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sábado, 31 de janeiro de 2015

31.- DESDE A PRECIOSA CRACÓVIA


ANO
 9
C R A C Ó V I A – Polônia
EDIÇÃO
 3007

Estamos pela primeira vez na encantadora Cracóvia, fundada por volta do ano 700. Esta deve ser a 36ª cidade no exterior onde este blogue é postado. Esta é a 4ª das cinco edições previstas para as férias de 2015.
Chegamos aqui no último domingo, no começo da tarde. Nevava muito. A viagem de trem, com duração de pontualíssimas 2,5 horas merece pelo menos dois comentários: 1) internamente um conforto melhor que na primeira classe de um avião. 2) no exterior, cerca de 320 km de linda paisagem totalmente branca pela neve que caia desenhando um cenário de presépio.
Mesmo com intempéries, era preciso ver logo a parte da cidade tombada pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Na tarde de domingo vivi um dos dias com neve dos mais adversos (se comparado com situações de neves mais intensas vividas, por exemplo, em Estocolmo e Aalborg). Mesmo nestas condições já sentimos a pujança de uma cidade com cerca 850 mil habitantes.
Trago, a seguir, breves relatos de alguns destaques nas atividades de dias desta semana, na qual o sol, que Copérnico — um dos filhos mais ilustres desta terra alçou a centro do Universo — foi o grande ausente.
Na segunda-feira, o ponto alto foi a visita ao excelente museu em que foi transformada a Fábrica de Esmaltados 'Emalia', na rua Lipowa, n. 4, de Oskar Schindler#. A proposta museológica é retratar — faz isso com competência — o período 1939—1945, que Cracóvia, sob ocupação nazista, foi capital da Polônia ocupada.
# A Lista de Schindler (Schindler's List) um filme estadunidense de 1993 sobre Oskar Schindler, um empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto ao empregá-los em sua fábrica. O filme foi dirigido por Steven Spielberg. O filme foi um sucesso de bilheteria e recebeu de sete Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor (Spielberg), como também muitos outros prêmios. É considerado pela crítica especializada como um dos melhores filmes já feitos.
O museu ocupa o prédio da administração e extensa planta fabril, no distrito industrial na rua Lipowa, n. 4, da cidade de Zablocie na margem direita do rio Vístula. Exposições com artefatos de época, fotos e documentos com multimídia e diversos arranjos de impressionante qualidade, são uma tentativa bem sucedida de criar uma experiência de imersão total no clima de dominação e de tortura engendrado pelos nazistas.
A presença nazi na cidade foi tão radical que até o nome foi mudada para Krakao. Como fora trazido uma imensa quantidade de pessoas para a ocupação, as residências da Alemanha de poloneses eram visitadas e seus moradores recebiam ordem de desocupar o prédio, levando apenas os pertences pessoais (moveis deviam ser deixados). O não cumprimento da ordem podia significar pena de morte.
A mostra começa na Cracóvia dos anos 1930, em um ateliê de fotografia. Nas fotos, pode-se observar mulheres chiques passeando pelas ruas e judeus bem-humorados a caminho da sinagoga. A atmosfera era descontraída no pré-guerra.
No dia 6 de setembro de 1939, soldados alemães invadiram Cracóvia, cuja história durante a Segunda Guerra é contada de forma cronológica. Assim o visitante da exposição fica sabendo que 184 professores da universidade Jagiellomiam convocados para aula inaugural, foram presos e deportados pelos nazistas em 6 de novembro de 1939. Depois, o visitante é levado a um bunker, ao gueto dos judeus e à estação central da cidade, de onde a população judaica era deportada.
A exposição, concebida por cenógrafos e diretores de teatro, é composta de enormes painéis de parede em tamanho natural, displays digitais e telas multimídia, que auxiliam o visitante a compreender melhor as atrocidades daquele tempo através de ferramentas visuais e acústicas.
Mesmo tendo ainda visto palácios, sinagogas, catedrais, igrejas, zonas do gueto nada superou o Museu da Fabrica de Oskar Schindler.
Na terça-feira saímos com neve e temperatura de cerca menos 10 graus. Vimos igrejas, galerias e museus no centro histórico. Mas o ponto alto foi ao MOCAK Museum of Contemporary Art in Kraków, inaugurado em maio de 2011, onde vimos exposição de arte contemporânea polonesa que desconhecíamos e nos encantou.
Neste 27 de janeiro, Cracóvia, mais especialmente Oswiecim, esteve movimentada de maneira excepcional com a celebração dos 70 anos de liberação dos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau. Isto reuniu aqui, cerca de 300 sobreviventes e entre outros representantes de 44 países. Houve, então, cenas muito emocionantes.
Na quarta-feira estive em Auschwitz e Birkenau. Quase que deveria sustar aqui meu registro. São inenarráveis as emoções. As velas depositadas pelas comemorações dos 70 anos dia anterior, antes referidas, ainda estavam acessas; as flores não haviam murchado.
Vivi por mais por cerca de 1,5 hora em cada dos dois campos de extermínios momentos por demais emocionantes Estar em cenários que de maneira tão densa documentam uma das maiores barbáries, de todos os tempos, cometidas por humanos contra milhões de crianças, mulheres e homens infundiu-me tamanha dor que parece deveria apenas fazer silêncio.
Em Auschwitz, com 28 prédios, por exemplo, contemplar locais dos banhos antes do acesso a câmaras de gás e depois a crematórios. Conhecer o paredão das execuções e as forcas. Impressionar-me com as tentativas (muitas vezes frustradas) de resistências. Ver locais de experimentos promovidos em mulheres e crianças. Percorrer vitrines com toneladas de sapatos (de crianças, de mulheres, de homens) de óculos, de próteses, de louças e esmaltados, de malas endereçadas, de roupas de bebes e crianças fere-nos tão profundamente que parece que vivemos um pesadelo.
Em Birkenau — um dos 45 campos satélites de Auschwitz, que chegou a ter 300 barracões — caminhar sobre a neve e entre árvores desnudas ver numa extensa área de 175 hectares dezenas de chaminés de crematórios é tão incrível que parece estarmos vendo um filme de ficção.
Não tenho condição de narrar mais nada. Se algum leitor quiser saber mais acerca 1,3 milhões de pessoas que morreram ali: a maioria gaseificada e 500.000 de fome e doenças, sendo 90% deles de judeus. Outros deportados e executados ali foram 150 mil poloneses, 23 mil ciganos romenos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos, cerca de 400 Testemunhas de Jeová e dezenas de milhares de pessoas de diversas nacionalidades, basta colocar em qualquer buscador a palavra que não cessa de martelar em meus ouvidos
: Auschwitz.
Na quinta-feira, depois do pesado dia anterior, fizemos aquela que é tida como a maior atração turística polonesa e sem similar no Planeta: visita à mina de sal de Wieliczka. Ela está localizada a 15 km a sudeste da cidade que pertence à região urbana de Cracóvia. Ela está incluída na lista da Unesco de Patrimônios da Humanidade. A produção industrial de sal estendeu-se do século 13 até anos recentes; na atualidade sua vocação é 100% voltada ao turismo.
A visita inicia-se com a descida de uma escadaria em madeira 54 lances de sete degraus cada (378 degraus). Depois se continua descendo para chegar a profundidade de 135 metros, descendo um total 820 degraus (muitos deles feitos de sal) percorrendo mais de 2,5 quilômetros, em mais de 1 hora. A volta se faz em um elevador que ascende em cerca de 50 segundos. Este último dado é para se avaliar o potencial turístico do investimento.
Em seu interior encontram-se dezenas de esculturas, baixos relevos e até uma igreja completa, que levou 30 anos para ser terminada. Muito dos trabalhos originais foram feitos pelos próprios mineiros, mas recentemente escultores profissionais passaram a produzir obras aqui.
Há destaque para monumentos (todos de sal) de alguns dos visitantes mais ilustres. Assim há uma câmara em que se homenageia um dos seus primeiros visitantes ilustres: Nicolau Copérnico (ao lado). Também há uma imensa escultura em homenagem a Goethe, como um reconhecido cientista. Na capela principal, onde há missas dominicais, com imensas esculturas e lustres todos de sal. Nesta linda capela, a 135 metros de profundidade há uma escultura de São João Paulo II, que visitou a capela várias vezes, antes de ser papa, especialmente enquanto arcebispo de Cracóvia.
Há também junto à capela, salões para diversos eventos como casamentos, formaturas, banquetes. Há clinicas de repouso e até locais para crianças passar uma noite na mina.
Há uma lenda que explica a origem da mina: Santa Cunegunda#, filha de um rei húngaro, foi prometida ao rei da Polônia. Ao receber do pai, como dote, muito ouro e pedras preciosas, recusou-as, dizendo que tinham origem nas lágrimas e no sangue do povo. Em vez de riquezas, pediu sal, um bem essencial. Seu pai ofereceu-lhe então uma mina de sal na Transilvânia. Em homenagem ao presente, Cunegunda atirou o seu anel para dentro da mina. Mais tarde, 
já na Polônia, realizou uma viagem por Cracóvia, chegando à zona de Wieliczka, pediu aos seus súbditos que cavassem um buraco profundo. Para espanto de todos, o buraco continha sal em abundância. E continha também o anel que Cunegunda deixara na Transilvânia. A partir dessa altura, as minas passaram a ser exploradas e tornaram-se da maior importância na Europa. Esta lenda está representada numa das galerias da mina, através de esculturas realizadas pelo mineiro Mieczyslaw Kluzek.
#Santa Cunegunda (1224-1292). Rainha da Polônia Virgem e religiosa. Canonizada por João Paulo II em 1999, sendo declarada padroeira dos mineiros. Casou-se com Boleslau V, o Casto, príncipe de Cracóvia, em 1239, vivendo com ele durante 40 anos em virgindade: durante a vida do casal, o casamento nunca foi consumado por decisão do casal, para servir melhor a Jesus Cristo.
Na sexta-feira, visitamos o Museu Judaico da Galícia quando aprendemos muito sobre 800 anos de presença judia na Cracóvia.
O acervo do Museu se destaca por um acervo de fotos reveladoras da cultura judaica, dos locais do Holocausto e das modernas interpretações do que significa ser judeu na Cracóvia.
Este museu moderno foi inaugurado em 2004. Ele se localiza em uma antiga fábrica judaica e foi criado pelo fotojornalista Chris Schwarz, que desejava comemorar a vida judaica na cidade da Cracóvia. Em vez de expor fotos e relíquias antigas, a exposição principal do museu contém seleções de mais de 1.000 fotos tiradas durante 12 anos, desde o início da década de 1990. O enfoque são as perspectivas modernas de eventos históricos e a cultura judaica da cidade. Após a visita fizemos um passeio por outros locais judeus da Cracóvia.
Na noite de ontem fizemos uma saída especial para quase dar um adeus a esta linda cidade que nos acolhe desde domingo. Os encantamos com estes dias e cabia uma despedida especial.
Na manhã deste sábado, nossa programação prevê a visitação de museus do Collegium Maius (Grande Escola), na parte antiga de Cracóvia. É o prédio mais antigo da Universidade Jaguelônica (polonês: Uniwersytet Jagielloński) que está classificada dentre as universidades de elite da Europa. Foi fundada em 1364 por Casimiro III, o Grande como Akademia Krakowska e desde então está entre as mais antigas universidades da Europa e do mundo, a segunda mais antiga da Europa Central (depois da Universidade de Praga).
Casimiro III percebeu que a nação precisava de uma classe de pessoas instruídas, especialmente advogados, que podiam codificar as leis e administrar os tribunais e cargos de governo no Estado unificado. Ele também observou que o número de paróquias estava aumentando e suas 3 000 escolas estavam com falta de professores. Seus intensos esforços em fundar uma instituição de ensino superior na Polônia foram recompensados em 1364, quando o Papa Urbano V lhe deu a permissão para criar a Academia Cracóvia. Seu desenvolvimento foi protelado pela morte do rei e mais tarde a universidade foi reinstalada (1400) pelo Rei Wladislaus Jagiełło e sua esposa Jadwiga. A rainha doou todas as suas joias pessoais para a universidade, possibilitando com isso a matrícula de 203 estudantes. No fim do século, cerca de 18 000 estudantes, muitos deles estrangeiros, 50% de origem burguesa, tinham passado por seus portões. As faculdades de astronomia, direito e teologia atraíram eminentes estudiosos. Destaco dois alunos importantes, entre muitos listados. Nicolau Copérnico (1473-1543) e Karol Wojtyła, depois, João Paulo II (1920-2005).
Depois de termos alterado a parte final de nossa programação (a França só será ponto de trânsito), retornarmos às 14h de trem para Varsóvia, de onde na terça-feira iniciamos o retorno Varsóvia / Paris / Guarulhos / Porto Alegre, onde sonhamos chegar na manhã de quarta.

domingo, 25 de janeiro de 2015

25.- POLÔNIA... pela primeira vez


ANO
 9
VA R S Ó V I A – Polônia
EDIÇÃO
 3006

Desde a noite de quarta-feira — aqui 17 horas é noite cerrada —estamos pela primeira vez na Polônia, mais precisamente em sua linda capital: Varsóvia. Este é o 47º pais que visito. É também o 23º país no qual este blogue é postado. Há outros 24 países, a maioria anterior a 2006, quando ainda não editava este blogue. Inauguramos a estada aqui, indo a um restaurante saboreando comida que evoca a ancestralidade muito próxima da Gelsa.
Permito-me, antes de falar de Varsóvia, num parágrafo comentar os três últimos dias de Berlin (SEG/TER/QUA) vividos após a última postagem deste blogue.
A caracterização: Berlin, cidade dos museus!” foi plenamente ratificada. Na segunda-feira, primeiro visitamos uma galeria de arte ao ar livres, onde mais de uma centena de artistas cobriram mais de 1,5 km de trecho do antigo Muro com diferentes evocações; após estivemos no Museu Judaico, aí assistimos uma exposição acerca da circuncisão (esta por si mereceria uma blogada). O cartaz da mesma, ao lado, não poderia ser mais elucidativo. A terça teve muitas fruições; destaco a visita que fizemos a museu que funciona em uma antiga estação de trem (Hamburg Bahnhoff) onde nos encantamos com Beuys, Raschenberg, Warahol e muitos outros. Na quarta, tivemos só a manhã, pois viajamos à tarde, fomos, vencendo desafios de transportes coletivos, ao Bergruen Museu, valeram as imensas dificuldades para chegar.
Estar em Varsóvia pode gerar um problema grande: a comunicação oral e escrita com a língua. Veja-se uma afirmação sobre Varsóvia em polonês: Warszawa – stolica Polski i województwa mazowieckiego, największe miasto kraju, położone w jego środkowo-wschodniej części, na Nizinie Środkowomazowieckiej, na Mazowszu, nad Wisłą. Isto quer dizer algo como “Varsóvia - capital da Polônia e da província de Mazowieckie, a maior cidade do país, localizada na parte centro-leste da Planície Central da Mazovia, às margens do rio Vístula”.
Esta grande dificuldade com a língua nesta imponente e milenar cidade determinou um destaque muito especial: Casimiro Marcos Przeszowski, um jovem e competente guia de turismo, com mestrado em história, que escolhemos — por ser hispano hablante — e com quem há mais de um mês preparamos a viagem por correio eletrônico. Aqui e agora, uma recomendação para quem quiser vir a Varsóvia, sem saber polonês (inglês, não é solução): contate casimiro@lomejordevarsovia.com ou www.lomejordevarsovia.com Este nós recomendamos, por que podemos atestar sua competência. Na foto o Casimiro conosco em muitas aulas que nos deu em dois dias.
A quinta foi o primeiro dia inteiro de Varsóvia. Começamos, orientados pelo Casimiro com um recorrido pelo antigo bairro judeu de Varsóvia pré-guerra. Estivemos em áreas onde se localizou um dos mais abjetos crimes contra a humanidade: o Gueto de Varsóvia (o nosso hotel está nesta área) o maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polônia durante o Holocausto, logo após a ocupação da Polônia em setembro de 1939 no inicio da Segunda Guerra Mundial. Nos três anos da sua existência, a fome, as doenças e as deportações para campos de extermínio reduziram a população estimada de 380 000 para 70 000 habitantes. O Gueto de Varsóvia foi o palco da revolta do Gueto de Varsóvia, a primeira insurreição massiva contra a ocupação nazista na Europa. Apesar disso, a maioria das pessoas que estiveram no Gueto de Varsóvia foi morta nas câmaras de gás no campo de extermínio Nazista de Treblinka.
Vimos parte dos muros que são conservadas e também monumentos evocativo. Estivemos no Umschlagplatz, local onde nazistas alemães deportavam os judeus poloneses para o campo de extermínio de Treblinka. Ali foi filmado no filme "Pianista" (The Pianist, 2002 dirigido por Roman Polanski e estrelado por Adrien Brody. Baseado no livro autobiográfico de mesmo nome escrito pelo músico polonês Władysław Szpilman). As ilustrações mostram detalhes do muro do Gueto e locais nas calçadas marcando os limites do mesmo.
Ainda pela manhã visitamos por mais de três horas o moderno Museu que narra mil anos de História dos judeus poloneses — http://www.polin.pl/en, O prédio inaugurado em outubro do ano passado, tem magnífica proposta arquitetônica e no seu interior se pode ver o resultado de pesquisa de uma equipe multidisciplinar durante quase 20 anos de pesquisa. À tarde, visitamos uma exposição temporária acerca dos bastidores de concepção da obra.
Da sexta-feira, faço dois destaques. 1) Estivemos por cinco horas no Centrum Nauki Kopernik (Centro de Ciencias Copérnico). Se tivéssemos ficado quatro vezes mais não teríamos visto tudo que vimos. Há uma regra presente para as centenas de crianças que conosco fizeram a visita: pode-se tocar em tudo. Vimos temas muito importantes como uma exposição sobre a vida no mundo infinitamente pequeno, uma sessão do Planetário e um teatro de robô. Fomos bastante prejudicados, especialmente nos dois últimos pontos citados, pois não havia tradução para o inglês. 2) A noite, sob gélida temperatura fomos assistir a um concerto da Pilharmonia Narodowa (Filarmônica Nacional). Foi esplendoroso assistir este espetáculo na terra de Frederic Chopin. Então era dispensado qualquer tradução. A linguagem da música é universal.
Ontem, sábado, com temperaturas entorno de zero graus centígrados fizemos um tour guiado, mais uma vez pelo competente Casimiro. Fomos primeiro ao romântico parque Łazienki Królewskie (Banhos reais) com o Palácio sobre as água e podemos ver monumento o monumento a Frederico Chopin. Voltamos à parte central onde visitamos o centro histórico de impressionante beleza arquitetônica. Destaco aí precioso Castelo Real renascido de suas cinzas qual fênix sua total destruição completa que sofreu durante Segunda Guerra Mundial, No seu interior podemos visitar muitas salas e assistir a exposição de multimídia que cobria mais de 4 séculos. Vimos a coluna do Rei Segismundo, a catedral medieval de São João Batista e a igreja dos jesuítas. 
Foi emocionante ver a casa onde nasceu Marie Skłodowska-Curie. Pode-se ver na fachada da mesma uma alegoria a descoberta dos elementos Rádio e Polônio.
Neste domingo, dia 25, pela manhã estamos partindo por trem, para Cracóvia, que anuncia nos esperar com neve. É a continuação desta viagem de férias. A quarta das cinco postagens do diário de um viajor prometidas será desta cidade.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

16.-BERLIN... PELA TERCEIRA VEZ


ANO
 9
B E R L I N – Alemanha
EDIÇÃO
 3005

Desde a noite da última quarta estamos em Berlin — a exuberante vapital de uma das nações mais rica do Planeta. Há uma razão muito especial para estarmos, mais uma vez, nesta cidade. A Gelsa, nos dias 15, 16 e 17 (QUI,SEX e SAB) participou do The disorder of mathematics education na Freie Universität Berlin. O título do evento poderia ser entendido como O distúrbio da educação matemática dentro de propostas para investigações socialmente relevantes.
Enquanto a matemática tem a reputação de ser uma ciência completamente consistente e coerente, o campo da educação matemática, em certas situações parece ser algo complexo, que por vezes, assume posturas contraditórias, caóticas ou mesmo desordenadas.
O encontro reuniu 27 pesquisadores de educação matemática de vários países. Alguns dos pesquisadores desenvolveram ou estão desenvolvendo metodologias de ponta, permitindo novas realidades na pesquisa em educação matemática; outros produziram uma crítica radical e re-politizada da educação. Uns e outros buscam realizar trabalhos relevantes na dimensão sócio-politica. O espírito deste encontro foi compartilhar, discutir e contestar as abordagens desenvolvidas e sondar as condições em que uma compreensão da pesquisa em educação matemática pode ser desenvolvida e continuada.
Nos dias do evento estivemos hospedados no hotel para professores visitantes da Sociedade Max Planck, em uma região que até o nome das ruas e dos prédios evoca a História da Ciência. Ofereço uma amostra na foto ao lado. Também neste período muito lamentei as minhas limitações de idiomas como o inglês e alemão. Não há como não sofrer com a penalização imposta (confusão das línguas) pelo Todo Poderoso aos audaciosos semitas, quando estes resolveram construir a Torre de Babel.
Justificada a escolha da cidade que faz abertura desta viagem (que como comentei na blogada anterior é minha 30ª viagem internacional), uma breve referência a duas outras vezes que estive em Berlin: 1989 e 2001.
A estada de 1989 (na minha primeira viagem internacional) precisa ser datada, pois, há 25 anos, em julho, quando estive aqui, havia Berlin Ocidental e Berlin Oriental. Então, para cruzarmos o Muro e ir à Berlin Oriental, submetendo-nos a rigorosa inspeção.
Mas, em 9 de novembro de 1989 desaparece o maior e mais imponente divisor físico entre um limite do que se dizia ser entre o Ocidente e o Oriente, ou entre a democracia ou o comunismo, desaparece depois de 28 anos. Isto parecia incrível e mesmo impensável.
O antes sólido e quase intransponível Muro de Berlin se esboroa. Então, multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração. O Muro caiu!
Quando voltamos em janeiro de 2001, 12 anos depois, já não encontramos duas Alemanhas e nem duas Berlin. Encontramos outra Berlin, que não era a soma das duas do período do Muro. Talvez a marca maior daquela segunda visita, já distante 14 anos da primeira, era uma onda febril de construções. Evoco, de então, imensas gruas ajudando a subir construções gigantescas com marcas de uma arquitetura arrojada. Talvez, agora, 25 anos depois da queda do muro, o que mais chama a atenção são as novas construções. Elas também atestam da pujança do capitalismo produtor de desigualdades. Aliás, muitas novas construções continuam a mostrar a riqueza de um dos países de um capitalismo pujante.
A rigor, nossas férias começaram ontem, quando nos transferimos da Residência de Hóspedes da Sociedade Max Planck para um hotel nas imediações da nova mega Hauptbahnhof, não distante da Porta de Brandenburgo. Nos três dias do evento fiz turismo sozinho. Constatei minha dependência de minha muito expedita Gelsatur. Neste turismo solo, não me faltou apenas a intérprete competente, mas também a guia muito atilada para me mostrar Berlin.
Não tenho como fazer uma adequada síntese de tudo que vi. Destaco uma exposição de Lutz Friedel com dezenas de esculturas em madeira que homenageiam a centenas de mortos na tentativa de cruzar o Muro. Visitei também um museu sobre a República Democrática Alemã (DDR). Não apreciei muito, pois ao tentar retratar a vida como era então, tudo (automóveis, eletrodoméstico, meios de comunicação...) aparenta ser velho e fora de uso (se fosse feito o mesmo com qualquer país capitalista, as coisas também pareceriam velhas).

Uma das maiores atrações que visitei no sábado foi a Catedral de Berlim (em alemão Berliner Dom). Esta é uma catedral protestante (luterana) que se encontra na Ilha dos Museus. A "Berliner Dom" está localizada em Berlim Mitte, junto ao rio Spree, no século 13, para tornar-se uma das maiores cidades da Europa com mais de 3,5 milhões de habitantes.
A catedral é uma joia arquitetônica da cidade, juntamente com o famoso Portão de Brandenburgo. É impossível não encantar-se com a imponência de suas cúpulas e seus monumentais 114 metros de comprimento e 116 metros de altura.
A Berliner Dom, a maior e mais importante igreja protestante de Berlim, foi construída entre 1894 e 1905, mas a sua história se inicia muito antes. A história da catedral de Berlim se inicia em 1465 quando a Capela St. Erasmus, pertencente ao recém-construído palácio real foi elevada ao status de igreja colegiada ou “Domkirche” que era o termo usado na época para designar este tipo de igreja. Em 1535, o príncipe-eleitor Joachim II começou a remodelar o prédio que abrigava a igreja
dominicana e que ficava ao sul do palácio, para ser a igreja da corte. Com a conversão de Joachim II ao protestantismo, a até então igreja católica foi transformada em protestante luterana.
Cujus regio, eius religio é uma frase latina que significa literalmente "De quem [é] a região, dele [se siga] a religião", ou seja, os súditos seguem a religião do governante. Trata-se de um princípio tão antigo como o Cristianismo de Estado, estabelecido no Império Romano pelo imperador Constantino.
Na Reforma Protestante, o velho princípio ganhou uma nova vida. Foi usado no tratado de Paz de Augsburgo, assinado em 1555 entre as forças do Sacro Imperador Romano Carlos V e as forças da Liga de Esmalcalda, que determinou um compromisso entre as forças luteranas e católicas na Alemanha. O tratado ofereceu a confirmação imperial ao princípio que havia sido apresentado pelos príncipes alemães na Confissão de Augsburgo, em 1530.
Na Dieta de Augsburgo, os príncipes territoriais e as cidades livres ganharam a liberdade de definir a religião local, o direito de introduzir a fé luterana (o jus reformandi) e direitos iguais aos dos estados católicos do Sacro Império fo central de então.
Como o prédio da igreja já estava bem degradado, Friedrich II ordenou em 1747 que um novo prédio fosse construído. Assim, baseada no projeto arquitetônico de Johann Boumann, foi construída entre 1747 e 1750 uma nova catedral em estilo barroco no local que hoje se encontra a Berliner Dom. Cerca de 70 anos mais tarde, para celebrar a união das comunidades luteranas da Prússia, a catedral foi remodelada por dentro e por fora em estilo neoclássico pelo arquiteto Karl Friedrich Schinkel. Anos mais tarde, a família real achou que esta catedral era muito modesta e não representava bem a monarquia. Sob ordens do rei Friedrich Wilhelm IV, foi decidido então que uma catedral mais imponente deveria ser construída. Assim a antiga catedral foi demolida e a construção da atual Berliner Dom se iniciou em 1894, sendo finalmente inaugurada em 27 de fevereiro de 1905. Projetada por Julius Raschdorff em estilo barroco com influência do renascimento italiano, a catedral com suas dimensões monumentais de 114 metros de comprimento, 73 metros de largura e 116 metros de altura acabou sendo comparada e considerada um contrapeso protestante para a Basílica de São Pedro no Vaticano.
Como muitos prédios, a catedral foi muito danificada durante a guerra e como ficava na Berlin Oriental, os russos na privilegiou sua reconstrução e esteve muito em discussão a sua total demolição. Em 1975, começou a ser parcialmente reconstruída. Já em 1993, alcançada a reunificação foi totalmente reconstruída, para voltar a sua aparência antiga e bonita.
A Berliner Dom pode ser visitada e sem dúvidas vale muito a pena, pois a catedral também é majestosa e belíssima por dentro, sendo ricamente decorada com relevos que ilustram histórias do Novo Testamento e importantes figuras da Reforma Protestante. A estátua de Lutero, por exemplo, é impressionante.
Em seu interior encontra-se o maior órgão de tubos da Alemanha, tendo mais de 7.200 tubos, simplesmente uma obra de arte construída por Wilhelm Sauer. A catedral também abriga a cripta contendo mais de noventa tumbas e sarcófagos, incluindo as do rei Friedrich I e da rainha Sophie Charlotte, que são ricamente trabalhadas, das quais a foto da esquerda é um pequeno exemplo. Há tumbas de bebes e mesmo de crianças natimortas pertencente a famílias reais.
Devo registrar que por ocasião de minha visitação eu devo ter batido meu recorde de ascensão e descida em um mesmo dia. Não subi todos os 270 degraus que leva a até o alto da cúpula. Mas cheguei até a passarela onde começa a cúpula. Fui recompensado com a vista deslumbrante tanto exterior como do interior da catedral.
Teria ainda muito a contar de meu sábado e também já de ontem quando tive de novo a Gelsa como admirável companheira no fazer turismo. O meu encantamento com a catedral foi tanto que muitos outros relatos foram preteridos. Temos mais dois dias aqui. Varsóvia é nossa meta seguinte.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

13.- UM DIA DE PARTIDA


ANO
 9
Porto Alegre / Guarulhos / Paris / Berlin
EDIÇÃO
 3004

Nesta terça-feira a Gelsa e eu estamos partindo para uma viagem internacional. Vamos mais uma vez cruzar o Atlântico, rumo à Europa, destino mais usual de nossas viagens. Primeiro vamos a Berlin, aonde a Gelsa tem, por três dias, compromissos acadêmicos. Depois estaremos em férias, ainda em Berlin e depois uma semana na Polônia (nossa primeira vez neste país) e a seguir alguns dias na França. Voltamos em 04 de fevereiro.
Em blogada anterior (07JAN2015) acatei sugestão — mesmo que o blogue não seja mais diário —, contar um pouco destes dias de viagens, em pelo menos cinco blogadas. Uma genérica (e preliminar) acerca de viagens — é esta de hoje — e quatro outras, uma de cada uma das quatro cidades que visitaremos. Assim, as emoções serão socializadas com excertos do conhecido diário de um viajor.
Quando em 2012, publiquei Memórias de um professor: hologramas desde um trem misto, reservei um dos cinquenta capítulos para falar de minhas viagens internacionais. Hoje, pelos meus registros começo a minha 30ª viagem internacional. Comecei tardiamente, mas depois que tomei o gosto, quase a cada ano fiz uma viagem internacional.
Comecei apenas em 1989. Fiz, então, a minha primeira viagem a Europa. Entusiasmado pela Gelsa, presenteei-me, pelo meu 50º aniversário, com uma primeira viagem ao exterior. Estou subtraindo deste computo alguns cruzares de fronteiras, anteriores a 1989, em breves incursões a quatro países vizinhos (Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia). Se computadas tais, a rigor, minha primeira viagem internacional, foi — ainda menino — nos começo dos anos 50s: fui com minha mãe e meu irmão Sirne, de trem desde Montenegro à Uruguaiana (como filho de ferroviário, quando meu pai estava de férias tínhamos passe livre nos trens da VFRGS), e então cruzamos a ponte internacional e fomos a Paso de los Libres, na Argentina. Recordo da conversão cambial, que exigia multiplicar por 1,80, e eu logo vi a facilidade de multiplicar por dois e subtrair dois décimos. Compramos alfajores e passas de uva, também farinha de trigo (que se dizia ser mais pura que nossa) e azeite de oliva.
As narrativas de viagens foram, em priscas eras, instrumentos para mostrar aos outros aquelas terras conhecidas pelos poucos que se aventuravam em “arrostar mares nunca dantes navegados”. Entre estas são famosas as narrativas de Marco Polo, segundo alguns um personagem ficcional. Há, em muitas culturas, ainda em tempos hodiernos, o hábito de se valorizar esse gênero literário. Parece que, entre nós, esse nicho de escrituras de viagens ainda não goza de muita aceitação. Há alguns títulos publicados que nos levam a devaneios e viajar com o autor.
Eis um informe da 1ª viagem: jul/ago de 1989: Entre 1º de julho e 7 de agosto fizemos aquilo que faz um marinheiro de primeira viagem (eu, no caso, pois a Gelsa já havia morado na Europa): estivemos em nove países viajando de trem. Começamos em Paris, fomos a Bruxelas, Amsterdam, Berlin (ainda dividida entre a República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã), Colônia, Munique, Bonn, Heidelberg, Luxembourg, Salzburgo, Viena, Praga (na então, Checoslováquia, antes da separação desta em dois países) Lucerna, Veneza, Florença, Roma, Vaticano e Paris. Foi maravilhoso ver ‘ao vivo’ muito do que havia conhecido em minhas leituras e estudos de geografia. A França, que foi ponto de chegada e de partida, festejava então o Bicentenário da Revolução Francesa. O primeiro contato com Paris se deu na rue Gay-Lussac, que para um professor de Química era significativo. Foram dias de emoções muito fortes.
As outras 28 que medeiam aquela primeira e a 30ª que começa hoje foram muito diversas. Mesmo que a Europa tenha sido a preferida houve outras memoráveis. Assim na América já estive doze países: Argentina (várias vezes), Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana Inglesa, México (três vezes) e Estados Unidos. Na Europa já amealho além dos nove países da 1ª viagem outros treze: Portugal, Espanha, Reino Unido,  Grécia, Turquia, Bulgária, Croácia, Eslovênia, Dinamarca, Suécia e Rússia. Na Ásia estive 8 países: Tailândia, Cingapura, Malásia, China, Hong Kong (em 1997, ainda não pertencente à China), Israel, Palestina e Jordânia. Na África, em quatro: Marrocos, África do Sul, Tunísia e Egito.
A Polônia onde devemos estar na próxima semana deverá ser meu 47º país que visitarei. Sobre esta viagem que começa nesta terça, quero compartilhar quatro edições nos próximos dias, iniciando com Berlin. Obrigado pela companhia. Encerro lembrando que o
"Bom viajante não é o que não sabe para onde vai, mas o que sabe de onde veio!"
Lin Yutang [(1895-1976) Escritor e filologista chinês nascido em Changzhou. Estudou nas Universidades de Shanghai, de Harvard e de Leipzig. Foi professor na Universidade de Beijing. Viveu quase meio século nos Estados Unidos e sua significativa obra literária significou uma ponte entre vazio cultural existente entre o Ocidente e o Oriente].