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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

16.-BERLIN... PELA TERCEIRA VEZ


ANO
 9
B E R L I N – Alemanha
EDIÇÃO
 3005

Desde a noite da última quarta estamos em Berlin — a exuberante vapital de uma das nações mais rica do Planeta. Há uma razão muito especial para estarmos, mais uma vez, nesta cidade. A Gelsa, nos dias 15, 16 e 17 (QUI,SEX e SAB) participou do The disorder of mathematics education na Freie Universität Berlin. O título do evento poderia ser entendido como O distúrbio da educação matemática dentro de propostas para investigações socialmente relevantes.
Enquanto a matemática tem a reputação de ser uma ciência completamente consistente e coerente, o campo da educação matemática, em certas situações parece ser algo complexo, que por vezes, assume posturas contraditórias, caóticas ou mesmo desordenadas.
O encontro reuniu 27 pesquisadores de educação matemática de vários países. Alguns dos pesquisadores desenvolveram ou estão desenvolvendo metodologias de ponta, permitindo novas realidades na pesquisa em educação matemática; outros produziram uma crítica radical e re-politizada da educação. Uns e outros buscam realizar trabalhos relevantes na dimensão sócio-politica. O espírito deste encontro foi compartilhar, discutir e contestar as abordagens desenvolvidas e sondar as condições em que uma compreensão da pesquisa em educação matemática pode ser desenvolvida e continuada.
Nos dias do evento estivemos hospedados no hotel para professores visitantes da Sociedade Max Planck, em uma região que até o nome das ruas e dos prédios evoca a História da Ciência. Ofereço uma amostra na foto ao lado. Também neste período muito lamentei as minhas limitações de idiomas como o inglês e alemão. Não há como não sofrer com a penalização imposta (confusão das línguas) pelo Todo Poderoso aos audaciosos semitas, quando estes resolveram construir a Torre de Babel.
Justificada a escolha da cidade que faz abertura desta viagem (que como comentei na blogada anterior é minha 30ª viagem internacional), uma breve referência a duas outras vezes que estive em Berlin: 1989 e 2001.
A estada de 1989 (na minha primeira viagem internacional) precisa ser datada, pois, há 25 anos, em julho, quando estive aqui, havia Berlin Ocidental e Berlin Oriental. Então, para cruzarmos o Muro e ir à Berlin Oriental, submetendo-nos a rigorosa inspeção.
Mas, em 9 de novembro de 1989 desaparece o maior e mais imponente divisor físico entre um limite do que se dizia ser entre o Ocidente e o Oriente, ou entre a democracia ou o comunismo, desaparece depois de 28 anos. Isto parecia incrível e mesmo impensável.
O antes sólido e quase intransponível Muro de Berlin se esboroa. Então, multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração. O Muro caiu!
Quando voltamos em janeiro de 2001, 12 anos depois, já não encontramos duas Alemanhas e nem duas Berlin. Encontramos outra Berlin, que não era a soma das duas do período do Muro. Talvez a marca maior daquela segunda visita, já distante 14 anos da primeira, era uma onda febril de construções. Evoco, de então, imensas gruas ajudando a subir construções gigantescas com marcas de uma arquitetura arrojada. Talvez, agora, 25 anos depois da queda do muro, o que mais chama a atenção são as novas construções. Elas também atestam da pujança do capitalismo produtor de desigualdades. Aliás, muitas novas construções continuam a mostrar a riqueza de um dos países de um capitalismo pujante.
A rigor, nossas férias começaram ontem, quando nos transferimos da Residência de Hóspedes da Sociedade Max Planck para um hotel nas imediações da nova mega Hauptbahnhof, não distante da Porta de Brandenburgo. Nos três dias do evento fiz turismo sozinho. Constatei minha dependência de minha muito expedita Gelsatur. Neste turismo solo, não me faltou apenas a intérprete competente, mas também a guia muito atilada para me mostrar Berlin.
Não tenho como fazer uma adequada síntese de tudo que vi. Destaco uma exposição de Lutz Friedel com dezenas de esculturas em madeira que homenageiam a centenas de mortos na tentativa de cruzar o Muro. Visitei também um museu sobre a República Democrática Alemã (DDR). Não apreciei muito, pois ao tentar retratar a vida como era então, tudo (automóveis, eletrodoméstico, meios de comunicação...) aparenta ser velho e fora de uso (se fosse feito o mesmo com qualquer país capitalista, as coisas também pareceriam velhas).

Uma das maiores atrações que visitei no sábado foi a Catedral de Berlim (em alemão Berliner Dom). Esta é uma catedral protestante (luterana) que se encontra na Ilha dos Museus. A "Berliner Dom" está localizada em Berlim Mitte, junto ao rio Spree, no século 13, para tornar-se uma das maiores cidades da Europa com mais de 3,5 milhões de habitantes.
A catedral é uma joia arquitetônica da cidade, juntamente com o famoso Portão de Brandenburgo. É impossível não encantar-se com a imponência de suas cúpulas e seus monumentais 114 metros de comprimento e 116 metros de altura.
A Berliner Dom, a maior e mais importante igreja protestante de Berlim, foi construída entre 1894 e 1905, mas a sua história se inicia muito antes. A história da catedral de Berlim se inicia em 1465 quando a Capela St. Erasmus, pertencente ao recém-construído palácio real foi elevada ao status de igreja colegiada ou “Domkirche” que era o termo usado na época para designar este tipo de igreja. Em 1535, o príncipe-eleitor Joachim II começou a remodelar o prédio que abrigava a igreja
dominicana e que ficava ao sul do palácio, para ser a igreja da corte. Com a conversão de Joachim II ao protestantismo, a até então igreja católica foi transformada em protestante luterana.
Cujus regio, eius religio é uma frase latina que significa literalmente "De quem [é] a região, dele [se siga] a religião", ou seja, os súditos seguem a religião do governante. Trata-se de um princípio tão antigo como o Cristianismo de Estado, estabelecido no Império Romano pelo imperador Constantino.
Na Reforma Protestante, o velho princípio ganhou uma nova vida. Foi usado no tratado de Paz de Augsburgo, assinado em 1555 entre as forças do Sacro Imperador Romano Carlos V e as forças da Liga de Esmalcalda, que determinou um compromisso entre as forças luteranas e católicas na Alemanha. O tratado ofereceu a confirmação imperial ao princípio que havia sido apresentado pelos príncipes alemães na Confissão de Augsburgo, em 1530.
Na Dieta de Augsburgo, os príncipes territoriais e as cidades livres ganharam a liberdade de definir a religião local, o direito de introduzir a fé luterana (o jus reformandi) e direitos iguais aos dos estados católicos do Sacro Império fo central de então.
Como o prédio da igreja já estava bem degradado, Friedrich II ordenou em 1747 que um novo prédio fosse construído. Assim, baseada no projeto arquitetônico de Johann Boumann, foi construída entre 1747 e 1750 uma nova catedral em estilo barroco no local que hoje se encontra a Berliner Dom. Cerca de 70 anos mais tarde, para celebrar a união das comunidades luteranas da Prússia, a catedral foi remodelada por dentro e por fora em estilo neoclássico pelo arquiteto Karl Friedrich Schinkel. Anos mais tarde, a família real achou que esta catedral era muito modesta e não representava bem a monarquia. Sob ordens do rei Friedrich Wilhelm IV, foi decidido então que uma catedral mais imponente deveria ser construída. Assim a antiga catedral foi demolida e a construção da atual Berliner Dom se iniciou em 1894, sendo finalmente inaugurada em 27 de fevereiro de 1905. Projetada por Julius Raschdorff em estilo barroco com influência do renascimento italiano, a catedral com suas dimensões monumentais de 114 metros de comprimento, 73 metros de largura e 116 metros de altura acabou sendo comparada e considerada um contrapeso protestante para a Basílica de São Pedro no Vaticano.
Como muitos prédios, a catedral foi muito danificada durante a guerra e como ficava na Berlin Oriental, os russos na privilegiou sua reconstrução e esteve muito em discussão a sua total demolição. Em 1975, começou a ser parcialmente reconstruída. Já em 1993, alcançada a reunificação foi totalmente reconstruída, para voltar a sua aparência antiga e bonita.
A Berliner Dom pode ser visitada e sem dúvidas vale muito a pena, pois a catedral também é majestosa e belíssima por dentro, sendo ricamente decorada com relevos que ilustram histórias do Novo Testamento e importantes figuras da Reforma Protestante. A estátua de Lutero, por exemplo, é impressionante.
Em seu interior encontra-se o maior órgão de tubos da Alemanha, tendo mais de 7.200 tubos, simplesmente uma obra de arte construída por Wilhelm Sauer. A catedral também abriga a cripta contendo mais de noventa tumbas e sarcófagos, incluindo as do rei Friedrich I e da rainha Sophie Charlotte, que são ricamente trabalhadas, das quais a foto da esquerda é um pequeno exemplo. Há tumbas de bebes e mesmo de crianças natimortas pertencente a famílias reais.
Devo registrar que por ocasião de minha visitação eu devo ter batido meu recorde de ascensão e descida em um mesmo dia. Não subi todos os 270 degraus que leva a até o alto da cúpula. Mas cheguei até a passarela onde começa a cúpula. Fui recompensado com a vista deslumbrante tanto exterior como do interior da catedral.
Teria ainda muito a contar de meu sábado e também já de ontem quando tive de novo a Gelsa como admirável companheira no fazer turismo. O meu encantamento com a catedral foi tanto que muitos outros relatos foram preteridos. Temos mais dois dias aqui. Varsóvia é nossa meta seguinte.

8 comentários:

  1. É fascinante viajar na história em sua companhia. Já estávamos com saudades da partilha dos seus conhecimentos. Chama a atenção a preservação que os alemães tem da sua história, memória e cultura com uma liberdade de credo de dar inveja. É o que transparece à distância. Uma excelente viagem. E não nos deixe órfãos. Grande abraço.

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  2. Caro Chassot

    Não resta dúvidas de que uma viagem assim é recompensadora em todas as suas dimensões. A descrição da Domkirche é ilustrativa da riqueza cultural dessa nação capitalistamente progressista. Votos de boas férias que se iniciam com a assessoria da Gelsatur. Um forte abraço.

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  3. Feliz com as novas publicações. Ansioso pelas futuras. Bom descanso. Gedson.

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  4. Chassot,

    fiquei maravilhado com a descrição da Berliner Dom. Também encanto-me com igrejas grandiosas.
    É notável a regeneração de Berlim, sinto vontade de conhecer este loco impregnado de história.
    Espero que tenhas orado pelos amigos em tua peregrinação…
    Fiquei pensando em fazer um Chassot-hörsaal lá na escola.
    Abraços,
    Guy
    Em tempo: conto com mais fotos e relatos! Adorei o passeio por Berlim.

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  5. Amigo CHASSOT,

    É muito bom saber que vocês estão caminhando por este mundo – vendo suas belezas, suas história, suas “gentes”!
    E, ainda, . . . contando as experiências para os que ficam.
    Liguei para o almoço de janeiro/15 e me falaram: só se tiveres passagens para Berlin.
    Vou almoçar assim mesmo . . . numa mesa de 2 lugares . . onde 1 estará vago pessoalmente, mas presente no carinho e na lembrança.
    SAUDAÇÕES a ti e à Gelsa.
    Até.

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  6. Amei a descrição de sua viagem a Berlin, me senti passeando por estes lugares.
    Que maravilha Professor Chassot!
    Abraços!

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