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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

12FEV2021 *** Para conhecer (um pouco) o Moriah College!

 

 

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De vez em vez, tenho proclamado o quanto a Wikipédia é (talvez) o melhor exemplo da democratização do conhecimento. Considere a fartura de saberes ofertado, sem nenhum custo. Não podemos dizer o mesmo, por exemplo, de dicionário que se anuncia free, mas que nos exige, para lermos qualquer um dos verbete, que nos entulhemos de anúncios indesejados, alguns verdadeiras arapucas.

Já teci loas a Wikipédia em outro texto. Agora, nesse blogar, quero assestar meu narrar em outra direção. Mais de uma vez, nestes (ex)(in)tensos tempos pandêmicos, se tem analisados os ganhos que fruímos com a pandemia do bem. Vivemos uma pandemia na qual aflora a bipolaridade. Os dolorosos sacrifícios cobrados pela pandemia do mal, já seriam inenarráveis se ficássemos apenas nos mortos que não podemos sepultar. Agora, comento benesses da pandemia do bem.

Quando sem pejo afirmamos que, talvez, o que mais estamos constatando, nestes tempos, é o quanto ainda há saberes a aprender. Isso não é falsa modéstia. Em cada live ou curso que assisto resta um sabor: preciso aprender mais sobre isso.

Há um bonito aprendizado (sei que estou parecendo piegas nesta adjetivação!) que muitos estão praticando. Não raro, o fazendo de maneira (quase) inconsciente: a disseminação do conhecimento.

O uso desta ação verbal, não refiro sem evocar o brado (quase insano) que me alvejou uma colega, ainda no ocaso do segundo milênio. Éramos um grupo de editores de revistas acadêmicas em uma reunião institucional. “Como usas o verbo disseminar, excluindo nós mulheres que não disseminamos, pois não temos sêmen, logo não disseminamos conhecimento!” Senti-me abobalhado. Jamais fizera esta exclusão a mulheres. A situação não fora muito diferente da reação (mais recente) ao verbo clarear ou clarificar (uma questão) seja uma ação igual a de branquear, lida como antônimo de denegrir.

 Mas volto a questão heliocêntrica: manifestar gratidão àquelas e aqueles que, com generosidade, fazem de maneira continuada disseminação do conhecimento. Isto ocorre seja alertando acerca de uma live ou de um curso ou ainda, de maneira emocionada distribuindo os saberes que detêm.

Já, há quase um ano, se tem comentado que os tempos pandêmicos anteciparam/antecipam fazeres (ensino híbrido, homework, vivendas de veraneio se fazendo moradas cotidianas...) que de repente se fazem realidades. Nenhum dos fazeres antes citados e ainda alguns outros são rigorosamente novidades. Mas o seu uso (quase avassalador) mudou/muda/mudará a mossa maneira de estar no Planeta Terra!

Como comentara na última edição deste blogue, não foi sem emoção que participei, há uma semana, durante quatro dias do Seminário Raízes judaicas do cristianismo.

 Vale assinalar que as exigências tecnológicas para realização deste Seminário, de uma maneira muito provável, permitiriam que esta atividade pudesse ter ocorrido com o mesmo formato, já no final do Século 20. Podemos creditar a realização já na terceira década do Século 21, também a pandemia do bem. Agora, um seminário como este, não apenas parece ser, como é uma (quase) surpresa.


O Seminário Raízes judaicas do cristianismo foi organizado e promovido pelo Moriah College, de Jerusalém. O Moriah College é uma respeitada instituição acadêmica de Israel. Mesmo que temas envolvendo as três religiões abraâmicas estejam nas discussões em diferentes cursos, não há um proselitismo em favor de qualquer um dos três mais significativos monoteísmos.

 Há que reconhecer que o Moriah College tem sua sede na cidade considerada santa para as três religiões que têm em livros tidos como de revelação divina a garantia da ortodoxia.

Comento algumas informações do Seminário que participei para dar uma pálida informação do curso. Na noite de quinta-feira, dia 4, durante duas horas, o âncora estando em Jerusalém e o professor no estado de Virgínia, USA, descreveu os evangelhos como literatura judaica. Na sexta-feira, o tema foram os banhos de purificação no primeiro século com professora falando do México. No sábado houve três aulas. Às 10 horas aprendemos acerca da Midrash, como um gênero de literatura rabínica que contém as primeiras interpretações e comentários sobre a Torá Escrita e a Torá Oral (lei falada e sermões, que normalmente formam um comentário contínuo sobre passagens específicas da Bíblia Hebraica. Esta aula se conectou com a das 12 horas que comparou Torá escrita e a Torá oral. Às 15h foi, em minha percepção, a melhor aula: que idioma se fala na região nos tempos de Jesus. Aprendi sobre o aramaico e o hebraico e, também, quem ali falava grego e quem falava latim, com Professor Piñero desde a Espanha. No domingo o mesmo professor ensinou acerca do apóstolo Paulo.

No sábado, 13/02 e nos sete sábados seguintes haverá um curso: Uma aproximação ao Jesus histórico, ministrado desde a Espanha pelo Professor Piñero. Mas vale conhecer um muito variado menu de curso que são disponibilizados: arqueologia bíblica, manuscritos qumran do Mar Morto etc.

Desejei neste blogar contribuir com a disseminação do conhecimento. Se alguém perguntasse com cheguei ao Moriah College, do Moriah International Center [endereço página português: https://moriacenter.com/?lang=pt-br] diria: Não recordo. Certamente estava numa destas dezenas de cards anunciando oportunidades para nosso enriquecimento!

Com votos de sumarento abeberar-se nos muitos ofertórios de saberes que nos são disponibilizados nestes tempos pandêmicos. Ler-nos-emos, provavelmente, na sexta-feira dia 19/02 (eu, talvez afortunadamente, já vacinado!).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

05FEV2021 *** Fúcsia, a preferida!

 

 

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3704

Há muito se tem comentado que os tempos pandêmicos anteciparam/ antecipam fazeres (ensino híbrido, homework, vivendas de veraneio se fazendo moradas cotidianas...) que de repente se fazem realidades. Todavia, não foi sem emoção que iniciei, na noite de ontem um seminário em uma instituição acadêmica em Jerusalém, no qual o professor da primeira aula Isto aconteceu ao participar da primeira aula do Seminário Raízes judaicas do cristianismo. A segunda aula é hoje; amanhã, sábado, haverá três aulas e a sexta e última será no domingo. As exigências tecnológicas permitiriam que esta atividade podesse ter ocorrido já no final do Século 20. Mas, agora não apenas parece ser, como é uma (quase) surpresa.

Para não se dizer que não falei de dissabores catalisados por nosso (des)governo, há sempre novas menos boas. Nosso estar em reclusão, agora, têm outra dimensão: ver postergada a data que o grupo etário que pertencemos.

 Há que aprender a esperar. Por tal falemos de flores.

Nesta semana, à tessitura de um texto com colega — por narrares que poupo meus leitores — fui solicitado a manifestar minha preferência acerca de cores. Minha resposta F Ú C S I A.

Mesmo que há muito tenha agraciado o Daniel com título de o Polímata. Como eu desconhecia suas sapiências acerca da distribuição de cores em uma palheta, o convidei a nos colorirmos na Wikipédia.

 Há uma cor chamada de fúchsia ou também fúcsia, devido à planta com o mesmo nome. Fúchsia é usado como nome alternativo para a cor magenta. A cor é por vezes não muito corretamente chamada de roxo brilhante ou roxo vívido. Uma curiosidade é que o magenta não existe no espectro. É uma ilusão provocada na visão entre os cones receptores de vermelho e azul, que interpretam como a ausência de verde, sua cor complementar. Assim, na mistura de cores como no disco de Newton, vemos a formação da cor branca. É uma cor geralmente relacionada à sensualidade e ao sexo feminino.

O brinco-de-princesa [Família: Onagracee, Nome científico: Fuchsia sp] é entre nós a flor mais conhecida. É uma espécie híbrida obtida a partir de espécies sul americanas de fúcsia. Só na América do Sul existem mais de 200 espécies diferentes de brinco-de-princesa, também conhecida ainda como fúcsia, agrado e lágrima. Despontam praticamente o ano todo e atraem beija-flores como polinizadores. Sua propagação pode ser tanto por sementes quanto por estacas.  

Aprendo na redação deste texto que o brinco-de-princesa é a flor símbolo do Rio Grande do Sul. Ela possui muitas variedades, sendo que tanto pétalas, quanto sépalas podem ser de cores e de formas diferentes. As cores mais comuns são vermelho, rosa, azul, violeta e branco, com diversas combinações.

Fucsina solução com a cor das flores das plantas do gênero Fuchsia. Há quem atribui o nome cientifico, Fuchsia como derivado do sobrenome do médico e botânico alemão, Leonhart Fuchs, nascido em Wemding (1501/1566). Uma explicação alternativa, apontada por David Landes, é que o nome derive da cor do sangue derramado na batalha travada na cidade de mesmo nome, na Itália.

Até sexta-feira!... Vale lembrar: há que aprender a esperar. Iniciamos fevereiro com 1% da população vacinada. Neste ritmo teremos carnavais clandestinos por mais uma meia dúzia de anos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

27JAN2021 *** Alfabetização Científica, pra quê?


 

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3703

Não parece crível. Já é a última edição Janeiro2021. Era para vivermos um ano melhor que o 2020. Parece que o Covid19 não usa o mesmo calendário que os humanos. Meu pai diria: a situação está osca!

Recebi uma pergunta de uma aluna. Dedilhei uma resposta. Das 8 páginas extraio a metade teço a edição de hoje. Eis o excerto que se fez blogar. Não é autoplágio.

Querido professor Chassot,

em primeiro lugar, um abraço saudoso!

A Alfabetização Científica está na centralidade da minha pesquisa de Mestrado e o senhor além de estar referenciado nela em diversos momentos, motivou a escolha do tema. Vou contar-lhe algo: fiz uma revisão de literatura sobre Alfabetização Científica e formação de professores de Química e descobri que o senhor é o autor mais citado, aparecendo quase na totalidade dos artigos!

Quero te fazer uma pergunta e, desde já, peço desculpas se estou sendo ousada ou inconveniente. Ela tem acompanhado minhas reflexões desde o início: Por que os professores de Ciências devem ser alfabetizados cientificamente?

Agradeço se puder responder,

Eude Léia, PPGECM Unifesspa em Marabá.


27/01/2021

Muito querida Eude,

fazes como ofertório um interrogante. Ao preludiares, me encantas com a revelação de minhas referências na literatura. Faço um escambo contigo. faço tessituras para responder o muito relevante questionamento Por que os professores de Ciências devem ser alfabetizados cientificamente?

Por ser um facilitador para responder a tua pergunta convido olharmos o que é Ciência? A Ciência pode ser considerada como uma linguagem / construída pelos homens e pelas mulheres / para explicar o nosso mundo natural. É claro que, responder a uma questão tão complexa em apenas duas linhas pode parecer um reducionismo. Alan F. Chalmer escreveu um livro* de quase 300 páginas respondendo pergunta igual. Eu segmentei minha definição em três partes exigentemente iguais. Mesmo que seja saboroso discutir extensamente cada uma destas três partes (linguagem /construto humano / serventia), para tua interrogação a primeira — uma linguagem — se faz heliocêntrica. A segunda e a terceira parte dariam azo a extensas análise. Talvez acrescentasse lateralmente, com esta definição está explicito que a Ciência não trata do mundo sobrenatural!

Adito ainda que esta não é uma definição para uma Ciência escolar. Já falei em auditórios de pesquisadores alienígenas à área da Educação onde esta mesma definição tem muito bom trânsito.

Agora me restrinjo ao primeiro dos três segmentos: A Ciência pode ser considerada como uma linguagem. Poderia encerrar a resposta a teu questionamento aqui e agora, assim: Se a Ciência é uma linguagem ser alfabetizado cientificamente é entender (= falar, ler e escrever) esta linguagem.

Queria te convidar para vivenciares alguns locais que me esmero em te propor. Neste périplo a cinco locais (poderia te sugerir cinquenta) tu não és expectadora apenas. O convite é que os vivencie mais intensamente possível e os usufruas ao máximo, até porque vais ficar pouco tempo, em cada um de lugares admiráveis.

1.- Uma visitação a estações do metrô de Moscou. Algumas estações do centro da cidade são verdadeiras obras de arte, com esculturas, tetos, pisos luxuosos e lustres maravilhosos, todos da época em que o Comunismo ainda ditava as regras no país. Construído com a ajuda de milhares de trabalhadores e também de voluntários. “Os ricos já tiveram muitos palácios... agora é vez do povo tê-los”.

2.- Fazer uma conexão em voo doméstico em Chiang Mai, uma cidade da Tailândia. O tempo de conexão permite conhecer uma vibrante cidade que tem uma força histórica por ter uma importante situação estratégica na rota da seda, sendo hoje um grande centro de artesanato e ourivesaria.

3.- Estar no Muro das Lamentações em Jerusalém, no final de tarde de uma sexta-feira, quando está começando o shabath. O Muro das Lamentações ou Muro Ocidental (Qotel HaMa'aravi הכותל המערבי em hebraico) é o segundo local mais sagrado do judaísmo, atrás somente do Santo dos Santos, no monte do Templo. Trata-se do único vestígio do antigo Templo de Herodes, erguido por Herodes, o Grande no lugar do Templo de Jerusalém inicial.

4.- Chegando de improviso (por perda de conexão, e precisando procurar hotel em Sarajevo (pronunciado em bósnio, croata e sérvio: [sǎrajeʋo]; em alfabeto cirílico: Сарајево). É a capital e a maior cidade da Bósnia e Herzegovina. Sarajevo é considerada uma das cidades mais importantes dos Península Balcânica e tem uma rica história desde que foi fundada em 1461 pelos otomanos.

5.- Para encerrar nosso tour chegamos a uma charmosa cidadezinha no Sul da Holanda, que usualmente é citada nas minhas aulas de História da Ciência, por dois de seus filhos ilustres. Estamos em Delft a 15 minutos em trem de Rotterdam. Um pintor neerlandês muito famoso do século 17, Johannes Vermeer, (já estamos lembrando da Mulher com o brinco de pérola) nasceu e viveu toda a sua vida na cidade de Delf, e era amigo de Antonie van Leeuwenhoek, um dos precursores da observação microscópica no século 17, nasceu e viveu em Delft. Vale aproveitar para ver os antiquários e as porcelanas azuis, tão típicos da Holanda (e originários de Delft!).

Posso fácil imaginar o quanto nosso périplo foi encantador. Poderia ter sido melhor? Sim. Houve uma mesma restrição genérica e quase uma dezena de restrições especificas. Confere?

A restrição genérica (= a linguagem): as repetidas limitações nas possibilidades de comunicações — nas cinco visitações — por fala, entendimentos das chamadas sonoras em aeroportos, ferroviárias. O acesso a revistas, jornais, filmes e informações em museus etc.

As restrições especificas (= as diversas linguagens): se soubéssemos russo em Moscou. Perdemos por não fruir mais em Chiang Mai por não sabermos tailandês. Certamente não sabermos hebraico ou árabe trouxe perdas na nossa estada em Jerusalém. Sarajevo teria muito mais aprendizagens se soubéssemos bósnio, croata ou sérvio. A nossa estada em Delft, se soubéssemos holandês, nos ensejaria conhecer melhor o Século 17 e as artes dos grandes pintores neerlandeses.

Tenho, agora, um convite muito diferente. Falemos numa cozinha. Dias antes de começar esta pandemia, Lilith — uma colega de priscas eras — me enviou um WhatsApp. “Fui presenteada com meia dúzia de garrafas de cervejas artesanais. Sinta-se convidado para vir a minha casa amanhã para uma degustação!” “Convite aceito! Levo uma paleta de ovelha já marinada para assar!” À meia tarde, estava na casa de Lilith, para assar um presente que recebera.

Após festejarmos reencontros perguntei: Preciso saber onde encontro cebolas? Lilith respondeu: “No refrigerador na gaveta abaixo do congelador!” Descasquei e fatiei três cebolas e as coloquei junto com a paleta que já estava no forno. Estava com um bom assunto engatado. Por que choramos ao cortar cebola? Foquei no assunto e questionei, trazendo logo o meu interrogante: por quê tu e eu usamos colocar a cebola no refrigerador para não chorar ao descasca-las e ao fatia-las?

Uma muito boa pergunta é feita para quem, por anos, lecionou bioquímica nos cursos da área da saúde! Mas respondo tua pergunta com uma outra pergunta, à moda jesuítica**[1]: por que nós choramos quando descascamos cebolas, sem colocar as mesmas antes no refrigerador?

Minha resposta não é difícil, mesmo que seja quase incompleta: porque se não protegermos olhos, chega aos mesmos algo que está no estado gasoso e nos irrita. Nota 4, numa escala de 0 a 10, para tua resposta. Para um professor universitário — mesmo que sejas da área soft, divisão que eu sei que tu abominas (e eu também) — é muito pouco! Tu sabes — para facilitar respostas melhores que há outras maneiras — além de colocar a cebola no congelador, para não chorar — nós temos pelo menos três alternativas, que deixo de referir agora — mas todas baseadas em uma mesma explicação.

Voltemos a questão heliocêntrica: por que nós choramos quando descascamos cebola, sem colocar as mesmas antes no refrigerador? Uma provável explicação está no sulfóxido de tiopropanal, um gás de uma chamada função mista, formado no corte de vegetais como a cebola que gera um ácido, em contato com a água dos olhos. Esse composto, inicialmente, não existe na estrutura da cebola, mas a sua formação ocorre quando a descascamos e/ou fatiamos, pois, nesse momento, as células desse vegetal são quebradas e há a liberação de enzimas chamadas alinases e um grupo de compostos chamado de sulfóxidos-S-alquenil cisteína.

Os compostos desse grupo estão separados em diferentes partes da cebola, mas depois de cortá-la, eles entram em contato e interagem por meio de reações complexas que são catalisadas pela enzima alinase. Resumidamente, entre os compostos formados, há os ácidos sulfínicos, que são bem instáveis e logo convertem-se no sulfóxido de tiopropanal, que é o aldeído da lágrima.

Visto que esse gás é volátil, ele entra em contato com a umidade de nossos olhos e transforma-se em uma espécie de ácido bem fraco, que causa o ardor nos olhos. Assim, como um mecanismo de proteção, as terminações nervosas das córneas fazem as glândulas lacrimais produzirem as lágrimas. Contudo, isso só piora a situação, porque há mais água para reagir com o sulfóxido de tiopropanal e formar ainda mais ácido.

Depois desta explicação de um saber primevo, detido, por exemplo, por cozinheiras, encontramos — como (na explicação trazida) para não chorarmos ao descascar cebolas — mediado por saberes acadêmicos explicações para a facilitação para abrir a tampa metálica que fecha um vidro de conservas ou uma explicação à recomendação de minha mãe em minha infância: “Tem que colocar o sal amoníaco em uma vasilha bem fechada, se não ele foge!” Ou ainda porque para apagar uma vela ou avivar ou braseiro, usamos o mesmo procedimento: assoprar.

Depois de fazer evidente como o saber (falar, ler, escrever...) diferentes idiomas pode ser facilitador para (con)vivermos no Planeta Terra e isto tem igual valia no que se refere quanto ao conhecer Ciência. Não preciso ter a expertise em bioquímica como Lilith, mas se entendo como moléculas de uma substância volátil (presente na cebola) se colocadas sob baixa temperatura, cristalizam parece que está respondida a pergunta: Por que os professores de Ciências devem ser alfabetizados cientificamente? 

*****************

* Alan F. Chalmers O que é essa coisa chamada Ciência? ou no original What Is This Thing Called Science? (São Paulo: Brasiliense, 1993).

** É quase senso comum que os jesuítas sempre que perguntados acerca de algo, respondem com outra pergunta. Comprovei isso. Quando lecionava na Unisinos, um dia perguntei ao hoje reitor: Padre Marcelo, é verdade que quando se pergunta algo a jesuíta ele responde com outra pergunta? Silêncio sonoro e obsequioso” Professor Chassot, quem te contou isso?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

22JAN2021 *** A ABSTINÊNCIA terminou

 


 

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3702

Há dez meses, quando pela primeira vez aprendíamos sobre (e praticávamos) distanciamento social, minha colega Andréia Salgueiro, da Unipampa, dizia: Há agora um tempo para aprendermos a chorar. Agora, quando com tanta frequência somos chamados a lutos, os ensinamento da Andréia são evocados. Esta tarde soube da morte da Sandra Corazza, da Faculdade de Educação da Ufrgs. Era uma muito brilhante professora. Tomado de tristeza, esta edição se transmuta em uma tênue homenagem a uma muito admirada polemista.


Depois de cinco extensas semanas (algumas destas queridas; outra imposta) hoje ocorre, uma vez mais, uma participação minha em uma live. A última — 88ª — fora na mesma data (18/12/2020 da última edição deste bloque no cruento 2020) em que começara o recesso. Se o retiro ferial tinha o sabor da desobriga de produzir o blogue em cada uma das 4 semanas no entorno da tão esperada virada 2020/2021, a abstinência de lives, que se espraiou uma semana além do recesso, não foi algo trivial.

Foi difícil. De maneira usual não me envolvo em dimensão persecutória. ‘Não gostam mais de mim!’ Mas, aflorava um interrogante: por que aquela livecização que durante sete meses de uma média de 12 lives por mês se extinguira. Se esgotara a minha possibilidade de disponibilizar saberes?
Há, não raro, uma postura egoísta: se na minha casa falta energia elétrica, quero saber se o mesmo ocorre na vizinhança. Se o mesmo ocorre com outros, sofro menos. Sei que não preciso buscar solução.

Quando vivia, não sem dificuldade, meu jejum livial, vi que os convites (para assistir o mentefato cultural que me ejectara do ostracismo) eram raríssimos, se comparados com tempos que nossas agendas viviam um estufar. Não era apenas na minha horta que não chovia.

Quando hoje realizo a 1ª live (ou a 89ª no computo geral) agradeço aos colegas do IFPI que ensejam esta desejada retomada. A trazida aqui deste evento me enseja disponibilizar um dezena de títulos que podem ser solicitados. Em www.professor.pro.br Agenda Lives há um excerto de algumas das realizações de 2020. Fiz destaque a atividades: a 1ª / a 88ª (que é o mesmo tema da 89ª) / aquela com o Lama / as repetidas Religião e Ciência / a dose tripla do dia 26/11 quando nas lives da manhã e da tarde se superou 6 mil participantes / a fita azul: ‘Assestando óculos para ver o mundo natural’.

 A consulta a esta página evidencia, também, a possibilidade de se solicitar um minicurso de História da Ciência com seis encontros. Quaisquer das atividades podem ser públicas (quando através de um card se convida a todos que quiserem/puderem assistir) ou privada {quando uma instituição ‘encomenda’ um seminário ou curso para diferentes níveis de escolarização (do ensino fundamental a pós-graduação; excluída a Educação infantil)} . Há a possibilidade de certificação das atividades, sendo a responsabilidade para tal da instituição que promove a atividade.

Parece dispensável referir que toda e qualquer solicitação é totalmente gratuita. Basta solicitar pelo correio eletrônico: achassot@gmail.com ou por WhatsApp 51 99372 4372

Para não se dizer que não falei de desgovernos, na Amazônia (não apenas no estado do Amazonas) continua a falta de oxigênio e de insumos básicos prossegue há duas semanas. Parece ser hora de mandar Pazuello para a reserva, para aprender a fazer regra de três. Dois milhões de vacina permite vacinar 1% da população brasileira.

A desorganização planejada e o descaso não são exclusividades do Ministério da Saúde e da diplomacia brasileira. Na educação ocorre o mesmo. O primeiro dia do Enem ocorrido no domingo (17) teve tudo o que já se esperava: altíssimo índice de abstenção — superior a 50% dos inscritos — aglomeração, e estudantes impedidos de fazer a prova por falta de espaço na sala. Porém, o evidente fiasco não intimidou o ministro da Educação, Milton Ribeiro, que considerou a primeira prova "vitoriosa". Ele reiterou ainda que não considera a possibilidade de cancelar a segunda etapa do exame, agendada para o próximo domingo, dia 24.

Lemo-nos, talvez, na próxima sexta-feira, ainda não vacinados.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

15JAN2021 *** Sidnei, agradecido pelos saberes tecidos juntos

 

 

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3701

E... passou quase um mês da última edição deste bloque em 18/12/2020. Voltamos a circular, quando já passou a metade do primeiro mês deste ainda desacostumado 2021, por ora nada melhor que o 2020. Foram quase 30 dias excepcionais aqueles que passamos mais distantes, mesmo que a cada dia o blogue manteve a sua frequência de entorno de 100 acessos (talvez, uns 10 leitores). Sei ser um número modesto ante aqueles com milhares de acessos. Mesmo sem sair, por estes dias (nem para o confraternizar com familiares) parece que me irmanei, como nunca dantes, nesta tão esperada virada de ano (em férias).

Se anunciasse que contaria uma piada (ou que assumo o papel de falastrão de bobo da corte), eu teria mais crédito. Eis uma não-anedota: O avião da Azul, com destino à Índia para buscar vacinas vendidas ao Brasil (por ser o primeiro ministro indiano amigo do presidente da República) retardou em um dia sua viagem porque era preciso antes adesivar o avião com propaganda do governo.

É evidente que nas quatro semanas silentes muito ocorreu. Havia organizado uma coletânea de pingos e respingos do período. Cessa tudo! Surge tristeza maior.

Nos dias que se fez recesso sofri várias perdas daqueles labelados como da área acadêmica. Uma perda, dolorosa de maneira particular, pela imprevisibilidade. A pranteio, aqui e agora.

Na noite desta quarta-feira, Gerson Mol, Presidente da Sociedade Brasileira de Ensino de Química - SBEnQ informava com profunda tristeza a partida repentina do associado e Diretor de Comunicação, Professor Doutor Sidnei Quezada Meireles Leite, Professor Titular do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) e pesquisador reconhecido pelas grandes contribuições dadas na formação de recursos humanos e produção de conhecimento na área de Educação e Ensino de Química. Atualmente, Sidnei se encontrava em plena atividade na SBEnQ, trabalhando no lançamento da Revista da Sociedade Brasileira de Ensino de Química - ReSBEnQ, como um dos editores chefes. Em mensagem para a equipe da revista, no final do ano Sidnei escreveu: “Eu desejo de coração que 2021 seja melhor, com a oportunidade de virar a página da vida, com a oportunidade de ser feliz. Tenha esperança. Que seja um ano sem Covid. Que tenhamos vacinas de fato e não fiquemos só olhando para as telas pensando o que poderíamos ter. Que a ciência vença. Que o amor vença. Que a vida vença. Seja feliz. Feliz 2021”.

Soube, por amigos do IFES (Agradecido, Manuella!), nesta quinta-feira, da tristeza pela partida do Sidnei, ainda tão novo (com 54 anos) e de forma tão repentina. Tinha ido visitar a mãe e estava voltando do RJ para o ES de carro. Passou mal na estrada. Foi para um hospital na segunda-feira. Na terça de manhã, seus colegas do IFES souberam que estava na UTI em estado gravíssimo, à noite faleceu. Ontem, quinta-feira foi o enterro. Colegas narraram o quanto estão todos imersos em dor. Ele foi o principal responsável na aprovação do Doutorado no IFES. A primeira turma começa em fevereiro. Vai ser difícil sem ele!

Eu vou recordar sempre o gentleman que me recebia em Vitoria e das emoções em subirmos a pé, até o convento da Penha em Vila Velha. Tenho em minha casa, mobile com dobraduras feitas por ele. Lembrarão o amigo que partiu muito cedo, antes do tempo. O Sidnei existe porque nós narramos suas histórias. “Querido amigo e colega! Os muitos aprendizados juntos hão de adensar saudades!”