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domingo, 8 de julho de 2012

08.- Do GALO DE BARCELOS à PARTÍCULA DE DEUS



Ano 6*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR ***Edição 2167
A manchete da segunda domingueira julina pode parecer um deboche: mas, não é. As principais revistas semanais do Brasil e, provavelmente de outros países, que começam circular hoje, têm como assunto (com chamada de capa) o que foi matéria deste blogue na sexta-feira: PARTÍCULA DE DEUS OU PARTÍCULA MALDITA
Pelo tom de algumas matérias, que anunciam reportagens especiais sobre a ‘partícula de Deus’, dando destaque a como entender a descoberta e a sua importância para o cosmo, a crença religiosa e para a vida. A mim parece empulhação. A descoberta, como se tentou evidenciar aqui na sexta-feira não tem NADA de divino ou de religioso. Parece, como escrevi — e a edição recebeu comentários significativos —que se está no mínimo violando mandamento do decálogo: não tomar seu santo nome em vão. Quando fiz minha formação religiosa aprendi que era pecado blasfemar.
Nomear o bóson de Higgs assim parece ser uma blasfêmia.
¿E o galo de Barcelos apensado a manchete? Explico. Na noite de sexta-feira, tive o privilégio de receber na Morada dos Afagos, o professor Guy Barcellos, o pastor Élvio Erdmann e seu filho Eduardo. O cardápio foi um papo muito agradável, onde diferenciações teológicas (e históricas) entre a Igreja de Confissão Luterana no Brasil e a Igreja de Confissão Luterana do Brasil foram muito significativas. O Élvio é da do Brasil.
Mas quando preparávamos a mesa o Guy se sentiu homenageado com a toalha que eu elegera. Uma peça do artesanato (talvez, melhor da indústria) luso, onde estavam algumas figuras do Galo de Barcelos. Contei que trouxera a toalha da cidade que dá o nome ao conhecido ícone de Portugal.
Então falamos do mito, do qual a versão que está na Wikipédia é uma das mais difundidas, mas há outras disponíveis na internet.
A lenda do Galo de Barcelos narra a intervenção milagrosa de um galo morto na prova da inocência de um homem erradamente acusado. Está associada ao cruzeiro seiscentista que faz parte do espólio do Museu Arqueológico, situado no Paço dos Condes de Barcelos.
Segundo a lenda, os habitantes de Barcelos andavam alarmados com um crime, do qual ainda não se tinha descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo, apesar dos seus juramentos de inocência, que estava apenas de passagem em peregrinação a Santiago de Compostela, em cumprimento duma promessa.
Condenado à forca, o homem pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou: "É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem."
O juiz empurrou o prato para o lado e ignorou o apelo, mas quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Compreendendo o seu erro, o juiz correu para a forca e descobriu que o galego se salvara graças a um nó mal feito. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz.
Alguns anos mais tarde, o galego teria voltado a Barcelos para esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a São Tiago, monumento que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos. Este também é representado pelo artesanato minhoto, geralmente de barro, conhecida por galo de Barcelos e um dos símbolos de Portugal.
Afortunadamente os portugueses de antanho era mais respeitadores e não chamaram o ‘assado’ de Galo de Deus, como se faz agora com esta descoberta, envolvendo bilhões de euros — mais um brinquedinho de uma Ciência Golen, de um planeta onde a cada dia morrem 30 mil humanos por falta de água.

10 comentários:

  1. Querido amigo,

    foi um prazer e uma honra ser recebido nesta Morada.
    Aqueceu-me a alma o assunto, as sonatas de Mozart, e a refinada homenagem. Felizmente o frango que comemos não cantou... Se cantasse seria uma ária do Wolfgang Amadeus...
    Adorei a blogada do dia do Senhor. Abraço muito afetuoso,
    Guy.

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  2. Caro Attico,
    também acho um absurdo a exploração midiática da publicação de um evento científico tão caro num tempo em que faltam euros para os europeus e recursos de toda a ordem para boa parte da humanidade. Considerações à parte, não há ciência sem religiosidade: até mesmo os mais céticos cientistas não escapam de alguma forma de culto e do estabelecimento de algum ídolo, explícito ou implícito. Para o pessoal do CERN, o bóson de Higgs passou a ser um ídolo a ser adorado.

    Um abraço,

    Garin

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    1. O Deus só vem mudando de nome, algumas vezes é o Deus mercado, outras o Deus consumo ou capitalismo, outras uma particula. Todos eles necessitam de fé e retido no seguimento de seus mandamentos.

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  3. Prezado Chassot
    Encantou-me a pequena lenda do Galo de Barcelos e da duvida da Justiça em relaçao à culpa do peregrino lusitano. Aliás, quero conhecer a dita toalha.
    Concordo com o Norberto sobre a exploração midiática do evento científico. Muitas vezes importa mais o marketing do que efetivamente a descoberta e seus benefícios.
    Abraços do JB

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  4. Limerique

    Da matéria e vida dizem ser elos
    Partículas que inundaram os prelos
    Coisas bem pequenas
    Intuídas apenas
    Chassot ligou-as ao Galo de Barcelos

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  5. Bom dia, Mestre!
    Fantástica a história (ou lenda?) do famoso Galo de Barcellos, o único galináceo com sobrenome...
    Mas, essa história de "partícula de Deus" me parece mais um chamariz meio factóide! Dá a impressão que vão provar alguma coisa de caratér religioso ou místico, quando na verdade estão apenas conseguindo registrar mais uma coisa cuja presença era apenas intuída, como componente necessário para completar uma equação matemática!
    Seria bom se essa descoberta fosse o termo que faltasse para permitir a geração de energia por fusão nuclear, por exemplo.
    Mas, duvido que isto vá ocorrer em um evento imediato!
    Imagine se nossa humanidade durar mais uns...10.000 anos, quanto ainda vai descobrir!
    Certamente bem mais do que já foi descoberto...Imagine daqui há 10.000 anos, como será vista esta descoberta!
    Bom domingo!

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  6. Na semana passada assisti em um noticiário na tv a prisão de um famoso traficante aqui no Rio de Janeiro, e que o mesmo iria dar dentro de alguns momentos uma coletiva. Um verdadeiro burburinho era criado na mídia pela expectativa das declarações do meliante. Vejo agora do simples encontro de poucos homens de bem nascer esta pérola de narrativa que muito nos educa e alegra. Infelizmente a maioria das pessoas só dá valor as narrativas do calão da primeira.

    Um abraço a todos

    Antonio Jorge

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  7. Muito querida Eunice,
    primeiro, celebrar biblicamente teu retorno, lembrando na narrativa do filho pródigo que “o bom filho a casa volta!”, Segundo, concordar contigo de que há o ‘Deus da vez’. Agora é o deus da Ciência: São bóson de Higgs, rogai por nós.
    Um afago em uma retornado
    attico chassot

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  8. Clenio V. Mazzonetto8 de julho de 2012 23:11

    Boa noite mestre.
    Assim que tomei conhecimento pelos meios de comunicação sobre a "partícula de Deus" a primeira lembrança que me ocorreu na mente, foram nossas discussões nas aulas do mestrado. Apropriado seu comentário sobre referido tema..
    Estamos em um período de "desmame" das aulas do mestrado, já estão nos fazendo falta.
    Abraço, e uma boa semana.

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    1. Muito atencioso e atento Clênio,
      fico distinguido quando nossas encontros são evocados.
      Também estou com saudades de nossas aulas.
      A amizade e a admiração do

      attico chassot

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