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domingo, 27 de dezembro de 2015

27.- ACERCA DE SEMENTES DE BAOBÁ


ANO
 10
A G E N D A 2016
 em www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
 3116

Estamos no chamado ciclo natalino. Ou, abandonando um pouco a ortodoxia, vivemos o período das festas. Esta é uma época de troca de presentes. Dentre os presentes que ganhei há pelo menos dois muito originais. Um, sementes de baobá; outro sabão de Alepo. Acerca do primeiro comento algo hoje; sobre o segundo, já tenho uma blogada programada.
Em agosto, quando estive no Campus do IF-RN de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, fiz-me fotografar junto a um jovem (5 anos) baobá. Nesta árvore evoco sempre as histórias do Pequeno Príncipe de Saint Exupéry. Nunca antes vira ao vivo está árvore.
Meu amigo Paulo Marcelo Pontes, o professor de Química que se fez virólogo, viu a foto no blogue e, então, escreveu-me acerca dos baobás de sua Recife. No começo deste mês, ele voltou ao assunto: Querido Attico, hoje, encontrei minha primeira mukua [fruto do baobá, tem no interior uma pasta que quando seca, endurece e cai aos pedaços parecendo-se com pedaços de pó de pão seco] caída de 2015 e isso significa que tuas sementes de baobá podem seguir viagem até a Morada dos Afagos, em Porto Alegre. Necessito de que me envies o endereço, a fim de possa postá-las o mais breve possível.
Tuas sementes são filhas de um baobá ainda jovem (deve ter entre dez e quinze anos) plantado na praça da Várzea. [...] O baobá é uma espécie em extinção, mas encontrou abrigo em Recife, considerada a capital dos baobás, se tratando da cidade com mais exemplares fora da África (aqui em casa tenho duas mudas, que cultivo em vasos). Sugiro uma visita ao site http://www.oeco.org.br/reportagens/24002-a-capital-dos-baobas/, para conhecer um pouco dessa história de amor entre cidade e árvore. [...]
Diz uma história oral, quase lenda na cidade pernambucana de Ipojuca, que muitos baobás foram plantados ali por negros vindos da África, embora restem apenas dois exemplares de tradição histórica secular. Os que não sobreviveram por causa do desprezo predador do homem, tiveram o mesmo destino de outros tantos antigos baobás que existiam em Pernambuco no inicio do século passado. Até para lenha de fogão caseiro e para fogueiras juninas eram utilizados seus galhos e partes vitais de seu tronco.
Sobre o plantio das sementes, existem alguns procedimentos a serem seguidos, que reproduzo aqui: Germinando sementes de Baobá:
Quebrando a dormência: As sementes do Baobá ficam dormentes no solo as vezes por anos até germinar. Por isso usamos de algumas técnicas para aumentar a taxa de germinação.
Deixe as sementes de molho em água quase fervente (80 - 90 °C) por 6 minutos, com isso a taxa de germinação aumenta em até 80%.
Lixar uma pequena área das sementes até que a primeira camada comece a clarear, depois ponha as sementes de molho por 48 horas, trocando a água depois das primeiras 24 horas.
Você pode semear em potes, sacos para mudas, sementeiras ou canteiros. É importante lembrar que é preciso semear entre 8 e 10 cm, as mudinhas de Baobá tem raiz muito exigente e cresce com vigor ela precisa de espaço, por isso, escolha logo o que pretende fazer com o exemplar; se for fazer um bonsai por exemplo, plante em vasos rasos e logo no terceiro mês faça a primeira poda das raízes. Caso queira uma bela árvore, escolha um local com bastante espaço e não em cima de rochas para evitar que tombe no futuro.
O Baobá não exige muito em termos de solo. Neste caso quanto mais drenado melhor. O excesso de matéria orgânica no solo pode acarretar no acumulo de água, que causa o apodrecimento das raízes e a propagação de fungos. Tolera solos pedregosos ou arenosos.
Um pouco antes do natal chegou-me um envelope, artisticamente subscritado com um cartão, com seis sementes de baobá apensadas. Assim neste domingo do ciclo de festas, envolvo-me em despertar da dormência as sementes recebidas para fazê-las germinar. Obrigado Paulo Marcelo.

8 comentários:

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  2. Caro Mestre Chassot, então vais desencantar o "bonsaísta" que, qual semente de Baobá, adormece nessa grande mente e mantém-se em tão grande espírito? Parabéns pela dedicação à arte "yamadori", Professor Chassot. Sucessos e realizações plenas em 2016, em todas suas empreitadas, inclusive na arte "yamador-shitate". Grande abraço, renovado de estima e consideração inapeláveis

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  3. Muito querido colega e amigo Professor Cassol!
    Primeira registro a alegria que significa tua participação enquanto comentarista aqui.
    Destaco também a agregação de saberes que fazes. Fui pesquisar acerca da 'arte yamador-shitate'. Ao aprender sobre tuas trazidas penso que meu escopo não é a produção de bonsais, pois isso, salvo que esteja laborando em equívocos, parece uma violação a natureza de um ser vivo.
    Há um atrofiamento ao crescimento natural da planta. Acredito que a planta sofre.
    Sonho produzir seis mudas e distribuir a alguém que tenha um jardim ou assemelhado que comporte um boabá. Tu conheces o meu jardim, no oitavo piso, com palmeiras, videiras, araçazeiro, jaboticabeira, pitangueira, amoreira, butizeiro, araucária. Não tenho mais lugar para um baobá.
    Uma vez mais obrigado e minha espraiada admiração aditada de votos de um 2016 prenhe de êxitos para ti e tua tribo.

    attico chassot

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  4. Ainda não havia pensado sob a ótica de que ao se criar um bonsai estamos "violando" a planta. Partindo da premissa de que as plantas se adaptam, não seria uma violação. Tenho uma castanheira em grande vaso. Decidi doá-la ao sr. Antônio por perceber que estou forçando a adaptação dela sem necessidade - as folhas caem e caem, nascem e renascem - e continua saudável. Está mostrando a tentativa de permanecer viva fora do que seria um habitat ideal.

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  5. Ave Magister

    Conheci, junto ao meu pai, um Baobab (Adansonia digitata) centenário em Île Maurice, em 2011. É uma árvore muito poderosa e bela. Inspira muita poesia. Neste ano, em minhas aulas, falei sobre a árvore com meus alunos quando abordávamos evolução biológica e adaptação. O tronco é aquífero, gordo, muito incomum. Torço que tua sementes germinem, seria lindo. Aliás, nisso sei que és bom. Devemos ser como o Baobab, adaptáveis ao solo pedregoso e seco, longevos e generosos. Abraço carinhoso

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  6. Caro Chassot,
    Desculpe pela ausência. Com respeito a Baobás, sou pioneiro em Santa Catarina no plantio desta espécie. Até postei em http://jairclopes.blogspot.com.br/2012/04/o-baoba.html minha experiência com essas árvores. Quero externar meu desejo que teu plantio se faça fértil e deixe um legado para o futuro. JAIR.

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  7. Salve, Jair!
    Obrigado por teu comentário. Tu, como sempre, agregas saber. Reli a tua postagem. Vi que em 07/04/2012 eu fazia este comentário: “Meu caro Jair, também fui apresentado a um baobá por Saint Exupéry. Devo dizer que já tenho inveja daqueles que poderão amarrar redes nos baobás de tu presenteias aos florianopolitanos. Que tu possas curtir a sombra desta fabulosa promessa que fazes, attico chassot”
    Agora, és tu que me dizes: “Quero externar meu desejo que teu plantio se faça fértil e deixe um legado para o futuro”
    Eu ainda estou na faze de despertar da dormência minhas seis sementes,
    A propósito, passado quase quatro anos, como estão teus baobás?
    Saudades

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  8. Salve, Chassot!
    Das minhas sementes, seis germinaram, só uma comigo. Plantei a minha muda no "Aterro continental", bem frente à minha janela. Infelizmente é a única é uma muda que não está se desenvolvendo como esperado, tem apenas um metro de altura, acho que o solo não é favorável a ela. As outras cinco mudas estão espalhadas por chácaras e sítios da região continental de Floripa e as notícias que recebo dos proprietários é que elas estão melhores que a minha. Estou cobrando que eles me mandem fotos, quando as receber vou publicá-las no blogue.
    Abraços, JAIR.

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