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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

04.- Agora... Já no Brasil


Ano 6

SÃO PAULO

Edição 1827

23/23 DIARIO Esta postagem é feita de São Paulo, quando estão vencidas três das quatro etapas áreas. Abro esta postagem com um ‘souvenir’ da encantadora Saint Petersburgo. São algumas das muitas cúpulas que fotografei nestes memoráveis sete dias de Rússia que já são passados. Estas são da Catedral de S. Pedro e S. Paulo, na fortaleza homônima, que marca o inicio da cidade que está agora melhor evocada.

Esta blogada que encerra este relato de viagem, esta programada para ser um diário de bordo dos quatro voos, que me transportam ao meu mundo real, depois de mais de três semanas transformando sonhos em realidades.

Uma das malas ter ficado em Londres retardou a chegada ao embarque para Porto Alegre, onde pretendia editar os excertos que coletei durante as 30 horas de viagem que terão agora – 07h15min BSB -- suas duas últimas horas. Assim, posto, aqui de Guarulhos, uma edição provisória, que complemento mais tarde.

SUPLEMENTO À EDICÃO 1827

Adito a edição postada pela manhã em São Paulo quatro excertos, extraídos do DIÁRIO DE BORDO, que encerram o diário do viajor que deram substrato às 23 últimas edições.

1ª etapa: Saint Petersburgo/ Frankfurt RU 15:51 // AL 13:51 //UK 12:51 // BR 08:51

Já faz 70 minutos que o Airbus 300-200 da Lufthansa deixou Saint Petersburgo, da qual resta densamente as imagens das cúpulas de suas igrejas. A cidade preparou-se ensolarada para despedir-se de nós.

Preparadas as malas para os últimos quatro voos restava-nos pouco tempo. Cada um curtiu a cidade de um lado da ponte (uma entre dezenas) que era o ícone para chegarmos ao hotel.

Na hora aprazada chegou a taxista – a mesma que nos levara ao espetáculo folclórico na segunda-feira. Aqui um registro lateral a futuro leitor que for curtir a Rússia: fuja dos taxis dos hotéis e daqueles contratados por eles. Hoje para ir ao aeroporto pagamos 65% do valor da chegada (deste a ferroviária) em um trecho no mínimo 20 vezes maior. Como? Ajuste prévio, com a central de taxi, por telefone, sem a intermediação do hotel. O taxi do hotel, no domingo nos cobrou mais para levar ao Hermitage, a poucas quadras, que pagamos hoje para vir ao aeroporto na região suburbana, com quatro malas.

A inspeção no aeroporto foi rigoroso exigindo a retirada de cinto, sapatos. Neste primeiro trecho já ‘almoçamos’: massa; elegi para tomar vinho tinto alemão. Agora já sonhamos com o transbordo em Frankfurt, com apenas duas malas de mão.

2ª etapa: Frankfurt/Londres RU 20:20 // AL 18:20 //UK 17:20 // BR 13:20

Já passaram mais de 4 horas de viagem. Já nos aproximamos de Londres. O embarque no aeroporto de Frankfurt – um dos mais movimentados do mundo, teve uma inspeção rigorosa. Primeiro implicaram com uma garrafinha de 50 ml de vodca que ganhei de presente no hotel. Depois o problema foi o adaptador para tomadas (acessório cada vez mais necessário, mesmo no Brasil). Depois foi computador que foi scanerizado várias vezes. Nessa etapa da viagem foi servida uma salada de massa fria, que tomei com cerveja.

3ª etapa: Londres/São Paulo RU 23:36// AL 20:36 //UK 21:36 // BR 17:38

* Já estamos embarcados em outro mega-aeroporto. Desembarcamos em Heathrow, às 18h (hora local) e só às 20h20min terminamos as formalidades de embarque, Restava, então, ainda tomar um trem, para embarcar em outro terminal. Tivemos um transtorno que nossos estressou. Uma das malas pesava mais que 32 kg. Tivemos que abri-la e transferir 5 kg, para uma das malas de mãos, que terminou despachada. O voo está com overbooking e era oferecido 600 euros a pessoa que transferisse a sua passagem para amanhã. Estamos mal acomodados para dar a partida para a maior das 4 etapas. Agora são onze horas.

** Londres/São Paulo RU 10:30// AL 08:30 //UK 07:30 // BR 03:30

Dentro de 1,5 hora devemos estar chegando. Ainda estamos a quase 10300 metros de altura, com a velocidade de cruzeiro de cerca de 1000 km/h. Os 291 passageiros (lotação completa) despertam. A tripulação começa a servir o café. Há só um desejo: chegar.

4ª etapa: São Paulo/Porto Alegre Como relatei na edição provisória, no estada em São Paulo teve um complicador: como na chegada em Moscou: faltava-nos uma mala. Está prometida para amanhã. Por que teria ficado em Londres? Uma entre quase mil? Achegada a Guarulhos foi tumultuada. Seis voos internacionais com mais de 1,5 mil passageiros exigiram trancamento das escadas rolantes, para não causar fermentos. Mais de uma pessoa comentou: o que será isso, na copa! Já disse que gostaria junho/julho de 2014 estar distante do país.

O voo para Porto Alegre foi tranquilo e no horário. Chegamos com 8ºC nos readaptando aos 42ºC de Moscou.

Com esta atualização, encerro este diário de um viajor. Um bom saldo de quinta-feira. Até amanhã com a blogada nossa de cada dia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

03.- Adeus Rússia, adeus Europa

Ano 6

SAINT PETERSBURG

Edição 1826

22/23 DIARIO O que era bom... está terminando. Às 11h (às 04 de Brasília), desta quarta-feira, deixaremos o hotel, rumo ao aeroporto. Depois de quatro voos Saint Petersburgo/ Frankfurt/Londres/São Paulo/Porto Alegre deveremos estar em casa às 10h manhã de quinta feira. Assim serão 30 horas de viagem.

Afortunadamente, a URI–Frederico Westphalen, para onde viajaria na noite de amanhã (uma noite de ônibus), acordou substituir-me em uma fala agendada para esta sexta-feira. É preciso dizer que a razão da alteração da programação não foi a viagem, mas uma importante reunião que tenho na mesma data no Centro Universitário, do IPA.

A programação do último dia completo em Saint Petersburgo foi excelente. Isto de último dia tem algo não trivial, pois passa forte a sensação, do ‘nunca mais’. Quando, na parte da tarde, enquanto dedicava-me, sem a Gelsa, a busca do Museu de História da Religião – www.gmir.ru –, tendo do mesmo apenas um endereço antigo, pensei não é desta vez que vou visitá-lo, mas será, provavelmente ‘nunca’.

Este museu – antes se chamava museu do ateísmo – é o único deste tipo na Rússia e uma das poucas instituições similares em todo o mundo. A exposição permanente traça a formação e desenvolvimento da religião através da arte. Sua exposição inclui artefatos históricos e culturais de diferentes países, épocas e nações, começando com 6º século a.C. Rituais arcaico, Mitologia do Mundo Antigo, o judaísmo, cristianismo primitivo, o cristianismo ortodoxo, catolicismo, protestantismo, islamismo e budismo - são os títulos das seções da coleção do museu. A trazida da cruz ortodoxa de oito pontas tão presente nestes dias traduz um pouco desta história.

Mas, em um diário de viagem, não cabe falar do que eu não vi, mas do que eu fiz. Assim, eis algo do último dia: pela manhã primeiro fizemos um tour de carro com a Larissa, que nos levou a diferentes pontos da cidade, inclusive no outro lado do rio Neva, contanto a história de metrópole que está construída sobre um conjunto de ilhas demarcadas por 65 rios ou canais.

Também usufruímos da Larissa seus conhecimentos da recente História da Rússia, especialmente da transição do socialismo para o capitalismo, quando da Perestróica. Foi a primeira vez que podemos falar sobre este assunto com uma pessoa que vivei criticamente a situação, sendo guia, então, da estatal InterTourist para depois ser uma guia de uma das dezenas de empresas de turismos privados que surgiram com a transição.

Depois das duas horas com a guia fizemos turismo por nossa conta. Primeiro visitamos uma imponente sinagoga judaica. Sinagoga Grande Coral de São Petersburgo (em russo: Санкт-Петербургская Большая Хоральная Синагога), às vezes chamada de Sinagoga, St. Petersburg é a segunda maior sinagoga da Europa. Foi construído entre 1880 e 1888, e consagrada em 1893. Poet Osip Mandelstam chamou a Sinagoga Petersburg uma "sedutora, pródiga e fora de série". Pouco depois da fundação de São Petersburgo em 1703, vários judeus se instalaram na nova cidade. No século 18, médicos e financistas judeus ocuparam vários cargos na cidade. Catarina II atraiu empresários, industriais e médicos a São Petersburgo, mas com Nicolau I a posição dos judeus se deteriorou. Depois, sob Alexandre II, a situação da comunidade judaica tornou-se melhor. A cidade deve muito ao papel importante do judaísmo na vida russa. Assim a imensa sinagoga é o hoje um centro religioso importante. Vimos grupos rezando e outros discutindo textos sagrados.

Depois visitamos a basílica de São Nicolau, um imponente exemplo do barroco russo onde assistimos parte de um culto ortodoxo, chamando à atenção a religiosidade dos fiéis. É frustrante não se entender uma palavra. Substituo meu analfabetismo por duas fotos das muitas fotos que tomei.

Após usamos mais uma vez o metrô e nos impressionamos, uma vez mais com sua profundidade. Mesmo que ontem já tenha mostrar isso, reproduzo mais uma vez foro que fiz, de uma escada rolante. Também nos demos contas o quanto se caminha dentro das estações na busca de conexões e quanto à área central é mal servida. Fizemos um lanche, mais uma vez, na badalada Perspective Nevski, sendo que na parte da tarde, a Gelsa e eu buscamos atrações diferentes.

Visitei o imponente templo de Nossa Senhora de Kazan, a padroeira da Rússia e onde se venera um ícone em estilo grego-bizantino, teria sido pintado, segundo os especialistas, em Constantinopla, no século 13. A obra apresenta a imagem de meio corpo da Virgem carregando o Menino Jesus, que se encontra quase de pé numa atitude de benção para com sua mãe, para quem ele ergue sua mão direita.

O ícone encontra-se recoberto com uma lâmina de prata que cobre a figura e as vestimentas, deixando visíveis apenas os rostos da Mãe e do Filho. Sob a cobertura está o desenho e as cores se conservam perfeitamente, o que se leva a considerá-lo não apenas como uma peça de altíssimo valor religioso, mas também uma verdadeira obra de arte.

A lâmina que recobre a imagem data do século 13 e contém incrustações de diamantes, esmeraldas, rubis, safiras e pérolas, a maior parte dos quais foram acumuladas por diversos doadores que deste modo quiseram expressar sua devoção à Sagrada Imagem. Este ícone tem uma extensa história com diferentes que salvou a Rússia de seus invasores.

Ontem vi centenas de peregrinos, vindos de diferentes pontos ficarem horas em filas, para durante uns segundos tocarem e ou beijarem o ícone, que tem uma imensa história de ter sido recuperado de incêndio, resgatado em mercado de arte, devolvido pelo Vaticano à Igreja Ortodoxa Russa.

O templo destoa em seu estilo dos demais que se vê na Rússia, pois a imponente construção na movimentada Perspective Nevski está inspirado na basílica de São Pedro, do Vaticano, sendo que no interior e no exterior há centenas de colunas gigantescas. Trago uma foto externa e outra interna para mostrar isto.

À noite com uma janta celebramos o encerramento destes dias de Europa e mais especialmente de nossa estreia em terras russas. Fomos ao restaurante Гоголь (=Gogol), que homenageia a um ucraniano que se fez ilustre petersburgueoise: Nicolas Gogol (1809-1852) Na entrada do restaurante há um cabide para casacos com um casaco e uma cartola, que se diz original. O cardápio é um livro, donde as diferentes partes do menu vem com pensamentos de Gogol. Caminhamos como despedida pela Perspective Nevski onde impressionou a velocidade dos carros e sua prepotência sobre os pedestres. Mas não vimos nestes dias nem um engarrafamento ou acidente de trânsito. Era 22h20 min e ainda estava claro.

Dentro de mais um pouco vamos começar a voltar. A melhor quarta-feira a cada uma um e cada um. Provavelmente, nos leremos amanhã de São Paulo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

02.- Acerca de uma segunda-feira que foi esplendorosa

Ano 6

SAINT PETERSBURG

Edição 1825

21/23 DIARIO Uma nota técnica: a edição 1824 (postagem anterior), mesmo que traga no cabeçalho a data de domingo, corresponde a segunda-feira, 1º de agosto. Como postei no horário local 07h53min, ainda era legalmente domingo no Brasil.

Nossa abertura de agosto na trepidante e fabulosa Saint Petersburg foi maravilhosa. Fizemos pela manhã a nossa estreia no metrô, este, devido à sua geologia única, é um dos mais profundos do mundo (cerca 200 m) pois suas linhas ficam sob o Rio Neva. Ele transporta cerca de três milhões de passageiros diariamente, sendo um dos dez mais movimentados sistemas do globo.

Conhecido formalmente por Metrô de Leningrado tem muitos traços das ideologias socialistas evocando a época de sua construção, sobretudo na decoração e ornamentação das suas estações. A foto tenta dar uma ideia da profundidade pela extensão de uma das escadas rolantes. Para nós o uso foi decepcionante, pois depois muito caminhar e usar dois trens, estávamos muito próximo ao que correspondera a nossa caminhada.

Mas encontrávamo-nos na ‘Perspective Nevski’ a nevrálgica avenida da Peters. E logo chegávamos ao Museu Russo que tem cerca de 400 obras de arte, de todas as escolas e gêneros que floresceram ao longo da história da Rússia, e é a maior em seu gênero em todo o mundo. O Museu Russo é ainda um reputado centro de pesquisas acadêmicas, um grande centro educativo e edita publicações diversas sobre seu acervo.

Mesmo que alguns dos expoentes fossem nossos conhecidos foi oportuno ver mais de suas obras, mas a maioria dos nomes, mesmo do século 20 nos eram desconhecidos.

Próximo ao museu estava a Igreja da Ressurreição de Cristo – ou Igreja do Salvador do Sangue Derramado – pois foi construída entre 1883 e 1907 no local onde o Imperador Alexandre II foi assassinado em 1881.

Visitar igrejas é uma de minhas predileções enquanto turista. Já estive em minha vida em igrejas imponentes – São Pedro (Vaticano), São Marcos (Veneza), Notre-Dame (Paris), Mesquita de Santa Sofia (Istambul) – pois agora tenho uma mais a juntar em minha lista: esta do Sangue Derramado se incorpora com destaque na minha lista de eleitas.

Ela é um exemplo do estilo russo incorporando no plano do seu interior todas as componentes bizantinas/ortodoxas. A riqueza dos mosaicos que cobrem o seu interior e parte do exterior numa superfície de 7.000 metros quadrados é impar.
Os mosaicos foram realizados em S. Petersburgo com base nas obras de 32 artistas e são obras de arte únicas que merecem ser apreciadas. Pedras semipreciosas como a rodonite e o jaspe decoram os altares e o chão é revestido em mármore italiano.
Há um triunfo do dourado – tão apreciado neste país – nos faz embevecidos. Em 1930 foi fechada e serviu durante anos como armazém.

O seu restauro iniciou em 1970 ficou concluído em 1997 funcionando, atualmente como um muito concorrido museu. Meu ensaio imagético do exterior e do interior da igreja pode oferecer uma pálida ideia do que a Gelsa e eu apreciamos.

Voltamos ao hotel a pé, apreciando a cidade, detendo-nos especialmente na contemplação de seus canais.

Ao entardecer fomos ao Palácio Nikolayevsky (em russo: Nikolayevsky dvorets, Николаевский дворец), um dos vários palácios desenhados em São Petersburgo por Andreas Stackensneider (1802-1865) para os filhos do czar Nicolau I. O palácio do Grão Duque Nikolai Nikolaievich da Rússia faz parte de um complexo disperso que incorpora uma igreja palatina, uma escola de equitação e vários edifícios exteriores separados da Praça do Trabalho por uma cerca de ferro forjado.

Ali tínhamos ingressos já comprados em Porto Alegre, para um original espetáculo. Éramos recepcionados com uma taça de champanhe por personagens com roupas da época dos tzares que condiziam com o luxo e a riqueza do palácio. O espetáculo de danças e cantos folclórico foi de impressionante beleza. Um afinadíssimo quarteto cantou músicas religiosas e populares; artistas se fizeram acróbatas, mímicos e exímios. No intervalo foram servidos canapés, nos quais havia caviar e ovas de peixe, frutas, vinhos, champanhe e vodca. Foi um belo espetáculo.

Para mim houve um plus: por cerca de meia hora, enquanto esperava o inicio, conversei com um engenheiro vietnamita, que viaja em férias com a família, que vive em Hanói. Trocamos, mesmo com meu inglês precário, excelentes informações sobre nossos países. Surpreendi-me, por exemplo, que por restrições políticas, no Vietnã, não se possa ter acesso ao Facebook.

Este um relato de nossa muito apreciada segunda-feira. Desejo uma excelente terça-feira a todos. Ela é nosso último dia completo aqui. Amanhã, começamos a voltar.