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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

25- Alfabetização científica: questões e desafios para a Educação

Porto Alegre Ano 5 # 1483

Esta é uma blogada para fazer anúncios. Chegaram ontem exemplares da quinta edição do Alfabetização científica: questões e desafios para a Educação. Alegro-me trazer esta boa nova aqui. Há também nesse novidar um ressaibo (pequeno) de amargor.

O leitor que conheceu algum exemplar de uma das quatro edições anteriores deste livro talvez, quando se encontrar como exemplares da nova edição, tenha uma surpresa. Houve um significativo emagrecimento físico do livro.

CHASSOT, Attico. Alfabetização científica: questões e desafios para a Educação. Ijuí: Editora Unijuí. [1ª ed 2000] 5ª ed. 2010, 212 x 120 mm. 480g 368 p. R$ 45,00 ISBN 978-85-7429-893-1. Aquisição na livraria virtual em www.attticochassot.com.br

Esse parece ser um dos sinais desses tempos pós-modernos que essa blogada de fazer anúncios quer visitar. Hoje um livro de 438 páginas, como foram as quatro edições anteriores, não é mais palatável. A nova edição tem 368 páginas. Há pelo menos duas determinações para uma tão radical ablação de capítulos inteiros e de parte de outros: a primeira, hoje se lê menos em suporte papel – isso tem sido comentado aqui de vez em vez; outra, razões econômicas exigem que os livros, pelo menos dessa área, sejam de menor custo ou fisicamente menos volumosos.

Assim, justificada a edição adelgaçada, não vou detalhar cortes que determinaram uma redução de cerca de 20%. Mas suprimir 70 páginas não é trivial.

As operações de poda de vegetais sempre me são dolorosas. Muitas vezes procuro dar destino especial aos ramos excluídos. Imagine-se, então, o que significou exclusões de um livro que por dez anos foram presenças na obra. Mas acerca de ler menos, trago uma ‘justificativa’:

Em 2009 concedi uma entrevista à Revista Episteme e a Prof. Dra. Russel Teresinha Dutra da Rosa, Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS, perguntou-me, entre vários interrogantes: Sei que és um leitor voraz e um escritor muito produtivo, tens inúmeras publicações, já registraste teu hábito de produzir diários e também discutiste o papel das bibliotecas. Como foi a história da tua relação com os livros, com a leitura e a escrita? Eis a abertura de minha resposta: Muito provavelmente essa é uma das mais instigantes perguntas desta entrevista. Começo com algo que vai decepcionar, pois muito me decepciona recentemente. Destruo – não sem dó – em mim o mito do leitor voraz. Essa perda: lamento muito. Leitor voraz no sentido daquele que acolhe um livro, ficção ou não ficção, e vai para uma rede – esse instrumento de repousar que lembra o útero materno – fruir a leitura. Lamentavelmente essa benesse é mal substituída por horas de teclar e ler sob a vigilância severa do ‘meu feitor’, como chamo meu computador. Considero a leitura no computador como algo sensabor ou insípido. O suporte papel é algo que tem uma sensualidade incomparável. Sentir o cheiro do livro. Manuseá-lo na estante. Curtir-lhe a lombada. Avaliar sua história material. Tudo isso nos é sonegado na leitura em suporte eletrônico.

Não busco culpados para essa alteração de nossa cotidianidade. Há uma justificativa


para tal. Não é buscar desculpas, mas uma das razões está na quantidade de tempo que envolvemos em responder mensagens. Aqui estou incluindo aquelas, usualmente trabalhosas, que envolvem dar parecer em trabalhos de congressos e artigos de revistas, agora muito mais controlada pelos sistemas de referagem [palavra não dicionarizada, mas corrente na Academia, correspondente a arbitragem; se for incorporado esse anglicismo, sua origem refere-se à referee, juiz] on-line. Pode-se afirmar que se com o advento do correio eletrônico quase abandonamos as cartas pessoais manuscritas e envelopadas, muitas vezes longas e refinadas. Tornamo-nos muito mais escribas, agora, de mensagens pessoais. Poderia amealhar dezena exemplos de mensagens que recebo: trago apenas uma dos dias que escrevo este texto. A recebi (com as máculas à linguagem usuais naquele cenário) pelo orkut: oi, o senhor não me conhece, porém atualmente estou estudando o livro do senhor a ciencia atraves dos tempos, o senhor poderia me fornecer uma sintese dos capitulos 1 e 2 (desde já agradeço). A antecipação dos agradecimentos nos parêntesis foi desnecessária, pois pensei que o melhor seria não responder, pois não queria trazer a um meu leitor o destilar de minha indignação, a mais um que me pede para fazer seus deveres escolares.

É quase senso comum que hoje dedicamos menos tempo em leituras de livros – e aqui estou me referindo àquele genial artefato tecnológico em suporte papel – que está muito bem celebrado como a genial ‘novidade’ que supera eBook, iPad, iPod, iPhone, mini-computador e outras parafernálias tecnológicas recentes em um vídeo que recomendo em http://www.youtube.com/watch?v=iwPj0qgvfIs

É nesta dimensão que faço o convite para fruirmos mais uma edição deste Alfabetização científica: questões e desafios para a Educação, que como nas quatro anteriores, tem seus direitos autorais destinados ao Departamento de Educação do Movimento dos Trabalhares Rurais Sem Terra. Talvez isso explique porque dentre os meus livros é esse que mais me emociona.

A primeira edição foi no ENEQ de 2000 na PUC em Porto Alegre. Agora, na celebração do 10º aniversário, um convite para curtir mais um livro em suporte papel. A este convite adito votos de uma muito boa quarta-feira.

7 comentários:

  1. Pluralidade de sentimentos diversidade de entendimentos, ou vice versa. Assim atenho minha "escrita" somente a sugestão do link youtube, que bom vermos através de outros "óculos", vídeo já devidamente divulgado no twitter e para bons amigos, sempre citando a fonte: http://mestrechassot.blogspot.com. Muito obrigado tio Attico pelo empréstimo dos diferentes óculos. Abraço, bom dia.

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  2. Muito querido Emerson,
    realmente as fabulosas novas tecnologias muitas vezes nos desarmam. Na minha fala na UAM - Universidade do Adulto Maior segunda-feira e na palestra no curso de Biologia na noite de ontem, descobri que com êxito pude não depender de pendrives, (esses maravilhosos transportadores de documentos fazem-me nos últimos dias viver em um inferno astral. Viva o pensamento mágico!). Obrigado por divulgares meu blogue. Este está em alta em termos de leitores. A média de agosto será superior a setenta leitores diários.
    Mais uma vez obrigado por teu oportuno comentário.
    Um afago do
    Tio attico

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  3. De: Matilde Kalil [mailto:matilde.kalil@gmail.com]
    Enviada em: quarta-feira, 25 de agosto de 2010 17:01
    Para: Attico Chassot
    Assunto: Saludos y felicitaciones
    Muy querido Profesor Chassot,
    ¡Felicitaciones por esta nueva edición de su libro!! Una nueva piel para valiosos conocimientos. Un abrazo cariñoso,
    Matilde
    (he tenido mucha dificultad para postar el comentario)
    [] **************************************
    Estimada Matilde,
    ao agradecer tua mensagem permito-me aditá-la como comentário e anuncio que dia 31 farei uma edição especial na busca de resolver, ou pelo menos atenuar, estes problemas de postagem de comentários.

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  4. Querido Prof Chassot!
    Imagino a tristeza que deve ser cortar um pedaço de nossa criação, mas devo lhe dizer que a chegada a uma quinta edição é deveras significativa.
    Parabéns por mais uma!
    E que diário esse Blog! rsrsrs
    Abraço gordo!

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  5. Muito querida colega Neusa,
    realmente não é trivial fazer amputação. Podar uma árvore me dá dó. Talvez traga aqui neste blogue algo do amputado.
    Obrigado pelo prestígio que dás com teus comentários.
    Afagos esperando chuva
    attico chassot

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  6. Bom dia !!!

    Primeiramente gostaria de agradecer suas palavras ontem no CEEBJA.. estudo lá e fiquei muito feliz em conhecer este nome e poder indica lo aos que tem vontade de aprender..

    Gostaria de fazer um comentário .. ´´Precisamos de menos pastores pregando o apocalipse e mais professores como Attico CHASSOT palestrando``

    Parabéns .....

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  7. Bom dia professor Ático, na quinta-feira pude experimentar o vigor e o encantamento que um mestre, do alto da sua sabedoria e simplicidade é capaz de produzir em seus seguidores. A partir desse dia podes ter certeza que encontraste mais uma em sua trajetória. Obrigada por compartilhar conosco ideias tão intensas e instigadoras do nosso pensamento e do nosso fazer na escola, muitas vezes tão desacreditada. Seus escritos certamente me inspirarão e me ajudarão muito a pensar e ressignificar minha prática e meus conceitos, principalmente, a indisciplinaridade.
    Abraços com muito carinho,
    Maribel
    Encontro de Formação SEDUC - RS, 12 de setembro de 2013 - INTERDISCIPLINARIDADE: as linguagens em diálogo.

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