TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

domingo, 5 de dezembro de 2010

05.- Wikileaks & Julian Assange

Porto Alegre Ano 5 # 1585

Um domingo que sabe a fim de ano. É também um dia para tentar se atualizar com o mundo. Ontem depois de minha chegada de uma semana de Roraima e quase imediatamente partir para o campus do DC-Navegante do Centro Universitário Metodista - IPA para participar da I Jornada: A Engenharia de Produção na Sociedade, dediquei bastante a ler ‘jornais velhos’. E , então, tive surpresas. Essas surpresas estão na manchete desta edição: Wikileaks & Julian Assange.

No evento do IPA, coordenado pela Prof. Dra. Ane Lise Dalcul – a quem agradeço o convite e o mimo –, tive o privilégio de estar com Prof. Dr. Norberto Garin, reitor da Rede Metodista do Sul, tive na falas de alunos e coordenadores de diferentes cursos da área das Ciências Tecnológicas, uma visão de propostas holísticas dos cursos desta área na instituição onde trabalho. Isto me encantou.

Na minha fala “A indisciplina como alternativa para inserir a Engenharia de Produção na Sociedade” busquei estar em consonância com o objetivo do evento: “Impactos da indissociabilidade e da interdisciplinaridade” citei o quanto a Wikipédia parecer ser hoje um dos melhores exemplos de democratização do conhecimento. Comentei também a velocidade como se atualiza.

Quem não leu por uma semana jornais e quem, por limitações de acesso à internet, como tive em Roraima, não acessou noticiosos na rede, se sentiu um alienígena, pois desconhecia dois assuntos em todos os periódicos: Wikileaks & Julian Assange, salvou-me a Wikepédia.

Julian Paul Assange (Townsville, 3 de julho de 1971) é um jornalista e ciberativista australiano. É um dos nove membros do conselho consultivo do Wikileaks, um wiki de denúncias e vazamento de informações. É também o principal porta-voz do website.

Assange estudou matemática e física, foi programador e hacker, antes de se tornar porta-voz e editor chefe do Wikileaks.

Em 2010, após o vazamento da vasta massa de documentos sobre possíveis crimes de guerra cometidos no Afeganistão e no Iraque pelo exército americano, parece não haver mais lugar para Assange no mundo (se ele não quiser ir para a prisão). O New York Times descreve-o como um "fugitivo", depois de sua rápida passagem pela Islândia. Recentemente Assange perdeu a cidadania sueca e está à procura um país que o receba. Tornou-se uma espécie de "apátrida ideológico".

WikiLeaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que publica, em seu site, posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

O site foi construído com base em vários pacotes de software, incluindo MediaWiki, Freenet, Tor e PGP. Apesar do seu nome, Wikileaks não é um wiki - leitores que não têm as permissões adequadas não podem editar o seu conteúdo.

Para a postagem, WikiLeaks recomenda vivamente o uso do Tor, visando preservar a privacidade dos seus usuários, e garante que a informação colocada pelos usuários não é rastreável. O site, administrado por The Sunshine Press, foi lançado em Dezembro de 2006 e, em meados de Novembro de 2007, já continha 1,2 milhões de documentos.

No site, a organização informa ter sido fundada por dissidentes chineses, jornalistas, matemáticos e tecnólogos dos Estados Unidos, Taiwan, Europa, Austrália e África do Sul. Seu diretor é o australiano Julian Assange, jornalista e ciberativista.

WikiLeaks recebeu vários prêmios para novas mídias, incluindo o New Media Award 2008 da revista The Economist. Em junho de 2009, a WikiLeaks e Julian Assange ganharam o Media Award 2009 (categoria "New Media") da Anistia Internacional, pela publicação de Kenya: The Cry of Blood - Extra Judicial Killings and Disappearances, em 2008 um relatório da Comissão Nacional Queniana de Direitos Humanos sobre a política de extermínio no Quênia. Em maio de 2010, WikiLeaks foi referido como o número 1 entre os "websites que poderiam mudar completamente o formato atual das notícias".

Em abril de 2010, WikiLeaks postou, no website Collateral murder, um vídeo feito em 12 de julho de 2007, que mostrava civis iraquianos sendo mortos durante um ataque aéreo das forças militares dos Estados Unidos.

Em julho do mesmo ano, a organização ganhou maior visibilidade mundial, ao divulgar o Afghan War Diary, uma compilação de mais de 76.900 documentos secretos do governo americano sobre a Guerra do Afeganistão.

No mês de outubro, em articulação com grandes organizações da mídia, Wikileaks publicou um pacote com quase 400.000 documentos secretos, denominado Iraq War Logs, reportanto torturas de prisioneiros e ataques a civis pelos norte-americanos e seus aliandos, na Guerra do Iraque.

Em 28 de novembro, publicou uma série de telegramas secretos de embaixadas e do Governo estadunidense.

Dois dias depois, em 30 de novembro, a pedido da justiça da Suécia, a Interpol distribuiu em 188 países, uma notificação vermelha, ou seja, um chamado àqueles que souberem do paradeiro de Julian Assange, para que entrem em contato com a polícia - o que equivale aproximadamente a uma ordem internacional de prisão. Isto porque, em agosto, duas mulheres suecas denunciaram Assange por violência sexual.

Em 1º de dezembro, WikiLeaks anunciou que a Amazon.com o expulsara dos seus servidores, onde estava hospedado desde que começaram os ataques contra seu hospedeiro sueco, Bahnhof, em 28 de novembro, o que tornou o acesso instável. Quando, no dia 1º, os servidores da Amazon pararam de responder aos pedidos de acesso, WikiLeaks ficou indisponível durante várias horas. O senador estadunidense Joe Lieberman, que também é chefe do Comitê de Segurança Interna do Senado dos EUA, informou que a decisão da Amazon atendia a pedidos de membros do Congresso americano. Segundo o senador, "a decisão da companhia [Amazon] de cortar o WikiLeaks agora é a decisão correta e deveria estabelecer o padrão para as demais", referindo-se aos demais servidores onde o WikiLeaks tem documentos armazenados.

Após retirarem o domínio wikileaks.org do ar, eis o novo domínio: http://213.251.145.96/

A 3 de Dezembro de 2010, Wikileaks anunciou no twitter.com/wikileaks o seu novo endereço de site na Suíça: http://wikileaks.ch

Uma vez mais, obrigado Wikipédia. Não sem razão que este blogue desde metade de novembro reforça e adere ao apelo de seu fundador. Votos de um muito bom domingo a cada uma e cada um; Lemo-nos amanhã, provavelmente.

sábado, 4 de dezembro de 2010

4.- Imagens da Taba Lascada

Porto Alegre Ano 5 # 1584

Estou de volta a Porto Alegre. Serei, uma vez, mais repetitivo: é bom viajar, mas voltar é ótimo. Cheguei à Morada dos Afagos a 01h. Encerrava assim minha última viagem deste ano.

Os voos foram quase pontuais. O Manaus/Guarulhos, de 3,5 horas, chegou no horário, mas o gigantesco Airbus, grávido com mais de 200 passageiros ficou 42 min parado na pista aguardado para estacionar, o que determinou um transbordo emergencial para terceiro e último voo. Os peixes das águas do rio Branco chegaram ainda congelados, às margens do Guaíba.

O anunciado passeio de barco não saiu por questões técnicas. A reduzida manhã foi aproveitada com a Ana e Bete para um gostoso turismo por Boa Vista. Visitamos a igreja de São Francisco e a orla. As 11h30m min juntaram-se a elas o Luiz, a Adriana, a Maria, o Pedro, a Ednalva, para a ‘última ceia’. Peixe, é claro. A Lúcia telefonou ao almoço e a Josimara, no aeroporto para colher um autógrafo, queridamente deu abraço que representou o carinho de cada uma e cada um que nesta semana me receberam tão fraternalmente. Obrigado, mesmo Roraima!

Hoje, até por que tenho que logo partir para o Campus do DC Navegantes do Centro Universitário Metodista do IPA para uma fala na I Jornada - A Engenharia de Produção na Sociedade, não vou editar a tradicional dica de leitura sabática. Não houve tempo de produzi-la.

Cumpro o prometido trago algumas imagens daquilo que para mim foi mais significativo. Na densa semana que passou: a visita à Escola Estadual Professor Ednilson Lima Cavalcante, da Comunidade Indígena Taba Lascada, no município de Cantá, na região Serra da Lua em Roraima.

Não Vou legendar as fotografias, Elas dizem um pouco de minhas emoções. A elas adito votos de um muito bom sábado a cada uma e cada um.

Até domingo.




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

3.- Despedindo Roraima


Boa Vista Ano 5 # 1583

Mesmo que nesta semana tivesse sido maravilhosamente acolhido, hoje minhas emoções mais fortes voltam-se para volta, Não há como deixar de lembrar do livro de Michel Onfray “Geografia da Viagem” que já resenhei aqui. Começamos a partir e voltar com antecipação.

Minha volta, se sancionada pelos operadores de voo – que estão em operações reivindicatórias, sempre desencadeadas em dezembro – deve ocorrer assim:

Origem

Partida

Destino

Chegada

Boa Vista

13h15min

Manaus

14h30min

Manaus

15h10min

São Paulo

20h55min

São Paulo

22h15min

Porto Alegre

23h53min

Sempre me parece algo surreal essa precisão ficcional de horários que sempre atrasam. sonho que tudo ocorra a tempo de cumprir uma agenda, amanhã pela manhã, no curso de engenharia do Centro Universitário Metodista do IPA.

Esta manhã tenho um passeio fluvial no rio Branco e depois um almoço de despedida. O local deste me permite uma retificação. Feri os brios dos bela-vistenses, quando disse que não havia edifícios. O almoço será em hotel que tem, como outro prédio, mais de três andares. Às colegas que cuidam de minha agenda pareceu melhor suspender uma missa às 5h30min (sim! Está certo o horário) desta manhã. Uma hora mais tarde a Ednalva veio buscar-me no Hotel para conhecer internamente a igreja do Carmo, do século 18. Chegamos ao termino da missa do novenário da festa da Conceição. Tive muito apreciadas explicações do Pe. Vantuí, que descreveu-me a única experiência missionária beneditina na Amárica.

Mas tenho muito a contar de ontem: a sumarenta e emocionante quinta-feira teve dois tempos. Primeiro a visita a comunidade macaxi de Pedra lascada e depois uma incursão em terras venezuelanas.

Em companhia dos Professores Ednalva, Bete e Luiz, conduzidos pelo motorista Borborema, da UFRR que tem a sabedoria das pessoas que são curiosas e prestam atenção, fomos em uma viagem de 30 minutos, cruzando o imponente rio Branco, ao município de Cantá, na região Serra da Lua e visitamos a Escola Estadual Professor Ednilson Lima Cavalcante, da Comunidade Indígena Taba Lascada.

Éramos convidados para uma comemoração do encerramento letivo da Escola Infantil e do Ensino Fundamental. O Ensino Médio encerra hoje suas atividades hoje com a II Feira de Ciência, que tem como tema ‘fortalecendo a cultura indígena em diálogo com o conhecimento científico’, que objetiva ‘que através de pesquisas a comunidade escolar descubra novos conhecimentos que fortaleça a cultura indígena da comunidade, ou seja, os valores étnicos, a comida, a bebida e o processo de preparação, a reza tradicional, sua própria história, a literatura indígena. Bem como, os conhecimentos científicos na formação do aluno indígena no contexto da globalização, considerando sua organização política e o jeito de ser de forma específica e diferenciada.’

A leitura do texto acima, que extrai do folheto da divulgação da mostra que se encerra com o Teatro Conflito da Terra Taba Lascada e a peça do Curupira, traduz a excelência da Escola visitada. Se apresentasse uma cena do laboratório de informática, com mais de uma dezena de modernos computadores, com acesso a internet por antena especial de programa do governo federal de acesso a rede mundial de computadores, veríamos que não fala de nenhuma escola indígena que possa estar no imaginário de meus leitores.

Entre os professores, que atendem a mais de duas centenas de alunos há 12 que tem licenciatura plena em Educação Indígena, que estão entre os cerca de 160 licenciados que UFRR já formou e atuam nas imensas reservas indígenas de Roraima.

Depois de ter feito uma emocionada fala aos alunos, professores, merendeiras, líderes da comunidade e pais, participei da merenda festiva com bolos típicos e frutas da região, onde comi ingá, abacaxi, caju, melancia branca entre outras. Em seguida, o muito atencioso professor Tenilson, licenciado pela UFRR e diretor da escola, conduziu-me a visitação de diferentes espaços escolares, em vários dos quais, quase meia centena de alunos do ensino médio, preparavam a Feira de Ciência. O Prof. Tenilson presenteou-me com um anel de coquinho, confeccionado na escola, para recordar a minha visita e celebrar um pacto de amizade com a Escola Estadual Professor Ednilson Lima Cavalcante, da Comunidade Indígena Taba Lascada. Ofereci, e enviarei por correio postal, na próxima semana, um conjunto de meus seis livros em circulação. Comprometi-me solicitar às minhas editoras o envio de livros para a Escola.

Dentre tudo que vi esta semana em Roraima, certamente foram as horas que passei na manhã de ontem na Taba Lascada foram as mais proveitosas. Encanta-me ver a presença da UFRR respondendo às justas exigências das comunidades indígenas.

Voltei à Boa Vista, com meus colegas, olhando de maneira diferente as malocas de palha (como são chamadas suas habitações) dos indígenas com antenas de televisão. Eu estava com alma encharcada de alegria.

Às 10h30min com a Ana, a Bete e o Amauri (marido da Bete) partimos para o Norte. Nossa meta primeira era Pacaraima, que dista 220 km de Boa Vista. A viagem é pela BR-174, que corta em quase toda sua extensão a Reserva Indígena São Marcos, com muitas malocas e também as muito presentes igrejas evangélicas. Passamos pela Raposa do Sol, aonde vimos o anfiteatro da Reserva Raposa do Sol onde se realizam as convenções dos povos indígenas da região.

Pacaraima está ligada à demarcação da fronteira com a Venezuela pelo Exército, se originando em torno do marco conhecido como BV-8, portal de entrada para o Brasil a partir daquele país. Pacaraima funciona até hoje como entreposto comercial, atraindo diversos compradores de bens de consumo básicos do município vizinho Santa Elena de Uairén, uma cidade venezuelana. Em Pacaraima fomos acolhidos por um irmão do Amauri que é professor de Geografia e Teólogo.

Passamos em seguida a fronteira e estávamos na República Bolivariana da Venezuela. Fomos até Santa Helena, que fica a 15 km da fronteira de Pacaraima. A cidade foi fundada em 1929, sua principal atividade econômica é a extração de diamantes. Seus atuais moradores são as famílias dos homens que trabalhavam nas minas de diamantes. A cidade tem uma zona franca onde há forte comércio de produtos eletrônicos. Almoçamos uma paella sevilhana e percorremos o comércio e visitamos uma linda igreja integrada a convento capuchinho. Um frei espanhol contou-me um pouco da história da igreja e do convento.

Voltamos ao Brasil, com muitas fotos que serão mostradas, por razões já explicadas em futuras edições. Fizemos uma visita a acolhedora morada da família do irmão do Amauri em Pacaraíma. Deixamos a setentrional cidade brasileira, às 19h com planos de chegar a UFRR para participar da confraternização de encerramento do 1º WEQR. Mas, a cerca de 30 km de Boa Vista, nosso carro que viajava a mais de 100 km/h, colheu, provavelmente, uma avantajada capivara. Esta voou sobre o carro. Os danos materiais na parte frontal do carro impediram o prosseguimento da viagem. Surgiu um jovem motociclista que nos prestou auxilio. Um guincho removeu o carro e o Grilo, cunhado da Bete, foi chamado de Boa Vista para nos resgatar. Já era 22h quando cheguei ao Hotel Uiarama, que deixo dentro de mais um pouco, depois de cinco dias.

Resta um registro de gratidão a cada uma e cada um dos colegas de Roraima que me acarinharam nesses dias. Sou grato também a leitores como a Professora Ana Carolina de Cuiabá que escreveu, na edição do dia 30de novembro: Professor, estou adorando conhecer Roraima e participar do 1º WEQR, por meio do seu Blogue. Aguardo ansiosa a sua próxima postagem. Prometo, a partir da edição de amanhã trazer algumas fotos, Assim, sonho que nos leiamos da Morada dos Afagos amanhã.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

2.- Acerca de um uma super-quarta-feira


Boa Vista Ano 5 # 1582

A inauguração de dezembro foi, talvez, com um dos dias de mais extensa programação de atividades profissionais que tenha vivido. Mas antes de comentar o 1º de dezembro algo sobre a previsão de meu último dia completo em Roraima.

Na programação que recebi consta: Palavras à comunidade Indígena da Taba Lascada pelo Prof. Chassot. Desde o começo esse item tem me parecido o mais instigante e do qual sei menos. Esta manhã, às 8h, com um grupo de professores da UFRR, liderados pela prof. Ednalda – pró-Reitora de graduação – vamos a uma comunidade da etnia macuxi.

Às dez parto com alguns colegas para uma visita à Santa Elena de Uairén, uma cidade venezuelana, de colonização espanhola, que está a 2,5 horas daqui. À noite devo estar presente no encerramento do no 1º Workshop de Ensino em Química de Roraima.

Tento primeiro uma pré-postagem desta edição, pois a internet esta instabilíssima (=quase inexistente). Assim deixo um registro ante a impossibilidade de conseguir ser mais detalhes. Cada vez mais me surpreendo com haver um Estado brasileiro onde a internet tem tal restrição no seu uso. Se conseguir, edito um complemento.

ADENDO 1: Tive um momento de internet quando coloquei o que esta acima. Faço uma nova tentativa. A assim chamada super quarta-feira, começou com um encontro no café da manhã, com colegas da UFPA, que estão no hotel onde estou hospedado. Evocamos atividades que fizemos juntos em Belém.

Logo em seguida com a Irene, a Bete, a Ana e a Marina fomos ao 7º BIS – um batalhão de fronteira que reúne cerca de 1.200 militares do exercito brasileiro em Roraima – que há 10 anos mantem um Mini-zoo, formado por animais sofreram maus-tratos pelas atividades ilegais e hoje do tráfico de animais silvestres e hoje são cuidado pelo Batalhão e pela prefeitura de Boa Vista.

Fomos recebidos pela Ten. Ilene, uma médica-veterinária que nos conduziu a um encontro protocolar com Ten-Cel. Cruz, comandante do 7º BIS. Colhi mais um ineditismo deste périplo amazônico: ser recebido por um comandante militar. Visitamos então os animais. A proposta é poder entrar na maioria das gaiolas. Claro que não na gaiola das onças, por exemplo. Tenho fotos com araras, papagaios tucanos. Macacos e veado em meus ombros. Por limitações de internet, deixo para postá-las na edição de domingo.

Após fiz a abordei o tema: “Como formar jardineiro para cuidar do Planeta” para cerca de 200 professoras e professores que trabalham de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. Após a palestra, que foi muito aplaudida, almocei no Aipana Plaza Hotel com dirigentes do evento e com a Rita, que coordena no MEC as ações de Educação Ambiental.

Depois uma breve passada no meu hotel para uma vez colocar uma bermuda para as três ultimas horas de aula no minicurso A História e Filosofia da Ciência facilitando ações transdisciplinares. Ontem foram discutidas duas revoluções muito polêmicas: darwiniana e a freudiana.

Entre esta sessão e as atividades da noite tive um intervalo de uma hora para reorganizar as duas próximas fala. De volta a UFRR por primeiro avalia e classifiquei três dos 16 trabalhos apresentados no 1º Workshop de Ensino em Química de Roraima. Surpreendi-me por quatro dos trabalhos terem entre as obras de referência o meu livro: A Educação no ensino de Química (1990). Impressiona-me a vitalidade daquele que foi, provavelmente, o primeiro livro da área de Educação Química publicado no Brasil. A professora Ednalva, que assistiu às oito horas do minicurso, minhas duas palestras no 10 WEQR e a minha intervenção na mesa redonda e também as quatro jantas em peixarias boa-vistenses, pediu que eu apensasse em um surrado exemplar, que já foi matriz para incontáveis cópias, uma dedicatória.

Às 19h iniciava minha palestra para qual havia sido proposto o título: As três perguntas capitais: O que ensinar em Química? Por que? E como?”que é um dos capítulos do A Educação no ensino de Química. Parecia-me um título ‘velho’ que evocava dezenas palestras que fiz no século passado. Propus a troca por “A indisciplinaridade como alternativa para alfabetização científica.” Por mais de uma hora falei a um atento auditório a cerca das modificações na Escola e trouxe uma leitura ao avesso da disciplinarização.

A última atividade da noite foi a mesa-redonda: “Como formar jardineiro para cuidar do Planeta.” Com Prof. Dr. Antonio Alves de Melo Filho (UFRR), Profa. Dra. Ivanise Rizzatti (UERR) e Prof. Dr. Attico Chassot (IPA/UAM). O singular é que os organizadores do 1º WEQR foram buscar no segundo capítulo do meu livro Sete escritos sobre Educação e Ciência inspiração para a proposta de discussão. No livro conto que numa destas surfadas quase aleatórias pela rede mundial de computadores, encontrei um texto poético de Leonardo Boff. Trago, no livro, um breve excerto de Milagres acontecem[1], com o qual o renomado teólogo não apenas inspirou o título destas reflexões, mas terminou por definir o escopo deste texto. Ele diz: Em 2003 visitei pela primeira vez a ilha de Fernando de Noronha, prova de que um pouco do paraíso terrenal ainda perdura. A população, em grande parte, cumpre o preceito divino dado a nossos pais originários, o de serem jardineiros e cuidadores daquela herança sagrada. Contrariei a sabedoria popular: falei do santo, mas não conto do milagre. Este é bonito. Vale visitar o endereço http://www.verdestrigos.org/religare/2005/05/milagres-acontecem-por-leonardo-boff.asp acessado em 10 de julho de 2005. Texto datado de 14 de maio de 2005.

Tanto o Prof. Antonio quanto a Profa. Ivanise trouxeram excelentes considerações educando, com posturas preocupadas com o ambiente natural. Eu trouxe excerto da fala que fizera pela manhã, apresentando uma contribuição para formar jardineiros – professoras e professores de Ciências – que sejam cuidadores do Planeta.

Após prologado debate proposto pelo auditório, fomos um grupo de colegas confraternizar em uma peixaria no ‘Ver o Rio’. Já era quinta-feira quando cheguei ao hotel, sendo que em Porto Alegre a madrugada já ia adiantada.

Peço que relevem a precariedade da edição, sem fotos. Admito que Boa Vista, com quase 300 mil habitantes não tenha shopping ou edifícios altos, mas não ter internet banda larga, traz precariedades. Preparando-me para viver as expectativas de jornada de hoje, desejo um muito bom 2 de dezembro a cada uma e cada um. Para amanhã anuncio a edição de despedida da região equatorial.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

1.- Um ano da edição deste blogue no blogspot


Boa Vista Ano 5 # 1581

Inauguro dezembro na Amazônia. Esta é a terceira das cinco postagens desde Boa Vista. Não posso dizer que já tenha me aclimatado ao calor equatorial. Acredito que abomine mais o ar condicionado que esse clima mormacento.

Um registro que me encheu de alegria e certamente trará regozijos àquelas e àqueles que leram no blogue de quinta-feira passada um pouco da história de Ana em 25.- Mais um presente no mistério dos encontros Eis o que a Ana escreveu ontem: Olá, professor, eesse é para lhe dizer que já estamos em Cuiabá e que hoje saiu o resultado do Mestrado e que eu fui aprovada em 4º lugar. Valeu a torcida! Abçs. Ana

Depois da postagem do blogue de ontem, quando comentava a entrevista na TV Roraima, dediquei-me a revisar a versão final da dissertação da Thaíssa. Viajar com notebook e como trazer junto nossa escrivaninha de trabalho, há sempre muita ocupação. Aqui o problema é a internet. Não há, segundo me disse a gerência do hotel, banda larga no Estado. O 3G funciona de maneira muito precária, também. Isto dificulta, e muito nossos lavres.

Se ontem celebrava o ineditismo de duas entrevistas para televisão na mesma manhã, o fato relevante se adensou quando a segunda entrevista se transformou para dois programas com gravações na TV Educativa da UFRR: uma para o Jornal de Roraima, que foi ao ar ontem ao entardecer e outra para o Sala de visita. Este será veiculado hoje à noite. A entrevistadora foi a jornalista Gersika, que com competência desafiou-me a falar de Ciência e religião e também de meu livro A Ciência é masculina?

Deixamos a televisão com o prof. Luiz, que na quase madrugada já me levara a TV Roraima também me levou a TV Educativa. Com ele e com Professora Irene fomos ao Ver o Rio – um miradouro moderno que a sobre o Rio Branco.

Ali nos encontramos com a Professora Ednalva. Comemos um gostoso peixe filhote na telha. Aqui um registro do quarteto.

Depois do almoço, alguns poucos minutos permitiram uma passagem pelo hotel aposentar a gravata da televisão e aderir a uma bermuda para as aulas da tarde.

Ontem, o curso de História e Filosofia da Ciência teve a suas aulas aumentadas de duas para três horas. Hoje a tarde deve ocorrer o mesmo, assim libero duas horas aulas que teria na quinta-feira, quando e vou à Venezuela, com oportunidade de viajar pelo interior de Roraima.

Nas aulas tarde recebi um artístico cartão da Turma Professor Attico Inácio Chassot de Licenciados em Química de 2001 da UFRR. O cartão, que contém frases que me são atribuídas: “Para gostar é preciso conhecer” e “A Educação em Química ou através da Química, significa um esforço em colocar a Ciência a serviço do mundo da vida, na interdisciplinaridade, no intercambio das Ciências entre si”. A formatura foi em 29 de maio de 2002, quando estava em Madrid no pós doutorado, talvez por isso não localizado. O mimo me foi entregue pela Iloneide Pereira da Silva, que fora a oradora da turma e pela professora Ednalva Dantas Rodrigues, então chefe do Departamento de Química e hoje Pró-Reitora de Graduação da UFRR. Ela é uma das que tem disseminado meus textos em Roraima. Na foto mais um momento emocionante desta semana.

Se na semana passada em Cuiabá estive em duas peixarias e aqui em Boa Vista já fui a quatro – a quarta foi à noite, onde ficamos até começar dezembro aqui –, sempre saboreando excelentes peixes. Por tal, entusiasmado pela Professora Dra. Ivanise Rizzatti, uma catarinense que leciona na UERR, vou tentar em Porto Alegre prolongar estas delicias. Comprei 25 kg de peixes. Como a sacola que veio grávida livros esvaziou, num saboroso escambo, levo um Tambaqui de 10,5 kg, três Filhotes e dois Matrinchã. A Ivanise se dispôs a congelá-los até sexta-feira, quando viajo.

Minha quarta feira tem uma agenda densa. Pela manhã inicialmente vou ao zoo para ver um trabalho que se faz para envolver crianças portadoras de necessidades especiais em zooterapia. Às 11 horas faço uma palestra na Semana Municipal de Educação para a Igualdade. Atividade que ocorre de 29 de novembro a 11 de dezembro no Aipana Plaza Hotel, reunido cerca de 300 professores da Educação Básica. À tarde tenho três horas de aulas no minicurso e à noite tenho uma palestra e uma mesa-redonda no 1º WEQR.

Uma boa quarta-feira. Um dezembro muito bom. Lemo-nos quando já for quinta-feira.