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terça-feira, 22 de julho de 2014

22.- UM HOLOCAUSTO REEDITADO


ANO
 8
Livraria virtual em www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2842

Na próxima semana este blogue completará 8 anos. São mais de 2,8 mil edições. Nos últimos dias, com muita frequência, o que mais evoco é a edição de 01 de fevereiro deste ano. Eu publiquei então, um relato doloroso, de uma visita que fizera no dia anterior.
Na Palestina em resumo vimos: construção de milhares de moradias de muito boa qualidade para colonos israelis (aqui a expressão 'colonos israelis' deve ser vista como cidadãos urbanos, profissionais liberais e trabalhadores de diferentes ramos, sem nenhuma conotação com trabalhadores rurais); erguimento de quilômetros de muros, separando palestinos e os fazendo viver em guetos em territórios que ocupam há milênios.
Uma situação dolorosamente complexa. Há algumas fotos que fiz na tarde de ontem.
Assim, parece ser impossível sonhar com nenhuma de duas situações no Oriente Médio: dois países: um israeli e outro palestino. Ou um único país co-gestionado por israelis e palestinos. Uma e outra das alternativas, agora, parecem utópicas.
Gostaria apenas de dizer aos meus leitores que a cada dia os palestinos veem seus territórios usurpados pelo aumento de ‘colonos’ que são implantados por Israel, para assegurar maiores territórios que aqueles que foram definidos pela ONU em 1948.
Ontem, o El mundo de Madrid publicou um artigo de Najib Abu-Warda, professor de Relações Internacionais da Universidad Complutense, a Universidade onde em 2002 fiz pós-doutoramento. Trago apenas dois excertos e a foto que ilustrou a análise. A íntegra pode ser lida em: http://www.elmundo.es/internacional/2014/07/20/53cbe1b5268e3e98138b4574.html
El análisis  CONVULSIÓN EN ORIENTE PRÓXIMO 
Del holocausto nazi al sionista
Hoje, 70 anos depois do Holocausto, Israel está cometendo genocídio contra os palestinos. A atual operação israelense na Faixa de Gaza causa centenas de mortes, milhares de feridos e destruição da infraestrutura. Em Gaza, uma cidade sitiada, bloqueada e sujeita a ataques por parte do exército israelense por terra, mar e ar, como na Palestina, o governo israelense e o exército cometem crimes de genocídio, de guerra, crimes contra a humanidade, agressão e terrorismo de Estado. São crimes condenáveis pelo direito internacional.
Hoje, 70 anos após o genocídio nazista contra os judeus,  se comete crimes de guerra e genocídio na Palestina, enquanto a comunidade internacional é incapaz de tomar qualquer decisão, e muito menos realizar qualquer ação. Mas acima de tudo e apesar de tudo, o governo sionista se esquece de que quanto maior o ataque, maior a reação, e que o povo palestino se apega ao direito de se defender contra a agressão, ocupação e genocídio.
É uma questão de tempo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

21.- CELEBRANDO VIDA E MORTE

ANO
 8
Livraria virtual em www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2841

Começamos mais uma semana. Parece que essa divisão hebdômada de nossos ciclos vitais é muito confortável. Essa herança, marcada na tradição judaica, tem também marcas do sistema geocêntrico com os sete corpos celestes mais significativos regendo cada um dos sete dias da semana.
Os findis — na adesão a um neologismo que faz parecer démodé, falar em fim de semana —, são agoras importantes na marcação das balizas que fazem nossa trajetória. Olhamos a semana que passou e semana que se inicia. Naquela, por exemplo, destaco minha estada em Nonoaí. Nesta, provavelmente, terei quatro falas, em quatro cidades diferentes de dois estados.
Mas o findi, que teve marcas de alegrias e luto ou de vida e de morte. Uma e outra das marcas foram celebradas, com sabores e saberes pertinentes.
A vida foi vivida (mesmo que pareça redundância), ratifica a ação verbal em dois momentos. No sábado, em Estrela no batizado do Lucas Francisco, um neto que assegura a sonhada continuidade da espécie; ontem, indo à maternidade para conhecer o Tiago, um sobrinho neto.
Se a vida teve duas comemorações, as mortes sentidas também. Uma e outra se referem aqui, na expressão latina: ‘ad perpetuam rei memoriam’ ou ‘para a perpétua memoria dos fatos’.
Enquanto leitores, tivemos duas perdas que se tintam amargas aqui. A um e a outro dos finados, a expressão de gratidão pelos legados deixados.

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro (Itaparica, 23 de janeiro de 1941 — Rio de Janeiro, 18 de julho de 2014)
Escritor, jornalista, roteirista e professor brasileiro, formado em direito e membro da Academia Brasileira de Letras. Foi ganhador do Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa. Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema, além de ter sido distinguido em outros países, como a Alemanha. É autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos e Viva o Povo Brasileiro.
Obrigado, João Ubaldo, por nos brindares com muitas viajada à tua Itaparica. 
Rubem Alves (Boa Espe rança, Minas Gerais, 15 de setembro de 1933 — Campinas, 19 de julho de 2014)
Psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.
Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, Mestre em Teologia e Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Seminário Teológico de Princeton (EUA) e psicanalista. Tinha um grande número de publicações, tais como crônicas, ensaios e contos, além de ser ele mesmo o tema de diversas teses, dissertações e monografias. Muitos de seus livros foram publicados em outros idiomas, como inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e romeno.

domingo, 20 de julho de 2014

20.- APALAVRARIA


ANO
 8
Livraria virtual em www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2840


Para este domingo, apalavraria uma blogada para ouvir poesia. Mas antes, permito-me recordar que apalavrar pode significar, além de contratar e ajustar de palavra, combinar. Então: a proposta fica: combinaria uma blogada para ouvir poesia.
Em http://www.youtube.com/watch?v=qUsdgtYSPP4 vale assistir, em menos de 4 minutos, a poetisa Viviane Mosé que recita seu poema "Receita pra Lavar Palavra Suja" com maestria e personalidade.

sábado, 19 de julho de 2014

19.- AINDA, PENSAMENTO MÁGICO

ANO
 8
Livraria virtual em www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2839


Encerrava a edição de ontem, com a piadinha de época envolvendo ‘torcer’ tão presentes em dias copeiros recém-vividos. Para um sábado, cabe ampliar as considerações acerca do pensamento mágico, na esteira do qual surgiu ao assunto mais algumas considerações.
Quando parece que convenço aos estudantes que ‘torcer (sem ir a campo) não modifica em nada um possível resultado, sou tentado a fazer outra pergunta: “E, rezar adianta?” Não caio na tentação. Abstenho-me de perguntar. Muitas vezes, parece sábio não promover embates entre o racionalismo e as muito diferenciadas acreditações de cada um. Na mesma direção poderia questionar: fazer promessas em troca de favores de forças míticas adianta?
Aliás, fazer promessas não está necessariamente associado à crença religiosa. Alguns hão de recordar, quando nos anos 1980, uma das febres nacionais era a ‘loteria esportiva’ que premiava a quem acertasse treze jogos de futebol. Havia muitos, então, que, antecipadamente, faziam promessas de doar (isso ou aquilo) caso fossem ganhadores. Parecia haver uma tentativa de compactuar com forças superiores: se me deres tanto, devolvo uma parte em boas obras.
Também, já que referi ontem horóscopos, estes não se associam a sentimentos religiosos, mas buscam uma dita cientificidade zodiacal. Talvez por isso que os adeptos dos horóscopos estão presentes nos mais distintos estratos culturais. Não é sem razão que muitos declinam seu signo de maneira quase isonômica como fazem com sua data de nascimento, seu CPF ou RG.
Parece que a crença no poder dos astros regerem nossas vidas está em baixa, mesmo que veja, ainda, previsões astrológicas para cada signo, publicados em jornais e revistas de grande circulação. Recordo ter conhecido pessoas que não saiam de casa sem ler as previsões para seu signo e esta previsão determinava estado de espírito, decisão acerca da roupa ou roteiro de trânsito a ser seguido. Aqui, há que registrar: dizer-se não acreditar em horóscopos, não significa afirmar que os usuários dos mesmos não sejam psicologicamente influenciados pelos mesmos. E como a orientação destes é, de maneira usual, positiva horóscopos podem ser confortáveis e até saudáveis para alguns.
Afigura-me que de maneira semelhante se pode referir ao placebo (do latim placere, significando "agradarei") que é, como registra a Wikipédia, “se denomina um fármaco ou procedimento inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos psicológicos da crença do paciente de que está a ser tratado. Muitos médicos também podem atribuir efeito placebo a medicamentos com princípios ativos, mas que apresentam efeitos terapêuticos diferentes do esperado.”
Por exemplo, um comprimido de vitamina C pode aliviar a dor de cabeça de quem acredite estar ingerindo um analgésico, sendo um exemplo clássico de que o que melhora é não apenas o conteúdo do que ingerimos, mas também o acreditar que estamos ingerindo um medicamento. Isto é, um medicamento administrado mais para agradar do que beneficiar o paciente. Não há como não aparentar que ingerimos pílulas de pensamento mágico.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

18.- UMA VEZ MAIS: ¿TORCER ADIANTA?


ANO
 8
NONOAÍ/ PORTO ALEGRE www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2838


Quando esta edição começar a circular terei deixado, há alguns minutos, a cidade de Nonoaí, onde cumpri a segunda parte de minha agenda de quinta-feira. Devo chegar a Porto Alegre, depois das 6 horas.
Os cerca de 70 km à Nonoaí foi sob chuvas, relampânpagos e trovões, em uma estrada com buracos lado a lado. A habilidade dos professores Hélio e Jorge fez que as 2,5 horas fossem percorridas com segurança.
A primeira parte da agenda fora de manhã na URI de Frederico Westphalen a defesa de dissertação, da Silvia, que teve seu trabalho muito reconhecido pelos dois colegas que já haviam participado da qualificação:  Prof. Dr. Oto João Petry (UFFS) e Prof. Dr. Arnaldo Nogaro (URI).
À noite, depois de breve vista a cidade, com visita ao santuário dos mártires de Nonoaí (breve será assunto aqui) estive na Escola Maria Dulcina onde o anfitrião foi o prof. Nelso, que me escrevi ontem, foi o catalisador deste encontro. Depois, com o plenário Câmara dos Vereadores lindo e confortável fiz a palestra, que anunciara ontem aqui. O público, cerca de 120 pessoas, atentas e interessadas, por mais de duas horas acompanhou a fala. Ao final muitos autógrafos e fotografias.
Desta um comentário, que por ter sido minha primeira fala pós-Copa, teve suas marcas, em um ponto que me agrada destacar aqui. Ao falar acerca do pensamento mágico, um dos seis óculos — os outros: senso comum, saberes primevos, mitos, religião e ciência — reconheci que este óculo, de largo uso de largo uso em nosso estar no mundo, é marcado como uma relíquia atávica de nossa mentalidade primitiva.
Neste atavismo reconhecemos possibilidades de nossos ancestrais milenares comunicarem aos seus descendentes, em intervalos geracionais, qualidades ou defeitos que lhe eram particulares.
Mesmo com esta aceitação, não desconheço que o pensamento mágico campeie também nas ditas classes tidas ‘como culturalmente mais evoluídas’. Reconheço que seja confortável (ou ainda mais, seja salutar), de vez em vez, despirmo-nos de nosso racionalismo e embalarmo-nos nesta dita relíquia ancestral de uma mentalidade primitiva. Nestas declarações vestibulares, devo afirmar que não me oriento por horóscopos e também não acredito que alguém possa me prejudicar com mau olhado (=olho grande ou olho gordo) ou rogando uma praga. É verdade que se alguém me deseja boa sorte ou diz que estar torcendo por mim, parece-me muito confortável. Ou seja, uso o pensamento mágico de maneira seletiva ou interesseira.  Algo que é bom.
Há pergunta, que de maneira usual traz polêmica e divide opiniões, parece ter um novo sabor neste pós-Copa: Adianta torcer (por um time, sem ir ao estádio)? Ou adianta secar o time rival? Aqui secar é uma ação diferente de ir ao estádio vaiar o adversário.
Na fala em Nonoaí, contei uma vez mais, uma usual discussão acerca do torcer. Quando esta era acirrada em uma turma de Licenciaturas, um aluno interveio com convicção. “Adianta torcer, sim! Eu tenho evidências empíricas: quando o Grêmio joga, pego uma camiseta dele, estraçalho e dou vários nós. Coloco em cima do televisor e o Grêmio se enrola todo e, inevitavelmente, perde!” Ante tais argumentos, retirei meu time de campo. Passamos para outro assunto.
Dias depois, tendo o Grêmio vencido um grenal, era a minha vez de flautear. Dirigi-me ao aluno: “Pensei mais de uma vez em ti no domingo!” “Por que, professor?” “Vi tua tese se esboroar. O Grêmio ganhou!” “Ao contrário, professor, a tese foi, uma vez mais, confirmada: o Grêmio só ganhou porque me esqueci de colocar a camiseta em cima da TV!” Em meio a apupos, tive, então, um parceiro que deu cifras definitivas à discussão. Um colega debochou: “Professor, o Fabiano só não tem televisão de plasma, porque ela é muito fina e não tem espaço para colocar o copo de água para o pastor abençoar!”
Esta situação de torcer é muito controversa. Há pessoas que se surpreendem quando alguém afirma, por exemplo, que na Copa do mundo, não torce pelo Brasil. Não raro, este é tido como um mau brasileiro. Talvez coubesse uma distinção entre ‘desejar (que um time vença)’ e ‘torcer (ou acreditar que nossa torcida possa ser responsável por sucesso)’. Há, por meio de comerciais chamamentos de discutíveis idoneidades, como este: “Junte-se a nós! Venha torcer pela nossa seleção! Isso é decisivo!”
Os dias copeiros os apelos a torcer eram muitos e continuados. Uma inocente piadinha, que circulou então traduz o espírito de então: O menino não conseguia abrir a tampa da garrafa de refrigerante. A mãe o alerta: “Filho tem que torcer!”. O menino não tem dúvidas. De imediato começa a torcer gritando: “Vai tampinha, vai! Vai tampinha, vai!”