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quinta-feira, 20 de abril de 2017

. 20.— Cuidado: isto pode ser ENGO®DA Lattes!

 

ANO
 11
LIVRARIA VIRTUAL em
www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3287

Nesta véspera de feriadão, volto à UFRGS. Não vou ao Instituto de Química do qual sou professor titular aposentado, nem a Faculdade de Educação, em cujo PPGEducação fiz mestrado e doutorado. Muito menos volto ao restaurante da Reitoria (que não existe mais) no qual trabalhei no final dos anos 1950.
Vou ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Educação: Química da Vida e da Saúde (PPGQVS). Este foi organizado em 2005 em uma associação de professores do Departamento de Bioquímica (Instituto de Biociências / Universidade Federal de Rio Grande do Sul), da Faculdade de Educação (FACED / UFRGS), do Núcleo de Educação em Química (Instituto de Química / UFRGS), da Faculdade de Educação (Universidade Federal de Rio Grande - FURG) e do Instituto de Química (Universidade Federal de Santa Maria - UFSM).
No PPGQVS participo, como membro da banca, da apresentação da dissertação de Mauro Melo Costa, professor do IFAM, em Manaus. Ele com o trabalho: SISTEMATIZAÇÃO DE ESTUDO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: possibilidade a partir da utilização de roteiros de aprendizagem no ensino de Química, realizado sob a orientação do prof. Dr. José Claudio Del Pino habilita-se ao título Mestre em Educação em Ciências.
Estão também comigo na banca as professoras doutoras Andréia Modrzejewski Zuculotto, do IFRS e Rosa Oliveira Marins Azevedo, do IFAM. A apresentação pública da dissertação ocorre nesta quinta-feira, às 16h, no departamento de Bioquímica, na Rua Ramiro Barcelos, 2600, próximo ao Planetário.
Reservo meus comentários acerca do conteúdo do bom trabalho para esta tarde. Destaco aqui, pela sua originalidade, algo da forma de como foi estruturada a dissertação.
Ao se fazer a ‘Analise da dissertação’, ocorre uma surpresa: – até porque esta não é destacada nem sumário e nem no resumo — o uso de uma mais recente modalidade de edição de uma dissertação que ‘empacota’ (Wrapping papers), no caso presente, quatro artigos publicados e/ou submetidos à publicação. E isso é feito com competência e com originalidade e cada um dos quatro artigos parece guardar conexões entre si. Talvez, se devesse buscar alternativas que evitem a repetição de excertos, que estão nos diferentes artigos, aparecerem também na dissertação como, acontece em certas situações.
Comentar esta dissertação dá azo à observação que é exógena aos artigos trazidos pelo mestrando: Importante é se estar atento para que esta modalidade de apresentação de uma dissertação não se transforme em um muito provável engo®da Lattes.
Sim! Engordar e engodar o Currículo Lattes parecem ser ações simultâneas. Este exagerado engorde se faz, usualmente, com ações que envolvem engodos — como ensina o Priberam — “enganar ardilosamente”.
Há muitas situações sui generis para ilustrar algo que vem ocorrendo, mais recentemente na academia. Trago apenas dois exemplos que me são muito próximos.
O primeiro: Fulano me envia um artigo, onde sou posto como coautor, sem ter escrito (ou refletido sobre) uma linha, dizendo “hoje, à tarde, sobrou-me um tempo e escrevi o artigo anexo. Queria a sua opinião e sugestão de nome de revista para publicarmos!” Sou de tempo em que a produção de qualquer artigo tem uma exigência bovina: ‘ruminar’ na acepção de meditar, planear, cogitar...
 A segunda ilustração: ainda ontem uma colega me narrou que viu que Beltrana tem 21 artigos publicados em 2016. Lembrei-me da série das estampas Eucalol: “Incrível, porém verdadeiro”.
Sou levado a conjecturar que nem Fulano e nem Beltrana conhecem ações como maturar, meditar, cogitar. Quantidade e qualidade parece que se constituem em antônimos. Isso não é uma boa prática para Academia.

7 comentários:

  1. Inebriado pelos registros do querido amigo Chassot sobre a eterna Grécia e seu fôlego nas muitas andanças, abraçado agora às tradições dos filósofos que fizeram brotar o Ocidente, paro nesta publicação de 20/4. Quando entrevistei o Prof. Aldo Vannucchi, que foi reitor da UNISO - Universidade de Sorocaba - para uma futura publicação a respeito do 1º Bispo, Dom Aguirre, desta então, diocese, destacou o entrevistado, o sabonete Eucalol. Fui procurar e encontrei conteúdos e imagens a respeito daquele que embalou o menino Aldo, que aos 11 anos entrava para o Seminário São Carlos Borromeu. Então, amigo Chassot, de algum modo e, pela Natureza, aqui nos unimos. E devo confirmar sua fala, de que as estampas do sabonete eram mui belas. São os caminhos, ora do cotidiano, ora do cômico, a nos unir por entre a seriedade acadêmica. Meu abraço!

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    1. Muito caro amigo Élcio,
      espero que estejas a fruir com a Adri o feriadão em plagas sorocabanas. Tua postagem no blogue é tão prenhe de saberes que não dou conta por inteiro no sorvê-la.
      Primeiro, espero que ter falado em nossos silêncios não tenha parecido uma reclamação por tu não postares comentários de minha jornada grega.
      Não sou eu que vou te ensinar o leitor oculto que temos quando escrevemos. Espero seja eu justificado.
      Mas vou trazer apenas um tópico. ‘Estampas Eucalol’. Vi que nesses doze anos de blogares já as citei meia dúzia de vezes. O mote é “Talvez, tenha aprendido mais Geografia e História nas estampas Eucalol que sala de aula”. Já prometi — e não cumpri — uma blogada sobre o tema. Agora, embalada pelos fluidos oriundos da terra rasgada, provavelmente, eu cumpra.
      Talvez, as estampas Eucalol para minha geração fossem muito melhor atração que a pérfida e assassina baleia azul para os jovens de hoje.
      Com ainda mais espraiada admiração

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    2. Em Angatuba/SP, minha terra, caríssimo Chassot, "andejo" é aquele que anda muito, conhece muitos lugares, gosta de passear, de aprender e de conhecer o mundo e suas relações. Pois bem, permita-me atribuir tal palavra de elogio à sua pessoa. Aliás, saiba que sequer precisa justificar-se, afinal, nossos são teus passos e olhos pelas caminhadas na Terra. Terias, ainda, todo o direito de puxar por minhas orelhas quanto às tuas blogadas. A isso, eu, igualmente atenderia, pela importância de nosso convívio possibilitado pela virtualidade. Ela, em si, não está de todo perdida. Mas, vamos em continuidade à essência que nos une - amizade e identidade - minha admiração permanente por compartilhar do que lhe é tão caro! Desta "Terra Rasgada", hoje, molhada pela garoa desde a madrugada, o nosso abraço de admiração a ti! Élcio e Adri.

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  2. Ruminando a então escrita me aguça certa angústia no que diz respeito à "qualidade x quantidade" a partir de uma fala da Professora Doutora Malu Pinto de Almeida em 2016, a qual já me provoca há tempos. Como somos avaliados? Pelas regras do mercado, apontamento de QI (quem indica) ou competência mesmo??? Será que os deuses do Olimpo saberiam? Abraços!

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    1. Meu sempre instigante colega Vanderlei.
      Realmente as discussões Qualidade versus Qualidade devem estar presente nesse período vivido sob a égide do Engo(r)da Lattes.
      Não conheço as referências que fazes a Professora Doutora Malu Pinto de Almeida.
      Adiro a tua proposta do ruminar bovino.
      Saudades de charlar com filósofo que prestigia meus blogares.

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  3. Boa noite, Mestre Chassot. É uma honra refletir/repensar/rever a escrita da dissertação a luz de seus pressupostos e concepções. O texto do blog me fez lembrar outro cuidado que devemos ter: a prática conhecida como "Salami Science". Mais uma vez obrigado por ter aceitado fazer parte da banca e por cada sugestão.
    PS.: Ainda não sou professor do Instituto Federal do Amazonas - IFAM, mas quem sabe um dia! Rsrs... Abraço!

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    1. Estimado colega Mauro,
      primeiro releva meu engano acerca de tua situação profissional.
      Mais importante que isso foram os elogios ao profissional e ao colega que a super querida manauara Claudinha, nossa amiga comum, referiu a teu respeito ontem à noite.
      Quero referir o privilégio de ter participado de tua dissertação.
      Viste o quanto ela catalisou reflexões acerca do exagerado produtivismo.
      Sou grato pelo comentário que colocaste no blogue.
      Vêmo-nos breve em Manaus

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