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domingo, 26 de outubro de 2014

26.- A PRIMEIRA ELEIÇÃO NÃO SE ESQUECE


ANO
 9
Um bom DILMA!
EDIÇÃO
 2938

Chegou o domingo nervosamente esperado. Parece que se pode crer que mesmo com assomos de tempestades há estrelas nos céus do Brasil — inclusive — no do Rio Grande do Sul.
Desde segunda até ontem, houve um assunto exclusivo neste blogue: alfabetização política. Vale sempre lembrar Brecht: O pior analfabeto é o analfabeto político.
O assunto eleições continua, mas hoje com evocações históricas. No domingo que passou, José Carneiro, conhecido dos leitores deste blogue, publicou em O Liberal de Belém do Pará um texto com título que fiz capitular desta edição. Junto com o artigo, meu amigo enviou-me uma pergunta. Transcrevo a seguir alguns excertos do mesmo. Ao final respondo a questão.
 A PRIMEIRA ELEIÇÃO NÃO SE ESQUECE Lembro-me muito bem, como se tivesse sido ontem, do meu primeiro voto, poucos meses depois de ter completado dezoito anos de idade, em outubro de 1965. Seria a primeira eleição direta para governador do estado após o golpe militar de 1964. Foi ainda a última eleição com a participação dos partidos políticos oriundos da redemocratização de 1945, os quais logo depois seriam substituídos pelo capenga e casuístico bipartidarismo brasileiro, que trouxe para a cena politica a Arena governista e o MDB oposicionista, que duraram até o final da década de 1970.
Enquanto ansiava pelo primeiro voto demarcador da minha idade adulta, recebi surpreso a convocação da Justiça Eleitoral para atuar como secretário em uma seção eleitoral instalada no interior do município. Podem imaginar o interior de um município paraense há cerca de 50 anos, em grande isolamento? Até aqueles idos, os integrantes das mesas eleitorais, evidentemente em número menor que os de hoje, costumavam trabalhar sempre trajando o paletó completo. Era um costume arraigado em todo o país. Meu pai era um deles, fazendo questão de ressaltar o caráter de civismo daquela missão, que o orgulhava muito em seus rígidos preceitos de cidadania. E por isso me convenceu (quase me obrigando) a seguir o seu exemplo, usando também o paletó completo. O costume do traje na época deu origem a um chiste, de se perguntar a alguém de paletó se estava indo votar. Obediente, segui os passos, já anacrônicos, de meu pai e me arrependi amargamente. Ao me dirigir para o ponto de encontro com os colegas de trabalho, fiquei atônito ao percebê-los todos de roupa esporte, inclusive o presidente da seção eleitoral. Mas o pior estava por vir, pois naquele mesmo momento chegou o transporte que levaria os mesários para as seções do interior e, para surpresa geral, era um dos caminhões apelidados de “pau-de-arara”, sem acomodações para conduzir passageiros. Subimos para a carroceria e lá fomos todos, sacolejando e em pé, em direção aos locais de votação. Minha seção eleitoral localizava-se numa vila perdida chamada Barro Branco, onde foi difícil até encontrar um casebre para instalar a mesa eleitoral.
E o pior: durante todo o dia, menos de 30 eleitores compareceram, motivo pelo qual ficamos sem nada para fazer ou ver naquele local ermo. Para completar, o transporte só nos recolheu em torno das 20 h, quando retornamos sob chuva, com parcos votos recolhidos e com meu terno completamente ensopado. Depois disso, trabalhei em várias eleições como presidente de seção, mas nunca em situação tão esquisita como aquela. Sob todos os aspectos, jamais esquecerei essa minha primeira eleição.
Eis minha resposta:
Meu querido amigo José, li mais um texto no qual o colega abre o baú rotulado como ‘saudades’, Cativou-me a expressão ‘paletó completo’ desconhecida nestas plagas. Faz-me triste ver quanto se apequena o número de regionalismo. Aqui, diríamos ir de terno ou de fatiota. Não sei como se diz hoje. Talvez, terno com gravata.
Perguntas-me se lembro meu primeiro voto. Esboço uma resposta.
Como sou bem mais velho que o amigo, votei muitos anos antes. Minha estreia como eleitor é em 3 de outubro de 1958, votando no Clube dos Gondoleiros, que fica(va) na avenida Eduardo (Presidente Roosevelt) em Porto Alegre. Era o meu primeiro ano na Capital. Nesta mesma rua ficava, também, o local de meu primeiro emprego: o Bar Caçula (este, na esquina da Ernesto Fontoura). Era próximo a igreja dos poloneses, onde cinco dias depois de minha primeira votação, toquei sinos em dobre de finados pela morte de Pio 12, pois o capelão (talvez, Padre João Pithon) era companheiro de carteado de meu tio Arnaldo Junges, proprietário do bar Caçula, que funcionava em prédio próprio da comunidade polonesa.
Os pioneiros poloneses de Porto Alegre, no fim da década de 1890, espalharam-se pelo antigo Quarto Distrito, fornecendo mão de obra para a indústria local. Profundamente religiosos, faziam suas devoções nas igrejas da cidade. Até que, em 29 de abril de 1934, foi realizada a primeira missa na Igreja Nossa Senhora de Monte Claro — padroeira da Polônia (Nossa Senhora de Częstochowa ou a virgem negra, da qual há uma imagem vinda da Polônia na capela), na Avenida Eduardo.
Depois de minha incursão religiosa volto às eleições. Minha primeira ação como eleitor — com título novinho — foi nas eleições estaduais de 1958. Leonel Brizola (engenheiro, prefeito de Porto Alegre), candidato da coligação PTB / PRP foi eleito governador derrotando Walter Peracchi Barcelos (coronel da Brigada Militar). Para senador o vitorioso foi Guido Mondin do PRP. Este partido fez uma inusitada aliança com o Partido Trabalhista Brasileiro, com o qual tinha mais divergências programáticas do que afinidades. Mondin concorreu, então, ao cargo de senador, sendo eleito e ocupando a vaga que foi de Alberto Pasqualini. Brizola sucede (também antecede no governo do RS) a Ildo Meneghetti. Este foi sucedido por Peracchi Barcellos (antes derrotado por Brizola) nomeado governador pela ditadura. Eis uma evocação de minha primeira eleição.
Apenas uma contextualização: Veja-se que há mais de 50 anos já se fazia alianças esdrúxulas como agora, quando Michel Temer vem ao Rio Grande do Sul fazer propaganda contra Tarso, do PT, partido com o qual é candidato a Vice-presidente. 

sábado, 25 de outubro de 2014

25.- UM ARGUMENTO, APENAS...


ANO
 9
Um bom DILMA!
EDIÇÃO
 2937

É amanhã. Ao anoitecer do domingo poderemos fazer previsões mais concretas acerca dos próximos anos. Não disse apenas dos próximos quatro anos, mas, talvez, para vinte anos.
Na segunda escrevi, na blogada mais acessada dentre as quase três mil postadas neste blogue, em mais de 8 anos: Impressionam-me certas razões para votarem num candidato. “Eu acho a Dilma antipática” é justificativa de pessoas de quem eu supunha poder esperar no mínimo, uma avaliação política. Há avaliações marcadas por um automático antipetismo, construído pela mídia e que a muitos capturou. Houve, então, quem me interrogasse (ou pedisse exemplo) do que seria uma avaliação consistente para votar na Dilma.
Quem olhar o vídeo recomendado aqui na quinta encontra pelo menos 13 razões para votar na Dilma amanhã. Se eu tivesse que escolher apenas uma, voltaria a considerar a redistribuição dos distintos estratos sociais desenhada na ilustração que mais de uma vez postei, nos últimos dias. Repito aqui:
A diminuição de 3% dos muito ricos (= 6 milhões, destes passaram para a classe média alta) e a ascensão à classe média de 6% de excluídos (vale recordar que são cerca de 12 milhões de pessoas). A classe média intermediária aumentou em 15% (= 30 milhões de pessoas). Se tivesse alguma dúvida em quem votar, esses números seriam convincentes. Essas alterações na configuração dos estratos sociais têm repercussões não somente para os diretamente beneficiados, mas para toda a sociedade. Isso porque uma sociedade mais igual é garantia de menos violência, de mais segurança para todos. 
Se me fosse solicitada uma segunda razão, elegeria algo que também já repeti aqui muitas vezes: Nos últimos semestres, mais da metade dos alunos (às vezes, turmas inteiras) são da primeira geração que chega à Universidade. A Universidade brasileira, nos últimos anos, mudou de cor. Agora há alunos negros,indígenas, pobres... E, aqui, um lembrete especial aos gaúchos: foi Tarso Genro, enquanto Ministro de Educação do governo Lula, que criou e implantou o ProUni. Este ano o vice-Reitor da UFFS (com campi em PR, RS e SC) disse-me que 87% dos alunos de sua Universidade são os primeiros de suas famílias que chegam a Universidade. Em breve mudará também a cor do corpo docente. 
Há razões sobejas para amanhã votar no 13. Se o leitor ou a leitora ainda não estiver convencido e precisa de mais argumentos: assista ao vídeo produzido de maneira independente por artistas do Rio Grande do Sul:

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

24.- ENTRE A PROMESSA E A PROPINA


ANO
 9
Um bom DILMA!
EDIÇÃO
 2936

Ajuda-me, nesta proposta de a cada dia desta semana, emprestar minha contribuição à busca de uma mais consistente alfabetização política, um escritor que leio a cada domingo. De maneira usual, discordo dele e mais, de vez em vez, ele me aborrece.
Mas, no último domingo Ferreira Gullar ‘valeu a pena’. Não vou imaginar que — por ser o texto do dia 19, o primeiro depois de sua recente unção à imortal da Academia Brasileira de Letras — tenha abandonado seu ranço conservador e reacionário. Talvez. Ainda esta semana, centrava uma discussão em sala de aula: quando ao votar, não pensarmos em nós, mas nos outros, estamos votando com maturidade. Foi por aí que aderi a Gullar. Agora, que já podemos dizer que o nervoso domingo é depois de amanhã, ofereço o texto referido. Ao final há uma pequena sugestão noticiosa.
Entre a promessa e a propina Faltando sete dias [este texto foi publicado domingo dia 19] para que decidamos, com nosso voto na urna, quem governará o país, parece-me necessário nos lembrarmos de que nem sempre o nosso interesse pessoal imediato corresponde ao interesse da sociedade.
E que, por isso mesmo, muitas vezes, ao votarmos só pensando em nosso interesse próprio, votamos contra nós mesmos.
É exatamente desse equívoco que se valem os políticos espertos, que visam o poder pelo poder. A nós, cidadãos, cabe distinguir entre esse tipo de político e o outro, imbuído de espírito público, que deve merecer nosso voto.
Entendo que nem sempre é fácil perceber, no que dizem os candidatos, o que é sincero e o que corresponde a intenções honestas do que é mera embromação. Mas não é impossível, desde que avaliemos, com objetividade, as promessas que fazem, se o que prometem é factível, como têm atuado e quais são os seus aliados.
Dá trabalho, mas compensa, porque só assim se evita que mais vigaristas se tornem legisladores ou governantes.
Esse cuidado, infelizmente, não tem estado presente na escolha que os eleitores fazem dos candidatos. A prova disso está no que a imprensa tem divulgado e que, por incrível que pareça, ainda nos espanta.
Um jornal publicou recentemente a seguinte notícia: quase metade dos candidatos mais votados nestas eleições de agora estão sob investigação policial.
A reportagem informava que 40 dos 108 deputados federais mais votados e senadores eleitos para a próxima legislatura estão sendo investigados pela polícia ou pelo Ministério Público.
As acusações vão desde o desvio de recursos públicos e improbidade administrativa a crime de tortura e falsidade ideológica. Entre os suspeitos, estão ex-governadores, ex-ministros, parlamentares reeleitos e que foram eleitos pela primeira vez.
Todos eles, portanto, detentores de mandatos populares para fazer leis que pautarão a vida de todos nós. E isso, muito embora exista a Lei da Ficha Limpa, que pretende impedir a eleição desse tipo de políticos.
O que se pode esperar de pessoas como essas, transgressoras das leis e dos princípios éticos?
Nesta segunda, houve em São Paulo no TUCA (Teatro da PUC-SP) um memorável comício. Talvez, há muito, não houve algo semelhante no Brasil. Detalhes em http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/forca-simbolica-ato-com-dilma-e-lula-na-puc-de-sao-paulo/

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

23.- A EDUCAÇÃO NO TUCANISTÃO


ANO
 9
Um bom DILMA!
EDIÇÃO
 2935

Já estamos à véspera de um depois-de-amanhã: o expectante dia que tem acelerado palpites e palpitações. Há ainda indecisos. Mas, ampliam-se, verazmente, fontes informações.
Nesta dimensão trago um texto do professor Vladimir Safatle, livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Ele foi publicado na terça na Folha de S. Paulo. Acredito que após sua leitura não restará leitor indeciso ou propenso a anular seu voto. Com votos de sábado no qual nos demos conta que ainda vale fazer campanha na busca de uma Brasil melhor para mais brasileiros.
A educação de Aécio Quem realmente se importa com a educação nacional não pode decidir seu voto sem antes refletir sobre alguns dados a respeito de nossas universidades. Queiram seus protagonistas ou não, esta é uma eleição de retrovisor. Não só o governo apoia-se principalmente naquilo que já fez, usando o discurso da perda possível do que foi conquistado como motor de mobilização. A oposição também se apresenta com basicamente os mesmos personagens vindos do finado governo FHC.
Desde o responsável pelo programa econômico até a responsável pelo programa de educação, todos, a começar pelo próprio Aécio Neves, estiveram organicamente ligados aos oito anos de governo FHC. Não houve autocrítica alguma nem renovação ou reposicionamento a partir dos fracassos passados. Por isso, impossível não esperar a reedição do que o país já viu nos anos 90.
Vale a pena insistir neste ponto porque o legado educacional desses anos foi lamentável. Durante oito anos, o país não inaugurou nenhuma (há de se sublinhar, nenhuma) nova universidade federal. Ao contrário, quando o sr. Paulo Renato entregou seu cargo de Ministro da Educação, o país conhecera oito anos sem concursos públicos para professores universitários, deixando um déficit de 7.000 professores no sistema nacional.
Apenas a título de exemplo, a UFRJ, uma das mais importantes universidades do país, diminuiu (sim, diminuiu) em 10%, sendo obrigada, entre outras coisas, a fechar cursos noturnos por não ter dinheiro para pagar a conta de luz (não, isso não é uma metáfora). Bem, depois de 2002, 18 novas universidades federais foram inauguradas.
Como se não bastasse esse legado, seu partido, no governo do Estado de São Paulo há mais de duas décadas, é atualmente responsável direto pela situação falimentar das universidades paulistas. Afinal, é o governador do Estado que indica os reitores, muitas vezes contra as escolhas da maioria da comunidade acadêmica, como foi com o polêmico senhor João Grandino Rodas. Nestes anos de Tucanistão, o Estado paulista impôs um ritmo de crescimento às universidades desprovido de dotação orçamentária para tanto. O resultado é a crise que aí está.
Agora, se isso não basta, façam uma pesquisa e perguntem qual é a situação da Universidade Estadual de Minas Gerais, esta sim sob a responsabilidade direta do senhor Aécio e seu grupo. Suas condições deterioradas de trabalho, com seus professores "designados" e sua infraestrutura precária, são conhecidas no meio acadêmico e motivos de greves periódicas.
Com toda esta história e este presente, há de se perguntar: é essa "renovação" que o país precisa? 
Um convite especial: assista ao vídeo produzido de maneira independente por artistas do Rio Grande do Sul

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

22.- É MENTIRA OU É VERDADE?


ANO
 9
Bom Dilma!
EDIÇÃO
 2935

A semana nervosa chega à metade. A quarta-feira — o dia de Mercúrio — em alemão foge ao culto a deuses. Conta-se que, um monge piedoso querendo exorcizar o paganismo celebrado na nominação dos dias da semana, conseguiu que este dia fosse chamado de Mittwoch: meio da semana.
Dentro da contribuição que procuro trazer à alfabetização política, comparto hoje um texto de Ricardo Melo, 58, jornalista. Na Folha, foi entre outras funções, editor da 'Primeira Página'. Também foi chefe de Redação do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), editor-chefe do 'Diário de S. Paulo', do 'Jornal da Band' e do 'Jornal da Globo'. Na juventude, foi um dos principais dirigentes do movimento estudantil 'Liberdade e Luta' ('Libelu'), de orientação trotskista. O ortigo foi publicado na segunda, no caderno Eleições da Folha de S. Paulo.
É MENTIRA OU É VERDADE? NÃO É UMA QUESTÃO DE PONTO DE VISTA
A frase atribuída ao nazista Joseph Goebbels — uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade — tem sido a resposta preferida do candidato Aécio Neves e sua equipe diante de críticas. O problema é quando a verdade, repetida mil vezes, continua sendo verdade, sem contraponto ou contraditório capaz de desmenti-la.
O candidato tucano construiu uma pista de pouso em propriedade familiar. A chave da mordomia ficava na mão de parentes, os quais, aliás, ele empregou aos montes. Tudo documentado. Nenhum estudo, mesmo fabricado às pressas, provou a necessidade da obra. Isso não é uma questão íntima. É dinheiro público queimado para fins pessoais. Existe uma ação em curso, por improbidade administrativa. É um fato, não depoimento selecionado de delação desesperada, desculpe, premiada.
O governo de Minas destinou uma gorda fatia de publicidade para empresas de telecomunicações dos Neves. Nem o candidato nega. É deselegante perguntar como o rapaz lida quando se encontram o público e o privado? Cabe aos brasileiros descobrir o montante, pois envolve gente disputando a Presidência. "Não registramos quanto foi gasto", respondem o tucano e seu staff.
Documentos do Tribunal de Contas de Minas Gerais apontavam suspeitas de irregularidades no governo do atual senador. A capivara foi citada durante um dos debates. Horas depois, a papelada desapareceu do site oficial do tribunal, uma instância pública(!). Tomou Doril. Sumiu. E nada se faz a respeito.
O drible no bafômetro e outros momentos pouco edificantes da rotina noturna do senador estão fartamente documentados na internet e imprensa escrita. Não são montagem, assim como não é falso o stand-up daquele artista de fim de noite que relacionou Maradona e Aécio quanto ao consumo de drogas. Hoje o mesmo personagem posa de aecista desde criancinha. Mas nunca desmentiu a performance.
Balela a história de que trazer a público tudo isso é baixaria etc, etc. Isso é falta de argumento de quem não tem resposta.
Pense bem: quantas vezes já não deparamos com indivíduos brilhantes (o que não é propriamente o caso...), mas com uma trajetória errática, que seríamos incapazes de indicar para uma função, mesmo menor, numa empresa? Não há nisso preconceito nenhum; somente o desejo de saber qual é a pessoa certa para o lugar certo.
"Ah, mas e os programas, as propostas?", indagam os puritanos habituais. Bem, todos conhecem o que pensam tanto Dilma quanto Aécio e seu braço direito, Armínio Fraga.
A primeira pelo que ela e seu partido fizeram nos últimos tempos no Planalto. Aécio, pelo que ele e sua equipe revelam em entrevistas e jantares. Coisas como corte de gastos sociais, esvaziamento de bancos públicos, encolhimento de salários, facão nas empresas, tarifaço, mudança nas leis trabalhistas e por aí vai. As tais medidas impopulares. Para ele, sem isto o Brasil vai piorar. Acredite quem quiser.
Com a campanha perto do fim, supostas regras de etiqueta surgem para esconder o essencial. Cortina de fumaça. Estão em jogo a vida e o futuro de milhões de pessoas. Elas têm todo o direito de conhecer quem pretende ocupar o cargo mais alto da República.
Pesquisas são só pesquisas. A depender delas, o PT não teria ganho no primeiro turno na Bahia e em Minas Gerais, Aécio não teria os votos obtidos em São Paulo, e o PMDB estaria fora do segundo turno no Rio Grande do Sul.
A questão não é satanizar institutos. É dar aos seus levantamentos o peso que merecem. Mais do que nunca, o primeiro turno mostrou que a palavra final é do eleitor, não de pesquisados. Da mesma forma que é patética a tática de carimbar como mentiras verdades inapagáveis, registradas em vídeo, áudio e folhas de papel.