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domingo, 18 de março de 2012

18.- STREZLICIA: FLORES UMA VEZ MAIS



Ano 6 *** www.professorchassot.pro.br *** Edição 2055
Domingo passado a blogada foi para falar de uma efêmera floração de cactos de minha casa. Hoje a domingueira deseja levar a meus leitores algo de outra florada da Morada dos Afagos. Esta com uma marca diferente da anterior: as flores da Strelitzia são perenes. Elas já há vários dias engalanam meu jardim. O ensaio imagético mostra um pouco da beleza destes dias de adeus ao verão (pelo menos no calendário).
O professor Google ensina-me que a estrelítzia é uma planta herbácea muito popular e tradicional. Seu nome científico é uma homenagem à rainha Sofia Carlota de Mecklenburg-Strelitz, esposa do rei Jorge III, do Reino Unido.
Ela é entouceirada, rizomatosa e apresenta folhas rijas e coriáceas, de coloração verde-azulada, muito ornamentais. 
As inflorescências da estrelítzia são formadas durante o ano todo, mas principalmente no verão. A espata é o bico, e serve de bainha para as flores que emergem de coloração laranja, com anteras e estigmas azuis, em forma de flecha. Estas inflorescências são muito duráveis e largamente utilizadas como flor-de-corte.
·                     Nome Científico: Strelitzia reginae
·                     Nome Popular: Estrelítzia,
·                     flor-da-rainha, ave-do-paraíso, estrelitza
·                     Família: Strelitziaceae
·                     Divisão: Angiospermae
·                     Origem: África do Sul
·                     Ciclo de Vida: Perene
Votos de um muito bom domingo. Lemo-nos amanhã, uma vez mais, no dia de um dos santos mais populares: São José.
·                     Estrelítzia,
·                     flor-da-rainha, ave-do-paraíso, estrelitz·                     Estrelítzia,





·                     flor-da-rainha, ave-do-paraíso, estrelitzaa

sábado, 17 de março de 2012

17.- A CONTURBADA HISTÓRIA DAS BIBLIOTECAS



Ano 6 *** www.professorchassot.pro.br *** Edição 2054
Na última segunda-feira, dia 12, foi o dia do bibliotecário. Ao ser alertado da efeméride, no blogue de meu colega Garin — norberto-garin.blogspot.com/ — eis excerto de meu comentário:
 “mesmo considerando ‘o lixo’ tema relevante [...] não há como não me ater a render loas aos bibliotecários nesta data. Esta é uma profissão que quisera ser. Certamente, seria um mau funcionário, pois estaria permanente saciando minha curiosidade, deleitando-me no acervo. Imagina se a biblioteca tivesse — como há em algumas — um setor de livros de empréstimo proibido. Agradeço teu ‘memento librorum’: deste-me a sugestão para próximo sábado. Em homenagem aos bibliotecários, a dica sabática será: A conturbada história das Bibliotecas.
Cumpro, aqui e agora, a promessa. Deste livro fiz resenha no saudoso ‘Leia Livro’ da Secretaria de Cultura de São Paulo. Aliás, sobre o mesmo livro publiquei um texto em Episteme, n. 16, p.181-185, jan./jun 2003.
Ocorre um detalhe que devo escusar-me: depois de fazer aqui a promessa, ao preparar esta edição, sou alertado pelo prestimoso Google Desktop, que em 10SET2011, o livro já fora aqui assuntado em uma dica sabática. Aos meus leitores mais assíduos, peço indulgências e para eles ‘reformei’ o texto antes publicado, mesmo que minha mãe, que costurava para toda família, sempre dissesse que era mais fácil fazer uma roupa nova do que reformar. Aos neófitos aqui faço esta oferta como se fosse um café recém passado.
A conturbada história das Bibliotecas. BATTLES, Matthew. São Paulo: Planeta, 2003, 239 p. [Título do original inglês: Library: An unquiet History. Tradução: João Virgílio Gallerani Cuter] ISBN 85-7479-698-0. R$ 42,00.
Nunca entendi bem o porque, mas adiro aos que adjetivam a inveja de santa e eu tenho uma santa inveja do que faz Mattew Battles. Ele trabalha na Biblioteca de Houghton, que abriga a coleção de obras raras de Harvard. Admitamos, um excelente local para se desfrutar o trabalho como ócio. Posso imaginar que não são poucos os leitores que gostariam de ter tal cenário como local de seu ganha pão, até porque o pão para o espírito viria como um alentado benefício extra.
Battles [foto], falando de seu local de trabalho, conta – e me permito dar-lhe mais extensamente a palavra aqui – que “quando fui trabalhar na Biblioteca Widener, em Harvard, cometi logo de saída meu primeiro erro: tentei ler os livros. Não demorou muito para repetir-se em mim aquela sensação de vertigem compulsiva [...] na verdade, uma resposta a contradições que qualquer um de nós enfrenta quando está diante de uma biblioteca. O leitor vai tocando os livros expostos nas estantes, levanta-os, sente-lhes o peso, aprecia as letras inclinadas, dispostas numa página de rosto, examina marcas deixadas por outros leitores e, quanto mais toca, mais fugidio lhe parece o saber ali contido. Todas as coisas que desconhece parecem estar lhe acenando por detrás das capas, nas entrelinhas. Na biblioteca o leitor é obrigado a despertar daquele sonho de comunhão íntima provocado pela leitura. Ele é forçado a reconhecer a materialidade do mundo na sucessão interminável das lombadas, nos sons das páginas virando sobre as mesas, no atrito das capas que se espremem nas prateleiras, e nesse cheiro rançoso [Aqui, permito-me discordar de Battles; os livros têm, não raro, cheiros agradáveis, às vezes, até sensual] que impregna qualquer ambiente em que há livros em grande número. É claro que essa experiência da dimensão puramente física do livro é mais forte nas grandes bibliotecas, onde a massa da palavra escrita é tão grande que parece criar um centro de gravidade em torno de si.” E o capítulo inaugural “Lendo a biblioteca” prossegue falando dos encantamentos que nos oferecem esses tabernáculos da sabedoria.
Muito provavelmente, cada um dos leitores e leitoras deste blogue já sentiu sensações semelhantes quando se deleita em uma biblioteca. Talvez encontre uma explicação do porque quando vivi o privilégio de um período de pós-doutoramento, o entrar para uma biblioteca pela manhã e sair à noite parecia normal e não me afloravam culpas. Explico, assim, por exemplo, que as visitas à nova Biblioteca de Alexandria ou à imponente Biblioteca Mitterrand em Paris me infundiram emoções como aquelas que se sente quando se adentra pela primeira vez na Basílica de São Pedro no Vaticano ou na Mesquita de Hagia Sofia em Istambul.
Passados os encantamentos que todos vivemos nas bibliotecas e que Batlles nos mostra qual Virgílio conduzindo Dante pelos diferentes locais do Paraíso, o livro nos remete para outro lado. Talvez a maior surpresa do texto, já anunciada no título está no convite a que esqueçamos as bibliotecas como lugares tranquilos, silenciosos, respeitosos templos do saber... mas passemos a considerar esses imensos reservatórios de conhecimento, densamente acumulado, como alvo privilegiado dos inimigos da civilização, que os têm como presa fácil para devastação em massa. As destruições da Biblioteca de Alexandria são apenas algumas das situações vândalas entre muitas outras descritas no livro. Talvez uma das mais impressionantes é aquela tida como a maior queima de livros que a humanidade conheceu “patrocinada” por Shi Huang Ti há 2.300 anos antes do presente e que se fez enterrar, com um exército de seis mil guerreiros de terracota, próximo a atual cidade de Xian na China. Deu uma ordem bastante simples: “Destruir toda a história, a filosofia e a literatura produzida antes que sua dinastia assumira o poder”. Sabemos o quanto essa ordem foi, mais de uma vez, imitada por muitos outros que tomavam o poder ou dominavam outras civilizações. Aliás, quando lemos compungidos sobre as destruições de bibliotecas árabes, quando da expulsão dos islâmicos da Península Ibérica no final século 15, não deixa de ser paradoxal lembrar que quando da conquista árabe do Egito, no século 7, ao ser perguntado ao conquistador o que fazer com os livros que ainda havia em Alexandria, a resposta foi sumária: “Com relação aos mencionados livros, se estes concordam com o Livro de Deus, eles são desnecessários; por outro lado, se discordam, são indesejáveis. Portanto, que todos os livros sejam destruídos!”
Comove-nos particularmente as destruições de livros que existiram em regiões que hoje chamamos de América, quando da chegada dos assim chamados colonizadores. Todavia, os espanhóis não foram os primeiros a queimar livros no vale do México. – e o fizeram a rodo não apenas nas terras das quais se apossavam, mas também quando expulsaram da Península árabes e judeus. Antes deles os astecas já haviam descoberto como encadernar livros e como incendiá-los. Quando os mexica se transformam em astecas, para uma nova ordenação nobiliárquica é preciso ter também uma nova história; repete-se, então, o feito de Shi Huang Ti e o primeiro imperador asteca determina a queima de todos os livros produzidos antes da dinastia que então se iniciava. Zera a História foi prática muito repetida.
Mas livros ao fogo não são espetáculos dantescos antanhos. O nosso século 20 – porque somos todos homens e mulheres do século passado, tão celebrado por ser aquele que a tecnologia pontificou, teve momentos de grandes labaredas. Battles descreve a destruição, em agosto de 1914, da Biblioteca de Louvain pelos exércitos alemães como uma das maiores perdas da humanidade, com a queima de 70 mil livros e 300 manuscritos fruto de quase quinhentos anos de vida intelectual ininterrupta. Passada a 1ª Guerra Mundial, a biblioteca foi reconstruída com garra. Em maio de 1940, as tropas alemãs invadiram mais uma vez a Bélgica e o que por primeiro foi bombardeado foi a nova biblioteca, que foi destruída, restando milhares de livros carbonizados. Esta bilioclastia foi uma prática do nazismo, que em maio de 1933, em praça pública em Berlim, faz queimar livros que “o doutor Goebbels, do alto de sua imensa sabedoria, julga impróprio para a Alemanha nazista”. Essa foi apenas a primeira de 30 queima de livros universitários na primavera de 1933. Calcula-se que nos 12 anos seguintes o nazismo tenha queimado mais de 100 milhões de livros. Bibliotecas inteiras foram queimadas ou roubadas apenas pelo pretexto de pertencerem a comunidades judaicas. Battles relata o quanto durante o nazismo a função do bibliotecário tornou-se importante, pois o governo determinava o que o povo deveria ler, ou melhor, o que não podia ler; isso fez com que os bibliotecários passassem ocupar o centro das atenções governamentais. Estes então só sobreviveram na medida em que atendiam aos desejos do governo.
Há ainda muitas páginas de descrições de antecipações de realidade daquilo que Rad Bradbury fez irônica ficção em seu livro, levado depois ao cinema: Fahrenheit 451. Em 1981, nacionalistas cingaleses destruíram a Biblioteca Tamil no Sri Lanka com milhares de livros, com conhecimentos que jamais serão recuperados. Sabemos o que foi feito contra bibliotecas, em 2001 no Afeganistão pelos talibans e, em 2003, quando da invasão estadunidense ao Iraque.
Bibioclastias acidentais, provocadas, revisionistas e abrangente a humanidade as conheceu em sua história as mais diversas tanto políticas como religiosas. A leitura dos capítulos “Alexandria em chamas”, “A guerra dos livros” e “O conhecimento lançado ao fogo” nos faz evocar outras histórias não trazidas por Battles. Assim, se houve tempos que os colégios recendiam a cheiro de fumaça pois eram premiados os alunos que trouxessem para queima livros que estavam no Index — parecendo um assunto para uma próxima blogada — que seus pais ocultavam em casa, também lembramos que, deva haver entre os leitores deste blogue alguns que se recordem de ter assistido, nos anos de maior repressão do recente golpe militar, obras inteiras de Marx, por exemplo, serem colocadas em riachos ou em fornos de padaria, pois tê-las em casa era se posicionar contra o regime e candidato, no mínimo, a ser levado a uma comissão policial de inquérito.
Mesmo que haja estas partes menos atrativas, A conturbada história das Bibliotecas apresenta uma riqueza muito grande de informações se constituindo em um livro que encantará as leitoras e os leitores que desejam entender como se deu / dá / dará essa magnífica acumulação de saber e, também, com houve / há, e infelizmente haverá, perdas acidentais e desejadas do conhecimento.
Se o objetivo de uma resenha é (des)estimular a leitura do livro resenhado, quero aqui, de maneira entusiástica recomendar A conturbada história das Bibliotecas. Acredito que vale a pena conhecer acerca do livro e porque este, para alguns é companhia para os mais diferentes momentos e para outros, uma continua ameaça.
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sexta-feira, 16 de março de 2012

16.- OS BONS E OS MAUS



Ano 6 *** www.professorchassot.pro.br *** Edição 2053
Esta noite tenho mais uma das bancas de março. A mestranda Juliana Silva Cerqueira defenderá sua dissertação acerca da Prova Brasil e A formação Continuada de Professores: a busca da qualidade educacional em uma escola municipal de Porto Alegre, orientada pelo Prof Dr. Jose Clovis de Azevedo, tendo também a co-orientação da Profa. Dra. Marlis Morosini Polidoro. A Banca avaliadora terá a presença como avaliadora externa da Profa. Dra. Denise Grosso da Fonseca da UFRGS e eu como representante do Mestrado Profissional de Reabilitação e Inclusão.
Nesta quarta sexta-feira da quaresma do ano da graça de 2012, não vou fugir ao tom das outras três. Uma vez trago um tema eclesial. Talvez melhor usasse o adjetivo igrejeiro.
Não vou catalisar polêmicas. Apresentarei dois elementos. Um é um excerto de uma crônica de um jornal de Porto Alegre; outro o extrato de notícia publicada em revista de circulação nacional.
Um dos mais lidos cronistas do Rio Grande do Sul, auto-reconhecido como o melhor de todos, demonstra na religião a única possibilidade de alguém ser bom. Dele é esta rara pérola: A religião é a forma humana mais propícia para que o homem se torne bom. Entre os crentes, nunca encontrei um homem mau. A religião parece que inocula na personalidade humana o vírus da bondade. E sempre que me defrontei com um homem mau, invariavelmente ele não era religioso. Por isso tenho um respeito muito grande pelos religiosos. Eles se mostram voltados para o bem. [O bem ou mal, Zero Hora, 11MAR2012, p.39]
No mesmo fim de semana, a revista Veja noticiava: Investigado em inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro por suspeita de estupro, tortura e de manter vínculos com criminosos, como revelou Leslie Leitão na última edição de VEJA, o pastor Marcos Pereira, chefão da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, foi um dos primeiros a abraçar Dilma Rousseff ontem durante homenagem do Senado às mulheres. Inacreditável: um sujeito investigado por estupro numa cerimônia em louvor às mulheres – e ainda por cima abraçando a presidente da República. Numa palavra, os cerimoniais do Congresso e da Presidência falharam.
Na última década, o pastor carioca Marcos Pereira, 55 anos, conquistou respeito em rodas que mesclam políticos, desembargadores, artistas e uma vasta turma egressa de ONGs, que já o viram em cima de um púlpito gesticulando com um de seus Rolex em punho e desejando “rajadas de glória” à plateia. Alçado à condição de religioso-celebridade, Marcos extrapolou, e muito, as fronteiras de sua igreja, a pentecostal Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio e filiais no Paraná e no Maranhão. Desde 2004 — depois de pôr fim a uma sangrenta rebelião em um presídio do Rio, a pedido do então secretário de Segurança, Anthony Garotinho —, ele passou a ser visto como o mais habilidoso apaziguador de conflitos liderados pela bandidagem, com um currículo que, segundo o próprio, inclui o resgate de centenas do tráfico. Tem feito esse trabalho no Brasil inteiro e já foi várias vezes aos Estados Unidos, onde quer erguer um templo, para falar da experiência. Pois por trás dessa fachada, ao que tudo indica, se esconde um enredo de atrocidades que não deixa pedra sobre pedra da imagem de bom religioso do pastor.
Não estou propondo generalização a partir dos dois insertos acima. O articulista todo dono da verdade em seu texto faz a ilação que somente sendo religioso se pode ser bom e é claro que o pérfido pastor Marcos no seu obrar ‘muito religioso’ em nome de Jesus não é representativo das ações dos ministros da maioria das religiões. Há, não se pode esquecer, religiões que operam satanicamente e os fiéis das mesmas são religiosos.
Parece difícil fugir ao senso comum, assentado no obscurantismo do medievo europeu e também assumido no mundo islâmico, de que o ateu (=infiel) é uma pessoa má. Já comentei aqui, com ilustração de palavras cruzada: ‘homem mau (4 letras) = ateu’.
Uma vez mais estamos diante de um assunto polêmico. Aqueles que creem e os que não creem devem por primeiro se despir de preconceitos. Com essa esperança (¿ e isto é uma crença?) os votos de uma muito bom inicio da segunda quinzena de março!
PS.: Vibro que ter falado ontem nos ‘sonhos’ de Santo Antônio da Patrulha tenha catalisado evocações. Meu colega e amigo Martin Sander busca até sonhos com ‘sabores secretivos’.

quinta-feira, 15 de março de 2012

15.- PERCA UM MINUTO NA VIDA, MAS...



Ano 6 *** www.professorchassot.pro.br *** Edição 2052
Depois de uma novena com temperaturas médias sempre superiores a 35ºC, a chuva veio a borbotões. Pela manhã choveu 92% da média de todo o mês de março: 40,2 mm em duas horas; são 'as águas de março em pleno verão.' Em Porto Alegre houve um caos, [foto da manhã de ontem] até porque ainda não temos automóveis anfíbios.
Automóveis, ou em sentido mais amplo veículos automotores (inclui-se então, ônibus, caminhões, motos...) têm historicamente — também — a marca de máquinas mortíferas. Por tal são memoráveis as campanhas para reduzir a dizimação produzida por estes objetos todo poderosos com os quais a humanidade convive há um pouco mais de 100 anos. Isto é que traz a relação da ‘máxima’ que se faz manchete desta blogada.
Apenas um dado histórico — e a escolha que ser uma homenagem a meus leitores lusitanos, que garantem que sua Pátria seja a segunda em visitação a este blogue, com cerca de uma dezena de acessos diários —: O primeiro automóvel a chegar a Portugal foi um veículo da marca Panhard-Levassor tendo sido importado de Paris pelo Conde de Avilez, em 1895. Na alfândega de Lisboa, ao decidirem a taxa a aplicar, hesitam entre considerar aquele estranho objeto máquina agrícola ou máquina movida a vapor. Acabam por se decidir por esta última.
Este veículo também passou à história por um acontecimento insólito: logo na sua primeira viagem, entre Lisboa e Santiago do Cacém, ocorreria o primeiro acidente rodoviário em Portugal, tendo sido vítima um burro, atropelado a meio do percurso.
Existem aproximadamente 600 milhões de automóveis de passageiros a nível mundial (cerca de um carro para cada onze pessoas). Em todo o mundo, havia cerca de 806 milhões de carros e caminhões leves na estrada em 2007, eles queimam mais de 1 bilhão de m³ (260 bilhões de galões) de gasolina/diesel e combustível por ano. Os números estão aumentando rapidamente, sobretudo na China e na Índia.
Estes dados falam da soberania de automóveis e similares no Planeta. Este meio de transporte sempre me parece ‘burro’ pois seu modelo mais que centenário continua, especialmente em termos de volume ocupado por passageiro igual às carruagens das quais é sucedâneo. Mesmo com esta qualificação este parece ser o Objeto mais desejado dos humanos.
Mas este já extenso preambulo é só para deixar aflorar algo do baú de memórias. Há dias vi a frase: PERCA UM MINUTO NA VIDA, MAS NÃO PERCA A VIDA NUM MINUTO e lembrei a primeira vez que a vi usado.
Era final dos anos 50, do século passado. A fiscalização de trânsito não tinha ainda radares ou câmaras para flagrar irregularidade. Também, não existia a ‘freeway’ e para ‘ir para as praias’ a alternativa era pela rodovia estadual que passava por Gravataí e Santo Antônio da Patrulha. Cito estas duas cidades, pois elas são partes do detalhe que desejo narrar.
Lateralmente, Refiro que então, as classes mais abastadas iam para litoral, logo depois do Natal (ou, já antes) e lá ficavam até março, quando reiniciavam as aulas. Os de classe média que podiam alugar uma casa — de localização menos privilegiada, às vezes entre cômoros — por um mês (ou por uma quinzena), se punham na estrada, em janeiro e fevereiro.
A hoje chamada estrada velha, desclassificada pela freeway, já então não suportava o número de carro e ainda manos os corredores que provocavam acidentes na acidentada rodovia.
Pois é o genial controle da época que é mote aqui: no posto da polícia rodoviária de Gravataí, se recebia um papelucho, talvez um quarto de uma folha de ofício onde era carimbado um relógio, que assinalava a hora na qual não se podia passar antes no posto de Santo Antônio da Patrulha (que se localizava antes dos bares que vendiam famosos sonhos). E neste papel estava a frase-título. Realmente um controle precário, pois os corredores sabiam burlar, e próximo ao posto, estes quase que paravam.
Foi bom matar saudades aqui. Uma muito boa quinta-feira a cada uma e cada um.

quarta-feira, 14 de março de 2012

14.- NIKOLA TESLA: ¿QUEM É?



Ano 6 *** www.professorchassot.pro.br *** Edição 2051
No fim de semana que passou, sem que saiba explicar o contexto, foi me perguntado: ¿Quem é Nikola Tesla? incontinente respondi: não sei. Depois disse: Muito provavelmente foi um inventor da área da Física Moderna, que deve ter vivido na virada do 19/20, pois existe uma unidade no SI de densidade magnético que se chama tesla. Minha sabedoria acerca de Tesla encerrava-se nisso.
Instigado pela curiosidade, procuro conhecer algo acerca de Tesla e vejo que ele é muitas vezes descrito como um dos mais importantes (e desconhecidos) cientistas e tido como aquele que "espalhou luz sobre a face da Terra" mas, também detentor de uma biografia assaz exótica. Talvez dissesse melhor: mirabolante (= demasiadamente fantástica, para ser verdadeira), da qual trago alinhavos.
Devo dizer que quanto mais conhecia sobre Nikola Tesla (Nicola Tesla ou Никола Тесла) (Smiljan, Império Austríaco, 10 de julho de 1856 — Nova Iorque, 7 de janeiro de 1943) mais me surpreendia como eu, sendo autor de um livro sobre História da Ciência, em circulação há quase 20 anos e professor de História e Filosofia da Ciência, com análises sobre a virada do 19/20, desconhecia praticamente tudo que lia.
Aliás, a respeito de meus traços de erudição mostrado na minha resposta vale completar que a unidade de SI que mede a densidade do fluxo magnético ou a indução magnética (geralmente conhecida como campo magnético "B"), o tesla, foi nomeada em sua honra (na Conférence Générale des Poids et Mesures, Paris, 1960), assim como o efeito Tesla da transmissão sem-fio de energia para aparelhos eletrônicos com energia sem fio, que Tesla demonstrou numa escala menor (lâmpadas elétricas) já em 1893 e aspirava usar para a transmissão intercontinental de níveis industriais de energia.
Na foto com cerca de 40 anos Tesla nasceu na aldeia de Smiljan, Império Austríaco, perto da cidade de Gospić, hoje na atual Croácia, filho de pais sérvios. O seu certificado de batismo registra que nasceu a 9 de julho de 1856, filho do Padre Milutin Tesla, presbítero da Igreja Ortodoxa Sérvia, e de Đuka Mandić. A sua mãe, filha de um padre da Igreja Ortodoxa Sérvia, com raízes profundas no Kosovo. Era talentosa a fazer utensílios domésticos e memorizou muitos poemas épicos sérvios, mas nunca aprendeu a ler. Nikola era súbdito do Império Austríaco por nascimento e mais tarde tornou-se um cidadão estadunidense.Tesla estudou engenharia eletrotécnica no Instituto Politécnico Austríaco em Graz (1875). Enquanto aí estava, estudou as utilizações da corrente alterna. Algumas fontes referem que recebeu graus de bacharelato da Universidade de Graz. No entanto, a universidade afirma que não recebeu nenhum grau e que não continuou os estudos após o primeiro semestre do terceiro ano, durante o qual deixou de assistir às aulas. Em dezembro de 1878 deixou Graz e quebrou todas as relações com a sua família. Os amigos pensaram que se tinha afogado no Mura. Foi para Maribor, (atual Eslovénia), onde arranjou um primeiro emprego como engenheiro assistente durante um ano. Sofreu um esgotamento nervoso nesta altura. Tesla foi mais tarde persuadido pelo seu pai a frequentar a Universidade Carolina em Praga, onde estudou na época do Verão de 1880. Foi aqui que foi influenciado por Ernst Mach. No entanto, após a morte do seu pai, deixou a universidade, tendo completado apenas um termo.
Tesla dedicou-se a ler muitas obras, memorizando livros inteiros, tendo supostamente uma memória fotográfica. Tesla relatou na sua autobiografia que experimentava momentos pormenorizados de inspiração. Durante o início da sua vida, Tesla foi atingido pela doença recorrentemente. Sofria de uma maleita peculiar na qual clarões de luz que o cegavam apareciam em frente aos seus olhos, muitas vezes acompanhados de alucinações. A maioria das vezes as visões estavam ligadas a uma palavra ou ideia com a qual se deparava; apenas por ouvir o nome de um assunto, involuntariamente o visionava com detalhes realísticos. Há relatos que ele podia visualizar uma invenção no seu cérebro na sua forma precisa antes de avançar para a fase da construção, uma técnica por vezes conhecida como pensamento visual. Tesla tinha também muitas vezes flashbacks de acontecimentos anteriores da sua vida; isto começou a ocorrer durante a infância.
Em 1880 mudou-se para Budapeste para trabalhar numa companhia de telegrafia, a Companhia Nacional de Telefones. Enquanto aí, conheceu Nebojša Petrović, um jovem inventor sérvio que vivia na Áustria. Embora o encontro de ambos fosse breve, trabalharam em conjunto num projeto que utilizava turbinas gémeas para criar energia continuamente. Quando começaram as comunicações telefônicas em Budapeste em 1881, Tesla tornou-se o eletricista-chefe da companhia, e mais tarde engenheiro do primeiro sistema telefônico do país. Desenvolveu também um aparelho que, de acordo com alguns, era um repetidor ou amplificador de telefone, mas que segundo outros poderia ter sido o primeiro altofalante.
Em 1882 deslocou-se para Paris, França para trabalhar como engenheiro na "Continental Edison Company", desenhando aperfeiçoamentos em equipamentos eléctricos. Também trabalhou em Lyon.
Tesla mudou-se para os Estados Unidos em 1884, estabelecendo-se em Nova Iorque e tornando-se um assistente do famoso cientista da época Thomas Alva Edison. Após um sério desentendimento com este por não haver recebido um gigantesco bônus prometido por Edison (segundo ele, uma brincadeira) por algumas de suas aplicações, aprimoramentos e descobertas (1886), Tesla perde o emprego e passa por um período difícil, realizando trabalho braçal.
Em 1887, consegue realizar um contrato com um grande investidor e vende sua patente da corrente alternada para George Westinghouse, que convence o governo americano a adotar o modelo-padrão de corrente alternada como meio mais eficiente para a distribuição de energia elétrica, contrariando interesses de seu antigo empregador Thomas Edison.
Ele é reconhecido por suas significativas contribuições revolucionárias no campo do eletromagnetismo. As patentes de Tesla e o seu trabalho teórico formam as bases dos modernos sistemas de potência eléctrica em corrente alterna (AC), incluindo os sistemas polifásicos de distribuição de energia e o motor AC, com os quais ajudou na introdução da Segunda Revolução Industrial. Neste cenário ocorre com Edison ‘a guerra das correntes.
Quando viaja pelos Estados Unidos e Europa, a partir de 1891, apresenta novos ensaios científicos, detalhando aplicações insuspeitadas sobre a aplicação da corrente alternada de alta frequência e várias outras descobertas. Desenvolve a partir desse período um conjunto extenso de inventos para produção e uso da eletricidade, como o motor elétrico e registra outra centena de patentes, como o acoplamento de dois circuitos por indução mútua, princípio adotado nos primeiros geradores industriais de ondas hertz, o princípio e metodologia de criar energia (corrente alternada) através de campo magnético rotativo, o motor assíncrono de campo giratório, entre outros.
Foto do laboratório de Tesla em Colorado Springs, em 1900 Inventou também a corrente polifásica, comutadores elétricos e ligação em estrela, novos tipos de geradores e transformadores, comunicação sem fio, a lâmpada fluorescente, controle remoto por rádio e protótipos de transmissão de energia.
Tesla era fluente em muitos idiomas. Além do sérvio, falava ainda sete outras línguas: checo, inglês, francês, alemão, húngaro, italiano e latim.
Tesla pode ter sofrido de transtorno obsessivo-compulsivo, e tinha muitas manias e fobias pouco habituais. Fazia as coisas de acordo com o número três, e era inflexível em relação a ficar em quartos de hotel cujo número era divisível por três. Tesla era também notado por ficar fisicamente facinado por joalharia, sobretudo brincos de pérola. Era maníaco acerca da limpeza e higiene, e era, segundo a opinião corrente, misógino.
Tesla era obcecado por pombos, encomendando sementes especiais para os pombos que alimentava no Central Park e chegando mesmo a trazer alguns com ele para o seu quarto de hotel. Tesla era um amante de animais, lembrando-se muitas vezes com contentamento dum gato que tinha todo na infância. Tesla nunca se casou. Era celibatário e afirmava que a castidade era muito útil às suas capacidades científicas. No entanto, existiram numerosos relatos de mulheres disputando a afeição de Tesla, algumas mesmo loucas de amor por ele. Tesla, embora delicado, reagia de um modo ambivalente a essas mulheres, no sentido romântico.
Tesla era sujeito a se alienar e era geralmente mal humorado. No entanto, quando realmente participava na vida social, muitas pessoas o referiam de um modo muito positivo e admirador. Robert Underwood Johnson descreveu-o como atingindo uma "distinta doçura, sinceridade, modéstia, refinamento, generosidade, e força." A sua leal secretária, Dorothy Skerrit, escreveu: "o seu sorriso genial e postura nobre sempre evidenciaram o carácter cavalheiresco que estava tão arraigado na sua alma." Hawthorne, amigo de Tesla, escreveu que "poucas vezes se conhece um cientista ou engenheiro que também seja um poeta, um filósofo, um apreciador de música erudita, um linguista, e um expert em comida e bebida."
No entanto, Tesla por vezes mostrava traços de crueldade; expressava abertamente a sua repulsa por pessoas obesas, tendo despedido certa vez uma secretária devido ao seu peso. Era também rápido a criticar as roupas dos outros, e em muitas ocasiões ordenou uma subordinada que fosse a casa e mudasse de vestido.
Tesla era largamente conhecido pela sua teatralidade, apresentando as suas inovações e demonstrações ao público de uma forma artística, quase como um mágico. Isto parece não estar de acordo com a sua observada propensão à reclusão; Tesla era uma figura complexa. Recusava-se a seguir as convenções sem a sua bobina Tesla bombardeando eletricidade através da sala, apesar da audiência muitas vezes estar aterrorizada, embora assegurasse que era tudo absolutamente seguro.
Na meia idade, Tesla tornou-se um amigo muito próximo de Mark Twain, passando ambos muito tempo juntos no seu laboratório e em outros lugares. Nos seus últimos anos Tesla tornou-se um vegetariano. Num artigo da Century Illustrated Magazine escreveu: "É de certo preferível cultivar vegetais e, penso eu, portanto, que o vegetarianismo é uma alternativa recomendável aos hábitos bárbaros estabelecidos." Tesla argumentava que era errado comer carne cara quando um número tão elevado de pessoas está à fome; também acreditava que a alimentação vegetal era "superior a isso [carne] tanto no desempenho mecânico como mental". Também argumentava que o abate dos animais era "imoral e cruel". No final da sua vida sofria de sensibilidade extrema à luz, som e outras influências.
Capa da revista Time de 1931 Tesla não gostava de posar para retratos, fazendo-o somente uma vez para a princesa Vilma Lwoff-Parlaghy. O seu desejo era ter uma estátua executada pelo seu amigo próximo, o escultor croata Ivan Meštrović, que nessa época estava nos Estados Unidos, mas morreu sem que tivesse hipótese de a ver. Meštrović fez um busto de bronze (1952) que se encontra no Museu Nikola Tesla em Belgrado e uma estátua (1955/56) colocada no Instituto Ruđer Bošković em Zagreb. Esta estátua foi deslocada para a Rua Nikola Tesla no centro da cidade de Zagreb no 150º aniversário do nascimento de Tesla, tendo o Instituto Ruđer Bošković recebido uma réplica. Em 1976, uma estátua de bronze de Tesla foi colocada nas cataratas do Niágara, Nova Iorque, uma estátua semelhante foi também erguida na sua cidade natal de Gospić em 1986.
ACIMA Monumento de Tesla em frente à Igreja Ortodoxa Sérvia de São. Sava, New York       AO LADO                   Monumento de Tesla, Niagara Falls, Canadá
O Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) do qual Tesla foi vice-presidente também criou um prémio em homenagem a Tesla. Designado por IEEE Nikola Tesla Award é atribuído a um indivíduo ou equipe que tenha contribuído de um modo extraordinário para a geração ou utilização de energia eléctrica, e é considerado como o prémio de maior prestígio na área da energia elétrica. A cratera Tesla no lado mais distante da Lua e o planeta menor 2244 Tesla foram também nomeados em sua honra.
100 dinares sérvios (2007) Tesla figurou em numerosas notas e moedas de dinar jugoslavo e sérvio. A maior central eléctrica sérvia, a TPP Nikola Tesla, deve o seu nome a Tesla. A 10 de Julho de 2006 o maior aeroporto da Sérvia foi renomeado como Aeroporto Nikola Tesla Belgrado em honra do 150º aniversário do nascimento de Tesla.
Nikola Tesla está presente na cultura popular enquanto personagem em livros, filmes, rádio, TV, música, teatro, banda desenhada e jogos de vídeo. A falta de reconhecimento recebida por Tesla durante a vida tornou-o numa figura trágica e inspiradora que se adapta bem à ficção dramática. Tesla tem aparecido sobretudo na ficção científica onde as suas invenções encaixam bem. O impacto das tecnologias inventadas por Nikola Tesla é um tema recorrente em muitos tipos de ficção científica.
Nos anos após a sua morte, muitas das suas inovações, teorias e alegações têm sido usadas, por vezes de forma forçada e controversa, para apoiar várias teorias excêntricas que não são vistas como científicas. Muito do trabalho próprio de Tesla obedece aos princípios e métodos aceites pela ciência, mas a sua personalidade extravagante e as alegações por vezes pouco realistas, combinadas com o seu gênio inquestionável, tornaram-no uma figura popular entre teóricos excêntricos e seguidores de teorias da conspiração sobre "conhecimento oculto". Mesmo durante a sua vida, alguns acreditavam que era realmente um ser angélico venusiano enviado à Terra para revelar conhecimento científico à humanidade. Esta crença é mantida hoje em dia pelos seguidores do Nuwaubianismo.
Há muito mais: verdade, ficção, lenda... vale ver como se constrói mitos e se apaga gênios. A minha curiosidade só aumentou.
Dois agradecimentos:
Ao colega e amigo Paulo Marcelo Pontes, um polímata, que na manhã de ontem me ensinou, desde Olinda, muito do que escrevi nesta edição, particularmente acerca das disputas com Thomas Edison — a Guerra das correntes — e também me forneceu pistas preciosas para redigir este texto, que fiz muito ajudado pela Wikipédia. O Paulo Marcelo é o maestro da campanha que este blogue apoia na coleta de ajuda para levar jovens de Olinda para representar o Brasil em campeonato de robótica.
À Gelsa, uma vez mais, um maravilhoso catalisador, instigando minha curiosidade com perguntas. Não sem razão que digo aos meus alunos que valorizo mais as perguntas que as respostas.