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sexta-feira, 22 de junho de 2018

22.- Oitava edição do Alfabetização científica



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Escrevo esta blogada à madrugada desta sexta-feira no aeroporto de Val de Cãs na morosa espera do voo que me levará a Porto Alegre, depois de cinco extensos dias na Cidade das Mangueiras. Minha estada em Belém foi para participar do seminário I da REAMEC (no qual os doutorandos apresentam pela primeira vez seu projeto de tese).
A Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática/REAMEC realiza uma missão quase profética: Os nove estados amazônicos [Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins] com três polos: em Belém (UFPA), em Manaus (UEA) e em Cuiabá (UFMT), num pool de 26 Instituições de ensino superior (10 universidades federais, 08 Institutos federais, 06 universidades estaduais e 02 universidades privadas) oferece o Curso de Doutorado em Educação em Ciências e Matemática – no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECEM), funcionalmente localizado na UFMT e avaliado com nota 5 (num máximo de sete) na última avaliação (2017) quadrienal da CAPES.
A organização da rede, que teve seu início em 2011, tem como uma das metas formar 200 doutores até 2022 na Amazônia Legal, por meio de ação acadêmica colaborativa entre as IES e os doutores existentes na Região, da área e de áreas afins. Até o final de 2017 já foram formados mais da metade de doutores previstos na meta antes referida.
Envolvo-me há mais de cinco anos na REAMEC em um (ex)(in)tenso voluntariado que inclui ministração de seminários, presença em atividades docentes e orientação de teses doutorais. Nestes fazeres, já levei à defesa duas doutoras (uma Parintins e outra em Manaus) e tenho doutorandos professores da UFMT uma no campus de Sinop e outro no de Barra do Garça. Também por meus pares, em um número significativo, desconhecerem a REAMEC e marcado por uma muito reconhecida gratidão me alegro referir aqui mais uma vez esta rede.
Na quinta-feira no Seminário I houve lançamento de livros. A 8ª edição do Alfabetização científica foi celebrada. E a novidade desta edição é uma sumarenta protofonia Sobre vidros, diamantes e alfabetização científica da lavra (a ação verbal foi escolhida pela busca a transcrito diamantes) do Professor  Licurgo Peixoto de Brito (na foto comigo), da qual um excerto está na quarta capa e é a seguir aditada a esta blogada semanal:
“ATTICO CHASSOT traz ao leitor mais do que explicações sobre a necessidade de mudanças no Ensino de Ciências, expõe temas pouco explorados até então, como a Ciência nos saberes populares e o ensino de Ciências fora da sala de aula. A linguagem simples e elegante com que o Mestre Chassot consegue se comunicar com o leitor deixa-o imerso nos contextos que o autor selecionou cuidadosamente para incitar a alfabetização científica. Como se disse antes, ele dissemina alfabetização científica pelos muitos lugares onde passa. Se os tupis o vissem assim talvez o chamassem de Mestreaçu. Muito provavelmente, mesmo um professor de Ciências com formação específica arraigada, ao se permitir a leitura deste livro, será seduzido pelo apelo social que emana dos argumentos do Mestre. Isto porque suas reflexões não servem apenas ao contexto local ou regional, antes, são razões cosmopolitas, pluriculturais. Cultura é o que não falta nesse Alfabetização Científica, tampouco, questões e desafios para a educação”.
Licurgo Peixoto de Brito,
professor titular na Universidade Federal do Pará,
licenciado em Ciências Naturais e em Física e doutor em Geofísica.
Atualmente dedica-se ao ensino e à pesquisa em Educação em Ciências.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

15.- Foi muito bom ter ido à Realeza.



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Mais uma vez uma edição deste blogue se faz com memórias trazidas do diário de um viajor. Justifico, num assomar de imodéstia, no evocar o artigo ‘O peregrino da Ciência’ do jornalista e sociólogo José Carneiro, professor aposentado da UFPA publicado em O Liberal, [25MAI2014] da capital do Pará (admito a reminiscência pois neste domingo, inicio um estar por quase uma semana em Belém).
Uma das pujantes das 17 universidades criadas pelo Presidente Lula é a UFFS — Universidade Federal da Fronteira Sul, cuja lei de criação foi sancionada
ao em 15 de setembro de 2009, logo uma muito jovem universidade. A UFFS possui uma estrutura multicampi, com campi nos três estados sulinos: Santa Catarina, em Chapecó, onde também fica a Reitoria; Rio Grande do Sul, Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo; e Paraná Laranjeiras do Sul e Realeza.
A UFFS é uma instituição criada a partir de pleitos de movimentos populares e busca ofertar acesso à educação superior com qualidade e desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão buscando a interação e a integração das cidades e estados onde está instalada.
Nesta segunda e terça feiras, 12 e 13 de junho, era fraternalmente acolhido em um quinto campus da UFFS: o de Realeza. Na Semana da Química, segunda, proferi a palestra ‘Das disciplinas à indisciplina’ e na terça participei de uma roda de conversa buscando responder a pergunta: ‘A escola mudou ou foi mudada?’ Quase já se faz dispensável dizer que nas duas falas houve o usual ‘Fora Temer’ agora acrescido do ‘Lula Livre!’

Também é com texto que ela produziu que se fazem tessituras acerca do campus Realeza da UFFS que está a seguir.
Com pouco mais de 17 mil habitantes, a cidade de Realeza, no Paraná tem no Campus de Realeza da UFFS um muito significativo centro regional de formação superior com mais de mil alunos em seis cursos de graduação: dois bacharelados (Nutrição e Medicina Veterinária); e quatro licenciaturas (Letras Português/Espanhol, Química, Física e Ciências Biológicas). Há, ainda, cerca de uma centena de pós-graduandos no Mestrado em Saúde, Bem-estar Animal e Produção Animal Sustentável na Fronteira Sul e nos cursos de especialização em "Ensino de Língua e Literatura", "Direitos Humanos" e "Educação em Ciências Naturais e Sociedade".
No complexo universitário merece destaque a biblioteca com mais de 2.300 títulos, 34 laboratórios, 20 salas de aula e um Restaurante Universitário. Anexo ao campus há um Hospital Veterinário Universitário e no centro da cidade há uma Clínica-Escola de Nutrição.
 À palestra e à roda de conversa se sucederam sessões de autógrafos de meus seis títulos em circulação e muitas fotos.
Duas jantas e um almoço magníficos ensejaram inenarráveis momentos confraternização com alunos e professores. 
Dentre os mimos que amealhei destaco o presente do Diretório Acadêmico de Química entregue pela licenciada Edilvânia Bernardi: uma caneca com o primeiro slide de minha palestra e com a segunda foto.
Resumo estes dois dias: foi excelente atender o convite de alunas e alunos da Licenciatura em Química da UFFS e ir à Realeza.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

08.- Também acerca de sala de aula



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Se eu consegui enxergar tão longe, foi porque me apoiei nos ombros de outros gigantes.
Isaac Newton
Na noite fria da última terça-feira, dia 5 de junho, fui a terceira vez este ano  falar com professoras e direção da Escola Municipal Rural dom Pedro II no município de Igrejinha, no vale do Paranhana, cerca de 85 km de Porto Alegre. 

O Professor Amarildo, Diretor da Escola diz que a Dom Pedro II é “uma instituição destinada para ser lócus de construção....de sonhos, de gente, de vidas... Desde 1934 e os anos vividos para chegar até aqui, com sede de saber e vontade para prosseguir levando em Comunidade a seguinte filosofia: agir, exercitando a cidadania, com responsabilidade, autonomia, criticidade e solidariedade, buscando a realização pessoal, o bem comum e a participação no desafio de fazer germinar uma sociedade mais humana, justa e fraterna.”
Na volta dizia-me em estado de graça. Gostei muito da aula. Mas não foi só eu que gostei. Muitos manifestaram isto. A professora Andreia Viviane Correa, Pedagoga e especialista em Gestão Escolar e Processos Pedagógicos é uma das participantes do seminário, que se apresenta assim: “Mãe, mulher, professora, entre outros prazeres. Faz da palavra instrumento de interação e rebeldia” postou no Facebook um texto que me emocionou e autorizado por ela transcrevo:

De novo 'falarei'. Eu, a Escola. Falarei enquanto instituição, enquanto espaço físico, social, cultural. Espaço que conVIVE, que discute, que aprende, que ensina, que interage, que sente, que sofre, que pulsa diferenças, diversidades, divergências. Espaço que acolhe diariamente muitas vidas, tantas vivências. Falarei enquanto lugar de desejo e prazer. Devir. Prazer em ser escuta, em ser sorrisos, em ser reflexão. Prazer em ser 'flogisto' em 'tempo frio'. Falarei do ontem. Ontem. Noite de corpos cobertos, pescoços enrolados. Noite de amar presença. Professor Attico Chassot e sua admirável lucidez desacomodando pensamentos 'grudados'. Pensar, imaginar. Mente. Mentefatos. Dizia ele. Respeitar sem negar saberes. Respeitar sem ocultar perguntas que possibilitam o 'descortinar' de certezas. Ciência e religião. Diferentes asas. Asas que juntas num mesmo corpo impedem o vôo. Entre crer e conhecer, certezas absolutas, dogmas e certezas provisórias. Clonagem. Fecundação. Apropriação de vidas. Sementes que morrem ao nascer. Monsanto. Machismo. Feminismo.
Chassot, um jovem senhor, incansável, um professor que não cansa de oferecer. Estive ocupada pelo olhar do mestre. O gigante que oferece ombros.
Olharei...olharemos.
Gracias professor.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

01.- Para que(m) é útil o ensino?



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Nesta semana –- a propósito da publicação de mais uma edição do Para que(m) é útil o ensino? Dei entrevista à ABEU/Associação Brasileira das Editoras Universitárias [www.abeu.org.br/]. A ABEU busca promover o desenvolvimento das editoras associadas e contribuir para os processos de produção, comercialização e divulgação do livro como também promover ou participar de campanhas que incentivem o hábito da leitura e o gosto pelo livro.
Autorizo-me trazer as três perguntas de Eduardo Rosa com as minhas respostas:
1)    O seu livro publicado pela Editora Unijuí busca apresentar alternativas de ensino que sejam estimulantes para alunos e proveitosas para professores, de modo a criar um ambiente educacional mais produtivo para todos. Mas no título sua obra traz uma epécie de provocação: "Para que(m) é útil o ensino?". Poderia comentar sobre a escolha dessa pergunta diante dos temas abordados?
Por primeiro parece oportuno referir que Para que(m) é útil o ensino? (1995, 1ed) é um dos meus seis livros ora em circulação. Honro-me em destacar que destes, quatro são de editoras universitárias. Este livro foi tecido com excertos de minha tese de doutorado na Ufrgs, em 1994, Para que(m) é útil ensino de Química? Esta é uma quarta edição ampliada. Quase um quarto de século pode parecer muito tempo, especialmente se nos dermos conta que entre nós a gênese dos estudos no ensino das Ciências é da última década do Século 20. Os livros envelhecem (ou, talvez, maturam) com velocidades muito diferenciadas. Mesmo podendo ser colocado em suspeição, ouso afirmar que este livro é ainda atual.
Está bem-posta a afirmação de que o título traz uma espécie de provocação. Não foi confortável constatar, depois de já ter sido professor há mais de três décadas, que a maioria do que se ensinava acerca da Química na Educação Básica era inútil ou não tinha serventia. Este livro traz alternativas para um ensino mais útil na busca da cidadania. 
2)    Hoje, se perguntarmos a qualquer cidadão ou representante político estes dirão que a educação é certamente uma área de suma importância para a formação de uma sociedade mais igualitária, desenvolvida e digna. Este discurso é um típico lugar-comum dito pelas pessoas: a educação é algo positivo para o crescimento de um país e ninguém nega este fato. No entanto, por que continuamos a ter problemas crônicos na educação brasileira, na infraestrutura de escolas e na condução de pesquisas mesmo no Ensino Superior? Há uma hipocrisia na forma com que tratamos a educação?
É quase um senso comum que a Educação é muito importante para a construção digna de uma sociedade mais justa. Provavelmente há consenso nisso. Mas, lamentavelmente isso é uma utopia. Hoje, com a Educação transformada em mercadoria –- e uma mercadoria muito bem valorizada e muito apetecível ao mercado –- ela promove exatamente o contrário: um mundo mais injusto. Se Educação de qualidade é apenas para alguns teremos cada vez mais injustiças sociais. Hoje parece mais atual a afirmação que coloquei na portada do sexto capítulo: A (re)produção do conhecimento químico: Se a educação que os ricos inventaram ajudasse o povo de verdade, os ricos não dariam dessa educação pra gente (Frase que recolhi afixada em um cartaz, na Fundep/DER, em Braga, RS).
3)    Por fim, gostaríamos de saber o que ainda o impele a ser um professor tão atuante até hoje, mesmo com mais de 50 anos lecionando e com presença em diversas instituições de ensino
Vou tentar trazer respostas a esta pergunta –- que tem sido muito recorrente ao professor que no próximo ano (2018) se fará octogenário –- em duas dimensões. Numa sou o receptor das ações e em outra sou o doador.
Tenho dito (e ainda escrevi recentemente em mestrechassot.blogspot.com) que há ações –- como estar a quase cada semana em estado diferente do Brasil dando palestras –- que tonificam ou revitalizam meu ser professor. Metaforicamente é a dopamina que preciso para potencializar necessidades a um pleno funcionamento de meu cérebro. Envolvo-me há mais de cinco anos na REAMEC (Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática) em um (ex)(in)tenso voluntariado que inclui ministração de seminários nos estados amazônicos, presença em atividades docentes e orientação de teses doutorais. As semanas que não tenho viagem sinto uma abstinência ‘dessa dopamina’.
A segunda dimensão à resposta desta pergunta está referida ao contexto onde está inserta esta entrevista: Associação Brasileira das Editoras Universitárias. Tenho brincado que se um dos critérios para um bom lugar no paraíso (que parafraseando Gaston Bachelard, deve ser uma imensa biblioteca) for o número de livros transportados, eu só perco para livreiros. Tenho orgulho de eu já ter disseminado livros em cada uma das 28 unidades da federação. Sinto-me um mascate levando sempre uma mala de livros. Posso dizer que para centenas de jovens brasileiros eu oportunizei terem um primeiro livro autografado. Não é sem a minha contribuição física que A Ciência é masculina? É, sim senhora! (Editora Unisinos) chegou a 8ª edição em 2017 ou que Alfabetização científica: questões e desafios para educação (Editora Unijuí) terá seu relançamento em Belém em junho de 2018. Devo dizer que de todos os livros que escrevi este é o meu preferido. Talvez porque desde a primeira edição, em 2000 os direitos autorais de todas edições são destinados ao Departamento de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).
Estas são as duas dimensões: numa sou o receptor porque o meu ser professor é revitalizado pelas minhas ações e na outra sou o doador, pois com o semear livros ensejo que meus leitores se envolvam na construção de um mundo mais justo.


sexta-feira, 25 de maio de 2018

18.- Promessa é dívida



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Minha mãe foi uma continuada juíza. Evocação muito recorrente que tenho dela é mediando brigas entre irmãos e isso devia ser muito frequente para quem tinha de julgar pleitos de sete crianças quando estas tinham desavenças entre si.
“Mãe! O Sirne disse que se eu fizesse isso ele me daria aquilo!” A sentença era salomônica: promessa é dívida!
Na última edição deste blogue, comentei a publicação de O legado de José Lutzenberger: uma leitura contextualizada dos escritos do maior ambientalista brasileiro e encerrei assim a edição de 18 de maio: ratifico a promessa de voltar aqui com uma resenha do livro hoje celebrado.
Nesta semana, nas quatro longas viagens Porto Alegre / Lima / Bogotá / Lima / Porto Alegre tive oportunidade de entrar mais no livro de meu ex-mestrando Jairo Brasil. Assim, parece significativo aditar (permito-me sublinhar duas acepções que Priberam registra para esta ação verbal: 1. Acrescentar para completar; adscrever. // 2. Causar a dita de, tornar feliz.) ao que escrevi na edição anterior mais algumas observações do livro que faz uma muito adequada releitura de legados escritos de um dos mais importantes ambientalistas brasileiros.
BRASIL, Jairo. O legado de José Lutzenberger: uma leitura contextualizada dos escritos do maior ambientalista brasileiro
São Paulo: Book Express. 292 p. 2017 ISBN 978-95-9540-034-4

A releitura de grandes pensadores é um gênero discursivo muito presente na Academia e tem diferentes matizes. Quando José Luiz de Andrade Franco, Professor Adjunto do Departamento de História e do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB –- Universidade de Brasília, prefacia o livro que heliocêntrico neste texto destaca:
“O livro [ ] obra de um historiador, mas também de um educador, e por isso assume além do exercício de contar a história e interpretar a produção literária do ambientalista, (assume) a tarefa de fazê-lo de forma bastante didática, com o intuito de interessar o leitor e facilitar o conteúdo apresentado.” Parece que aqui reside a admirável sacação do livro do Jairo. Quando faz tessituras dos textos fundante de José Lutzenberger (1926 / 2002) o faz matizado no cenário histórico (brasileiro) do último quartel do nosso Século 20. O Jairo e certamente a maioria dos leitores deste blogue assistimos, mas não vimos com a perspicácia do historiador que soube tramar os textos de Lutz, como carinhosamente o chamávamos, com a História.
O  Prof. Jairo não apenas visita capitulo por capítulo a principal obra de Lutzenberger (Manifesto Ecológico Brasileiro) e outras obras do autor como faz um embricamento com obras de outros autores, em geral polemizando com o ambientalista revisitado. A polêmica é marca do pensamento de Lutzenberger, por tal não sem razão que sempre para mim perecia um Dom Quixote querendo com sua lança destruir castelos.
O autor nos leva a reconhecer que foi este quixotesco polemista que lançou a semente de dos primeiros movimentos ecológicos de protestos do Brasil: a AGAPAN: Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, que Lutz coordenou por mais de duas décadas e que é célula mater da história do ambientalismo brasileiro.
Assim, mesmo que de uma apresentação muito panorâmica busco com este texto entusiasmar cada uma e cada um de meus leitores a se abeberarem em O legado de José Lutzenberger que vale a pena. É uma obra sumarenta. É um livro que recomendo a aqueles que se envolvem com a na formação de jardineiros para cuidar do Planeta.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

18.- Uma blogada tecida com duas menções



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Esta blogada é tecida com duas menções. Em uma e outra vivo gratificações no meu ser professor. Tenho dito que são ações das quais trago dois exemplos que tonificam ou revitalizam meu ser professor. Metaforicamente é a dopamina que preciso para potencializar necessidades a um pleno funcionamento de meu cérebro.
Narrar distinções recebidas são respostas a perguntas do tipo: Como consegues essa ‘vitalidade’ quando estás no 58º ano de magistério?
A PRIMEIRA À madrugada deste domingo faço uma longa viagem de 5 + 3 horas: Porto Alegre / Lima (+ 2 horas de escala) / Bogotá. Na tarde de terça-feira, dia 22, faço o retorno para chegar às 5h de quarta-feira em Porto Alegre. Cabe a interrogação: Vais buscar fogo? Um interrogante usual para um ‘bate-volta’ como este. Vou participar como avaliador (ou jurado, como se diz no mundo hispânico) do projeto de tese doutoral de Quira Alejandra Sanabria Rojas que apresenta a tese “Rol cultural de la mujer en la ciencia y su enseñanza diversidad cultural: el caso de las concepciones de profesores y profesoras formadores de licenciado en ciencia de cinco universidades públicas de contextos culturalmente diferenciados” na qual o meu livro A Ciência é masculina? E, sim senhora! é uma referência. A Directora de Tesis é a Prof. Dra. Adela Molina Andrade  e doutoranda é aluna do Doctorado Interinstitucional en Educación da qual a Universidad Distrital Francisco José de Caldas, onde ocorre a defesa, é uma das universidades líderes.
  A SEGUNDA Na última quarta-feira Prof. Jairo Brasil, de quem fui orientador no Mestrado, veio almoçar em minha casa. Há um tempo, procuramos manter a frequência de um almoço mensal. Sempre temos ‘figurinhas’ para trocar.
Nesta semana o Jairo aquinhoou-me com presente muito especial. Seu último livro, recém-publicado: O legado de José Lutzenberger: uma leitura contextualizada dos escritos do maior ambientalista brasileiro. Encantou-me a dedicatória manuscrita: Ao meu querido orientador e eterno Mestre Attico Chassot pelas parcerias e pelos incentivos dedico uma parcela de minha produção, muito influenciada por seus conselhos. Abraços, Jairo Brasil, Porto Alegre, outono de 2018.
A emoção foi potencializada, quando nos agradecimentos, na página 10, leio um parágrafo que emocionado partilho: “Agradeço a um dos meus mentores, e que desde o primeiro contato desvelou-me um sem número de possibilidades, as quais eu sequer imaginava. Orientador e professor de meu mestrado em Educação, Attico Chassot, transformou meu pensamento em cada um daqueles encontros, que se tornaram imprescindíveis para troca de informações e aconselhamentos. Ele sempre com uma palavra amiga, foi capaz de me tornar um cidadão preocupado na formação de jardineiros para cuidar do Planeta. Isso modificou minha visão docente e catapultou minhas ações na direção de uma Educação mais transformadora e menos burocrática. Desde 2008, ao findar o Mestrado, me considero um ’chassotiano’, com muito orgulho.”

Não tenho condições de fazer uma resenha do livro. Fiz apenas vista d’olhos. Ainda vou trazer aqui algo do livro. Para que os leitores deste blogue possam prelibar a obra trago aqui e agora um excerto do prefácio de autoria de José Luiz de Andrade Franco, Professor Adjunto do Departamento de História e do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB –- Universidade de Brasília, que foi professor do Jairo: “O livro O legado de José Lutzenberger, do Professor Jairo Brasil, vem para cumprir um papel importante na divulgação da obra de José Lutzenberger e do contexto em que ele militou em prol da conservação da natureza e do uso sustentável dos recursos naturais. Trata-se de obra de um historiador, mas também de um educador, e por isso assume além do exercício de contar a história e interpretar a produção literária do ambientalista, a tarefa de fazê-lo de forma bastante didática, com o intuito de interessar o leitor e facilitar o conteúdo apresentado.”
Quando tomo conhecimento do texto do Jairo lembro da empolgação fruída, quando assisti em várias oportunidades José Lutzenberger (1926 / 2002). Lembro o Lutz, como carinhosamente o chamávamos, parecer um Dom Quixote. Desejoso de poder aprender mais com este texto, ratifico a promessa de voltar aqui com uma resenha do livro hoje celebrado.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

11.- Remexendo em baú rotulado SAUDADES



ANO
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EDIÇÃO
3353

Recebera sugestão de assunto mais relevante para esta blogada. Não vou ignora-lo. Antes, para ser fiel a um dos propósitos de meu blogar, vou remexer num baú que está labelado (seja me relevado o neologismo) como saudades. Preciso historiar como cheguei a um sumarento remexer no escaninho de tempos mais distantes.
No dia 19 de março, recebi no WhatsApp algumas mensagens que agrupei e transcrevo: “Bom Dia, Prof. Attico! Sou aluna [Na foto comigo]do curso de Licenciatura
em Química do IFRS Campus Feliz.  Estou realizando estágio curricular em uma escola estadual rural, aonde eu moro, em São José do Sul, para alunos do ensino médio. A direção e os professores desta escola vêm se empenhando para oferecer as melhores condições de ensino para estes alunos, fazendo mutirões, organizando eventos para arrecadar fundos para serem investidos na escola, conseguindo inclusive montar uma estrutura de laboratório.
 No entanto, pode-se perceber que os alunos imaginam a química e a física como um "bicho de sete cabeças". Isso é algo cultural desta comunidade, bastante disseminado. Gostaria muito de contribuir desmistificando esses conceitos, trazendo uma nova perspectiva para estes estudantes; por isso, me identifico muito com o trabalho do Senhor. Assisti algumas de suas palestras e sou uma leitora encanta por seus livros. gostaria de saber se haveria a possibilidade de o Senhor poder conversar com estes alunos.” Não é fácil dizer não a mensagem como esta. Mas, eu disse.
Mas, Letícia Mosmmann foi persistente. Na verdade, ela foi até um pouco chatinha, às vezes. Mas na manhã de ontem, 10 de maio, depois de quase dois meses de marchas e contramarchas, eu falei para um pouco de mais meia centena de atenciosos ouvintes professores e alunos do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Médio São José do Maratá.
Ontem vi um pouco do que, de vez em vez, Leticia me contara. Ao chegar lanchei com professores liderados pelo Júlio, um diretor entusiasmado.
Ouvi relatos muito promissores e também vi realidade de uma finada política de Educação morta por aqueles que desde 2015 deveriam fazer propostas (ou continuar as propostas vigentes) para o Rio Grande do Sul. Nada fizeram em termos de uma proposta para Educação.
Lamentei ver uma indesejada história da Educação do ensino médio gaúcho. Houve, uma vez, uma política educacional construída conforme o Plano de Governo do Partido dos Trabalhadores para o Rio Grande do Sul no período 2011-2014.
Passados os quatro anos antes referidos, este plano está morto, pois o governo do MDB que sucedeu ao governo do PT simplesmente não apoiou nenhuma política de Educação, mais especialmente para o ensino médio.
Ao final de uma fala de quase duas horas recebi instigantes perguntas e uma cesta com frutos e produtos coloniais. Autografei livros, tirei muitas fotos e, que para mim foi o mais emocionante, almocei as comidas que os alunos têm no seu cotidiano. Foi também significativo ler na fachada da escola: 
AMAR SEM TEMER
E a evocação marcada por saudades? Conheço, em função de minhas andanças, bastante a geografia gaúcha. Não tinha nem ideia de onde era São José do Sul. Pesquiso. Duas surpresas:
#1) São José do Sul RS fica bem ao norte de São José do Norte RS. Uma boa questão para uma aula de geografia.
#2) São José do Sul é um município de 2 mil habitantes, emancipado em 1996, formado principalmente por área de São José do Maratá que já foi distrito de Montenegro, cidade de minha infância e adolescência e de meu primeiro ano de magistério.
Outro detalhe: a escola para qual fora convidado era próxima do Faxinal onde estava a casa de minha avó paterna e está o cemitério onde estão sepultados meus pais, meus avós paternos e minha ancestralidade Chassot.
Muitas histórias afloraram. Quantas vezes eu meus irmãos fomos e voltamos a pé a Montenegro levando aipim, laranjas e bergamotas. Lembrei do quanto implorávamos para a vovó Susana (que chamávamos vovó châsso) para podermos dar uma volta no Martelo, seu cavalo para vir do Faxinal a Montenegro para assistir missa.
Foram evocações emocionantes. Voltei gravido de mimos recebidos da escola e recordações. Lembrei muitos momentos emocionantes. Um obrigado especial a Leticia que soube ser chata com muita classe.
E o assunto postergado? Pretendia falar de uma história emocionante. Desejava homenagear o mítico Gino Bartali, o ciclista que salvou milhares de judeus dos nazistas enquanto vencia o Tour de France. Em Jerusalém, onde o Giro d’Italia começou nesta sexta-feira, se presta homenagem ao a Gino Bartali, Vale conferir em