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terça-feira, 31 de julho de 2012

31.- UM CONVITE PARA SABOREAR CAJUINA


Ano 7*** TERESINA ***Edição 2190
Ontem à noite, depois de mais de 30 horas no hotel, à convite da diretoria da ABQ, saí para jantar e ver um pouco de Teresina. Valeu bastante conhecer um pouco da cidade e também saborear bons peixes com colegas que estou conhecendo aqui.
Hoje pela parte da manhã, assisti a apresentação de alguns trabalhos tanto em pôsteres como em exposições horais. Surpreende-me a ênfase do número de trabalhos na linha de jogos pedagógicos. Ainda na mesma orientação, pela manhã assisti a palestra “Uso de jogos em ensino de química: teoria, métodos e aplicações” pelo Prof. Dr. Márlon Herbert Flora Barbosa Soares – UFG, que me surpreendeu pela densidade teórica.
A tarde proferi para cerca de uma centena de participantes a primeira de duas sessões do curso “História e Filosofia da Ciência catalisando propostas indisciplinares”. Antes, tive uma muito gostosa surpresa: todos os 47 livros (de meus sete títulos) que trouxe foram vendidos em poucos minutos. Cada um deles atenciosamente autografados e em sua maioria acompanhados de fotografia com o autor e o adquirente. Sou grato ao Prof. Davi Silva da UFPI, por ser um muito competente livreiro.
Estando na ‘Terra da Cajuína’ queria oferecer um pouco de cajuína a meus leitores. Preparada de maneira artesanal, a cajuína é muito comum nos estados do Ceará e Piauí. Foi inventada em 1900 pelo farmacêutico, cearense por adoção, Rodolfo Teófilo (*Salvador, 1853 + Fortaleza, 1932) que pretendia com ela combater o alcoolismo. Ele a via como um substituto benévolo da cachaça. A Cajuína, adotada como símbolo cultural da cidade de Teresina, é considerada Patrimônio Cultural do Estado do Piauí.
A Wikipédia ensina que a produção da cajuína é feita através dos seguintes processos: Extração do suco do caju // Filtração // Adição de gelatina (para a retirada da substância que dá a sensação de "travamento" na garganta) // Separação dos taninos // Clarificação.
A bebida não é um refrigerante. Ela não é uma bebida gasosa. Em média, 200 ml de cajuína têm 62 kcal.
A cajuína ganha agora uma versão orgânica. O suco bem leve de caju, com muitos nutrientes, começa agora a fazer sucesso no resto do país, pois alcançou o melhor sabor com a mistura de três espécies de caju. “Ela dá um sabor específico. Um sabor bem característico da nossa cajuína em relação à cajuína de outras regiões”, diz um empresário piauiense.
No Piauí, a população comemora a safra do caju. A castanha é vendida para o mundo inteiro e o fruto é usado para produzir a bebida mais popular da região - a cajuína - 400 fábricas fazem 4 milhões de garrafas por ano.
Para conquistar os consumidores, empresários fazem vários testes. Preparar essa mistura dá algum trabalho. As frutas são colocadas em um tanque. Uma solução de água clorada elimina fungos e bactérias. Na linha de produção, o caju é triturado e filtrado. Depois, é só encher as garrafas.
Em um tacho, a cajuína chega ainda transparente. A temperatura da água é de cem graus. O calor carameliza a frutose — que é o açúcar da fruta. Depois de 150 minutos, a bebida fica amarela. E está pronta para o consumo. O processo inteiro de produção leva apenas seis horas. Isso garante uma cajuína com alto teor de vitamina C.
“A cajuína tem cinco vezes mais vitamina C do que um suco de laranja, por exemplo. Um copo de cajuína supre a necessidade diária de vitamina C de um adulto em duas vezes e meia, além de cálcio, fósforo, ferro e outros nutrientes que existem em quantidade menor”, afirma um produtor.
Espero que tenham gostado. Desde que estou aqui, elegi cajuína como a bebida de cada refeição. Estou apreciando.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

30.- ¡AGORA: ANO 7



Ano 7***      TERESINA     ***Edição 2189
Esta é sessão inaugural do ano 7. Hoje este blogue — fundado a 30JULHO2006 — completa seis anos. Há um ano a sessão comemorativa era postada pela primeira vez de Saint Petersburgo, hoje a edição de aniversário ocorre pela primeira vez da acolhedora Teresina, capital do Piauí.
Vi ainda pouco da cidade, onde cheguei às 12 horas de ontem. Como o 10º Simpósio Brasileiro de Educação Química é no próprio hotel onde estou hospedado, não tive oportunidade de ver a cidade. Do meu apartamento tenho uma vista privilegiada da cidade de Timon — terceiro município maranhense de 150 mil habitantes. Timon (MA) está conurbada com Teresina (PI), separadas pelo rio Parnaíba — maior rio genuinamente nordestino. Juntas aglomeram cerca de 1 milhão de habitantes.
A abertura do evento foi muito solene, marcada pela fala do Prof. Alvaro Chrispino, pela presidência da Associação Brasileira de Química e de outras autoridades das diversas instituições que com ABQ, co-promovem o Simpósio. Esta solenidade foi intermeada com muito bonita apresentação de música do folclore piauiense.
A seguir houve a minha fala onde busquei trazer questionamentos ao tema central do Simpósio: A diversidade no ensino de química. Falei a um auditório lotado, de cerca de 300 pessoas, que se manteve atento até o final.
Chego à única das nove capitais do Nordeste que não tem praia de mar quando a cidade vive um dia de justo júbilo: judoca piauiense Sarah Menezes, aos 22 anos de idade, foi a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro dessa modalidade em Jogos Olímpicos. Associei-me a alegria da população, referindo o feito na abertura de minha fala.
Após a minha palestra recebi uma homenagem da ABQ, tirei dezenas de fotos e recebi manifestações de muito agrado pela fala. Também recebi acarinhamentos de leitoras deste blogue. As fotos que ilustram esta edição são da fotógrafa Renata Chrispino, que recebe minha gratidão.
Esta edição comemorativa pelo aditar mais um estado da federação aos locais que me envolvem no fazer alfabetização científica, pede ainda um registro pela completação dos seis anos deste blogue: Assim, a partir de hoje na portada muda o registro e aparece Ano 7.
Em seis anos foram postadas 2189 edições, isto significa uma edição a cada dia. Escrevi neste período em quase uma centena de cidades da maioria dos Estados do Brasil, e de 16 países (Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, México, Estados Unidos, França, Espanha, Reino Unido, Holanda, Bulgária, Croácia, Eslovênia, Dinamarca, Suécia e Rússia).
Esta celebração de 6 anos só tem uma razão: ter cerca de duas centenas de leitores diários que catalisam minha produção. A cada uma e cada um: obrigado. Este agradecimento é dirigido especialmente aos comentaristas e deste me permito destacar dois: Norberto da Cunha Garin e Jair Lopes, dois colegas de blogares que há mais de um ano assinam comentários diários aqui. Mais recentemente juntou-se a eles o Antonio Jorge da Costa Furtado. Há muitos outros que merecem minha gratidão.
Mais de uma vez desejei encerrar esta publicação. Mas, com manifestações como as recebidas aqui em Teresina sinto ímpetos de prosseguir. Vamos, então, continuar rumo ao 7º aniversário.

domingo, 29 de julho de 2012

29.- UM DOMINGO DE NOVOS VOOS


Ano 6***            Porto Alegre          ***Edição 2188
Quando ainda for madrugada, deste último domingo de julho, estarei rumando ao aeroporto de Porto Alegre, para às 6h36min partir para Brasília, onde devo chegar às 9h18min. De onde, 40 minutos depois, devo partir para Teresina, com chegada prevista às 12h10min. Claro que o cumprimento de tão precisos tempos está à mercê dos deuses que cuidam dos voos. Torçamos pela generosidade dos mesmos.
Esta viagem tem um detalhe significativo. Vou reduzir a duas as unidades da federação (26 Estados + Distrito Federal) que ainda não estive, em meu fazer alfabetização científica. Após a palestra que farei esta noite, no 10º Simpósio Brasileiro de Educação Química, retiro Piauí da lista, ficando apenas: Acre e Amapá. Nesta segunda e terça feiras, no mesmo evento, vou ministrar um minicurso de História e Filosofia da Ciência.  
É muito provável que estando Teresina, ‘Terra da Cajuina’ vá desfrutar algo da ‘Capital do Sol e da Luz’. Situação original será registrar ter estado naquela que é a terceira cidade onde mais acontecem sequências de descargas elétricas no mundo. Por esta razão, a região recebe a curiosa denominação de "Chapada do Corisco".
Isto não deve me assustar quando sei que Teresina é a segunda capital com melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste e segundo o IPEA é a terceira capital mais segura do Brasil (perdendo apenas para Natal/RN e Palmas/TO).
Esta edição 2188 completa o Ano 6 deste blogue, iniciado em 30 de julho de 2006. Assim lemo-nos, amanhã, dia do sexto aniversário deste blogue, com a celebração de uma edição desde a nona capital dentre os nove estados do Nordeste. Votos de um bom domingo a cada uma e cada um.

sábado, 28 de julho de 2012

28.- UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA PRECISA SER SALVA


Ano 6***        Porto Alegre       ***Edição 2187
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Assim como, há um tempo, a protofonia de ‘O Guarani’, de Carlos Gomes anunciava o início de ‘A voz do Brasil’, marcando para muitos a hora de desligar os aparelhos de rádio, a referência aos dois últimos versos da 3ª estrofe do Canto I de ‘Os lusíadas’ de Camões — que abrem o texto — sinaliza uma ordem radical para mudarmos a pauta.
Hoje não haverá a usual dica sabática de leitura. Também, deixo de detalhar algo que nos emocionou ontem, no começo da noite: a Gelsa e eu fomos, enquanto avós, à Escola de Educação Infantil Cinco Estrelinhas ‘dar aulas’ à turma do Pedro (3 anos, filho do André e da Tatiana): a Gelsa, evocando seus tempos de TIPIE (do Instituto de Educação) representando excertos de ‘Pluft, o fantasminha’ encantando às crianças, professoras e (muito especialmente) a mim. Foi lindo ver as crianças depois representando os personagens e o melhor foi receber a doçura de abraços do Pedro.
Como há um assunto mais relevante que se impõe, não comento o show que foi abertura das Olimpíadas, onde o destaque para a releitura da historia da Inglaterra foi o ‘must’. 
A emergência de outro assunto faz que este blogue se junte a uma justa luta. O clamor é da Avaaz: O clamor é da Avaaz:
A comunidade quilombola do Rio dos Macacos está lutando contra o tempo. Em apenas algumas dias, uma ordem da justiça pode tirar a comunidade das terras em que vive há mais de 200 anos. Somente uma grande mobilização popular pode impedir que a pressão da Marinha prevaleça. Junte-se a essa luta agora, e a Avaaz e o defensor público que defende os quilombolas entregarão a petição diretamente para o juiz quando alcançarmos 50.000 assinaturas.
Em poucos dias, 200 anos de cultura tradicional podem ser extintos. A comunidade quilombola de Rio dos Macacos na Bahia pode ser expulsa de suas terras para a construção de uma base da Marinha. Mas a solução para o problema está a nosso alcance!
A Marinha do Brasil quer expandir a Base Naval de Aratu a todo custo, mesmo que tenha que devastar uma tradição centenária e expulsar os quilombolas da região. Os pareceres técnicos do governo já afirmaram que os quilombolas têm direito àquela terra, mas eles só têm validade se publicados — e a lentidão da burocracia pode fazer com que o juiz do caso determine a remoção da comunidade antes que seu direito seja reconhecido. Eles estão com a faca no pescoço e nós podemos ajudar a vencer essa batalha se nos unirmos a essa causa!
Não temos tempo a perder! O juiz decidirá na segunda-feira se retira os quilombolas ou espera a publicação do parecer do governo. A defensoria pública nos disse que somente uma grande mobilização popular pode impedir que a pressão da Marinha prevaleça. Junte-se a essa luta agora, e a Avaaz e o defensor público que defende os quilombolas entregarão a petição diretamente para o juiz quando alcançarmos 50.000 assinaturas.
De acordo com estudos, das três mil comunidades quilombolas que se estima haver no país, apenas 6% tiveram suas terras regularizadas. É um direito das comunidades remanescentes de escravos garantido pela Constituição, e responsabilidade do Poder Executivo emitir-lhes os títulos das terras. A cultura quilombola depende da terra para manter seu modo de vida tradicional e expulsar quilombolas dessas terras pode significar o fim de uma comunidade de 200 anos.
A comunidade do Rio dos Macacos tem até o dia 1º de agosto para sair do local e, após isso, sofrerá a remoção forçada. Entretanto, temos informações seguras que técnicos já elaboraram um parecer que reconhece o direito dos quilombolas, mas ele só tem validade quando for formalmente publicado e a comunidade corre o risco de ser expulsa nesse intervalo de tempo.
No caso do Rio dos Macacos, a pressão popular já funcionou uma vez, adiando a ação de despejo em 5 meses. Vamos nos juntar aos quilombolas e apelar para que o juiz da causa garanta a posse de terra dessa comunidade, e carimbe seu direito de viver em harmonia com suas terras. Assine a petição abaixo para impedir que a lentidão da burocracia acabe com uma comunidade tradicional:
http://www.avaaz.org/po/urgente_quilombolas_em_risco_c/?bxAUMab&v=16624
Cada vez mais temos visto que, quando nos unimos, movemos montanhas e derrotamos gigantes. Vamos nos unir mais uma vez para garantir o direito de terra da comunidade quilombola Rio dos Macacos e dar paz as famílias que moram no local. Juntos podemos alcançar justiça!
Com esperança e determinação, a equipe da Avaaz

sexta-feira, 27 de julho de 2012

27.- AGORA: MULHER EM NOTA DE 100 PESOS ARGENTINO


Ano 6***        Porto Alegre       ***Edição 2186
Primeiro, uma homenagem que devia ter feito ontem, data de São Joaquim e Santa Ana, ditos avós de Jesus: parabéns àquelas e àqueles que já curtem os dulçores do avonado.
A propósito, ainda ontem o escritor paulista Roberto Melo Mesquita, autor de prestigiada Gramática da Língua Portuguesa escreveu: “Ainda que você seja de outra área, sou seu leitor. Aprendi em um de seus livros a usar a palavra 'avonado'. Gosto muito do seu livro ‘Alfabetização Científica’. Grato por ter aceitado nosso pedido de amizade. Prazer enorme ter você ao nosso lado. O Face é mesmo uma alameda sem fronteiras. Um abraço e até qualquer hora. Em tempo, um grande novo ano letivo para nós todos! Fiquei muito orgulhoso ao saber da aprovação de uma das palavras que parece que cunhei.
Em minhas andadas esta semana por Buenos Aires, algo que se percebia era o desprestígio do peso — moeda nacional. As tentativas que se pagasse em dólar era sedutoras. Até o real se fazia valorizado. Eis uma tabela de conversão extraída de uma vitrine na Calle Florida: 1 peso = 7,00 US$ // 7,50 Euro // 2,40 reais. Este comentário se conecta com a notícia que conheci, já retornado: A primeira vez uma mulher aparecerá em uma cédula monetária argentina!”
A Argentina apresentou na quarta-feira (25) uma nova cédula de 100 pesos (cerca de R$ 44) com o rosto de Eva Duarte para comemorar os 60 anos da morte da segunda esposa do presidente da Argentina por três vezes, Juan Domingo Perón, e a quem é atribuída a frase "voltarei e serei milhões".
"Essa é uma obra histórica que consagra uma mulher que marcou não só a vida dos argentinos, mas a história mundial", disse a presidente argentina, Cristina Kirchner, no ato de apresentação da nota. A governante destacou que Evita, cuja morte completou 60 anos nesta quinta-feira (26), "é a primeira mulher que aparece em uma cédula" na Argentina.
Um dia antes da morte de Eva Perón completar 60 anos, a atual presidente da Argentina, Cristina Kirchner, apresentou a nova nota de 100 pesos que traz a imagem de Evita. A nova estampa, assinada pelo francês Roger Pfund — apresentado por Cristina Kirchner como o melhor desenhista de cédulas do mundo —, foi baseada em um esboço não concluído de uma nota de 5 pesos argentinos que começou a ser feita em 1952, após o falecimento de Evita, mas que nunca chegou a ser impressa.
Com a deposição de Perón, em 1955, um empregado da Casa da Moeda decidiu esconder os desenhos para que não fossem encontrados pelos golpistas. Segundo a presidente, há poucos anos o desenho foi encontrado escondido em um móvel da Casa da Moeda e surgiu o projeto de realizar uma nota em homenagem a Evita.
Em 23 de janeiro deste ano, escrevi aqui: EM BUENOS AIRES COM EVITA, relatando a visita que fiz, então, ao museu dedicado a Eva Peron.
Apesar do caráter "comemorativo" inicial, a governante disse que solicitará às autoridades monetárias que tomem todas as medidas para que a cédula de Eva substitua a atual de 100 pesos, que leva o rosto de Julio Argentino Roca, militar por duas vezes presidente da Argentina (1880-1886 e 1898-1904), figura histórica muito questionada pelo governo.
Julio Roca aparece em um topônimo brasileiro. A cidade (e o município) gaúcha do vale do Taquari, de Roca Sales, carinhosamente chamada Roca, que pertencia a Estrela teve seu nome mudado de Conventos Vermelhos para Roca Sales em uma homenagem a um evento de 1899, quando o presidente da Argentina, o general Julio Argentino Roca visitou o Brasil e teve a visita retribuída em 1900 pelo presidente brasileiro, Campos Sales.
Atualmente, já circulam na Argentina duas moedas cunhadas em homenagem a Evita, uma de 1997, feita em comemoração à lei do voto feminino, e outra de 2002, quando se completou meio século da morte da ex-primeira dama, ocorrida em 26 de julho de 1952. "Não é que Eva tenha sido perfeita, não é que tenha sido uma santa. Pelo contrário. O que a transforma em algo maior, em algo inesquecível e imortal, é que foi uma humilde mulher que teve a imensa sorte de encontrar-se com um homem e com um povo", afirmou Cristina.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

26.- JÁ RETORNADO, AINDA INTERNET


Ano 6***        Porto Alegre       ***Edição 2185
Depois de oito dias (5 em Salvador + 3 em Buenos Aires) consecutivos usando redes de internet sem fio precárias e buscando acessos em lobbies de hotel, parece quase um êxtase estar em casa e ter conexão sem colocar senhas, que na maioria das vezes não aceitas. Ainda, em blogada recente, comentei acerca de nossas ‘dependência’ com internet.
Hoje, em um hotel, melhor que uma cama confortável ou um banho reparador, ter uma conexão que funciona passou a ser preferível. O detalhe de se dever ir lobby, depois de um dia de atividades é um complicador, que tem a dificuldade aumentada quando há uma gurizada fazendo reportagens para terceiros pelo Facebook.
Assim curto mais uma vez ‘a minha’ rede. Há sensação de proprietário me faz abonado. É fácil entender — mas, não justificar — os latifundiários.
Esta abertura, ainda sem direção, faz aflorar uma pergunta em duas dimensões: nosso estresse/nossa (quase) angústia em não estar conectados deve-se: A) ¿ao nosso não saber dos outros? B) ¿aos outros não saberem de nós?
Esta sensação de estar quase náufrago em um mar encapelado, inexistia há 10 anos. Quando se está tentando uma conexão, talvez ícone mais olhado seja aquele triângulo retângulo formado (idealmente) por cinco barrinhas, embaixo no canto direito, próximo ao relógio. Quantas vezes, nas conexões débeis, há apenas uma ou duas barrinhas. Quando tentamos uma conexão estabelece-se um rodar que beira à eternidade, enquanto espera para converter-se no desejado triângulo, que se sonha não venha com um impeditivo amarelo ferreteado.
Em nossas andanças este hoje é um dos símbolos indicativos mais desejados: ele está em aeroportos, rodoviárias, trens, ônibus...
Apesar de o termo Wi-Fi ser uma marca registrada pela Wi-Fi Alliance, a expressão hoje se tornou um sinônimo de tecnologia que permite a conexão entre diversos dispositivos sem fio. Amplamente utilizado na atualidade, a origem do termo, diferente do que muito acreditam, não tem um significado específico.
A expressão Wi-Fi surgiu como uma alusão à expressão High Fidelity (Hi-Fi), utilizada pela indústria fonográfica na década de 50. Assim, o termo Wi-Fi nada mais é do que a contração das palavras Wireless Fidelity, algo que se traduzido não representa muito bem a tecnologia em questão.
Um logo ainda mais desejado que o anterior é este, que indica que estamos em zona na qual não se precisa pagar para usar internet.
A cobrança de internet nos hotéis não tem lógica, pois não há consumo de nenhum bem material. Seria racional — mas claro que não defendo isso — que hotéis cobrassem pelo consumo de água ou energia elétrica, pois nessas situações há um consumo material. Não seria um despropósito se um hotel cobrasse pelo uso de elevador, tendo taxas diferenciadas pelo número de andares utilizados. Hoje há campanhas como esta. Tomara que isto se torne realidade.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

25.- ¡HASTA BREVE, BUENOS AIRES!


Ano 6*** BUENOS AIRES ***Edição 2184
Na madrugada desta quarta-feira, a Gelsa e eu iniciamos o retorno a Porto Alegre. Foram três dias muito especiais. No meio da manhã devemos estar chegando a Porto Alegre.
Nos relatos de um viajor, para ontem cabem dois movimentos: um Mosteiro que se faz descoberta inesperada e uma aula para cerca 50 alunos do curso de doutorado em Direito da Faculdad de Derecho de la Universidad de Buenos Aires. Falo primeiro da aula e depois do Monastério.
Na aula mostrei para brasileiros (em sua maioria), chilenos e colombianas que ¿Es la Ciencia masculina? ¡Así es, señora!... Foi muito impressionante a atenção que mereci e os pedidos que prosseguisse nesta quarta-feira minha exposição. Só em Buenos Aires, esta foi a quarta vez, em três Universidades diferentes, que fiz esta mesma fala. Certamente esta foi aquela das quatro que me saí melhor. Sou muito grato ao Prof. dr. Enrique del Percio, que me convidou para esta atividade e ainda me brindou com uma charla de quase duas horas como ‘el postre’ da tarde-noite.
Uma referência a Faculdad de Derecho da UBA, que tem 54 mil alunos na graduação e 2 mil alunos no doutorado. O prédio da Faculdade não é apenas o ícone da UBA, como também é representação física da criação do peronismo de universidade gratuita para todos, algo odiado pela aligarquia que queria Universidade apenas para os possuídos.
Mas quero contar, como encerramento, um prêmio porteño que recebi no final da manhã de ontem. Ao deixar uma excelente livraria na Galeria Pacífico, deparo-me, por acaso com o Monasterio de las Catalinas, ou Mosteiro de Santa Catarina de Siena, em anexo à Igreja de Santa Catarina de Siena, próximo a rua Córdoba, no Retiro.
Visitei, então, aquele que foi o primeiro mosteiro para mulheres na cidade de Buenos Aires. Uma das mais antigas e prestigiadas obras da arquitetura religiosa da cidade, durante sua época colonial e está intimamente ligada à história do país. A igreja e o convento, sem ser ainda concluídos, foram inaugurados em 21 de dezembro de 1745.
Li algo acerca da história, como por exemplo, para entrar no convento das normas estabelecidas pelo Conselho de Trento (1545-1563) exige vocação de vida e costumes morigeradas [o Priberam ensinou-me que: Que tem bons costumes ou vida exemplar] pelo menos quinze anos de idade, aptidão física para observar as regras, não ter pertencido a uma outra ordem, não ser casado, a legitimidade de nascimento, limpeza do sangue e do pagamento de um dote.
Vale ver o elitismo (= racismo) da Igreja para a limpeza ou a pureza de sangue. Havia uma capital necessidade para ser admitido como professo ao monastério: não ser escravo ou mulato ou mestiço, não ter ascendência muçulmana ou judia e não ter hereges na história familiar.
Se posteriormente fossem verificadas estas condições, o hábito e a profissão eram considerados inválidos. As poucas exceções foram admitidas como: os pais eram espanhóis e solteiros no momento da concepção.
O dote era uma soma de dinheiro que a candidata à freira deveria entregar ao mosteiro antes de fazer profissão. Dotes das freiras eram para ser pagos em prata e a soma era de 500 pesos para o véu branco e variava entre 1500 e 2000 pesos no caso de véu preto. E, ainda, mais de 300 pesos para o uso de uma cela individual. O valor do dote era aplicado a uma taxa de 5% e a renda produzida é utilizada para vestuário, calçado, alimentação, despesas médicas (farmácia, sangrador) e capelão. Este era remunerado para ouvir em confissão — no Monastério podem-se ver os confessionários com grades pelas quais as freiras não podiam ver o capelão-confessor.
Na alegria de ter cada uma e cada um como leitores neste breve périplo porteño. Amanhã nos lemos de Porto Alegre, pelo menos nossos próximos quatro dias. Até, então.

terça-feira, 24 de julho de 2012

24.- MAIS UMA PITADA DE BUENOS AIRES


 

Ano 6***        BUENOS AIRES           ***Edição 2183
Se narrei ontem acerca de um domingo de um domingo com sol brilhante e céu azul, a segunda-feira foi plúmbea e fria. A segunda-feira teve envolvimento no alinhavar a aula que darei para a uma turma de doutorado em Direito na Universidad de Buenos Aires, por convite do meu amigo Enrique del Pércio. 
[Monumento formando por uma tulipa cujas pétalas se fecham por energia solar junto a Faculdade de Direito da UBA] Quando desenhava esta edição lembrei-me do que foi imposto aos editores de jornais à época da ditatura. O jornal estava pré-pronto e o censor vetava certa matéria, muitas vezes, ocupando significativa área da primeira página. Ali era então inserido, descontextualizado, uma receita de pizza ou versos de um poema de Camões.
Precisava um texto para cumprir este blogar de cada dia. À época não havia Wikipédia, que me foi musa inspiradora da blogada de hoje.
Faltava-me tempo e não tinha inspiração para descrever o estar em livrarias ou as caminhadas pelas ruas da maior e mais importante cidade da Argentina, figurando como a segunda maior área metropolitana da América do Sul, depois da Grande São Paulo; ou a terceira maior aglomeração urbana da América Latina, com mais de 13 milhões de habitantes (2010), superada somente pela Grande São Paulo e pela Grande Cidade do México.
E, na busca destas informações aprendo que a cidade de Buenos Aires não faz parte da Província de Buenos Aires e nem é sua capital, mas sim, é um distrito federal autônomo. A Grande Buenos Aires, como é chamada sua região metropolitana é considerada uma cidade global alfa pelo inventário de 2008 da Universidade de Loughborough [GaWC= Cidade global (também chamada de cidade mundial, cidade alfa ou centro mundial) é uma cidade considerada um ponto importante no sistema econômico global. O conceito vem dos estudos urbanos e da geografia e se assenta na ideia de que a globalização criou, facilitou e promulgou locais geográficos estratégicos de acordo com uma hierarquia de importância para o funcionamento do sistema global de finanças e comércio.).
Sempre tive curiosidade não respondida acerca da origem do nome. Leio que na primeira fundação Pedro de Mendoza chamou o local de Real de Nuestra Señora Santa María del Buen Aire para cumprir a promessa que fizera para a Patrona dos Navegantes na Confraria dos Marinheiros de Triana, da qual ele era membro. Em efeito, "Buen Aire" é a castelanização do nome da Virgem de Bonária, ou Virgem da Candelária, a quem os padres da Ordem de Nossa Senhora das Mercês haviam levantado um santuário para os navegantes em Cagliari, na Sardenha, e que era venerada também pelos navegantes de Cádiz, na Espanha.
Por muitos anos se lhe atribuiu o nome a Sancho del Campo presumível autor da frase: ¡Qué buenos aires son los de este suelo!, pronunciada ao desembarcar na região. No entanto em 1892, Eduardo Madero após realizar exaustivas investigações nos arquivos espanhóis terminaria por concluir que o nome estava intimamente relacionado com a devoção dos marinheiros sevilhanos por Nossa Senhora dos Bons Ares.
Aqui, é usual, referir-se a cidade com distintas denominações além de Buenos Aires. O nome de Capital Federal ("Cap. Fed.") é um dos mais utilizados, sobre tudo para diferenciá-la da província homônima, em alusão a condição de distrito independente que adquiriu com a lei de Federalização. Muitas vezes também se utiliza o termo "Cidade de Buenos Aires", ou essencialmente "Buenos Aires", ainda que este último se presta a confusão com a província na qual a cidade se encontra em forma de enclave.
O nome de Cidade Autônoma de Buenos Aires ("CABA") é um dos títulos que oficialmente a Constituição da Cidade sancionada em 1996 lhe deu. Informalmente apenas denominar-se Baires, apócope da forma original, comum dentro da cidade (especialmente entre os jovens), mas pouco utilizado no interior do país. Poeticamente também se lhe tem atribuído numerosos nomes, como A Paris da América Latina por sua beleza arquitetônica e seu caráter cultural, ou Cabeça de Goliat segundo uma novela de Ezequiel Martínez Estrada, por seu tamanho e influência desproporcionada sobre o resto do país e também A Rainha do Prata.
Desejo a cada uma e cada um uma boa terça-feira, que para mim será o terceiro (e último) dia completo desta minha esta estada portenha.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

23.- ACERCA DE UM DOMINGO PORTEÑO



Ano 6*** BUENOS AIRES ***Edição 2182
Como na semana passada este blogue se fez um diário de cinco dias soteropolitanos, agora trago relatos de uns poucos dias porteños. Depois de trazer ontem um aperitivo iconográfico das livrarias, que neste domingo já degustei um pouco, esta edição conta algo do dia de ontem.
O 22 de julho foi ensolarado e frio com ‘cielos despejados’ ou céus sem nuvens. Vou dividir os relatos em três tempos. Nos mesmos, a Gelsa e eu tivemos a companhia da Edla Eggert, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos, que com a Gelsa está ministrando um curso no Doutorado em Educação da Universidad Nacional Tres de Febrero.
Pela manhã fizemos uma caminhada do hotel em direção à Plaza de Mayo para vermos um dos ícones da capital argentina: La Casa Rosada. No trajeto nos encantamos com muitos prédios históricos, onde destaco a visita que fizemos à Basílica de Nuestra Señora de la Merced (conhecida como Iglesia de la Merced), um dos templos católicos mais antigos da cidade de Buenos Aires. Encontra-se junto do grande Convento de São Raimundo Nonato, localizado a poucos metros da Plaza de Mayo. Surpreendeu-nos na muito linda basílica, o muito pequeno número de fiéis que assistiam a missa dominical: talvez uma dúzia se contarmos o celebrante.
Na Plaza de Maio, hoje também a city financeira da capital, além da imponente sede do governo de onde comanda o país a odiada/amada Cristina Kirchner, vimos um cenário com muitas manifestações, das quais as conhecidas ‘abuelas de la Plaza de Mayo’ são marca histórica. Os trinta anos da Guerra das Malvinas é um dos protestos atuais mais vigorosos. Há, ainda, uma repetida frase, vista também em outros pontos da cidade: “¡Llega de hambrear los jubilados!” ou ”Chega de fazer os aposentados passar fome!”
Ainda na Plaza de Mayo, fomos ao encontro de duas colombianas alunas do Curso da Tres de Febreo, que estavam em uma movimentada celebração da data nacional da Colômbia. Associamo-nos à centena de participantes, quando pudemos saborear comidas típicas e ver e ouvir danças e músicas colombianas.
O segundo movimento foi a visita que fizemos ao imponente e moderno MALBA (Museu de Arte Latino-americano de Buenos Aires), quando ao lado da muito selecionada coleção permanente pudemos apreciar uma exposição temporária muito significativa: Desenho da história moderna.
Como consta no material de divulgação da exposição, trata-se da primeira grande retrospectiva de Fernando Bryce na América Latina. Bryce é peruano, nascido em Lima, em 1965 e vive e trabalha em Berlim. É um dos artistas peruanos mais reconhecidos internacionalmente. Esta exposição reúne pela primeira vez muitas das séries de desenhos do artista. Ela inclui 19 obras, composta por mais de mil peças, realizadas entre 1997 e 2011, provenientes de coleções públicas e privadas na Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Peru e Suíça.
Desde finais dos anos noventa, Bryce produz um extenso corpo de trabalho a partir de livros de pesquisa de arquivo e documentos para a construção de novas formas de representação da memória histórica. Seus trabalhos funcionam como capítulos distintos de um quadro maior de uma história abrangente geral, mas sempre incompleta. Bryce se concentra nas grandes histórias em acontecimentos históricos e os processos-chave do mundo: as realizações do imperialismo europeu, revoluções, guerras e debates ideológicos da Guerra Fria. Em resumo, o desenvolvimento de ideologias internacionais do comunismo e do capitalismo em sua definição de disputas políticas do século 20. Seu método, que chamou anteriormente como "mimético análise" - é baseado em cópias de documentos oficiais, imagens imprensa , propaganda política ou propagandas, articulando uma série de desenhos que as relações de poder e de revisão a cobertura da mídia na história do século 20. 
O coroamento do dia foi assistir à peça “Divorciadas, evangélicas y vegetarianas”, cuja síntese (extraída do folheto de divulgação) conta que em uma estação de trem, Beatriz, recentemente divorciada e com um filho, não encontra outra saída para sua vida senão o suicídio. Gloria, que foi violentada por um homem casado, salva a vida de Beatriz. Meche, a terceira personagem, é lanterninha de cinema e viúva duas vezes. Evangélica por herança de seu último marido. As 3 mulheres se encontram e estabelecem uma amizade marcada por momentos hilariantes que provocam reflexões sobre a condição feminina. 

domingo, 22 de julho de 2012

22.- UM DOMINGO EM BUENOS AIRES



Ano 6*** BUENOS AIRES ***Edição 2181
Quando esta edição entrar em circulação, devo estar chegando a Buenos Aires. No retorno Salvador/Guarulhos/ Porto Alegre fizemos um pós-ENEQ, pois erámos mais de uma dezena de gaúchos no mesmo voo. Também discutimos o 32º EDEQ, que será em 18 e 19 de outubro na UFRGS.
Minha estada na Morada dos Afagos foi de um pouco mais de duas horas. O Bernardo queridamente me levou ao Salgado Filho.
Aqui reencontro a Gelsa, que há seis dias chegou da Coreia e desde quarta-feira está lecionando no doutorado em Educação na Universidad Tres de Febrero. Ficamos até quarta-feira, sendo que na segunda e terça feiras, atendo convite de meu colega e amigo Enrique del Percio, e como já fizera em janeiro, estou com ele em classe em turmas de Doutorado em Direito na Universidad de Buenos Aires e na Universidad Nacional de Lomas de Zamora.
Esta oportunidade de estar uma vez nesta cidade me acende o imaginário de suas livrarias, nas fotos, a El Ateneo, como um aperitivo. Há um tempo penso em escrever um livro: Geografia sensual, que seria formado por 31 crônicas acerca daquilo que mais me envolveu em cada uma de algumas das muito pequenas e grandes cidades que já estive. Falaria da Biblioteca de Alexandria, das estações do Metro de Moscou, das igrejas de Saint Petersburgo... das livrarias de Buenos aires, Talvez, inicie por esta estada aqui,
Encerro esta domingueira porteña com algo muito pitoresco que meu colega Otávio Maldaner, contou-me ontem à tarde quando voámos rumo a Porto Alegre. Há não muito, ele a Maridalva faziam uma viagem na qual houve uma escala de um dia em Buenos Aires. Ao chegar ao hotel, ao abrir uma das malas encontram um crachá de um funcionário do aeroporto de Ezeisa. Isto é o ladrão deixou rastros, mesmo sem ter roubado nada. No dia seguinte, o Maldaner — sempre paladino da cidadania —, ao reembarcar no aeroporto, procura a polícia, para registrar a ocorrência. Ouve: “O senhor não precisa fazer nenhum registro! Nós mesmos devolvemos!”
Com votos de um bom domingo, um afago em cada uma e cada um. Amanhã nos lemos desde esta cidade tão intensamente atrativa.

sábado, 21 de julho de 2012

21.- DICA SABATICA EM DIA DE TRANSLADOS



Ano 6*** SALVADOR ***Edição 2180
Mais um ENEQ terminou. Na minha fala de ontem, como nas duas outras, aproveitei para ampliar as denúncias contra as exigências descabidas dos CEPs, que com os exigentes TCLEs entravam pesquisas.
Na assembleia de encerramento foram apresentados e aprovados por aclamação, aplaudida de pé, dois manifestos de repúdios: um, ao governo estadual da Bahia, pelas injustiças que comete contra professoras e professoras, há 101 dias em greve, que já vivem dolorosas privações e outro, ao governo federal, pela calamitosas situações das universidades e institutos federais, há mais de dois meses de greve.
Hoje é um sábado de translados. Deixo Salvador na metade da manhã, para chegar, depois de uma escala em Guarulhos, à Porto Alegre na metade da tarde. À noite viajo a Buenos Aires, onde devo chegar quase no ocaso deste sábado.
Cumpro os rituais sabáticos: neste blogue é usual oferecer uma dica de leitura. Refiro isso, pois aqui em Salvador amealhei novos leitores.
Na madrugada de quarta-feira, quando iniciava a partida, disse-me: ‘Falta algo para leitura de bordo!’ Corri olhos em aquisições mais recentes. Precisava algo leve: material e espiritualmente. Elegi um que havia comprado em ‘queima de estoque’ em uma livraria virtual. Parecia palatável.
Como em meu voo não era permitido abrir um notebook, pelo ensardinhamento a que são submetidos os passageiros, pude em diferentes momentos de Porto Alegre/Guarulhos/Salvador ler Os Wessel, uma história sem cortes, que em 200 páginas ilustradas com fotos de época, narra a saga da família desde a vida nos campos de concentração durante a II Guerra Mundial à fuga da Hungria ao Brasil em 1956. Conclusão: acertei, na eleição da leitura de bordo e por tal ela se faz dica de leitura deste sábado viajor.
WESSEL István. Os Wessel, uma história sem cortes. São Paulo: Francis, 2004. 202p, 235X163x16mm. (Preços variados em diferentes mercados na Internet) ISBN 85-89362-38-8
István Wessel pertence a quarta geração de uma família de açougueiros húngaros e que elevou à categoria de grife e hoje pertence a história das carnes e das letras no Brasil.
Dedicou-se sempre a promover a marca através de constantes inovações no ramo das carnes e paralelamente, nos últimos vinte anos, trabalhando como colaborador em jornais, revistas, rádio e televisão da chamada grande imprensa.
Entre suas atividades ele destaca em sua página: Diretor da Carnes Wessel e Colunista na BandNews FM. Cursou Administração na FGV e Hotelaria em Cornell – USA.
Além do resenhado aqui hoje publicou: Segredos da Família Wessel - O livro sobre carnes - São Paulo: Melhoramentos; Cozinha Húngara - São Paulo: Melhoramentos; Wessel - Os segredos da carne - São Paulo: DBA & Melhoramentos; Churrasco - Dando nome aos bois - São Paulo: Cia. Editora Nacional e Chefes do coração (co-auotria) - São Paulo: Ateneu.
Livro hoje trazido como sugestão foi lançado em 2004 pelo gourmet e empresário e mostra a saga de sua família húngara que trouxe uma tradição centenária, no envolvimento com carnes que faz sucesso hoje.
Trouxe algo do autor. Para dizer do livro, trago excertos de um texto de Carlos Sambrana
O ano: 1933. O endereço: Tata, uma pequena aldeia na Hungria. Ali, o jovem Lázló Wessel, de 18 anos, participava de um exame público para provar que era um açougueiro completo, capaz de trabalhar com todos os tipos de carne. Era um evento que mobilizava toda a cidade. Lá estavam os “hentes” (profissionais especializados no corte da carne de porco) e os “mészaros” (mestres no trato bovino). Um time de jurados avaliava o desempenho do rapaz. Se bem-sucedido, teria a tão esperada permissão para trabalhar no ofício. Numa das provas, deveria, com suas próprias ferramentas, abater um boi, um vitelo e um porco. Em seguida, tinha de retalhá-los, preparar os variados tipos de frios e ainda realizar um teste de atendimento no balcão. Passou no desafio, o mesmo realizado por seu pai e seu avô um século antes, com louvor. Lázló virou gente grande.
Um corte no tempo. 2004, São Paulo. O filho de Lázló, István Wessel, também teve que provar o seu talento no trato com as carnes. Hoje, ele é um dos únicos em todo o Brasil a servir comida de primeira em restaurantes cinco estrelas e lanchonetes com hambúrgueres. Nas duas pontas, transformou-se em referência para seus pares. Mais do que isso, trouxe para o século 21 a destreza que corre no sangue da família Wessel desde 1830. São quase duzentos anos de segredos passados de pai para filho. Detalhe: a profissão aparece gravada nas certidões de nascimento dos membros do clã. Algumas das histórias marcantes desta dinastia de açougueiros pode ser acompanhada no recém-lançado livro Os Wessel, uma história sem cortes. Em 200 páginas ilustradas com fotos de época, István narra a saga da família desde a vida nos campos de concentração durante a II Guerra Mundial à fuga da Hungria comunista em 1956. A partir daí, a vida no Brasil é uma história de sucesso. “Não tinha a idéia de publicar um livro”, diz István Wessel. “Só queria deixar as recordações para a família.”
Se a Hungria perdeu um dos maiores especialistas no corte de carne, o Brasil ganhou muito com a chegada dos Wessel. Vale apena conhecer uma história que tem muitos cortes.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

20.- RESCALDOS SOTEROPOLITANOS



Ano 6***   SALVADOR   ***Edição 2179
A blogada deste quarto dos cinco dias soteropolitanos se faz com rescaldos de alguns detalhes ainda não narrados destes quatro dias de XVI ENEQ. O quinto, o sábado será de retorno.
Os tópicos elencados não trazem ordem de relevância ou de cronologia. Seguem no aflorar recordações destes dias.
Ø Tarde de quarta: poucos fazeres do meu mundo encantam-me como aquilo que realizei, de uma maneira quase acidental, por mais de três horas na tarde de quarta-feira. Como não tinha fala, fui ao campus de Ondina da UFBA, para assistir apresentações. Quando passei pela República do Saber, do agente cultural Carlos Roberto Feltrin, que há muito é um competente livreiro, fui solicitado a autografar um livro. Fi-lo. Logo se instalou uma mesa e se organizou uma fila. Terminei passando agradáveis momentos, conversando e autografando (e faço isto com vagar, procurando saber algo de cada leitor para personalizar a dedicatória). Houve muita tietagem com fotos individuais e em grupo (!para o Face, Professor!). Surpreendeu-me a aquisição de mais de três dúzias de Memórias de um professor: hologramas desde um trem misto. Pelo menos quatro pessoas compraram exemplares para presentear orientadores. Este livro foi superado pelo Alfabetização científica: Questões e desafios para a Educação. Também foram autografados para os mais diversos estados do Brasil A Ciência é masculina? É, sim senhora! e Para que(m) é útil o ensino? Não havia oferta de A ciência através dos tempos nem Sete escritos sobre Educação e Ciências.
Ø Noite de quarta: Na programação estava jantar por adesão no Restaurante Escola do Senac, no histórico Largo do Pelourinho. Cedo se esgotaram os 180 lugares disponíveis. Um desfile de dezenas de pratos típicos da culinária baiana. Na manhã seguinte, ao café, comentávamos que se tivéssemos apenas ficado no ônibus circulando teríamos nos divertido mais. A ida e volta à Baixa do Sapateiro foi o melhor da noitada. Então, parecíamos um bando de colegiais de um 5º ano em dia de saída para visitar um museu. É bom voltar a ser criança!
Ø Tarde de quinta: No anoitecer de ontem, participei de uma sessão de temas em debates: Desafios para o Professor do Século XXI em pareceria com minha colega de há muito, Djalma Andrade do Departamento de Química da Universidade Federal de Sergipe. Não foi uma fala que ‘não me gostei’: um auditório improvisado, ao ar livre, lotado. A apresentação teve as imagens alteradas. Depois de minha fala e de Djalma houve produtivo debate. Após, por uma hora autografei livros e tirei dezenas de fotos. Já foram vendidos, nos dois dias, mais de 70 Memórias de um professor: hologramas desde um trem misto. Nestes dois dias, entre todos os livreiros, constata-se ser o livro mais vendido do XVI ENEQ, que é significativo, considerando ser dos livros mais caros a venda. Lateralmente, uma propaganda: em www.professorchassot.pro.br na livraria virtual ainda há uma oferta especial do mesmo.
Ø Tarde de sexta: Hoje, espero que não mesmo local, participo de outra sessão de tema em debate: Gênero e Ensino de Química terei então a pareceria da Dra. Nadja Paraense dos Santos (UFRJ). Antecipo que vivo esta sessão com expectativa.
Ø Internet: Nos dias atuais, quando fizemos a admissão em hotel, não questionamos mais sobre a qualidade dos travesseiros ou espessura das toalhas. Não perguntamos se a vista é para o mar ou para a área de serviço dos prédios vizinhos. A qualidade da internet é prioritária para conectarmo-nos com nossa ‘escrivaninha de trabalho’. Já me parece um despropósito ser cobrado este acesso, mas mais dramático quando esta internet não funciona. Vivi aqui em Salvador estresses dispensáveis. Graças a generosidade de uma colega que estava em outro andar e me emprestou senha e de outra que me emprestou um 3G, abrandei minha desdita. Ao saber disso o José Luís, coordenador do evento, decretou WiFi livre aos participantes do ENEQ. Agradeci-lhe dizendo que não era sem razão que os alienígenas estão encantados com as fidalguias das baianas e dos baianos.
Ø Próximo ENEQ: Pelos debates (e também conchavos) de bastidores, o 17º Encontro Nacional de Ensino de Química deverá ser, em julho de 2014 (mês questionável devido a um evento paralelo que se fala ocorrerá no Brasil) na Universidade Federal de Ouro Preto.