TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25. Mais um presente no mistério dos encontros

Porto Alegre Ano 5 # 1574

Depois de algumas horas de voos, cheguei, quando já era quase 01h desta quinta-feira na Morada dos Afagos. Um dia para participar da ‘unção’ da Sarisa Barbosa: como o/a 21º/ª mestre que levo a defesa.

Amanhã pretendo contar a cerca da defesa da dissertação que tem como tema algo que para mim é particularmente caro: Universidade Adulto Maior do Centro Universitário Metodista- IPA: Um estudo etnográfico. Mesmo que reserve para amanhã os comentários deste ato acadêmico, ele enseja um destaque: participa da banca de arguição da Sarisa o Professor Dr. José Clovis Azevedo. A imprensa de hoje anuncia que o governador eleito, Tarso Genro, o escolheu como Secretário de Educação. Vibro com a indicação do amigo e colega competente.

Trago algo do diário de um viajor: Ontem o dia em Cuiabá foi pleno. Primeiro

participei da mesa-redonda que detalhei na edição anterior. Minhas duas colegas e eu tivemos um auditório atento e questionador por cerca de três horas. Foi uma experiência mais uma vez muito gratificante em que eu aprendi muito com minhas parceiras de mesa: Ana Canen (UFRJ) e Heloísa Salles Gentil (UNEMAT). Sou reconhecido pelos mimos do artesanato cuiabano e especialmente às demonstrações de afetos de meus leitores.

No final da manhã participei de dois momentos artísticos. Visitei a exposição da Caixa, que ocorre simultaneamente em 27 capitais brasileiras. A de Cuiabá e no Salão das artes da UFMT, que apresenta 15 obras de renomados artistas brasileiros da pintura e fotografia. Em um segundo momento, visitei o atelier de Nilson

Pimenta, artista mato-grossense de arte naïf inspirado no Pantanal. Foi bom reencontrar um artista que desde 1993 conheço e do qual tenho três obras em minha casa. Mostrou-me suas últimas produções e contou também de sua exposição individual que realizou em Londres. Brindou-me com catálogo e com uma aquarela. Quero voltar a falar sobre esta visita em outro momento.

O almoço foi uma vez mais em uma peixaria em companhia da Elane e da Ana Carolina. Esta é mestre em Ensino de Ciências, orientada pela Irene, que foi minha primeira orientanda de mestrado. A Ana contou que na época das eleições, mais de uma vez, assuntos trazidos neste blogue a municiaram nas discussões políticas.

Na parte da tarde com Elane, minha muito ‘querida biógrafa’ fiz um pouco de turismo. Revi, mesmo a distância duas atrações que sempre me encantam em Cuiabá: a igreja de Nossa Senhor do Bom Despacho, que querem alguns seja uma miniatura da Notre Dame de Paris e imponente mesquita islâmica. Mas o destaque ficou para estar dentro do grande templo da Assembleia de Deus que tem a capacidade para 22 mil pessoas sentadas e mais 8 mil em pé. Claro que me imaginei ali fazendo a palestra ‘A Ciência é masculina?’ com templo lotado. Em matéria de mega-construção surpreendeu-me a maquete da ‘Universidade das Assembleias de Deus’: uma construção de 12.000 m2 com um auditório de 1.220 m2 e mais 72 sala. Esta Universidade será formada pelas atuais faculdades ‘Cantares de Salomão’ e Cuiabá.

Depois de visitarmos a “Casa do Artesão’ a Elane, carinhosamente, me deixou no aeroporto. A viagem de volta merece um registro muito significativo.

Algo que deveria receber uma indenização muito especial das companhias aéreas é o stress causado pela ‘quase’ perda das conexões. Na viagem de ontem aconteceu um paradoxo. Houve um atraso crucial porque o voo Campo Grande Guarulhos chegou ante e por tal não havia local para desembarque. Por cerca de mais de 30 minutos aguardamos confinados na pista. A isto se aditou um congestionamento de ônibus que faziam transbordos, seguido de uma muito extensa fila para um novo raios-X das bagagens de mão.

Mas, há brindes de viagem que recebemos dos deuses que regem os encontros que são quase inenarráveis. Nos trechos Cuiabá/ Campo Grande /Guarulhos tive o privilégio da companhia da Ana. Mesmo que ela tenha a metade de minha idade e em trânsito de sua primeira viagem ao exterior, ela tem uma das mais densas histórias de vida. Talvez não tenha ouvido outra semelhante. Ontem, depois de fazer 400 km por via rodoviária, realizou entrevista final da seleção do mestrado de Ciências Sociais na UFMT, tendo que implorar para antecipar a atividade para que pudesse tomar o voo que a levaria a São Paulo para daí ir a Montevidéu, onde esta manhã apresenta uma comunicação em um congresso sobre direitos humanos e pobreza, sem a ajuda financeira de nenhuma instituição.

Sobre pobreza ela não precisa teorizar: menina boia fria da colheita de algodão até os 12 anos, desejava adoecer para ter o ‘privilégio’ de uma de suas irmãs que ia para hospital, onde recebia comida. Muitas vezes perdia as aulas, pois o vestido ralinho e os os chinelos de dedo não eram abrigos suficientes para caminhar no frio até a escola. Um de seus sonhos de então era ter um ‘par de conga com solado branco’. Sonhava que um dia pudesse ver chegar a sua casa uma sacola de supermercado que contivesse mais que as vísceras e os miúdos que pai ganhava no matadouro, que então substituía o café – na verdade uma solução de açúcar queimado, cor de café – que era o quebra-jejum cotidiano em sua infância. Aos 14 anos a vida melhora; pela manhã vai à escola e a tarde e a noite trabalha em uma padaria e com os ganhos ela e outros de seus sete irmãos garantem o sustento familiar.

Poucas vezes – ou para ser mais fiel: nenhuma vez – ouvi relato de uma pessoa que hoje vive tão feliz com sua filha e com seu marido. Isto me emocionou por demais.

Se torcer é uma forma agnóstica de rezar, Ana, tu podes saber que terás as mais fervorosas orações esta manhã, quando estiveres apresentando tua comunicação em Montevidéu. Torço também para que sejas selecionada no mestrado, pois ninguém tem um melhor currículo que o teu.

A história da Ana conecta-me a data de hoje – dia de ação de graças – que tem significados no mundo ocidental, mesmo que possa ser vista como mais uma macaqueada no imitar os Estados Unidos de quem se tenta importar – felizmente sem muito sucesso – o Haloween, ou dia das bruxas. Apesar de todo o esforço da imprensa em destacar essa festividade estadunidense, os brasileiros não costumam se apegar à festa. É na maioria das vezes comemorada pela elite, pessoas que vivem apenas do que é estrangeiro e por poucas pessoas das classes médias e baixas dão considerações à noite do halloween. Já a celebração do dia (nacional) de ação de graças, parece que já foi mais comemorado.

O Dia de Ação de Graças (em inglês: Thanksgiving Day) é um feriado celebrado nos Estados Unidos e no Canadá, observado como um dia de gratidão, geralmente a Deus, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano. Neste dia, pessoas dão as graças com festas e orações. Dia de Ação de Graças é geralmente um dia em que as pessoas utilizam o tempo livre para ficar com a família, fazendo grandes reuniões e jantares familiares. É também um dia em que muitas pessoas dedicam seu tempo para pensamentos religiosos, serviços na igreja e orações.

A data é celebrada também com grandes desfiles e, nos Estados Unidos, com a realização de jogos de futebol americano. O principal prato típico do Dia de Ação de Graças, geralmente, é peru, o que dá ao Dia de Ação de Graças o apelido de "Dia do Peru" (turkey day).

No Brasil, o presidente Gaspar Dutra instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças, através da lei 781, de 17 de agosto de 1949, por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, entusiasmado com as comemorações que vira em 1909, na Catedral de São Patrício, quando embaixador em Washington. Em 1966, a lei 5110 estabeleceu que a comemoração de Ação de Graças se daria na quarta quinta-feira de novembro. Esta data é comemorada por muitas famílias de origem estadunidense, igrejas cristãs, universidades confessionais metodistas.

Há não muitos anos um grande banco privado patrocinava a celebração da data em nível nacional; Certamente tina razões para dar graças, até por que sua sede fica na Cidade de Deus – um complexo, com diversos prédios abrigam a Diretoria e Departamentos do mencionado Banco, em uma grande área verde. Boa parte dos equipamentos de informática responsáveis pelo processamento das operações bancárias também está localizada na Cidade de Deus, que comporta ainda o Museu do mesmo banco e q primeira Escola da Fundação deste banco. A Cidade de Deus começou a ser construída em 1953, no município de Osasco, e foi inaugurada seis anos mais tarde.

Já me excedi em extensão e emoções. Uma boa quinta-feira a cada uma e cada um. Amanhã poderemos nos encontrar aqui.

6 comentários:

  1. Bom dia!

    Eu como leitora assídua do seu Blog não poderia deixar de ler hoje. Fiquei muito feliz com a sua postagem, fiz questão de ler para todos os meus companheiros de profissão o que o senhor escreveu hoje, em relação a sua vinda a Cuiabá. No final todos começaram a rir, pois entenderam de onde eu retirava todos os meus argumentos a favor da eleição da nossa presidenta Dilma.
    Estou muito feliz por ter me mencionado no seu blog e em breve entrarei em contato para falar se fui aprovada ou não no processo seletivo do doutorado.

    ResponderExcluir
  2. Boa Noite!!!
    Já havia acistido uma palestra proferida pelo senhor, no entanto não sabia que tinhas um Blog! Sou agora um novo leitor diário! Suas palestras sempre são motivantes!
    Fui ao SEMIEDU juntamente com 11 colegas professores aqui de Juruena - MT, que querem fazer a diferença na Educação.
    Um forte Abraço!!!
    Edilso Bratkoski
    Educador em Química

    ResponderExcluir
  3. Muito estimado colega Adilso,
    ~~ lamento que não deixaste teu endereço ~~
    vibro com tua presença aqui neste blogue. Espero que os 12 de Juruena tenha fruído o SEMIEDU.
    Para mim foi uma experiência muito gratificante.
    Sigamos nos encontrando aqui.
    Com admiração pela parceria no fazer alfabetização científica.

    attico chassot

    ResponderExcluir
  4. Muito querida Ana Carolina,
    ~~no próximo comentário deixa teu endereço ~~
    é muito bom saber-te tão assídua leitora deste blogue.
    Obrigado pela querida companhia no almoço de ontem,
    Na torcida e um afago do

    attico chassot

    ResponderExcluir
  5. Jorge Hamilton e Alan25 de novembro de 2010 22:19

    Mestre,tivemos o privilégio de ouvir em palestra o prof. josé Clóvis, durante uma jornada pedagógica dos professores da rede muncipal aqui de Itabuna; concordamos então plenamente com o Sr. com relação a sua competẽncia e compromisso com a educação, além de termos acompanhado um pouco a mudança na escola pública quando de seu trabalho à frente da Prefeitura de Porto Alegre. Quanto a história de Ana e de outras tantas ANAS BRASILEIRAS, é emocionante o saber da atual felicidade, nascemos para sermos felizes (citação bíblica "eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância" citação de Cetano Veloso "Gente é pra brilhar não pra morrer de fomo").
    No desejo de sucesso ao professor José Clóvis e todos os novos secretários de educação, despedimo-nos.

    Jorge e Alana

    ResponderExcluir
  6. Muito queridos Jorge Hamilton e Alana,
    que bom ter meus queridos colegas baianos aqui, mais uma vez. Obrigado pela torcida parceira pelo querido Zé Clovis. Foi muito bom estar com ele esta tarde na banca. Vou mandar cópia destes comentários para ele ver a torcida dos colegas de Itabuna.
    Quanto a história de Ana parece algo de outro mundo, mas com vocês dizem é a história de muitas Anas.
    Um afago nos dois do
    attico chassot

    ResponderExcluir