TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

21— Querida Amazônia!




 ANO 14
AGENDA 2 0 2 0
EDIÇÃO
34668
Esta edição é prenhe de emoções. Há até um certo desconforto quando parece que somos alienígenas ao clima que nestes dias encharcam o Brasil. Tanto ontem como hoje, na minha sessão na Academia, por exemplo, era visível (talvez, o melhor fosse referir: audível) ‘clima’ carnavalesco. Parece um paradoxo ao que L.F. Veríssimo escreve em sua crônica semanal Apatifam-nos, este comportamento burlesco quando vemos ‘a decomposição de um Estado’, que começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotada nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida.
O assunto trazido hoje não combina com os folguedos momescos. Também não se espere que eu seja um pregador de Semana Santa.
No ano passado, em meu périplo por 21 universidades, nas falas de agosto em diante, passei a aditar prelúdios e posfácios alimentado na Encíclica Laudato Si’, destacando que o Papa Francisco, já há quase cinco anos nos alerta ao cuidado de nossa Casa comum. Fiz isto marcado pelo exercício pleno da cidadania de um educador politicamente engajado. Busquei em excertos da Laudato Si’ antídotos às políticas bolsonaristas agressivas a cuidados em nossa casa comum: o Planeta Terra. Isto na Amazônia tem dimensões à beira de uma catástrofe.
Já em 2015, fruí muito a Laudato Si’. Fi-la aula inaugural de um mestrado em uma instituição metodista e também seminário em mestrado e o tema central de disciplina acerca do meio ambiente, na graduação. Fiz palestras e dei um curso no Amapá, acerca da mesma encíclica. Então, o tema era quase ignorado. Agora, quase cinco anos, a situação não é diferente.
Mesmo que explicitasse (e ratifico aqui e agora!) não ser do rebanho do Papa Francisco recebi recomendações como ‘embora eu respeite o fato de escolheres o pensamento de um líder da religião católica para ilustrar tuas palestras, pergunto-me se não seria o caso de diversificar [...] e mencionar, vez ou outra, o pensamento de um líder evangélico, por exemplo, ou de um indígena ou de um islâmico. Isso ajuda a passar a mensagem de que nem todo evangélico é fundamentalista, nem todo evangélico é de direita, nem todo islâmico é terrorista, e que não é só o cristão ou católico que são sensíveis aos problemas do planeta’. Concordo. Mantenho o foco.
Em 2019 a situação em relação aos cuidados com o Planeta se agravou muito coma expansão das queimadas. Mais uma vez, em um seminário no Mestrado e em uma disciplina em Licenciatura, a Laudato Si’ foi suporte para discussões de ecologia na educação nas Ciências. Discussões envolvendo a realização em outubro do Fórum Pan-Amazônico estiveram em sala de aula.
Mas neste dia 12 de fevereiro de 2020, o Papa Francisco surpreende com a Exortação Apostólica “Querida Amazônia”, marcada por uma poética originalidade. Sabiamente, o Papa inicia sua exortação revelando "os quatro grandes sonhos que a Amazônia o inspira: um sonho social, um sonho cultural, um sonho ecológico e um sonho eclesial.
A publicação do texto é acompanhada por uma série de cinco vídeos: um introdutório e os demais dedicados a cada capítulo apresentados como cada um dos quarto sonhos poetizados na Exortação Apostólica “Querida Amazônia”. A Exortação papal é profunda e encantadoramente bela!
Não cabe, aqui e agora, fazer uma descrição dos diferentes textos que estão amealhados nas tessituras de cada um dos quatro sonhos. A melhor sugestão é ler/viver/meditar a partir do texto oficial e vídeos, em português na página oficial do Vaticano: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/querida-amazonia-exortacao-em-forma-de-sonhos.html
A revista IHU do Instituto Humanitas da Unisinos tem uma edição fazendo destaque a poetas que nos são próximos: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/596268-querida-amazonia-o-sonho-da-floresta-amazonica-e-a-insonia-da-floresta-curial-artigo-de-andrea-grillo
É encharcado neste clima que neste dia 29/02, sábado, retorno à “Querida Amazônia” depois de um recesso de dois meses. Dezembro, quando lá estive pela 11ª vez em 2019, parece já muito distante. Talvez não possa abraçar os quatro sonhos de Francisco para a Amazônia, permito-me eleger sonho ecológico para partilhá-lo com meus colegas, meus alunos e, muito especialmente, com meus orientandos.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

14.— Uma pavana para uma Educação estraçalhada



ANO
 ANO 14
AGENDA 2 0 2 0
EDIÇÃO
34667
Esta edição estava programada para vir a lume (gosto desta expressão! = tornar conhecido o que se ignorava; mostrar, revelar) no dia 07FEV, mas com a ação nazifascista da Secretaria de Educação de Rondônia, determinando a recolha de livros (Ver a edição pretérita!), ela foi procrastinada para hoje (eis um verbo que não saboreio! Pior, ainda, é ser procrastinatório).
Apropriei-me do título (e, também de alguns excertos) da protofonia que escrevi para o livro Sequências Didáticas para o Ensino de Ciências da Natureza [Viviana Borges Corte, Michel Pedruzzi Mendes Araújo, Camila Reis dos Santos (organizadores) – Curitiba: CRV, 2020, 226 p. ISBN 978-85-444-3667-7].
Quando escrevi o texto, que ora já é parte do livro antes referido, com chamada na capa, a Educação vivia em vertigem. Quando neste governo a situação foi diferente? Ela não tem sido continuadamente o patinho feio? Ela é tratada (a começar pelos ministros) como o escroto nestes tempos em que a República se transmudou em um feudo teocrático militar. Se os funcionários públicos são parasitas... imaginem aqueles que são professores de quaisquer esferas públicas: Municípios, Estados, Distrito Federal, União.
Lembro detalhes de quando escrevi o prefácio: Era semana da pátria. Recebi um sacudidela. Achava que muitos dos eleitores do Bozo estavam desiludidos e mudado para o nosso lado. Ilusão. Vã ilusão. Havia uma maioria de eleitores vibrando com governo que já estava começando o nono mês. Minhas fontes: emissoras de rádio à madrugada. Se diz que o governo só não é melhor porque o PT continua roubando e há ONGs querendo implantar comunismo no Brasil e destruir a família com os casamentos de homossexuais.
Não podemos deixar de reconhecer competências no clã bolsonaristas. Este sabe engambelar (= Seduzir ou ser agradável a alguém para enganar) como poucos. E é impressionante como os jornalistas (= autoproclamados formadores de opinião) se converteram com facilidade em arautos da corte. Com meios de comunicação como os que temos, por ora, não precisa nem ter mais a Voz do Brasil às 19 horas.
A explicação para título que dei a protofonia estava nas manchetes dos jornais brasileiros: “Bolsonaro assina decreto para ‘militarizar’ 216 escolas em quatro anos” [DECRETO Nº 10.004, DE 5 DE SETEMBRO DE 2019 / Institui o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares] no dia em que escrevia um excerto deste prefácio. À manchete se seguiam notícias como: O governo pretende implantar o modelo cívico-militar em 216 escolas até 2023, sendo 54 por ano. Os colégios devem ter de 500 até 1000 alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental ou alunos do ensino médio. Até o dia 27 de setembro (apenas três semanas depois da emissão do decreto), os 26 Estados e o Distrito Federal devem indicar as suas duas primeiras escolas para serem militarizadas já no 1º semestre de 2020. Cada escola terá uma dotação inicial de 1 milhão de reais. A governador que resistiu a proposta, o presidente ameaçou: “Me desculpa, não tem de aceitar, tem de impor!” A ideia é que os militares atuem na tutoria e na administração de cada escola. Serão contratados militares da reserva. Os contratados receberão 30% de remuneração sobre que ganhavam quando passaram para reserva. O ministro da Defesa anunciou que na primeira fase serão contratado 540 militares da reserva para atuar em 30 escolas (O Sul Porto Alegre, 06 de setembro de 2019, p. 3).
O Modelo China para fazer hospitais parece não se aplicar à construção de Escolas cívico militares. Aquela rapidação de 3 semana se acalmou. Aqui em Porto Alegre, esta semana, em hotel de luxo, militares que trabalharão nas ECMs tiveram treinamento.
Isto não surpreende. O Palácio do Planalto já é uma caserna. Com o general Walter Braga Netto na Casa Civil o "Partido Militar" passa a ter quatro generais e nove entre os 22 ministros, incluindo todos os palacianos. Outros 2500 militares estão em postos de chefia ou de assessoramento.
Mas, as escolas cívicos militares que estão em fase de implantação já tem um manual: A bandeira nacional deverá ser hasteada diariamente. As canções entoadas devem despertar entusiasmo pela escola, pelos heróis nacionais e pela Pátria. Não serão autorizadas palavras depreciativas, discriminatórias ou que exaltem a violência. Meninas poderão usar uma saia-calça cujo comprimento deverá estar na altura dos joelhos. Uniformizada as alunas poderão usar apenas adereços discretos como relógio, pulseiras e brincos. Os meninos devem ter cabelos curtos cortados de modo a manter nítido os contornos junto as orelhas e o pescoço. Os alunos devem se apresentar bem barbeados, com cabelos e sobrancelhas na tonalidade natural (Zero Hora, Porto Alegre 04FEV2020, p.3.).
Há muito mais a comentar, por exemplo, a agressão do presidente ao Green Peace. Ontem houve a visita de Lula ao Papa. É inegável a simbologia da foto de Lula sendo abençoado pelo Papa. E mais simbólico é o seu ocultamento. Uma visita às capas dos jornais brasileiros desta sexta (14) e se percebe que apenas a Folha de S. Paulo colocou a foto na capa. Entende-se que um jornal não deva se prestar ao papel de assessoria de imprensa de políticos, mas se tratava do encontro de um ex-presidente brasileiro com o Papa. O Jornal Nacional de quinta (13) dedicou 49 segundos para falar sobre a visita, sendo que 32 deles para falar da situação jurídica de Lula. Se a mídia escondeu, a direita esperneou. O encontro serviu para que católicos conservadores aumentassem o tom contra o Papa Francisco, que já não goza de prestígio junto à direita. Já reportagem da Deutsche Welle avalia que o encontro tem repercussões simbólicas para o petista, que retoma sua imagem de líder internacional, influi na disputa de poder dentro da própria Igreja Católica e ainda sinaliza para uma tentativa do PT em reatar seus laços com as bases progressistas da Igreja. newsletter.ponto.jor.br

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

07.= O advento à idade das trevas pode estar próximo



ANO
 ANO 14
AGENDA 2 0 2 0
www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3466
À tarde de ontem, burilava a edição para hoje. Ela seria acerca das escolas cívicos militares. Estas se constituem em uma (pérola)-1 deste feudo teocrático militar em que se transmutou a República. Eis que surge mais uma c*g*d* do governo. Aliás, foi mais que uma c*g*d*, foi um c*g*lhão.
Afortunadamente o governo não conhece uma habilidade chinesa, que em 10 dias constrói um hospitais, com centenas de leitos. O anúncio das escolas com partido parece ainda não ter saído do papel. Assim, postergo tema e comento algo que conheci na tarde de ontem.
Na verdade reconheci, pois no medievo, e mesmo antes do iluminismo, no tempo das treva se praticava ações como estas.
A Secretaria de Educação de Rondônia — o Governador é o Coronel Marcos Rocha, policial militar, filiado ao Partido Social Liberal (PSL) e o Vice-governador é Zé Jodan (PSL) — determinou a recolha de todas as escolas do estado  quarenta e três livros, de autores como Caio Fernando Abreu, Mário de Andrade (Macunaíma estava no Index), Machado de Assis, Kafka, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, Edgar Alan Poe... Após a listagem dos 43 títulos a serem recolhidos (de cujos autores se ofereceu uma amostra) consta Observação: Todos os livros de Rubem Alves devem ser recolhidos.
O argumento para o banimento das obras, (depois revogado, dizendo-se que era apenas um rascunho), que consta em papel timbrado da Secretaria de Estado da Educação, em caixa alta como RELAÇÃO DOS LIVROS A SEREM RECOLHIDOS, era que os livros a serem apreendidos (dentre os quais alguns são indicados em vestibulares em várias Universidades brasileiras) apresentavam 'conteúdos inadequados para crianças e adolescentes.
Talvez, valesse a pena, recordar algo que aconteceu na primeira metade de nosso século 20* * *. Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência:
“O dia 10 de maio de 1933 marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmente aos escritores. Em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, montanhas de livros (ou suas cinzas) se acumulavam nas praças. Hitler e seus comparsas pretendiam uma "limpeza" da literatura.
Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório nacional de estudantes.
Stefan Zweig, Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram algumas das proeminências literárias alemãs perseguidas na época.
O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".
Assim como desde a pré-história, se acreditava nos poderes purificadores do fogo, o regime do mestre da propaganda – Joseph Goebbels – pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais da por ele tão odiada República de Weimar.
A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com oportunismo, enquanto a burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também os outros países acompanharam a destruição de forma distanciada, chegando a minimizar a queima como resultado do "fanatismo estudantil".
Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição esteve Thomas Mann, que havia recebido o Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos.
Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bonn lhe cassou o título de doutor honoris causa, ele escreveu ao reitor: "Nestes quatro anos de exílio involuntário, nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado na Alemanha ou retornado, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade, vivendo desta maneira!"”
·       * * Texto preparado com a ajuda da Wikipédia: Bücherverbrennung é um termo alemão que significa queima de livros. É, muitas vezes, associado à ação propagandística dos nazistas, organizada entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, poucos meses depois da chegada ao poder de Adolf Hitler.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

31.—POR QUE CHOREI QUANDO ASSISTI Democracia em vertigem?



ANO
 14
AGENDA 2 0 2 0
www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3465
Em uma noite da semana passada de temperatura mais amena, depois de uma tarde senegalesca, sob uma parreira na qual as duas videiras fizeram uma assemblage com um vigorosa pimenteira, com uma suave brisa que trazia odores de diferentes plantas de meu jardim/horta/pomar, então, por um pouco mais de duas horas, assisti: Democracia em vertigem.
O filme não é de mistério. Não tem um enredo imprevisível. Mas há algo que parece que vai ter um happy end. Mas, há sempre música tétrica que nos chama a uma realidade. Há um espraiado ressaibo. A esperança se transmuta em desesperança.
Dante está a nos lembrar que estamos embarcados sob a condução de Caronte, o barqueiro velho e esquálido, mas forte e vigoroso que nos recebia em seu barco para atravessarmos o Aqueronte, "rio do infortúnio". Durante todo filme somos admoestados: "Lasciate ogni speranza, voi che entrate”. Caronte repete, quando nos vê sofrer: “Deixai toda a esperança, vós que aqui entrais!”
Não adianta torcer! Não adianta rezar! Não adianta fazer promessa! Deixai toda esperança.
Sim! Sabia o final do filme. Os diferentes artigos que lera não fizeram spoiler, O Eduardo Cunha, um exímio Caronte, prescrevera (=pré escrevera) o final. Ele arrebanhou seus Judas desertores, que quebraram o prometido na                      véspera em troca de milhares de reais.
Desde que o documentário de Petra Costa foi indicado para concorrer ao Oscar na categoria de documentário estrangeiro, há disponível alguns artigos que podem ser usados para fazermos uma melhor leitura de Democracia em vertigem. Zero Hora, na p. 29, da edição 18/19Jan2020 publicou um artigo de Marcelo Rocha, doutor em Letras e professor da Unipampa, que mostra a improcedência que ocorre quando se cobra do documentário de Petra Costa de um compromisso com a realidade. O Prof. Dr. Rocha pergunta, nesta grenalização da sociedade brasileira, quem detém a verdade?
Na mesma página antes referida, há um artigo do Cientista Político Paulo G.M. de Moura, produtor do documentário Impeachment: o Brasil nas ruas, que desqualifica o documentário de Petra Costa, porque ela é filha de ex-militantes do PCdoB, e por tal, uma vítima ingênua da propaganda do PT. Conheço ateus que são filhos de cristãos fundamentalistas fervorosos e nem por isso desqualifico seus textos fundamentados em Darwin. Parece que Moura não viu as ácidas críticas que Democracia em vertigem faz ao PT. Os dois documentários não são mera troca de sinal de um para o outro. Se poderia aqui desqualificar como improcedentes as críticas do MBR dizendo que Petra não considerou as manifestações de rua contra Dilma. Não é verdade. Meu único reparo à Petra: talvez, não precisasse trazer tanto de sua história familiar para este filme.
Mas, por que chorei enquanto assistia Democracia em vertigem. Tenho alguns amigos que também choraram. Um deles me disse: não sou de chorar em filmes, mas neste tive que interromper, pelo tanto que chorava, e continuar a assistir no dia seguinte.
 Mas por que eu chorei? Chorei por aquilo que eles fizeram. Chorei pelo que eu não fiz.
Chorei pelo que eles fizeram. Eles foram implacáveis. Mesmo que Dilma dissesse que não roubara um centavo, que não tinha contas no exterior. Situação diversa de seus inquisidores. Ela tinha dinheiro para comprar batata. Mas precisava comprar banana. Usou, sem solicitar autorização do Senado, o dinheiro que era para comprar batata para comprar banana. Executou as usuais ‘pedaladas fiscais’.
 Chorei pelo que eu não fiz. O impeachment foi nos adjetivado de uma maneira sedutora: um impeachment constitucional. Pensava se proposta fosse ao abrigo da Constituição, por tal impeachment não prosperaria. Se tivesse estado mais antenado, teria feito pelo menos a minha parte. Não há como não lembrar da historieta do beija-flor contribuído com a gota trazida para ajudar a apagar o incêndio na floresta.
Claro que não fui o único ingênuo. Tive pessoas como parceiros e organizações (CNBB, OAB, MST, MAB...) usualmente defendendo a democracia quando esta está em vertigem.
Ofereço este texto ao meu colega e amigo Guy, o polímata, que na quarta-feira jantando sob uma pimenteira, ajudou nesta escrita.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

24.´Pingos e respingos da virada 2019/2020


24.´Pingos e respingos da virada 2019/2020


ANO
 14
AGENDA 2 0 2 0
www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3464
Esta é a primeira edição de 2020. Ela ocorre quando se vencem as férias que o editor deste blogue se auto concedeu na edição de 20 de dezembro. Cumpro o prometido então? retornar na segunda quinzena de janeiro.
Quando, na última sexta-feira, dia 17, o quase dolce far niente me estimulou a estender por mais uma semana o recesso deste blogue, me absolvi pensando que não deveria haver ninguém com saudade de meus blogares e por tal venceu-me a preguiça e adiei o retorno para hoje.
Proponho para a celebração do retorno fazer um rescaldo do período que não nos encontramos. Não é um diário de viajor, até porque a abstinência de viagens que ora vivo, contrasta com o ano de 2019 onde, mesmo estando a cada mês, pelo menos uma semana, na UNIFESSPA, no câmpus de Marabá, PA estive em 2019, em fazeres acadêmicos, em 21 universidades das quais 4 em São Paulo [USP, Unicamp (2) UNESP (4 São Carlos e Bauru) e UFSCAR] e em oito na região amazônica Pará (3), Amazonas (2), Mato Grosso e Macapá (2), quando realizei 52 palestras, (incluindo mesas redondas e minicursos) das quais ofereço destaque para sete em Marabá em seis diferentes eventos.
 A seguir trago alguns respingos do entorno da virada 2019/2020. A ordem é aleatória, logo não envolve precedência.
(1)  Virada 2019/2020: nesta virada tive, por duas semanas, a preciosa companhia da Danila. Quando uma praia gaúcha se fez alternativa, por preocupação, lhe narrei a lendária história do Criador desenhando caprichosamente o litoral brasileiro e chegando exausto à Torres, desiste de seus lindos desenhos litorâneos mesclando mar e serra e, simplesmente, faz um traço único até o Chuí. A troca do Caribe, há um ano pela popular e antiga Capão da Canoa, não teve leitura de retrocesso. Na virada estávamos na praia sob fogos com a Ana Lúcia e seu clã. Estivemos também com tribo do André em Xangri-Lá. Estivemos, tamb[em, Igrejinha visitar a Clarissa e seu trio e com eles fomos a Gramado e Canela, ver os luminosos espetáculos natalinos.
(2)  Um tornado é um presente grego: Na quarta-feira, dia 08/01, depois de uma tarde muito quente, com energia elétrica e internet intermitentes um temporal, com ventos de cerca de 100 km/h açoitou Porto Alegre em diferentes regiões. Postes da rede elétrica e árvores foram chupados pelo que foi qualificado por meteorologistas de tornado. Houve moradores que chegaram a ficar uma semana sem energia elétrica e sem água. Nos meus domínios três micro registros: (A) Um dos meus imponentes mandacarus foi tombado e se ele fosse 10 centímetros maior teria sido decapitado: no dia seguinte, com a ajuda de seu Adão, ele reinava de novo imponente com seu 4,5 metros. (B) houve algo misterioso ou pelo menos inexplicável: enquanto mesas e cadeiras bailavam no 8º andar, numa sacada do 7º andar pousava um volumoso caderno de anúncios classificados de um jornal diário de Porto Alegre e o mais exótico a data 30/MAIO/1992 (moro aqui desde 1999); sua origem, um mistério. (C) agora algo enternecedor: com todos transtornos meteorológicos, uma rolinha, que há dias acompanhávamos, continuava impávida num maternal chocar.
(3) 
Merlí: Até agora, quase desacostumado a ver series, me encanto admirando os 40 episódios (de 3 temporadas) de Merlí, um professor de filosofia do ensino médio em uma escola pública em Barcelona há uns três anos. Ele dá aulas lindíssimas trazendo em cada aula filósofos desde os peripatéticos, os pré-socráticos, depois Sócrates, Platão e Aristóteles, os da modernidade como Descartes, Schopenhauer, Nietsche, Hume, Kant ou contemporâneos como Foucault, Camus, Judite Butlert e muitos outros. O grupo de alunos são adolescentes que aprendem com Merli a pensar diferente. Outros professores desajudam pois a inveja os corrói. Não se aprende apenas de maneira gostosa filosofia; somos levados a auto-psicanálise, buscando entender o ‘nosso lado feio’ em relação com os outros. Vale muito a pena,
(4)  Pimentas: Este ano as minhas duas videiras estão tendo uma concorrência de uma vigorosa pimenteira. Há uma ubérrima produção de pimentas, que Dona Ceni e eu temos colocado em conserva em vidros. Estas, além de abastecer o consumo próprio já ensejou presentear mais de uma dúzia embalagens produzidas e envasadas na Morada dos Afagos.
(5)  Visitação: uma arte a preservar: este período de hemiférias é muito propício para fazer / receber visitas. Em gerações muito próximas (meus pais, meus avós) se cultivava a visitação entre parentes, compadres, amigos, colegas. Hoje um “como estão as coisas?” no WhatsApp (ou no uatís) parece que resolve. Dentre visitas que fiz e recebi nesta virada destaco uma: Uiara Mendes Ferraz de Pinho. A Uiara é acreana que mora na capital do Acre e é professora no Instituto Federal do Acre, no câmpus de Xapuri, que no nosso imaginário evoca Chico Mendes. Ela e o David, seu esposo, deixaram Rio Branco para visitar familiares em São José, SC. Estando em Santa Catarina vieram conhecer Gramado e Canela. Da serra gaúcha a viagem se espraiou à Porto Alegre, para visitar-me. Fui agraciado com a, visita porque, desde o começo do ano letivo de 2019, sou orientador de doutorado da Uiara na Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática. Mesmo que já tenhamos trocado muitas mensagens e nos tenhamos falado por algumas horas via internet, não tivéramos oportunidade de nos conhecermos pessoalmente. Foi muito bom receber para almoço, no dia 15 de janeiro, o casal acompanhado da sogra e de uma cunhada de Uiara. E é nesta dimensão de fazer destes dias também tempo de visitação que recebo neste domingo minhas irmãs Tile e Clarinha e minha cunhada Regina. Expectante. 
ANO
 14
AGENDA 2 0 2 0
www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3464