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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

02.- Li, e recomendo.

ANO
 11
Está na livraria virtual em www.professorchassot.pro.br
Das disciplinas à indisciplina
EDIÇÃO
 3229



Meu querido amigo Jairo Vieira Brasil — que acaba de atualizar a abertura deste blogue incluindo o Das disciplinas à indisciplina na sua concepção inicial — é, dentre de meus ex-orientandos, um colega que continua muito próximo no fazer Educação. De vez em vez almoçamos juntos, nos lemos em nossos blogues e falamos de sala de aulas, paixão que nos une.
Em cada um dos últimos novembros o Jairo tem me presenteado um livro. São sempre livros que muito provavelmente não leria. No ano passado comentei aqui seu sumarento presente de então: Uma casa: uma breve história da vida doméstica’ [BRYSON, Bill Título Original: At Home: A Short History of Private Life, São Paulo: Companhia das Letras, 2011, 536 p. ISBN: 978-85-359-1947-9]. Foi um livro que li com deleite.
A surpresa deste ano foi muito apreciada: O médico doente de Drauzio Varela. Neste pequeno livro (são 129 p.), o conhecido cancerologista, talvez o maior disseminador de saúde na mídia brasileira, não é acerca do doutor que cura, mas sim a narrativa do paciente que, com imensos riscos, é curado. Uma aguda moléstia (febre amarela, em alto grau) o faz com que ele troque de lado nos seus fazeres cotidianos.
No livro (Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2007, ISBN 978-85-359-1149-7) o autor “entremeia percepções do médico às do paciente, em meio à intensa viagem temporal entre presente e passado. Inicia sua narrativa com o retorno à cidade de São Paulo, após uma expedição no Rio Negro, entre as mais de cinquenta de que já participou, onde é desenvolvido um projeto de pesquisa botânica, com o fim de produzir fitoterápicos, sob sua coordenação. Segue a narrativa na forma de um diário em que relata minuciosamente os sentidos e sentimentos trazidos pela doença, que, ao levar dias para ser diagnosticada, causou intenso sofrimento. Já internado e em processo de investigação diagnóstica, relata o suplício que é receber visitas de pessoas pouco próximas e pergunta ao leitor: Existe constrangimento maior do que passar mal na presença de pessoas com quem não temos intimidade? Com isso, a família e ele restringem as visitas com a enfática afirmação da mulher: No seu estado, não tem cabimento ser obrigado a fazer sala para visitantes” conta o médico Nelson Filice de Barros em resenha publicada em Ciênc. saúde coletiva vol.14 no.4 Rio de Janeiro July/Aug. 2009
Parece muito significativo escrevermos sobre nossas doenças. Ainda na edição de 09 de novembro deste blogue, contei de uma experiência de ter câncer. Se a escritoterapia é salutar, ler médicos, enquanto pacientes, dá a nós — que não somos da área — percepções enriquecedoras. Agradeço ao Jairo o presente. Li O médico doente e recomendo. Vale a pena.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

29.- Inviagens

ANO
 11
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Das disciplinas à indisciplina
EDIÇÃO
 3228


Este texto está muito marcado pela dor causada pela mortes ocorridas com a queda do avião que levava a Chapecoense.

Neste mês de novembro, quase no ocaso, no dia 9, escrevi uma blogada “Estou, mas não estou”. Estava em Barreiras, a convite do curso de Química da Universidade Federal do Oeste da Bahia e não fui à universidade, pois esta estava ocupada por estudantes. Fiz palestras, dei minicurso, autografei livros... no complexo do Senai/Sesi de Barreiras. Assim a UFOB é realmente uma universidade que ‘fui, mas não fui’.   
Na sexta-feira que passou, voltava de Manaus (na semana anterior fora a Boa Vista em Roraima, de onde trouxe pingos e respingos para a edição anterior) e na longa viagem avaliava as minhas falas manauaras no Encontro Nacional de Estudantes de Ciências   da Natureza, na comemoração dos 50 anos do curso de Ciências Naturais da UFAM e projetava falas que faria nesta semana em Belém, no VIII Seminário Nacional sobre Formação de Professores e Relações Étnico-Raciais. Não raro nos repetimos, mas sempre ressaltam pontos que exigem reescritas. Isso era um bom assunto também para os entre cochilos em mais uma das repetidas travessias de Norte a Sul.
Mas, ainda na sexta recebo comunicado que analisa que: “como é conhecimento de todos, o país vive turbulências. Elas se manifestam tanto na vida econômica quanto na esfera política, assumindo dimensões diversas a depender do ambiente do qual tratamos — se nacional, estadual, ou municipal. A Universidade Federal do Pará participa desse movimento de modo intenso. A comunidade universitária encontra-se mobilizada atuando por meio de ocupações e paralizações que suspendem a rotina universitária em prol das discussões que o momento impõe. Diante disso, as atividades acadêmicas são, necessariamente, redimensionadas, em função do reordenamento de espaços e de reorganização de pessoal com vistas a manutenção do movimento político e da busca pelo alcance de seus objetivos”. E em face disso o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Professores e Relações Étnico-Raciais (Núcleo Gera) considera ser impossível realizar os eventos acerca da Formação de Professores e Relações Étnico-Raciais, previstos para o período de 30 de novembro a 2 de dezembro de 2016.
Restou-me escrever: “Lamento muito. Havia muita expectativa. Mas se for para mostrar ao Temer e seus asseclas o que eles estão fazendo com o Brasil, confortemo-nos mutuamente”.
Um pouco antes recebera notícia de inviabilidade de realização de atividade que faria em dezembro no campus de Barra do Garça na UFMT. E as viagens de dezembro se transformavam em inviagens. Assim, ter estado, no segundo semestre deste ano em nove unidades da federação realizado mais de trinta fala, confere-me, no último mês do ano, uma obsequiosa abstinência de viagens e falas.
A frustração de não ir a Belém tinha outros ingrediente. Seria uma das raras situações em que a Gelsa e eu íamos como convidados a um mesmo evento e assim sonhávamos realizar um passeio a Ilha de Marajó. Os queridos amigos Conceição Cabral e José Carneiro já haviam desenhado um turístico fim de semana. As inviagens, também por isso, se fizeram mais amargas.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

22.- Pingos e respingos




Ano
 11
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Das disciplinas à indisciplina
EDIÇÃO
 3227

Ainda não assimilei, em sua essência a estada em Boa Vista, objeto da edição anterior e amanhã já viajo à Manaus. Para, ainda fruir Roraima, faço esta edição com dez pingos e respingos roraimenses.
1.- Venezuela: O que mais me impressionou nesta estada (talvez a sétima ou oitava) desde a primeira há seis anos é o êxodo de venezuelanos de seu país e a afluência a Roraima em busca de alimentos e de emprego. São cerca de 30 mil, nos últimos seis meses, os venezuelanos que chegaram a Roraima. Há casos dramáticos. Um estudante de medicina que agora passa até 15 horas por dia em sinaleiras vendendo água e limpando para-brisas de carros. Um colega que me levou a uma escola, contou que sua empregada doméstica era professora universitária na área de Direito na Venezuela. Nos restaurantes em que estive em quatro dias, em sua maioria fui atendido por venezuelanos. Há muitos indígenas entre os migrantes e o aumento da prostituição é significativo.
2.- XXIV Feira Estadual de Ciências de Roraima foi a atividade que me levou à Boa Vista que aconteceu de 17 a 19 de novembro de 2016, no muito bonito Parque Anauá. Nesta edição a Feira teve o mote da Semana Nacional de Ciências e Tecnologia: "Ciência alimentando o Brasil”. Por questão de agenda tive que resumir a uma pequena visita, conhecendo apenas alguns das quase duas centenas trabalhos apresentados por estudantes da educação básica roraimense, da rede privada e, principalmente, rede pública, tanto da capital Boa Vista como do interior do Estado, inclusive de comunidades indígenas, da educação infantil ao EJA. O mais significativo para mim foi ter aprendido uma proposta para jardim/horta, explorando o fototropismo, que já me apresso a realizar em minha casa.
3.- Escola de Ensino Médio Diva Pinto. Na manhã de quinta-feira fui a uma escola em um bairro distante cerca 20 km do centro. Lá fiz a palestra “Assestando óculos para ver o mundo” a significativo grupo de professoras e professores e a alguns estudantes. Esta escola entra ternamente em minha história por outro motivo. Levara a Roraima um único exemplar do Memórias de um professor: hologramas desde um trem misto, pois o mesmo está quase esgotado e este foi adquirido pela merendeira da escola. Comovo-me.
4.- Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena da UFRR foi uma das significativas visitas que fiz na manhã de sexta catalisada pelo Alexandre, mestrando da UERR. Fiz então uma palestra envolvendo discussões acerca da comparação de religião e Ciência, para docentes e discentes. Fiquei surpreso com a qualidade das instalações e com os significativos cursos que se oferece as diferentes etnias indígenas. Sou muito grato ao Prof. Dr. Jonildo Viana dos Santos pelo almoço e também por me brindar com uma coletânea de livros produzidos pela instituição, incluindo um dicionário macuxi.
5.- Minicurso: A Arte de escrever Ciência com arte foi a atividade mais extensa que me envolveu nesta estada em Boa Vista. Nas tardes de quarta e quinta ministrei mais de seis horas de curso no qual participaram cerca de meia centena de docentes e discentes. O significativo que na abordagem dos tópicos previsto fiz muitas notas de rodapé e estas, segundo alguns participantes foram tidas como o mais apreciado da atividade.
6.- Para formar Jardineiros para cuidar do Planeta foi a palestra que proferi na tarde de sexta-feira na UERR inserida nas atividades da Feira de Ciências. Ao lado da trazida de aspectos acerca de uma educação ambiental, usei partes da Encíclica Laudato si’ do papa Francisco, adequadamente contextualizada em tempos em que alguns cardeais conservadores contestam as posturas do ‘papa comunista’.
7.- Entrevista na Rádio Tropical FM de Boa Vista à Jornalista Consuelo Oliveira no começo da tarde de quarta, em um programa muito descontraído onde reavivei sonhos de minha infância onde gostava de ‘brincar de rádio’. Surpreendeu-me a beleza dos estúdios e encantou-me as atenções da professora Elena Fioretti em ciceronear-me.
8.- Uma roda viva de amigos se monta em cada uma destas muitas viagens. Desta vez, por nos encontramos enquanto visitantes, a cada almoço e cada janta, com os locais parece que se adensavam mais o benquerer. Colegas que conhecêramos ali, na despedida pareciam que estávamos junto há muito e hoje são saudade. Só destaco três entre tantos, pois me ensinaram muito e encantaram-me com suas ações em busca de um mundo mais justo: Jonas, com sua prometeica barca das letras e a dupla fraterna formada pelo querido Diretor Anderson Quack e a Produtora Liz Oliveira. Obrigado à Ivanise Rizzatti, a catarinense que se fazendo roraimense sabe catalisar amizades.
9.- Uma banca de esfrangalhar o coração foi aquela que ao final da tarde me envolveu. Já participei de dezenas de bancas, mas a qualificação do Ricardo Daniell Preste Jacaúna, um negro, cego e cadeirante propondo tecnologias assistivas para ensinar Química a surdos certamente será insuperável nas emoções que me ofereceu. Obrigado Ivanise por envolver nesta banca e obrigado ao colega Hector por ser sempre parceiro.
10.- Quase exigindo adicional de insalubridade. Se já me ufanei de ter como vizinho de apartamento um rei (o da Suécia) no mesmo hotel onde me hospedava, desta vez cheguei a temer pela minha segurança, pois certo milico, candidato a presidente da república, andava por lá e seus seguranças, com camisas pretas ostentando em letras brancas apoio ao se candidato me assustaram, pois pareciam uma matilha de buldogues. Afinal não há só flores em nossas caminhadas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

16.- Do Chuí ao Monte Caburaí

ANO
 11
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Das disciplinas à indisciplina
EDIÇÃO
 3226


Vivo a minha terceira viagem deste novembro. Há ainda outras duas neste mês, à Amazônia, como esta: na próxima semana vou à Manaus e na outra à Belém. Na atual deixei Porto Alegre, ontem, terça às 6h40min e às 11h20min (13h20min BSB) pousava em Boa Vista, RR. Fiz uma breve escala em Brasília, com troca de aeronave. Não sei se esta é sexta ou sétima vez que venho a Boa Vista. A primeira, a convite da UFRR e da Regional da SBQ foi em 01/12/2010. Desde aqui, em diferentes estadas, já visitei aldeamentos indígenas, estive na Guiana e na Venezuela. Até já tive como vizinho de apartamento um rei (o da Suécia) no mesmo hotel onde estou hoje.
Como na maioria das situações anteriores, venho única capital brasileira no Hemisfério Norte a convite da UERR que é parceira da Feira de Ciências  de Rororaima. Nestes três dias — Quarta/Quinta/Sexta — tenho um minicurso (em dois dias), uma palestra, uma visita à escola, uma entrevista em rádio e uma banca de mestrado. Nos primeiros minutos de sábado empreendo um longo retorno.
Uma justificativa ao título: Não é uma situação inusitada alguns brasileiros utilizarem a expressão do Oiapoque ao Chuí quando querem dizer do extremo norte ao extremo sul do Brasil, por que, foi considerado por muito tempo o ponto extremo norte do país como o Cabo Orange, localizado no Oiapoque, estado do Amapá, mas dados históricos revelam que em 1998, uma expedição oficial teria alcançado o monte pela primeira vez e confirmado ser o Monte Caburaí o verdadeiro ponto extremo Norte do Brasil. Assim, metaforicamente, ontem viajei do Chuí ao Monte Caburaí.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

09.- Novembro, azul


Ano
 11
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Das disciplinas à indisciplina
EDIÇÃO
 3225

Há alguns dias, Márcia Honesko, minha sempre atenta personal-training inquiriu-me: Porque não fazes um blogue acerca do Novembro Azul? Poderias narrar tua experiência em conviver e sobreviver a um câncer de próstata foi o argumento que se seguiu a sua interrogação.
Em novembro de 1999, quando as flores da celebração de meu tornar-se sessentinha ainda não haviam fenecido, tive o diagnóstico de câncer de próstata. Fiz, então, uma escritoterapia. Produzi Uma rapsódia prostática, um livro de 160 páginas, entre novembro de 1999 e fevereiro de 2000, antes e depois de uma cirurgia para extirpação de um câncer.
Este texto inédito esteve prestes a ser editado por uma editora comercial em selo acerca de relato de doenças. Como tal não ocorreu, disponibilizo edição eletrônica lida (ou pelo menos remetida) a dezenas de leitores, inclusive na Dinamarca e nos Estados Unidos. Há mais de um depoimento acerca da significação de sua leitura tanto para homens quanto para companheiras de atingidos por uma das modalidades de câncer que mais leva à morte. Ainda em fevereiro de 2010, o Dr. Alfredo Zoppas, cirurgião que me operou, disse-me que já emprestou seu exemplar a mais de um paciente.
ATENÇÃO: Este texto não é de medicina e mesmos as incursões feitas, então, na área estão desatualizados, pois em quase duas décadac houve um muito grande avanço terápico. A leitura deve ser pensada como uma escritoterapia do autor.
 No Das disciplinas à indisciplina, o primeiro capítulo é acerca de óculos para olhar o mundo. Trago, então, comentário muito pessoal acerca de uma de minhas vivências com o pensamento mágico. Quando tive um câncer, por ser natural, ‘agarrei-me a todas alternativas em busca de cura’. Uma delas, a leitura do livro: Câncer tem cura, do frei Romano Zago. A babosa era uma alternativa miraculosa apresentada pelo franciscano.
 Li, reli, tresli partes do livro. Enchia-me de esperança. Passei a tomar um preparado de babosa. Carregava as poções para tomar quando fora de casa. A babosa haveria de curar-me. Enxergava o caranguejo do câncer (do zodíaco) sequestrando (minha formação em Química explicava que ocorria uma quelação) a babosa e, o caranguejo morrendo. Havia relatos de portadores da doença maldita em estado muito avançado que se diziam miraculosamente salvos pela babosa. Com pensamento mágico, fantasiava que a babosa era aprisionada pelo caranguejo (câncer) e ele que, por isso, morria. Por que eu, que supunha ter apenas um cancerzinho inicial, não poderia ser curado? Fiz, todavia, uma cirurgia radical e nesta se verificou que, diferente de meus sonhos a babosa não havia curado o meu câncer. A Ciência foi mais eficiente que o pensamento mágico. Por tal, há mais de 15 anos sou um câncer-free.
Aqui renovo a oferta aos interessados o livro: Rapsódia prostática. Basta enviar-me um correio eletrônico (não serve Whatsapp) e eu envio, sem qualquer custo, um exemplar do livro. Esta é uma de minhas adesões ao muito importante Novembro Azul.