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terça-feira, 7 de maio de 2013

07.- O HOMO SAPIENS CRIOU RELIGIÕES & OBRAS DE ARTE


ANO
7
Livraria Virtual em www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
2470

Hoje oferecemos a segunda parte da entrevista com Karen Armstrong que na noite de ontem inaugurou, no Salão de Atos da UFRGS, a edição 2013 do Fronteiras do Pensamento. A conferencista (na ilustração inserida pelo blogue), com trânsito em diversos matizes culturais, teve no preâmbulo à primeira parte da entrevista publicada, aqui ontem uma breve apresentação.
ZH – A primeira década do século 21 foi marcada pelo conflito entre algumas das principais superpotências cristãs ocidentais e nações e movimentos islâmicos. Como a senhora vê as relações entre cristãos e muçulmanos no mundo contemporâneo, e qual o seu prognóstico para esta relação nos próximos anos?
Karen – Creio que muitos dos nossos problemas atuais derivam do fato de que não adotamos a Regra de Ouro. A Regra de Ouro que foi desenvolvida por todas as grandes tradições religiosas, que a consideram central para a espiritualidade e teste para a verdadeira religiosidade: nunca tratar os outros como você não gostaria de ser tratado. Se nós britânicos, por exemplo, houvéssemos nos comportado com mais respeito pelas pessoas em nossas colônias do Oriente Médio, não estaríamos tendo tantos problemas hoje. Os problemas entre o mundo islâmico e o Ocidente são em grande parte de natureza política, ainda que sejam expressos em uma linguagem religiosa. A não ser algumas questões pendentes que são dirigidas pelos Estados Unidos – em particular, a questão da Palestina – temo que nossos problemas atuais continuarão.
ZH – Nos últimos anos, aumentaram as manifestações do ateísmo militante, lideradas por pensadores como Richard Dawkins ou Sam Harris. Como pesquisadora sobre Deus, o que a senhora pensa desse tipo de discussão?
Karen – Sou totalmente a favor de discussões teológicas com os ateus; no passado, ateus e grandes teólogos mantiveram debates muito frutíferos. Mas eles foram conduzidos com cortesia e respeito mútuo. Meu problema com Dawkins e Harris – e conheço superficialmente a ambos – é: 1) que eles parecem saber muito pouco sobre religião e 2) a intemperança com que eles atacam a religião e quem acredita em uma. Eles denunciam a intolerância religiosa, mas correm o risco de tornar-se intolerantes eles próprios. Na verdade, na Grã-Bretanha, pelo menos (que é uma nação muito secular), as pessoas estão ficando cansadas deles. Para mim, o ateísmo é a liberdade de pensar por si mesmo: ela não deve significar a ridicularização das ideias e das crenças dos outros.
ZH – No Brasil, grupos de evangélicos neopentecostais têm ganhado mais influência na política, o que culminou em um acalorado debate contra as posições dessas denominações sobre questões como casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nos Estados Unidos esse tipo de igreja contemporânea já exerce grande poder. Como essa ascensão neopentecostal pode mudar o debate político?
Karen – Esta é uma situação muito interessante no Brasil, e estou ansiosa para aprender mais sobre isso quando chegar ao país. Parece provável para mim, no entanto, que o neopentecostalismo só pode reforçar, política, social e eticamente, as tendências conservadoras.
ZH – A senhora vem estudando há anos as fundações das maiores religiões do planeta. Por que quase todos os povos ao longo da História consideraram necessária a ideia de uma religião?
Karen – Vou falar a respeito disso em minha palestra. Somos criaturas que buscam um sentido para as coisas, e desde o início de nossa existência, o Homo Sapiens criou religiões ao mesmo tempo e pela mesma razão que criou obras de arte. As duas tentam encontrar significado, beleza e sentido em um mundo trágico. Vejo a religião como uma forma de arte — não como um conjunto ou regras ou doutrinas.

7 comentários:

  1. A palestrante foi muito feliz em explicitar o problema citando a "regra de ouro", que na realidade é o que permeia todas as relações humanas.

    Abraços

    Antonio Jorge

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  2. Lia, a Ilíria que ainda lê7 de maio de 2013 11:11

    Querido mestre!
    Para mim há uma só e grande religião. Chama-se Cuidado!
    Dogmas não nos conduzem ao essencial, muito pelo contrário.
    Onde quer que haja empenho pelo cuidar, há espiritualidade, há religiosidade.
    Creio que sem Cuidado não há como haver humaneidade, muito menos humanidade.
    É somente na prática que a espiritualidade é sentida, percebida, vivida.
    Grande abraço: Lia, a Ilíria que ainda lê

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  3. Salve Ilíria,
    ontem quando li mais acerca dos posicionamentos de Karen Armstrong e sua ‘ética da compaixão’ vi aproximações com teus estudos.
    Vemo-nos nesta sexta-feira em Frederico Westphalen.
    A admiração do
    attico chassot

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  4. Limerique

    Perdoe-me, religião como arte?
    Não vi na Terra esse estandarte!
    Crença é superstição
    Prá abrandar aflição
    Sentido outro só se for em Marte.

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  5. Ao grande mestre chassot: Seria muito bom que todos entedesse que a religião não separa ninguém. Que ela está sempre pronta a agregar e nunca dispersar. Um forte abraço Ley

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    Respostas
    1. Concordo:
      1 - As Cruzadas UNIRAM muçulmanos e cristãos em batalhas sangrentas;
      2 - A inquisição Uniu algozes católicos e inocentes em câmaras de tortura;
      3 - A criação do protestantismo UNIU nações européias armadas e ferozes, umas contra outras;
      4 - O judaísmo e o islã estão UNIDOS em abraços e beijos no Oriente médio;
      5 - Hoje Sunitas e Xiitas estão confraternizando UNIDOS com Kalashikovs apontadas uns para os outros;
      6 - Os EUA cristão estão UNIDOS com suas MK-16, apontadas para os Iraquianos;

      Pode existir instituição humana que mais UNE os homens que a religião? Me poupem!!!

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