TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

17SETEMBRO2021.- CIÊNCIA & RELIGIÃO EM MAIS UM LIVRO

 Setembro parece célere. A primavera já tem dado espiadelas. Na próxima semana ela promete alijar o inverno do calendário 2021. Minha semana foi marcada pela transição Microsoft > Google; nisto ajudado com competência pelo Bruno da Alest. 

Um sumarento momento foi, nesta quinta-feira, mais uma vez estar em sala de aula, num dos encontros semanais no IFES Instituto Federal Espirito Santo na disciplina Tópicos especiais em educação em ciências, para com a Manuella examinar mais dois capítulos do livro do Festschrift elaborado por pesquisadores da Unipampa. No anoitecer de ontem, houve a reunião quinzenal do LabIn (Laboratório de indisciplinaridade que envolve meus 10 orientandos). A Uiara fez, então, uma competente exposição de duas siglas que envolvem a Academia: ORCID & DOI.

Na última edição se anunciou que foi lançado no XVIII Ecodeq o livro   Os quatro elementos entre a ciência e  a religião. A capa está na edição anterior; na quarta capa  se diz: “Este livro acolhe aqui um convite que Patrícia e eu fazemos: nos acompanhem para uma visitação a cada um dos quatro elementos — Ar, Terra, Água e Fogo —. Há pelo menos quatro óculos (Pensamento mágico, Senso comum, Ciência e Religião) que poderão (des)ajudar na mirada de cada um dos painéis. Não temos autoridade para sugerir um e ou outro. Não existe o melhor óculo. Existem diferentes óculos. Podemos fazer alertas. Dentre dois deles os limites são tão tênues que — se houver precauções — podem ser usados dois ao mesmo tempo, como, por exemplo, um copernicano se fazendo aristotélico para fruir um pôr-do-sol. Vale experimentar!"

 Patrícia Rosinke [Professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Graduada em Ciências Habilitação em Química pela UNIJUÍ (2004), mestra em Educação nas Ciências pela UNIJUÍ (2007) e doutora em Educação em Ciências e Matemática pela UFMT (2019)] mostrou como transformar uma tese em um livro muito palatável. Nele parece visível o tênue limite entre Religião e Ciência a partir da situação aparentemente exótica: visitação dos quatro painéis entre sete painéis (8 x 6,5 m) recorrem a representações iconográficas dos quatro elementos alquímicos (água, ar, fogo e terra) para se fazer a representação do sagrado marcando não apenas o tetramorfo dos quatro Evangelistas (Lucas, Mateus, Marcos e João).


A reprodução é ‘Água, evangelista Mateus/nascimento de Jesus/bodas Caná/Jesus no poço com a Samaritana’, Nos quatro painéis também estão os quatro dogmas marianos cada um deles apresentados como proposta icônica de cada um dos quatro elementos na visualização e produção da distinguida artista sacra brasileira Mari Bueno. É ela que, em uma das orelhas da capa que explica:
“Na criação da iconografia para a Catedral Sagrado Coração de Jesus em Sinop busquei princípios da história, da teologia e da liturgia, mas com um grande desafio de integrar os elementos da natureza embasados na sagrada escritura”. Fico a dever aos leitores originalidades da tese que se transmutou no livro [ISBN 978-65-8621860-2] da editora Livrologia (www.livrologia.com.br). Minha mãe me alertaria que ‘promessa é divida!’. Cumpri-la-ei.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

1 10SETEMBRO2021 UMA EDIÇÃO EMERGENCIAL


ANO
 16

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

1383

Já vivemos neste blogar a segunda edição setembrina! A celebração do 199⁰ Sete de Setembro foi tétrica e faz aflorar preocupações com as comemorações do Bicentenário em 2022. Particularmente, foi uma semana plena de (a)fazeres. Permito-me trazê-los. Este aportar aqui é até para mostrar que na nossa esponsabilidade (ação de esposar) com a tecnologia, de vez em vez, nos prega surpresas, que podem levar a desquites.

Na segunda-feira, ocorreu o magnífico encontro com os alunos do quarto e quinto anos da Escola Marcelo Gama, de Jacuí, na qual -- há 74 anos -- fui alfabetizado. O memorável diálogo com os alunos foi maravilhoso. 

Ontem, quinta-feira  estavam  programadas para mim duas atividades no XVIII Encontro centro-oeste de educação química. Eis que no preparo das falas fico, num repente, desprovido do Word e do PowerPoint. Prestou-me ajuda a Patrícia, desde Sinop, na montagem da palestra da tarde. Esta palestra classificada pela Irene como título de atividade mais poético do evento: "Para formar jardineiros para cuidar do planeta." Foi muito bom usar, uma vez mais, a Laudado si' para falar no ecomenismo para o cuidado da nossa casa comum: o Planeta Terra.

À noite, no mesmo evento, participei de uma muito original sessão de autógrafos com a presença de quatro livros dos quais destaco dois: o Festschrifts; a Mara (co-organizadora da obra) apresentou, com muita  competência e  destaque a produção de seus colegas da Unipampa, Campus de Uruguaiana RS.

O segundo livro apresentado foi  Os quatro elementos entre a ciência e  a religião  onde a Patrícia mostrou como transformar uma tese em um livro muito palatável. Nele Patrícia e eu mostramos o tênue limite entre Religião e Ciência a partir da visitação dos quatro painéis: terra, ar, água e fogo na catedral católica de Sinop MT. Prometo, para breve uma resenha deste livro deste livro aqui no blogue.

 Ainda na mesma sessão Kátia e Graziele da UFMT apresentaram cada uma livros de suas autorias.

 Nesta sexta-feira ainda participei de uma sessão em que se evocou os diferentes encontros de ensino de química que se realizam no Brasil procurando resgatar algo da história de cada um deles. Foram no mínimo doces momentos de embalar saudades.

Peço às minhas leitoras e  aos meus leitores aceitar as limitações dessa edição do blogue pelas infrações que antes expus com as minhas dificuldades de meu banimento do  Office e por tal sem Word, sem Power point etc. Espero seja renovada minha capacidade de edição o mais breve possível.



sexta-feira, 3 de setembro de 2021

03SETEMBRO2021.- NA PRODUÇÃO DE UMA EXPLICAÇÃO

 

ANO
 16

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

1382

Vivemos setembro! A Semana da Pátria está murcha, mesmo que os ipês rosas estejam exuberantes. Os ipês amarelos aguardam o Sete de Setembro. Há os querem neste feriado mostrar que têm um séquito numeroso. Prefiramos aguardar medrosos a dita data magna. Está confirmado que um rei momo desmascarado anuncia que vai botar o bloco na rua em São Paulo, com policiais aposentados patrocinado pelo voraz agro. Aguardemos. Quem sair na rua pode se molhar.

Deixemos de lado essas prosaicas conjecturas. Há que construir explicações. Permito-me abrigar aqui e explicar como (e porque) fiz alguns se alegrarem com surpresas.


Tudo começou quando comprei 25 exemplares do Festschrift produzido por vários grupos de pesquisa envolvidos com a disseminação da Alfabetização Científica da UNIPAMPA, câmpus Uruguaiana. Estes livros se destinavam a presentear algumas pessoas. Logo vi que laborara em engano. Precisava ter comprado pelo menos 10 vezes mais. Claro, que se tivesse algumas vezes 250 seria mais bem sucedido no fazer-me papai-noel. Estabeleci dois critérios para presentear:

1) uma pessoa querida e sensível para receber o livro! 

2) ser professor em atividade na área de educação nas ciências e parceiro comigo no fazer Educação!

Tanto no item 1, quanto no item 2 o número de candidatos era pelo menos três vezes maior que os livros que eu tinha comprado e destinados à doação. Mas, não eram os critérios 1 ou 2 e sim 1 + 2. E neste detalhe que minhas frustrações cresciam. Assim, nestes dias, 25 surpresas chegaram a 11 estados brasileiros(na escolha dos destinatários não foi considerada). Como os preços de correio estão quase iguais ao valor do livro, fiz um cartão para cada um dos presenteados e enviei a Editora Unijuí que imprimiu e repassou aos presenteados.

Transcrevo a seguir o texto de um dos cartões: Meu muito querido amigo Guy, este original presente de nossos colegas da UNIPAMPA pode ocorrer,

 também, pela tua entusiasmada parceria que catalisa nossa garra em fazer Educação. Com gratidão Attico Chassot Pandemia 2020/21

Recebi lindos agradecimentos em telefonemas, áudios, vídeos, postagens nas redes sociais. Como vi que deixei merecedores fora dos 25, prometo, aqui e agora, uma nova rodada de presentes.

Encerro esta blogada com uma notícia muito original e prenhe de emoções: ontem, 2 de setembro do pandêmico 2021, iniciou no IFES Instituto Federal Espirito Santo no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação em Ciência e Matemática – Mestrado e Doutorado Profissionais – Educimat a disciplina TÓPICOS ESPECIAIS EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS I - optativa com os docentes Manuella Villar Amado e Attico Chassot, a disciplina com 2 x 15 encontros semanais pretende realizar um mergulho na obra do Mestre Attico Chassot, trazendo a cada encontro dois capítulos do livro do Festschrift elaborado por pesquisadores da Unipampa.

Encerro repetindo quem no feriado sair à rua talvez possa se molhar!

  https://www.editoraunijui.com.br/produto/2321

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

27AGOSTO2021.- CADÊ A SALA DOS PROFESSORES?

ANO
 16

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

138I

Esta já é a última edição de agosto. Nossas esperanças desvanecem.  Parecem que não terão vez: as três vacâncias traumáticas ocorridas na presidência da república em agostos (1954 suicídio de Getúlio / 1961 autogolpe de Jânio/ 2016 Impeachment “constitucional” de Dilma) neste 2021 não terão uma quarta tétrica edição. Talvez, a quartelada possa ocorrer no dia 7 de setembro, quando um rei momo desmascarado anuncia que vai botar o bloco na rua em São Paulo, com policiais aposentados patrocinado pelo voraz agro. Aguardemos.

Mais de uma vez aqui, já comentei as significativas modificações que houve, quando na segunda quinzena de março de 2020, todos os brasileiros de diferentes estratos sociais se tornaram subitamente com expertise em educação à distância. Dentre todas as modificações que houve, em diferentes maneiras de se fazer diferentes serviços (por exemplo, o home office), nenhuma sofreu tantas modificações como educação. A Escola (quando grafo escola com letra inicial maiúscula estou me referindo a qualquer estabelecimento faça educação — da educação infantil à pós-graduação) nos tempos pandêmicos teve usurpados pelo menos dois espaços tradicionalmente importantes, que desapareceram na nova maneira de fazer educação no Brasil: não existem mais a sala dos professores e nem espaço de recreio ofertado aos alunos.

A sala dos professores era (sim! o tempo verbal é passado) o local onde se comentava política, religião, futebol, namoros... especialmente os professores comentavam acerca dos alunos. Assim como no futebol, os 15 minutos secretos de intervalo entre o primeiro e o segundo tempo podem mudar um jogo, também o espaço privilegiado da sala dos professores podia mudar a aula que seria dada após o recreio. Não raro professores e alunos se transmutavam no sempre breve tempo de recreio.

Mas sabemos ser alternativos. Importamos uma excelente prática da educação infantil (que eu curtia espiar, quando meus filhos estavam nessa etapa da escolarização): a hora da rodinha. Esta é catapultada desde o Jardim da Infância à pós-graduação. Os resultados têm sido excelentes. A hora da rodinha passa a ser excelente antidoto para necessidades que alunos e professores têm de conversar com aqueles que são seus pares na sala de aula ou nas sessões de orientação. Contar que foram vacinados, falar de uma mãe levada a óbito ou da tia infectada com covide-19. Ou narrar a receita ensinada pela avó para eliminar pragas de piolho ou contar do filme ou do livro que está lendo ou comentar a série. Tudo isso em breve tempo (menor 20 a 30 minutos) antes de anunciar ‘o assunto da aula de hoje, como vocês têm anunciado no plano de ensino é...’ Isto, antes de cada aula tem sido boa solução para situações de alunos que por exemplo estão lado a lado na foto e nunca se viram pessoalmente. Agora há espaços para quaisquer assuntos.

Há não muito, um doutorando disse que essa tal de hora da rodinha é só para falar mal do governo. Uma boa maneira de calá-lo é oferecer-lhe a oportunidade de falar bem do governo.

Nas aulas (em qualquer nível da escolarização) e mesmo nas sessões de orientação a hora da rodinha (individuais ou coletivas) a hora da rodinha é exitosa. Experimente e verás resultados. Se quiser narrar sua experiência aqui há espaço;

Parece que devolvemos à Escola algo da sala dos professores e da hora do recreio. Isto parece ser excelente. Por tal, experimente.

Faço desta edição um ofertório à profa. dra. MANUELLA VILLAR AMADO do EDUCIMAT do IF Espírito Santo, que assumiu comigo uma parceria em um seminário com hora da rodinha do curso de doutorado

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

20AGOSTO2021.- UM PAÍS DE FAMINTOS, DE NOVO!

ANO
 16

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

1380

Na edição de 13AGOSTO2021 posterguei comentários acerca do triste retorno do Brasil ao mapa da fome em consequência dos desmandos dos governos Temer e Bolsonaro. Busco, agora, cumprir aquela agenda. A edição de agosto do Extraclasse —jornal mensal do Simpro RS — apresenta uma entrevista com a economista e doutora em Saúde Pública Tereza Campello, professora visitante da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e titular da cátedra Josué de Castro, voltada a sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis.

Trago excertos da entrevista — a íntegra merece leitura em www.extraclasse.org.br — que avalia o atual quadro de insegurança alimentar que, em diferentes graus, atinge 121 milhões de brasileiros. “É um paradoxo nós sermos um grande produtor de alimentos e voltarmos à fome, mesmo expandindo a produção. O Brasil aumenta os seus lucros com a exportação de arroz e falta arroz no prato dos brasileiros. Tem o agronegócio com uma lucratividade esplendorosa e um desemprego gigantesco no país!” É importante dar-nos conta que a situação é dramática e tem que ser enfrentada. Segundo a entrevistada há dois equívocos: o primeiro deles é que, em geral, se atribui o retorno do Brasil (ao Mapa da Fome) à tragédia do coronavírus. Isso está errado.

O Brasil já tinha voltado ao Mapa da Fome em 2017, 2018, no governo Temer, por conta do desmonte e da desorganização de um conjunto de políticas públicas. A primeira medida do governo Bolsonaro foi extinguir o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar). O segundo erro crasso é tratar da fome e, ato contínuo, falar da filantropia, da solidariedade; fazer chamamentos para que a sociedade, a população, doe alimentos. Essa solidariedade, principalmente entre iguais – porque, em grande medida, tem sido prestada pela população pobre, da periferia – seja importante e deve ser louvada, nós não resolveremos nem 1% do problema da fome no Brasil, que é gigantesco, com solidariedade e filantropia. Somente políticas públicas são capazes de enfrentar uma mazela desse tamanho.

Tereza Campello afirma: Nós estamos falando de cerca de 50 milhões de pessoas que não comem o suficiente por dia. Que só conseguem uma refeição por dia, ou só comem arroz ou só comem farinha. É uma Argentina inteira que precisa ser alimentada. Dessa população, 20 milhões, provavelmente 25 milhões hoje, em situação de fome. Temos dados somente de dezembro de 2020. Hoje, a situação deve estar bem mais grave porque passamos praticamente quatro meses sem nenhum suporte do governo: isso não é resolvido com filantropia e solidariedade. Somente com políticas públicas continuadas, permanentes, com escala e com abrangência nacional.

Por que o país voltou ao Mapa da Fome? Para entender por que nós voltamos para o Mapa da Fome, há que entender por que nós saímos. Não foi natural a nossa saída do Mapa da Fome. O Brasil saiu graças a um conjunto de políticas públicas que permitiram que se enfrentasse a pobreza e a fome. A FAO lista cinco dessas políticas que foram estratégicas. A primeira delas é garantir prioridade no orçamento para essa agenda de soberania, segurança alimentar e combate à fome. Então, não é uma política, não são duas políticas. É um conjunto e o governo todo, inclusive estados e municípios, dedicados a isso. Outra questão é que o Brasil é um histórico produtor de alimentos, exporta, é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. No entanto, convivia com este país e voltou a conviver com este país que produz e exporta alimentos uma população gigantesca que passa fome. Não é por falta de potencial ou capacidade de produzir alimentos. É porque o povo não tinha acesso a esses alimentos. Acesso significa renda. Acesso significa outras formas de se chegar a esses alimentos. [...] É um grande paradoxo nós sermos um grande produtor de alimentos e voltarmos à fome, mesmo expandindo a produção. O Brasil aumenta cada vez mais os seus lucros com a exportação de arroz e falta arroz no prato dos brasileiros. Você tem o agronegócio com uma lucratividade esplendorosa e um desemprego gigantesco no país. Se tem a impressão do PIB melhorando. Mas está melhorando para quem? Somente para um setor que não gera empregos hoje e que não alimenta a população. A população não se alimenta de soja, de milho e de açúcar, que é o que, em grande medida, nós produzimos no agronegócio brasileiro. Os mais variados discursos sustentam que a economia do Brasil é salva pelo agronegócio. Quem produz a comida que os brasileiros come é agricultura familiar. Esta diferentemente do agronegócio produz empregos.

Esta edição do blogue é dedicada ao meu amigo e colega Edni Oscar Schroeder, o meu herói quando reflito acerca da segurança alimentar



sexta-feira, 13 de agosto de 2021

13AGOSTO2021.- UM CONVITE MUITO ESPECIAL


ANO
 16

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

1379

Esta já é a segunda blogada de agosto. Uma das razões para este mês ser conhecido como o mês do desgosto: três presidentes da república deixaram o cargo de maneira abrupta. (Vale ver a edição anterior). Seria bom se neste agosto um quarto presidente fosse acrescentado a esta lista.

Já havia assunto agendado para esta edição: o triste retorno do Brasil ao mapa da fome em consequência dos desmandos dos governos temer e bolsonaro. Se alguém perguntasse quando é feita a agenda do blog eu diria, lembrando problema recorrente apresentado por minha mãe depois da janta: não sei o que eu vou cozinhar amanhã! Ter a cada dia comida para alimentar 7 pessoas não era trivial. Quando posto o blogue às sextas-feiras emerge a interrogação: qual será o assunto da próxima edição?

 Ontem, à noite, dei ouvido ao Poeta: cesse tudo que a musa antiga canta, pois valor mais alto se alevanta (Luís Vaz de Camões: Os Lusíadas, Canto I, estrofe 3). Recebi uma mensagem que muito me emocionou e por tal compartilho com leitoras e leitores.

Olá, Professor, tudo bem? Continuo trabalhando na E.E.E.F Marcelo Gama (Jacuí, Restinga Sêca). Neste ano, em razão da pandemia, as aulas vêm sendo realizadas de “forma híbrida”. Na tentativa de utilizar as potencialidades das tecnologias e estratégias de aprendizagem ativa, iniciamos o segundo semestre com um Projeto de resgate da história das localidades da região de abrangência da Escola. Como “produto final” do trabalho, os alunos manifestaram a ideia de registrar e compartilhar histórias e descobertas sobre “o lugar em que vivo”. Ao comentarmos sobre experiências de autoria e as inúmeras possibilidades, me perguntaram se eu “conhecia alguém que já escreveu um livro” e tivemos a ideia de entrar em contato.

Abaixo o “texto coletivo" escrito para enviar por email: “Boa tarde, Professor Attico! Somos Alunos do 4º e 5º Ano, uma turma multisseriada da Escola Marcelo Gama, localizada em Jacuí, Restinga Sêca. Neste ano, alguns colegas vêm para a Escola de forma presencial, outros participam das aulas online pelo Google Meet. Estamos utilizando as tecnologias para aprender de maneira diferente. Já entendemos que, mesmo estudando em lugares diferentes, podemos aprender juntos. Ao mesmo tempo em que vamos conhecendo as diferentes ferramentas, pesquisamos, apresentamos, interagimos e temos muitas ideias. Como atualmente a nossa escola recebe alunos de várias localidades vizinhas, estamos pesquisando sobre as histórias das nossas comunidades e ouvindo relatos de pessoas que viveram em outros tempos por aqui. Ficamos felizes quando a professora nos contou que conhecia um professor, que já estudou em nossa escola, é autor de livros e ainda tem um blog. Mesmo sem lhe conhecer, sua história nos encantou. Nós também gostamos muito de ler e temos o sonho de escrever as nossas próprias histórias. Tivemos a ideia de enviar este email perguntando se o senhor poderia colaborar com a nossa pesquisa contando algumas histórias de Jacuí, enviando algumas fotos... ou compartilhar com a gente um pouquinho da sua experiência sobre como começou a escrever seus livros. Imaginamos que o Senhor tenha muitos compromissos e atividades. Caso não seja possível, entenderemos. Mas, seria uma experiência muito interessante se pudéssemos nos comunicar de alguma forma: por email ou quem sabe uma “roda de conversa” pelo Google Meet? E, claro, será um prazer lhe receber, quando for possível, para uma nova visitinha presencial em nossa escola. "Abraço!” Atenciosamente, Alunos do 4º e 5º Ano e Professora Aline.

Não precisei pensar muito: a resposta é um retumbante sim! Quero convidar, para já sonhadas parcerias, à professora Aline e seus alunos quarto e quinto anos da escola onde há 74 anos fui alfabetizado, frequentando-a de março a agosto de 1947.

Prenhe de sonhos há que os gestar virtual e presencialmente. Vamos à Jacuí. Nos encontramos na Marcelo Gama. Expectante.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

06AGOSTO2021.- Em um agosto expectante

ANO
 16

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

1378

Já é, mais uma vez, uma primeira blogada de agosto. É o mês que saberes populares

souberam — com certo bom gosto — aproveitar uma rima tosca e rotular com adequação: agosto, o mês do desgosto, também na imagem de Renato Fontes.

No Brasil político — não raro de difícil compreensão para nós outros que não ascendemos a palácios do Planalto — há pelo menos três viradas que poderiam ter uma sequenciação no mesmo cargo: 1954— suicídio de Getúlio Vargas/ 1961— renúncia de Jânio Quadros/ 2016— Impeachment de Dilma Rousseff/ 2021— xyz de Bolsonaro.

Vale reler o que nesse blogue se publicava há dois anos: do Extraclasse, publicação mensal do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul Sinpro/RS transcrevia “A mistura de ignorância, obscurantismo, boçalidade e grotesco desafia a própria linguagem para definir Bolsonaro e seu séquito”.

Ainda em 02/AGOSTO/2019 trouxe de Eliane Brum (se tivesse que escolher ler apenas um jornalista, seria ela a escolhida) na edição brasileira do El País: “Jair Bolsonaro é um perverso. Não um louco, nomeação injusta (e preconceituosa) com os efetivamente loucos, grande parte deles incapaz de produzir mal a um outro. O presidente do Brasil é perverso, um tipo de gente que só mantém os dentes (temporariamente, pelo menos) longe de quem é do seu sangue ou de quem abana o rabo para as suas ideias. Enquanto estiver abanando o rabo – se parar, será também mastigado. Um tipo de gente sem limites, que não se preocupa em colocar outras pessoas em risco de morte, mesmo que sejam funcionários públicos a serviço do Estado, como os fiscais do IBAMA, nem se importa em mentir descaradamente sobre os números produzidos pelas próprias instituições governamentais desde que isso lhe convenha, como tem feito com as estatísticas alarmantes do desmatamento da Amazônia. O Brasil está nas mãos deste perverso, que reúne ao seu redor outros perversos e alguns oportunistas. Submetidos a um cotidiano dominado pela autoverdade, fenômeno que converte a verdade numa escolha pessoal, e portanto destrói a possibilidade da verdade, os brasileiros têm adoecido. Adoecimento mental, que resulta também em queda de imunidade e sintomas físicos, já que o corpo é um só”.

E... já é agosto de novo. Nesta semana este blogue fez 15º aniversário. Esta é a primeira edição do ano 16, Nem sei avaliar se o mágico fluir do tempo é moroso ou é rápido. Não raro me desligo de Cronos. Me parece mais tranquilo me entregar Kairós, que na mitologia grega, é o deus do tempo oportuno. Cronos é por demais rigoroso no controlar o tempo e pode, não raro, ser dispensado nestes tempos pandêmicos.

Talvez, agosto nos presenteie com algo de bom gosto. Quando sextarmos de novo será 13 de agosto... Expectante. 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

30JULHO2021.- SERVIÇOS DO LAR


 15

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

1378

É a última edição julina. O gélido julho se esvai sem deixar muitas saudades. A saudosa conjugação férias de julho já era. Agora a associação é outra: julho mais uma vez pandêmico’. Como ele se transvestirá em 2022?

O quase ocaso julino teve uma imensa tristeza e três alegrias memoráveis. No último domingo faleceu, em Curitiba, minha amorosa irmã Tile. Acabara de vencer um linfoma, superou o covide-19, mas debilitada não resistiu às sequelas ferreteadas pelos vencidos. Não fácil perder uma querideza de irmã de maneira imprevisível. Quantas delicias vividas juntos na infância e na adolescência.

Ontem encerrei um semestre de um seminário no doutorado do IFES em Vila Velha, no qual ajudei a realizar os planos do saudoso Sidnei. Ganhei homenagens: falas emocionadas, planos para continuarmos juntos no próximo semestre, presentes significativos. Outra alegria foi ontem uma live muito original no CEFET-RJ, destacando o quanto a alfabetização digital se faz pré-requisito à Alfabetização Científica, esta cada vez mais um direito para todos. Saber usar a linguagem digital é, talvez, mais exigente que a alfabetização em língua materna.


A terceira grande alegria:
Recebi na terça-feira da Editora Unijuí a primorosa versão em suporte papel do livro Attico Chassot, 60 anos fazendo Educação Festschrift. As duas versões (e-book e suporte papel) se pode adquirir em www.editoraunijui.com.br/produto/2321 Neste endereço se pode conhecer uma amostra das 280 páginas que inclui a artística capa concebida a partir de foto do mural em homenagem a Chassot, no diretório acadêmico do Curso de Química da UFPA, em Belém.

Excerto de uma croniqueta ou demonstrando erudição uma amostra de uma coletânea de mônadas gestada nos dias de pandemia.

Logo que se iniciaram os tempos pandêmicos se fez muitos planos para os dias da quarentena: colocar em dia fazeres atrasados (Lattes, aperfeiçoar o inglês, atualizar a catalogação em minha Biblioteca…). A maioria dos planos se esboroaram. Em algo não programado fiz o maior sucesso: os ditos fazeres do lar. Aquelas coisas de mulher.

Muitos de meus fazeres foram para tornar habitável meu monastério cartuxo. Concedi a D. Ceni — que duas manhãs por semana cuida de minha casa — o direito de não precisar trabalhar em tempos pandêmicos, por tal cuido dos jardins, colho pimentas (já houve produção e distribuição de 27 vidros com pimentas em conserva), limpo os cocôs das rolinhas que dormem na parreira do meu latifúndio. Na cozinha o sucesso não é avaliado por algo que cozi, pois sou zero em cocção. Meu êxito na área e não ter nenhum prato ou colher por lavar. E isto, de maneira usual eu consigo. Afortunadamente o viver solitário não exige roupa passada, pois em pranchar sou zero. Devo creditar muito de meu sucesso à compra de uma máquina de lavar louça. Um momento de glória: quando à noite consigo deixar organizada a mesa para o café da manhã seguinte.

Duas coisas que em 1,5 ano de confinamento não aprendi a fazer sozinho: tomar chimarrão e curtir uma lareira.


sexta-feira, 23 de julho de 2021

23JULHO2021.- E... Por falar em flores

 


ANO
 15

Sugestãode lives

www.professorchassot.pro.br

EDIÇÃO

1378

São tempos bicudos. Há dias um fazer exitoso [iniciar as aulas com a ‘hora da rodinha’ prática que aprendi nas aulas da Educação Infantil (prometo um texto sobre algo recebe uma muito boa acolhida, mesmo nos cursos de pós-graduação)] foi criticado como pura perda de tempo e só servia para falar mal do governo. Mesmo que cerca de duas dezenas de alunos e também professores que compartilham o seminário reputam a ‘hora da rodinha’ realmente como salutar, hoje vou assuntar algo mais encantador. Para que não digam que não falei de flores, o pautado é inusual aqui.

Esta blogada é (quase) pretexto dizer algo mais destes tempos de ser ermitão. Não é muito trivial este viver solitário. Como suportaríamos se não houvesse internet! Há dias passado fizemos experiências, na oficina de escrita. Inconcebível. Mas tenho aqui na Morada dos Afagos duas queridíssimas companhias: uma biblioteca se cerca de quatro mil livros e uma horta-jardim, mais jardim que horta, pois as lesmas não aceitaram o tratado de paz proposto e seguem vorazes consumidoras de couves.

Tenho quatro ‘flor-de-maio’ [Schlumbergera truncata — uma cactácea epífita originária do Brasil — conhecidas também como cacto-de-natal, cacto-de-páscoa, flor-de-seda]. Floresce em maio. Esta última característica que ora me surpreende. As quatro touceiras que embelezam minha morada têm idades, tamanhos e locais das mesmas muito diferentes (uma na cozinha, outra no piso superior, no scriptorium e duas nos jardins em locais dispares, especialmente quanto à iluminação.

E daí? Alguém pergunta... as quatro, de maneira solidárias, começaram em tempos iguais florir em julho (e não em maio como até em um dos nomes está definido tempo de floração, mesmo que tenha situações antípodas como Páscoa e Natal). Ainda em um julho que, nesta semana, já teve geadas e temperaturas em torno de zero e de trinta graus centígrados.

Que exemplo de companheirismo, este das ‘minhas’ quatro touceiras de flor-de-maio!