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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

1.- PRELIBANDO UMA EDIÇÃO PRÓ-LIBA


ANO
 9
Livraria Virtual em
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2883


Há mais de um quarto de século, que o 1º de setembro não marca, para mim, apenas o inicio da Semana da Pátria. Há outra celebração nesta data. Assim, hoje, este blogue faz uma comemoração muito especial.
Cheguei pensar, em fazer um estudo acerca de uma figura mal querida no imaginário de diferentes culturas. Desde o filosofar dos caminhoneiros, ao aprendermos na sabedoria dos para-choques: “Feliz foi Adão que não teve sogra” até um intelectual que escreveu: “Conscience is a mother-in-law whose visit never ends” ["A consciência é uma sogra cuja visita nunca termina” citação atribuída a H. L. Mencken (1880-1956), escritor estadunidense] há variadas manifestações deste mal querer.
Foto com a Liba em 24AGO2014
Desisti de fazer uma pesquisa sobre esse imaginário em diferentes culturas, pois quero, aqui e agora, homenagear uma leitora muito querida deste blogue que hoje faz 93 anos. Posso narrar dela o antípoda ao que o senso comum diz da sogra. Preciso policiar-me, para não fazer aqui uma hagiografia e sim um bosquejar acerca de Liba Juta Knijnik. Ela é minha sogra. Conheço-a há mais de 27 anos. Como, navegadora do mundo virtual que é, recebe nesta rosa minha homenagem. 
Nos propósito deste texto não está detalhar a história da menina pobre que nasceu em 01 de setembro de 1921, em Rawa-Ruska, uma aldeia da Galícia, hoje território da Ucrânia, que, então, era parte da Polônia. A crise que se abatera na Europa, nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), fizera seu pai um desempregado. A mãe, quando jovem, tinha vivido 10 anos trabalhando nos Estados Unidos. Na América, entre outros aprendizados, se tornou fluente em inglês. Ao voltar para visitar a família na Polônia, a conflagração mundial a impediu de voltar. Casa na sua aldeia.
Quando o casal vê aumentadas suas dificuldades de sobreviver na Europa, pai resolve vir fazer a América. Deixa na Polônia a esposa com três meninas: Liba, Teresa e Reisla, das quais Liba é a mais velha, com menos de cinco anos. O pai vem para o Brasil, primeiro para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte e depois para Porto Alegre. Com seu trabalho envia dinheiro para a esposa e filhas na Polônia, para realizar um sonho: reunir novamente a família na terra que ele já adotara. Quando Liba tinha nove anos, surge a oportunidade de imigrarem para o Brasil, onde o pai conseguira uma licença para fazer vir a família. Em 1930, a mãe e as três meninas deixam a Europa e durante 18 dias cruzam o Atlântico. Liba recorda que foram dias difíceis, mas permeados de sonhos com uma nova Pátria. Chegam ao Rio de Janeiro, depois de uma quarentena de 8 dias na ilha das Flores vêm para Porto Alegre, onde o pai já estava estabelecido e recebe a mulher e as três filhas. E a capital do Rio Grande do Sul se torna a cidade do coração da menina polonesa.
Liba estudara na Polônia até a quarta série. Lá iniciara seus estudos em uma escola de freiras católicas e depois estudou em uma escola pública. Chegada a Porto Alegre Liba é matriculada na Escola de Educação e Cultura, no final da Oswaldo Aranha, no Bom Fim, que originaria o Colégio Israelita Brasileiro. Ingressa na terceira série sem saber uma palavra em português, que aprende junto com iídiche e com o hebraico. Das três línguas duas eram completamente novas para ela e de iídiche, mesmo que fosse a língua falada por seus pais, nunca havia aprendido sua escrita. Nos cálculos de aritmética levava vantagem sobre seus colegas, pois os faz em polonês, sua língua materna. Os pais, não sem sacrifícios, conseguem uma professora para ensinar português para as três meninas. Em 1931 e 1932, Liba faz a 3ª e a 4ª séries no Colégio Israelita e, em 1933 e 1934, a 5ª e a 6ª séries no Grupo Escolar Paula Soares.
Em 1935 realiza um sonho: ser normalista para tornar-se professora primária. Ingressa, por seleção pública, na Escola Normal General Flores da Cunha, o Instituto de Educação. Em 1937 concluí o curso. Com 16 anos a menina que há 7 anos chegava a Porto Alegre sem saber uma palavra em português era uma professora destacada.
Agora Liba é uma profissional. Inicia suas atividades de magistério, em 1938, na escola onde começara como aluna no Brasil: o Colégio Israelita Brasileiro. Um ano depois, começa trabalhar no Colégio Batista. Primeiro como auxiliar da Escola Infantil para logo em seguida tornar-se professora de português, à noite, em um curso de jovens e adultos. Porém, vivia-se a Segunda Guerra Mundial que interferia na vida da jovem professora. Uma estrangeira não podia lecionar Português, História e Geografia do Brasil. A Inspetora Professora vem ao Colégio Batista e faz um termo assumindo a responsabilidade e autoriza Liba a lecionar. Um excelente exemplo de superação da burocracia com bom senso.
Aos 18 anos, em 1940 naturaliza-se brasileira e em 1943, mesmo já sendo professora há seis anos, presta os exames do Artigo 100 para regularizar sua situação escolar pertinente ao ensino fundamental. Integra-se fortemente no país que o seu pai escolhera como a nova Pátria.
Em 22 de junho de 1946, Liba realiza um novo sonho de mulher. Contrai núpcias, para usar uma expressão dos registros sociais de então, com Ruben Knijnik, um jovem promissor estudante de medicina, já muito conceituado e pertencente a uma das famílias mais influentes da comunidade judaica gaúcha. Era um pouco a história da menina pobre que casa com o moço rico. A senhorita Weissblüth se torna a Senhora Knijnik. Isso é significativo na ascensão social da jovem professora.
A maternidade, que no primeiro lustro dá ao jovem casal três filhas, não priva o magistério da professora entusiasmada. Conjuga as condições de esposa recém alçada a outra estatura social e de mãe sempre extremosa, com continuado ser professora.
Se este texto, que busca trazer ilustrações sobre uma mulher educadora tivesse apenas um segmento, seria este em que se precisaria buscar as mais fortes tonalidades na palheta de fazeres da Liba. Foi no Instituto de Educação, I.E., no entorno em que a instituição ícone de formação de professoras e professores primários no Rio Grande do Sul se fazia centenária, que Liba fez história e ajudou mudar a história da casa de ensino a qual se dedicou muito intensamente. Ser formadora de professoras e professores, por mais de um quarto de século no Instituto de Educação foi distintivo na carreira de Liba. Nas limitações deste texto não posso trazer muitos detalhes.
Em 1955, a atarefada professora abre uma nova frente. Quer se preparar ainda melhor. Faz vestibular para o Curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Por sua classificação - 1º lugar -, recebe uma bolsa que consistia na liberação da regência de classe, mas simultaneamente surge a oportunidade de tornar-se Professora Assistente de Didática do Curso Normal no I.E. Mais um grande sonho, então, passa a tornar-se realidade: formadora de professoras e professores. Não tem dúvidas na opção. Mesmo com três meninas menores de sete anos, decide cursar a Universidade e assumir o ensino de Didática, abrindo mão da bolsa de estudos. É assim esposa, mãe, aluna e professora. Reconhece ter sido esse um período de muito intensas atividades. Em 1957 recebe o título de Bacharel em Pedagogia e em 1958 cola grau como Licenciada em Pedagogia, tendo obtido média 9,26 nos quatros anos de curso, classificando-se em 2º lugar.
Em 1960, por razões familiares residiu em Buenos Aires. Então colaborou no Setor Cultural da Embaixada do Brasil desenvolvendo atividades no Centro de Estudos Brasileiros. Na mesma oportunidade teve participação na comissão do Ministério de Educação e Justiça da Argentina encarregada de elaborar um projeto para formação de professores.
De volta à Porto Alegre, há um período de grandes atividades no I.E. onde desempenha as atividades diversas dentro da carreira docente. Em 1979, após a morte de Ruben, ingressa no Curso de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Educação da UFRGS. Obteve o título de Mestre em Educação, na área de concentração Ensino com a dissertação “Criatividade no ensino” em 1981.
Na intensa atividade de ser formadoras de professoras e professores marcada com um continuado e intenso aperfeiçoamento profissional há uma atividade, entre muitas, que merece um destaque especial: as Classes laboratórios. Nesse fazer, muito provavelmente, está a marca que faz Liba uma educadora muito distinguida.
As Classes laboratórios estão extensamente documentadas no livro Apostando no Aluno que está comentado no segmento seguinte. Foi uma tarefa ingente. O livro foi escrito pois a equipe acreditava que atingiriam colegas que vendo a coragem do grupo teriam coragem de fazer uma escola mais humana.
Hoje, mais de 30 anos depois da experiência que marcou a Educação entre março de 1976 a dezembro de 1980, Liba ainda recorda emocionada a realização e a credita especialmente a um grupo de colega que com ela teve a coragem de mudar a Escola. Acredito que esse assunto mereceria ser estudado e poderia ser excelente tema para uma dissertação ou tese em um Programa de Pós-Graduação em Educação na linha de História da Educação brasileira.
Não posso na limitação deste texto me estender em comentários. Trago apenas o meu encantamento com a experiência e reconhecimento pala coragem que tiveram aquelas mulheres que há tempo que já se faz distante pesavam em uma Educação cuja marca era apostar nos alunos e nas alunas.
Quando professora primária e quando formadora de professoras e professores tinha uma divisa: entusiasmar pela leitura. Os meios de reprodução de textos eram ainda precários no começo da segunda metade do século 20. O mimeógrafo álcool, predecessor do xerox era ainda muito pouco usado. O processo mais usual de reprodução então eram as cópias onde se usava uma matriz posta sob uma camada de gelatina. Liba queria que seus alunos e alunas tivessem materiais de melhor qualidade. Organiza um livro formado por uma antologia em prosa e verso de autores gaúchos e brasileiros, onde cada texto está apenas no anverso de uma folha, que pode ser destacada e levada para os cadernos dos estudantes. O livro é impresso pelo próprio Instituto de Educação e se constituí em uma festejada inovação em termos de material escolar.
Em 1961, publica pela Tipografia Santo Antônio – Pão dos Pobres, de Porto Alegre outro livro “Artes da linguagem Aspecto gramatical” onde relata uma experiência que coordenou e que foi realizada por uma equipe de professoras do Instituto de Educação “Gen. Flores da Cunha”. Este texto de 167 páginas é fundamentado em bibliografia nacional e em língua inglesa e francesa, acrescido de textos de gramáticos de renome. É um relato muito bem documentado da experiência realizada, durante cinco anos, por 18 professoras primárias supervisionadas por duas professoras de português, duas de didática do Curso Normal e uma de literatura infantil.
 Liba tem em três netas e um neto razões muito importantes de seus fazeres. Cada uma e cada um têm na avó motivos de muitos encantamentos. Preparou o ingresso de todos à Universidade. É ainda uma especialista em língua portuguesa e suas aulas foram decisivas no período do vestibular. Vibrar com os sucessos em cada uma das etapas da escolarização foi sempre uma das razões de encantamento de uma avó muito coruja e muito amada pelas netas e netos que já lhe deram três bisnetos.
Talvez um dos maiores legados que Ruben Knijnik tenha deixado para Liba foi um invejável envolvimento com arte brasileira contemporânea. Ele era um mecenas das artes e muitos artistas gaúchos começaram com sua inestimável ajuda financeira. Não é sem razão que em seu jazigo, no cemitério israelita haja uma linda escultura de Stockinger e na rua com que a cidade de Porto Alegre o homenageou conste “Médico e Protetor das Artes”.
Hoje Liba é uma conhecedora de artes. Visitas a museus e galerias são momentos importantes da agenda de todas as suas continuadas viagens nacionais e internacionais; estas em geral associadas a cursos de alemão e de inglês. Livros e revistas de artes e catálogos de museus e de exposições compõem a sua admirada biblioteca.
Hoje poucas situações empolgam tanto esta mulher já há três anos nonagenária do que se envolver em política partidária. Filiada ao Partido dos Trabalhadores há muitos anos, foi presença constantes nas plenárias zonais, nas reuniões de comitês, nas votações em prévias e, especialmente, no envolvimento nos pleitos municipais, estaduais e nacionais.
Mas há um momento em que se transfigura. Quanto se envolve no convencimento de suas posturas e busca angariar votos para o PT. Houve tempos em que saia com sua bandeira vermelha com a estrela amarela para fazer panfleteação. Mesmo que, como muitos de nós, que por o PT não ser mais o daquele tempo em que também nós saíamos com bandeiras, ela continua uma militante engajada em um espraiado comprometimento na luta por um mundo melhor, sendo uma vigilante batalhadora pela justiça social, pela educação pública de qualidade para todos.
Ela tem convicções — e nisso é um exemplo para muitos — na possibilidade de transformações na Sociedade em que vivemos, na qual vislumbra possibilidades de uma mais justa distribuição de oportunidades para um maior número de mulheres e homens.
Se alguém tentasse imaginar a agenda da Liba muito provavelmente se enganaria. Sua mesa de trabalho é sempre plena de livros abertos. Prepara uma fala em alemão para apresentar no curso de que frequenta. Além disso, estuda inglês, estuda informática e frequenta uma academia de ginástica.
Consulta seu correio eletrônico e não dispensa a leitura de dois ou três jornais diários. Está a par de todas as notícias especialmente daquelas que envolvem a política nacional. As filhas ainda a fazem, com muita frequência, primeira leitora de seus textos acadêmicos, aos quais não é apenas competente revisora de língua portuguesa, mas a crítica arguta dos conteúdos, mesmo que os textos versem sobre etnomatemática, o filosofar de Wittgenstein ou estudo de algum caso psicanalítico. Estas leituras a tornam atenta ao que esta acontecendo no mundo acadêmico, especialmente o que é relacionado com a Educação.
Fiz tessituras. Juntei fragmentos. Fiz-me um pouco hermeneuta. Produzi um texto que a cada momento me fez aumentar a minha admiração pela amorável mulher que esbocei neste ensaio.

domingo, 31 de agosto de 2014

31.- Num domingo fagueiro

ANO
 9
Na edição de ontem o anúncio de Para que(m) é útil o ensino?  
EDIÇÃO
 2882

Para uma blogada fagueira, como soem ser as domingueiras, sirvo-me de um texto que me foi enviado por José Carlos H. Ferreira, meu aluno na Universidade do Adulto Maior do Centro Universitário Metodista do IPA. Nos muitos envios do Zeca, salvam-se — entre aquelas de militante anti-Lula, que me abstenho de ler — preciosidades, como aquelas que nos levam a cenários inimagináveis. Penso que esta, que trago hoje, merece ser lida.
 Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia? A língua portuguesa é uma das mais difíceis do mundo, até para nós. Eis um exemplo do português praticado no Brasil.
 *Na recepção dum salão de convenções, em Fortaleza*
- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo. O mundo está cheio de africanos.
- É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade...
- Pronto, tem uma palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.

- Podes escrever?
- Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Ah, entendi,*meia* é *seis*.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação:
- A organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
- Quanto tenho que pagar?
- Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam *meia*.
- Hmmm! que bom. Ai está: *seis* reais.
- Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Só cinco? *Meia* é *cinco*?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom,*meia* é *cinco*.
- Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
- Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
- Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia .
- Pensei que fosse as 9:05, pois *meia* não é *cinco*? Você pode escrever aqui, a hora que começa?
- Nove e meia, assim, veja: 9:30h.
- Ah, entendi,*meia* é *trinta*.
- Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
- Sim, já estou na casa de um amigo.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
-Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro *Meia*Boca.
- Não é meia Boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser *cinco* Bocas.
- Não, Seis Bocas, entende? Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso Seis Bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não. Senhor, é proibido entrar no evento de sandálias. Coloque uma meia e um sapato.
O africano (quase) enfartou...

sábado, 30 de agosto de 2014

30.- Volta a circular PARA QUE(M) É ÚTIL O ENSINO?


ANO
 9
LIVRARIA VIRTUAL em
www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2881

Alegro-me de anunciar que novamente circula o Para que(m) é útil o ensino? Desde o começo de outubro de 2013, tenho aguardado este retorno. Durante 18 anos este livro teve o selo da Editora da Ulbra — a quem sou reconhecido —, pois quando da primeira edição, em 1995, eu completava meu terceiro (e ultimo ano) como professor da Universidade Luterana do Brasil.
Quando esgotou a segunda edição, abriram-se novas opções. Agora o livro volta pela editora da Unijuí, esta — que sempre me remete e remeterá ao meu saudoso amigo Mario Osório Marques — editou o meu primeiro livro — A Educação no ensino de Química — em 1990. Após foi o Catalisando transformações na Educação química. Um outro encontradiços em sebos ou em edições piratas, que em mais de uma oportunidade já me foram trazidas para autógrafos. Sei de universidades onde o segundo, quando já esgotado, teve ‘reedição doméstica’ para todos alunos da licenciatura em Química. O meu terceiro livro pela Editora Unijuí é o Alfabetização científica: Questões e desafios para a Educação lançado em julho de 2000 terá em breve a sua sexta edição. Meu último livro solo Memórias de um professor: hologramas desde um trem misto — onde celebro meus 50 anos de professor em 2011 — foi também editado pela Unijui, em 2012.
Assim, o Para que(m) é útil o ensino? vem juntar-se, agora, a já muito bem sucedida coleção ‘Ensino de Química’. É muito bom vivenciar não apenas a significativa transição para uma Editora que, há mais de um quarto de século, vem contribuindo para alfabetização científica no Brasil com a disseminação de livros que foram significativos para a consolidação da área da Educação nas Ciências em nosso País, mas também, para contribuir com este movimento tão significativo que é transgressão das fronteiras das disciplinas rumo uma cada vez mais significativa transdisciplinaridade, ou até, mais ousadamente, uma indisciplinaridade, aderindo às propostas de reestruturação do Ensino Médio.
Talvez, se devesse fazer uma recomendação ao leitor desta reedição do Para que(m) é útil o ensino? diria que ele não leia este livro como apenas acerca do ensino de Química. Pense mais amplamente — pense indisciplinarmente —, mesmo que ele esteja abrigado na coleção ensino de Química: este é livro acerca do ensino de Ciências. Por outro lado, há um pedido maior. Há que ter em consideração, que este livro foi escrito há 20 anos. Mesmo que se tenha feito atualizações em assuntos, na apresentação desta nova edição alerto que nesta nova Escola indisciplinar o prefixo in tem pelo menos três ações:
a)  in: no sentido de incluir a partir da própria disciplina outras disciplinas; são as ações que vamos fazer para colocar nossas especificidades em outras disciplinas;
b)  in: seguindo o mesmo sentido de direção, trata-se de incorporar elementos, métodos e conhecimento de outras disciplinas; aqui parece mais evidente o quanto temos buscar nas outras disciplinas, não nos bastando o ‘mundo’ pequeno ou específico de nossa disciplina;
c)   in: como negação, trata de negar a disciplina no sentido etimológico do termo; aqui a proposta parece ser mais radical ou inovadora: trata-se de rebelar-nos à coerção feita pelas disciplinas que, como um látego, nos vergastam a submissão.
Esta nova edição quase poderia ser considerada como um mesmo produto em nova embalagem. O quase entrou nesta afirmação por obra e graça de duas pessoas maravilhosas: Joana de Jesus Andrade e Naiara Tostes Cruz professora e aluna do Curso de Licenciatura em Química da USP de Ribeirão Preto. Uma e outra se envolveram com este livro em 2013. Quando ele tinha sua segunda edição esgotada a Naiara defendia seu trabalho de conclusão de curso, orientada pela professora Joana. Sua monografia tinha como título: Para que mesmo se Ensina/Aprende Química? Fazendo uma análise do Ensino de Química pela perspectiva de Attico Chassot.
Pode um professor ver reconhecido de maneira mais emocionante, quando vê no sumário de um texto de 43 páginas: Referencial Teórico: 2.1–Porque Chassot?
Uma e outra vibraram com a notícia da nova edição. Aderiram à proposta de fazerem parte desta nova edição com seus textos. Também, por tal há regozijos neste anúncio.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

29.- DAS LEITURAS FUNDAMENTALISTAS


ANO
 9
LIVRARIA VIRTUAL em
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EDIÇÃO
 2880

Recebi, depois de minha fala no ENEQ, esta mensagem esta mensagem de uma colega:
Desde que comecei a reler O Tempo e o Vento, o livro me traz memórias tuas! Primeiro por narrar momentos históricos e personagens da região Sul do país, principalmente do Rio Grande do Sul... É o caso do corregedor Sepé Tiaraju, um dos chefes do exército dos Sete Povos das Missões, e que este ano apareceu em teu Blog, quando dá nome a uma escola. Também lembro porque, em tua belíssima palestra [em Ouro Preto, dia 19], há um momento em que falas sobre o feito de Lutero, de trazer o conhecimento da bíblia para os leigos através do ensino da leitura... O trecho a seguir logo me fez pensar em assuntos que nos propuseste então.
A seguir a Cristhiane, da Universidade Federal de Juiz de Fora que, de vez em vez, nos brinda comentários aqui, transcreve um primoroso excerto de Érico Veríssimo:
" O caso de Inácio - ocorrido havia poucos dias - fora verdadeiramente impressionante. Descoberto por um de seus companheiros no momento em que espiava a mulher dum amigo que tomava banho, nua, fora trazido à presença do cura, que o repreendeu severamente, pintando-lhe os horrores que sofreriam no inferno os que pecassem contra os santos mandamentos. Num dado momento, embriagado pelo próprio fervor, o Pe. Antônio repetiu - e sua voz nesse momento tinha a qualidade de esmeril - o versículo bíblico que diz “Se teu olho te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti". Tamanha fora a eloquência do cura e tão grande o arrependimento de Inácio, que o índio correra para a oficina, tomara de uma pua e com ela vazara o olho esquerdo. Com a cara lavada em sangue, e urrando de dor, procurava vazar o direito, golpeando a própria testa às cegas, quando um irmão leigo e outro índio o subjugaram. O cura teve de usar todo o seu tato para lhe explicar que, conquanto seu pecado fosse muito sério, os versículos bíblicos não deviam ser tomados ao pé da letra. Mais tarde, naquele mesmo dia, dissera a Alonzo à hora da ceia:
— Imagina tu a loucura de Lutero! Dar a Bíblia a ler aos leigos!
Alonzo olhou para Inácio, dirigiu-lhe algumas palavras de conforto e começou a afastar-se dele quando o índio o chamou:
— Padre!
— Que é?
— Quando o índio morrer ele vai para o céu?
— Se seguires os mandamentos de Deus, se fores um bom cristão, irás para o céu.
— E se eu for para o céu, Deus me dá um olho novo?

— Claro, Inácio, claro. Deus te dará um olho novo.
Um curto silêncio.
— Padre, eu quero um olho azul, como o de Pay Antônio.
— Está bem, Inácio. Reza e pede a Deus que te dê no céu olhos azuis como os de Pay Antônio.
O olho são de Inácio tornou a brilhar, mas sua face continuou séria e rígida.

A Cris adita: A arte também imita a vida. E vice versa... A loucura de Lutero, em dar-nos a ler... Ela deixou-me com muita vontade de reler o Érico. Já faz mais cerca de meio século que me emocionei com Bibiana, Ana Terra, Rodrigo Cambará... O excerto evocado ilustra muito bem o embate entre a igreja romana e as igrejas reformadas. O não acesso X o acesso aos textos sagrados.
Sou grato a Cris por me presentear com este exemplo. Parece que essa diferença foi superada, mesma que ainda hoje sejam os protestantes que têm mais acesso (=leem mais) à Bíblia apesar de aos católicos não se fazer mais restrições à leitura da bíblia. Mesmo que possamos assumir a tese luterana, há que convir que o fundamentalismo recrudesce forte entre nós e por tal não como não nos assustar com a possibilidade de Marina vir tornar-se presidente. Bisar uma Rosinha Garotinho em termos de criacionismo x evolucionismo, não está descartado.
Na edição de amanhã uma notícia de um texto aguardado.
Vale conferir. É um anúncio esperado.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

28.- O QUE ESTOU LENDO!


ANO
 9
LIVRARIA VIRTUAL em
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EDIÇÃO
 2879
Certa originalidade na edição de hoje, talvez seja envolvimento no livro que estou lendo. Recordo de tempos — sim, sou saudosista! — que comentar o que líamos era pauta de rodas de conversa. Hoje lemos menos livros. Parece que conversamos menos com amigos. A leitura (e a escrita) internética nos absorvem. 
No ENEQ comprei Nunca Pura: Estudos Históricos de Ciência como se Fora Produzida por Pessoas com Corpos, Situadas no Tempo, no Espaço, na Cultura e na Sociedade e Que se Empenham por Credibilidade e Autoridade.
Só este subtítulo (com estas maiúsculas desacertadas) já é quase uma súmula. Em que pese o tom coloquial do livro, é distante poder fazer uma resenha, mesmo porque tem 554 páginas das quais mais de um quarto (148) são de notas, das quais, muitas sumarentas.
Mas para instigar a imaginação de meus leitores trago a sinopse, e o sumário. Já li alguns capítulos. Constituíram-se em uma boa amostra.
Sinopse Steven Shapin argumenta que a ciência, para todos esta imensa autoridade e poder, é e sempre foi um esforço humano, submetido às nossas capacidades e limites. Dito de outro modo, a ciência nunca foi pura. Os ensaios de Shapin coletados neste livro incluem reflexões sobre as relações históricas entre a ciência e o senso comum, entre ciência e modernidade, bem como entre a ciência e a ordem moral.
Sumário
1 Baixando o Tom na História da Ciência: Um Chamado Nobre
PARTE I - MÉTODOS E MÁXIMAS
2 O Amor de Cordélia: Credibilidade e os Estudos Sociais da Ciência
3 Como Ser Anticientífico
4 Ciência e Preconceito em Perspectiva Histórica
PARTE II - LUGARES E PRÁTICAS
5 A Casa da Experiência na Inglaterra do Século Dezessete
6 Bomba e Circunstância: A Tecnologia Literária de Robert Boyle
PARTE III - A PESSOA CIENTÍFICA
7 "A Mente é Seu Próprio Lugar”: Ciência e Solitude na Inglaterra do Século Dezessete
8 “Um Scholar e um Cavalheiro”: A Identidade Problemática
8 do Praticante Científico na Inglaterra do Século Dezessete
9 Quem Foi Robert Hooke?
10 Quem É o Cientista Industrial? Comentários da Sociologia Acadêmica e de Chão de Fábrica nos Estados Unidos, de cerca de 1900 a cerca de 1970
PARTE IV - O CORPO DE CONHECIMENTO E O CONHECIMENTO DO CORPO
11 O Filósofo e a Galinha: Sobre a Dietética do Conhecimento Descorporificado
12 Como Comer Como um Cavalheiro: Dieta e Ética na Inglaterra no Início da Era Moderna
PARTE V - O MUNDO DA CIÊNCIA E O MUNDO DO SENSO COMUM
13 Confiando em George Cheyne: Expertise Científica, Senso Comum e Autoridade Moral na Medicina de Dieta do Início do Século Dezoito
14 Economias Proverbiais: Como um Entendimento de Algumas Características Linguísticas e Sociais do Senso Comum Pode Lançar Luz sobre Corpos de Conhecimento de Prestígio Maior, A Ciência, por Exemplo
15 Descartes, o Doutor: Racionalismo e suas Terapias
PARTE VI - CIÊNCIA E MODERNIDADE
16 Ciência e o Mundo Moderno
 Dados técnicos
Editora: FINO TRAÇO EDITORA Belo Horizonte MG
www.finotracoeditora.com.br
ISBN: 8580541107
ISBN13 :9788580541106
Páginas: 543
Publicação:2013  1a Edição
Encadernação: BROCHURA