TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

10.- A CORUJA DE ATHENA

ANO
 8
em fase de transição
EDIÇÃO
 2648

Nesta quarta-feira, fui presenteado por um leitor muito presente neste blogue com uma escultura em resina de uma coruja e uma corujinha. O Vanderlei Goularte Farias, aluno do Programa de Pós Graduação em Educação da URI, Campus Frederico Westphalen comoveu-me com seu mimo, que agora inspira meu ‘scriptorium’.
Na foto elas se assentam sobre um isolante de vidro de algum poste de energia elétrica ou de rede telegráfica, em uso há cerca de ¾ de século na Estação Jacuí, onde nasci. Postes, muitas vezes, são locais de pouso para as atentas corujas.
Este presente me faz evocar o saudoso colega Luís Carlos de Mesquita Rottmann que colecionava imagens de corujas. Catalisado pela generosidade do Vanderlei, que também me brindou com saboroso vinho de sua produção, trago algo sobre o significado da coruja na mitologia grega.
A Coruja e a Sabedoria Não é por acaso que a Coruja é tida como um símbolo de sabedoria em diversas culturas, pois ela pode ver o que os outros não conseguem: a essência da verdadeira sabedoria. Onde outros se iludem, a Coruja percebe com precisão o que realmente ali se encontra, já que é uma excelente conhecedora dos segredos da noite.
A coruja da filosofia é a Coruja de Minerva. Minerva é uma deusa romana e seu equivalente grego é Athena. Athena, a deusa grega da sabedoria, possuía uma Coruja de estimação que permanecia sempre em seu ombro e lhe revelava as verdades invisíveis. Essa Coruja tinha o poder de iluminar o lado obscuro da deusa, capacitando-a a perceber toda a verdade e não apenas aquela parcela da verdade que podia discernir sem seu auxílio. Em função disso a coruja ficou associada à deusa da Sabedoria. Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e a proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para O Todo.
A coruja tem a capacidade de ver uma quantidade de luz 100 vezes a mais que o ser humano. Ela também tem uma ótima audição. A disposição de seus olhos permite uma ótima percepção do relevo e da distância. A coruja é capaz de piscar um olho e também girar a cabeça até três quartos da rotação total, para poder enxergar as coisas que estão ao seu lado. Assim como muitas aves, são animais muito fiéis ficando juntos até o fim da vida.
Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Athena é irmã de Apollo (Sol). É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.
Com apoio de www.iq.ufrj.br/descomplicando-a-quimica/ 328-a-coruja-e-a-sabedoria.html.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

09.- RETORNO À SERENDIPIDADE

ANO
 8
Em trânsito
Frederico Westphalen/Porto Alegre
EDIÇÃO
 2647

Quando esta edição entrar em circulação estarei retornando à Porto Alegre depois de minha jornada de dois dias: um, na capital do Oeste Catarinense e outro, em uma das cidades mais importantes do Alto Uruguai gaúcho. A sensação deste retorno é de missão comprida e cumprida tanto na UFFS em Chapecó ena URI de Frederico Westphalen. As mais de seis horas de ônibus de agora serão propícias para embalar sonhos de uma esperada (próxima) viagem de 23 dias de férias que dentro duas semanas deve estar começando.
Esta é a 11ª blogada acerca de serendipidade (6 a partir de 14 de dezembro de 2013 + 5 da série iniciada dia 2) e que se conclui hoje. Esta edição estava programada para segunda-feira, dia 6. Então, surgiu um assunto imprevisto: era preciso colaborar a um basta ao consumo exagerado de vitaminas, e a edição de encerramento (provisório) de temas serendípicos foi postergada para hoje. Antecipo que teria assuntos, dentro desta perspectiva de descobertas casuais para mais algumas dezenas de blogadas.
Hoje vou trazer dois eventos marcados por serendipidade bastantes conhecidos e por tal não vou trazer detalhes como historiei os anteriores. A fonte é o livro A ciência através dos tempos, no capítulo 11, que analisa um dos mais férteis períodos da Ciência: a virada dos Séculos 19/20. Preciso referir que quando relatei ali os dois eventos: descoberta do Raio X e descoberta da radioatividade natural, não referia a classificação de eventos serendipitosos, pois a desconhecia classificar assim eventos científicos, onde o acaso (ou a sorte ou o não previsto) marca a descoberta.
Os raios X, que também são conhecidos como raios Röntgen ou Roentgen, foram descobertos por Wilhelm Conrad Röntgen (1865-1923), quando, em 8 de novembro de 1895, trabalhava com uma válvula de Hittorf, totalmente coberta por uma cartolina preta em uma sala escura. A certa distância havia uma folha de papel tratada com platinocianeto de bário e usada como tela, que inexplicavelmente começou a brilhar, com emissão de luz. 
Algo devia estar atingindo-a para que brilhasse. Röntgen, surpreso com o fenômeno, pôs-se a pesquisá-lo. Colocou vários objetos entre a válvula e a tela e todos pareciam transparentes. Quando, acidentalmente, sua mão passou em frente à válvula, viu os ossos da mesma na tela. Estava descoberta uma radiação desconhecida: os raios X.
Röntgen repetiu as experiências e elaborou um relatório preliminar à Sociedade Físico-Médica de Würzburg. A descoberta dos raios X logo causou comoção no mundo científico, pois, mesmo entre médicos, havia alguns que faziam restrições às intervenções cirúrgicas, pois o bisturi poderia cortar a alma. A descoberta desfez os preconceitos. Röntgen foi convidado a fazer conferências sobre sua descoberta em vários lugares, mas sempre recusou por falta de tempo, pois precisava encontrar a explicação para o fenômeno. Passaram-se dezesseis anos, até que os trabalhos de Max von Laue e de Friedrich e Knipping esclarecessem dúvidas a respeito dos raios X. Röntgen foi o primeiro laureado com o Prêmio Nobel de Física, em 1902.
A radioatividade foi, muito provavelmente, a mais revolucionária e a mais emocionante descoberta do fim-de-século. Entre aqueles que receberam relatos e fotografias das descobertas de Röntgen estava um grande matemático francês, Henri Poincaré, que acompanhava com grande interesse os progressos da física. Poincaré mostrou fotografias obtidas por raios X em uma das reuniões semanais da Académie des Sciences, em 20 de janeiro de 1896, e Henri Becquerel (1852-1908) ficou muito impressionado, considerando a possibilidade de o fenômeno relacionar-se com seus trabalhos de fluorescência.
Após conhecer os trabalhos sobre raios X, Becquerel, que descendia de uma família que, havia quatro gerações, projetava físicos de renome, repetiu vários experimentos com sais de urânio e descobriu que estes emitiam radiações que impressionavam chapas fotográficas como os raios produzidos por Röntgen. A princípio acreditava que esses sais emitiam radiações por terem armazenado energia luminosa, mas posteriormente verificou que isso ocorria mesmo em dias nublados. Becquerel havia guardado a amostra pois a luminosidade não era propicia. Por acaso examina o filme que tinha deixado junto com a amostra e este (mesmo sem esta ter sido exposta ao sol, já estava impressionado. Isto é, os sais de urânio emitiam raios capazes de penetrar em papel negro, tivessem ou não sido expostos à luz do Sol. Logo em seguida Becquerel descobriu que esses raios não apenas escureciam chapas fotográficas, como ionizavam gases, transformando-os em condutores. Era assim possível medir a atividade das radiações de uma amostra através da ionização produzida.
Becquerel recebeu — junto com o casal Pierre e Marie Curie —, o prêmio Nobel de Física em 1903.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

08.- DESDE FREDERICO WESTPHALEN

ANO
 8
Frederico Westphalen - RS
EDIÇÃO
 2646

Cheguei a Frederico Westphalen, procedente de Chapecó às 20 horas da noite de ontem; as cerca de 2 horas de viagem com o Paulo, foram valiosamente aproveitadas. Não é sempre que se tem um motorista bacharel em direito e que já esteve três vezes na França. Gostei de aprender sobre a igreja do Evangelho Quadrangular que só em Chapecó tem 38 templos.
As atividades na UFFS aconteceram como o programado, sendo que a videoconferência entre os demais cinco campi envolveram professores, alunos e funcionários. Na mesa tive o prestígio de ser ladeado pelos professores Sergio Martins e Paulo Radin. Sou reconhecido especialmente a Suianny Francini Luiz Michelon, Secretária Executiva da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, pelo grande apoio oferecido.
Não tive muita habilidade no incluir na fala os participantes de Realeza, Laranjeiras do Sul, Erechim, Passo Fundo e Cerro Largo. Falava mais para o auditório presencial de Chapecó, que me dava retorno permanente com a interação direta.
Minha quarta-feira é integralmente envolvida com a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões — URI Campus de Frederico Westphalen. Minhas atividades aqui são decorrente de meu vínculo profissional com Programa de Pós-Graduação em Educação.
Tenho sessões de orientações individuais com minhas quatro orientandas: no turno da manhã trabalho com a Quiélen Rosa Souza Albarello e com a Izaura Ceolin dos Santos. A primeira investiga a interrogação: Um olhar sobre a Matemática: gosto ou pavor? Tendo já tem sua dissertação qualificada. A segunda, licenciada em Química constrói um projeto de dissertação onde procura inserir o ensino de Química em ações indisciplinares.
À noite tenho sessões de orientação com a Silvia Daiana Parussolo Boniati e com Camila Guidine Camargo; uma e outra já têm suas dissertações qualificadas. A Sílvia tem como interrogante de pesquisa: A influência da progressão continuada na avaliação da aprendizagem de alunos do 1º ao 3º ano do ensino fundamental: uma possibilidade de emancipação?
A Camila, considerando que a URI está inserta em região com reservas indígenas estuda a presença dos mesmos enquanto alunos de diferentes cursos da universidade.
À tarde participo de uma defesa de mestrado cujo convite a seguir transcrevo. Esta publicação é tradução de minha admiração à Juliana.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

07.- INAUGURANDO FORMALMENTE O 2014 ACADÊMICO


ANO
 8
em fase de transição
EDIÇÃO
 2645

Agora, há sinais concretos de estarmos a pleno no novo ano. O recesso natalino passou. Para marcar 2014 (que alguns colocam como ano improdutivo: carnaval em março / copa do mundo / eleições) inicio minhas usuais viagens. Há um detalhe nesta de hoje: ela é a única que tenho antes de iniciar uma muito curtida viagem de férias que se estenderá de 22 de janeiro a 13 de fevereiro.
Hoje viajo pela manhã a Chapecó e à noite vou da ‘capital do Oeste Catarinense’ à Frederico Westphalen, no Médio Alto Uruguai. Esta manhã e tarde tenho atividades na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) que serão simultâneas, através de videoconferência, nos seis campi: Chapecó (SC) — sede da Reitoria — Realeza e Laranjeiras do Sul (PR) e Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo (RS).
A UFFS é uma muito jovem instituição de ensino superior pública criada em 2009, a UFFS abrange cerca de 400 municípios da Mesorregião Fronteira Mercosul – Sudoeste do Paraná, Oeste de Santa Catarina e Noroeste do Rio Grande do Sul.
Historicamente desassistida pelo poder público, especialmente com relação ao ensino superior, esta região sonhava com uma universidade federal há décadas. Não é sem razão, como me informou, em outubro do ano passado, o vice-Reitor da UFFS, que 87% de seus alunos pertencem  à primeira geração que chega à Universidade. Esta é mais uma das quase duas dezenas de Lula-Universidade, criadas nos dois mandatos do presidente Lula.
Esta já é minha terceira vez na UFFS em Chapecó. Também já estive no Campus de Cerro Largo. A primeira vez foi em 26 de outubro de 2010, a segunda em 10 de outubro do ano passado. Hoje, minha fala ‘Na busca de fazer ciência também na sala de aula’ esta inserta no III Módulo do Programa de Formação em Pesquisa e Pós-Graduação da UFFS.
É preciso reconhecer que estes repetidos convites são muito mais catalisados por relações de amizade do que por competência profissional do convidado.
Já referi mais de uma vez, que quando vamos a uma instituição onde nossos ex-orientandos atuam, é quase como visitar a ‘casa de um filho’. Na UFFS o Diretor Acadêmico é o Antonio Valmor de Campos, que em 2005/06 defendeu sua dissertação de mestrado: — uma das produções que mais me gratificou enquanto orientador de mestrandos e doutorandos.
A dissertação do Antônio se fez livro MILHO CRIOULO: SEMENTES DE VIDA: pesquisa, melhoramento e propriedade intelectual [Frederico Westphalen: Editora da URI, 2007, 270p. il. ISBN 978-85-85889-98-2]  do qual com muito orgulho fiz o prefácio. Destaco, no mesmo, três dimensões da pesquisa: 1) que agricultores que cultivam milho crioulo possam ser reconhecidos como pesquisadores; 2) que estes agregam valor às sementes que beneficiam; 3) e, por esta razão, detêm propriedade intelectual sobre as sementes que melhoram geneticamente.  
Também por isso será bom estar hoje em Chapecó. Inauguro, também, com esta fala, de maneira formal, meu 54º ano de magistério. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

06.- ¿VITAMINAS? ¡JÁ BASTA!

ANO
 8
em fase de transição
EDIÇÃO
 2644

Dizer-se ser hoje o primeiro dia útil de 2014 é um certo exagero. Basta que olhemos os muitos fazeres que já houve nestas primícias de 2014.
Nesta blogada vou seguir a admoestação de nosso vate maior: “Cesse tudo quanto a musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta!” A 11ª blogada serendipitosa, programada para encerrar duas séries, vai ser postergada para outro dia desta semana. Há um assunto que destrona a proposta que fizera aqui dia 2.
Hélio Schwartsman, já mais de uma vez presente neste blogue, publicou na Folha de S. Paulo, na  Página A2 da edição de sábado, dia 4, um texto, com razão, determina alteração de pauta. Assumo radicalidade na decisão. Transcrevo o texto do filósofo-cronista, sem aditar qualquer comentário; exceção para as duas imagens:
Vitaminas na berlinda: Com uma veemência difícil de encontrar em periódicos científicos, o editorial da última edição de "Annals of Internal Medicine" não só pede que as pessoas parem de utilizar suplementos de vitaminas como sugere que não se dediquem muito mais recursos a novas pesquisas nessa área. Para os editores da publicação, exceto para subgrupos específicos, o caso das vitaminas já está encerrado.
O editorial, intitulado "Enough is enough" (já basta), acompanha a publicação de três estudos que mostram que o uso de suplementos é, na melhor hipótese, um desperdício de dinheiro. O primeiro trabalho, envolvendo 400 mil participantes, indica que multivitamínicos não previnem doenças cardiovasculares, câncer nem reduzem a mortalidade geral. O segundo acompanhou por 12 anos quase 6.000 idosos e concluiu que suplementos não melhoram a performance cognitiva. O terceiro revelou que vitaminas não previnem eventos cardiovasculares em pacientes que já haviam sofrido infarto.
Os editores de "Annals" lembram que existem trabalhos mostrando que alguns micronutrientes, notadamente betacaroteno e vitamina E, na verdade aumentam a mortalidade.
Para eles, já passa da hora de os médicos transformarem essa ampla coleção de evidências em ações, aconselhando as pessoas a parar de tomar suplementos, a menos, é claro, que sofram de alguma deficiência nutricional que exija reposição.
Não obstante, o consumo de vitaminas vem crescendo em todo o mundo. Na verdade, esse se tornou um filão especialmente atrativo para laboratórios e para algumas pseudoespecialidades como a medicina ortomolecular e a antienvelhecimento. No mundo de hoje, não dá mais para fazer medicina com base em filosofias. É preciso curvar-se às evidências e, no caso das vitaminas, elas já deram o seu veredicto.
Agradeço a Esper Kallás, que me chamou a atenção para os trabalhos.