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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

10.- ALAN TURING: PARA COLOCAR NA AGENDA



Ano 7*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR ***Edição 2261
Só neste ano de 2012 — por estarmos no Ano Alan Turing — eu já abri mais de 20 palestras, seminários ou minicursos fazendo homenagem a um dos mais importantes (e mais desconhecidos) cientistas do Século 20.
Já em 17 de setembro de 2009, escrevia neste blogue: Venho ao Oeste Catarinense a convite do Curso de Matemática da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó), para participar da JOCETEC (Jornada de Ciência e Tecnologia dos cursos do CETEC) o qual contempla a semana acadêmica do curso de Matemática. Minha fala tem como tema “A História da Ciência catalisando propostas transdisciplinares”.
 Nesta inserção na palestra vou homenagear o matemático britânico Alan Mathison Turing (Londres, 23 de junho de 1912 - 7 de junho de 1954) foi um matemático britânico. Filho de um oficial, logo cedo se interessou pela ciência. A maior parte de seu trabalho foi desenvolvida na área de espionagem e, por isso, somente em 1975 veio a ser considerado o pai da informática.
Como homossexual declarado, no início dos anos 50 foi humilhado em público, impedido de acompanhar estudos sobre computadores, julgado por "vícios impróprios" e condenado a terapias à base de estrogênio, um hormônio feminino o que, de fato, equivalia a castração química e que teve o humilhante efeito secundário de lhe fazer crescer seios. Deprimido, em 7 de Junho de 1954, em sua residência em Wilmslow, Cheshire, com apenas 41 anos, faleceu após ter comido uma maçã envenenada com cianeto. A sua morte foi oficialmente considerada como suicídio.
Ele foi recentemente notícia. O governo britânico pediu, neste 11 de setembro de 2009, desculpas pelo tratamento "chocante" ao qual o matemático Alan Turing, um dos cientistas mais reverenciados do país, foi submetido para coibir sua homossexualidade, e que o levou ao suicídio em 1954.
Surpreendente, o pedido resulta de uma petição on-line que, em pouco mais de um mês, atraiu 31,3 mil assinaturas e desenterrou na mídia a história do pai da inteligência artificial.
"Turing foi um matemático brilhante, famoso por decifrar os códigos da [máquina de criptografia] alemã Enigma. Não é exagero dizer que, sem sua notável contribuição, a história da Segunda Guerra poderia muito bem ter sido outra", diz o premiê Gordon Brown em comunicado no site do governo.
"A dívida de gratidão que temos torna mais horrível ainda a forma como ele foi tratado." Inédito para um governo britânico, Brown admite que o tratamento com hormônios a que Turing foi submetido por dois anos motivou seu suicídio.
Nestes três anos seguintes o assunto foi recorrente aqui neste blogue. Assim, trago uma notícia mais ao alcance dos que vivem o transitarão pela Grande Porto Alegre: uma exposição anunciada abaixo, se inaugura hoje.
Ela pretende mostrar que no começo, era uma teoria: uma máquina que só existia no papel. Antes de ter sido criada qualquer tecnologia que tornasse viável o computador, Alan Turing provou que seria possível. O inglês, considerado por muitos o pai do computador, tem seu centenário comemorado este ano. Eventos ao redor do mundo celebram a memória do matemático.
Há dias passados, Marcelo Walter, doutor em Ciência da Computação e professor da UFRGS, um dos organizadores das atividades comemorativas na universidade, afirmava na Zero Hora:
– Acho que Turing poderia ser considerado o Newton da nossa época. É comparável a Einstein e Freud.
– Sem exagerar, a gente pode dizer que deve o computador a ele. Talvez tivesse produzido mais, se não tivesse vivido somente 41 anos – avalia Edward Hermann Haeusle, professor de lógica e teoria da computação da PUC-Rio.
Exposição
Alan Turing: Legados para a Computação e para a Humanidade
Quando: 10OUT12 a 22MAR13
 Segundas a sexta-feiras, das 9h às 18h
Local: Museu da UFRGS (Av. Osvaldo Aranha, 277, Porto Alegre)
Entrada franca
Informações: (51) 3308-4022 www.museu.ufrgs.br



terça-feira, 9 de outubro de 2012

09.- LEITURA DESRECOMENDADA A PESSOAS MAIS SENSÍVEIS


Ano 7*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR ***Edição 2260
Ontem à noite, estava escrevendo um texto que seria para edição de hoje. Tergiversava acerca de um assunto recorrente aqui: a rapidação vertiginosa do trocar de idade. Dizia o óbvio; quando se tem 7 anos demora muito mais [a troca de idade] que quando se passou dos 70. Mostrava isto em mirada a frações.
Eis que me chega um alerta do respeitado Diário de Notícia, de Lisboa, daquele dia. Olho manchetes. Dá dó de se ler a crise em Portugal. Tarrafeei meia dúzia:
Estado despede quase 50 mil funcionários com contratos // Primeiro-ministro é "mais mentiroso que o Pinóquio" // Subsídio de Natal vai ser pago em duodécimos mensais // Setor público tem de reduzir em 50% trabalhadores a prazo //
Rossio solta balões por um trabalho digno//
Pagamento de trabalho em feriado na Função Pública passa para 25%//
Lembrei-me, condoído dos portugueses. Eis que em meio ao pescar notícias, surge algo exótico. Estranhei o peixe. Não precisei muito para identificar algo como a baleia que hospedou por um tempo o teimoso profeta Jonas.
Parece incrível, mas está lá no confiável diário português de ontem 08OUT2012. Atenção a notícia não é de 2012 a.C. e muito menos um trote de primeiro de abril. Eis a fábula:
Paul Brown, um congressista republicano e membro da Comissão da Ciência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nega a teoria da evolução, o Big Bang e a embriologia.
Candidato no estado da Geórgia à sua reeleição nas eleições de 6 de novembro, Paul Brown fez o comentário durante um discurso numa igreja batista. Mas só agora um vídeo desse momento chegou ao YouTube.
Nas imagens, reproduzidas pelo site do diário britânico The Guardian, o congressista, que é médico, afirma que "enquanto cientista" descobriu provas de que a Terra não tem mais de nove mil anos e foi criada em seis dias. O pensamento científico dominante acredita que a Terra tem 4,5 mil milhões de anos.
Broun explica ainda que as teorias sobre a origem do universo e da evolução das espécies representam "mentiras vindas diretamente do Inferno".
Logo entendi, porque no jornal está colocada esta advertência: Os textos aí escritos podem, por vezes, ter um conteúdo susceptível de ferir o código moral ou ético de alguns leitores, pelo que o Diário de Notícias não recomenda a sua leitura a menores ou a pessoas mais sensíveis. Talvez, se devesse recomendar a algumas pessoas não ler um jornal tão perigoso. Com esta fantástica notícia, postergo minhas lucubrações acerca das divergências de Cairós e Cronos na contagem do tempo. Uma boa terça-feira a cada uma e cada um.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

08.- ASSIM NA TERRA COMO NA NUVEM



Ano 7*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR ***Edição 2259

Depois de dias de uma jornada manauara, uma vez mais, se começa semana em que já prelibamos o feriado da Padroeira. Meu retorno Manaus/Porto Alegre foi sem nenhum registro especial.
Cheguei a uma cidade que parecia esquecida. Para ela, em outros tempos, domingo de eleições era dia de festa. Ontem, já era 9h, havia sol e cidade substituíra a liturgia da festa para letargia.
Quando fui votar, passei duas vezes, na ‘minha’ esquina, onde outrora fazia bandeiraço e... não era só eu que faltara. Todos faltaram. Lembro-me do orgulho que eu tinha de estar na rua com a bandeira do PT. Ela, durante a semana, tremulava no ponto mais alto do prédio; nos fins de semana passeava garbosa. Agora, está enrolada rota não sei onde.
Já temos história para contar aos netos, de tempos que Porto Alegre era diferente; hoje, um magérrimo terceiro lugar para o candidato petista.
E as festas da vitória? E as administrações exemplares que o PT sabia fazer? Crianças! isso são histórias de tempos em que nesta terra não se sabia o que era mensalão. Era muito diferente.
Para esquecer o antanho que se faz tacanho, só indo às nuvens. Então um convite: acompanhemos Ruy Castro em sumarenta viajada.
Prazeres na "nuvem" CDs, DVDs, câmeras digitais, telefones fixos, controle remoto e até PCs de mesa com teclado, mouse e disco rígido — pelo que li há dias no "Globo", tudo isso tende a ser história nos próximos anos. Por história, entenda-se o grande lixão a que se destinam os cadáveres da eletrônica. Parece que, na próxima década, só os maiores de 30 anos ainda terão uma vaga lembrança de para que serviam esses equipamentos, aos quais ficamos hoje atracados o dia inteiro.
A ideia é a de que as mídias físicas, palpáveis, irão literalmente para o espaço. Tudo estará na chamada "nuvem" — que, até agora, ninguém conseguiu me explicar onde fica, como funciona e se fecha quando chove. O acesso aos conteúdos se dará por smartphones, downloads ou com o usuário plantando bananeira contra a parede e se concentrando.
A "nuvem" é infinita e conterá tudo que puder ser exibido, alugado, vendido, emprestado ou copiado, e isso dispensará as cidades de manter museus, galerias, cinemas, bibliotecas, livrarias, sebos, arquivos públicos etc. Quer dizer, os acervos destes continuarão existindo, mas "na nuvem", sem despesas com funcionários, material de limpeza ou energia elétrica.
Cá entre nós, não estou com a menor pressa de aderir à "nuvem". Ainda gosto de manusear, apalpar, acariciar. Hoje, por exemplo, minha coleção de LPs, em edições raras, originais, lindíssimas, é a melhor que já tive (vitrolas e agulhas não faltam -estou estocado). O mesmo quanto às coleções de CDs e DVDs que acumulei -só espero que não interrompam logo a fabricação dos aparelhos para tocá-los. E continuo a frequentar sebos, bibliotecas e arquivos — gosto até do cheiro de mofo.
Meu consolo é que, um dia, quando tudo isso tiver acabado e só estiver disponível na "nuvem", eu também estarei nas proximidades — em alguma nuvem.

domingo, 7 de outubro de 2012

07.- HOBSBAWM: UM CONTRAPONTO FRANCÊS



Ano 7***  M A N A U S  ***Edição 2258
Um domingo eleitoral importante no Brasil e na América Latina. Aqui, as eleições municipais em 5.568 municípios brasileiros. A nível continental, a eleição presidencial na Venezuela, que envolve ‘torcida’ de quase todos os países das Américas. Minha homenagem ‘espirituosa’ às eleições está no final. Vale conferir.
Para que exerça o meu direito/dever democrático deixo Manaus nas primeiras horas deste domingo. Devo, talvez, votar antes do meio-dia em Porto Alegre.

O sábado aqui foi pleno de atividades. Quando deixava o “Bosque da Ciência” no INPA, as cigarras alardeavam o anoitecer e as cotias procuravam abrigo. Minha fala foi muito bem acolhida e mais de uma vez os macacos vieram espiar o plenário envidraçado.
Foi muito gostoso acolher, em meio a fotos e autógrafos, um grupo de professores e alunos de Química da UFAM, que vieram festejar a minha presença na Semana de Química, no dia 21 de novembro, numa estada em Manaus, por cerca de 12h (rumo a Roraima), confirmada na manhã de ontem com o Coordenador do Curso, Prof. Túlio de Orleans Gadelha Costa, em uma ação (quase) relâmpago catalisada por Tatiana Salem, via Facebook.
Como ontem fiz loas a Eric J. Hobsbawm, trago um contraponto.
Uma relação conturbada com a França, por Andrei Netto, de Paris, no Observatório da Imprensa:
Ao menos na menos na França, Eric Hobsbawn foi tratado em sua morte como em vida – como um maldito. A história da ruptura entre a intelligentsia francesa e o pensador marxista foi escancarada ao longo dos anos 90, quando da publicação seu mais célebre livro, A Era dos Extremos. Seu trabalho foi reconhecido e ganhou conversão “a todas as línguas oficiais da União Europeia, salvo uma”, como ele dizia. Ganhou ainda versões “nas línguas dos antigos Estados comunistas da Europa central e oriental”, em polonês, em checo, em romeno, esloveno, em albanês. Só então, graças à iniciativa de um editor belga e do jornal Le Monde Diplomatique, a tradução para a língua de Rousseau, enfim, aconteceu.
A melhor explicação para a indiferença talvez tenha sido dada por uma revista americana: “O apego, mesmo distante, à causa revolucionária, Eric Hobsbawn o cultiva certamente como um ponto de orgulho, uma fidelidade orgulhosa, uma reação ao tempo. Mas, na França, e neste momento, é difícil de engolir”.
A soberba da intelligentsia francesa imperou nesta segunda-feira. Foi necessário que Pierre Laurent, um intelectual de esquerda, viesse a público para uma homenagem ao autor. “Os progressistas perdem um dos seus. Todos aqueles que se interessam pela história do século 20 perdem um grande espírito, um pensamento-mundo.”
 Agora o descontraído ‘horário eleitoral’ de dois minutos promovido por este blogue: http://www.youtube.com/watch?v=ek5ObZxEL1w nele os augúrios  de um bom domingo a cada uma e cada um e a brasileiro e venezuelanos votos de bons votos.

sábado, 6 de outubro de 2012

06.- NÃO SE EXTINGUE O NARRADOR DO NOSSO SÉCULO 20



Ano 7***         M A N A U S       ***Edição 2257

Já vivo o terceiro dia desta minha jornada manauara. Ontem dois destaques: à tarde, duas bancas na UEA, completando o total de cinco aqui, em menos de dois meses; à noite, no Bosque da Ciência/Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas INPA, abertura solene do Fórum Raddici, onde o destaque foi excelente palestra do Prof. Dr. Ricardo Alexino Ferreira, da ECA-USP. Tive também a alegria de autografar dezenas de meus livros.
O central para mim, hoje, é a palestra “Divulgação Científica para Educação em Ciências” no encerramento do I FÓRUM DE EDUCAÇÃO, DIVULGAÇÃO E DIFUSÃO EM CIÊNCIAS NO AMAZONAS [www.forumraddici.com/]. Minha viagem e estada aqui é suportada pelo Fórum Raddici.
Mesmo que nestes dias receba aqui inúmeras provas de acarinhamento, hoje por dever de ofício honro a tradição sabática de falar em livros e nome não poderia ser outro: ERIC J. HOBSBAWM (1917-2012)
Este blogue, na sua edição desta terça-feira abriu sua edição com um registro lutuoso: o renomado historiador britânico de esquerda Eric Hobsbawm, cuja obra influenciou estudantes e políticos por toda a Europa e em outras partes do mundo, morreu em um hospital de Londres nesta segunda-feira, aos 95 anos.
Talvez ele seja o historiador que mais tenha influído em minha formação. lembro quando emocionado, assisti uma fala sua, na década de 1992 em Porto Alegre — a foto é de então dele junto aos leões que existem nas escadarias do Paço Municipal.
A notícia me fez triste. Lembrei-me, que os que morrem se perpetuam por que contamos sua história e lemos suas obras. Assim falei dele na aula que de na UAM na segunda-feira, nas turmas de Teorias do Desenvolvimento Humano  e também na fala de encerramento do evento no INPA. Estou muito desejoso de ler seus livros, especialmente aquele que mais cito e que tem passagens que refiro de memória: “A era dos extremos: o breve século XX”.
Esta semana a imprensa brasileira veiculou várias matérias acerca de Hobsbawm. Destaco uma excelente, alertada por meu querido ex-aluno de mestrado Edmar Galiza e que está no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/interprete_incansavel_do_seculo_20
Desta — de autoria de Elias Thomé Saliba é livre-docente em História pela Universidade de São Paulo, professor titular de Teoria da História na mesma universidade e veiculado no dia imediato ao passamento — brindo excertos aos meus leitores.
O perfil do bom historiador não pode se parecer nem com o carvalho nem com o cedro, por mais majestosos que sejam, e sim com um pássaro migratório, igualmente à vontade no ártico e no trópico – e que sobrevoa ao menos a metade do mundo.” Ao escrever isso em 2002, Eric J. Hobsbawm talvez estivesse descrevendo a própria trajetória, que se encerrou na manhã de segunda-feira, dia 01 de outubro DE 2012.
Nascido em Alexandria em 1917, de família judaica – pai do East End londrino e mãe da Áustria dos Habsburgos –, passou a infância em Viena, ficou órfão aos 14 anos e foi morar em Berlim com uma tia, entrando para o Partido Comunista alemão (KPD) ainda no fim do curso ginasial. Após a ascensão de Hitler, foi para Londres onde concluiu os estudos secundários. Em 1936, na febre da Front Populaire em Paris, perambulou na carroceria de um caminhão do cinejornal do Partido Socialista; depois cruzou a fronteira para a Catalunha, logo no início da Guerra Civil espanhola.
Nos anos da Segunda Guerra Mundial integrou a divisão do Exército britânico que cavava trincheiras, atuando ainda como tradutor no setor de inteligência militar. Quando concluiu seus estudos, pagou o aluguel escrevendo uma coluna semanal sobre jazz no New Statesman – com o pseudônimo de Francis Newton (textos depois reunidos no livro História Social do Jazz). Em 1962, em sua segunda visita a Cuba, serviu até de tradutor para Che Guevara.
[...]
“Fui um antiespecialista em um mundo de especialistas, um intelectual cujas convicções políticas e obra acadêmica foram dedicadas aos não intelectuais”, escreveu em Tempos Interessantes – livro que virou um paradigma de como deveriam ser escritas todas as autobiografias. Apesar do seu precoce – e nunca explicitamente abandonado – engajamento comunista, sempre assumiu um olhar historiográfico desenraizado e pouco afetivo. Definia-se como “um historiador pertencente a minorias atípicas, imigrante na Grã-Bretanha, inglês entre centro-europeus e judeu em toda parte – sentindo-se anômalo até entre os comunistas”, reconhecendo-se apenas na frase definidora que E. M. Forster utilizava para definir um poeta: “Ele ficava num ângulo ligeiramente oblíquo em relação ao universo”.
[...]
Um humorista inglês brincou, certa vez, definindo a escola de historiadores marxistas de Hobsbawm como os Graal”. Com a morte de Hobsbawm desaparece um dos mais brilhantes historiadores de nossa época e talvez o último daquela primeira geração de marxistas, para os quais a Revolução de Outubro – uma espécie de Graal – era referência central no horizonte político. Marca também o desaparecimento de um dos últimos historiadores que colaram de tal forma sua trajetória de vida com a história pública, que elas parecem indistinguíveis. “O sonho da Revolução de Outubro ainda está em algum lugar dentro de mim, assim como um texto apagado no computador lá permanece, à espera dos técnicos que o recuperem dos discos rígidos”, confessou Hobsbawm. E em lacônica resposta à tirada humorística, concluiu: “Porque se desistirmos do Graal, desistiremos de nós mesmos”.