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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

24.— UMA CONURBAÇÃO BINACIONAL

ANO
 8
ANNEMASSE França

EDIÇÃO
 2662

Esta postagem não agrega mais um pais, pois nestes 7,5 anos de blogue já houve outras postagens francesas. A estas se adita: Annemasse, a 29ª cidade no exterior onde este blogue já foi postado.
As três etapas da viagem Porto Alegre/Guarulhos/Paris/ Genebra foram boas. A chuvarada de São Paulo na noite quarta-feira atrasou em quase duas horas a partida, que determinou tivéssemos perda em Paris de conexão para Genebra. Situação facilmente resolvida, dada a muito frequente voos entre as duas cidades.
O voo de 10h40min entre Guarulhos não só é desconfortável por sua extensão (=quase 9500 km), mas pelas acomodações na classe econômica onde mais de 200 pessoas são amontadas, numa situação muitíssimo díspar da 1ª classe. Neste trecho tivemos a companhia de bailarinos da Sociedade Masculina de São Paulo, que vinham a França para turnê. Tivemos excelente papo com o Luciano, conhecendo, um pouco, um mundo muito desconhecido.
Ontem o polímata Guy agradeceu a referência à palavra ‘conurbada’. Isso catalisou ampliar um pouco este detalhe geográfico.
Estamos em Annemasse cidade conurbada (o robô que vigila minha escrita, como não sabe o que é conurbada insiste que deva escrever conturbada) com Genebra.
Conurbação é um termo que designa a unificação das malhas urbanas de duas ou mais cidades, que passam a formar um aglomerado urbano contínuo, mantendo, entretanto, suas autonomias politico-administrativas .
Geralmente, mas não obrigatoriamente, este processo dá origem à formação de regiões metropolitanas. Os países capitalistas desenvolvidos foram os primeiros a apresentar esse tipo de espacialização do fenômeno urbano. Londres, Nova Iorque, Paris, Tóquio, mesmo antes da Segunda Guerra Mundial, já apresentavam intensos processos de conurbação.
Talvez, pudéssemos falar de três níveis de espaços geográficos conurbados: intraestadual, interestadual e internacional.
Para o primeiro nível (intraestadual) temos muitos exemplos. No Brasil a Região Metropolitana de São Paulo é um exemplo muito significativo de grande conurbação que continua a aumentar entre seu os 39 municípios. Numa homenagem ao Guy, que trabalhou em Cachoeirinha, poderia exemplificar que esta é conurbada com Porto Alegre.
Interestadual: Há varias situações: exemplifico com a cidade de União da Vitória no Paraná, que faz divisa com Porto União, no estado de Santa Catarina, através de uma linha férrea e também pelo Rio Iguaçu. Essa divisão entre as duas cidades, forma um único núcleo urbano de aproximadamente 86 mil habitantes, sendo conhecida como as "Gêmeas do Iguaçu"
Internacional: há casos curiosos de conurbações que se desenvolveram junto às linhas de fronteira de diferentes países. Além do espaço onde vivo nestes dias, recordo o caso das cidades de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, no Brasil, e Rivera, sede do departamento de mesmo nome, no Uruguai. O conjunto urbano das duas cidades, denominado tradicionalmente de "Fronteira da Paz", tem mais de 170.000 habitantes que vivem de forma integrada. É comum, por exemplo, usar o sistema de educação ou de saúde pública de uma ou da outra cidade. O comércio tem especialidades que levam o consumidor a procurar lojas no Brasil ou no Uruguai além de serem muito frequentes os casamentos "mistos" (entre cidadãos dos dois países). A divisão entre as duas cidades é feita por linhas imaginárias traçadas ao longo da malha viária e se estende por muitos quilômetros. Por isso, muitas vezes é difícil para um turista perceber que uma calçada de determinada rua se encontra em um país enquanto que a calçada em frente está no outro.
Quanto à situação local da aglomeração urbana franco-suíça de Genebra-Annemasse — ou para ser mais exato aglomeração franco-valdo-genebresa — que está a sudoeste do Lago Léman, vale destacar esta conturbação envolve mais uma dezena de comunas suíças e francesas, formando extenso e continuo aglomerado humano boa parte do qual pude ver ontem à tarde. Como a Suíça é muito pequena vale recordar que os cantões (estados) e as comunas (municípios ou cidades) são bastante pequenos.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

23.— MAIS UMA VEZ CRUZANDO MARES

ANO
 8
Guarulhos / Paris / Genebra

EDIÇÃO
 2661

Quando este blogue entrar em circulação, já terão transcorrido quase 3 horas das mais de dez do voo à Paris e estarei vivendo o segundo dia da viagem anunciada aqui ontem. Escrevo desde o aeroporto de Guarulhos, aquele que, excluído o Salgado Filho de Porto Alegre, é aquele pelo qual mais transitei. Acerca da imensa chuvarada que inunda São Paulo só tomamos conhecimento pelos noticiário. O aeroporto forma um sistema que no sabe do mundo externo de maneira direta. Estamos na torcida para au a partida daqui não atrase, pois temos em Paris conexão quase imediata.
Não posso deixar de evocar algo pícaro aqui. Há um tempo, talvez nos anos noventa, quando as reuniões dos editores de Química Nova na Escola eram presenciais, estava em lista de espera para retornar à Porto Alegre. A cada voo eu era preterido, mesmo que acumulasse a ilusão de que ascendia de posição na lista de preteridos. Quando foi feita a chamada do último voo, pelas 22h, nova preterição e já era um dos indicados para o primeiro voo da manhã seguinte. Hotéis eram distantes. Resolvi me acomodar em poltrona da área do embarque, com um bom livro e varar noite no aeroporto. Lá pelas tantas, sou cobrado por uma senhora, dizendo que eu ocupava o lugar dela. Estranhei. Depois vi que ela vazia parte de um grupo de uma favela próxima, que por questões de segurança e conforto (ar condicionado, banhos) passava a noite no aeroporto. Tive que escolher outro lugar.
Mas para esta próxima noite de hoje, a Gelsa e eu temos  lugares reservados. Sei que com usual ensardinhamento dos aviões talvez não possa ter muitos espreguiçares até chegar à cidade-luz e 1,5 hora depois partir em um voo de pouco mais de 1 hora partir para a suíça Genebra.
Genebra (em francês: Genève, em alemão: Genf, em italiano: Ginevra) nesta quinta-feira será apenas ponto de passagem. Nosso destino é Annemasse, cidade conurbada com Genebra.
Aprendo na Wikipédia que Annemasse é uma comuna francesa (município) da região Rhône-Alpes, situada no departamento da Alta Saboia.
 A cidade se encontra na fronteira franco-suíça, a sudoeste do Lago Léman, na aglomeração urbana franco-suíça de Genebra-Annemasse (aglomeração franco-valdo-genebresa). Com população com cerca de 30 mil habitantes é a mais importante cidade dos cantões de Annemasse-Norte e Annemasse-Sul.
Annemasse será nestes dias de viagem nosso ponto de estar. A partir dela vamos conhecer regiões da França e da Suíça e também será o local de partida e chegada para a viagem que faremos, entre 28JAN e 06FEV, a Israel/ Palestina/Jordânia.
Amanhã devo contar algo de minha iniciação franco-suíça.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

22.— EM UM DIA DE SONHADA PARTIDA

ANO
 8
Porto Alegre
EDIÇÃO
 2660

Esta quarta-feira, um dos dias mais esperado do ano, chegou. Não são apenas 22 dias de férias que se iniciam hoje. É um dia de uma muito sonhada partida. Começo uma viagem que inclui mais uma travessia do Atlântico. Realizo a ação mítica de voltar à Europa matriarcal (ou seria: maternal) prenhe de simbolismos para muitos de nós latino-americanos e mesmo americanos.
Há 2,5 anos que não fazia isso. Desde que fi-lo a primeira vez, há quase um ¼ de século, nunca havia transcorrido tanto tempo sem cruzar mares. Esta abstinência não foi trivial. Também, já faz dois anos que a Gelsa e eu não viajávamos em férias. Hoje começamos a curtir benesses de milhas amealhadas durantes anos.
Minha estreia em viagens internacionais, excluídas aquelas de fronteiriças a Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia deu-se na França, em julho de 1989, em meio às comemorações do bicentenário da Revolução Francesa. Foi um saboroso auto-presente pelos meus 50 anos.
Depois aquela primeira viagem do tipo ‘conheça uma dúzia de países em três semanas’ tomei gosto por viajar. Desejo sempre conhecer mais. Acredito que sigo a máxima "Bom viajante não é o que não sabe para onde vai, mas o que sabe de onde veio" atribuída a Lin Yutang* (1895-1976). Depois da memorável ouverture 1989, ocorrida na maturidade, já contabilizo 43 países em quatro continentes (ainda não estive na Oceania).
* Escritor e filologista chinês nascido em Changzhou. Estudou nas Universidades de Shanghai, de Harvard e de Leipzig. Foi professor na Universidade de Beijing. Viveu quase meio século nos Estados Unidos e sua significativa obra literária significou uma ponte entre vazio cultural existente entre o Ocidente e o Oriente.
Nos últimos 7,5 anos meus leitores têm acompanhado, aqui, meus périplos. Neste período este blogue já foi postado em 17 países (não nesta sequência): Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, México, Estados Unidos, França, Espanha, Reino Unido, Holanda, Bulgária, Croácia, Eslovênia, Dinamarca, Suécia e Rússia. Nesta viagem este número deve passar para 21.
Sei de há alguns que se encantaram enquanto leitores aqui, por exemplo, com as magníficas estações do metrô de Moscou ou com as belezas de Saint-Petersburgo. No roteiro que se inicia hoje há a previsão de visitação de lugares que há muito embalam meus sonhos.
Hoje, no começo da tarde viajamos para São Paulo. À noite, começamos a viagem rumo à Europa, ônus imposto àqueles que moram em cidade donde partem/chegam muito poucos voos internacionais. Na blogada de amanhã, que será pré-postada de Guarulhos, mais um pouco de viagens narradas em memórias de um viajor neste blogue.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

21.— LOCALÍVORO: UM BIS MERECIDO


ANO
 8

EDIÇÃO
 2658
No dia 28 de dezembro, postei uma blogada que prognosti histórica. Entre outros comentários, leitora assim manifestou-se: Mestre Chassot, se houver votação para a blogada do ano, escolherei a de hoje. Foi muito bom ver-me adjetivada como uma localívora (adorei o seu neologismo!) ratificando postura que cultivo há mais de dois anos. Obrigado mestre pela aula de hoje. Mirian
Agora, me dou conta que pela postagem ter ocorrido no recesso natalino, quando a média diária de leitores baixou de mais de 300 para menos de 200, muitos leitores usuais não a fruíram, por tal ela tem aqui merecido bis.
ANO 8
2635
QUE É UM LOCALÍVORO?
28 DEZ
2013
Dois fatos do meu cotidiano, nestes dias, teceram esta edição Talvez seja uma blogada histórica, esta do último sábado do ano. Um: dei-me conta do absurdo que praticava: comprara — acriticamente — no supermercado cebolas e caqui da Espanha. Outro: fui presenteado no Natal, pelo meu filho André com as primícias (foto) de sua produção agrícola em um sítio no Lami, na zona rural de Porto Alegre.
Observem estes seis vocábulos: omnívoro, carnívoro, herbívoro, insetívoro, frutívoro, localívoro. Os cinco primeiros são facilmente identificados: quem se alimenta de tudo, de carnes, de ervas, de insetos e de frutas. O sufixo voro, do latim vorus, de vorare = comer; devorar.
E localívoro? Esta palavra parece que ainda não é dicionarizada em português; está sendo proposta, aqui e agora. Em inglês existe o vocábulo locavore.
Definition of LOCAVORE: one who eats foods grown locally whenever possible [quem come alimentos cultivados localmente, sempre que possível]
Origin of LOCAVORE: local + -vore (as in carnivore)
First Known Use: 2005, palavra do ano de 2007 para o dicionário Oxford American!
Fonte: www.merriam-webster.com/dictionary/locavore
Em inglês a Wikipédia registra: Locavore is a person interested in eating food that is locally produced, not moved long distances to market. The desired maximum distance for local produce is between 50-100 miles. A Wikipédia em português não registra termo homólogo ao inglês. Além do inglês há, apenas, em catalão e islandês.
Localívoro (proposto, em português) é uma pessoa interessada em comer, quando possível, alimentos localmente produzidos, e que não tenham percorrido longas distâncias entre a produção e o consumo. Uma distância máxima desejada seria algo de até 100 km.

Em espanhol usa-se a mesma proposta que faço aqui: Localívoro.
 O movimento Localívoro nos Estados Unidos e em outros países foi gerado a partir do interesse em sustentabilidade e consciência ecológica. Amanhã apresentarei uma ‘receita’: Dez maneiras de começar a ser um localívoro. Votos de um fim de semana/ano associando — também — comer à saúde.
A edição seguinte 2636 de 29DEZ13: DEZ MANEIRAS DE COMEÇAR A SER UM LOCALÍVORO

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

20.— Rolezinhos: na mão ou na contramão?


ANO
 8

EDIÇÃO
 2658

Nas segundas-feiras é usual que eu faço aqui um rescaldo da curtida leitura dos jornais (em suporte papel) de fim de semana. A palavra mais presente em notícias e mesmo em artigos de fundo é rolezinho. O Google no entardecer de domingo me apresentou mais 3,5 milhões de resultados para ‘rolezinho’. Perguntei-me: Há dois meses quem já tinha ouvido esta palavra ou sabia deste fenômeno?
Rotundo engano meu. Mário Prata trouxe, na p. 2 do Cotidiano da Folha de S. Paulo de ontem algumas interrogações: "rolezinho" é do bem? "Rolezinho" é do mal? "Rolezinho" é baderna? "Rolezinho" é cultural? O "Rolezinho" de um termina onde começa o Rolexinho do outro? Ou versa-vice?
Então, aprendi com ele que a história narra vários casos de rolezinhos, e para respondermos a essas perguntas:
“... é preciso compreender, antes de mais nada, que não se trata de um fenômeno recente. Muito pelo contrário. O que foi, afinal de contas, o fuzuê de Jesus contra os vendilhões? O nazareno chegou ao templo de Jerusalém montando um jumentinho (praticamente um Chevette, pra época), trazendo na cola uma ruidosa multidão da periferia (Jericó, Betel e outras quebradas), "expulsou a todos que ali vendiam e compravam; também derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas" (Mateus, 21:12-17). Se os centuriões dispusessem de cruzes de borracha e coroas de espinho de efeito moral, Roma talvez durasse mais uns três ou quatro séculos.
Esqueçamos Átila, os Godos, Visigodos e Germânicos —nosso espaço é curto — e saltemos 1500 anos: Cabral chegando à Bahia com aquele bando de marmanjo, atrapalhando o lazer dos índios que só queriam passear com a família; é ou não é "rolezinho"? "Rolezaum", na verdade, dada a distância percorrida. Dizem que, depois dos primeiros atos de vandalismo (paus-brasil eram derrubados como se fossem orelhões), os pataxós tentaram entrar com uma liminar, mas a Justiça da época era avançadíssima e já estava do lado dos poderosos, de modo que não apenas negou o pedido como o inverteu; os índios é que foram acusados de "rolezinho" nas terras de El Rey.”
Desisto de posicionar-me até porque parece charmoso defender a prática dos rolezinhos. Se diz que só reacionários e conservadores podem ser contra. Eu acredito que ajudaria a expulsar os vendilhões do templo, mas não me agradaria pertencer a turma cabralina.
Assim, o plano de aproveitar o excelente texto Contramão, que meu colega de tempos de professor de cursinho Cláudio Moreno, escreveu na sua apreciada sessão O Prazer das Palavras, do Caderno Cultura da Zero Hora deste sábado, fica postergado. Afinal, depois de amanhã entro em férias e há uma extensa pauta laboral a vencer nestes dois dias e editar blogue é lazer, e isso não pode sobrepor ‘às coisas de trabalho’.