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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

23OUT2020# Laudato Si', Professor

 


 

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Esta manhã comecei escrever um artigo. A edição do blogue desta semana se tece com a parte inicial do prelúdio. Que este entusiasme a cada uma e cada um, como eu estou curtindo o texto.

                                Laudato Si, Professor!

                                                                '  À guisa de prelúdio

Saber o contexto que um artigo ou um livro foi escrito me parece, de maneira usual, importante. Não sei o que mais agrada ao leitor saber: um retratinho do autor, com data de nascimento e sua formação acadêmica ou relato do cenário e/ou ações do autor à redação do texto. Para mim é mais agradável a segunda opção (relato do cenário e/ou ações do autor), por tal, teço a segunda opção com excertos de uma troca de mensagens, aqui e agora, à laia de proêmio.

Este preludiar poderia ser rotulado como ‘um sumarento exercício de pegar carona nas alegrias dos outros’. Isto não é trivial, quando vivemos em uma sociedade fortemente marcada pela competição. No muito competitivo meio acadêmico, o currículo Lattes é constante termômetro a nos aferir. Não raro conhecemos hábeis engo®dadores do seu Lattes,que inclui na suas rezas matinais o pedido: “Lattes, Lattes meu, não permitais que haja alguém melhor do que eu!”

Vivemos ferreteados por escores que nos posicionam. ‘Como não foste o primeiro?’, ‘Só 9,5! Alguém tirou 10?’, ‘Foste o penúltimo? Mas, certamente ficaste na frente do filho da comadre Mariquinha, aquele plastinha?’  

Ainda na sala de parto, quando um recém-nascido se aclimata na vivência de seu primeiro minuto de vida-extra uterina (talvez, houve uma primeira disputa, nove meses antes, catalisada por um ordem radical: ‘Multidão de espermatozoides correi! O óvulo será de quem chegar primeiro!’) ocorre uma primeira de muitas e continuadas aferições, quando o pediatra registra o Apagar1,2 do neo-avaliado.

Meu atencioso leitor, veja como me foi ofertada uma carona linda e muito significativa. Transcrevo excertos de mensagens que troquei com meu fraternal amigo Enrique Del Percio. Ele é sempre presente em escritos e palestras quando trato de Das disciplinas à indisciplina, título de meu último livro. O Enrique já esteve mais de uma vez em minha casa, demos aula juntos, há dois anos, na Unisinos e também me visitou em 2002, quando vivi em Madrid. Já me recebeu em Buenos Aires, inclusive para compartilhar aulas com ele na renomada UBA (Universidade de Buenos Aires).

Nesta quarta-feira, 21 de outubro, quando estava envolvido, juntamente com minha orientanda Leilane Andressa Bicho de Oliveira, com a live “Para formar jardineiros para cuidar do Planeta”, para cerca de centenas de professores de Parauapebas, recebi do Enrique esta mensagem no WhatsApp, acompanhada de uma imagem com o texto, de próprio punho do signatário: El Papa envió hoy una carta a la USI, dice: "Querido hermano, sé que la Universidad de San Isidro, el próximo 27, hará la inauguración del Instituto Juan Carlos Scannone. La noticia me alegra. Es un resarcimiento a un maestro y pensador que ha influido mucho en la filosofía Latinoamericana. Te ruego hagas llegar mi saludo al Sr. Rector Enrique Del Percio y a la Comunidad Universitaria por este gesto y mi gratitud. Estaré espiritualmente presente en mi oración y mi pedido de que recen por mí. Que Jesús te bendiga y la Virgen Santa te cuide. Fraternalmente, Francisco."

Respondi assim, no mesmo dia: “Meu muito querido amigo! Que distinção receber uma mensagem de próprio punho do Papa Francisco! A meu juízo hoje ele é um dos únicos líderes mundiais que deveríamos ouvir! Há muito tempo uso sua Encíclica Laudato Si' como antídoto a política ambiental do governo brasileiro! Não preciso dizer para ti o quanto temos nesta Encíclica um dos melhores documentos acerca da defesa da qualidade de vida na nossa casa comum, o planeta Terra. Cumprimento emocionados, mais uma vez!”

Imediatamente recebi breves, mas significativas mensagens: “Gracias Attico!! Este texto tuyo tiene un valor muy especial. Abrazo enorme!!”, “Te puedo pedir que para antes del 30/11 (falta más de un mes) escribas un artículo sobre esto que me dices para la revista Poliedro? Puede ser en portugués y lo publicamos bilíngue!” e “De 4 a 6 páginas escritas en el lenguaje que vos sabés usar tan bien: dirigido a un público amplio, no especializado. Sería muy bueno poder contar con ese!!”


Fui lacônico, mas entusiasmado na adesão ao convite: “Artigo prometido! Podes aguardar!”

Ontem, à noite, quando a sexta-feira já começava, o Enrique, muito mais antenado em futebol que eu, me dava resultados da Libertadores. Eu escrevi: Estou muito envolvido um artigo para Poliedro. Hoje, terminei um artigo que pretendo enviar para revista do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Esta manhã hoje foi a minha 62ª Live, na Universidade Federal de São Paulo. Em todas tenho falado da Encíclica Laudato Si'. Há algumas que tem mais de 500 participantes pessoas de quatro continentes inclusive argentinos já ouviram essas falas.

O Enrique escreve: Que importante lo que estás haciendo Attico!!

Então, contei-lhe: Um dia desses eu cheguei na portaria do meu prédio e o Alessandro, funcionário da portaria disse: ‘Laudato si' professor!’ Fiquei comovido. Ele ouve as minhas lives”

Meu amigo respondeu. Que mágico esto que me contás!!!!

E eu já tenho um começo de um texto Destinado a revista Poliedro. Da Universidade San Isidro, narrando como tenho usado a Encíclica Laudato Si' como antídoto às políticas bolsonaristas no cuidado do Planeta Terra, nossa casa comum.

[1] A Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar (1909 – 1974), médica estadunidense, que consiste na avaliação por um pediatra e 5 sinais objetivos do recém-nascido, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2. O teste, aplicado duas vezes (no primeiro e no quinto minuto após o nascimento), é utilizado para avaliar o ajuste imediato do recém-nascido à vida extrauterina, sendo que os sinais avaliados são: frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo 0 e no máximo 10) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como: sem asfixia (Apgar 8 a 10); com asfixia leve (Apgar 5 a 7); com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) ou com asfixia grave: Apgar 0 a 2 (Fonte: Wikipédia).

2 A sigla 'APGAR' é uma espécie de acróstico relacionando a Virginia Apgar, neonatologista que propôs tal sistematização da avaliação clínica: Appearance, Pulse, Grimace, Activity, Respiration. Em Português: Aparência, Pulso, Gesticulação, Atividade, Respiração (Fonte: Wikipédia, com mais informações).

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

16OUT2020# Antonieta de Barros, uma mulher excepcional

 


 

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Esta já é terceira blogadas das cinco previstas para este outubro incerto/inserto neste pandêmico 2020. Ela ocorre após o Dia do Professor. Ontem, talvez, por parecer que sete meses de isolamento já sejam de bom tamanho para encerrar confinamentos, houve um sabor festivo no 15 de outubro.

Nós não nos alertarmos para o que ocorre na Europa, com recidiva do Corona vírus, é uma temeridade. Abaixo da linha do Equador parece que se está imune.  Aqui também não se peca quando se substitui o religioso Círio de Nazaré pela busca pagã de um edredom por 30 reais com direito a idolatrar uma estátua da liberdade nanica.

O 15 de outubro teve (merecidas) homenagens a professoras e professores. Dezenas dos mais diferentes cartões virtuais foram produzidos, alguns de muito bom gosto. Talvez, o tema mais celebrado ontem foi aquele que destaca Antonieta de Barros (11/07/1901 — 28/03/1952), a parlamentar negra pioneira na oficialização do Dia do Professor.

Aline Torres jornalista, escritora e criadora da Construtores de Memórias, no El País* apresenta Antonieta de Barros, a parlamentar catarinense, filha de escrava liberta, que lutou contra o analfabetismo. Ela é uma dentre as três primeiras mulheres eleitas no Brasil. A única negra. Foi eleita em 1934 deputada estadual por Santa Catarina, mesmo ano que a médica Carlota Pereira de Queirós foi eleita deputada federal por São Paulo. Sete anos antes, Alzira Soriano havia sido eleita prefeita num pequeno município do Rio Grande do Norte, primeiro estado a permitir disputas femininas.

A definição do dia para celebrar os professores remonta ao dia 15 de outubro de 1827, quando Dom Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto se determinava que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava basicamente da descentralização do ensino, do salário dos professores, das matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até sobre como os professores deveriam ser contratados.

A contribuição da primeira Lei acerca da Educação no Brail foi a de determinar, no seu artigo 1º, que as Escolas de Primeiras Letras (hoje, ensino fundamental) deveriam ensinar, para os meninos, a leitura, a escrita, as quatro operações de cálculo e as noções mais gerais de geometria prática. Às meninas, — ferreteadas por um DNA machista — sem qualquer embasamento pedagógico, estavam excluídas as noções de geometria. Aprenderiam as prendas (costurar, bordar, cozinhar etc.) para a economia doméstica.

A escolha de 15 de outubro para emissão de tão significativa decisão imperial foi por ser o dia da celebração litúrgica da padroeira da Educação: Santa Teresa de Ávila, a Reformadora do Carmelo.  A mística carmelita morreu no dia 4 de outubro e foi sepultada no dia seguinte, 15 de outubro de 1582. Por ajustes na transição do calendário juliano para o gregoriano foram surpresos dez dias de 05 a 14 de outubro de 1582.

Vale recordar que no Século 16 houve diferentes cisões reformistas que determinaram cisões na hegemonia da Igreja Católica Romana e por tal muitos países não adotaram o calendário promulgado pelo papa. Havendo então calendários diferentes, com consequências que se pode estimar facilmente.

Para oportuno se traz algo mais de Antonieta de Barros. Aline Torres, na mesma referência antes citada, narra: “Expoente da ideia “anárquica” de que as mulheres deveriam ter direito ao voto, a bióloga Bertha Lutz trocou inúmeras cartas com Antonieta na década de 1930. Vale lembrar, Antonieta foi eleita menos de meio século após a abolição da escravatura e apenas dois do sufrágio — que deu às mulheres direito ao voto facultativo. Num país fortemente preconceituoso quanto à classe, cor e gênero tinha orgulho de sua história.

Nasceu em Desterro, como era chamada Florianópolis, no dia 11 de julho de 1901. No registro de batismo, na Cúria Metropolitana, realizado pelo Padre Francisco Topp, não aparece o nome do pai. A mãe era Catarina Waltrich, escrava liberta. No imaginário popular, a verdadeira paternidade estaria ligada à família Ramos, uma das mais tradicionais do Estado.

A bandeira política de Antonieta era o poder revolucionário e libertador da educação para todos. O analfabetismo em Santa Catarina, em 1922, época que começou a lecionar, era de 65%. Isso que o Estado, sobretudo pela presença alemã, aparecia com um dos índices mais altos de escolarização do país, seguidos por São Paulo”.

O decreto imperial sancionado por dom Pedro I, em 15 de outubro em 1827, catalisou que se fizesse de 15 de outubro uma data para homenagear os Professores. A data era comemorada informalmente. Então, um projeto de lei de Antonieta criou, no estado de Santa Catarina, o Dia do Professor e o feriado escolar nessa data (Lei Nº 145, de 12 de outubro de 1948). A data seria oficializada no país inteiro somente 15 anos depois, por Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963, sancionado pelo presidente da República, João Goulart. O Decreto definia a essência e razão do feriado: “Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.

https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-10-15/antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor.html

Uma sugestão de leitura excelente é se abeberar do texto que está acima referido. Os excertos trazidos antes se tornaram muito mais aproveitados.

A cada uma e cada dos leitores deste blogue, votos de uma bom fim de semana seguido de dias de sumarentos (a)fazeres. É provável nos encontrarmos aqui, na vindoura sexta-feira, dia23.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

09OUT2020#Republiqueta cívico-militar-teocrática


 

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Honrando o meu decantado (decantar, na acepção de tecer elogios) prazer no escrevinhar, há que dizer que nem sempre são fáceis esses blogares semanais. Não consigo imaginar que, por mais de uma meia dúzia de anos, este blogue foi diário.

Mirar a semana que passou se faz gratificante. Mas, aqui e agora, fazer a segunda blogada de outubro, não é trivial.

Esta manhã começou a propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na televisão. No WhatsApp, há dias, já soube, reiteradas vezes, que Paulinho da Mariante é o candidato a vereador da minha rua, mesmo que não saiba quem é o Paulinho. Esta manhã, ouvi propagandas de 13 candidatos a prefeito e de centenas de vereadores em Porto Alegre.

Parece que se pode dizer: a Republiqueta cívico-militar-teocrática está enfezada e colocou os blocos na passarela: Eis algo de uma newsletter de hoje: “Em 2016, na ressaca do impeachment, a esquerda perdeu prefeituras importantes. O resultado seria até uma marolinha, se comparada com o tsunami que veio em 2018, elegendo Bolsonaro e o Congresso mais conservador dos últimos anos. As eleições de novembro deverão confirmar se a onda conservadora veio para ficar. O número de candidatos com referências militares ou religiosas pode ser um indicativo: o número de candidatos com títulos militares saltou em mais de 300% entre os prefeitos e 56% entre os vereadores. Já os candidatos com vínculos religiosos no título cresceram pouco mais de 10% entre os candidatos à prefeitos, mas serão 4500 concorrentes entre os vereadores, um aumento de mais de 40%. Ou seja, as armas e a cruz se apresentam como solução forte para um país que se arrasta numa crise prolongada. Entre os partidos políticos, o PSL foi o que mais lançou candidatos militares às câmaras municipais (308) e o Republicanos foi o que mais lançou com títulos religiosos (367). Os dois partidos são também as legendas com maior número de candidatos em todo o país: cada um tem cerca de 3.000 candidatos aos Legislativos municipais nas 95 maiores cidades do país, uma média de mais de 30 por município” (Ponto a informação sem ruído, newsletter do BRASIL DE FATO).

Deixo de lado a substituição da serpentina e do confete pela cruz e pela espada, neste carnaval que parece um falso brilhante em que se fantasia a campanha eleitoral. Há dois breves registros da semana que merecem referências.

1º DESTAQUE Esta semana houve quatro lives. Destas destaco duas no Mato Grosso. A minha ligação com este estado é histórica. Dos 32 mestres que formei, a primeira foi Irene Cristina de MELLO, na UFMT, em 1996. O 32º foi Gédson Cardoso KEMPE em 2015 no CUM-IPA, que fez a parte empírica em Quatro Marcos MT. Dois do oito doutores levei à defesa de tese são docentes da UFMT: Eduardo Ribeiro MUELLER em 2018 e Patrícia ROSINKE, em 2019, ambos pela Reamec.

As duas lives foram:

I) A Ciência é masculina? É, Sim Senhora! na UFMT, no câmpus Araguaia, mediada pela Profa. Dra. Graziele Borges de Oliveira Pena.

          II) Assestando óculos para ver o Mundo no IFMT, em Cuiabá, em iniciativa do Prof. Dr. Geison Jader de Mello. Esta 57ª live merece pelo menos dois destaques: a) o Prof. Dr. Luiz Renato de Souza Pinto, que participou da live desde Santarém compôs uma harmônica ode propondo cantares aos personagens que eu citara na minha fala. Ao encerramento, o autor recitou sua lírica composição ao participantes. b) Dentre todas as lives que fiz desde 13 de maio, esta foi, de maneira indiscutível, a fita azul em termos da tecnologia disponibilizada. E é natural que um dado como este determina uma significativa melhora no conteúdo da fala.

2º DESTAQUE Esta semana, nas primeiras horas, de segunda a sexta-feira, tivemos os anúncios dos Prêmios Nobéis do pandêmico 2020. Mesmo que não nos envolvamos nas fabulosas apostas, há as nossas torcidas. Uma delas está relacionadas na torcida para que aumentem o número de mulheres laureadas. Na segunda-feira, conhecemos os laureados de Medicina: três homens. Mais de um colega me enviou mensagem ratificando o título do meu livro. Na terça-feira, uma surpresa: em 120 anos a quarta mulher laureada com o Nobel de Física. As quatro dividiram, nas 4 situações o prêmio com homens; o terceiro Nobel de Física há uma mulher fora há 2 anos, depois de 53 anos. Mas surpresa maior ocorreu na quarta-feira: duas mulheres foram laureadas juntas, pela primeira vez em todas as categorias, sem a co-partição de homens. Na imagem (que resume o número total de laureadas em Ciências desde 1901) pode se ver que das sete láureas em Química 4 foram sozinhas.

Com o Nobel de Literatura para uma mulher, anunciado ontem, agora são16 mulheres em 108 laureadas. A situação do Nobel da Paz (o único que pode ser por pessoas ou organizações) passa a ser: concedidos a QUINZE mulheres entre 99 pessoas e 34 organizações. Para segunda-feira está previsto o anúncio do Nobel em Economia, distribuído desde 1969, para 70 pessoas das quais DUAS mulheres. Assim, não é só a Ciência que predominantemente masculina.

Um muito bom feriadão, com muita saúde a todos. Nosso próximo encontro será provavelmente no dia 16. Até então!

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

02OUT2020#Carta ao ministro da Educação



 

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Foi uma semana ubérrima.  Esta adjetivação ao nosso milenar hebdomadário de viver os tempos sob o império de Cronos, exige (a)fazeres. Estes, não raro, nos exaurem. Esta exaustão potencializa saberes e sabores.

A cereja do bolo de minha semana foi a promoção do Grupo Ciência e Espiritualidade da ADufrgs: o (re)encontro com o mestre budista Lama Padma Samten, que foi professor do Instituto de Física da UFRGS de 1969 a 1994, quando eu era professor do Instituto de Química. É inarrável aqui as emoções de ter dialogado, por mais de uma hora com Alfredo Aveline.

 Não parece difícil imaginar o quanto a 53ª live facilitou a compreensão da espiritualidade e da cultura de paz, como caminho para que se desenvolvam cada vez melhores relações no ambiente onde vivemos. Em attico chassot, no You Tube, numa edição artesanal, pode ser conhecida a live.

O ‘day after’, diferente do sonhado, não ensejou a curtição de louros. Foi me concedido poucas horas para que apresentasse à agencia financiadora ‘Um novo cronograma das ações propostas’ em relatório de 25 páginas que entregara na sexta-feira, dia 25/09. Não sem muito esforço, em tempo hábil, em duas laudas. escrevi que “é impossível fazer novos cronogramas nestes tempos pandêmicos, nos quais se expande ações de mulheres e de homens envolvidos na Educação, no realizar com competências que alegram e confortam em tempos lutuosos comunidades acadêmicas em muitos pontos do Brasil”.

Assim como ouvi de minha mão muitas vezes ouvi o murmurar: “O que vou cozinhar amanhã? Éramos nove: mãe, pai e sete filhos. Eu muito me perguntei até a manhã desta primeira sexta-feira de outubro: o que vou blogar amanhã?

Então veio uma solução. Ela é camoniana: Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta (Os Lusíadas, Canto 1, excerto da estrofe 3).

Um dos nossos maiores escritores, Ignácio de Loyola Brandão, escreveu carta aberta ao ministro da educação, publicada nesta quarta-feira, 30/09/2020, em O Estado de São Paulo.  E ela se faz a blogada inaugural deste outubro 2020.

Ministro Milton Ribeiro,

deixe-me apresentar. Sou escritor, publiquei 46 livros, jornalista desde 1952, hoje cronista e pertenço a duas Academias, a Brasileira e a Paulista. Este breve curriculum se deve a quê? Aos professores que tive.

Todos de primeira linha, dedicados, cultos, apaixonados. Desde 1975, junto a outro escritor e acadêmico da Brasileira, Antonio Torres, atravessamos o Brasil. Convidados por professores, discutimos a formação de leitores e literatura. Estive várias vezes no Mackenzie, sua escola, levado por quem? Por professores que adoram seu ofício.

Ao longo destes 50 anos, conhecemos e nos relacionamos com mais de dois ou três mil professores que desdenharam outras profissões. Poderiam ter sido médicos, engenheiros, advogados, ministros, astronautas, cientistas, artistas, executivos, banqueiros, e daí em diante. Preferiram ser mestres. Ninguém vai ser professor sem paixão pelo ensino.

Deste modo, ao ler sua entrevista neste jornal, recentemente, levei um susto com sua escorregadela: “Hoje, ser professor é ser quase que uma declaração que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”. Ou seja, são pessoas que fracassaram. Em seguida, percebendo, o senhor tentou consertar: “É preciso a gente olhar com carinho maior para os professores”. Ou seja, uma no prego e outra na ferradura. Um tapa, um beijo. Afago e beliscão.

Existem zilhões de profissões. Mesmo assim, o que se depreende de sua fala é que milhões acabaram sendo professores por incapacidade, preguiça, deficiência mental, incompetência, ignorância, burrice, analfabetismo? Exagero?

Como escritor, trabalhando com a imaginação exacerbada, conhecendo o absurdo da realidade tornei-me, segundo me definem curiosamente, “vidente”, profeta. Está em meu livro Desta Terra Nada Vai Sobrar..., publicado em 2018: “O Ministério da Educação foi eliminado, porque o governo decidiu que quem quiser estudar, estude onde quiser, como quiser, como puder, onde conseguir, se tiver vontade.” Antecipei Bolsonaro e o desmantelamento do Ensino. Há dois anos vivemos o caos educacional.

O senhor, Ministro, pertence a uma escola de elite em São Paulo, reconhecida pela qualidade. Quer dizer que os professores que dão aulas ali, e em todas as escolas do Estado, do País, foram dar aulas porque não acharam mais o que fazer? Ou é gente que sonhou e se formou para isso, estudou, batalhou à exaustão, conseguiu nível de excelência? Ou porque idealizaram mudar cabeças, melhorar o País e isso se consegue com educação?

Sei — e o senhor sabe — que o número de professores no país, em 2017, passava de 2,5 milhões, segundo revelou Carolina Gonçalves, da Agência Brasil. A maior parte dos professores é da educação básica, seguindo os do ensino superior, além dos que estão na zona rural.

Será que este número enorme é de gente que não conseguiu outro trabalho? Não puderam ser célebres no cinema, nem cientistas, caminhoneiros, artistas, garis, bombeiros, mestres de cozinha, modelos, publicitários, jornalistas, bailarinos, futebolistas, taxistas, assessores de políticos, de imprensa horticultores, balconistas, metalúrgicos, motoboys, vidraceiros, caftens, marceneiros, pedreiros, chapeiros de hambúrguer, agrimensores, bicheiros, pianistas, donos de papelaria ou de pastelaria?

Andou pelo Brasil, Ministro? Saiu dessa confortável poltrona em que o vejo sentado na foto do jornal? Esteve nas escolas rurais de Pirenópolis, interior do Goiás, onde professoras madrugam para dar aulas a filhos de camponeses? Embarcou nos barcos bibliotecas que partem de Macapá levando livros para escolas ribeirinhas sobre o Amazonas? Esteve com as professoras que conseguiram ensinar alunos rebeldes, tresloucados, filhos de marginais, na Casa Meio Norte, em Teresina, hoje modelo premiado?

Esteve – como estive – na escola da aldeia dos índios da tribo Canindé, no Ceará, e viu os jovens mantendo tradições e manipulando computadores com o pé no futuro? Ou acha, como o presidente, que os índios estão só queimando matas? Conviveu com professores dando aulas ao ar livre em Rio Branco, Acre, rodeados por jovens?

Testemunhou o trabalho monumental, voluntário, dos professores que a cada ano são voluntários nas Feiras de Livros de Ribeirão Preto, que chega à sua 20ª edição? Ou do esforço feito em Passo Fundo pelas Jornadas de Literatura de Tania Rösing e sua equipe? Jornadas extintas por dificuldades financeiras. Assombre-se, elas reuniam em cada sessão – e eram três por dia – seis mil professores formadores de leitores.

Ministro, não ignore o fundamento de uma nação, o professor. Esse que é mal pago, desconsiderado, violentado, processado por pais, agredido por alunos. Sou escritor por ter tido professores dignos. Percorra a nossa história e verá quantas figuras fundamentais (ou não) foram formadas por eles. Peça desculpas a essa gente, base da nação. Seu cargo é mais importante que o do presidente da nação. Não misture alhos com bugalhos, libere-se dos preconceitos e entre para a história colocando ordem na casa. 

Loyola é jornalista e escritor, autor 'Zero' e 'Não verás país nenhum'

Uma boa semana a cada uma e cada um dos leitores desde blogue. Expectante por um reencontro na próxima sexta-feira.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

25SET2020#Um laboratório indisciplinar




 

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Há uma semana celebrava a 50ª live na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) em Redenção CE. Foram momentos de estar com os países de quatro continentes: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, na busca de uma troca de conhecimentos.

Nesta semana me dediquei (ex)(in)tensamente à elaboração de Relatório acerca do 2º ano de bolsista CAPES PVNS-Amazônia. Produzi um texto de 25 páginas com 10 segmentos, dos quais um: Laboratório indisciplinar, serve de gérmen de cristalização para elaboração da primeira blogada da primavera 2020 que chegou prenhe de esperança.

Uma vez mais há que referir que pandemia é bipolar. Ela gera ônus. Estes de maneira usual dramáticos. Mesmo que ela fosse causa de apenas uma morte não compensaria os bônus que nos enseja. Quando relatei as transmutações ocorridas no Peregrino da Ciência (no 3º segmento do Relatório) pode se dizer que tivemos da pandemia acenos para novos fazeres na Educação nas Ciências.

Talvez, dentre os mais significativos bônus da pandemia, tenha sido acelerar, tal melhor: antecipar situações que ainda levaríamos alguns anos para experimenta-los. O trabalho em casa, em algumas atividades laborais, é uma muito significativa ilustração. Há os que experimentaram isso na marra (relevem usar uma expressão tão informal! — isso parece ser algo dos novos tempos, que parece difícil para mim...) e a contragosto. Agora estão dispostos a continuar, mesmo quando se voltar ao tão profetizado novo normal.

Ilustro com uma ação nada exótica, que nunca fiz antes (e, também nunca pensei em fazer). Tenho um grupo que participam comigo seis meus orientandos: 4 mestrandos do PPGECM da Unifesspa, uma doutoranda da Reamec, um pós-doutorando doutor em Letras. Somos sete estudioso de quatro estados (Acre, Pará, Goiás e Rio Grande do Sul, que são pontos de quadrilátero quase do tamanho da metade do Brasil). Nos reunimos aos sábados para fainas (e, também já para matar saudades) tão indisciplinares como lermos Antígona, na ratificação de algo muito lembrado aos orientandos: para produzir uma tese ou uma dissertação palatável, ler ficção é preciso ou nos encontramos para aprender que anagnusko   é palavra usada em grego para nosso o conhecido verbo LER e vermos pela justaposição dos elementos o conceito grego de ler pode ser definido como “conhecer o todo pelo seu cerne, verificando-o parte por parte. Então, lermos um artigo acerca da proposta de construir modelos de átomos e ficarmos imersos em situações epistemológicas. Um de meus textos mais preferidos por mim — Diálogos de aprendentes — foi assuntado em um dos encontros e produziu sumarentas discussões.

Vale dizer que nenhuma das ações destas sabatinas se destinam atividades que concorram para avaliações formais, até porque problemas com conexões são ocorrências muito comum. Consolamo-nos com situações como aquela muito recente, quando Sociedade dos Observatórios Astronômicos, neste dia do equinócio de primavera teve problemas de conexões quando tinha cerca de 40 mil conectados. Claro que poderíamos fazer este laboratório indisciplinar sem pandemia. Mas não fizemos. Agora, aprendemos. Vale continuar a fazer.

Depois de conhecermos algo do nosso Laboratório indisciplinar, renovo o convite da Profa. Dra. Dinorá Fraga, coordenadora do Grupo Ciência e Espiritualidade, inserto no Núcleo de Multi-atividades da Adufrgs para um (re)encontro com o mestre budista Lama Padma Samten, que foi professor do Instituto de Física da UFRGS de 1969 a 1994.

 O Professor Alfredo Aveline, em 1996, foi ordenado lama — título que significa líder, sacerdote e professor. Não parece difícil prever o quanto a live dia 29, terça-feira, ensejará a compreensão da espiritualidade e da cultura de paz, como caminho para que se desenvolvam cada vez melhores relações no ambiente onde vivemos