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terça-feira, 15 de julho de 2014

15.- PIERRE TEILHARD DE CHARDIN


ANO
 8
Livraria virtual em www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 2835


Há dia passado — mais precisamente em 05 deste mês — citei, quase como Pilatos no credo, o jesuíta Pierre Teilhard de Chardin. Dizia, então, que planejara fazer naquele texto uma nota de rodapé; conclui que o incompreendido paleontólogo francês devia merecer uma blogada especial. Promessa é dívida, já dizia minha avó Suzana. Assim, aqui e agora, cumpro a promessa.
Pierre Teilhard de Chardin (Orcines, 01 de maio de 1881 — Nova Iorque, 10 de abril de 1955) foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que tentou construir uma visão integradora entre ciência e teologia.
Criado em uma família profundamente católica, Chardin entrou para o noviciado da Companhia de Jesus em Aix-en-Provence no ano de 1899 e para o juniorado em 1900, em Laval. Era a época das reformas liberais de Waldeck-Rousseau, que retirara das universidades católicas o direito de conceder graus e posteriormente dissolveu as ordens religiosas e expulsou vinte mil religiosos da França. Por este motivo, teve que deixar a França e os seus estudos prosseguiram na ilha de Jersey, Inglaterra, onde cursou filosofia e letras. Licenciou-se neste curso em 1902. Entre 1905 e 1908 foi professor de física e química no colégio jesuíta da Sagrada Família do Cairo, no Egito, onde teve oportunidade de continuar suas pesquisas geológicas, iniciadas na Inglaterra. Seus estudos de teologia foram retomados em Ore Place, de 1908 a 1912. Ordenou-se sacerdote em 1911.

Com suas obras, legou para a sua posteridade uma filosofia que tenta reconciliar a ciência do mundo material com o divino sagrado e sua teologia. Na tentativa de diálogo entre a ciência e a religião, conseguiu ser mal visto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à ciência. A Igreja Católica, por sua vez, o proibiu de lecionar, de publicar suas obras teológicas e submetido a um quase exílio na China.
Em 1922, escreveu Nota sobre algumas representações históricas possíveis do pecado original, que gerou um dossiê pela Santa Sé, acusando-o de negar o dogma do pecado original. Teve que assinar um texto que exprimia este dogma do ponto de vista ortodoxo e foi obrigado a abandonar a cátedra em Paris e embarcar para Tianjin na China. Este fato marcaria uma nova etapa da sua vida: o silêncio sobre temas eclesiais e teológicos que duraria o resto da sua existência. Foi-lhe permitido trabalhar em pesquisas científicas, mas, suas publicações deveriam ser cuidadosamente revisadas.
Em Pequim, escreveu sua obra prima: O Fenômeno Humano. Encaminhou a obra a Roma em 1940, que prometeu o exame por teólogos competentes. Várias revisões foram encaminhadas sem que o nihil obstat (= nada contra, pode ser publicado) fosse concedido.
Em 1946 retornou a Paris. Seus textos mimeografados continuavam a circular e suas conferências lotavam os auditórios. Foi convidado a lecionar no Collège de France. Diante de ameaças de novas sanções pela Santa Sé, dirige-se a Roma em 1948. A visita foi inútil: foi proibido de ensinar e a publicação do Fenômeno Humano não foi autorizada. O Santo Ofício solicitou ao Arcebispo de Paris que detivesse a publicação das obras. Em 1957, um decreto deste mesmo órgão decidiu que estes livros fossem retirados das bibliotecas dos seminários e institutos religiosos, não fossem vendidos nas livrarias católicas e não fossem traduzidos.
No mesmo ano de sua morte (1955), as Éditions du Seuil lançaram o primeiro volume das Ouevres de Teilhard de Chardin. A sua obra continuou a ser editada, chegando ao décimo terceiro volume em 1976, pela mesma editora e foi traduzida em diversos idiomas. Seu trabalho teve grande repercussão, gerando diversos estudos a cerca de sua obra até nos dias atuais.

2 comentários:

  1. Os detentores do poder sempre se arvorarão na defesa dos seus convenientes dogmas. O raciocínio zetético trará a luz o caminho mais certo. Pierre Chardin foi um mediador. Mundo hipócrita esse nosso que o reconhecimento só ocorre no pós morte.

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  2. Quando os Interesses são postos acima do Bom Senso...
    Uma pista de que nem todos os homens são humanos.

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