TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

18.— Vale colaborar com a Wikipédia


ANO
 12
Agora um hebdomadário
EDIÇÃO
3312

                                        


Antes de trazer o que fulcral nesta edição semanal, um registro da viagem desta semana. Diferente da semana anterior que me deslumbrei com o convite para uma banca de doutorado e uma conferência em Bogotá e depois encantei-me com Cartagena, essa semana fiquei no Rio Grande do Sul. Na tarde e noite desta quinta-feira estive Lajeado, onde a Univates, merecidamente se engalana no festejamento de sua ascensão à Universidade; agora é por mérito Universidade do Vale do Taquari.

À tarde, participei da sessão de qualificação do pedagogo Mateus Lorenzon que apresentou sua proposta de dissertação, no Programa de Pós-graduação em Ensino: ENSINO POR INVESTIGAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL. A sessão de qualificação foi presidida pela Professora Jacqueline Silva da Silva, orientadora da dissertação e participaram como examinadores externos: o Professor Roque Ismael da Costa Güllich da UFFS e eu; como examinador interno o Professor José Cláudio Del Pino. A banca reconheceu méritos no trabalho e aditou sugestões estimulado a continuação da proposta.

À noite falei para graduandos de Pedagogia e de licenciaturas com professores, mestrandos e doutorando, acerca das exigências de migrarmos das disciplinas à indisciplina.

De maneira muito frequente tenho feito duas afirmações acerca da Wikipédia: A primeira, ela se constitui no melhor exemplo da democratização do conhecimento; então, evoco o quanto na minha infância e mesmo na minha adolescência ter ou não ter uma enciclopédia fazia diferença. A enciclopédia era um artefato cultual acessível apenas aos mais abonados. Lembro que íamos ‘fazer os temas’ nas casas de colegas que tinham enciclopédia.

A outra, o quinto sou um usuário frequente da Wikipédia; talvez uma meia dúzia de vezes a cada dia. Tenho ainda, uma enciclopédia em 30 volumes em suporte papel (doei uma de 20 volumes há mais de 10 anos; hoje escolas declinam doações deste gênero). Passam meses sem que a consulte.

Este preâmbulo vem a propósito de uma mensagem recebida de Jimmy Wales, fundador da Wikipédia, pois há dois anos eu fizera uma doação a Wikipédia da qual transcrevo excertos:

Quando eu criei a Wikipédia como uma organização sem fins lucrativos, todos me disseram que eu me arrependeria disso. Mas aqui estamos nós, mais de 10 anos depois, e a Wikipédia ainda é um dos dez principais sites, mantido por uma organização sem fins lucrativos e uma comunidade de voluntários dedicados.
Se já parei para pensar no quanto teríamos lucrado se a Wikipédia fosse um site comum? Claro que já. Mas acredito que as pessoas não se sentiriam tão motivadas a criar conteúdo para a Wikipédia e que você não confiaria em nós se estivéssemos buscando apenas o benefício próprio. A Wikipédia não é minha, é de todos.
Se todos que já contribuíram fizessem, hoje, uma nova doação, nossa campanha de arrecadação de fundos alcançaria sua meta dentro de uma hora. Ainda não chegamos lá. Por favor, ajude-nos a alcançar a meta de arrecadação e a melhorar ainda mais a Wikipédia.
Por sermos um site administrado quase que exclusivamente por voluntários extremamente comprometidos com a divulgação gratuita de informações, seria inadequado pedir dinheiro a patrocinadores. Em vez disso, contamos com a ajuda de leitores como você.
Sabemos que é irônico dizer “o conhecimento deve ser gratuito” e depois pedir que você pague por ele. Mas a alternativa seria que, se você e os outros milhões de leitores, editores e contribuintes da Wikipédia não doassem, o princípio de livre acesso que tanto prezamos correria sérios riscos.
Portanto, agora é hora de pedir ajuda. 

Se a Wikipédia é útil para você, pedimos que você reserve um minuto para ajudá-la a continuar on-line, livre de anúncios e crescendo cada vez mais.

Acesse https://donate.wikimedia.org

Parece que vale colaborar. Muito estimadas leitoras e estimados leitores, relevem meu pedido. Mas parece-me uma causa muito nobre. Eu vou renovar a doação.

domingo, 13 de agosto de 2017

!3.— Desde Cartagena

ANO
 12
EDIÇÃO
3311

                                        


Não é demais repetir: desde o dia 30 de julho, data que este blogue completou 11 anos, frequência é semanal, circulando aos fins de semana; isto é: desde pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol de domingo.

Hoje escrevo na madrugada de domingo, desde Cartagena na Colômbia — cidade que há muito desejava conhecer — onde cheguei o final da manhã de ontem.

Na última edição deste blogue contei que já estivera neste importante país latino-americano em 2009. Então fiz cinco falas em Bogotá (3), Medelín e Pasto. Então, fui lembrado que não estivera em uma linda cidade colombiana. A Wikipédia me ensinara que “Cartagena das Índias ou, simplesmente, Cartagena é a capital do departamento de Bolívar. É a quinta maior cidade do país, e a segunda maior da região, depois de Barranquilla; e sua região metropolitana é a quinta maior concentração urbana da Colômbia”.

Vim à Cartagena depois de ter estado em Bogotá na Universidad Distrital Francisco José de Caldas, no Programa de Doctorado Interinstitucional em Educación, onde na quinta-feira, dentro do Seminario de Miradas Contemporáneas en Educación apresentei a palestra “Desde a la certeza as las incertezas”.
 Na sexta participei como jurado, na apresentação pública da tese, aprovada com louvor, “Relaciones ciencia – religión y enseñanza de la evolución. Estudio de casos con profesores de biología de educación básica secundaria” pelo agora doutor Gonzalo Peñaloza Jiménez, A tese foi dirigida pelo Dr. Carlos Javier Mosquera Suárez, Reitor da Universidade Distrital.

Na tarde sexta, as doutorandas Claudia Maria, Marisol e Yamil, me oportunizaram conhecer a montanha de Monserrate, o mais conhecido dos cerros Orientais de Bogotá. Junto com montanha de Guadalupe é um dos morros tutelares da cidade. Monserrate tem uma altitude de 3152 metros e localiza-se sobre a cordilheira oriental. Os morros de Bogotá, de origem sedimentaria, têm pelo menos 16 milhões de anos de idade. Até meados do século 17 foi conhecido como morro das Neves. A basílica do Senhor de Monserrate é lugar de peregrinação religiosa desde a época colonial e constitui-se numa atração natural, religiosa e gastronômica da cidade. Pode-se subir ao morro por caminho peatonal, por funicular ou por teleférico, que foi a nossa opção. Almoçamos no lindo restaurante Santa Clara. Lá em cima o soroche (tonturas e dificuldades respiratórias) que ‘nos brinda’ de maneira usual Bogotá é aumentado.

Minha referência anterior à Cartagena era através de um colombiano de Arataca: o renomado jornalista e escritor colombiano Gabriel García Márquez, (1927—2914) laureado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1982, autor do clássico do gênero literário realismo-fantástico latino-americano Cem Anos de Solidão, de 1967, viveu por muitos anos em Cartagena, cuja casa vi ontem. Esta cidade foi inspiração para dois de seus livros: Ninguém Escreve ao Coronel, de 1961 e El amor en los tiempos del cólera (O Amor nos Tempos do Cólera), de 1985.

Mas é, ainda a Wikipédia que me ensina que Cartagena tem uma das mais significantes atividades econômicas os complexos marítimos, pesqueiros, petroquímicos e o turístico. A cidade foi fundada em 1 de junho de 1533, e foi batizada em homenagem a Cartagena, na Espanha. No entanto, o assentamento de vários povos indígenas na região da Baía de Cartagena data de 4000 a.C. Durante o período colonial, a cidade teve um papel fundamental na administração e na expansão do Império Espanhol nas Américas, sendo sede de governo e moradia dos vice-reis espanhóis. O centro histórico de Cartagena, conhecido como a cidade fortificada onde à tarde de ontem bati pernas por mais de cinco horas, foi declarado Patrimônio Nacional da Colômbia, em 1959, e posteriormente Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1984. Em 2007, suas fortificações e planejamento arquitetônico militar foram declarados como a quarta maravilha da Colômbia.
Cartagena foi um dos mais importantes portos comerciais durante o período colonial espanhol nas Américas. Era especialmente utilizado para escoar ouro e prata aos portos da Espanha de Cartagena, Cádiz e Sevilha para a Coroa Espanhola. O ouro e a prata, extraídos de minas, principalmente, em Nova Granada e no Peru eram transportados até Cartagena, e embarcados nos galeões espanhóis, passando pelo porto de Havana, Cuba com destino aos portos da Espanha.
Cartagena veio a se tornar, ao longo do período colonial, um dos maiores centros do comércio de escravos oriundos da África (juntamente com Veracruz, México; era a única cidade oficialmente autorizada, pela Coroa Espanhola, a realizar o comércio de escravos nas Américas. Os primeiros escravos africanos que chegaram em Cartagena usados, como mão-de-obra, como cortadores de cana, em abrir estradas, construir prédios e fortalezas e, também, para destruir tumbas da população aborígene do Sinú, para encontrar ouro e outras preciosidades que faziam parte dos acessórios funerários.
Em 5 de fevereiro de 1610, foi instaurado o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, em Cartagena, através de um decreto emitido pelo rei Filipe II. O Palácio da Inquisição — que conheci na tarde de ontem e revi esta manhã — de arquitetura colonial, concluído em 1770, ainda preserva sua fachada original. Quando Cartagena declarou sua independência da Espanha, em 11 de novembro de 1811, os inquisidores foram intimados a deixar a cidade. A Inquisição voltaria, depois da Reconquista, em 1815, mas acabaria por desaparecer completamente, seis anos depois, após a derrota espanhola, forçada por tropas lideradas por Simón Bolívar.
Nestas pouco mais de 24 horas que passei na histórica cidade aprendi muito. Sou particularmente agradecido ao senhor Luís Carlos, guia do Museu do Ouro, que se auto-intitula “reconhecido historiador e professor” que extrapolou em muito os seus fazeres no Museu do Ouro levando-me a praças (quando as praças têm bancos são parques, corrigia-me, Don Luis) igrejas e ao prédio do extinto Tribunal do Santo Ofício. 
Acerca das extensas caminhadas da tarde de ontem e da manhã de hoje tenho uma adjetivação: árduas. O sol era muito quente, as calçadas muito estreitas (apenas para uma pessoa) esburacadas e com degraus muito altos. Esta manhã vis um citytour de ônibus, pela parte extra-muros. Não valeu muito pois não era dada nenhuma informação histórica.
È muito significativo se observar o número de luxuosos estabelecimentos comerciais (hotéis, restaurantes...) e culturais (bibliotecas, universidades...) que foram recuperados de antigos monastérios, mosteiros, claustros. Um exemplo de cada grupo que visitei: o hotel mais luxuoso de Cartagena (hotel Santa Clara) foi um convento de irmãs Clarissa. A Universidade de Cartagena tem diversas dependências, em prédios históricos, como o Claustro de los Agustins, que foi um mosteiro de frades agostinianos,
Esta blogada que complementei nos aeroportos de Cartagena e Bogotá tem uma síntese: eu fui a Cartagena e ali aprendi bastante. Ratifico algo que escrevi no meu diário de ontem: Fazer turismo sozinho é algo triste. Antes do voo Bogotá/ Guarulhos pretendo postar este texto. Amanhã será bom estar na minha Morada dos Afagos. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

05.— Inauguram as edições hebdomadárias

ANO
 12
Agora, com edições semanais
EDIÇÃO
3310

 

 


Na última edição, na tentativa conferir uma sobrevida a este blogue, anunciei que haveria uma edição por semana, com circulação aos fins de semana. Esta é a primeira edição hebdomadária — palavra erudita para caracterizar um evento que ocorre a cada semana.

Escrevo no day after à lutuosa confirmação que os tempos temerosos se estenderão. Eu não tenho condições emocionais para narrar os sentimentos de tristeza e nojo que me assolam.

Esta escrita é tecido na viagem de mais de três horas entre Belém e Rio de Janeiro, donde prosseguirei à Porto Alegre.

Cheguei, pela segunda vez este ano, à capital do Pará na tarde de terça-feira. Ontem cumpri uma agenda com dois pontos. Pela manhã, com os colegas Leila do Socorro R. Feio, Licurgo P. de Brito e Jônatas Barros e Barros participei da defesa de tese da doutoranda Rocío Rubí Calla Salcedo, que teve como orientador o Prof. Dr. José Jerônimo de Alencar Alves. Na foto, da esquerda para direita: Jônatas, Jerônimo, Rocío Rubi, eu, Leila e Licurgo.

Rubí, professora da UFAP em sua tese OS PRIMORDIOS DO ENSINO DE CIENCIAS NA MODERNIDADE AMAPAENSE (1947–1963), investigou a introdução das Ciências no Território do Amapá, analisando os discursos dos governantes, os decretos de leis, os regulamentos, os jornais da época, arquivo do único colégio de então e outros fatores relacionados à educação. Foi possível perceber o movimento de introdução das disciplinas científicas no currículo do Colégio Amapaense em momentos específicos, atendendo aos discursos governamentais em vigor e em consonância com o projeto maior de introdução das ciências modernas na Amazônia e de toda atitude de estabelecimento dos novos costumes “modernos” na região.

Ao encerrar minha intervenção, onde trouxe análises e contribuições à versão final evoquei um dito atribuído a Tolstoi “Se quiseres conhecer o mundo, narra primeiro a tua aldeia”. Vi isso na postura da Rubi, uma peruana há 15 anos no Brasil, quis conhecer como ocorreu a introdução das Ciências no então Território Federal do Amapá criado em 1943; obtidas algumas respostas procurou ver como tal aconteceu na Amazônia e mesmo na multiculturalidade formada pelos Brasis.

À tarde atendi a convite do Grupo de Estudos em Educação Matemática e Cultura Amazônica (GEMAZ) e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e História da Ciência (GFHC) falei para mais de 100 professores, mestrandos e doutorandos discutindo as exigentes e necessárias transição da certeza às incertezas. Nesta atividade tive a satisfação de ter um grupo de cerca de 40 graduandos do curso de Química que usam o livro A Ciência através dos tempos em uma de suas disciplinas.

Duas perguntas foram centrais na animação das discussões: Por que não houve revoluções científicas no Oriente? e Por que houve revoluções científicas no Ocidente?

Houve, então, uma terceira pergunta: acerca de nossas leituras do Ocidente e do Oriente: dados dois grupos: #1) Selvagens terroristas; #2) Pessoas de cultura... Quem é Ocidental? Quem é Oriental? Quem são os outros? Quem somos nós?

Depois deste relato de fazeres na primeira semana agostina anuncio uma segunda semana muito especial. Na segunda-feira vou a São Lourenço do Sul, para no campus da Universidade Federal do Rio Grande participar no Curso de Licenciatura em Educação do Campo Ênfase em Ciências da Natureza e Ciências Agrárias do 1º Seminário de Ciências na Educação do Campo: “Fortalecendo a Formação de Professores em Ciências da Natureza e Agrárias”.

Na quarta-feira viajo à Bogotá para da defesa da tese: ”Relaciones ciencia – religión y enseñanza de la evolución. Estudio de casos con profesores de biología de educación básica secundaria” na Universidad Distrital Francisco José de Caldas no Programa de Doctorado Interinstitucional em Educación e também para proferir um seminário “Desde a la certeza as las incertezas”.

Nesta viagem sonho conhecer Cartagena de Índias, pois quando em 2009 dei palestras em cinco diferentes universidades colombianas foi me dito que deixara de estar em uma das mais lindas cidades. Talvez, agora.

domingo, 30 de julho de 2017

30.— 11 anos de blogares

ANO
 12
No dia do 11º aniversário
EDIÇÃO
3309

 

 

 


Hoje, assinalo os 11 anos deste blogue. Esta é a primeira edição do ano 12. Foi em 30 de julho de 2006 que este blogue começou. Na primeira edição deste mês cometi um engano que se consubstanciou nas aberturas das outras edições.

 Aniversários marcam a nossa completação — num período de 365,25 dias — de uma volta de nosso Planeta ao redor do Sol, são usualmente festejados. Mas também são próprios para balanços e tomada de decisões.

Festejamentos não cabem. Os tempos temerosos são lutuosos. Vivamos o direito dado pelo impostor.

Balanços têm diferentes focos. No último ano foram postadas 111 edições, foram acrescentados três outros diferentes países como locais de postagem. A frequência média de acessos diários em alguns meses do ano foi mais de 600 e que houve nos dias (quando de relatos de férias) com picos bem maiores. Há dados para triunfalismos.

Mas há outros. Ratifica-se a significativa queda nos números de leitores. Há, pelo menos dois anos, venho afirmando que hoje as leituras em suportes eletrônicos têm exigências muito diferenciadas que aquelas de julho de 2006, quando dei-me o privilégio de blogar. Neste mês de julho, com uma única exceção (dia 26, com mais de 700 acessos) dificilmente passou-se de 150.

Ouvido os sinais, busco alternativa para continuar ágil neste espaço. Assim, anuncio que a partir deste próximo agosto, as edições serão semanais, postadas sempre no fim de semana. Para mim o findi inicia ao pôr do sol de sexta e termina ao pôr de sol de domingo.

 Experimentemos. Estou, mais uma vez, expectante com o hebdomadário que se inicia. 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

28.— Ajude a salvar a UNILA

ANO
 11
Quase no dia do 11º aniversário
EDIÇÃO
3308

 

 

 

Abro esta edição, quase no dia do 11º aniversário deste blogue, com um convite especial: na edição natalícia, no próximo domingo, apresento alternativa em busca de maior vitalidade no blogar aqui.  

Para esta edição trago uma denúncia e um apelo. O jornalista José Pedro Martins publicou nesta semana na AGÊNCIA SOCIAL DE NOTÍCIAS http://agenciasn.com.br/arquivos/11331 uma significativa e muito importante matéria acerca de emenda que modifica a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e a tenta transformar em uma escola agrícola. Isto, no mínimo, ameaça integração latino-americana e todo um projeto educacional muito inovador. Na foto: Unidade do Jardim Universitário, em Foz do Iguaçu (Foto Divulgação)

 Há uma prática usual de regimes ditatoriais, como é nosso atual governo. Há um propósito explícito: há que borrar tudo que possa evocar os governos que renovaram o país entre 2003 a 2016. Parece que a Educação, com sobejas razões, seja o alvo preferido. Se olharmos as 17 Lula-Universidades, mais as dezenas de Campi criados depois de 2003 ou ainda os 38 Institutos Federais com mais de 300 campi é forçoso reconhecer que um número significativo de brasileiros se constituem na primeira geração que chega à universidade. Isso muda a fisionomia do Brasil. As elites, ao contrário, querem uma pequena sociedade de abastados. Eles precisam de Universidades assépticas nas quais seus filhos não possam ter aulas junto com os pobres. Esse projeto não é solitário. Ele faz parte dos instrumentos que se precisa ter para promover de fato um apartheid no Brasil. A senzala deve voltar a ser o local destes que, não tendo um pedigree cultural, querem ingressar numa Universidade.

O apelo é por si evidente: ajude a salvar a UNILA

Antecipo, do texto antes destacado o seu encerramento:

A INDIGNAÇÃO DO MESTRE
Autor de vários livros, ex-professor em muitas universidades (como PUC-RS, Unisinos, ULBRA e UFRGS), Attico Chassot mantém, aos 77 anos, a indignação da juventude. É dele uma reação crítica e apaixonada em relação à emenda que muda o perfil na UNILA. “A elite brasileira não aceita que muitos de nós nos sintamos mais latino-americanos que brasileiros. Só falta impor que comecemos a usar uma bandeira nacional na lapela, como o troglodita presidente estadunidense”, comenta o professor Chassot, que atuou como professor visitante na Aalborg Universitete, da Dinamarca, e é professor-pesquisador e orientador de doutorado na REAMEC – Rede Amazônica Ensino de Ciência.
Ele entende que a elite brasileira também deseja “processar uma integração global que é apenas uma globalização de mercados, onde as pessoas importam pelo seu poder de compra”. Nesse sentido, em sua opinião, “a extinção da UNILA (e também o sucateamento de universidades e institutos federais) é uma exigência para ajudar a alcançar estas duas metas, uma e outra segregacionistas”.

O professor Chassot destaca que a UNILA foi uma das 17 Universidades criadas no governo de Luis Inácio Lula da Silva. Citando a diversidade de origens dos alunos e professores e os vários cursos oferecidos, ele defende que a UNILA é “muito mais que um conjunto de prédios”. A UNILA, hoje, acrescenta, “é muito mais que o sonho de um presidente que acredita que o acesso à educação transformaria não apenas um país, mas todo um continente que tem países latino-americanos nas três Américas e por tal a UNILA consagra, celebra e fortalece nossa latinidade. Extinta a UNILA isso tudo desaparece”, avisa o educador, um entusiasta da integração latino-americana, tendo sido professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).