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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

26FEV2021 *** Livros a mancheias!

 


 

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EDIÇÃO

3707

 

É o último blogar de fevereiro. É o mais cruento de todos nesta interminável pandemia 2020/21. No Brasil se vive uma situação dolorosa. Em Porto Alegre, morrem seres humanos nas filas de espera de leitos para intubação. O presidente, no mesmo dia que passamos de ¼ de milhão de mortos, diz que máscara faz mal à saúde.

Nesta semana, duas lives me trouxeram alento. Na quarta-feira, com minha colega Alessandra Rezende, sonhamos como formar jardineiros para cuidar do Planeta. Ontem os sorocabanos Adriana e Élcio, acolheram Nelson Marques do Rio Grande do Norte e eu do Rio Grande do Sul para tecer loas aos livros (em suporte papel).

O Festschrift (ver última edição) me mobiliza. Mas outras emoções se fazem narrares para dar estofo ao ainda emurchecido carteggio, no qual o Daniel Soares e eu tentamos colecionar cartas.

Tenho fidelidade a poucos programas midiáticos. Ao Roda Viva sou bastante fiel.

Na segunda-feira, dia 15/02, era quase 22h e ainda não sabia o entrevistado. Sei, então, que é um jovem doutor, graduado em Geografia pela UFBA. Soube ser um escritor de sucesso, que eu desconhecia. O Torto Arado de Itamar Vieira Júnior, obra premiada com o Jaboti em 2020 e com o Leya (Prêmio da Editorial portuguesa LeYa), era muito elogiado pelos entrevistares e o entrevistado trazia comentários instigantes. Era desconfortável para mim não conhecer a obra. Também o cenário comentado era exótico para mim.

Na manhã seguinte, terça-feira, encomendei o livro. Então acontece algo singular. Naquela estratégia mercadológica ‘quem comprou esse livro também comprou aquele’ vi a oferta de edição para Kindle do Pequeno Manual antirracista, de Djamila Ribeiro. Não podia haver melhor sedução pela admiração que tenho por esta autora contemporânea. Ao compra-lo, teclei numa oferta lateral: O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, de Charles Duhigg. Adquiri, assim, um livro jamais compraria, pois tinha ranço de um texto de autoajuda. Foi oferecida alternativa de desistir da compra. Comprei os dois, por cerca de 20 reais: o pretendido livro de Djanila e o de Duhigg, anunciado como mais vendido, em termos de comportamento organizacional. Este um alienígena em minha biblioteca. Se pode descrever alguém pelos títulos de sua biblioteca?

Na manhã da Quarta-feira de cinza, cerca de 20 horas, de minha compra, já estava com Torto Arado. Deixei de lado Sula, o livro da TAG de fevereiro; o meu segundo livro de Toni Morrison (1931-2019), a única negra estadunidense laureada com o Nobel de Literatura (1993). Não consegui largar o livro do baiano que levava a conhecer um quilombo. A singular originalidade do Torto Arado é que texto se tece com a narração de duas das personagens. Não raro buscamos qual delas está a contar uma história de vida e morte, de combate e redenção nos leva às profundezas do sofrido sertão baiano.

Agora, já li as 562 páginas de O poder de hábito. Nunca conheci tanto acerca de inteligência artificial (área em que sou apenas um iniciante). O livro do Duhigg tem porquê ser o mais vendido acerca de comportamento organizacional. Mais de 25 páginas são de uma bibliografia comentada de artigos de prestigiadas revistas, o poder de hábito em empresas é algo significativo.

Envolvido no entorno dos dias dados a momices (na acepção de dissimulação carnavalescas), com quatro livros sendo devorados, sobraram culpas por não estar fazendo (ou pelo menos por estar procrastinando) alguns (a)fazeres profissionais.

Quando há fartura, esta pode se converter em comilança. Por tal, me envolvi na busca de Griffin e Sabine: uma correspondência extraordinária um romance epistolar de Nick Bantock, publicado em 1991 nos Estados Unidos e no Canadá. O livro foi descrito com entusiasmo pelo Daniel, em sua última carta. Pareceu-me algo exótico: um livro de 50 páginas ser ofertado por valores de 100 a 500 reais. Terminei comprando um usado por 30 reais mais o frete.

Nesta aurora de março, recordo a completação de um ano de minhas duas últimas viagens em março de 2020 (à Marabá e à Manaus). No clamor do pedido #vacinaparatodos há que celebrarmos a Vida. Renovo o convite dos colegas da Unipampa, câmpus Uruguaiana, para estarmos juntos dia 13 de março de 2021, às 18h, sábado, quando completo 60 anos fazendo Educação.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

19FEV2021 *** Sabes o que é Festschrift?

 

 

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3706

 

Esta já é a sexta edição deste blogue depois do recesso das festas (19/12/2010<>14/01/2021. Para produzi-la tenho um muito gérmen de cristalização. Revisito um pequeno texto que teve circulação reservada. Este poderia pertencer a série Memórias de tempos pandêmicos. Como prelúdio há dois episódios. Um natalino e outro de ano novo. De vez em vez, refiro o quanto a pandemia é bipolar. Ora temos a pandemia do mal, cruenta e dolorosa. Vez ou outra, a pandemia do bem, sumarenta e saborosa.

 No narrar trago, por primeiro um episódio quase macabro, gestado pela pandemia do mal. Mas, há outro, prenhe de benesses, gestado na pandemia do bem. Mesmo um e outro, abissalmente díspares, fi-los concorrentes enquanto indicadores de minha sanidade cardíaca. Esta, afortunadamente, excelente, como prognosticada e ratificada pelo meu cardiologista, quando este conheceu o narrar dos dois episódios, tal como faço agora.

Primeiro episódio: Passava um pouco das 12 horas. Curtia o sábado do feriadão natalino. O assalto que sofri então é um golpe muito conhecido e várias pessoas, à oitiva de meu relato, dizem que já foram (ou conhecem) vítimas. Para mim também não foi a primeira vez... mas sofri como se fosse a primeira. Há momentos patéticos e cruéis. Estes se iniciaram quando atendi, no smartphone, uma chamada originada de um telefone privado. Logo ouço uma voz feminina chorando e bradando: Pai, atende o que eles pedem!... Eles vão me matar!... Tem um revolver engatilhado nas minhas costas. Paizinho, me salva! Então, o bandido fala suave, qual diplomata negociador: O senhor tem duas escolhas: pagar um resgate ou receber sua filha morta para passar com senhor as festas de fim de ano. Quanto é o resgate? Quanto o senhor oferece? Tudo que tenho em casa: 150 reais. Riso debochado. Isso não paga o caixão para enviarmos o corpo! Quanto o senhor pode retirar agora do banco? Eu tenho 150 mil. O senhor pode sair agora para sacar este dinheiro? Eu há 10 meses não saio de casa! A sua filha disse que o senhor é doente. Então fiz a pergunta salvadora. Qual delas disse isso? Não houve resposta. Saquei o golpe. Desliguei o telefone. Liguei para Clarissa, que me atendeu de primeira. Ana Lucia. Há não muito tinha falado na família dos sogros.

Segundo episódio: uma das últimas mensagens que recebi no bissexto 2020, trazia este preâmbulo: Querido Professor, no decorrer de 2020, os nossos grupos de pesquisa se dedicaram a elaborar uma homenagem aos seus 60 anos de dedicação à educação. O resultado se encontra anexado a este email. Trata-se da nossa primeira versão completa que ainda será melhorada. Quem assina a mensagem é o Prof. Dr. Vanderlei Folmer, pesquisador líder de grupos de pesquisa da Unipampa, câmpus de Uruguaiana.

A produção anexada é algo incrível: um livro de 305 páginas, com 19 capítulos, escritos por cerca de três dezenas de autores (há nomes dentre estes que estão em mais de capitulo). Cada um destes capítulos detalha dimensões teóricas e/ou empíricas de minhas diferentes ações no ser Professor há sessenta anos. Trata-se de um Festschrift (um livro que se fez como um tributo ao meu ser/fazer Educação).

No entardecer do dia 30/12/2020 escrevi: Meu querido amigo e colega Folmer, no sábado natalino vivi uma ameaça de sequestro à filha minha que serviu para ratificar minha sanidade cardíaca, atestada pelo meu cardiologista. Esta manhã o teste a coronárias se repetiu. Fui/Estou nocauteado. Recebi um livro de 305 páginas onde há a impressão que tu e dezenas de colegas parecem estar equivocados. Não tenho feito o que vocês consagram. Há, numa leitura do sumário e de alguns capítulos, superestimações. Vocês não estarão se expondo na comunidade acadêmica querendo dar uma visibilidade equivocada? Não há um forçar a barra na construção de herói balofo? Não sei o que fazer; me faço expectante.


Levei um janeiro para maturar a proposta. Primeiro pensei no exaustivo trabalho ao qual se dedicaram tanto pesquisadores, em tempos pandêmicos, durante quase um ano. Li, mais vagarosamente os diferentes capítulos. Surpreendi-me como mestres, doutores, mestrandos e doutorandos de um amplo espectro de várias áreas das Ciências, se fizeram arqueólogos e souberam encontrar e lapidar textos, que eu nem lembrava mais.

Conversei com alguns dos autores. Abracei a proposta. Dia 13 de março, quando completo 60 anos de professor, o livro será lançado, ainda em suporte eletrônico, desde o câmpus de Uruguaiana da Unipampa. O evento será de celebração da data marcada pela apresentação do Festschrift que a Wikipédia diz ser “O termo em língua alemã Festschrift (ou ''Festschriften), na Academia, se refere a um livro que homenageia uma pessoa influente ou reconhecida, especialmente um pesquisador. Geralmente é lançado enquanto o homenageado é vivo. O termo pode ser traduzido como "livro de homenagem" ou "livro de celebração". Um Festschrift contém contribuições inéditas de colegas do homenageado, podendo incluir seus ex-alunos. Geralmente é publicado na ocasião da aposentadoria do homenageado, ou quando ele completa certo tempo de carreira (trinta anos ou mais)”.

Aqui e agora, um convite — de um ainda avacinado — para estarmos juntos dia 13 de março de 2021. Será uma festa com os protocolos de tempos em que comemoraremos, então, a Vida, há um ano em isolamento social.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

12FEV2021 *** Para conhecer (um pouco) o Moriah College!

 

 

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3705

De vez em vez, tenho proclamado o quanto a Wikipédia é (talvez) o melhor exemplo da democratização do conhecimento. Considere a fartura de saberes ofertado, sem nenhum custo. Não podemos dizer o mesmo, por exemplo, de dicionário que se anuncia free, mas que nos exige, para lermos qualquer um dos verbete, que nos entulhemos de anúncios indesejados, alguns verdadeiras arapucas.

Já teci loas a Wikipédia em outro texto. Agora, nesse blogar, quero assestar meu narrar em outra direção. Mais de uma vez, nestes (ex)(in)tensos tempos pandêmicos, se tem analisados os ganhos que fruímos com a pandemia do bem. Vivemos uma pandemia na qual aflora a bipolaridade. Os dolorosos sacrifícios cobrados pela pandemia do mal, já seriam inenarráveis se ficássemos apenas nos mortos que não podemos sepultar. Agora, comento benesses da pandemia do bem.

Quando sem pejo afirmamos que, talvez, o que mais estamos constatando, nestes tempos, é o quanto ainda há saberes a aprender. Isso não é falsa modéstia. Em cada live ou curso que assisto resta um sabor: preciso aprender mais sobre isso.

Há um bonito aprendizado (sei que estou parecendo piegas nesta adjetivação!) que muitos estão praticando. Não raro, o fazendo de maneira (quase) inconsciente: a disseminação do conhecimento.

O uso desta ação verbal, não refiro sem evocar o brado (quase insano) que me alvejou uma colega, ainda no ocaso do segundo milênio. Éramos um grupo de editores de revistas acadêmicas em uma reunião institucional. “Como usas o verbo disseminar, excluindo nós mulheres que não disseminamos, pois não temos sêmen, logo não disseminamos conhecimento!” Senti-me abobalhado. Jamais fizera esta exclusão a mulheres. A situação não fora muito diferente da reação (mais recente) ao verbo clarear ou clarificar (uma questão) seja uma ação igual a de branquear, lida como antônimo de denegrir.

 Mas volto a questão heliocêntrica: manifestar gratidão àquelas e aqueles que, com generosidade, fazem de maneira continuada disseminação do conhecimento. Isto ocorre seja alertando acerca de uma live ou de um curso ou ainda, de maneira emocionada distribuindo os saberes que detêm.

Já, há quase um ano, se tem comentado que os tempos pandêmicos anteciparam/antecipam fazeres (ensino híbrido, homework, vivendas de veraneio se fazendo moradas cotidianas...) que de repente se fazem realidades. Nenhum dos fazeres antes citados e ainda alguns outros são rigorosamente novidades. Mas o seu uso (quase avassalador) mudou/muda/mudará a mossa maneira de estar no Planeta Terra!

Como comentara na última edição deste blogue, não foi sem emoção que participei, há uma semana, durante quatro dias do Seminário Raízes judaicas do cristianismo.

 Vale assinalar que as exigências tecnológicas para realização deste Seminário, de uma maneira muito provável, permitiriam que esta atividade pudesse ter ocorrido com o mesmo formato, já no final do Século 20. Podemos creditar a realização já na terceira década do Século 21, também a pandemia do bem. Agora, um seminário como este, não apenas parece ser, como é uma (quase) surpresa.


O Seminário Raízes judaicas do cristianismo foi organizado e promovido pelo Moriah College, de Jerusalém. O Moriah College é uma respeitada instituição acadêmica de Israel. Mesmo que temas envolvendo as três religiões abraâmicas estejam nas discussões em diferentes cursos, não há um proselitismo em favor de qualquer um dos três mais significativos monoteísmos.

 Há que reconhecer que o Moriah College tem sua sede na cidade considerada santa para as três religiões que têm em livros tidos como de revelação divina a garantia da ortodoxia.

Comento algumas informações do Seminário que participei para dar uma pálida informação do curso. Na noite de quinta-feira, dia 4, durante duas horas, o âncora estando em Jerusalém e o professor no estado de Virgínia, USA, descreveu os evangelhos como literatura judaica. Na sexta-feira, o tema foram os banhos de purificação no primeiro século com professora falando do México. No sábado houve três aulas. Às 10 horas aprendemos acerca da Midrash, como um gênero de literatura rabínica que contém as primeiras interpretações e comentários sobre a Torá Escrita e a Torá Oral (lei falada e sermões, que normalmente formam um comentário contínuo sobre passagens específicas da Bíblia Hebraica. Esta aula se conectou com a das 12 horas que comparou Torá escrita e a Torá oral. Às 15h foi, em minha percepção, a melhor aula: que idioma se fala na região nos tempos de Jesus. Aprendi sobre o aramaico e o hebraico e, também, quem ali falava grego e quem falava latim, com Professor Piñero desde a Espanha. No domingo o mesmo professor ensinou acerca do apóstolo Paulo.

No sábado, 13/02 e nos sete sábados seguintes haverá um curso: Uma aproximação ao Jesus histórico, ministrado desde a Espanha pelo Professor Piñero. Mas vale conhecer um muito variado menu de curso que são disponibilizados: arqueologia bíblica, manuscritos qumran do Mar Morto etc.

Desejei neste blogar contribuir com a disseminação do conhecimento. Se alguém perguntasse com cheguei ao Moriah College, do Moriah International Center [endereço página português: https://moriacenter.com/?lang=pt-br] diria: Não recordo. Certamente estava numa destas dezenas de cards anunciando oportunidades para nosso enriquecimento!

Com votos de sumarento abeberar-se nos muitos ofertórios de saberes que nos são disponibilizados nestes tempos pandêmicos. Ler-nos-emos, provavelmente, na sexta-feira dia 19/02 (eu, talvez afortunadamente, já vacinado!).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

05FEV2021 *** Fúcsia, a preferida!

 

 

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3704

Há muito se tem comentado que os tempos pandêmicos anteciparam/ antecipam fazeres (ensino híbrido, homework, vivendas de veraneio se fazendo moradas cotidianas...) que de repente se fazem realidades. Todavia, não foi sem emoção que iniciei, na noite de ontem um seminário em uma instituição acadêmica em Jerusalém, no qual o professor da primeira aula Isto aconteceu ao participar da primeira aula do Seminário Raízes judaicas do cristianismo. A segunda aula é hoje; amanhã, sábado, haverá três aulas e a sexta e última será no domingo. As exigências tecnológicas permitiriam que esta atividade podesse ter ocorrido já no final do Século 20. Mas, agora não apenas parece ser, como é uma (quase) surpresa.

Para não se dizer que não falei de dissabores catalisados por nosso (des)governo, há sempre novas menos boas. Nosso estar em reclusão, agora, têm outra dimensão: ver postergada a data que o grupo etário que pertencemos.

 Há que aprender a esperar. Por tal falemos de flores.

Nesta semana, à tessitura de um texto com colega — por narrares que poupo meus leitores — fui solicitado a manifestar minha preferência acerca de cores. Minha resposta F Ú C S I A.

Mesmo que há muito tenha agraciado o Daniel com título de o Polímata. Como eu desconhecia suas sapiências acerca da distribuição de cores em uma palheta, o convidei a nos colorirmos na Wikipédia.

 Há uma cor chamada de fúchsia ou também fúcsia, devido à planta com o mesmo nome. Fúchsia é usado como nome alternativo para a cor magenta. A cor é por vezes não muito corretamente chamada de roxo brilhante ou roxo vívido. Uma curiosidade é que o magenta não existe no espectro. É uma ilusão provocada na visão entre os cones receptores de vermelho e azul, que interpretam como a ausência de verde, sua cor complementar. Assim, na mistura de cores como no disco de Newton, vemos a formação da cor branca. É uma cor geralmente relacionada à sensualidade e ao sexo feminino.

O brinco-de-princesa [Família: Onagracee, Nome científico: Fuchsia sp] é entre nós a flor mais conhecida. É uma espécie híbrida obtida a partir de espécies sul americanas de fúcsia. Só na América do Sul existem mais de 200 espécies diferentes de brinco-de-princesa, também conhecida ainda como fúcsia, agrado e lágrima. Despontam praticamente o ano todo e atraem beija-flores como polinizadores. Sua propagação pode ser tanto por sementes quanto por estacas.  

Aprendo na redação deste texto que o brinco-de-princesa é a flor símbolo do Rio Grande do Sul. Ela possui muitas variedades, sendo que tanto pétalas, quanto sépalas podem ser de cores e de formas diferentes. As cores mais comuns são vermelho, rosa, azul, violeta e branco, com diversas combinações.

Fucsina solução com a cor das flores das plantas do gênero Fuchsia. Há quem atribui o nome cientifico, Fuchsia como derivado do sobrenome do médico e botânico alemão, Leonhart Fuchs, nascido em Wemding (1501/1566). Uma explicação alternativa, apontada por David Landes, é que o nome derive da cor do sangue derramado na batalha travada na cidade de mesmo nome, na Itália.

Até sexta-feira!... Vale lembrar: há que aprender a esperar. Iniciamos fevereiro com 1% da população vacinada. Neste ritmo teremos carnavais clandestinos por mais uma meia dúzia de anos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

27JAN2021 *** Alfabetização Científica, pra quê?


 

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3703

Não parece crível. Já é a última edição Janeiro2021. Era para vivermos um ano melhor que o 2020. Parece que o Covid19 não usa o mesmo calendário que os humanos. Meu pai diria: a situação está osca!

Recebi uma pergunta de uma aluna. Dedilhei uma resposta. Das 8 páginas extraio a metade teço a edição de hoje. Eis o excerto que se fez blogar. Não é autoplágio.

Querido professor Chassot,

em primeiro lugar, um abraço saudoso!

A Alfabetização Científica está na centralidade da minha pesquisa de Mestrado e o senhor além de estar referenciado nela em diversos momentos, motivou a escolha do tema. Vou contar-lhe algo: fiz uma revisão de literatura sobre Alfabetização Científica e formação de professores de Química e descobri que o senhor é o autor mais citado, aparecendo quase na totalidade dos artigos!

Quero te fazer uma pergunta e, desde já, peço desculpas se estou sendo ousada ou inconveniente. Ela tem acompanhado minhas reflexões desde o início: Por que os professores de Ciências devem ser alfabetizados cientificamente?

Agradeço se puder responder,

Eude Léia, PPGECM Unifesspa em Marabá.


27/01/2021

Muito querida Eude,

fazes como ofertório um interrogante. Ao preludiares, me encantas com a revelação de minhas referências na literatura. Faço um escambo contigo. faço tessituras para responder o muito relevante questionamento Por que os professores de Ciências devem ser alfabetizados cientificamente?

Por ser um facilitador para responder a tua pergunta convido olharmos o que é Ciência? A Ciência pode ser considerada como uma linguagem / construída pelos homens e pelas mulheres / para explicar o nosso mundo natural. É claro que, responder a uma questão tão complexa em apenas duas linhas pode parecer um reducionismo. Alan F. Chalmer escreveu um livro* de quase 300 páginas respondendo pergunta igual. Eu segmentei minha definição em três partes exigentemente iguais. Mesmo que seja saboroso discutir extensamente cada uma destas três partes (linguagem /construto humano / serventia), para tua interrogação a primeira — uma linguagem — se faz heliocêntrica. A segunda e a terceira parte dariam azo a extensas análise. Talvez acrescentasse lateralmente, com esta definição está explicito que a Ciência não trata do mundo sobrenatural!

Adito ainda que esta não é uma definição para uma Ciência escolar. Já falei em auditórios de pesquisadores alienígenas à área da Educação onde esta mesma definição tem muito bom trânsito.

Agora me restrinjo ao primeiro dos três segmentos: A Ciência pode ser considerada como uma linguagem. Poderia encerrar a resposta a teu questionamento aqui e agora, assim: Se a Ciência é uma linguagem ser alfabetizado cientificamente é entender (= falar, ler e escrever) esta linguagem.

Queria te convidar para vivenciares alguns locais que me esmero em te propor. Neste périplo a cinco locais (poderia te sugerir cinquenta) tu não és expectadora apenas. O convite é que os vivencie mais intensamente possível e os usufruas ao máximo, até porque vais ficar pouco tempo, em cada um de lugares admiráveis.

1.- Uma visitação a estações do metrô de Moscou. Algumas estações do centro da cidade são verdadeiras obras de arte, com esculturas, tetos, pisos luxuosos e lustres maravilhosos, todos da época em que o Comunismo ainda ditava as regras no país. Construído com a ajuda de milhares de trabalhadores e também de voluntários. “Os ricos já tiveram muitos palácios... agora é vez do povo tê-los”.

2.- Fazer uma conexão em voo doméstico em Chiang Mai, uma cidade da Tailândia. O tempo de conexão permite conhecer uma vibrante cidade que tem uma força histórica por ter uma importante situação estratégica na rota da seda, sendo hoje um grande centro de artesanato e ourivesaria.

3.- Estar no Muro das Lamentações em Jerusalém, no final de tarde de uma sexta-feira, quando está começando o shabath. O Muro das Lamentações ou Muro Ocidental (Qotel HaMa'aravi הכותל המערבי em hebraico) é o segundo local mais sagrado do judaísmo, atrás somente do Santo dos Santos, no monte do Templo. Trata-se do único vestígio do antigo Templo de Herodes, erguido por Herodes, o Grande no lugar do Templo de Jerusalém inicial.

4.- Chegando de improviso (por perda de conexão, e precisando procurar hotel em Sarajevo (pronunciado em bósnio, croata e sérvio: [sǎrajeʋo]; em alfabeto cirílico: Сарајево). É a capital e a maior cidade da Bósnia e Herzegovina. Sarajevo é considerada uma das cidades mais importantes dos Península Balcânica e tem uma rica história desde que foi fundada em 1461 pelos otomanos.

5.- Para encerrar nosso tour chegamos a uma charmosa cidadezinha no Sul da Holanda, que usualmente é citada nas minhas aulas de História da Ciência, por dois de seus filhos ilustres. Estamos em Delft a 15 minutos em trem de Rotterdam. Um pintor neerlandês muito famoso do século 17, Johannes Vermeer, (já estamos lembrando da Mulher com o brinco de pérola) nasceu e viveu toda a sua vida na cidade de Delf, e era amigo de Antonie van Leeuwenhoek, um dos precursores da observação microscópica no século 17, nasceu e viveu em Delft. Vale aproveitar para ver os antiquários e as porcelanas azuis, tão típicos da Holanda (e originários de Delft!).

Posso fácil imaginar o quanto nosso périplo foi encantador. Poderia ter sido melhor? Sim. Houve uma mesma restrição genérica e quase uma dezena de restrições especificas. Confere?

A restrição genérica (= a linguagem): as repetidas limitações nas possibilidades de comunicações — nas cinco visitações — por fala, entendimentos das chamadas sonoras em aeroportos, ferroviárias. O acesso a revistas, jornais, filmes e informações em museus etc.

As restrições especificas (= as diversas linguagens): se soubéssemos russo em Moscou. Perdemos por não fruir mais em Chiang Mai por não sabermos tailandês. Certamente não sabermos hebraico ou árabe trouxe perdas na nossa estada em Jerusalém. Sarajevo teria muito mais aprendizagens se soubéssemos bósnio, croata ou sérvio. A nossa estada em Delft, se soubéssemos holandês, nos ensejaria conhecer melhor o Século 17 e as artes dos grandes pintores neerlandeses.

Tenho, agora, um convite muito diferente. Falemos numa cozinha. Dias antes de começar esta pandemia, Lilith — uma colega de priscas eras — me enviou um WhatsApp. “Fui presenteada com meia dúzia de garrafas de cervejas artesanais. Sinta-se convidado para vir a minha casa amanhã para uma degustação!” “Convite aceito! Levo uma paleta de ovelha já marinada para assar!” À meia tarde, estava na casa de Lilith, para assar um presente que recebera.

Após festejarmos reencontros perguntei: Preciso saber onde encontro cebolas? Lilith respondeu: “No refrigerador na gaveta abaixo do congelador!” Descasquei e fatiei três cebolas e as coloquei junto com a paleta que já estava no forno. Estava com um bom assunto engatado. Por que choramos ao cortar cebola? Foquei no assunto e questionei, trazendo logo o meu interrogante: por quê tu e eu usamos colocar a cebola no refrigerador para não chorar ao descasca-las e ao fatia-las?

Uma muito boa pergunta é feita para quem, por anos, lecionou bioquímica nos cursos da área da saúde! Mas respondo tua pergunta com uma outra pergunta, à moda jesuítica**[1]: por que nós choramos quando descascamos cebolas, sem colocar as mesmas antes no refrigerador?

Minha resposta não é difícil, mesmo que seja quase incompleta: porque se não protegermos olhos, chega aos mesmos algo que está no estado gasoso e nos irrita. Nota 4, numa escala de 0 a 10, para tua resposta. Para um professor universitário — mesmo que sejas da área soft, divisão que eu sei que tu abominas (e eu também) — é muito pouco! Tu sabes — para facilitar respostas melhores que há outras maneiras — além de colocar a cebola no congelador, para não chorar — nós temos pelo menos três alternativas, que deixo de referir agora — mas todas baseadas em uma mesma explicação.

Voltemos a questão heliocêntrica: por que nós choramos quando descascamos cebola, sem colocar as mesmas antes no refrigerador? Uma provável explicação está no sulfóxido de tiopropanal, um gás de uma chamada função mista, formado no corte de vegetais como a cebola que gera um ácido, em contato com a água dos olhos. Esse composto, inicialmente, não existe na estrutura da cebola, mas a sua formação ocorre quando a descascamos e/ou fatiamos, pois, nesse momento, as células desse vegetal são quebradas e há a liberação de enzimas chamadas alinases e um grupo de compostos chamado de sulfóxidos-S-alquenil cisteína.

Os compostos desse grupo estão separados em diferentes partes da cebola, mas depois de cortá-la, eles entram em contato e interagem por meio de reações complexas que são catalisadas pela enzima alinase. Resumidamente, entre os compostos formados, há os ácidos sulfínicos, que são bem instáveis e logo convertem-se no sulfóxido de tiopropanal, que é o aldeído da lágrima.

Visto que esse gás é volátil, ele entra em contato com a umidade de nossos olhos e transforma-se em uma espécie de ácido bem fraco, que causa o ardor nos olhos. Assim, como um mecanismo de proteção, as terminações nervosas das córneas fazem as glândulas lacrimais produzirem as lágrimas. Contudo, isso só piora a situação, porque há mais água para reagir com o sulfóxido de tiopropanal e formar ainda mais ácido.

Depois desta explicação de um saber primevo, detido, por exemplo, por cozinheiras, encontramos — como (na explicação trazida) para não chorarmos ao descascar cebolas — mediado por saberes acadêmicos explicações para a facilitação para abrir a tampa metálica que fecha um vidro de conservas ou uma explicação à recomendação de minha mãe em minha infância: “Tem que colocar o sal amoníaco em uma vasilha bem fechada, se não ele foge!” Ou ainda porque para apagar uma vela ou avivar ou braseiro, usamos o mesmo procedimento: assoprar.

Depois de fazer evidente como o saber (falar, ler, escrever...) diferentes idiomas pode ser facilitador para (con)vivermos no Planeta Terra e isto tem igual valia no que se refere quanto ao conhecer Ciência. Não preciso ter a expertise em bioquímica como Lilith, mas se entendo como moléculas de uma substância volátil (presente na cebola) se colocadas sob baixa temperatura, cristalizam parece que está respondida a pergunta: Por que os professores de Ciências devem ser alfabetizados cientificamente? 

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* Alan F. Chalmers O que é essa coisa chamada Ciência? ou no original What Is This Thing Called Science? (São Paulo: Brasiliense, 1993).

** É quase senso comum que os jesuítas sempre que perguntados acerca de algo, respondem com outra pergunta. Comprovei isso. Quando lecionava na Unisinos, um dia perguntei ao hoje reitor: Padre Marcelo, é verdade que quando se pergunta algo a jesuíta ele responde com outra pergunta? Silêncio sonoro e obsequioso” Professor Chassot, quem te contou isso?