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quarta-feira, 25 de abril de 2012

25.- UMA TRÉPLICA AO DESIGN INTELIGENTE



Ano 6*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR  ***Edição 2093
Em dois momentos a autodenominada ‘Teoria’ do Design Inteligente (TDI) pontificou neste abril aqui. Nos dias 02 e 03, quando, atendendo a convite pessoal, o paleontólogo argentino Prof. Dr. Mario Alberto Cozzuol, da UFMG, criticando a TDI e citou ao Prof. Dr. Marcos Nogueira Eberlin da Unicamp, muito provavelmente o mais eminente cientista brasileiro a professar a TDI.
Na rodada de abertura (na primeira semana aprilina) o assunto teve repercussão com sete (dia 02) e seis (dia 03) comentários. A propósito desta publicação o Prof. Eberlin, solicitou e obteve direito de resposta. Esta foi exercida na segunda-feira e ontem. A ressonância no primeiro dia foi excepcional, mais de 230 acessos, com 87 comentários, estes cerca de 20 vezes a média diária, com a participação de quase uma dezena de comentaristas. A situação foi inédita nos quase seis anos deste blogue. A publicação de ontem também teve muito boas repercussões com 24 comentários. Nas duas edições, mesmo solicitado, por leitores, silenciei minha participação. Ontem, anunciei para hoje uma tréplica.
A propósito, antes de anuncia-la e enuncia-la uma declaração: qualquer leitor que quiser trazer um texto pró ou contra a TDI poderá publicá-lo aqui. Há só uma exigência: o texto não pode abrigar agressões pessoais e, muito menos, vitimisar com preconceitos a outrem.
Pretendo na minha tréplica apresentar três movimentos. Antecipo que não flui em mim o sabor/ o saber de um polemista. Enxergo-me, de maneira recorrente intimidado na contestação. Eis minha proposta:
1.-  Contestar algo do livro “Fomos planejados”.
2.- Assinalar divergências na entrevista do Prof. Eberlin em “Academia em Debate” da Universidade Mackenzie.
3.- Comentar sobre a réplica publicada aqui nos dia 23 e 24 de abril.
Pensara também trazer algo acerca dos comentários dos leitores. Há neles preciosidades. Mas, para hoje não é possível, por falta de tempo. Assim enuncio os três movimentos anunciados.
1.- Li com muito interesse (é verdade de maneira muito dinâmica) o livro ‘Fomos planejados: a maior descoberta científica de todos os tempos’ disponível em www.marcoseberlin.com.br O livro é riquíssimo em informações. O e-book tem excelente proposta gráfica, com figuras excepcionais. Muitos trechos são exclusivos para leitores que detenham mais sólidos conhecimentos de bioquímica e outros são de meridiana simplicidade. Como um todo: é um texto agradavelmente coloquial.
Depois trazer seus posicionamentos se encerra um capítulo assim: “Fomos planejados, gente, não resta dúvida, gostem ou não gostem. E esta é sem dúvida a maior descoberta científica de todos os tempos!” Uma Ciência que não tem dúvidas, não é Ciência. Logo não é com este livro que o paladino brasileiro da TDI fará conversos.
2.- Na entrevista do Prof. Eberlin em “Academia em Debate” da Universidade Presbiterana Mackenzie nos encantamos como com cativante didatismo, quando o entrevistado assume uma postura não dogmática em relação a Ciência mostrando a transitoriedade das verdades.
Mas, quando o entrevistador pergunta-lhe acerca da origem do homem: macaco ou um boneco de barro, Eberlin é categórico: assume a defesa intransigente do relato do Gênesis. E pasmem, diz ter evidências teóricas para tal. Fala em outro momento que vê nas moléculas as impressões digitais do Criador: “Em todas as moléculas vemos ‘a mão e a mente’ de nosso Criador. [...] Por isso, sabemos que não há no Céu e não há na Terra Deus como o Senhor!”*
Ao lado disso, diz algo que, para quem conhece o minucioso trabalho de Darwin por dezenas de anos, é um deboche: “Na época de Darwin, o “equipamento científico” mais utilizado era a cadeira de balanço, onde Darwin e outros pensadores e filósofos elaboraram as teorias naturalistas sobre a origem da vida.” Aceitemos, que isso não é argumento que dê crédito à TDI, ao contrário a desvaloriza.
3.- Algo sobre a réplica publicada aqui nos dia 23 e 24 de abril: qualquer tentativa de responder a interrogações pífias propostas por um dos mais importantes químicos do Brasil se esboroam no insustentável. Talvez a trazida pela Profa. Dra. Silvia Regina Gobbo, do dragão invisível que estava na garagem de Carl Sagan (vale ler os sumarentos comentários da edição de ontem) traduza o convite do inteligente e didático Prof. Eberlin. Pediu uma réplica neste blogue para nos mostrar a TDI, só que ela invisível, inquestionável e acima de tudo inexplicável.
O mais exótico em tudo isso é que um dos cientistas brasileiros de maior expressão acredita que nos possa fazer crer que dragões existem, mas são invisíveis e mais são incorpóreos, mesmo que cuspam fogo atérmico.
Agradeço aos muitos parceiros que trouxeram aqui suas ideias pró/contra a TDI. Sou grato especialmente ao Prof. Marcos Eberlin. Fruí com ele, entre outros saberes, fazer ficção científica. Foi/é muito bom.

14 comentários:

  1. Bravo Chassot! Bravíssimo Mestre! Assim falam os cientistas.

    Sem dialética erística nem ransos dogmáticos.

    Emocionei-me ao ler um texto curto, porém denso em lucidez.

    Vimos aqui o Thomas Huxley respondendo ao Richard Owen...

    Abraços de profunda admiração.

    Teu pupilo,
    Guy.

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    1. Caro AChassot,
      sou um iniciante no estudo da ciência,estudei dois semestres de teologia na assembleia de Deus no ano que passou ,porém percebo que as duas são como água e óleo por mais que tentem não se pode mistura-las.

      Um abraço!

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  2. Caro Chassot,
    quando se tenta provar conquistas do conhecimento científico, mesmo com a tendenciosidade que lhe é própria em virtude do método que adota, através de teorias de fé, escorrega-se na chave de conhecimento. Crenças e conhecimentos das ciências da natureza representam verdades (com sua relatividade), mas ambas em níveis e parâmetros distintos. Misturar essas duas chaves não representa um bom caminho. Fico com minha fé na criação e a minha convicção no processo evolucionista. Minha fé fala de quem. Minha convicção fala do como.

    Um abraço,

    Garin

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  3. Bem, o mais impressionante é que tudo aqui foi muito democrático, o sr Eberlin teve o seu direito de resposta, apesar de não utilizá-lo para defender o DI/Criacionismo. Ele apenas utilizou o tempo para atacar a Teoria da Evolução, como se pudesse, ao derrubar uma fazer subir a outra...

    Este é uma argumentação bastante estranha que encontro nos debates acerca do assunto... Se a Teoria da Evolução for REFUTADA, outra teoria CIENTÍFICA entrará em seu lugar... Não existe esta quimera de achar que, se a Evolução cair, o criacionismo seria imediatamente aceito. NÃO SERIA. Cricionismo ou DI, que dá na mesmíssima coisa, não são teorias científicas. São propostas metafísicas e, como tais, não podem substitutir uma teoria científica, pois não utilizam nem método científico...

    Eu tive a vã esperança, que um criacionista mais renomado, pudesse apresentar alguma roupagem mais científica ao assunto. Decepção, foram apenas palavras ao vento, nenhuma evidência científica foi demonstrada...

    Isso vem corroborar o que venho dizendo sempre. DI é apenas uma maquiagem do velho criacionismo bíblico fundamentalista, roupagem esta que já foi denunciada devidamente no documento The Wedge Strategy (http://en.wikipedia.org/wiki/Wedge_strategy)

    E o velho criacionismo é aquilo que já sabemos --> a velha proposta medieval de que o Gênesis é factual e o dilúvio existiu... Ora ainda na Idade Média Leonardo Da Vinci, em seu Leicester Codex, demonstrou por experimentos de tafonomia, uma área das disciplinas de Arqueologia e Paleontologia, que O DILUVIO UNIVERSAL não ocorreu na Itália, SE NÃO OCORREU NA ITÁLIA, então, não foi universal (mais informações em Gould, S. J - A montanha de moluscos de Leonardo da Vinci)...

    De Da Vinci até o presente, centenas de cientistas procuziram milhares de trabalhos de cunho científico, com método científico demonstrando que o criacionismo bíblico é uma proposta metafísica e que não ocorreu...

    Não é para mim novidade que eles não tenham argumentos científicos, factuais e fenomenológicos portanto, para apoiar sua proposta metafísica... Porém tenho que reconhecer um ponto deveras interessante: quando eles nos atacam, quando eles atacam a Teoria da Evolução, eles nos ajudam, porque perguntas são propostas e os cientistas se empenham em respondê-las... E assim avançamos...

    As pessoas podem reclamar do Dawkins, por diversos motivos, mas eu creio que ele não seria o biólogo que é hoje se não fossem os debates com os criacionistas... Eu mesma estudei o dobro ou o triplo do que estudaria um biólogo normalmente se não fossem estes debates... É um estímulo...

    Apesar de saber que eles não estão com a razão em termos científicos, é bom que continuem por aí...

    Melhor ainda é ter um ambiente como o deste blog para servir de catalizador para conversas estimulantes, e nisso parabenizo o prof Attico Chassot...

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    1. Muito estimada Sílvia,
      já desde ontem busquei um endereço para te responder. Cadastrei-me em tua página mas não tive a confirmação de senha.
      Primeiro, muito obrigado pela tua competente dedicação em contribuir neste espaço. Foste muito clara e precisa na refutação de alguma leituras fundamentalista que apareceram. Tens nisto meu reconhecimento.
      A presença do Professor Eberlin aqui foi frustrante e temerária.
      ¿Como um cientista pode dizer coisas como ‘vejo as impressões digitais de Deus nas moléculas? Ou que o instrumento de trabalho de Darwin era a cadeira de balanço! Ontem à noite contei isso a meus alunos houve sensação de que eu brincava.
      ¿Será que ele, enquanto orientador, fala estas ‘tolices’ a seus orientandos?
      Aprendi com ele algo de ficção científica e lamento que seu potencial criativo tenha se destinado à TDI.
      Silvia, obrigado pelo prestígio que trouxeste a este blogue que persegue fazer alfabetização científica.
      Com admiração
      attico chassot

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    2. Professor Attico, não tenho um blog, apenas um perfil no facebook...
      Sou paleontóloga como o Mario Cozzuol, e atualmente sou professora na UNIMEP áreas afins à evolução como paleontologia, biogeografia, etc...

      Comecei a participar de debates sobre o assunto ainda no Orkut e posteriormente nas comunidades do Facebook... com isso pude perceber, por exemplo, que os argumentos do sr Eberlin não são originais, são velhos conhecidos de quem acompanhou o julgamento de Dover... e já foram todos refutados por cientistas bem renomados... Tenho certeza de que, por isso mesmo, o sr Eberlin não trouxe argumentos. Ele não conseguiria sustentá-los. Então ele usou de retórica meio à la Schoppenhauer e seu "como vencer um debate sem ter razão."...

      No Brasil o grande problema é que atualmente temos muito pouca divulgação científica. A grande novidade é que agora a internet pode aproximar cientistas de leigos, coisa que é feita brilhantemente no seu e outros blogs interessantes...
      Por isso nós é que devemos agredecê-lo...

      Vou adicioná-lo no face...

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  4. Professor, gostei bastante dos dois textos. Como estudante de Biologia creio que o Criacionismo não pode ser verdadeiro. No entanto, acredito que há algo mais, ou melhor algo por trás de tudo isso. Não li o livro do outro professor, mas pelo que entendi a ideia de que possa ter algo (uma inteligência) por trás da evolução é perfeitamente possível. Este estudo não parece muita novidade para mim, no livro da Gênese de Allan Kardec ele explica muitas coisas, inclusive acerca da teoria da evolução, que em momento nenhum, ele nega. Pelo contrário, a afirma, pois como estudamos todas as Terças-feiras a ciência comprova e deste fato ninguém pode fugir.
    Pra encerrar, gostaria de lhe perguntar se consideras, estudiosos como Kardec, como cientistas ou como propagadores de uma ideia de religião. Um tema interessante para o seu blogue não?
    Um abraço!
    Cipriano Lacerda

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  5. Muito estimado Cipriano,
    obrigado por fazeres das edições desta semana do blogue uma extensão de nossas aulas das noites de terças feiras. Dentre as religiões o espiritismo me parece a mais racional.
    Não conheço o livro Gênesis de A. Kardec. Trazes uma boa dica para uma blogada. Que tal uma parceria para um texto.
    Com admiração,

    attico chassot

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  6. Caro Professor
    Novamente foi muito bom ler os textos do seu Blog e seus comentários. Passei o tema também para os meus alunos e minhas relações de grupo no Facebook.
    Nestas discussões, sempre lembro uma frase: “Crença não constitui uma teoria”, na crença não existem fatos verificáveis.
    Com certeza, “Se a Teoria da Evolução for REFUTADA, outra teoria CIENTÍFICA entrará em seu lugar... Não existe esta quimera de achar que, se a Evolução cair, o criacionismo seria imediatamente aceito.”, como escreveu Silvia Gobbo, criacionismo ou DI, não seria assim. Gostei muito da frase do prof Barcelos “Vimos aqui o Thomas Huxley respondendo ao Richard Owen...”. Parabéns pelas explicações e argumentos.
    Martin Sander

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  7. Desculpe a minha intromissão, caro Cipriano. Mas espiritismo, kardecista OU NÃO, é uma religião.

    É uma religião porque depende de crença no sobrenatural (deus-es e espiritos).
    É uma religião porque tem DOUTRINA.
    É uma religião porque sua crença em espíritos, perispíritos, etc não é comprovada em trabalhos científicos. Já vou adiantando ainda que apesar de intensos estudos NEM MESMO A PARAPSICOLOGIA FOI COMPROVADA.

    Ser considerado uma religião não é um demérito para o espiritismo, muito pelo contrário, é apenas uma maneira de separar conhecimentos e saberes de cunho diferente. Ciência é um magistério, Religião é outro.

    Na ciência não se pede fé a ciência trabalha desconfiada, com ceticismo.
    Na religião se espera que a pessoa tenha fé, independente dela ter comprovação.

    Como diz Gould. S. J. em seu livro "Pilares do tempo, ciência e religião na plenitude da vida", S.Tomé agiu errado quando procurou evidências da ressureição de Cristo e foi inclusive repreendido por Jesus, que disse que ele PRECISAVA CRER SEM VER...

    De qualquer forma ALGUM ceticismo é bom para o religioso, ao menos para não cair na mão de charlatões, por exemplo, pessoas que usam a fé alheia para enriquecimento próprio... Então o ceticismo na religião é saudável, mas na ciência o CETICISMO É ESSENCIAL.

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  8. Bom Silvia estudo espiritismo a um bom tempo. Mas inclusive como já entrei em discussão com o professor Áttico em aula, não concordo com essa separação entre ciência e religião. Penso (eu e todos os espiritistas) que elas devem e podem andar lado a lado.
    E eu não concordo contigo quando dizes que não é algo comprovado cientificamente, basta ler o Livro dos Espíritos, que verás como se deu o estudo. Com certeza é religião não há como negar isso, mas será que não pode ser ciência também? Se há uma causa que gera um efeito, não há algo atuando sobre alguma coisa?
    E já existem diversos estudos que visam a "comprovação" da reencarnação, através de marcas de nascença por exemplo. Acho que tudo tem seu tempo, e que é questão de tempo até as duas religião e ciência andarem juntas.
    Um abraço!

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    1. Cipriano, andar lado a lado não quer dizer se confundir. Não é possível testar as ideias de qualquer religião. Não temos como, por exemplo, colocar em teste a existência de espíritos, nem a de um deus, ou vários. Essa área do intangível esta fora do domínio da ciência, mas o funcionamento do mundo natura, esta fora da área de explicação da religião. É sim, mais uma vez seja dito, ser religioso e cientista, mas não é possível "misturar" ambas.

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    2. Silvia Regina Gobbo26 de abril de 2012 11:45

      Cipriano

      Nenhum estudo do Livro dos Espíritos ou de Reencarnação ou mesmo os estudos parapsicológicos são aceitos porque eles não seguiram as normas do método científico, portanto não são válidos. Tenho um respeito imenso pelo Espiritismo como religião, grandes amigos espíritas, mas infelizmente tenho que discordar de vc. No caso do espiritismo não houve nenhuma COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA e este é o consenso da comunidade científica.

      De resto, concordo com o Prof. Mario Cozzuol, "andar lado a lado não quer dizer confundir". De uma certa maneira entendo que os espíritas tem uma visão mais voltada pela ciência até pela postura que tinha Kardec... Isso é bom. Mas não dá o aval para os estudos feitos no passado, sem os devido rigor científico.

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  9. Concordo plenamente com Silvia Gobbo quando menciona que “de qualquer forma ALGUM ceticismo é bom para o religioso, ao menos para não cair na mão de charlatões”. Todos os dias temos exemplos como este desmascarados na televisão, e mesmo assim muitas pessoas ainda dedicam suas vidas e seus ganhos ao inexplicável. A ideia do criacionismo e de que existe um Deus que nos julgará no dia do juízo final, foi tão impregnada na nossa sociedade que há mais de 2000 anos nossa espécie tem sido atormentada com o medo do desconhecido. É muito mais fácil controlar uma sociedade através do medo do desconhecido, do que simplesmente mostrar-lhe o caminho da verdade e deixar que ela tire suas próprias conclusões.
    E a ideia do criacionismo ainda é tão forte entre a sociedade que todos os anos me deparo com a mesma pergunta por mais de 30% dos alunos das minhas turmas de ciências do ensino fundamental: “mas professora não foi Deus quem criou todos os animais e o Homem?”
    Bom como culpá-las por isso? Até mesmo Charles Darwin hesitou tanto ao revelar suas descobertas sobre a evolução, com “medo” da reação de uma sociedade que prefere acreditar no intocável e sem comprovação. Suélen

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