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terça-feira, 27 de abril de 2010

27 * Mudanças na Escola.

Porto Alegre Ano 4 # 1363

As chuvas parecem cessar. Um sol tímido tenta se anunciar. Já há muitos flagelados por enchentes na região Sul. Há notícias em jornal que volume das precipitações, nos últimos seis dias, correspondem a média de três meses. Na coleta de recordes se diz que nesses dias a região teve recordes pluviométrico no Planeta. Por causa da chuva que cai há quatro dias sem parar em todo o Paraná, a vazão nas Cataratas do Iguaçu é 10 vezes maior que o nível considerado normal; 34 cidades foram afetadas no Estado. Em Santa Catarina, as fortes chuvas já deixam 14 cidades em estado de emergência

Tive publicado este ano o texto: Mudanças na Escola. Pátio, Revista Pedagógica. Ano XIV, Fevereiro/Abril 2010, p 10-13, Porto Alegre, ISSN 1518-305X, cujo número temático é “Educação 2010: Do que o Brasil precisa?” Nele comento algumas mudanças ocorridas em tempos não superiores há dez anos em nosso mundo cotidiano que se refletem no mundo escolar, com muita intensidade. Essas também ajudam a determinar a virada na Escola: de emissora à receptora do conhecimento. Listava, então, seis, que estão mais ou menos presentes nessa Escola que (se não mudou) foi mudada:

a) tecnodepedência: as continuadas ofertas de novas tecnologias tornam nossas salas de aulas mais exigente nos fazendo, muitas vezes, reféns de um data-show ou de PowerPoint ou de um telefone celular. São exemplos dessa situação: um celular sem bateria não pode ser substituído pelo empréstimo de outro, pois desconhecemos os números; o arquivo em PowerPoint, que se não abrir pode quase inviabilizar uma palestra ou uma aula.

b) uma hiper-conectividade que nos faz cada vez mais cidadãos públicos e invadidos em nossas privacidades (orkut, facebook, second life, twiter...). As relações amorosas foram significativamente modificadas com as facilitadas alternativas do skipe ou assemelhados.

c) o fim do efêmero onde nossa passagem deixa rastros que mesmo quando pensamos apagados podem ser ‘ressuscitados’ (por exemplo, pelo Google desktop), por outro lado há perda dos valiosos rascunhos ou páginas comentadas.

d) o (não-)engajamento crítico que passa ser primeiro por uma exigência que pode conduzir a participação construtiva ou – ante sua renúncia – pode conduzir a uma alienação que leva a uma vida cultural vegetativa; em caso oposto, corremos o risco de tornarmos adito a rede; uma boa experiência é experimentar viver por 24 horas sem computador ou acesso à internet.

e) a brecha cada vez maior que se estabelece entre os que têm acesso ao conhecimento e os marginalizados. Hoje a diferença ente pobres e ricos – pessoas e países – não só que os pobres tenham menos bem, mas é que estes têm menos acesso ao conhecimento. Temos de diminuir o número daqueles que ainda pertencem ao Movimento dos Sem @rroba (isto é, não tem um endereço eletrônico).

f) os cada vez mais tênue limites entre o humano/não humano que nos fazem a não darmo-nos conta de quanto os robôs são co-participes de nosso cotidiano. Basta dizer que são estes (aqueles de buscadores como o Google) que iniciam nossas pesquisas.

Agora, dou-me conta que depois de comentar essas seis modificações recentes, em minhas falas, nas últimas acrescentei mais três:

g) a aceleração cada vez maior da chegada à adolescência (recentemente os jornais ‘saudavam’ o lançamento de preservativos para meninos de 12 anos ou como dizia a notícia ‘camisinhas para os pintinhos’)

h) a presença cada vez maior da apocrifia [característica ou condição do que é apócrifo (= que não é do autor a que se atribui)] que se traduz num copismo (quase) incontrolável e na invasão de instituições com méritos como a Wikipédia.

i) a presença cada vez maior da droga invadindo e modificando a Escola [o crack, hoje dilacerando almas e cérebros, não era conhecido há 10 anos].

Apresento essa litania para trazer duas considerações: 1) o quanto, nesse tempo de rapidação tecnológica essas modificações devem ser pensadas como em permanente expansões; minha lista teve um acréscimo de 50% em curto espaço de tempo. 2) mesmo que tenha olhado a Escola (que se não mudou, foi mudada) é importante considerar o quanto as mesmas atingem nosso cotidiano de cidadãos. Aliás, na edição de ontem, quando me referi a nossa cada vez menor a leitura de livros – no sentido clássico do termo – creditava a sonegação do tempo de leitura a esses novos ‘confortos’ que nos seduzem.

Muito a propósito de sedução trago uma questão: o quanto o tempo que estamos conectados à rede tem outra sedução Com dimensões diferentes. Parece que temos aí um bom exemplo do quanto, então, somos regidos por Cairos, ou invés de ser por Cronos. Pensem nisso e até amanhã, com desejos que essa terça-feira seja a melhor.

4 comentários:

  1. Penso e re-penso e tri-penso, se necessário for, Professor, rssss.
    Me incomoda a situação das tecnologias nas escolas, não por falta de recurso, mas por falta de formação de muitos profissionais que, ficam esperando que o estado propicie cursos de aperfeiçoamento, ou mesmo de ensinar a partir do zero, a muitos deles.
    Nas duas escolas que trabalho hoje, por exemplo, nossos diários de sala são eletrônicos, mas o senhor precisava ver a dificuldade e a confusão iniciais, por conta de uma planilha de excel..
    o.0
    É de assustar!
    Então, reafirmo o que disse no início, o que me assusta mesmo é a falta de iniciativa de muitos colegas, que não usam o material. Ao passo que temos escolas sem recursos nos quais os profissionais lutam para consegui-los, temos a realidade do outro lado, na qual se tem todo e qualquer recurso, mas os mesmos "enferrujam" em algum lugar na escola, por desuso...
    .
    Boa terça ao senhor também!
    .

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  2. Muito estimada colega Thaiza,
    parece que cada uma das ‘novas situações’ podem estar na raiz de tuas santas indignações que tanto te incomodam. Todavia há uma – o (não-)engajamento crítico que passa ser primeiro por uma exigência que pode conduzir a participação construtiva ou – ante sua renúncia – pode conduzir a uma alienação que leva a uma vida cultural vegetativa; em caso oposto, corremos o risco de tornarmos adito a rede; uma boa experiência é experimentar viver por 24 horas sem computador ou acesso à internet – que a mim sempre surpreende.
    Pode parecer incrível – e te manifestas nessa direção, que haja colegas (até professores universitários) que resistem ao uso da internet até ao comutador. Esses estão fadados a uma vida intelectual quase vegetativa. Este se auto excluem para pertencer ao MS@.
    Por outro lado conhecemos também o que acontece com aqueles que se tornam adito a rede.
    Obrigado por teus sempre dão pertinentes comentários.
    É muito bom te ter como leitora.
    Um afago com admiração do
    attico chassot

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  3. Mestre Chassot, parafraseando Heráclito, o rio continua mudando, mas algumas pessoas tentam resistir a essas mudanças, achando que podem se manter, também, imutáveis. Infelizmente, a maioria dos que assim pensam tendem a acreditar que o conhecimento também é estático, mesmo com o rio correndo feroz e caudalosamente a sua frente.

    É importante manter-se fiel a tradições e costumes, mas é inapropriado manter-se (ou pelo menos tentar) resistente a tudo, principalmente àquilo que traz benefícios. Um exemplo simples se dá na resistência de algumas pessoas em vacinar-se.

    No preparo para a prevista madrugada mais fria do ano, os votos de um ótimo dia.

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  4. Meu caro Marcos,
    muito bem posta a paráfrase de Heráclito, ou numa linguagem mais chão: se no tomar o trem na hora certa, o seguinte talvez não pare na estação. Chego do nono (de 18 encontros) aulas do Curso de Filosofia do Centro Universitário Metodista - IPA, onde como em sete outro 100% dos alunos estava presentes. Apenas em um dos encontros faltou um aluno. O Morro Milenar essa noite já estava frio. Vibrando com o término das chuvas, esperemos o frio.
    Uma vez mais festejo teu retorno,
    attico chassot

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