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sexta-feira, 20 de julho de 2018

20.- POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE


ANO
 12
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EDIÇÃO
3361

Esta edição abre com um convite, ou melhor, com um duplo convite.
Nesta terça-feira, 24 de julho, às 19h30min, na reunião da ANPED SUL, que ocorre na Faculdade de Educação da UFRGS, haverá o lançamento do livro POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE organizado por José Clovis Azevedo e Jonas Tarcísio Reis.
No 38º Encontro de Debates sobre Ensino de Química que ocorrerá na ULBRA, em Canoas, no dia 19 de outubro (segundo dia do evento) às 14h30min haverá um debate acerca do mesmo livro (vale alertar que estaremos então no período entre o 1º e o 2º turno das eleições para Presidente da República e governadores) com os dois organizadores e Guy Barcellos do qual eu farei a mediação. Ainda no mesmo dia às 17h30min haverá mais uma sessão de lançamento do mesmo livro.
Neste livro, fui distinguido pelos dois organizadores para fazer o posfácio. Adito a esta blogada alguns excertos, na tentativa de dizer um pouco da obra, para qual fiz os convites acima.
[...] Os dias que vivemos — descritos na apresentação deste POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE pelo Jose Clovis e pelo Jonas e também por outros colegas que eles amealharam para tecer este livro — detêm o gosto adstringente de um caqui verde. Estes dias nos fazem, em muitos momentos, intelectualmente estéreis. Eu, por exemplo, recordo o atordoamento intelectual que fiquei naquele macabro 31 de agosto de 2014 na votação do impeachment da Presidente Dilma ou daquele macabro sábado, 07 de abril de 2018, quando o Presidente Lula ‘entregou-se’ a prisão. Em uma e outra situação fiquei mais de uma semana com dificuldades para redigir mais livremente um texto.
Outra marca que esses dias temerosos imprimem em mim: a abstinência de ler ou ouvir notícias. Era viciado em rádio e jornal. Hoje busco jejuar mentiras da imprensa hegemônica. Isso traz consequências. Ficamos desinformados também das boas notícias. [...]
Outra consequência da renúncia a notícias é que nos fazemos alienígenas na nossa pátria. Eu, que me considero instruído, tenho uma imensa dificuldade de entender o sistema judiciário brasileiro. Que não entenda como nos Estados Unidos o candidato mais votado possa não ser o eleito... vá lá. Agora como o Gilmar Mendes solte quem lhe dá na veneta é muito complicado. Assim, quando o Cunha fez tramitar o impeachment da Presidente de Dilma não se afigurou golpe, pois se dizia ser um ‘impeachment constitucional’ logo legal. Assim não cabia manifestação contrária. Ledo equívoco.
Desde 31 de agosto 2014 todas as minhas palestras — e já superam a centena — e nas bancas que participo se iniciam com ’Fora Temer, o ilegítimo e corrupto!’. Agora, adito ‘Lula livre!’ [...]
Tento fazer o posfácio que me foi solicitado. Não vou considerar o Priberam que diz: Posfácio: Advertência colocada no fim de um livro. Desejo ir um pouco além de uma lapidada advertência que podia ser trazida ao final deste livro tal como: Ratifico os organizadores e autores: Este livro mostra como um governo golpista e corrupto pode destruir sonhos e dilacerar políticas educacionais significativas construídas em tempos democráticos. Democracia também faz bem à Educação.
[...] Acredito que a qualquer leitor que chega a este posfácio, depois de ler uma dezena de capítulos precedentes sabe o que lhe cabe enquanto se anuncia que livro terminou. Como o ‘ite missa est’ não encerra a missa, se espera sonhadoramente que os fiéis levem o ‘ensinado’ mundo afora...
Este posfácio não é para manifestar júbilo pelo término de um livro e muito menos para destacar o que ele tem de mais sumarento — isto os organizadores fazem texto preambular — mas com muita esperança, se deseja que este texto catalise ações para sair a semear propostas para pensar que vamos fazer para recuperar o que foi e está sendo demolido pelo golpismo. Mas, como se verá um pouco adiante muitas das sementes a semear foram modificadas e se fez delas sementes estéreis em uma segunda geração, assim como agem gananciosamente as grandes sementeiras apátridas. Aliás, ‘eles’ usam a mesma enganação que a Monsanto (ora se transmutando em Bayer) relendo Organismos Geneticamente Modificados OGMs como Organismos Geneticamente Melhorados.
[...] Os sinos dobrando a finados que faz este POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL PÓS-GOLPE tornar-se um livro muito mais uma narrativa de um passado frutuoso muito próximo e funéreo. Mas há que laborar com utopias. Este livro pode e deve catalisar experiências buscando a emancipação de alunos do ensino médio mesmo que esses fazeres se constitua até em atos de desobediências arrojadas. O livro para o qual se tece este posfácio se constitui, também, em excelente antídoto a uma praga que insiste em proliferar: a Escola sem partido.
[...] O que não podemos fazer é sepultar sonhos por meio de nossas continuadas tentativas de um Ensino Médio Politécnico, em que o principal elemento conceitual beneficiário seja a construção do processo emancipatório dos sujeitos estudantes, procurando entender tal concepção inserida na perspectiva de uma educação integral. Sonhar é preciso. Assim, sonhemos!
Quando muitos sonharem juntos os sonhos se transformarão em realidades.
Attico Chassot,
na Morada dos Afagos,
 ainda condoído pelo 7 de abril de 2018,
 dia da prisão do Presidente Lula,
talvez o dia mais triste da história recente.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

13.,- DOIS CANADAS NEM SEMPRE VISTOS PELOS TURISTAS



ANO
 12
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EDIÇÃO
3360
É uma aziaga sexta-feira 13. Escrevo em Vancouver no Canada. Há uma semana vivo uma realidade inédita para mim.
Quando se está a primeira vez em um país, como turista usualmente, se busca ratificar ou retificar nosso Imaginário acerca do país.
Este imaginário foi construído ao longo de nossa história: os livros que lemos, os filmes que assistimos, os noticiosos e, talvez, algumas aulas de geografia decoradas.
Chegados ao país visitado o nosso imaginário vai se transformando em realidades pelo que observamos, pelo que vivemos e assim por diante... a ratificação ou a retificação depende de quanto trouxemos em nosso imaginário.
 Parece haver alguma diferença significativa quando se trata de um país muito desenvolvido ou quando estamos num país de menor qualidade de vida.
Há uma semana cheguei pela primeira vez ao Canadá; mais precisamente a Vancouver, única cidade canadense que visitei. Parece que trazia uma boa generalização acerca do país; mas acerca da cidade conhecia muito pouco.
Em uma semana foi relativamente fácil dar por existente aquilo que esperava encontrar em um dos países mais desenvolvimento do planeta. Isto é desenhar uma grande metrópole capitalista do século 21.
Maciços formados por altos edifícios, muitos com uma arquitetura imponente que dá a Vancouver o título de ‘cidade de vidro’. Vi logo um muito eficiente sistema de trânsito com muitos carros, ou melhor com muitos carrões, se deslocando de maneira continua por avenidas margeadas por árvores e muitas flores; essas avenidas, em muitas situações têm sobrepostas outras rodovias que se interconectam por rotatórias que à primeira vista parecem ser complexos labirintos.
 Estava numa cidade que tem um dos portos mais movimentados da América e o contato da cidade com o mar oferece inúmeras atrações turísticas, que não tenho condições de descrever.
Uma imponente capital do Século 21 tem, como Vancouver, muitos movimentados mercados onde a oferta de produtos ditos ‘orgânicos’ e artesanais parece querer mostrar quanto o ‘deus mercado’ também é bonzinho. A moderna ‘city’ tem muitos museus, galerias de arte, teatros, inúmeros restaurantes e cafés e poucas igrejas. Tem uma biblioteca pública com um acervo invejável onde se incluem obras raras em prédio belíssimo (foto). Tem um lindo jardim botânico e um muito didático aquário inserto em parque de mais de 400 hectares.
Há edifícios sólidos de bancos. Há universidades com posição de destaque no ranking mundial. Estive em duas famosas com campus imponentes: UBC – University of British Columbia e SFU Simon Frase University. Na UBC dou destaque ao Museu de Antropologia MOA.
Vancouver é realmente a orgulhosa capital da província da British Columbia que nas placas dos automóveis exibe o dístico ‘Beautiful British Columbia. Tem também muitos monumentos aos grandes vencedores.
E os vencidos?
 Há um grupo significativo de moradores de ruas, São andrajosos. Mas parece receberem de instituições beneficentes ‘um café da manhã’.
Na UBC MOA assisti a uma exposição temporária: ARTS OF RESISTANCE Politics and the Past in Latin America. Foi então que ‘me caiu a ficha’. Eu não conhecia nada da História do Canadá.
Há uma história dolorosa e dramática. Na busca de uma narrativa em português a escolha foi: A tragédia indígena no Canadá de Elaine Tavares do Instituto de Estudo Latino Americano IELA UFSC de 12 de Agosto de 2015. Este texto enseja extensas reflexões.
Desde os anos 90 do século passado que a América Latina viu crescer – em uma nova e forte onda – a luta dos povos indígenas pelo direito a sua cultura e ao seu modo de vida. Considerando que a invasão das terras de Abya Yala provocou morte, destruição e genocídio, esse movimento de ascenso das lutas indígenas é também um processo de reconstrução da memória. A verdade sobre o “descobrimento” é a realidade da dor e da negação de centenas de povos, nações e civilizações que aqui já existiam antes da chegada dos invasores.

Mas, não é apenas a América Latina que se levanta em luta. Na parte norte da América, os povos indígenas também fortalecem as batalhas pela verdade, desvelando as chagas do extermínio de suas gentes.

No Canadá, por exemplo, existe hoje uma campanha para que toda a população saiba o que aconteceu com os povos originários depois da chegada dos colonizadores e também num passado não muito distante, como é o caso das “Escolas Residenciais”, criadas para o que chamavam de “reeducação” dos indígenas. Na verdade, um crime contra a vida, um genocídio cultural sem precedentes. Essa é uma tenebrosa história que está vindo à tona a partir da denúncia dos sobreviventes, visto que elas existiram até o ano de 1993.

Segundo informações da Comissão da Verdade e da Reconciliação, desde a invasão do Canadá sabe-se que as igrejas realizavam uma sistemática ação de destruição da cultura, através da evangelização, mas a partir do ano de 1840, o estado oficialmente assume uma parceria ao criar as primeiras escolas para indígenas na cidade de Ontário. O governo então dava os recursos, e as igrejas providenciavam a “educação”. Só que o que era para ser um processo de inclusão dos povos originários à vida do país, acabou sendo um circo de horrores.

Em 1898 já existiam 54 escolas no país dentro do modelo de “Escolas Residenciais”, o que no Brasil se assemelharia aos internatos. E era para esse tipo de escola que eram mandadas as crianças indígenas, num atentado sem limites contra suas crenças e seus costumes. Em 1946 foi registrado o número máximo de escolas: 74. E, segundo a lei, os pais que se recusassem a mandar os filhos eram punidos criminalmente. Não havia escapatória. Os indígenas eram obrigados a enviar os filhos para o inferno.

 Mais de 150 mil crianças foram praticamente sequestradas, separadas de seus pais e internadas nas escolas que eram mantidas pelas igrejas Anglicana, Católica, Presbiteriana e Metodista. Ali não era permitido falar o idioma indígena e todos os costumes autóctones eram negados. “Eles diziam que éramos do diabo”, lembra uma das sobreviventes. O objetivo era formar “europeus de pele escura”, eliminando o contato com a família e apagando o passado cultural.

Não bastasse isso, muitas dessas crianças eram submetidas a violências de toda a ordem, inclusive sexuais. A comissão que hoje trabalha para trazer á luz todos esses crimes, cometidos com o apoio do estado canadense, já documentou 3.200 mortes de crianças nessas escolas, decorrentes de maus tratos, abandono e suicídio. “O governo canadense manteve essa política de genocídio cultural porque queria se desvincular de suas obrigações legais e financeiras com os povos indígenas e assim poder controlar suas terras e seus recursos”, denunciam.

Segundo o relatório da Comissão, as denúncias de maus-tratos e violências já começaram a pipocar no final dos anos 40, mas poucos se importaram. Conta-se que havia diferenças no trato das crianças conforme as diferentes igrejas, mas, ao fim, todas elas partilhavam da ideia-chave da proposta que era defendida por Egerton Ryerson, Superintendente de Educação do Canadá no ano de 1847 e que iniciou a malfadada experiência: “A educação dos índios não deve simplesmente consistir no treinamento de suas mentes, mas também na eliminação dos hábitos e sentimentos de seus ancestrais, na aquisição de novas linguagens, artes e costumes da vida civilizada”.

No início do século XX, uma nova lei reforçava a ideia das escolas residenciais e o apagamento da cultura autóctone, e em 1920 encontra-se o registro da fala do Superintendente Geral da Casa dos Comuns, Duncan Campbell Scott, que mostra bem qual era a intenção dos nobres governantes: “Nosso objetivo é continuar até que não exista um só índio no Canadá que não tenha sido absorvido ao corpo político e que já não exista qualquer problema indígena no Departamento Índio. Esta é a meta dessa lei”. E assim, por mais de cem anos, as crianças indígenas foram submetidas à tortura e ao esquecimento de sua origem.

Mas, homens como Duncan e outros da sua estirpe jamais poderiam entender que um mundo não se destrói assim, à força. Seria preciso que todos fossem eliminados fisicamente. O que não aconteceu. Assim, apesar de toda a dor, de todo apagamento cultural, a vida indígena resistiu e, hoje, os sobreviventes da tragédia das escolas residenciais abrem a caixa de pandora do mundo “civilizado, primeiromundista” do incensado Canadá.

São momentos de muita emoção os vividos pelos sobreviventes nos inúmeros encontros que realizam para contar de suas experiências. Campanhas midiáticas foram criadas para que a verdade venha à tona e para que o governo do Canadá reconheça os crimes do estado.

Depois de todo o processo desencadeado pela Comissão, o governo já pagou mais de quatro milhões em compensação pelos danos causados e o primeiro-ministro do país pediu desculpas oficiais, mas os indígenas não consideram isso suficiente. Por isso, ainda lutam pela consolidação de uma série de demandas e recomendações sobre o tema que somam 94.

Entre as reivindicações os indígenas exigem que as famílias sejam mantidas juntas, que a cultura originária seja protegida, que falar sua própria língua não seja proibido e que se crie uma Lei de Línguas Indígenas, que não haja mais castigo para as crianças indígenas ,que seja garantido o direito de viver sua cultura, que se crie uma política de educação capaz de garantir ao indígena a sua real inserção na vida do país, que haja um pedido de desculpas oficial por parte dos líderes das igrejas e que haja uma lei garantindo a proteção das comunidades indígenas.

O mundo precisa saber que até os anos 90 crimes dessa natureza ainda eram cometidos no Canadá. É uma luta dura e difícil, mas a qual os povos indígenas do Canadá estão determinados a travar. Pela verdade e pela justiça.

Com eles, estamos!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

06 ,-Um (quase) recesso


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 12
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3360
Esta é a primeira blogada de julho2018 — mês que este blogue completa 13 anos. Rigorosamente, ao invés de blogar deveria colocar “O editor deste blogue está ausente, por compromissos pessoais”. Poderia justificar a blogada tardia dizendo que tive problemas com a internet. Houve. Mas tenho ume justificativa com mais charme. A primeira sexta-feira de julho tem para mim 28 horas. Explico.
Sim, na tarde de hoje ‘emplaquei’ meu 53º país visitado. Este número estava estacionado desde fevereiro de 2017, quando, então adicionei aos 49 países onde já estive, três países do Golfo Persico: Qatar, Omã e Emirados Árabes Unidos.

Em uma viagem de três etapas, com cerca de 30 horas cheguei pela primeira vez no Canadá. Estou em Vancouver. A primeira etapa foi talvez dos trechos que mais voei. P0A GRU. Porto Alegre/Guarulhos.
Para o registro segunda etapas “Guarulhos/Toronto trago excertos do meu diário que escrevi à madrugada: “Parece que no voo GRU/YYX (exótica a sigla de Toronto na IATA) a maioria dos passageiros dorme. Em Toronto destino do segundo de nossos três voos ainda é quinta-feira, em Porto Alegre já é sexta-feira. Esta etapa da viagem de cerca de 8.000 km tem a duração temporal aproximada da viagem que fiz na terça-feira Chapecó/Porto Alegre: 8 horas. Voamos a quase 1.000 km/h a 11.000m de altitude e com temperatura externa de -55*C.
Nossa passagem por Toronto teve inconiventes presentes em quaisquer viagem, Para nós hoje foi central a informação que não se cumpriu: retiram as malas no ponto final, no nosso caso Vancouver. Não foi o que aconteceu. Fizemos alfândega em Toronto. Ter já saído da área de apanhar as malas gera ações alfandegárias que não foram de solução fácil.
A terceira etapa  foi o voo YYZ/YVR um voo de quatro horas da costa leste a costa oeste. Mas ao fim ao cabo chegamos a Vancouver — cuja sigla na IATA é YVR, algo que parece um tanto exótico —, quando já quase meio dia local. Fomos então, Gelsa e eu queridamente acolhidos pela Laura e Antônio. Aqui curtiremos 9 dias de férias.






sexta-feira, 29 de junho de 2018

22.- Uma semana densa e extensa



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EDIÇÃO
3359
Esta é uma blogada ‘ligeira’ para uma semana que é densa e extensa. Não vou detalhar minha estada em dois Institutos Federais: IF Triângulo Mineiro, campus Uberaba (onde fiz a conferência de Abertura I Congresso Integrado de Química, I CONINQUI e ministrei um minicurso e dei uma palestra) e no IF Goiás, campus de Inhumas (onde houve atividades com licenciandos em Química).
Também não vou detalhar o meu estar na abertura de julho em Chapecó na Unochapecó e na Universidade Federal da Fronteira Sul e em Porto Alegre no Colégio Dom João Becker.
Quero privilegiar três joias recebidas lateralmente ao evento de Uberaba. Estas foram as visitações aos #1 Memorial Chico Xavier #2 Museu Arqueológico em Peirópolis #3 Casa de Lembranças e Memórias de Chico Xavier. Nestas três visitas tive o privilégio de ter uma arguta cicerone: a professora Danila Fernandes Mendonça, do IF Goiás, campus de Inhumas, com quem há um tempo tenho compartilhado a disciplina de Instrumentação para o ensino de Química. Nas visitas 1 e 3 ela foi importante de maneira significativa pelo conhecimento que detém da vida e da obra de Chico Xavier, em decorrência de professar a doutrina espírita. Também, ao final desta blogada há um “para saber mais acerca de Chico Xavier” heliocêntrico nestas duas visitas.

#1 Memorial Chico Xavier Na manhã de terça-feira, por mais de 1 hora, visitamos o Memorial O Memorial Chico Xavier que está vinculado ao Departamento de Museus da Fundação Cultural, conta com espaços multifuncionais, com galerias de exposições, biblioteca, Centro de Pesquisa e Documentação, auditório e praças contemplativas. Estão expostos quadros da exposição sobre o médium Chico Xavier, vindas do Instituto Chico Xavier de Brasília.
 #2 Museu Arqueológico em Peirópolis Na tarde da terça-feira, em cerca de 30 minutos, fomos ao distrito rural de Peirópolis, onde já desde a década de 1940, descobertas paleontológicas já traziam nova notoriedade para a região. Informado de que fósseis de ossos haviam sido encontrados durante obras de retificação da linha da Cia. Mogiana, o paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price (1905-1980), começou a trabalhar em Peirópolis em 1947. Realizou uma escavação sistemática na região de Caieira, entre 1949 e 1961. Como resultado, foram recuperadas centenas de ossos fossilizados do período Cretáceo Superior (100 a 65 milhões de anos atrás), sobretudo de dinossauros do grupo dos titanossauros.
Por quase 30 anos, o Ivor Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas. Considerado o pai da paleontologia brasileira, permaneceu na região até 1974. Todo o acervo de fósseis coletado por ele e seus auxiliares, ao longo de três décadas, integra a coleção do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), no Rio de Janeiro.
Em 1991, a Prefeitura Municipal de Uberaba restaurou o prédio da estação e outras dependências no entorno para instalar o "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price", criado no ano seguinte sob supervisão do geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro. A antiga estação passou a abrigar um laboratório de preparação de fósseis e um pequeno, mas atraente museu paleontológico, aberto à visitação pública e vinculado à Fundação Cultural de Uberaba. Outros imóveis no entorno foram transformados em residências para pesquisadores.
Dentre as atrações do museu, destaca-se hoje o esqueleto fossilizado do crocodilomorfo do Cretáceo Superior Uberabasuchus terrificus – descoberto na região no ano 2000 e um dos mais completos do tipo já encontrado no mundo – que está exposto no museu ao lado de uma réplica do animal. O Uberabasuchus terrificus pertence a uma família de crocodilomorfos denominada Peirosauridae em homenagem a Peirópolis. Estima-se que ele media aproximadamente 2,5 metros de comprimento e pesava cerca de 300 kg.
Mais recentemente foram descobertos na região fósseis do Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro brasileiro já encontrado. Fósseis de três indivíduos dessa espécie foram descobertos em 2004 na região de Serra da Galga, entre as cidades de Uberaba e Uberlândia, durante a realização das obras da duplicação da rodovia BR-050. O trabalho de retirada dos fósseis foi concluído em 2006, após os técnicos escavarem manualmente cerca de 300 toneladas de rochas que datavam do período Cretáceo e Paleogeno para a extração do material. Em 2011, foram feitas novas descobertas na mesma área, que incluem um fêmur de 1,4 metros do Uberabatitan.
Em 2011, o novo prédio e seus equipamentos – juntamente com o Museu e o Centro de Pesquisas – foram integrados ao novo Complexo Científico Cultural de Peirópolis vinculado à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais.
#3 Casa de Lembranças e memórias de Chico Xavier Na quinta-feira, antes de deixarmos Uberaba, fizemos uma emocionante visita ao local em que viveu e morreu Chico Xavier. A residência de Chico Xavier foi transformada em Museu, com todos os seus pertences pessoais. Esta é administrada por Eurípedes Humberto Higino dos Reis, filho adotivo de Chico Xavier, que nos recebeu muito bem. O espaço é um convite para relembrarmos os momentos vividos pelo médium, diversos objetos, fotos e pertences tais como: todos os livros psicografados, diversas fotos e imagens, roupas e utilitários, móveis, premiações, entre outros.
PARA SABER MAIS Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier (Pedro Leopoldo, 2 de abril de 1910 — Uberaba, 30 de junho de 2002), foi um médium, filantropo e um dos mais importantes expoentes do Espiritismo. Seu nome de batismo, Francisco de Paula Cândido, em homenagem ao santo do dia de seu nascimento, foi substituído pelo nome paterno de Francisco Cândido Xavier logo que psicografou os primeiros livros, mudança oficializada em abril de 1966, quando chegou da sua segunda viagem aos Estados Unidos. Chico Xavier psicografou mais de 450 livros, tendo vendido mais de 50 milhões de exemplares, sendo o escritor brasileiro de maior sucesso comercial da história, mas sempre cedeu todos os direitos autorais dos livros, em cartório, para instituições de caridade. Também psicografou cerca de dez mil cartas, nunca tendo cobrado algo ao destinatário. Seus empregos foram: vendedor, tecelão e datilógrafo.
O legado do médium ultrapassa as barreiras religiosas e ele é reconhecido como o maior "líder espiritual" do Brasil, sendo uma das personalidades mais admiradas e aclamadas no país e ressaltado principalmente por um forte altruísmo. Vem recebendo grandes homenagens e honrarias, por exemplo: Em 1981 e 1982 foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, tendo seu nome conseguido cerca de 2 milhões de assinaturas no pedido de candidatura; em 1999 o Governo de Minas Gerais instituiu a Comenda da Paz Chico Xavier; e em 2012 ele foi eleito O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, em um concurso homônimo realizado pelo SBT e pela BBC, cujo objetivo foi "eleger aquele que fez mais pela nação, que se destacou pelo seu legado à sociedade". (Com ajuda da Wikipédia)

sexta-feira, 22 de junho de 2018

22.- Oitava edição do Alfabetização científica



ANO
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EDIÇÃO
3358
Escrevo esta blogada à madrugada desta sexta-feira no aeroporto de Val de Cãs na morosa espera do voo que me levará a Porto Alegre, depois de cinco extensos dias na Cidade das Mangueiras. Minha estada em Belém foi para participar do seminário I da REAMEC (no qual os doutorandos apresentam pela primeira vez seu projeto de tese).
A Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática/REAMEC realiza uma missão quase profética: Os nove estados amazônicos [Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins] com três polos: em Belém (UFPA), em Manaus (UEA) e em Cuiabá (UFMT), num pool de 26 Instituições de ensino superior (10 universidades federais, 08 Institutos federais, 06 universidades estaduais e 02 universidades privadas) oferece o Curso de Doutorado em Educação em Ciências e Matemática – no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECEM), funcionalmente localizado na UFMT e avaliado com nota 5 (num máximo de sete) na última avaliação (2017) quadrienal da CAPES.
A organização da rede, que teve seu início em 2011, tem como uma das metas formar 200 doutores até 2022 na Amazônia Legal, por meio de ação acadêmica colaborativa entre as IES e os doutores existentes na Região, da área e de áreas afins. Até o final de 2017 já foram formados mais da metade de doutores previstos na meta antes referida.
Envolvo-me há mais de cinco anos na REAMEC em um (ex)(in)tenso voluntariado que inclui ministração de seminários, presença em atividades docentes e orientação de teses doutorais. Nestes fazeres, já levei à defesa duas doutoras (uma Parintins e outra em Manaus) e tenho doutorandos professores da UFMT uma no campus de Sinop e outro no de Barra do Garça. Também por meus pares, em um número significativo, desconhecerem a REAMEC e marcado por uma muito reconhecida gratidão me alegro referir aqui mais uma vez esta rede.
Na quinta-feira no Seminário I houve lançamento de livros. A 8ª edição do Alfabetização científica foi celebrada. E a novidade desta edição é uma sumarenta protofonia Sobre vidros, diamantes e alfabetização científica da lavra (a ação verbal foi escolhida pela busca a transcrito diamantes) do Professor  Licurgo Peixoto de Brito (na foto comigo), da qual um excerto está na quarta capa e é a seguir aditada a esta blogada semanal:
“ATTICO CHASSOT traz ao leitor mais do que explicações sobre a necessidade de mudanças no Ensino de Ciências, expõe temas pouco explorados até então, como a Ciência nos saberes populares e o ensino de Ciências fora da sala de aula. A linguagem simples e elegante com que o Mestre Chassot consegue se comunicar com o leitor deixa-o imerso nos contextos que o autor selecionou cuidadosamente para incitar a alfabetização científica. Como se disse antes, ele dissemina alfabetização científica pelos muitos lugares onde passa. Se os tupis o vissem assim talvez o chamassem de Mestreaçu. Muito provavelmente, mesmo um professor de Ciências com formação específica arraigada, ao se permitir a leitura deste livro, será seduzido pelo apelo social que emana dos argumentos do Mestre. Isto porque suas reflexões não servem apenas ao contexto local ou regional, antes, são razões cosmopolitas, pluriculturais. Cultura é o que não falta nesse Alfabetização Científica, tampouco, questões e desafios para a educação”.
Licurgo Peixoto de Brito,
professor titular na Universidade Federal do Pará,
licenciado em Ciências Naturais e em Física e doutor em Geofísica.
Atualmente dedica-se ao ensino e à pesquisa em Educação em Ciências.