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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Um senso comum espraia um feriadão: OURO LÍQUIDO & UM FILÓSOFO IGNOTO

ANO 17*** 17/02/2023***EDIÇÃO 2071

Escrevo em um mega feriadão. Maior que nosso feriadão momesco, somente férias. Do entardecer de sexta-feira + sábado + domingo + segunda-feira + terça-feira + quarta-feira de cinza até o meio-dia é realmente uma mordomia. Esta se torna mais apetecível se nos dermos conta que nenhum dos seis dias citados é legalmente feriado. São dias similares a uma benesse muito apreciada nos falsos feriados ou pontos facultativos. 

A minha atenciosa leitora ou  meu estimado leitor já se deu conta que não ‘estou muito inspirado’ para este blogar de fevereiro. Mas o momento lembra o que está  em algumas páginas do primeiro capítulo do DAS DISCIPLINAS À INDISCIPLINA (Chassot, 2016, 27-54 pgs) onde se recorda que há pelo menos seis óculos com os quais podemos nos servir para olhar o mundo natural: os óculos do senso comum, do pensamento mágico, dos saberes primevos, dos mitos, da religião e da ciência. No primeiro dos seis óculos se discute exemplos de situações que envolve um senso comum. Quando se examina exemplos de senso comum, aflora um que tem a ver com nosso feriadão: “No Brasil o ano começa de verdade na segunda-feira que sucede a semana de Carnaval”. Só me resta desejar a cada uma e cada um frutuoso feriadão. Nesse eu pretendo viver momentos de solitude. Há compartilhar nesta blogada o último findi, marcado pela saborosa companhia de minha filha Ana Lúcia, junto com Eduardo e seu trio: Guilherme, Felipe e Lucas Francisco.

Na sexta-feira dia 10/02, partimos para o RECANTO MAESTRO. Este está localizado entre as belas paisagens da Região Central do Rio Grande do Sul (a cerca de 20 km de Santa Maria) ​A área é alvo de litígio entre as prefeituras de São João do Polêsine, Restinga Seca e Silveira Martins, Existe o distrito de Recanto Maestro em São João do Polêsine e existe o distrito de Recanto Maestro em Restinga Sêca. Juntos estes dois distritos tem continuidade territorial e formam uma mesma identidade territorial. A localidade é famosa por abrigar vários condomínios de luxo e vários empreendimentos feitos pelo italiano Antonio Meneghetti. Esta região é um dos vários polos gaúchos promissores de cultivo de oliveiras, das quais se extrai o óleo (tido na região como ouro líquido). A região é, também um centro de educação universitária na área das Ciências Humanas.

Dividirei a concretização de antigo sonho nosso: conhecer o RECANTO MAESTRO -- em dois momentos : Ouro líquido e um ignoto filósofo. Um e outro destes dois tópicos demandaria -- para bem cumprir a proposta -- alguma páginas. Dos dois excertos deste blogar resumirei comentários destinado a catalisar a curiosidade de meus leitores para conhecer dois assuntos que me eram quase desconhecidos.

Destaco antes: Novo Parque Termal de água salgada com propriedades medicinais, que ocupa em toda sua extensão uma área de aproximadamente 150 hectares, tendo um amplo espaço verde que  qual é bastante utilizado para atividades ao ar livre, para relaxar a mente e o corpo. A estrutura para banhos possui 6 piscinas, sendo 4 de águas quentes e 2 de águas frias, além de 9 ofurôs de hidromassagem. Fonte termal é a nascente de água subterrânea naturalmente aquecida pelo calor interno da terra. Tendo água emergente a temperatura de 42ºC e mantidas nas piscinas internas e externas a mais de 38ºC.  Este complexo é denominado TERMAS ROMANAS numa evocação aos banhos públicos romanos que foram dos primeiros a usar banhos públicos.

O Ouro líquido é o óleo produzido das oliveiras cultivadas extensamente no Rio Grande do Sul e, especialmente, na região das Termas Romanas. Tivemos no sábado, 11/02, a oportunidade de participar da festiva celebração: a segunda safra de oliveiras nos seduziu. Assistimos muitas falas de prefeitos com destaque a de Roberto Argenta. Salve equívoco meu não foi mencionado neste evento o nome de Antonio Meneghetti

Na imagem minha filha Ana Lúcia e eu, numa foto

gentileza da senhora Magda de Santa Maria.


A oliveira (nome científico Olea europaea L.) é uma árvore da família das oleáceas. A oliveira produz azeitonas, que são usadas para fazer azeite. Tem pouca altura e tronco retorcido, sendo nativas da parte oriental do mar Mediterrâneo, bem como do norte do atual Irã no extremo sul do mar Cáspio. A árvore e seus frutos dão seu nome à família de plantas que também incluem espécies como o lilás e o jasmim. Seu nome provém do latim oliva, que por sua vez vem do grego λαία (eléa), em última análise a partir de grego micênico e-ra-wa (elaiva) ou óleo. De seus frutos, as azeitonas, os humanos no final do período neolítico aprenderam a extrair o azeite. Este óleo era empregado como unguento, combustível ou na alimentação, e por todas estas utilidades, tornou-se uma árvore venerada por diversos povos. Já os gregos, que possivelmente herdaram as técnicas de cultivo da oliveira dos minoicos, associavam a árvore à força e à vida. A oliveira é também citada na Bíblia em várias passagens, tanto a árvore, como seus frutos. A longevidade das oliveiras é grande. Estima-se que algumas das oliveiras presentes em Israel tenham mais de 2 500 anos de idade. Em Santa Iria de Azoia, Portugal, há uma oliveira com 2 850 anos.

Um ignoto filósofo. As biografias são dispares. Este primeiro paragrafo copiei de um Relatório da Fundação Antônio Meneghetti do ano 2021.

O acadêmico professor Antônio Meneghetti (1936 Itália-2013 Brasil) foi um cientista de rara formação, obteve quatro doutorados segundo os critérios clássicos de avaliação sendo Doutor em Filosofia e Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (Roma), Doutor Teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense (Roma), obteve o título Grand Doktor Nauk em Psicologia pela Suprema Comissão de Avaliação Interacadêmica da Federação Russa. Formalizou  nos últimos 50 anos a Ciência Ontopsicológica, a qual estuda o homem como ele se constitui, como funciona e o que precisa para se desemvolver e realizar se projeto como vencedor. Escreveu mais de 50 obras em sua maioria traduzidas para o inglês, português, espanhol, russo e chinês. Proferiu palestras e conferências por todo o mundo levando as descobertas e conhecimentos da ontopsicologia.

Trago a seguir um excerto da Wikipédia: ​Aos quatorze anos, em 1951, ingressou na Ordem dos Frades Menores Conventuais. Em 1961 foi ordenado sacerdote e, nos anos seguintes, obteve quatro doutorados: Filosofia, Teologia, Psicologia e Sociologia. Lecionou na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino, em Roma e, em 1972, sai formalmente da Igreja Católica.

Promoveu mais de 20 congressos internacionais de Ontopsicologia, obtendo apoio de algumas Universidades públicas e privadas da Rússia,​ ​da Ucrânia, da Itália e Brasil.​ ​Com o intuito de divulgar a ontopsicologia, criou diversos centros de formação.

Em 1981, foi acusado de embuste, usurpação de títulos e exercício ilegal de medicina. Por isso ficou preso por 30 dias, juntamente com cinco de seus colaboradores, e na sequência foram todos soltos por falta de provas. Em 1991, Meneghetti salvou-se de um naufrágio na Sardenha, em uma embarcação de sua propriedade, ocasião na qual faleceu a modelo e psicóloga italiana Marina Furlan. Foi por este fato condenado a 10 meses de reclusão por homicídio culposo.

Meneghetti morreu aos 77 anos em Faxinal do Soturno, RS, em 20 de maio de 2013, vítima de câncer no fígado​, doença que ele classificava como psicossomática, fácil de tratar e prometia curar em três sessões de ontopsicologia. A fim de perpetuar suas obras, criou três fundações, sendo uma no Brasil, outra na Rússia e a terceira, na Suíça. A Wikipédia registra como ocupação: artista, pseudocientista, psicoterapeuta

 Hoje a Antônio Meneghetti Faculdade anuncia Vestibular para 2023 para seis graduações de alto nível: Ontopsicologia, Ciências Contábeis, Direito, Sistemas de Informação, Pedagogia e Administração. Segundo informações que eu ouvi, verbalmente, os seis cursos têm alunos de vários locais do Brasil e do exterior. A Antônio Meneghetti é mantida pelo Centro Internacional de Arte e Cultura Humanista com o endereço Recanto Maestro Restinga Seca. RS 97200 000 Whats App  (55)99998 0696

Surpreendo-me -- sendo algo de minha área profissional -- eu nunca ouvira algo filósofo e nem de seu legado, que parece muito exitoso, mesmo há mais de 10 anos de seu óbito. 

Nesta data ** 17 de fevereiro ** em 1600, com 52  anos, Giordano Bruno foi levado à fogueira em Roma. 


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

CLUBE DE LEITURA?...EXPERIMENTE! VALE A PENA!

ANO 17*** 10/02/2023***EDIÇÃO 2070

Há dias, ainda neste janeiro tecido por tempos de sentimentos tão antípodas, alguém me inquiriu: “Que livro estás lendo?” Fiz-me surpreso.  Parecia um desvelar de minha intimidade. Dei-me conta que houve momentos que essa era uma pergunta usual.  As listas dos 10 livros de ficção e dos 10 livros de não ficção eram termômetros para trocarmos opiniões acerca de alguns títulos. Fazímos escolhas. Nas livrarias (= lojas que vendiam livros, nas  quais havia locais que se podia assentar para obter informações de livros, lendo orelhas e/ou quarta capas) as listas antes referidas eram afixadas a cada semana, para orientar seleções.

 Hoje, parece que nem mais as novelas têm catalisado temas de discuções. Há muitas ofertas de novelas e assemelhados que podem ser vistas em horários pessoais mais díspares por streaming. Nossos horários quase sagrado de ouvir (rádio) ou ver (televisão) podem ser substituídos pelos podcasts acessados a hora que quisermos, em diferentes plataformas. Aquele cuidado de não telefonar para os pais na hora do Repórter Esso não mais subsiste. Cada um faz seu horário. Aliás, isso de fazer seu horário não é tão trivial. Sei de netos que, queridamente, preparam agendas (com datas, horários e canais) para facilitarem múltiplas escolhas para que seus avós possam escolher quais as partidas de futebol que querem assistir, por exemplo. Outra novidade: as narrações de um jogo de futebol por rádio se transformaram, naturalmente, em uma transmissão por imagem (qual televisão).

A mirada dos dois parágrafos que preludiam esta edição parece nos remeter à última edição deste blogue: mudanças há tão surpreendentes que chegam a dar medo. 

 Não tenho o perfil do número sempre minguante de umas poucas dezenas de leitores que a cada dia visitam (resisti a tentação de colocar ‘leem’) a edição semanal deste blogue. Acredito que entre estes haja um número significativo de ‘órfãos do Círculo do Livro’. Em minha biblioteca na secção ficção há dezenas de livros capa dura adquiridos nos anos 1970/80 escolhidos, quinzenalmente, de catálogo. Tenho uma enciclopédia Larousse em 30 volumes (hoje, aposentada pela Wikipédia) adquirida no Círculo do Livro. Pela mesma razão doei os 20 volumes da Enciclopédia Mérito ao ITerra.

O Círculo do Livro foi uma editora brasileira que existiu entre 1973 e 2000 de propriedade do Grupo Abril e da editora alemã Bertelsmann. Vendia livros por um "sistema de clube", onde os sócios recebiam uma revista quinzenal com sugestão de livros acompanhados de pequena resenha a serem escolhidos. Havia a obrigação de comprar ao menos um livro por mês. Livros de excelente qualidade que chegavam custar a terça parte de uma edição brochura nas livrarias. Em 1983 a editora anunciou um quadro de oitocentos mil sócios espalhados por 2.850 municípios brasileiros, atendidos por uma cadeia de mais de dois mil vendedores e da distribuição através dos correios.

Mas, por que este saudosismo? Simplesmente para dizer que  temos algo muito mais emocionante que o Círculo do livro. Eu já disse para mais de um colega bibliófilo: “Tu deverias conhecer a TAG, ela parece que foi feito para ti!...” O que é a TAG? A resposta está na página https://taglivros.com/ da qual  trago excertos para tecer esta blogada. Esta é a segunda vez que a TAG é heliocêntrica neste blogue. A primeira, em agosto de 2018, quando eu completava meio ano no clube* Também esta edição foi fonte à edição de hoje: esta comemorativa dos meus cinco anos na TAG.

As imagens AGO/2018 (½ ano de TAG) e FEV2023 (5 anos de TAG)

Endereço da edição dos seis meses de filiação à TAG: https://mestrechassot.blogspot.com/2018/08/24-tag-experiencias-literarias.htm

A TAG - EXPERIÊNCIAS LITERÁRIAS é um clube de assinatura de livros que envia mensalmente para o endereço do assinante um kit que inclui uma obra selecionada a dedo por um curador especial, e ainda uma revista temática acerca do livro do mês e um mimo, escolhido de acordo com o autor ou título do livro. A primeira remessa foi enviada em agosto de 2014. Cada caixinha que chega me encanta e imagino que apenas 65 receberam o primeiro kit e hoje (não tenho atualização dos dados) esses se transformaram em mais de 40 mil, espalhados em 1,7 mil municípios de todos estados do Brasil, lendo a cada mês um mesmo livro. Se tu tens um DNA de bibliófilo certamente és ou serás envolvido pela tagmania. Vale a pena. Experimente!

Este blogar é uma homenagem de gratidão à Cassandra, que com competência e zelo lidera o grupo de leitores TAG Porto Alegre!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Há novidades que surpreendem… mas não há que ter medo.

 




 ANO 17*** 03/02/2023***EDIÇÃO 2069

Em meio a uma safra de bancas de dissertações e teses estou escrevendo um artigo que é tecido no embalar de minha participação, em novembro de 2022, do 30º SemiEdu/2022 no PPGE/UFMT, organizado em parceria com vários grupos satélites do  PPGE/UFMT. Como preâmbulo narro, uma vez mais, uma historieta que me foi contada, já há algum tempo, pelo Prof. Dr. Nélio Bizzo. Ela já foi assunto de blogares aqui. Hoje, retomo a historinha para repensa-la mais uma vez.



UM MITO ANCESTRAL

Em um barco havia um homem com cercahavia um homem com de 30 anos, acompanhado de seu filho de 5 anos e de seu pai de 80 anos. O barco soçobrava. Só o jovem pai sabe nadar. Ele pode salvar apenas um. Quem ele salva? O menino? O velho?”

Na cultura africana, onde esta historieta tem sua raíz, o natural é que o velho fosse salvo, por um único argumento: ele é o detentor de conhecimentos que são muito preciosos para toda a comunidade.


Há muitos anos narro esta historieta, quando procuro motivar docentes e discentes à busca de saberes populares para deles fazer saberes escolares. Parecia ser natural que ussasse a mesma historieta quando buscava destacar a valorização de saberes, muitas vezes em risco de extinção, detidos pelos mais velhos. Para estudantes que assistiam a minha fala parecia natural que o jovem pai salvasse o menino. Afinal ele, diferente de seu avô, tem toda uma vida pela frente. Todavia, na cultura africana, onde esta historieta tem suas raizes, é natural que o velho fosse salvo, por um único argumento: ele é o detentor de conhecimentos que são muito preciosos para toda a comunidade. De maneira usual o ensinar ocorria, naturalmente os mais velhos ensinando os mais jovens. 

Quando reli o paragrfo anterior deu-me uma tristeza de algo que parece ter perdido: a sala de aula. Nas lives e mesmo nas aulas híbridas não ocorre mais o ‘contato’ com os alunos. Lembro do quanto curtia perambular entre os alunos… isso não se faz mais.

Qual a situação nos tempos atuais: muitos saberes, por exemplo no mundo digital, há netos mais competentes que os avós em certos saberes, como as interações na ditas comunidades virtuais.

Mas agora surge um novo questionamento. Uma interrogação: — assim como a Escola, nestes primeiros anos do Século 21 perdeu ser o lócus do saber e ao invés de se perguntar ao professor se pergunta, cada vez mais ao Google, — na comunidade que nos legou esta historieta, talvez ainda se precise de velhos para serem depositários do saber? Porém lá parece já existir detentores de informações como o professor Google / o médico Google / o pastor Google / o padre Google / a Bispa Google / o arquiteto Google / o veterinário Google /o advogado Google … eles ‘sabem tudo’ e… muito mais.

Talvez pudéssemos pensar em deixar as informações para serem passadas pelo professor Google, o Sabe-tudo; os conhecimentos obtê-lo da preciosa Wikipédia; a escola, com umas poucas informações, trabalharia alguns conhecimentos e com estes poderia construir saberes. Parece que então teríamos espaço para exercitar a transdisciplinaridade, isto é, transgredir as fronteiras que engessam as disciplinas e, talvez, até avançar à indisciplinaridade (= negar a existências das disciplinas; estas invenção da modernidade).

Mas depois de referir a origem e o destino de informações, conhecimentos e saberes surgem novas interrogações: Quando da vivência sofrida e inédita pandemia da Covid 19 parece natural que possamos modificar o final do mito ancestral que está como justificativa de salvar o velho justificada na narrativa preludial. 

Quando nos referimos a algumas ‘novidades’ (pós)pandêmicas (HomeOffice / Coworking / Telemedicina / Home School / Divã onLine e outras) há que lançar redes pois outras descobertas estão velozmente se espraiando. Agora, as notícias radiofônicas estão nos podcasts, ao invés de irmos ao cinema assistirmos séries ou os filmes do Oscar, em casa recorremos ao streaming para ver filmes). Para cada um destes novismo temos narrativas do tipo: professor que é vítima de síndrome de Burnout¹ em Parintins AM narra acerca de suas ansiedades a uma psicanalista que (nunca a viu presencialmente) o ouve em Sorriso MT ou um empresário gaúcho que mora em Pelotas RS, que uma vez por semana aluga uma sala equipada com abastada tecnologia em Porto Alegre RS para “visitar” quatro de suas 36 lojas da rede de PetLojas na região Sul. Que dirão aqueles que têm expertise na tecnologia digital dos dois relatos ou de qualquer outra narrativa dita como novidade? Nenhum dos dois relatos ou qualquer outra situação é dita como novidade pelos que detêm expertise na área: a pandemia não descobriu nada de novo… apenas antecipou usos mais rápidos! 

O Apóstolo Paulo organizava comunidades da nascente Igreja cristã e depois enviava cartas com ensinamentos da nova doutrina. Paulo pode ser considerado como o ’fundador’ da Educação à distância que muitos avós, irmãos mais velhos, empregadas domésticas… conheceram quando foram feitos tutores com expertise em EaD, no início da pandemia, no primeiro semestre de 2020.

Rendo-me sem pestanejar: que a pandemia não foi tão criativa como se anunciava. As novidades que exemplifiquei são grácis. Há não pouco vi anunciado um automóvel no qual se pode carregar a bateria do telefone celular, sem conexão física ou um automóvel que, durante o seu uso, pode ter sua cor trocada ou andar no trânsito urbano sem motorista. Para mim últimas situações parece uma ficção científica.

Quando anuncio que vivemos num mundo (quase) fantasmagórico há uma recomendação muito importante: não nos deixemos sucumbir pelo medo. Parece -- não raro -- que estamos delirando. Há um minuto cumprimentei meu vizinho no seu carro vermelho. Volto a mira-lo: agora ele está num carro azul. Logo a seguir encontro vizinho do 602 e narro minha dupla observação. Ele que conhece o dono do carro ora vermelho/ora azul, afirma, sem ouvir meu questionamento, que nosso vizinho do 701 tem um carro vermelho. Ainda acrescenta: colorado como é jamais compraria um carro azul. Parece se apiedar de mim: tenho um delírio e/ou sou mentiroso. Não adianta eu afirmar que vi o vizinho do 701 com um carro azul. É provável que já tenha perdido a credibilidade no meu condomínio! A sorte é que não sou candidato a síndico. O morador do 602 não apenas não votaria em mim, mas até desrecomendaria (às escondidas) de não votarem em mim, pois ando maluqueando.

Este é o medo que antes acenava. Não vou falar, aqui e agora, de doenças correlatas ao medo. É algo que não conheço nem o ABC. Conforta-me que mentira e ficção podem, eventualmente, coexistir. Podemos considerar um livro de ficção (= um romance) como um conjunto de mentiras (ou de fantasias do romancista). Não parece uma situação simpática esta consideração, mas pode ser verdadeira. A literatura da área da psicologia tem um termo dicionarizado que passa a ser incluído em minha história depois do carro que muda de cores!: "DELÍRIO é um estado de alteração mental que faz com que um indivíduo apresente uma visão distorcida da realidade, sendo que isso pode ser demonstrado de diferentes formas, por meio de uma confusão mental, de uma redução da consciência e até mesmo de alucinações" (Fonte: Rede D'Or Hospital São Luiz, São Paulo). Então, eu — cientificamente — Eu delirei! Ou viajei! 

NOTAS

 1 Síndrome de burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger como "(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional" (Wikipédia, 2023).


2 A palavra delírio aparece no título de um lívro que foi bestseller na primeira década deste Século 21  [Deus, um delírio (Richard Dawkins, São Paulo: Companhia das Letras, 2007)], o autor, um dos mais respeitados cientistas da atualidade, num texto sagaz e sarcástico, ataca impiedosamente o que considera um dos grandes equívocos da humanidade: a fé em qualquer divindade sobrenatural. Richard Dawkins (nascido em Nairobi, 26 de março de 1941) é conhecido principalmente pela sua visão evolucionista centrada no gene, exposta em seu livro ‘O Gene Egoísta’, publicado em 1976. Desse autor vale referir também O Gene Egoísta, O Relojoeiro Cego e O capelão do diabo. É muito discutida uma carta de Dawkins a sua filha Juliete, quando esta completa 10 anos. que está como apêndice (p. 427-437) do último livro citado: Boas e más razões para acreditar marcadas por Tradição, Autoridade e Revelação. A carta pode ser buscada no Google desmembrada do livro O capelão do diabo.