TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

20.- RUF: RANKING UNIVERSITÁRIO FOLHA


Ano 7***   CAMPINAS   ***Edição 2241

professorchassot.pr ***Edição 2241

Estar, hoje, ausente do Rio Grande do Sul me absolve de uma vez mais, como fiz em outros 20 de Setembro, verberar aqui neste blogue contra o recrudescimento de um gauchismo (quase) fanático. Não é mais a data farroupilha que se festeja, nem a semana, mas agora já é o mês.
Mesmo que em verdade se celebre uma derrota para as forças imperiais o ufanismo de uma ‘independência efêmera’ parece cada vez mais decantado. Mas, já anunciei que neste ano sou omisso.
Cheguei a Viracopos às 16h30min em um voo que festejava a inauguração, com exclusividade na América Latina, de serviço de televisão, em tempo real, a bordo. Frui a novidade podendo acompanhar diferentes canais noticiosos (greve dos bancários e dos correios, julgamento do mensalão...) ou partidas como Chelsea X Juventus pela liga dos Campeões da Europa. No aeroporto fui atenciosamente esperado pelo Prof. Pedro da Cunha, da Faculdade de Educação.
Não posso deixar de registrar estar por 1,5 dias na Universidade Estadual de Campinas — a UNICAMP, uma das mais importantes universidades da América Latina. Aqui, na noite de ontem, iniciei minicurso: PROPOSTAS PARA AÇÕES INDISCIPLINARES USANDO A HISTÓRIA E A FILOSOFIA DA CIÊNCIA que conclui na noite de hoje. Ainda, na manhã de hoje tenho um segmento em uma mesa-redonda: “As Ciências Exatas nas Humanas”. Estas atividades integram a 6ª Semana da Educação - Unicamp.
No badalado RUF — Ranking Universitário Folha — divulgado em caderno especial de 3 de setembro de 2012 aponta a UNICAMP em 5º lugar. Apresento uma tabela de 10 primeiras em 188. 
Para não ser omisso ao gauchismo, saúdo o 4º lugar da UFRGS — fiz a graduação, mestrado e doutorado e fui professor e também gestor acadêmico —.
Trago uma crítica olhando a situação particular da Instituição onde estou hoje. Para entendê-la é preciso conhecer como é feito o RUF. Antecipo que não tenho procuração da UNICAMP para o questionamento.
Os quatro indicadores que compõem a fórmula do RUF são:
1) Qualidade da pesquisa: A Folha analisou nove indicadores das universidades relacionados à pesquisa científica, como proporção de professores com doutorado, número de artigos científicos por docente e número de publicações.
2) Qualidade de ensino: o Datafolha entrevistou 597 pesquisadores do CNPq. A cada um deles foi pedido que apontasse as 10 melhores instituições brasileiras em sua área. Peso: 0 a 55 pontos.
 3) Avaliação do mercado: O Datafolha entrevistou 1.212 diretores, gerentes ou profissionais responsáveis pelos recursos humanos de empresas e instituições brasileiras, amostra definida para representar todo o setor do país. Para cada um deles foi pedido que apontasse as três instituições de ensino superior para os quais dariam preferência em um processo de contratação. Peso: 0 a 20 pontos.
 4) Indicador de inovação: A Folha analisou a quantidade de pedidos de patentes por cada universidade. Peso: 0 a 5 pontos.
Mesmo um leigo no assunto questionaria o terceiro indicador. Eis a situação da UNICAMP em cada um dos indicadores: na qualidade da pesquisa, é a segunda; na qualidade do ensino, é a segunda [perde apenas para USP, nos dois itens]; no indicador de inovação, é primeira; mas na avaliação do mercado, tem mais de 30 na sua frente. É preciso ver que este item de peso 20 em 100, enquanto pedidos de patentes tem cinco.
Assim, há que reconhecer minha gratificação. Tenho o privilégio de ser convidado, mais uma vez, para falar em uma das mais importantes universidades da América Latina.
E, aos que vivem no Rio Grande do Sul, adito votos de um bom feriado.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

19.- HIPÁTIA



Ano 7***          PORTO ALEGRE    ***Edição 2240
Uma quarta-feira para qual se prognostica ainda chuva. Esta, pela qual tanto se pediu, desde domingo, é desabrida. Já se fala de ‘enchentes de São Miguel’, cuja data está a dez dias. Ontem tanto nas aulas da manhã quanto da noite de Teoria do Desenvolvimento Humano a chuva justificou ausências.
Não entro no clima de vigília de feriado (amanhã é festa maior dos gaúchos), pois no começo desta tarde vou a Campinas, onde participo de mais uma edição (a sexta) da Semana da Educação - Unicamp. Hoje e amanhã, à noite, ministro um minicurso: PROPOSTAS PARA AÇÕES INDISCIPLINARES USANDO A HISTÓRIA E A FILOSOFIA DA CIÊNCIA e amanhã pela manhã tenho um segmento em uma mesa-redonda: “As Ciências Exatas nas Humanas”.
Ontem tive uma surpresa ao ler um texto acerca de Hipátia na Zero Hora. Ela é assunto recorrente aqui e está presente em dois de meus livros {A ciência através dos tempos e A Ciência é masculina? É, sim senhora!} e também quando falo de ‘mulheres na Ciência. Já fiz aqui também comentários do filme que foi lançado como “Ágora” e depois passou a chamar-se “Alexandria”.

Por tudo isso me encantou quando Cláudio Moreno — articulista de Zero Hora e meu colega como professor de Cursinho nos anos 60 — traz algo daquela que,  com Giordano Bruno, faz parte de vitrais que tenho no meu Scriptorium e por isso comparto com meus leitores.
Homens e mulheres (18) Pouco se fala em Hipátia, a jovem e trágica filósofa de Alexandria, fascinante personagem que a História praticamente escondeu. O que a perdeu foram suas virtudes: além de jovem e bonita, era extremamente brilhante, uma qualidade intolerável para uma mulher que, como ela, viveu no séc. 4 depois de Cristo. Educada pelo pai, Téon, também cientista famoso, ela o suplantou em tudo, sendo considerada por muitos autores contemporâneos – todos homens, é bom que se diga – como a mais brilhante matemática e astrônoma de seu tempo. Além disso, foi estudar filosofia em Atenas, onde conquistou o respeito unânime de seus mestres e colegas.
De volta a Alexandria, sua inteligência e sua erudição fora do comum atraíram discípulos e admiradores incontáveis – alguns, inclusive, dela se enamoraram, fascinados por aquela mistura preciosa de beleza e sabedoria; ela, no entanto, nunca teve homem, dedicando a castidade e a juventude ao estudo e à ciência. Vestida com o manto dos filósofos, andava pelas ruas centrais da cidade, explicando, a quem pedisse, os escritos de Platão e de Aristóteles. O próprio prefeito da cidade era seu discípulo e frequentemente vinha consultá-la, acompanhado de seus magistrados. Ironicamente, a seriedade de sua carreira e o imenso prestígio de que desfrutava atraíram a inveja de inimigos poderosos, que decidiram que ela tinha de morrer.
O cristianismo ainda estava se consolidando em Alexandria, e seus adeptos viam em Hipátia uma perigosa representante do paganismo, pois ela, com todo seu brilho, mantinha viva a cultura clássica dos gregos. Dizem que seu destino foi selado quando um dos bispos passou em frente à casa dela e se espantou com a pequena multidão ali reunida; ao saber que toda aquela gente estava ali para ouvi-la falar, incitou seus seguidores para que calassem para sempre a voz da jovem filósofa: quando ela saiu para sua caminhada costumeira, uma turba feroz de fanáticos a atacou, despindo-a e arrastando-a pelas ruas até o pátio de uma igreja. Ali, numa cena de incrível selvageria, retalharam seu corpo, arrancaram seus olhos, separaram-lhe a carne dos ossos e queimaram depois os despojos sanguinolentos; para justificar este crime hediondo, acusaram-na de feitiçaria e magia negra e esconderam o nome de seus assassinos debaixo de uma rede de versões contraditórias. A corajosa Hipátia pagou pelo pecado imperdoável de ser uma mulher culta num mundo exclusivamente masculino; seus matadores, agindo como se ela fosse uma aberração que precisava ser extinta, queimaram também suas obras e sepultaram seu nome no silêncio inexplicável dos livros de História. Hoje, mais do que nunca, ela volta para lembrar o quanto, apesar de tudo, nosso mundo melhorou – e muito.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

18.- HIALOTECNIA: QUE ISSO?



Ano 7*** www.professorchassot.pro.br ***Edição 2239
Na última quinta-feira, quando de minha jornada em Bagé, almoçava com vários docentes da Unipampa, quando foi referido um colega do grupo — ausente da refeição — que se diz ser ‘hialotécnico’. Eu disse que desconhecia o que fazia tal profissional.
Ante a descrição das habilidades e também dos artefatos produzidos, disse que, agora sabia o que era: vidreiro e recordei que conhecera, especialmente quando fui professor do Instituto de Química da UFRGS, vários exímios profissionais. E, então, meu imaginário retornou a oficinas de vidro, e voltei a me reencantar com a destreza de vários vidreiros que conheci.
Logo fui advertido que era de mau tom chamar de vidreiro. O correto é hialotecnista ou técnico em hialotecnia. Chamar de vidreiro é como chamar um coiffeur de barbeiro ou cirurgião de açougueiro ou carniceiro.
Lembro que nas aulas práticas de Química Geral, em 1962, com o prof. A. J. J. Wieck tive aulas de hialotecnia. Mas fui um inábil, mesmo que muito desejasse fazer uma pipeta com bulbo não consegui, tendo feito bolhas nos dedos por queimaduras e estragos no guarda-pó. Quando fui professor da disciplina levava os alunos na oficina do vidreiro.
Aprendo, para fazer esta edição que hialo (do grego húalos, -ou), pedra transparente, pedra cristalina, lente, vidro.
Hialo é elemento de composição de várias palavras que exprime a noção de vidro ou espelho (ex.: hialografia).
Hialógrafo (hialo- + -grafo) Instrumento para desenhar e tirar provas.
Hialoide: [Anatomia] Diz-se de ou membrana que encerra o humor vítreo do olho. Que tem a transparência do vidro. = HIALINO de um desenho, por meio de um espelho.
Hialino
1. Do vidro ou a ele relativo. = VÍTREO
2. Transparente (como vidro). = HIALÓIDE
3. [Geologia] Que se assemelha ao vidro e não apresenta cristais a olho nu. = VÍTREO
 Hialotecnia é o nome dado ao processo de moldagem do vidro e também considerada como a arte de fabricação de vidraria científica para laboratórios. Sua idade data dos tempos da alquimia, quando os mestres do fogo como eram chamados, tinham a habilidade de preparar o seu próprio vidro, desenvolvendo os vidros cada vez mais resistentes.
Atualmente os chamados de quartzo, ou quarzo de vidro são os mais resistentes vidros já fabricados, sua fundição supera os 2.000º C. Seguidos dos borossilicatos que são os com maiores aplicações no cotidiano científico.
 Juntos os hábeis vidreiros desenvolviam com os mais brilhantes alquimistas, as curas para os males do mundo, buscavam descobrir um elixir para a longa vida, e transformar metais em ouro.
NOTÍCIA: Lançado, há um ano, pela Editora UFMG, o livro “Hialotécnica – Arte e Vidro” apresenta, em linguagem clara, uma introdução à técnica de produzir e manusear o material. “É um livro para iniciantes que oferece os fundamentos a qualquer um que deseja efetuar um trabalho técnico”, define Celso Fonseca, autor do livro e professor do Colégio Técnico com especialização em Hialotécnica. O trabalho é o primeiro livro publicado em língua portuguesa dedicado exclusivamente a hialotecnia.
PARA CONHECER MAIS: http://magiadovidro.com.br/

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

17.- UMA BOA DOSE DE OTIMISMO

Ano 7*** www.professorchassot.pro.br ***Edição 2238
SHANÁ TOVÁ UMETUKA //
FELIZ ANO BOM E DOCE. Desde o cair do sol de ontem aquelas e aqueles de fé (e de tradição judaica) celebram o início do ano 5773. Este blogue deseja a cada um que ocorra a desejada Paz e o sonhado diálogo entre culturas e religiões.
A última quinzena do terceiro trimestre corre. Nada melhor que começar uma semana prenhe de otimismo. A proposta é de Hélio Schwartsman, talvez o melhor articulista da Folha de S. Paulo.
Antes de trazer Abundância e otimismo que está na p. A2, dos mais de 350 mil exemplares da Folha que circulou ontem, ajudado pela Wikipédia, um necessário preâmbulo, decorrente de uma referência do articulista.
Candide, ou l'Optimisme é um conto filosófico em tom de sátira publicado pela primeira vez em 1759 por Voltaire. A novela já foi traduzida em centenas de línguas e, em português, seu título é Cândido ou O Otimismo ou simplesmente Cândido. Foi escrito, ao que parece, em três dias, em 1758, ainda sob a impressão do terremoto de Lisboa, com assinatura de um pseudônimo, "Monsieur le docteur Ralph. Narra a história de um jovem, Cândido, vivendo num paraíso edênico e recebendo ensinamentos do otimismo de Leibniz através de seu mentor, Pangloss. A obra retrata a abrupta interrupção deste estilo de vida quando Cândido se desilude ao testemunhar e experimentar iminentes dificuldades no mundo. Voltaire conclui a obra-prima com Cândido — se não rejeitando o otimismo— ao menos substituindo o mantra leibniziano de Pangloss, "tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis", por um preceito enigmático: "devemos cultivar nosso jardim."
Agora então o texto, do qual é contra exemplo um colega meu de graduação, que respondia assim ao meu: Como vais? Bem pior que ontem, mas muito melhor que amanhã!
Abundância e otimismo - Se você leu "Cândido", de Voltaire, e achou o dr. Pangloss um sujeito muito otimista, é porque não abriu "Abundance", de Peter Diamandis e Steven Kotler.
Os autores, um milionário com formação em engenharia espacial, genética e medicina e um jornalista científico, dizem com todas as letras que a humanidade está para entrar numa era de superabundância, na qual tecnologias tornarão itens essenciais tão baratos que todos os habitantes da Terra terão acesso a bens e serviços até há pouco ao alcance apenas dos muito ricos. E tudo isso no horizonte de uma geração.
Nosso primeiro impulso é tachar Diamandis e Kotler de malucos e voltar a maldizer os tempos e os costumes. O problema é que eles apresentam argumentos para apoiar sua tese. O ponto central é que a tecnologia tem crescimento exponencial. Hoje, um guerreiro massai com seu smartphone tem acesso a mais informações do que dispunha o presidente dos EUA apenas 15 anos atrás.
Para a dupla, revoluções semelhantes estão para acontecer no acesso a água, alimentos, energia, educação e saúde. No que é provavelmente o aspecto mais interessante do livro, os autores descrevem dezenas de pesquisas, algumas bem adiantadas, que poderão em breve mudar a face do mundo. São coisas como membranas que dessalinizam a água, carne sintetizada em tubos de ensaio, reatores nucleares portáteis e telefones celulares que realizam exames de sangue em seus donos.
Os autores têm até explicação para o fato de não acreditarmos muito nessas promessas. Como fomos programados para ver o mundo como um lugar ameaçador, nutrimos um inescapável pessimismo global, que não nos deixa perceber as revoluções silenciosas de que participamos.
Talvez sim, talvez não. "Abundance" é definitivamente um livro ousado, e mesmo que lhe apliquemos um deságio cético de, vá lá, 80%, ainda sobram coisas surpreendentes.
Ano 7*** www.professorchassot.pro.br ***Edição 2

domingo, 16 de setembro de 2012

16.- (QUASE) PRIMAVERA


Ano 7*** www.professorchassot.pro.br ***Edição 2237
Astronomicamente — pomposo este advérbio — a primavera / o outono iniciam no próximo sábado. A natureza sabe ser indisciplinada. No Hemisfério Sul, nas geografias daqui, a primavera começou mais cedo. A parreira, podada há semana se faz viçosa. Antes de trazer a pauta primaveril, concebida para esta domingueira, duas efemérides sabatinas.
Pela manhã, no Seminário ‘Educação e Inclusão’ do Mestrado Profissional de Reabilitação e Inclusão o José Clovis de Azevedo expôs, com bastante discussão, a sua tese ‘Merco Escola versus Escola Educadora’ fazendo-se uma manhã sumarenta.
À tarde fui a Estrela, para as comemorações do segundo aniversário do Felipe, ocorrido dia 8. Ele, como o Guilherme, é meu neto filho da Ana Lúcia e do Eduardo. Foi uma tarde de dulçoroso avonar, pois lá encontrei o Pedro, filho do André e da Tatiana. Os 2 x 120 km foram na ida muito curtidos com a Carolina e a Maria Clara, junto com Clarissa e o Carlos; na volta a alegria foi estar com a Maria Antônia e seus pais Bernardo e Carla. 
Mas cumpro a pauta. Tenho um amigo que se refere a meus jardins suspensos, aos jardins de Aticodonosor. Tenho aqui no 8º piso araçazeiro, amoreira, pitangueira, jabuticabeira, três palmeiras, uma araucária e esguios cactos.
Mas jardim evoca flores e essa blogada domingueira se faz com um registro imagético de alguns detalhes da Morada dos Afagos. Estas amostras são — de uma maneira mais especial — para a Gelsa curtir no Hemisfério Norte, na celebração da passagem do primeiro dos quatro meses de separação.