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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

27.- SNCT: a Matemática está em tudo!


ANO
 12
LIVRARIA VIRTUAL em
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3322

A última blogada de outubro 2017 circula quase ao ocaso da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2017). Minha participação na mesma foi com uma fala, na noite de terça-feira, para cerca de 150 pessoas, no campus de Capivari um dos 37 campi do IFSP, distribuídos pelo estado de São Paulo, em 35 municípios diferentes.
O lema desta edição da SNCT — que este ano pareceu bem mais discreta, pois uma das marcas do governo do temeroso é reduzir orçamentos — é ‘a Matemática está em tudo!’. Justificar acerca deste ‘estar em tudo’ pode demandar assunto para vários livros.
O convite que recebi do IFSP foi para que abordasse a questão do gênero na Ciência. Meu texto básico foi o livro ‘A Ciência é masculina? E, sim senhora!’ que recebeu uma contextualização para fazer presente o lema da SNCT-2017.
Ao lado das usuais considerações que faço do amplo predomínio masculino na premiação dos laureados com Nobel: Desde 1901 a 2017 nas três premiações de Ciência: 601 laureados dos quais apenas 18 mulheres (3,0%); destas 18, apenas três ganharam a premiação sem ter junto a companhia de homens. Para que não se afirme que a situação está mudando destaquei a situação de 2017: 11H + 00M + 01 organizações: Física, foram três homens; Química, também três homens; Medicina, três homens; Literatura, um homem; Economia, um homem e Paz, uma organização.
Aditei as premiações com o Nobel referências à medalha Fields, popularmente conhecida como o Nobel da Matemática: Medalha Fields, oficialmente conhecida como Medalha Internacional de Descobrimentos Proeminentes em Matemática. É um prêmio quadrienal, concedido a dois, três ou quatro matemáticos, com não mais de 40 anos de idade, durante cada uma das sessões do Congresso da União Internacional de Matemática (IMU). O prêmio de 15 mil dólares canadenses é homenagem ao matemático canadense John Charles Fields. A medalha foi entregue pela primeira vez em 1936, para o matemático finlandês Lars Ahlfors e o matemático estadunidense Jesse Douglas. Entregue a cada quatro anos desde 1950, já houve 56 laureados.
Quando da última premiação em 2014: houve dois laureados que merecem destaque aqui:
Maryam Mirzakhani (na foto): a primeira mulher, assim como a primeira iraniana a receber o prêmio. Ela nasceu e cresceu no Teerã e faleceu nos estados Unidos, onde trabalhava, em 14 de julho de 2017, com 40 anos de câncer de mama, contra o qual lutou por 4 anos. Um gênio? Sim, mas também uma mulher, uma mãe e uma esposa. Ao receber a Medalha Fields, Maryam Mirzakhani declarou: É uma grande honra e ficarei feliz se isto encorajar jovens mulheres cientistas e matemáticas. Estou convencida de que muitas outras mulheres receberão esse tipo de recompensa nos próximos.
O segundo destaque da última premiação é o brasileiro Artur Ávila Cordeiro de Maia [29 de junho de 1979 (38 anos), Rio de Janeiro] tornou-se o primeiro matemático da América Latina a ser condecorado com a Medalha Fields.
Na Matemática, há ainda o Prêmio Abel (em norueguês: Abelprisen) é um prêmio de matemática atribuído anualmente pelo Rei da Noruega. Foi instituído em 2002, por ocasião do bicentenário do matemático norueguês Niels Henrik Abel (1802-1829). Tem um valor monetário equivalente a seis milhões de coroas norueguesas (cerca de R$ 3 milhões ou 800 000€). Já houve 18 premiados, todos homens.
Há poucos dias o El Pais*, na edição em Português, publicou excelente matéria relacionada com esta blogada que se associa ao lema da 14ª SNCT a Matemática está em tudo!’ desta destaco apenas um parágrafo: “Alan Turing é possivelmente o mais famoso dos matemáticos britânicos envolvidos na Segunda Guerra Mundial. Ao lado de sua equipe em Bletchley Park, decifrou o código de comunicação secreta dos nazistas, assentando as bases do uso de computadores para resolver problemas ao utilizar uma sequência de passos lógicos. Entre seus colaboradores estava Joan Clarke, uma das poucas mulheres matemáticas que se envolveu desde o início da guerra. Essa circunstância mudou drasticamente com o desenvolvimento da disputa. No ano de 1945, em Bletchley Park trabalhavam cerca de 10.000 pessoas, das quais cerca de 7.500 eram mulheres, formadas em física, matemática e engenharia, entre outros. Com grande parte dos homens no front, as mulheres puderam ocupar lugares que até então lhes eram vetados”.
UM ANÚNCIO Está pautado para próxima edição uma celebração aos 500 anos da reforma luterana que ocorre na próxima terça, dia 31 de outubro.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Bom dia de sábado chuvoso, amigo mui querido Chassot! A todos que por aqui passam, meu abraço! Falar da Matemática me é custoso. Talvez, pelas dificuldades que enfrentava entre a 5ª e a 8ª séries do ensino fundamental, hoje, 6º e 9º anos. Era aprovado no limite. Na verdade, meu limite era entender a aplicação do que ouvia. Não me fazia sentido concluir que X = 0. Afinal, se dá zero, qual é a importância disso? Eis a questão que me fazia e para a qual queria uma resposta. Só depois, fui entender que, verdadeiramente, a Matemática está em TUDO, inclusive, ideologicamente manipulada. Que nos diga a Estatística, não é mesmo? Mas, o que queria compartilhar contigo, nesta blogada, é isto: se as mulheres saírem, as portas serão fechadas! Posso dizê-lo convicto: as igrejas sabem disto. Talvez, aqui esteja a razão de se controlar, não só o corpo, também os espaços ocupados; não só os ambientes, também os pensamentos e os sentimentos compartilhados. Enfim, para não se perder o controle das instituições, elas próprias, constroem o "tecido" de controle sobre as mulheres. Podem participar, mas não podem decidir. Podem se envolver, mas não podem controlar, mandar, escolher, determinar, dominar, não como o fazem os líderes, todos homens, é claro! Mas, em se tratando do Poder temporal, isto é, força do Estado, que muda de agente quando eleições são realizadas, isto também acontece. É preciso controlar a participação das mulheres para que elas não controlem tudo! Eis a máxima vivida. Se a Ciência é masculina, mas é claro que é, sim senhor! Também as confissões religiosas e o poder constituído. Enfim, meu amigo, não se trata de apregoar a mudança de condução do Poder: devem sair os homens e entrar as mulheres. As coisas simplórias assim, além de ingênuas e engolidas pelo senso comum, acabam por trocar as moscas, não o cocô. Mas, que é preciso existir equilíbrio em todas as instituições, oportunidades e condições melhores de participação, sim senhor, tudo isso é, absolutamente, necessário! Agora, que seria um abalo sísmico a saída das mulheres, tenho certeza, que seria o suficiente para que todas as portas se fechassem! Então, que elas não ouçam... Ou melhor, que ouçam SIM! Meu abraço!

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