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quarta-feira, 24 de maio de 2017

24.— Incrível, porém verdadeiro

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No término da escada de acesso ao meu Scriptorium — o nome da ampla
peça de onde descortino parte de meu jardim é para evocar um lindo vitral, no qual um monge medieval executa sua penosa tarefa de copista, em tempos pré-gutenberguiano — há uma frase atribuída a Gaston Bachelard: “O paraíso não há dúvida, não é mais que uma imensa biblioteca!”
Pois isso sempre me pareceu assim. E, até, esforçava-me em ser bom para conquistar (esse) paraíso. Mas ...
... esta semana soube de uma situação em que uma biblioteca (espero que seja um caso isolado) perdeu suas marcas edênicas. Isso se parece com uma situação tragicômica.
Em uma biblioteca de uma Universidade Federal (leia-se, pública... ainda) um colega contou-me que ele NÃO pode retirar livros, pois está afastado para doutorado. Espantado, pedi que ele repetisse a afirmação, pois talvez eu ouvira mal. A informação maldita, estava certa. Lembrei-me, que quando colecionava estampas Eucalol, em minha infância, havia série: "Incrível, porém verdadeiro!" Eis que ela é ressuscitada.
 Sim, acreditem: Existe uma biblioteca que não empresta livros a um servidor da instituição porque ele está afastado para doutoramento. Parece-me que eu esteja mentindo neste blogar.
E mais: a população também não pode retirar livros da biblioteca de uma universidade pública. Lembrei-me que fui professor de uma instituição privada, cujo serviço de biblioteca funcionava 24 horas por dia, em sete dias da semana. Mais de uma vez taxistas, com ponto próximo ao Centro Universitário do IPA, contaram-me que retiravam livros da biblioteca para abreviar os momentos que estavam parados. Aquela biblioteca devia se parecer, então, a algo paradisíaco. Muito diferente daquela biblioteca da UFYZ, que não empresta livros nem para seus professores. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

19.— Um blogar em trilogia

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Faço desta blogada — que circula quando inicia a sexta-feira — uma trilogia, trazendo três momentos. Estes podem ser pensados excertos do meu diário destes últimos dias. O primeiro traz ressaibos da semana mato-grossense. O segundo fala de uma data que urdida de ilusões, cedo se esvaiu. O terceiro faz um anúncio de uma centralidade deste 19 de maio.
O primeiro: Há uma semana, com uma palestra, promovida por duas instituições acadêmicas do Mato Grosso – UFMT e IFMT – no Campus de Cuiabá do IFMT encerrava uma semana muito frutuosa, que está referida na edição anterior. As palavras de abertura da fala, em um auditório lotado, foi nos mesmos termos, daquela que na noite anterior fizera em Rondonópolis. Esta é documentada em https://www.youtube.com/watch?v=CvLgOahqTk0&feature=em-upload_owner
Ao final recebi ovações da assistência em pé. Fui presenteado com uma viola de cocho, que é uma linda peça produzida em caprichoso artesanato.
O segundo: a data 17/05/2017 parecia fadada a passar para história pátria com a estrondosa derrocada do governo corrupto e ilegítimo de Michel Temer. Pode não ter acontecido (ainda) o que se anunciara. Mas vivemos uma noite onde conhecemos a fertilidade dos humoristas políticos. As charges e assemelhados que recebemos daria uma exposição na qual espraiaríamos muito riso. Surgiu até ‘coleta’ de fundos para pagar uma babá para o Michelzinho, já que o salário de presidiário é menos de 2 salários mínimos. Vamos ver o que nos reserva esta sexta-feira. A foto é do Fora Temer desta quinta-feira na Esquina Democrática em Porto Alegre.
 O terceiro anuncia que nessa manhã viajo para Santa Maria, para à tarde na UFSM no Centro de Ciências Naturais e Exatas, no Programa de Pós-Graduação em Geografia e Geociências o doutorando Antônio Valmor de Campos traz a qualificação sua proposta de tese: TERRITÓRIO DO MILHO CRIOULO: A PROPRIEDADE INTELECTUAL COLETIVA E O MELHORAMENTO GENÉTICO COMO ESTRATÉGIA DE REPRODUÇÃO SOCIAL na Área de conhecimento: Produção do Espaço e Dinâmicas Territoriais. A Professora Orientadora é Dra. Cármen Rejane Flores Wizniewsky. Eu estou na banca enquanto Co-orientador. Meus leitores e/ou ouvintes conhecem o Antônio, pois eu refiro sua dissertação de mestrado, que orientei em 2005/2006 na qual se tenta evidenciar três dimensões: 1) que os agricultores usam sementes crioulas são pesquisadores; 2) que agregam valores às sementes; 3) logo detêm propriedade intelectual acerca das sementes que melhoram. A terceira dimensão parece sobressair na tese.
Encerro já com votos de um muito saboroso fim de semana a cada uma e cada um... e que as prováveis surpresas da sexta-feira sejam assimiláveis.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

13.— Quase encerrando uma semana mato-grossense

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Na noite desta sexta-feira, com uma palestra, sob a égide de duas das mais conceituadas instituições acadêmicas do Mato Grosso – UFMT e IFMT – encerro uma frutuosa estada aqui, que se iniciou na tarde de domingo e se concluí na manhã deste sábado.
Meu fazeres aqui foram um seminário envolvendo História e Filosofia da Ciência, com quatro horas diárias de segunda à sexta, incluindo sugestão e avaliações de atividades extraclasse, para doutorandos da REAMEC e mestrandos do IFMT/UniC. E três palestras: 1) na tarde/noite de segunda no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências, da UFMT; 2) aula inaugural das licenciaturas no campus de Rondonópolis do IFMT, na noite de ontem; 3) a fala desta noite: Das disciplinas à indisciplina: um caminho ao avesso.
Ir à /estar em / vir de Rondonópolis é central neste meu blogar. Ontem, às 13h30min deixei o hotel rumo à cidade que homenageia a um mato-grossense muito presente em diferentes topônimos brasileiros [Cândido Mariano da Silva Rondon mais conhecido como Marechal Rondon (1865/1958)]. Fui conduzido com fidalguia e competência pelo Wendel e tive também a companhia do Prof. Carlos, Pró-Reitor de Ensino do IFMT.
Os 220 km que separam Rondonópolis da capital foram vencidos em cinco horas, tal a densidade de veículos. Destes, em um número muito significativo, eram os bi-trens (carretas com nove eixos e com mais de 25 metros de comprimento). Em muitos trechos a rodovia não foi duplicada e a pista simples propicia a formação de longos comboios, à velocidade de pedestres, em situações de mais de uma dezena de bi-trens.
Ainda em trânsito, acolhi a sugestão do motorista para voltar na mesma noite, com argumento de uma muito menor densidade de veículos e que esta densidade se poderia prognosticar ainda maior para a manhã de sexta-feira. Foi desmarcada a reserva de hotel.
A partida de retorno se deu às 22h45min. Com a rodovia quase às moscas e com a competência do Wendel, 2,5 horas depois estava no hotel em Cuiabá. Cansado por extensa maratona em 12 horas, mas muito contente.
Narrei do ir à / vir de Rondonópolis. Resta comentar ‘o estar no IFMT de Rondonópolis’.
Depois de acolhido pela diretora do Campus, professores e funcionários administrativos, às 19h, em um ginásio poliesportivo iniciaram solenidades. O Pró-reitor de Ensino, em nome do Reitor dá por instalada a aula magna e é oficialmente iniciado um novo semestre acadêmico. Quando me foi dada a palavra, comecei dizendo que queria, então, repetir o que tenho dito em diferentes aberturas de minhas falas: com o punho esquerdo cerrado e levantado bradei: Fora Temer! Isso foi muito ovacionado. Agradeci a adesão ao repúdio que manifestavam contra um governo corrupto e ilegítimo.
Referi o quanto encontrar colegas com quem já estivera em outros eventos, com muitos que se dizem meus leitores e mesmo com pessoas que encontrava pela primeira vez me fazia confortada e robustecido nas minhas tentativas de fazer educação.
Falei cerca de duas tendo a atenção de cerca de 200 pessoas. Quando das perguntas, houve aqueles que iniciavam suas falas dizendo o slogan que tem quase unanimidade nacional: Fora Temer!
Encerrada formalmente a solenidade houve muita tietagem com prologada sessão de fotos. Não houve a usual sessão de autógrafos, pois os sessenta livros que trouxe se esgotaram nas atividades em Cuiabá.
Antes de retornar ocorreu algo que me comoveu. Fui procurado por Felipe, que se apresentou dizendo ser aluno de uma turma Educação de Adultos, e recebera de seu professor uma tarefa: levar-me a sala de aula de seu grupo. Lá fui recebido pelo Professor Célio Marcos Pedraça e um grupo de seis mulheres que com o Felipe compõem o grupo de Proeja. Trouxeram-me significativos comentários acerca de minha palestra. Tiramos fotos e nos abraçamos. Lacrimei.


terça-feira, 9 de maio de 2017

09.— Fazeres cuiabanos

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Na última edição referi viagem à Cuiabá. Estou na capital Mato Grosso desde a tarde de domingo. Também sonho com a volta no próximo sábado. Minha viagem prende-se a minhas ações acadêmicas enquanto docente da REAMEC/Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática [Sim! Mato Grosso é um dos nove estados amazônicos]. De segunda a sexta, pela manhã, ministro um seminário de História e Filosofia da Ciência para doutorandos da REAMEC.
Esta atividade ganhou outra dimensão. Por uma parceria, catalisada pelo doutorando Eduardo Ribeiro Mueller, entre a UFMT (onde está um dos três polos da REAMEC) com o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências do IFMT/UNIC. O curso passa ser uma ação conjunta para doutorandos da REAMEC e para mestrandos do PPGEn IFMT/UNIC. O alargamento de participantes parece ter enriquecido em muito a participação, pois um e outro grupo compartilham de uma maneira muito rica suas experiências.
Antes de relatar uma experiência muito original desta manhã, registro que a este seminário se aditam três palestras: A primeira ocorrida ontem, no Programa de Pós Graduação em Ensino de Ciências Naturais onde discuti acerca do “assestar óculos para olhar o mundo” que ensejou uma muito boa discussão na comparação de dois dos seis óculos examinados: Ciência e Religião.
A segunda palestra será na noite de quinta-feira no Campus de Rondonópolis do IFMT onde buscarei responder a pergunta: “O que é Ciência, afinal”. A terceira palestra “Das disciplinas à indisciplina” será na noite de sexta, como atividade de encerramento da semana, no IFMT.
Em meio a esses fazeres, parece importante relatar algo que o seminário, na sua segunda manhã, de maneira inesperada, teve um redesenho. O Prof. Dr. Geison Jader Mello, professor de Física do IFMT e também coordenador do mestrado do PPGEn antes referido, disse-me que, ao invés de deixar uma tarefa para seus 40 alunos do 1º ano do ensino médio do curso técnico em Informática, enquanto se ausentava para assistir o Seminário, os convidou para assistir a parte inicial de minha aula.
Eis que de repente, estava com a população do curso dobrada, com uma plêiade de jovens alunos, nascidos no século 21, com cerca de um mês de aulas no IF, inseridos em um seminário que começara ontem. Depois de acolhê-los, convidei aos mestrandos e doutorandos que contassem aos jovens algo que vivenciaram na sessão de ontem.
A cada aporte trazido como destaques, ampliavam-se as discussões de ontem, com a retomada de pontos significativos, para um grupo que parecia sorver encantado as discussões. Aprofundei e ampliei exemplos e respondi a perguntas dos meninos. Quase uma hora depois o grupo retirou-se. Foi comovente ver o quanto me acenava e me faziam sinais que gostaram da amostra de um seminário de pós-graduação.
Em seguida fizemos uma avaliação desta atividade. Fomos unânimes em ratificar convicções: é mais difícil, mais complexo dar aula na Educação Básica do que na pós-graduação. Quando os jovens saíram, respirei aliviado.
Agora era mais fácil falar acerca da necessidade de aprendermos trabalhar com a incerteza... mas, valeu muito a experiência.

sábado, 6 de maio de 2017

06.— Devaneios sabáticos

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O primeiro sábado de maio encanta-me. Curto a primeira floração dos maracujazeiros que plantei no ano passado em meu híbrido jardim/horta. As flores da Passiflora sanguínea são muito lindas e prenhes de significados. Creio que merecerem uma blogada especial. Por hoje apenas uma foto que colhi.
À guisa de uma sabatina, marcada pela expectativa do retorno, à noite, da Gelsa, que desde segunda está em Ilhéus qualisando livros em atividade proposta pela Capes, trago três breves registros:
1) Ontem à tarde, participei no Centro Universitário Metodista do IPA, no Mestrado Profissional de Reabilitação e Inclusão, da defesa de Cristiana Fontoura Trindade que trouxe à avaliação a dissertação: “Das cavernas às cotas: participação e perspectivas no relacionamento da mulher com o trabalho”. Participaram da banca as professoras doutoras Luciane Carniel Wagner (orientadora) e Marlis Morosini Polidori. Foi muito saboroso reencontrar meu colega José Clovis de Azevedo, co-orientador da Cristiana, com quem compartilhei, por vários semestres, seminários no CUM-IPA. Na minha avaliação, preliminarmente, registrei a satisfação de esta banca não ter se realizado, como o previsto, no dia 28 de abril, em razão da Greve Geral; isso oportunizou a já quase clássica saudação “Fora Temer!” Mencionei, mais uma vez o quanto ainda não elaborei a minha demissão da instituição em 12FEV1026.
2) À noite fui à Academia Treinar, não para as práticas salutares que me envolvem ali, há mais de dez anos, três a quatro vezes por semana. Ontem foi para celebrar os 12 anos da Academia Treinar. Foi uma festa inusual no meu cardápio de festas. Considero-me xucro (ou chucro) nesta modalidade. Trago dois destaques: O primeiro, a acolhida querida das professoras e dos professores da AT, e aqui faço uma referência especial à Marcia Honesko, minha personal training; também alegrei-me pelo encontro de outra Marcia, minha competente pedóloga. O segundo, reencontrar o colega Hélgio Trindade, ex-reitor da UFRGS; só lamentamos não poder conversar mais e melhor porque o som (dito festivo) não permitiu, mas já alinhavamos reencontros.
3) Amanhã, às 14h, viajo a Cuiabá para atividades acadêmicas relacionadas com minha participação na REAMEC/Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática [Sim! Mato Grosso é um dos nove estados amazônicos]. De segunda a sexta, pela manhã, ministrarei um curso de História e Filosofia da Ciência para doutorandos da REAMEC. A esta atividade se aditam ainda três palestras, para outros três grupos, uma das quais em Rondonópolis. Durante a próxima semana, é provável, a trazida aqui destes fazeres.

terça-feira, 2 de maio de 2017

02.— Pedido de ajuda

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Qual seria a tua reação se, quase a cada dia, uma ou mais vezes por dia, quase todos dias, nas horas mais insólitas, como na hora da sesta dignamente merecida no feriado do dia do trabalhador, tu fosses impactado por uma propaganda gravada por telefone ofertando serviço para (o teu) funeral?
É sobre isso que peço sugestão. Quero livrar-me dessa propaganda (quase) indecente. Já pedi amavelmente, já fiz ameaças iradas, já escrevi no SAC da empresa... e não há jeito de retirarem o número de meu telefone fixo da lista.
Sou avisado que eles garantirão o “tratamento das formalidades para liberação do corpo, bem como obtenção da declaração de óbito e da guia de sepultamento.”
Não tenho interesse em saber que terei à disposição um caixão que chamam de uma  urna que será “modelo sextavada, caixa e tampa em madeira pinus, fundo de madeira de alta resistência, seis alças tipo parreira ou varão, quatro chavetas para fechamento da tampa, três chavetas para fechamento do visor acrílico, e acabamento externo com verniz de alto brilho.” Fico sabendo também que a dita urna terá “ornamentação no interior com flores” acompanhando um “véu bordado e uma coroa de flores.”
Se contratar os serviços terei um atendimento em âmbito nacional com translado do corpo do local do óbito para o velório e daí para o cemitério. Poderá haver cremação em substituição ao sepultamento se o falecido tiver feito tal opção e cumprido todas as formalidades legais necessária.
Está garantido um “profissional para acompanhar a família em todo o procedimento” e mais “todos os serviços mencionados acima serão executados sempre respeitando a religiosidade ou o credo da família.”
Sabem que eu prefiro? Que esta quase macabra publicidade cesse. Não quero usufruir dessas comodidades. Aguardo alguma sugestão... 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

28.— Memórias de um dia de greve

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28 de abril de 2017. Um dia paradoxalmente triste e alegre.
Triste por se ver a necessidade de uma significativa parcela da população brasileira precisar ir às ruas para clamar contra um governo ilegítimo e corrupto, para que este não dilapide as leis que asseguram direitos dos trabalhadores.
Alegre, pelo orgulho de se poder conviver como povo nas ruas, e maneira ordeira fazer de uma sexta-feira ensolarada outonal um espetáculo ao se bradar contra as reformas trabalhista e da previdência.
Talvez, do ponto de vista ético, o melhor seria hoje fazer greve neste blogue. Este registro, que quer ser breve, é apenas para dizer: eu, como milhões de brasileiros, estive nas manifestações e bradei “Fora Temer!”
As interpretações sobre o dia de hoje podem ser as mais dispares. O Ministro da Justiça, um pseudo-sábio, disse que consideradas as manifestações, pela sua inexpressividade quanto a participação, podem ser vistas como de apoio às reformas. Cada um vê o que a sua acuidade intelectual permite ver.
Eu participei de uma caminhada ao meio dia desde a Faculdade de Educação da UFRGS até a Esquina Democrática, na Andradas com a Borges de Medeiros. Foi emocionante. Soube, que de seis horas depois de encerrar minha participação, a passeata continuava.
Gelsa e eu, tivemos a querida companhia de Teresa Smart e Joseph Hanlon. Eles são dois pesquisadores de universidades londrinas que têm expertise em Moçambique, Cazaquistão e Bangladesh. Uma e outro, de maneira continuada, desenvolvem trabalhos na África e na Ásia, há mais de um quarto de século. Teresa e Joe já me acolheram, em mais de uma oportunidade em sua casa, localizada de maneira privilegiada próxima ao British Museum; nestes dias tenho a honra de tê-los, mais uma vez, em minha morada. A propósito vale recordar que em 11/12/2014 resenhei aqui “Galinhas e Cerveja: Uma receita para o crescimento” da autoria deles.
Assim neste registro desta memorável última sexta-feira de abril de 2017 rejubilo por ter participado da caminhada contra o reformismo insano e homenageio a dois intelectuais londrinos que catalisaram nossa presença em um verdadeiro espetáculo cívico. E há que continuar a temer Temer!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

. 20.— Cuidado: isto pode ser ENGO®DA Lattes!

 

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Nesta véspera de feriadão, volto à UFRGS. Não vou ao Instituto de Química do qual sou professor titular aposentado, nem a Faculdade de Educação, em cujo PPGEducação fiz mestrado e doutorado. Muito menos volto ao restaurante da Reitoria (que não existe mais) no qual trabalhei no final dos anos 1950.
Vou ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Educação: Química da Vida e da Saúde (PPGQVS). Este foi organizado em 2005 em uma associação de professores do Departamento de Bioquímica (Instituto de Biociências / Universidade Federal de Rio Grande do Sul), da Faculdade de Educação (FACED / UFRGS), do Núcleo de Educação em Química (Instituto de Química / UFRGS), da Faculdade de Educação (Universidade Federal de Rio Grande - FURG) e do Instituto de Química (Universidade Federal de Santa Maria - UFSM).
No PPGQVS participo, como membro da banca, da apresentação da dissertação de Mauro Melo Costa, professor do IFAM, em Manaus. Ele com o trabalho: SISTEMATIZAÇÃO DE ESTUDO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: possibilidade a partir da utilização de roteiros de aprendizagem no ensino de Química, realizado sob a orientação do prof. Dr. José Claudio Del Pino habilita-se ao título Mestre em Educação em Ciências.
Estão também comigo na banca as professoras doutoras Andréia Modrzejewski Zuculotto, do IFRS e Rosa Oliveira Marins Azevedo, do IFAM. A apresentação pública da dissertação ocorre nesta quinta-feira, às 16h, no departamento de Bioquímica, na Rua Ramiro Barcelos, 2600, próximo ao Planetário.
Reservo meus comentários acerca do conteúdo do bom trabalho para esta tarde. Destaco aqui, pela sua originalidade, algo da forma de como foi estruturada a dissertação.
Ao se fazer a ‘Analise da dissertação’, ocorre uma surpresa: – até porque esta não é destacada nem sumário e nem no resumo — o uso de uma mais recente modalidade de edição de uma dissertação que ‘empacota’ (Wrapping papers), no caso presente, quatro artigos publicados e/ou submetidos à publicação. E isso é feito com competência e com originalidade e cada um dos quatro artigos parece guardar conexões entre si. Talvez, se devesse buscar alternativas que evitem a repetição de excertos, que estão nos diferentes artigos, aparecerem também na dissertação como, acontece em certas situações.
Comentar esta dissertação dá azo à observação que é exógena aos artigos trazidos pelo mestrando: Importante é se estar atento para que esta modalidade de apresentação de uma dissertação não se transforme em um muito provável engo®da Lattes.
Sim! Engordar e engodar o Currículo Lattes parecem ser ações simultâneas. Este exagerado engorde se faz, usualmente, com ações que envolvem engodos — como ensina o Priberam — “enganar ardilosamente”.
Há muitas situações sui generis para ilustrar algo que vem ocorrendo, mais recentemente na academia. Trago apenas dois exemplos que me são muito próximos.
O primeiro: Fulano me envia um artigo, onde sou posto como coautor, sem ter escrito (ou refletido sobre) uma linha, dizendo “hoje, à tarde, sobrou-me um tempo e escrevi o artigo anexo. Queria a sua opinião e sugestão de nome de revista para publicarmos!” Sou de tempo em que a produção de qualquer artigo tem uma exigência bovina: ‘ruminar’ na acepção de meditar, planear, cogitar...
 A segunda ilustração: ainda ontem uma colega me narrou que viu que Beltrana tem 21 artigos publicados em 2016. Lembrei-me da série das estampas Eucalol: “Incrível, porém verdadeiro”.
Sou levado a conjecturar que nem Fulano e nem Beltrana conhecem ações como maturar, meditar, cogitar. Quantidade e qualidade parece que se constituem em antônimos. Isso não é uma boa prática para Academia.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

14.—METEORA, um presente de uma estada na Grécia.

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Nesta Sexta-feira Santa, que para Gelsa e para mim terá 30 horas, já estamos em viagem de retorno. Deixamos Agria, rumo à Volos, um pouco depois das 6h. Após, fizemos uma viagem, em ônibus, de cerca de quatro horas de Volos à Atenas. É no aeroporto da capital grega, antes da longa viagem de rumo à Paris / Guarulhos / Porto Alegre, redijo essa blogada. Esse fazer é também um entretimento para mais de 33 horas de viagem.
Neste cruzar mais uma vez o Atlântico, a emoção maior desta viagem aconteceu no dia de ontem: fiz a tão sonhada viagem a Meteora. Se fosse chamado a opinar por alguém que dispõe apenas um ou dois dias para fazer a viagem de sua vida, eu diria: vá a Meteora.
Claro que, à minha recomendação faria preceder uma advertência: é preciso estar em boas condições físicas. Eu já descera 820 degraus em uma visita à mina de sal de Wieliczka, em Cracóvia; vivi uma quase tortura psicológica em Aschwitz e Birkenau; fiz escaladas na Muralha da China; caminhei quilômetros em Petra, na Jordânia. As exigências de ontem superaram a tudo. Em mais de um momento remeti, em pensamento, minha gratidão à Luciana e Márcia, co-responsáveis pelo minha preparação física.
Meteora, mesmo com muitas exigências, valeu a pena, e gostaria de repetir. Se fosse possível, amanhã gostaria de voltar. Afinal, porque estive em apenas dois dos seis mosteiros. Aliás, aceitaria ver os mesmos dois novamente.
Trago algumas evocações ajudados por escritos que estão presentes na Internet. Não saberei fazer muito diferente daquilo que estudiosos já louvaram. Para mim, Meteora é inenarrável. Pode-se experimenta-la, para sabe-la um pouco.
Meteora (em grego: Μετέωρα, "meio do céu") é um dos maiores e mais importantes complexos de mosteiros do Cristianismo Ortodoxo, superado apenas pelo Monte Atos —[ver box ao final] —. Os seis mosteiros foram construídos sobre pilares de rocha de arenito, na região noroeste da planície da Tessália, próximo ao rio Peneu e às montanhas Pindo, na Grécia central. O maior pico em que se localiza um mosteiro tem 550 metros. O menor, 305 metros.
Apesar de ser desconhecida a data de fundação de Meteora, crê-se que os primeiros eremitas se estabeleceram em cavernas no século 11. No final deste e início do século 12, formou-se um estado monástico rudimentar centrado à volta da Igreja de Theotókos (mãe de Deus). Os monges eremitas, procurando um refúgio seguro à ocupação otomana, encontraram nos rochedos inacessíveis de Meteora um refúgio ideal. Foram construídos mais de 20 mosteiros.
Atualmente existem apenas 6; os seis mosteiros são: Megálos Metéoros (Grande Meteoro ou Mosteiro da Transfiguração), Varlaam, Ágios Stéphanos (Santo Estêvão), Ágia Tríada (Santíssima Trindade), São Nicolau Anapausas e Roussanou. Visitei os dois primeiros apenas. Dos quais o de Santo Estêvão, o único feminino.
O acesso aos mosteiros era feito por guindastes e apenas em 1920 foram construídas escadas de acesso. Em 1988, este monumento com montes e vales revestidos com florestas foi classificado Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Talvez, o mais exótico deste conjunto de edificações é que os mosteiros se aninham ao alto de torres de rochas cinzas, que estão sendo esculpidas pela erosão há milhares de anos. Tento uma comparação brasileira. Aquelas formações rochosas que há no Paraná, próxima a Ponta Grossa, que se parecem cálices moldados pelo capricho dos ventos milenares poderia ter sobre elas um automóvel. Em Meteora, há torres assemelhadas que brotam nos planaltos e têm sobre elas várias construções que formam um mosteiro. Há informações que análises químicas sugerem que as formações rochosas onde Meteora foi construída apareceram 60 milhões de anos atrás por meio de erosão fluvial.
Os primeiros Mosteiros de Meteora foram fundados no século 14, foram construídos a fim de escapar dos turcos e dos albaneses na época da guerra.
Nossa primeira visita foi ao Mosteiro Agios Stefanos (Santo Estevão) construído na primeira metade do século 15 e Santo Filoteos (meio do século 16) são ambos honrados como os fundadores deste monastério. A pequena igreja de Aghios Stefanos é uma basílica de ala única, construída em 1350. Ícones do período pós-bizantino, vestes sacerdotais e telas bordadas a ouro, com finas peças de prata podem ser admirados quando da visita. O seu imponente Santo Altar é utilizado como um museu moderno com as mais impressionantes heranças da igreja.
Mosteiro da Transfiguração ou Grande Meteoro foi a nossa segunda visita. Aqui diferente de São Santo Estevão há sequência de escadaria exigindo a subida de dezenas de degrau, pois está localizado em extenso e elevado planalto. Foi criado em 1340 por Aghios Athanassios Meteoritis (1302-1380). Athanasio, expulso do Monte Athos, com vários seus fiéis fundou o grande mosteiro de Meteora.
Há a possibilidade de se visitar o Museu da Arte com ferramentas e aparelhos antigos, em sua maior parte em madeiras centenárias. O ossuário, a igreja da Transfiguração de Jesus, o santuário foi construído em 1388 e a igreja principal, em 1545, o Altar central foi construído em 1557 e hoje em dia, há um bem organizado Museu da Herança da Igreja e uma cozinha de 1557 formando o Museu do Folclore com peças de cobre antigo, de barro e utensílios de cozinha e de agricultura, de fiação, moagem e produção de vinho em madeira.
Há muito mais há narrar. O texto está grande e há limitação. Preciso registrar meu agradecimento ao Stamati, referido nas duas edições anteriores, ao seu sogro, que além de ter-se mostrado na terça-feira em competente cantor e violoncelista é excelente motorista e a Cristina, a arqueóloga que soube responder às minhas perguntas. Minha gratidão muito especial às seis colegas do MES9, de seis países diferentes, que foram excelentes parceiras no fruir de maravilhas que nos fizeram distinguidos pelas belezas percebidas.

O Monte Atos (em grego Όρος Άθως) é uma montanha e península na Grécia. É patrimônio mundial da UNESCO, constituindo-se também como entidade política autônoma da República Helênica, governada por um Conselho Teocrático da Igreja Ortodoxa Grega. Na atualidade, os gregos usam a expressão "Montanha Sagrada" (em grego Άγιον Όρος) para se referir ao Monte Atos. O Monte Atos abriga vinte mosteiros greco-ortodoxos sob direta jurisdição do patriarca de Constantinopla. O nome oficial da entidade política é Estado Monástico Autónomo da Montanha Sagrada. Esta Região, Província ou Território Dependente da Grécia possui cerca de mil habitantes, todos do sexo masculino, sendo vedado o ingresso pessoas ou animais do sexo feminino.