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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

31.- UM TRIÁLOGO: BAUMAN, LEAL & CHASSOT


Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2374
Num dia deste janeiro que se esvai, um professor, que só conheço de parceria de leituras, mandou-me uma interrogante mensagem. Sérgio Henrique Bezerra de Sousa Leal, do Centro de Ciências Naturais e Humanas da UFABC escreveu:
Boa noite! Já havia lido em seu blog que tem um diário íntimo e, no momento, estou lendo seu livro "Memórias de um Professor", onde também cita tal prática. Uma dúvida que me surgiu: porque utiliza o diário convencional sob a forma de papel e não um arquivo digital, como, por exemplo, no word, onde conseguiria digitar mais rápido, anexar fotos etc. Pergunto isso porque também tenho o hábito de escrever diários e o faço sob a forma digital e nunca havia cogitado em fazê-lo da forma convencional. Grande abraço, Sérgio.
O tema me empolga. Já escrevi mais de um artigo sobre o assunto. O mais recente Chassot, A. (2005). Escrever diários como uma forma de colecionismo. Episteme, 10 (20), 55-70. Nem sempre está acessível no Scielo, mas posso enviar a quem desejar. Um dia uma agenda exigente determinou uma resposta despretensiosa.
Muito caro colega e amigo Sérgio, realmente conservo — ou melhor: tento — o hábito de calígrafo e faço diário suporte papel. Estou no trigésimo volume — desde 1983, na me falta nem um dia.
No meu viés colecionista o ponderável faz diferença. É o momento de exercitar a escrita. Há dias que fazer o diário é o único momento que escrevo algo em suporte papel.
Tua pergunta me faz interrogante. Sucessos ao piauiense arranchado no ABC.
Com admiração attico chassot
Minha resposta poderia se mais completa. Poderia ter contado que tenho páginas escritas em UTI — antes da cirurgia peço para colocar o dispositivo por onde entra o soro na mão esquerda. Mas mesmo assim o Sérgio foi elegante:
Prof. Chassot, realmente parabéns pela disciplina de escrever diariamente e ainda preservando o hábito de escrever em suporte de papel. É algo tão interessante que até me fez questionar se não é hora de também voltar ao hábito de escrever em papel. Grande abraço, Sérgio
Quando, autorizado pelo Sérgio, pensei em contar este diálogo, ocorreu-me convidar um tertius para palpitar: Zygmunt Bauman*. Claro que ele nos supera fácil. Mas dá brilho a nossa conversa quando nos conta porque e como escreve:
Um dia sem escrita parece um dia perdido ou criminosa abortado, um dever omitido, uma vocação traída.
Prosseguindo, o jogo das palavras é para mim o mais celestial dos prazeres. Gosto muito deste jogo — e o prazer atinge os píncaros, quando reembaralhadas as cartas, meu jogo parece ser fraco e preciso forçar o cérebro e lutar para preencher as lacunas e superar as armadilhas. [...]
Outro motivo: sinto-me incapaz de pensar sem escrever.
Imagino que seja primeiro um leitor e depois um escritor. Pedaços, retalhos, fatias e frações de pensamentos em luta para nascer, suas aparições fantasmagóricas/ espectrais rodopiam, comprimindo-se, condensando-se e novamente se dissipando; devem ser captados primeiros pelos olhos. Antes que se possa detê-los, coloca-los no lugar e lhe dar contorno. Primeiro precisam ser escrito em série para que um pensamento razoavelmente bem-acabado possa nascer, ou se isso falhar, ser abortado, ou enterrado como natimorto. [...]
Por fim, embora não menos importante, suspeito que eu seja um grafômano, por natureza ou criação... Um viciado que precisa de mais de uma de suas doses diárias ou que se arrisca até as agonias da abstinência. Ich kann nicht Anders (Não posso fazer diferente). Esse provavelmente é o motivo profundo, aquele que torna a busca por motivos tão desesperada e inconclusiva quanto inescapável.
*Isto não é um diário, p. 8, Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

30.- DURMA-SE COM UM BRILHO DESSES


Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2373
Há uma recomendação continuada ‘Não leve tablet ou assemelhados para a cama!’ Entre outras desvantagens: tiram o sono, produzem dor de cabeça etc.
Luli Radfahrer, professor-doutor de Comunicação Digital da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP há 19 anos, com a autoridade de quem trabalha com internet desde 1994, no artigo que tece a blogada de hoje é convincente: a luz do tablete reduz o hormônio do sono em 22%.
 O autor do livro "Enciclopédia da Nuvem", publicou no caderno Tec da Folha de S. Paulo o texto que segue:
Estamos cercados de retângulos brilhantes. Dos pequenos displays nos micro-ondas e rádios às TVs cada vez maiores, passando por videogames, desktops, notebooks, tablets, celulares e smartphones, praticamente não há momento em que se viva distante deles. É só uma questão de tempo, creio, para chegarem ao fundo de piscinas e mares.
Novos fabricantes desenvolvem, a cada ano, versões mais leves, econômicas, resistentes e versáteis dessas telinhas, que a partir deste ano serão até dobráveis. Nos carros, TVs para motoristas já não causam espanto. Dividem sua preciosa atenção com as telas do painel, do GPS, do celular e, de vez em quando, até com o que acontece na rua.
Nossa relação com a luz é tão intensa que parece que vivemos de fotossíntese. Nas hiperluminosas residências modernas, algumas noites ficam mais claras do que os dias.
Pena que o cérebro humano, esse primitivo, não esteja preparado para tanto brilho. Luz, para as mentes consolidadas desde os primeiros hominídeos, vem do céu, do fogo ou de raridades como um vaga-lume ou um metal radiativo. Luz branca, ainda mais rara, só vem de um raio ou do Sol ao meio-dia. LEDs, LCDs, plasmas e outras iridescências causam estranheza a nossos mecanismos de atenção. Como gatos expostos ao flash de uma câmera, ficamos meio paralisados diante eles.
Isso não impede a exposição cotidiana a dezenas de retângulos brilhantes, deixando a mente em estado de constante estímulo. Por instinto, quem passa muito tempo em frente às telas permanece desperto até o momento em que não resta ao corpo outra opção se não desligar os disjuntores e desmaiar, até o sono ser interrompido pelo brilho do despertador. Como quem vive no fuso horário da Califórnia, o impulso de alguns brasileiros tecnológicos é deitar perto das 3h e acordar às 11h. A maioria, que não pode dar-se esse luxo, acaba dormindo pouco.
E mal. Um estudo publicado no periódico técnico "Applied Ergonomics" revela que duas horas de exposição à luz brilhante de um tablet ou equivalente antes de dormir reduzem os níveis de melatonina, o hormônio do sono, em cerca de 22%.
Essa carência provoca, além de noites ruins, o aumento dos riscos de obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. A falta de sono diminui a produtividade, aumenta o risco de acidentes, prejudica o raciocínio e mata a libido. Por mais que fanfarrões afirmem ser capazes de dormir poucas horas, não há argumentos médicos que defendam essa tese, muito pelo contrário.
Aplicativos para smartphone se propõem a medir a qualidade do sono de seus usuários com base no movimento captado por seus acelerômetros. A intenção é nobre, embora seja fácil prever alguns resultados. Quem checa mensagens ou visita websites antes de dormir pode levar preocupações do trabalho para a cama. Quem joga ou interage com redes sociais tende a ficar mais alerta. Até mesmo quem assiste a um vídeo bobo no telefone fica exposto a uma luminosidade sem precedentes. Mal dormidos, vários acordam no meio da noite e checam suas redes. Não pode fazer bem.
Por mais que aparelhos eletrônicos fascinem, é preciso limitar seu uso antes de ir para a cama. Talvez seja um excelente motivo para retomar o antigo hábito de conversar.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

29.- LIBERDADE E O FUTURO DA INTERNET


29.- LIBERDADE E O FUTURO DA INTERNET

Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2372
Hoje, meia-tarde, a Gelsa e eu temos um saboroso programa de férias. Vamos à Estrela para avonar. Primeiro buscamos o Guilherme na ‘colônia de férias’ e o Felipe na ‘escolinha’. Depois com a Ana Lúcia e o Eduardo vamos celebrar um estar juntos. Voltamos no ocaso da terça-feira.
No último fim de semana  assistimos 'Mestre’ que integra a safra pró-Oscar. Não gostamos do filme, ou melhor, abominamos. Eu me senti vítima de propaganda enganosa. Queria conhecer mais sobre Cientologia [A cientologia é um sistema de crenças fundado em 1952 pelo autor de ficção cientifica L. Ron Hubbard (1911-1986). A cientologia foi oficializada em 1954. Esta religião baseia-se nas centenas de livros de Hubbard sobre cientologia e apenas alguns sobre Dianética (como uma subdisciplina da Cientologia). A doutrina tem influências de outras religiões, como o hinduísmo e o budismo, e de ciências humanas, como a psicologia].
Mesmo que o Mestre represente Hubbard, a seita (com matriz na cientologia) que é lócus do filme é apresentada de maneira tão caricata que há um gol contra na cientologia.
Mas esta trazida aqui tem outro mote. Por termos pesquisado sobre o tema, mais especificamente sobre o filme, mesmo que não fosse fornecido nenhum correio eletrônico, no dia seguinte a Gelsa recebeu oferta de uma organização de nome Dianética para comprar um dos livros de Hubbard.
Cuidado: você está sendo vigiado e manipulado. Essa é a mensagem que fica da leitura de "Cypherpunks, Liberdade e o Futuro da Internet", novo livro de Julian Assange, que será lançado no Brasil dia 1º de fevereiro
Criador e editor-chefe do polêmico WikiLeaks, grupo que revelou documentos secretos dos EUA, Assange, 41 anos, está há mais de seis meses na Embaixada do Equador em Londres. Apesar de ter obtido asilo político no país sul-americano, ele é ameaçado de prisão pelo Reino Unido caso deixe a missão diplomática.
"Cypherpunks" diz respeito a um movimento que defende o uso da criptografia (a comunicação por códigos) na internet como forma de garantir privacidade e escapar dos controles de governos e corporações. "É preciso acionar o alarme. Esse livro é o grito de advertência de uma sentinela na calada da noite", escreve Assange na introdução.
Google, Facebook, Amazon, cartões de crédito, governo dos EUA: a metralhadora giratória do texto ataca poderes políticos e econômicos e faz parecer brincadeira de criança a imaginação de George Orwell.
"A internet, nossa maior ferramenta de emancipação, está sendo transformada no mais perigoso facilitador de totalitarismo que já vimos. A internet é uma ameaça à civilização humana", afirma o editor, que enxerga uma militarização do ciberespaço: "Quando nos comunicamos pela internet ou por telefonia celular, nossas trocas são interceptadas por organizações militares de inteligência. É como ter um tanque de guerra dentro do quarto", diz.
No livro, o Google é apontado como "a maior máquina de vigilância que já existiu". O debate argumenta que as agências de espionagem dos EUA têm acesso a todos os dados armazenados por Google e Facebook — vistos como "extensões dessas agências".
Eleonora de Lucena escreveu no último sábado na Folha de S. Paulo: o livro pode ser um ponto de partida para um debate. "Os segredos dos poderosos são mantidos em segredo dos que não têm poder", afirma Assange. Quem pode contestar?
CYPHERPUNK — LIBERDADE E O FUTURO DA INTERNET (Título Original: Cypherpunks: Freedom and the Future of the Internet)
AUTOR Julian Assange (com Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann)
Tradução: Cristina Yamagami.
EDITORA Boitempo Editorial
ISBN 978-85-7559-307-3
QUANTO R$ 29 (260 p.)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

28.- DE REPENTE SANTA MARIA SE FEZ MINHA ALDEIA


Ano 7***    E N L U T A D O      ***Edição 2371
Aquele que foi o ensolarado último domingo de janeiro já está quase no ocaso. Mas, continua densamente funério. Avizinha-se a hora de postar o blogue e sou estéril intelectualmente. Escrever — para mim continuado e revigorante prazer intelectual — hoje é quase nauseante.
Lembro quando em setembro de 2001, na hora que se esboroavam as duas torres em Nova York eu sepultava minha mãe. Então, por semanas meu luto se fazia dor numa amarga abstinência no escrever.
Hoje, desde meia manhã não consigo deixar Santa Maria. É muito impressionante. Podemos ser sujeitos globais, que a toda hora nos condoemos com tragédias e misérias. A cada dia morrem 30 mil pessoas (= a 10X os mortos de 11SET01 no WTC). Somos, também, sujeitos locais. Neste domingo minha aldeia foi ferida. Não foi um tsunami no Japão ou terremoto no Haiti. Santa Maria é ali.
Foi a primeira cidade que conheci, quando ainda não era alfabetizado, participando de uma das primeiras romarias da Medianeira. Todos os trens que passava por Jacuí iam ou vinham de Santa Maria. Para lá meu pai levou-me, de carona em um trem, quando, com cerca de quatro anos, quase vazei um olho, ao cair em uma lata enferrujada.
Em Santa Maria vivem parentes e lá já sepultei um tio. Tenho muitos amigos na cidade que hoje esteve tragicamente nos jornais do Planeta.
Estive inúmeras vezes naquela que foi a primeira universidade federal de cidade não capital do Brasil (lembro quando suas faculdades ainda pertenciam a UFRGS e eu atendia seus diretores no Restaurante da Reitoria); hoje ela vela mais de duas centenas de seus alunos.
Na UFSM participei de projetos de formação de professores, cursos, bancas, ajudei a organizar EDEQs e ainda em maio fiz palestra para nove cursos de graduação, agora sei que mais de três centenas de jovens do campus de Camobi, que festejavam êxitos acadêmicos são vítimas, talvez, de imprudências não tão triviais e estão feridos ou mortos.
Estou triste. Não consigo mais acompanhar noticiosos onde comentaristas esportivos descrevem tragédias falando baboseiras. Refugio-me na música sacra de um coral de monastério búlgaro que uma vez visitei.
Assim, ao invés de cumprir a pauta do blogue prevista para hoje, silencio e solidarizo-me com cada uma e cada um dos pais, familiares e amigos dos envolvidos em tão infausto acontecimento. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

27.- ALERTA: PRESUNÇÃO


Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2370

Imensamente solidário com cada uma e cada um das pessoas envolvidas com dolorosa tragédia com universitários em Santa Maria.


Começo este blog domingueiro pedindo a benevolência de meus leitores por repartir com eles algo que me trouxe muita alegria. Isso porque este compartilhar pode ser entendido como uma presunção. presunção:Sentimento ou opinião de grande valorização que alguém tem em relação a si próprio. E nós sabemos como isso, no convívio com os que nos cercam, na vida em sociedade, pode ser nocivo.
Mesmo correndo este risco, decidi transcrever a mensagem abaixo, pela imensa alegria que tive em sentir que, mesmo que muitas vezes possamos ter a sensação de que nossas aulas ou nossas palestras pouca ou nenhuma marca deixem naqueles com quem interagimos (o que dizer dos ipads, notebooks, celulares e outras parafernálias que possibilitam que nossos alunos ou ouvintes estejam no facebook, no google etc, enquanto estamos dando uma aula preparada cuidadosamente), algo de nós fica nos demais...
No dia 19, sábado, recebi uma mensagem de Prof. Dr. Luiz Antonio Mazzini Fontoura, Químico Industrial e Professor de Química. Foi, talvez, a primeira mensagem pessoal que recebi do meu brilhante ex-aluno Luiz, que não vejo há muitos anos.
Fiquei emocionado. Não resisto e peco contra a presunção. Autorizado pelo seu autor a transcrevo a mensagem:
Mestre!
Ontem fui paraninfo na ULBRA no nosso curso de Química. Embora isso já tenha ocorrido outras vezes, ainda encontro significado e vejo o momento como único e especial.
No discurso de ontem, fiz uma pequena referência a ti. A propósito, muitíssimo discreta, se for pensar no respeito, na admiração, no carinho e na amizade que tenho por ti. Talvez a frase, que ouvi há muitos anos, não tenha sido esta, mas foi a mensagem que ficou na minha cabeça.
Anexei o discurso para leres, quando houver um tempinho.
Quando estava morando em Campinas, encontrei em uma livraria teu "Ciência através dos tempos", que li com enorme satisfação. Na verdade, não lia, era como se estivesse escutando a tua voz, não sei se te contei alguma vez. Volta-e-meia visito o teu blog, e a impressão é a mesma.
Aproveito para te desejar um excelente e inspirador 2013. Grande abraço,
Luiz
Eis o excerto que pinço do emotivo discurso do Luiz a seus afilhados:
Uma vez ouvi meu mestre e amigo professor Chassot, referência em educação química, dizer: compreender as moléculas é fácil, apreender a compreender a cabeça de nossas crianças é bem mais complicado.
Com pedido de absolvição por pavonear-me; ignorei o alerta presunção. Adito votos de um muito bom domingo a cada uma e cada um.

sábado, 26 de janeiro de 2013

26.- LIVROS QUE REVOLUCIONARAM O MUNDO


Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2369
Na edição da última segunda-feira, referi a obra ‘Livros que revolucionaram o mundo’. Cumpro hoje o acenado então e faço do mesmo a dica sabática, daquele que já é o último de janeiro, deste dito (¿ainda?) ano novo de 2013.
DOWNS, Robert B. Livros que revolucionaram o mundo [Original estadunidense: Books That Changed The World Books. Tradução de Lino Vallandro] Com notas bibliográficas e índice alfabético e remissivo. Porto Alegre: Globo, 1977. 248 p. Brochura 210x138x18mm ISBN: não disponível. (Encontrável em vários sebos virtuais, com preços muito variáveis).
Robert Bingham Downs (25 de maio de 1903 - 24 de fevereiro de 1991) foi um prolífico escritor e livreiro estadunidense. Downs era um advogado batalhador na defesa da liberdade intelectual. Ele passou a maior parte de sua carreira trabalhando fazendo oposição à censura literária.
Anualmente, é concedido o Prêmio Robert B. Downs pela Liberdade Intelectual que reconhece indivíduos ou grupos que promovem a causa da liberdade intelectual, sobretudo no que isso impacta as bibliotecas e centros de informação e divulgação de ideias. Concedido àqueles que têm resistido censura ou esforços para abreviar a liberdade dos indivíduos para ler ou ver materiais de sua escolha.
Nele são apresentados 16 livros que trouxeram ideias tão vitais e candentes de autores que tiveram o poderoso impacto na história da civilização (ocidental). Na obra estão divididos em dois grupos:
a) o mundo do homem, com 10 livros;
b) o mundo da ciência com 6 livros.
Eis uma apresentação dos 16 títulos destacados por Downs, na ordem que são apresentados:
1) O Príncipe, Nicolau Maquiavel — a anatomia política do poder.
2) Senso Comum, Thomas Paine — o agitador americano.
3) A Riqueza das Nações, Adam Smith — o santo padroeiro da livre empresa.
4) Ensaio sobre o Princípio População, Thomas Malthus — bocas demais a alimentar.
5) Desobediência Civil, Henry David Thoreau — indivíduo versus Estado.
6) A cabana do Pai Tomás, Harriet Beecher Stowe — a paladina dos humildes.
7) Das Kapital, Karl Marx — o Profeta do proletariado.

8) A Influência do Poder Marítimo sobre a História, Alfred T. MahanLeviatã contra elefante,
9) O Pivô Geográfico da História, Sir Halford J. Mackinder — Terra-Núcleo e Ilha Mundo.
10) Mein Kampf, Adolf Hitler — Um caso de megalomania.
Agora, os seis do mundo da ciência:
11) De Revolutionibus Orbium Colelestium, Nicolau Copérnico — a Revolução celeste.
12) De Motu Cordis, William Harvey — a Aurora da Medicina científica.
13) Principia Mathematica, Sir Issac Newton — o sistema do Mundo.
14) A Origem das Espécies, Charles Darwina sobrevivência dos mais aptos.
15) A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud — O Psicólogo do inconsciente.
16) Relatividade, Teorias Especial e Geral, Albert Einstein — O padrinho da era atômico.
A leitura destes 16 títulos e 16 autores permite inferir que sumarento é o texto de Robert B. Downs e quanto este livro foi importante para mim quando escrevi A ciência através dos tempos. Com entusiasmada recomendação neste sábado, permito-me acrescentar que releio alguns dos 16 capítulos nestes dias de férias.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

25.- UMA AULA DE DIREITO


Ano 7***        Porto Alegre      ***Edição 2358
Dentre o muito lixo enviado por alguns, de vez em vez, encontram-se perolas. Pensei que a historieta que segue fosse apropriada para fazer-se na edição desta sexta-feira, que desejo ser a melhor para cada uma e cada um.
AULA DE DIREITO Uma manhã, quando nosso novo professor de "Introdução ao Direito" entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Como te chamas?
- Chamo-me Juan, senhor.
- Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais! — gritou desagradavelmente o professor.
Juan estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estávamos assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! e perguntou o professor - para que servem as leis?
Seguíamos assustados, porém pouco a pouco começamos a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! — respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça — falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso... para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começávamos a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? — perguntava o professor.
- Para diferençar o certo do errado...
- Para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém... respondam a esta pergunta: agi corretamente ao expulsar Juan da sala de aula?
Todos ficamos calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não!!! — respondemos todos a uma só voz .
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!!!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para pratica-las?
- Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais!
- Vá buscar o Juan — disse, olhando-me fixamente.
Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito.
Quando não defendemos nossos direitos perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

24.- A VIRADA DO 19/20


Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2367

Quando discuto a trajetória da construção do conhecimento em aulas ou palestras, encanta-me olhar duas viradas de nosso século 20 (¡Sim, somos todos homens e mulheres do Século passado!) exceção para os pouco prováveis menores de 13 anos que me leem.

Então, depois de análises históricas e epistemológicas sintetizo com o slide ao lado. Parece-me uma muito adequada síntese.

[Max Planck 1858-1947] 

Nesta terça-feira recebi de doutoranda da REAMEC polo de Manaus a chamada de um vídeo. Max Planck e a Física quântica. Com reconhecimento a Maud Souza, permito-me recomendar investir 14 minutos para fruir www.youtube.com/watch?v=cQDDbiYk9Ps e entender um pouco mais como começou o nosso século 20 na companhia de Einstein, Freud, Bohr e outros. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

23.- A QUESTÃO DO ÔNUS DA PROVA


Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2366
 ¡Há um dragão na minha garagem! Quando, especialmente em sala de aula, se discute História e Filosofia da Ciência, de vez em vez, a questão do ônus da prova aflora nos debate especialmente quando olhamos os diferentes óculos [ciência, mitos, pensamento mágico, religião, saberes primevos, senso comum] para ler o mundo e entre estes comparamos religião e ciência.
Na semana passada recebi um texto acerca do tema de Silvia Regina Gobbo, uma respeitada paleontóloga, que já em várias oportunidades brindou os leitores deste blogue com sábios comentários. Assim, nesta quarta-feira, com esta produção se constrói a blogada de hoje.
Ultimamente temos visto uma série de criacionistas que se acham muito “filósofos”, mas que cometem alguns erros básicos de argumentação. Um deles é a questão “de quem é o ônus da prova”. Bem o ônus da prova é de quem AFIRMA A EXISTÊNCIA DE ALGO. Assim se você afirma a existência de um dragão na sua garagem, cabe a você o ônus da prova. Pode ser também um coelhinho da páscoa, um duende, orcs, hobbits, o que você quiser... se você afirma a existência o ônus da prova é seu.
Eu posso afirmar que o Papai Noel não existe E NÃO PRECISO PROVAR, porque simplesmente não existem EVIDÊNCIAS que me levem a propor a hipótese deste ser... Mas se você afirma a existência, o ônus da prova é seu.
Da mesma maneira é quanto ao tema “o universo tem um propósito?” Não existem evidências de que o universo tenha um propósito então cabe a quem afirma que o universo tem um propósito provar esta afirmação. O mesmo vale para a existência ou não de Deus(es). A quem afirma a existência é que cabe o ônus da prova.
Guilherme de Ockham, teólogo e filósofo já dizia isso na Idade Média... por isso ele propunha que uma crença em uma divindade é uma crença fideísta, baseada apenas em fé. E que aquele que tem fé nem se preocupa com provas. É uma questão de honestidade. Assuma sua crença, simplesmente por fé, não tente convencer outras pessoas da sua crença pessoal e nem queira utilizar a ciência para resolver esta questão. Se a hipótese não é falseável então não pode ser nem ser considerada uma hipótese científica. Tenha a sua fé numa boa, mas deixe a ciência fora disso.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

22.- MANUAL DO MUNDO



Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2365
Graças a meu colega e amigo Emiliano Chemello — um ardoroso e reconhecido disseminador da Ciência — conheci ontem o MANUAL DO MUNDO. Meu colega caxiense publicou no grupo Professores(as) de Química isto:
“Uma das coisas mais emocionantes que já fiz na vida foi subir em um palco em Porto Alegre para falar sobre o que eu havia aprendido com o Manual do Mundo. Isso aconteceu em 29 de novembro, quando participei do evento TEDx Unisinos, onde várias pessoas discutiam sobre inovação na educação. A palestra foi gravada, e agora está disponível no Youtube. Confiram abaixo! :-)
Conheci então o Iberê. Realmente um showman. Na apresentação acima ele convence como um vídeo do Manual do Mundo — e ele é autor de centenas — é melhor que uma aula ao vivo ou mesmo na televisão.
Vi diversas de suas produções. Algumas realmente ensinam Ciências; outras, talvez, estimulam um ‘pensamento mágico’. Mas, muitas nos fazem parecer um inábil sem nenhuma chance de ser um prestidigitador.  Falo de meu sentimento de incapacidade.
Aprendi muitas dicas e para mim foi uma boa pedida para estes dias nos curto férias.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

21.- UM POUCO DE INFERTILIDADE


Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2364
O pôr-do-sol do domingo de São Sebastião encontrou-me ouvindo Bach e folheando um dos muitos livros que foram importantes quando escrevia, há 20 anos A ciência através dos tempos. Lia, num momento que parecia mágico, ‘Livros que revolucionaram o mundo’ de Robert B. Downs [Porto Alegre: Globo, 1977]. Nele são apresentados 16 livros que trouxeram ideias tão vitais e candentes de autores — por exemplo: Marx, Copérnico, Newton, Darwin, Freud, Hitler — que tiveram poderoso impacto na história da civilização (ocidental). Reler Downs levantou pistas a uma dica de leitura de um próximo sábado.
Buscava reler acerca de um dos livros mais importantes que ainda destaquei na ultima terça-feira em Manaus: Ensaio sobre o Princípio População. Obra revolucionária publicada em 1798, por um jovem de 38 anos, clérigo da Igreja Anglicana, Thomas Robert Malthus. Uma síntese ligeira do livro: há bocas de mais a alimentar, logo é preciso controlar os nascimentos. Um contraponto a Malthus: em 1968, Paulo 6º edita a Humanae Vitae, com restrições a contracepção.
Quem catalisou a minha busca de Malthus foi Ruy Castro, com uma oportuna em bem humorada crônica sobre infertilidade, publicada nesta sexta-feira, dia 18, na p. A-2 da Folha de S. Paulo. Espero ter oferecido um aperitivo ao saboroso texto do articulista carioca ao qual aditei ilustração.
Antes de preliba-lo, atendo, com satisfação, aqui e agora, um pedido de um colega e amigo muito querido. O filósofo Renato José de Oliveira, que comigo organizou Ciência, ética e cultura na educação [São Leopoldo: Unisinos, 1998] pede divulgar entre estudantes e professores:
A realização do I Seminário Internacional de Estudos Éticos e Retóricos em Educação
~~ I SIEERE ~~
A página do evento é : http://sieere.blogspot.com.br/
Um pouco de infertilidade A revista "Human Reproduction", da Universidade de Oxford, na Inglaterra, acaba de publicar uma pesquisa reveladora. Cientistas estudaram 26 mil homens pelos últimos 17 anos e concluíram que o sêmen desses senhores piorou em quantidade e qualidade. A taxa de espermatozoides por mililitro caiu em 32,2% no período (significando bilhões de espermatozoides demissionários). Já a de espermatozoides morfologicamente "anormais"  — ou seja, sem cabeça, sem cauda ou que não sabiam nadar — cresceu.
Como se não bastasse essa quebra (provocada, segundo eles, por poluição, drogas, junk food, obesidade, estresse e outras pragas modernas), há também os contraceptivos, que podem tornar frustrante a vida de um espermatozoide. Como se sabe, dos milhões de espermatozoides que saem nadando feito loucos numa ejaculação, só um vencerá a prova — apenas para, ao bater a mão no ladrilho, descobrir que foi em vão, porque, se a mulher usar pílula, por exemplo, não haverá um único óvulo na piscina para fecundar.
Ou quando os espermatozoides, depois de quebrar todos os recordes no nado de peito, dão de cara com uma parede de látex  — a camisinha. Ou ainda, se for um "ato solitário", os infelizes simplesmente cairão no abismo, quase sempre no vaso sanitário, e irão embora com a descarga.
Os peritos em fertilidade se preocupam. De minha parte, não vejo nada de muito grave. O mundo já tem gente de sobra, e um pouco de infertilidade garantirá cidades mais confortáveis, filas menores nos restaurantes e menos fãs do padre Marcelo.
O inexplicável é que, apesar de tudo isso —espermatozoides meia-bomba, pílula, camisinha—, a população não para de crescer. E, com toda a poluição, drogas, junk food, obesidade e estresse de seus pais, as crianças estão cada vez mais altas, saudáveis e bonitas.

domingo, 20 de janeiro de 2013

20.- AMOR: UM FILME DOLOROSAMENTE LINDO



Ano 7***www.professorchassot.pro.br***Edição 2363
Esta edição dominical descumpre pelo menos uma das características das domingueiras. Há mais de seis anos estas sabem ser curtas e leves.
Ontem, nas companhias queridas de minha mulher e de minha sogra, armei-me de destemor e fui assistir Amor. As resenhas que havia lido deixavam-me apreensivo. Recordo o quanto fui mexido com o duplo suicídio do filósofo André Gorz, em 2007, aos 84 anos, e Dorine, sua esposa, que estava condenada à morte por uma doença incurável.
AMOR (Amour) - Georges e Anne formam um casal de professores de música aposentados. O casal vive uma rotina pacata e afetuosa em seu apartamento em Paris até o dia em que Anne tem um problema de saúde e entra em um acelerado processo de decadência física e mental, levando Georges a dedicar-se integralmente à saúde da companheira.
Em um dado momento, Georges e Anne chegam a um impasse: ela quer morrer, ele quer que ela viva. Poucas vezes o cinema de ficção fez um retrato tão duro e tão seco da velhice — aqui, não cabem eufemismos como "melhor idade". E, justamente por pintá-la com tintas tão realistas, cada ato dos personagens — um passo ou uma colherada — se torna mais excruciante e comovente.
DIREÇÃO: Michael Haneke
PRODUÇÃO: França/ Alemanha / Áustria, 2012
DURAÇÃO: 2h 7min‎‎ -  CLASSIFICAÇÃO: 14 anos
GÊNERO: Drama‎‎ - Legendado    AVALIAÇÃO: ótimo
Entre as muitas críticas publicadas na mídia nacional e internacional, escolhi transcrever excertos dos comentários do diretor de Amor, o consagrado Michael Haneke, e dos atores Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, personagens centrais do filme, extraídos de: http://www.bemparana.com.br/noticia/243481/filme-amor-enfoca-desafios-da-velhice
 O filme comove o mundo ao dar vida a uma idosa que sofre e divide a decadência da velhice com o marido. “Para mim, foi uma grande honra filmar com Michael. Não importam os prêmios, importa que é impossível recusar um convite dele. E que fizemos tudo que era possível para contar esta história com dignidade e amor”, disse a atriz, em conversa com a reportagem, em Cannes, logo após o longa receber a Palma de Ouro.
O júri de Cannes não deu a Palma a Emmanuelle, mas não ignorou sua contribuição ao filme. “Determinante para a vitória de Amor foi a contribuição dos atores. São eles que dão vida a este drama tão duro e terno ao mesmo tempo", declarou Nanni Moretti, presidente do júri ao anunciar o prêmio. Haneke concordou e dedicou o prêmio a seus atores, “sem os quais o filme não seria possível”, e à sua mulher. Quando questionado se oferecer a Palma à esposa seria mais uma forma de afirmar o valor dado à união entre duas pessoas, a mesma que se revela em seu filme, respondeu: “Não foi uma dedicatória exatamente. Foi o cumprimento de uma promessa entre duas pessoas. E também a promessa de não fugir à essência do filme. A história que eu conto é uma forma estética de ver esta promessa de amor”, afirmou o diretor. “Para mim, este é um filme amor, seja qual a forma em que ele se manifesta”, continuou Haneke. Esta forma é, no mínimo, controversa. Assim como o amor também pode ser violento. “Você é tão doce. E é um monstro, às vezes”, diz Anne, a personagem de Emmanuelle, em determinado momento ao marido Georges (Trintignant). “É esta dualidade, esta humanidade entre os dois, que está em todos nós, que seduz nesta história. É sobre um drama que todos nós vivemos ou vamos viver. Todos temos um mal, uma doença, uma fragilidade. Como lidamos com elas é que nos faz diferentes”, declarou a atriz. É esta liberdade de ação dos personagens, e de interpretação por parte do espectador, a maior força de Amor. “E é assim que tem de ser. Livre. Na vida e no cinema.
Fiz o filme de forma muito aberta, para que o espectador tivesse a opção de interpretá-lo. Se dou a minha opinião, limito o público”, completou Haneke. A interpretação surge quando o espectador se vê participando da rotina desse casal de idosos parisiense, em que o marido tem de passar a cuidar quase como de uma criança da mulher, após ela sofrer um AVC e ter parte dos movimentos paralisada. “Ela, que sempre foi uma pianista elegante e fleumática, apesar de carinhosa e mãe atenciosa, vê-se diante da decadência, do medo de sujar a reputação e a imagem do marido ao se revelar tão frágil e dependente. Há drama mais íntimo e, ao mesmo tempo, maior que este?”, comentou Emmanuelle. Estrela de clássicos como Hiroshima mon Amour, que Alain Resnais filmou em 1959, a atriz diz saber de cátedra que a juventude é efêmera. “Acho que devemos encarar a velhice, e a presença da morte que ela traz muitas vezes, com alegria e não com tristeza. Eu, que vivo meus 86 anos, me pergunto sobre como lidar com a perda da dignidade, a dependência de outro, as dores. E como viver o amor nessas condições?” Diz o ditado que não existe amor, apenas provas de amor. E é isso que Jean-Louis Trintignant oferece neste belo filme. “Devemos dar o exemplo. Ele é duro, e cuidadoso. É humano”, disse o ator. Para Trintignant, este é um filme poético. “Mas é a poesia em seu estado mais simples. É também como um romance contado de uma forma nova. Não há considerações psicológicas muito complexas sobre os personagens, mas sim uma história contada com honestidade, como ela de fato foi”, afirmou. “Não é a idade dos personagens que importa, mas como vivem o drama. Envelhecer, e por vezes adoecer, faz parte da vida. Cabe a nós escolher como vamos encarar a experiência. Temos de tentar ser felizes. Nem que seja só para servir de exemplo.”
Eu achei o filme dolorosamente lindo. Fiquei muito mexido, tanto que faço aqui algo pouco usual neste blogue: falar de filmes, até porque desta dita sétima arte há excelentes blogues especializados. A Gelsa — que queridamente fez a seleção dos excertos acima —, se comoveu e aplaudiu aquele que em breve disputará o Oscar de melhor filme estrangeiro. A Liba, que com seus 91 anos tem expertise em cinema, foi entre nós a que mais se encantou com esta produção de Michael Haneke, de quem há muito é entusiasmada apreciadora.