Diga-se, que o findi que passou esteve mais para verão do que para primavera ou inverno. Há saudosistas que dizem: nem as divisões das estações por equinócios e solstícios merecem o crédito de antanho. Que sejam essas nossas (des)ilusões.
Nossas agendas não se pautam por estações astronômicas. Os brotos das videiras já estão taludos, já colhi amoras neste inverno. O significativo que hoje é segunda-feira. Alguém já disse que ama as segundas, pois elas estão mais distantes da próxima segunda e esta é antecedida pelo sempre esperado fim de semana.
Para mim este semestre as segundas tem um dulçor especial. É o dia que tenho aula na Universidade do Adulto Maior. Já tive interpretações a meu gáudio.  Parece ser o único cenário social e profissional em que não sou o mais velho. Ainda, vivia isso, neste domingo, quando participava da celebração de aniversário de meu neto Felipe, em Estrela.
Mas, para não dar azo a essas irrelevâncias, trago algo muito significativo. De vez em vez, já comentei aqui, o quanto dentre os diferentes ritos acadêmicos, são as ‘bancas de qualificações’ aquelas que não só tem o nome mais bem posto, como se constituem em um espaço privilegiado para orientando e  orientador ouvir avaliadores que ratificam ou retificam os caminhos anunciados numa proposta de tese ou dissertação.
A expectativa não é só do mestrando ou do doutorando. O orientador, até por que é coautor com orientando e porque, muitas vezes, se (a)ventura em uma área que não domina algumas teorias, socorre-se de quem tem mais expertise.
Hoje, junto com minha orientanda Karina Amadori Stroschein Normann, enfermeira e professora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Metodista do IPA vamos ouvir as considerações das professoras doutoras Simone Edi Chaves, da Unisinos e Marlis Morosini Polidori, do Mestrado Profissional de Reabilitação e Inclusão do IPA, acerca da proposta de dissertação que pretende responder: Como a Terapia Comunitária Integrativa, ao estar presente na disciplina de Educação Permanente do curso de bacharel em enfermagem do Centro Universitário Metodista IPA, pode promover ações de inclusão no cuidado em saúde?
A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) é considerada como um campo de promoção de encontros (interpessoais e comunitários) que possibilita compartilhar vivências e conhecimentos. Desta forma, resgata a valorização das histórias de vida dos participantes em rodas de TCI, bem como o fortalecimento da autoestima e da autoconfiança para o aumento da percepção dos problemas que estão ao seu redor, visualizando possibilidades de solução. A proposta de dissertação se propõe analisar as possíveis ações de inclusão desenvolvidas pela Terapia Comunitária Integrativa no currículo do curso de bacharel em Enfermagem, para a promoção do exercício de uma cidadania mais crítica. A pesquisa será realiza com os acadêmicos do curso de bacharel em Enfermagem, do Centro Universitário Metodista IPA.
A Terapia Comunitária Integrativa, com ações expressivas em vários países, iniciou no Brasil há cerca de 20 anos, por Adalberto de Paula Barreto, psiquiatra, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela apresenta alternativas que buscam dar voz aos participantes, tendo no horizonte um dito popular lembrado por Barreto: “quando a boca cala, o corpo fala, e quando a boca fala, o corpo sara”. 
De um grupo de TCI da França, Suíça, Alemanha e Itália
Esta sentença evidencia a necessidade de criar espaços coletivos para promoção da fala e da escuta.
Estas sãos das muitas possibilidades de aprendizagem que temos. Por isso a não-rotina fascina o ser professor.
 "Cada um tem dentro de si, mesmo que não saiba, recursos que podem ser úteis aos outros." Texto original em francês: Chacun possède en lui, même s'il l'ignore, des ressources qui peuvent être utiles aux autres" 

domingo, 14 de setembro de 2014

14.- DOMINGUEIRA REFLEXIVA


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Abro a domingueira com a representação da imagem que ilustrou a edição do último domingo.
Ela suscitou frutuosas discussões em algumas das aulas que ministrei na semana que passou. Seguem-se alguns slides pinçados de uma apresentação maior. As imagens de hoje, como aquela de domingo passado, parecem dispensar adição de outros comentários.


















































Encerro com votos de um muito bom domingo a cada uma e cada um.

sábado, 13 de setembro de 2014

13.- AGORA, A HORA E A VEZ DO ENSINO MÉDIO


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Sábado sim, sábado não, tenho manhãs, previsivelmente, privilegiadas. Não apenas eu, mas mais 12 alunas e alunos do Mestrado Profissional de Reabilitação e Inclusão do Centro Universitário Metodista do IPA. Compartimos o seminário ‘Reabilitação e Educação’ com o Jose Clovis de Azevedo. Hoje é uma destas esperadas manhãs.
Nesta semana, de segunda a sexta, tratou-se, neste blogue, de avaliação e de ranking. Hoje não será diferente. Trago um artigo publicado na imprensa gaúcha, na última quarta. 
Jose Clovis de Azevedo.
Foto: Camila Domingues / Palácio Piratini
O QUE MELHORA A EDUCAÇÃO, Jose Clovis de Azevedo, Secretário de Estado da Educação.
O Ensino Médio da rede estadual do Rio Grande do Sul ficou em 11º lugar no Ideb de 2011. Em 2013, saltou para segundo lugar, dividindo esta posição com São Paulo. Obteve o primeiro lugar entre os Estados nas provas de proficiência em língua portuguesa e matemática, aumentou os índices de aprovação de 66,3 para 73,5, tendo um crescimento de 8% no Ideb, o maior crescimento entre todos os Estados, passando de 3,4 para 3,7. Frente a esta mudança substantiva, é oportuno refletir sobre as causas que possibilitaram tais avanços.
A reforma curricular do Ensino Médio implementada na rede estadual foi, certamente, o carro-chefe dessas mudanças. A introdução da pesquisa, o contato com o mundo do trabalho, mobilizaram os jovens, que passaram a ter um papel ativo na construção do conhecimento. É a transição de um paradigma baseado na transmissão de conteúdos descontextualizados para uma pedagogia ativa, baseada na investigação, na criatividade, em que o educando é sujeito de sua aprendizagem, sendo estimulado a construir os contornos de seu projeto de vida.
No novo Ensino Médio Politécnico, o conhecimento passa a ter um tratamento interdisciplinar. Pesquisa, ensino e avaliação são partes do mesmo processo; o educando é continuamente desafiado a aprender mais.
Essas mudanças conceituais e paradigmáticas têm sido possíveis graças a um programa de formação continuada e em serviço dos professores. Os docentes estaduais estão estudando, em movimento permanente de formação, agregando valor à sua formação intelectual e incidindo positivamente na qualidade de ensino. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

12.- CUIDADO COM A CAMA DE PROCUSTO


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Como ontem, a blogada desta sexta circula quando inicio uma viajada. Hoje, em caminho inverso. Deixo Frederico Westphalen, rumo a Porto Alegre. Aqui ontem, o central foi a 2ª sessão presencial das 5 como atividade presencial do seminário “A arte de escrever Ciência com arte” da edição 2014/1.
O assunto da semana continua o mesmo: a Universidade. A propósito do RUF, Hélio Schwartsman, um dos mais respeitados cronistas da Folha — bacharel em filosofia e autor entre outros de  O Segredo de Avicena e Uma Aventura no Afeganistão — publicou no caderno especial acerca do RUF, nesta segunda, um texto, que transcrevo em sua parte inicial. A íntegra do texto esta em ruf.folha.uol.com.br/2014/
Isolados, critérios do RUF são imprecisos, mas funcionam em conjunto Na mitologia grega, Procusto é um vilão que assassinava quem se aventurasse pela região do monte Korydallos, no caminho entre Atenas e a cidade sagrada de Elêusis. Ele convidava a vítima a deitar-se numa cama de ferro e, se ela fosse menor do que o leito, esticava seus membros até esquartejá-la. Se fosse maior, cortava-lhe as pernas. Nenhum viajante se salvava, pois, secretamente, Procusto mantinha duas camas com dimensões diferentes e sempre punha o peregrino na que não lhe servia.
Modernamente, usa-se a expressão "cama de Procusto" para designar um padrão arbitrário para o qual a conformidade é forçada. Fazer um ranking universitário é submeter instituições a uma bateria de dezenas de leitos de Procusto, na esperança de que depois, analisando os pedaços decepados e os distendidos, seja possível estimar o tamanho das vítimas.
Isso significa que, tomados isoladamente, todos os indicadores utilizados no RUF são imprecisos, às vezes até problemáticos. Mas espera-se que, no conjunto, ofereçam um retrato razoável dos pontos fortes e dos fracos de cada instituição.
Diferentemente de Procusto, o ranking não tem o objetivo de eliminar o viajante, mas permitir que ele se conheça melhor, se compare a outros andarilhos e que todos tenham a oportunidade de ajustar-se à rota. Uma medida da produção universitária, mesmo que imperfeita, é preferível a nenhuma medida. Como gostam de dizer os físicos, só conhecemos aquilo que podemos medir.
O beneficiário último desse tipo de iniciativa nem é a instituição, mas o estudante que se vê diante de uma oferta cada vez maior de cursos e faculdades e raramente dispõe de ferramentas adequadas para avaliá-los.
Outra diferença importante em relação a Procusto é que, como as "vítimas" do ranking seguem vivas, falam e reclamam, a equipe do RUF ouviu suas críticas, debateu-as em âmbito interno e externo e promoveu mudanças, buscando aperfeiçoar sua metodologia.
Trata-se, porém, de um trabalho sem fim, já que, por definição, é impossível chegar a critérios definitivos. A referência mitológica aqui já não é Procusto, mas Sísifo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

11.- UNIVERSIDADE: DO FUTURO: QUAL?


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A blogada desta quinta circula quando, uma vez mais, estou deixando Porto Alegre, para minha jornada mensal à Frederico Westphalen. Hoje tenho, entre outros fazeres, a 2ª sessão presencial das 5 de atividades presenciais do seminário “A arte de escrever Ciência com arte” da edição 2014/1.
Volto ao tema presente nas três edições desta semana. A (im)produtividade acadêmica. Para tal, é importante ter presente a significativa e densa análise da Universidade brasileira, apresentada por Marilena Chauí, trazida aqui na segunda-feira. Há uma generalizada preocupação com a Universidade, pelo menos no mundo ocidental. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul uma das entidades sindicais de docentes universitários desenvolve o ciclo Universidade do Futuro onde um dos focos é a universidade e o sistema de ciência e tecnologia.
Os mais diferentes rankings demostram, também, isso. Trago apenas um exemplo. A Wikipédia apresenta, talvez, aquela que é a classificação mais prestigiada do "Shanghai Jiao Tong University’s Institute of Higher Education” A lista mostra as primeiras 100 universidades do planeta classificadas de acordo com a avaliação de suas publicações científicas, conforme a metodologia utilizada pela referida universidade chinesa.  
Eis algo acerca da lista do ano de 2014 para as 100 que fazem parte do primeiríssimo time: das 20 primeiras 16 são estadunidenses, três do Reino Unido e uma Suíça. Não há nenhuma latino-americana ou africana e com exceção de duas australianas, as outras 98 são do hemisfério norte. A situação é fantasticamente desigual.
Talvez, por isso que eu encerrava, na terça, a apresentação do RUF 2014 assim: há articulistas da Folha, que não apenas questionam a Universidade brasileira, como não sem pretensão, dizem como ela deve ser. Assim, há a questão: Por que não ter universidades só de ensino? ou a sugestão: Que tal tomar o rumo da Califórnia!
O assunto comporta algumas discussões. Alinhavo três. Primeiro é indiscutível que a Universidade brasileira precisa mudar. Basta olhar, por exemplo, a nossa tênue presença em posições privilegiadas nos rankings internacionais. Segundo, a universidade é conservadora; ela tem ainda as marcas do marasmo da igreja onde ela nasceu dogmática no século 12 e assim resiste a mudanças. Terceiro, não parece que um jornal, mesmo que de projeção e baseado em um trabalho hercúleo, venha dizer como deva ser a universidade.
Questiono meu terceiro ponto: os autores dos rankings não são, de maneira usual, estranhos à universidade e, especialmente, os articulistas que apresentam as propostas são, de alguma maneira, ligados a academia. Arvoram-se a reformadores em espaços fora da universidade, pois ocorre omissão em seu seio, muito determinada pela proteção de feudos. Talvez essa seja até justificada: os docentes estão tão envolvidos no ativismo, na competição entre os pares, e de maneira especial competindo entre as instituições. Assim, talvez não vejam que o barco faz água.
Não padece dúvidas que universidades precisam produzir conhecimento, parece óbvio que essa função ainda é quase exclusividade, das instituições públicas. Vimos na terça, que das 192 universidades brasileiras, entre as primeiras 50, só há sete privadas; destas a primeira é a 18ª.
A situação, paradoxalmente se inverte no ensino, outra atribuição fundamental da Universidade: A Folha mostra que as públicas têm parcela minoritária das matrículas. Essa fatia caiu de 40%, nos anos 1990, para cerca de 25%, mas só até 2008. Nos últimos seis anos, começou ligeira recuperação, e a parcela de alunos de instituições públicas subiu para perto de 30%. Grande responsável por isso foi a rápida expansão de universidades federais no governo Lula.
Há muito caminho a caminhar. Mas antes, há que fazer caminhos.