TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

17.- TRANSPLANTE DE FEZES



ANO
 13
Livraria virtual
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3366

 

Nesta dúzia de anos de apetitosos blogueares aqui, muito poucas vezes trouxe assuntos acerca de Medicina. Há duas razões: uma, não é algo de meu cotidiano que me atraia... outra, não quero ser labelado como charlatão.
Mas quando ao lado do Pastor Google, temos também o padre, o arquiteto, o professor, o psicólogo, o médico (também dito: doutor) que parecem esclarecer, por exemplo, os resultados de nossos exames, antes de leva-los ao consultório... aventuro-me em invadir a área mais corporativa dentre um universo profissional.
O assunto é no mínimo curioso ou estranho, mas...
O cocô pode salvar vidas por meio de um transplante de fezes!
Com a ajuda do clicrbs* amplio um pouco a exótica manchete.
Por mais estranho que possa parecer, trata-se de um procedimento que pode representar a solução para diversas doenças. Estamos falando do transplante de microbiota fecal. Sim, é isso mesmo: transplante de fezes.
No sábado, 30 de junho, Porto Alegre sediou o primeiro transplante fecal da América Latina para o tratamento do diabetes. O procedimento foi realizado no Hospital Ernesto Dorneles (HED), sob o comando do médico gastroenterologista Guilherme Becker Sander, chefe do Serviço de Endoscopia do HED, em um paciente que tem especial apreço pelo assunto: o também médico Pedro Schestatsky, diabético e professor de neurologia da Faculdade de Medicina da UFRGS que se dedica ao estudo desse tipo de tratamento para atacar males neurológicos, como Alzheimer, esclerose múltipla, autismo e Parkinson.
O transplante é relativamente simples, não havendo necessidade de internação. O doador precisa ter uma boa microbiota, nome pomposo para o que se conhecia popularmente como flora intestinal. Trata-se de um conjunto de microrganismos — algo em torno de 100 trilhões de bactérias — que faz nosso intestino funcionar sem sobressaltos. São as bactérias do bem que nos habitam.
Observa-se uma gama de fatores no doador, como a presença de bactérias perigosas, como salmonela, e os hábitos gerais de vida. O receptor também passa por uma preparação, semelhante à exigida a quem vai se submeter a um exame de colonoscopia. São dois dias tomando laxativos para “zerar” a microbiota. É como esvaziar o intestino de bactérias ruins para substituí-las pelas boas.
Mas o que o intestino tem a ver com diabetes?
Pesquisas em diferentes áreas têm demonstrado o papel do órgão nas infecções e nas inflamações sistêmicas e em outros quadros de saúde desequilibrados e a gigantesca conexão dele com o cérebro, o que já fez com que fosse chamado de “segundo cérebro”. Acredite: 90% dos neurotransmissores cerebrais, como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina – os mesmos que estão contidos nos antidepressivos –, são produzidos no intestino, abrindo a possibilidade para o uso dessa técnica para casos de depressão e ansiedade.
As possibilidades de tratamento via transplante de fezes ampliam-se dia a dia. Tanto é que já existem bancos de fezes. No Brasil, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abriu o primeiro espaço desse tipo para armazenar o material doado, que fica a uma temperatura de 80°C negativos e precisa ser utilizado em até seis meses. O problema é que para se tornar um doador é preciso aprovação em todos os testes que asseguram a qualidade das fezes e muitos candidatos não conseguem passar nessa seleção.
Entre a maioria dos mortais de vida moderna existe uma grande dificuldade para se manter hábitos saudáveis, mas uma tribo distante da África gaba-se de ser fonte de estudos e pesquisas por conta da diversidade e eficiência do microbioma. O povo hadza é um dos poucos no mundo que mantêm há cerca de 10 mil anos hábitos alimentares baseados no consumo de caça e na coleta de frutos silvestres e tubérculos.
A flora intestinal de seus integrantes é invejável e suscita uma espécie de turismo escatológico e científico sobre o povo. Digamos que eles são os detentores de um dos melhores, senão o melhor, cocô do mundo. A microbiota dessa tribo milenar da Tanzânia é rica em bactérias do bem e está associada a uma melhor imunidade.
PARA SABER MAIS:
*** https://brasilescola.uol.com.br/biologia/transplante-fezes.htm

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

10.- Uma lenda do PIAUÍ



ANO
 13
Livraria virtual Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3365

 


Abro esta edição com um excerto do diário de um viajor: Nesta quarta-feira, 08/08 fiz um bate-volta Porto Alegre/São Lourenço do Sul (2 X 3 horas com a competência e segurança do Jackson, motorista da FURG). Em minha estada de 4 horas na Pérola da Lagoa falei para cerca de uma centena de professores da rede municipal envolvidos na ‘Feira do Conhecimento’ e para licenciandos da Educação do Campo da FURG. Houve ainda oportunidade para autógrafos e fotos e para saborear cucas, algo típico da cidade. Sou grato a Prof. Dra. Berenice Vahl Vaniel que catalisou as atividades.
Na edição passada ao referir meu estar em Teresina de cerca de 36 horas, registrei que ao lado dos fazeres acadêmicos, graças a generosidade de alguns colegas houve uma saborosa manhã de turismo. E neste se destacou o Encontro das águas dos Rios Poti e Parnaíba. Conheci também um impressionante conjunto estatuário acerca da muito original lenda do Cabeça de Cuia. Cumprindo o prometido trago a lenda, como narrada pela Wikipédia.
As ilustrações são de meu arquivo pessoal e nelas estou com colegas do IFPI Marlúcia, Vilani, Francimar e me ensejaram e acompanharam na visita. O cenário das fotos são do conjunto estatuário antes referido e neste estão Crispim, o Cabeça de cuia, a mãe e as sete virgens.
Cabeça de Cuia é uma lenda da região nordeste do Brasil, mais precisamente criada no estado do Piauí.
A lenda do Cabeça de Cuia trata-se da história de Crispim, um jovem pescador que morava nas margens do rio Parnaíba e de família muito pobre.
Em uma das épocas de poucos peixes no rio devido às suas cheias, Crispim e sua mãe sofriam com a fome.
Conta a lenda que certo dia, Crispim saiu cedo para pescar, porém naquele dia nada conseguiu do rio. Sua mãe se compadecendo com a situação, foi pedir à vizinha algo para que pudesse fazer o almoço de seu filho. Porém a única coisa que lhe foi oferecido foi um osso de boi, assim, a mãe de Crispim fez uma sopa rala, sem carne, com o osso apenas para dar gosto à agua, que vinha misturada com farinha em forma de pirão.
Nesse dia, ao voltar cansado e frustrado da pescaria Crispim pediu à mãe o que comer e ao se deparar com a sopa de ossos, se revoltou, e no meio da discussão com sua mãe, atirou o osso contra ela, atingindo-a na cabeça e matando-a. Antes de morrer sua mãe lhe amaldiçoou a ser um monstro, que ficaria vagando entre os rios, 6 meses no Parnaíba e 6 meses no Poty dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete Marias virgens. Tomado pela culpa de ter matado sua mãe, Crispim, desesperado, põe-se a correr. Enquanto corre, sua cabeça começa a crescer, ao passo que seus cabelos se transformam em lodo. Por onde passa as pessoas caçoam daquela cabeça imensa, chamando-o “cabeça de cuia”, dando início à lenda, e Crispim, sem encontrar remédio para sua sorte, lança-se nas águas do rio, onde teria se afogado.
Porém, seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio. Alguns moradores da região afirmam que o Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam por ali. Outros também asseguram que Crispim ou, o Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matá-la. O Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria.
A Prefeitura de Teresina instituiu, em 2003, o Dia do Cabeça de Cuia, a ser comemorado na última sexta-feira do mês de abril.

domingo, 5 de agosto de 2018

04,- Na aurora de agosto 2018: Duas Pérolas



ANO
 13
Livraria virtual
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3364

 

A primeira edição agustina (também primeira edição do ano 13) traz no seu prelúdio um justificado pedido aos meus leitores: relevem a edição tardia, pois esta não circulou no entardecer da final da sexta-feira ou no início do Shabath como se ensaia há um tempo.
A semana que se encerra teve uma nada confortável maratona de viagens aéreas (redigido no aeroporto de Teresina em 04/08/2018):
31JUL Porto Alegre/Brasília/Cuiabá
02AGO Cuiabá/Congonhas/Porto Alegre/Brasília/Teresina
04AGO Teresina/Fortaleza/Guarulhos/Porto Alegre
A terceira série, por eu ter perdido o voo do primeiro trecho se transformou em Teresina/Guarulhos/Porto Alegre, sendo que trecho GRU/P0A será mesmo da primeira, alternativa. 
Eis algo dois muitos significativos eventos que que exigiram a descrita maratona de voos.
#1ª No dia 1º de agosto, Eduardo Ribeiro Mueller, na UFMT, em Cuiabá, defendeu no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Rede Amazônica em Educação em Ciências e Matemática/REAMEC, na Área de Concentração: Fundamentos e Metodologias para a Educação em Ciências e Matemática a tese A EDUCAÇÃO DO CAMPO NO CENÁRIO DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR: DESENCONTROS E CONTRADIÇÕES.
Foram examinadores da tese que eu orientei os professores doutores Leonir Amantino Boff / Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT e Geison Jader Mello / Instituto Federal de Mato Grosso/IFMT, como avaliadores externos; como avaliadores internos: Evandro Ghedin / Universidade Federal do Amazonas/UFAM e Andreia Dalcin / Universidade Sul/UFRGS. Houve ainda leitura do parecer enviado pela Profa. Dra. Conceição Paludo / UFRGS
O Eduardo em sua pesquisa analisou (previamente) o contexto de implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na Educação do Campo (EdoC), admitindo hipoteticamente ser esta uma convivência conflituosa. Desta hipótese, se elegeu o problema: Que influências os saberes compartilhados/estudados na Educação do Campo – aqueles que representam a cultura escolar desta especificidade educacional – podem sofrer com a implantação da Base Nacional Comum Curricular? O objetivo da pesquisa foi identificar as contradições presentes na intenção política de implantação da BNCC e analisar o contexto de desencontro das concepções entre ambas: BNCC e EdoC. 
Por se tratar de uma pesquisa qualitativa baseada na Teoria Crítica, está fundamentada pelo método dialético. A concepção de EdoC adotada tem base no movimento dialético de interpretação dos processos de formação da consciência humana, naturalmente históricos, e na compreensão da luta de classes. Os resultados mostraram que o perfil curricular da EdoC de Mato Grosso possui condicionantes de classe voltados ao modelo de Educação Institucionalizada, que o aproxima mais da proposta da BNCC à própria essência da EdoC, e que as contradições evidenciadas nos discursos atestam posicionamentos de dominação, de consenso institucional, de ideologia dominante e de posicionamento político de classe. 
A banca reconheceu a pesquisa uma tese doutoral e destacou, entre outros destaque o se fazer uma história do presente, pela contemporaneidade dos estudos apresentados, como por exemplo, analisar criticamente textos da BNCC emitidos em junho de 2018.
Faço público meu reconhecimento a qualidade e significado acadêmico do trabalho do Eduardo e destaco o quanto para mim foi significativo ter sido seu orientador.
#2ª   O segundo momento muito significativo desta semana foi ter estado no último dos três dias na 14ª SEMANA DE MATEMÁTICA E FÍSICA – SEMAFIS. Semana de Matemática e Física.
A Profª. Marlúcia da Silva Bezerra Lacerda, do IFPI, escreveu para este blogue que "A SEMAFIS é um evento de caráter científico e social promovido pelo IFPI, Campus Teresina Central, foi iniciada pelos Centros Acadêmicos de Matemática e Física, buscando fortalecer um espaço de discussão sobre a Formação Docente, Educação Matemática, Física, Ensino de Ciências e outros, assim como, socializar a produção científica como forma de integrar a comunidade acadêmica.
Em 2018, o evento teve a sua 14ª edição realizada de 01 a 03 de agosto, com o tema central “Alfabetização Científica: Desafios para o Ensino de Ciências e Matemática na Educação Básica”. O público-alvo foi cerca de 350 participantes entre Professores e Técnicos da Educação Básica, Professores e Técnicos do Ensino Superior, Estudantes da Educação Básica, Graduação e Pós-Graduação e comunidade em geral. Buscou-se no 14º SEMAFIS promover diálogos, trocar experiências, ampliar e aperfeiçoar o conhecimento para formação inicial e continuada do público acadêmico.
Além de debater a alfabetização científica, enquanto uma ciência como mais uma linguagem de inclusão social, na perspectiva de possibilitar a ampliação e compreensão do mundo natural de uma forma mais consciente.” Ao final desta edição há mais informações da edição de 2018 da SEMAFIS.
Tive o privilégio na tarde desta sexta-feira de fazer a fala de encerramento para um auditório com capacidade de 250 pessoas sentadas, e com dezenas de pessoas assentadas no chão. Falei, com excelente receptividade dos participantes. Não deixei de bradar, como venho fazendo em todas minhas falas públicas: "Fora Temer!' e "Lula, Livre!" e ate adesão unânime do auditório a minha manifestação protestei também contra os cortes de verbas anunciados pela Capes.
Autografei dezenas de meus livros, tirei centenas de fotos e fui presenteado com cestas de produtos típicos com destaque para cajuína.
Na noite de sexta-feira vivi excelentes momentos de confraternização com os colegas Marlúcia, Vilani, Francimar e Etevaldo. Também com eles almocei no sábado no Encontro das águas dos Rios Poti e Parnaíba. Conheci tambem um impressionante conjunto estatuário a cerca da muito original lenda do Cabeça de Cuia, que pretendo em outro momento narrar aqui. Antes com a Marlúcia fiz um périplo turístico em mercado de artesanato e a Laboratório no IFPI que trabalha com borboletas.­
No desconfortável episódio de perda do voo na tarde de sábado, no encontro de uma solução até vantajosa tive o generoso envolvimento e a torcida generosa das colegas Marlúcia e Vilani.
Adito meu publico reconhecimento aos colegas do IFPI pela tratamento carinhoso recebido nas horas que vivi em Teresina.
Mais uma vez, para complementar informações anteriores a Professora Marlúcia escreve:
Foram muitas as atividades desenvolvidas durante o evento:
        34 Apresentações de banners
        10 Minicursos
        03 Oficinas
        04 Palestras
        01 Mesa redonda
        01 Espaço interativo com exposição de vários trabalhos envolvendo modelos didáticos criados pelos licenciandos do IFPI
        28 Comunicações orais
As palestras foram:
1.       O ensino de ciências na licenciatura: Por que uma reflexão sobre o discurso de “letramento científico”? PALESTRANTE: Prof. Me. Lourenilson Leal de Sousa (IFPI/Campus Picos)
2.       Investigação na Educação Básica: a matemática experimental. PALESTRANTE:  Prof. Dr. Roberto Arruda Lima Soares – IFPI/Campus Teresina Central
3.       História e Filosofia da Ciência no Ensino de Ciências. PALESTRANTE:  Prof. Dr. Boniek Venceslau da Cruz Silva – UFPI
4.       Alfabetização Científica: desafios para o ensino de matemática e ciências na educação básica.  PALESTRANTE: Prof. Dr. Attico Chassot – REAMEC

A mesa redonda teve como tema “A inserção da tecnologia na melhoria do ensino de Ciências Naturais e Matemática”. O Mediador foi o Prof. Dr. Antônio Sales Oliveira Coelho – UFPI. Sendo os Palestrantes: Profa. Ma. Adriana Rocha Silva- IFPI/Campus Teresina Central; Profa. Ma.  Edenise Alves Pereira – IFPI/Campus Floriano; Prof. Dr. Francisco Marcelino Almeida de Araújo - IFPI/Campus Teresina Central.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

27.— Loas à curiosidade na semana de aniversário

ANO
 12
EDIÇÃO COMEMORATIVA 13º aniversário
www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3362



No próximo dia 30 este blogue completa 13 anos. A primeira edição foi em 30/07/2005. Desde esta data até 30/11/2009 o endereço era achassot.blog.uol.com.br isto é o Blog de Attico Chassot era um UOL Blog. No dia 01/12/2009 a bandeira passou a ser o blogspot.
Destes 13 anos em oito esse blogue foi diário. Hoje não consigo imaginar como conseguia fazer blogadas diárias. Nos quatro anos seguintes houve no mínimo de duas a três edições semanais. Mais recentemente as edições passaram ter periodicidade semanais, coincidindo a edição com o final da tarde de sexta-feira ou no início do Shabath.
As cerca de 3.360 edições poderiam ser pensadas em algo como 40 livros de cerca 250 páginas. Uma produção assim disponibilizada para mais de uma centena de leitores diariamente só é viável em suporte digitais.
Há um ano escrevia: Aniversários marcam a nossa completação — num período de 365,25 dias — de uma volta de nosso Planeta ao redor do Sol, são usualmente festejados. Mas também são próprios para balanços e tomada de decisões. Festejamentos não cabem. Os tempos temerosos são lutuosos. Vivamos o direito dado pelo impostor. Este breve excerto da edição do 12º aniversário pode ser trazido aqui como um réquiem à Educação, à Cultura e, também, à Economia.
Os tempos temeroso se agudizaram ainda mais. O golpe está ainda mais despudorado.
 Neste 13º aniversário é o aniversariante que deseja dar o presente. Mesmo que de uma maneira explicita não advogue, meus blogares querem ser um estímulo à curiosidade e é a ela agora se tece loas.
Há um ano assisti Amoz Os, escritor israelense nascido em 1939 na palestra “Meus livros, meu país, minha política” com a qual encantou o auditório e que foi ovacionado ao defender a solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina, mesmo que isso lhe granjeie o reconhecimento de ‘espião no seu próprio país’.
Adicionar legenda
O destaque que trago nesta edição de aniversário é a adesão que vi expressa a algo que tem sido chamamento em minhas falas. A exigência de sermos curiosos. Hoje, a curiosidade se faz muito mais fácil em termos respostas a nossos interrogantes.
Amós Oz defende que a curiosidade deveria ser considerada como uma virtude moral. Assim como ela é a força propulsora de sua literatura – fazendo com que se coloque sempre no lugar do outro e enxergando novas perspectivas — ela faz com que o ser humano se torne melhor. “Eu acredito também na bênção da curiosidade em tempos de conflitos políticos, religiosos, ideológicos e pessoais. Não porque a curiosidade possa sarar tudo, mas porque a curiosidade, não menos do que o humor, é um antídoto poderoso ao fanatismo”, destacou.
Colho esse excerto imerso em evocações que alguns de nós ouvimos na infância e mesmo na adolescência: “Menina, não seja curiosa!” ou “Menino, não seja curioso!”
O escritor e comentarista deste blogue Élcio Mário Pinto, de Sorocaba, a propósito escreveu: “Aos que acreditam, cabe: ‘Senhor, não permita que em mim, a curiosidade se finde. Não permite que o meu descanso seja a distância do querer aprender, saber e descobrir. Não me deixe, tão sossegado e apaziguado, que não mais me interesse por encontrar as razões, as causas e os motivos do que acontece’. Aos que optam por outras vias de existência, cabe o entendimento de que, sem curiosidade, estar não passa de ser sem razão de existir. O que sobra de mim se perder a curiosidade ou se a tirarem de mim?
Se, pela tortura, pelo engodo, pelas mentiras e por todas as maldades daqueles que querem me convencer de que os bonzinhos são os que saqueiam nosso país ou pelas informações, intencionalmente, escondidas, sem a curiosidade para entender o que fazemos e o que fazem de nós pelo que fazemos ou deixamos de fazê-lo, não importa. Importa é que sem a santa curiosidade dos crentes ou o desejo profundo do entendimento, impedidos ou mortos, não há existência digna para a criatura humana.
 Por isso, sonho e defendo que em cada querência, em cada casa e em cada canto, a curiosidade sobreviva e grite liberdade, contra o golpe que, ainda, resiste. Maldito seja!

  

sexta-feira, 20 de julho de 2018

20.- POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE



ANO
 12
Livraria virtual
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3361

Esta edição abre com um convite, ou melhor, com um duplo convite.
Nesta terça-feira, 24 de julho, às 19h30min, na reunião da ANPED SUL, que ocorre na Faculdade de Educação da UFRGS, haverá o lançamento do livro POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE organizado por José Clovis Azevedo e Jonas Tarcísio Reis.
No 38º Encontro de Debates sobre Ensino de Química que ocorrerá na ULBRA, em Canoas, no dia 19 de outubro (segundo dia do evento) às 14h30min haverá um debate acerca do mesmo livro (vale alertar que estaremos então no período entre o 1º e o 2º turno das eleições para Presidente da República e governadores) com os dois organizadores e Guy Barcellos do qual eu farei a mediação. Ainda no mesmo dia às 17h30min haverá mais uma sessão de lançamento do mesmo livro.
Neste livro, fui distinguido pelos dois organizadores para fazer o posfácio. Adito a esta blogada alguns excertos, na tentativa de dizer um pouco da obra, para qual fiz os convites acima.
[...] Os dias que vivemos — descritos na apresentação deste POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE pelo Jose Clovis e pelo Jonas e também por outros colegas que eles amealharam para tecer este livro — detêm o gosto adstringente de um caqui verde. Estes dias nos fazem, em muitos momentos, intelectualmente estéreis. Eu, por exemplo, recordo o atordoamento intelectual que fiquei naquele macabro 31 de agosto de 2016 na votação do impeachment da Presidente Dilma ou daquele macabro sábado, 07 de abril de 2018, quando o Presidente Lula ‘entregou-se’ a prisão. Em uma e outra situação fiquei mais de uma semana com dificuldades para redigir mais livremente um texto.
Outra marca que esses dias temerosos imprimem em mim: a abstinência de ler ou ouvir notícias. Era viciado em rádio e jornal. Hoje busco jejuar mentiras da imprensa hegemônica. Isso traz consequências. Ficamos desinformados também das boas notícias. [...]
Outra consequência da renúncia a notícias é que nos fazemos alienígenas na nossa pátria. Eu, que me considero instruído, tenho uma imensa dificuldade de entender o sistema judiciário brasileiro. Que não entenda como nos Estados Unidos o candidato mais votado possa não ser o eleito... vá lá. Agora como o Gilmar Mendes solte quem lhe dá na veneta é muito complicado. Assim, quando o Cunha fez tramitar o impeachment da Presidente de Dilma não se afigurou golpe, pois se dizia ser um ‘impeachment constitucional’ logo legal. Assim não cabia manifestação contrária. Ledo equívoco.
Desde 31 de agosto 2016 todas as minhas palestras — e já superam a centena — e nas bancas que participo se iniciam com ’Fora Temer, o ilegítimo e corrupto!’. Agora, adito ‘Lula livre!’ [...]
Tento fazer o posfácio que me foi solicitado. Não vou considerar o Priberam que diz: Posfácio: Advertência colocada no fim de um livro. Desejo ir um pouco além de uma lapidada advertência que podia ser trazida ao final deste livro tal como: Ratifico os organizadores e autores: Este livro mostra como um governo golpista e corrupto pode destruir sonhos e dilacerar políticas educacionais significativas construídas em tempos democráticos. Democracia também faz bem à Educação.
[...] Acredito que a qualquer leitor que chega a este posfácio, depois de ler uma dezena de capítulos precedentes sabe o que lhe cabe enquanto se anuncia que livro terminou. Como o ‘ite missa est’ não encerra a missa, se espera sonhadoramente que os fiéis levem o ‘ensinado’ mundo afora...
Este posfácio não é para manifestar júbilo pelo término de um livro e muito menos para destacar o que ele tem de mais sumarento — isto os organizadores fazem texto preambular — mas com muita esperança, se deseja que este texto catalise ações para sair a semear propostas para pensar que vamos fazer para recuperar o que foi e está sendo demolido pelo golpismo. Mas, como se verá um pouco adiante muitas das sementes a semear foram modificadas e se fez delas sementes estéreis em uma segunda geração, assim como agem gananciosamente as grandes sementeiras apátridas. Aliás, ‘eles’ usam a mesma enganação que a Monsanto (ora se transmutando em Bayer) relendo Organismos Geneticamente Modificados OGMs como Organismos Geneticamente Melhorados.
[...] Os sinos dobrando a finados que faz este POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE tornar-se um livro muito mais uma narrativa de um passado frutuoso muito próximo e funéreo. Mas há que laborar com utopias. Este livro pode e deve catalisar experiências buscando a emancipação de alunos do ensino médio mesmo que esses fazeres se constitua até em atos de desobediências arrojadas. O livro para o qual se tece este posfácio se constitui, também, em excelente antídoto a uma praga que insiste em proliferar: a Escola sem partido.
[...] O que não podemos fazer é sepultar sonhos por meio de nossas continuadas tentativas de um Ensino Médio Politécnico, em que o principal elemento conceitual beneficiário seja a construção do processo emancipatório dos sujeitos estudantes, procurando entender tal concepção inserida na perspectiva de uma educação integral. Sonhar é preciso. Assim, sonhemos!
Quando muitos sonharem juntos os sonhos se transformarão em realidades.
Attico Chassot,
na Morada dos Afagos,
 ainda condoído pelo 7 de abril de 2018,
 dia da prisão do Presidente Lula,
talvez o dia mais triste da história recente.