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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

24. Não se acende uma vela e...


Cuiabá Ano 5 # 1574

Como ontem trago alguns relatos cuiabanos ao quais adito fragmentos extraídos do baú de comentários. Um e outro destes dois extratos tecem a blogada desta quarta-feira, na qual, à meia tarde deixo Cuiabá para chegar – queiram os deuses que cuidam dos voos – a meia-noite no aeroporto de Porto Alegre, onde amanhã tenho a defesa de dissertação de minha orientanda Sarisa Barbosa. Mas antes um registro grave.

Preocupação: Um grupo de defesa dos direitos dos travestis no Rio Grande do Sul recebeu ameaças por telefone de supostos neonazistas na segunda-feira. Na ligação, o interlocutor advertiu que a 14ª Parada Livre de Porto Alegre, que será realizada no próximo domingo, no Parque da Redenção, será o alvo.

O telefonema foi feito para a sede do Igualdade — Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul. O homem do outro lado da linha procurava por Marcelly Malta, presidente do grupo e organizadora da Parada Livre. Com a ausência da dirigente, ele deixou um recado: que os neonazistas da cidade de Santa Cruz do Sul estavam se organizando para o evento. "Vocês já se aprontem para domingo", ameaçou o homem, para depois desligar o telefone.

Do diário de Bordo: Minha manhã desta quarta-feira tem na agenda a participação no Seminário Educação 2010: Educação, Formação de Professores e suas dimensões sócio-históricas: Convergências e tensões www.ie.ufmt.br/semiedu2010 --, um

evento que reúne cerca de 1.500 pessoas. Tenho uma intervenção em uma das quatro mesas redondas que acontecem em paralelo: As continuidades e descontinuidades nas Políticas de Formação de Professores e suas implicações na prática pedagógica docente. Palestrantes: Ana Canen (UFRJ) Attico Chassot – (UFRGS/IPA) Porto Alegre. Heloísa Salles Gentil (UNEMAT) Coordenadora da Mesa: Jorcelina Elisabeth Fernandes (UFMT). No meu segmento pretendo privilegiar: Indisciplina como possibilidade de alfabetização científica‘.

Ontem, assisti a uma das quatro mesas-redondas da manhã: História da Educação Matemática: Problematizando o presente. Palestrantes: Maria Ângela Miorim (UNICAMP) Arlete de Jesus Brito (UNESP) Coordenadora da Mesa: Rute de Cunha Pires (UFMT). Penso ter feito uma excelente eleição, pois aproveitei muito.

No momento seguinte fui ao Departamento de Química oo Instituto de Ciências Exatas e no Laboratório de Pesquisa em Ensino de Química fiz a palestra A Ciência como instrumento de leitura para explicar as transformações da Natureza. Afora as emoções de falar para dezenas de meus leitores – e essa sempre me parece ser a resposta que me dou à pergunta: por que aceito tantos convites para palestras? Nesta fala houve emoções fortes de encontrar muitos conhecidos de priscas eras. Aqui destaco a presença de minha querida amiga Lídia, que assistiu a um curso de especialização que dei há cerca de 30 anos no Departamento de Química da UFMT. Também revi colegas que participaram de atividades nas escolas salesianas: São Gonçalo e Sagrado Coração de Jesus. Também estavam vários participantes de meu minicurso no ENEQ de julho em Brasília.Ao final muita tietagem com pedido de fotos.

Ao meio-dia junto com a Irene e o André, em uma peixaria matamos saudades, pois o último encontro que tivera com o casal já era anterior a defesa da Irene (1996). Ao saborear delicias dos pratos de peixes cuiabanos, foi muito gratificante ouvir do André – um geólogo que está em diferentes países do mundo envolvido com perfuração de petróleo – dizer o quanto para ele a palestra da manhã fora significativa e envolvente. Ter atratividade para aqueles que não são da área do ‘ensino das Ciências’ é muito importante para mim.

Do baú de comentários: Em mais de um momento já escrevi aqui que me parece que os poucos comentários que são aditados pelos leitores às blogadas não são fruído pelos demais visitantes. Mormente isso parece acontecer, quando estas adições ocorrem, passado uns dias da postagem. Mesmo que diga que edição velha de um blogue não é como jornal velho, que só serve para enrolar peixe, comentários, quando sumarentos, merecem ser revitalizados.

Agrada-me aquele texto que parece estar em Mateus: não se acende uma vela e se coloca debaixo da mesa, mas num lugar de destaque para que dê a luz a todos que estão na casa (ex memoria citatur). Assim trago um comentário que foi postado neste domingo á postagem de seis de novembro, quando antecipei detalhes acerca do livro que estou preparando, para celebrar em 2011, meus 50 anos de professor. Seu autor é Carlos Alberto Gianotti. Ele foi um renomado professor de Física; hoje, é muito competente editor, que sabe, também. viver as doçuras do avonado. Eis seu escrito:

Chego um tanto tardiamente a essa data neste blog; mas chego. Poderia deixar registrado aqui um parabéns atrasado e dizer que vou aguardar o novo livro que este professor está a prometer. (Aguardar não sem curiosidade de lê-lo.) Mas comentarei mais, marcarei um pequeno depoimento, uma lembrança.
Percebi Chassot por volta de 1965, no Colégio Júlio de Castilhos, Porto Alegre; ele professor de Química, eu aluno. Não tive o privilégio de tê-lo como professor. Mantém-se dessa época, no entanto, uma clara lembrança de vê-lo nos intervalos entre uma e outra aula no turno da noite que eu frequentava, caminhando pelo corredor desde a sala de uma turma, dirigindo-se à de outra. Terno e gravata, comedido. Um colega certa vez, enquanto ele passava, comentou: Este é um grande professor! A ideia ou noção de “grande professor” já está há muito em desuso. Entretanto, essa era uma expressão que, à época, empregava-se para condicionar determinados professores, pelo domínio do conteúdo da disciplina que professavam e habilidade em transmiti-lo. Do Julinho dos anos 1960, ainda recordo de alguns grandes professores, como Emílio Ripoll, Décio Floriano, Irene Bohrer, Eugênia, Kiel, Gilberto Gonçalves da Silva, entre outros. O então jovem Chassot já era considerado um deles. Ainda é um grande professor, conquanto a expressão tenha se tornado desútil. (Porém, se algum dia precisar me submeter a uma cirurgia, buscarei um grande cirurgião; quando entro no Boeing, penso com meus botões: tomara que no manche esteja um grande comandante.)
Ao longo da vida reencontrei Chassot aqui ou ali. Foi a partir da segunda metade dos anos 1990 que mantivemos um relacionamento mais estreito na Unisinos, São Leopoldo, RS, onde ele desenvolvia suas atividades no PPG em Educação, e eu na Editora como editor. Incontáveis nesse período foram as nossas conversas após o almoço no câmpus da Universidade. (As maneiras de perceber as coisas deste mundo nem sempre são coincidentes, ainda que, considero eu, por caminhos díspares convergimos para o mesmo ponto essencial.) Muitas foram as ideias que ele trouxe para a Editora. Tive o prazer de editar dele A ciência e masculina?
Agora, com satisfação, leio o esboço do sumário do seu novo livro, assinalando os seus 50 anos de magistério. Vai ser um prazer ler Chassot.
Sempre, Gianotti.

Agradeci, não sem ser tomado de emoções, assim:

Muito querido amigo Gianotti,

ainda estou com os olhos embaçados de ler teu comovente comentário. As emoções se fazem em duas dimensões: a primeira, a tua evocação de vários titãs, a maioria já pertencendo a outros páramos. A segunda, as bonitas referências que fazes aos entrelaçamentos de nossas histórias em cerca de meio século.

É muito bom chamar-te de amigo;

Com muita estima, attico chassot

Um e outro silenciamos outra passagem em nossas vidas, que, vez ou outra, nós já evocamos: Eu ministrei aulas para o Carlos Alberto e a Suzana no curso de noivos. Provavelmente fui um muito bom professor, então, pois os dois vivem um bonito matrimônio há algumas décadas.

Adito meus votos de uma excelente quarta-feira. Amanhã – e uma vez mais evoco os deuses guardadores dos voos – podemos nos ler de Porto Alegre.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

23. Ainda falando em modelos

Cuiabá Ano 5 # 1573

Do diário de Bordo: Uma postagem desde a cálida Cuiabá. Cheguei a Várzea Grande – município onde está o aeroporto – já quase meia-noite pelo horário de Brasília. Aqui estamos com uma hora menos. No aeroporto fui, de maneira muito atenciosa, acolhido pelo Sassa e pelo Eduardo, professores mato-grossenses que fazem mestrado no Programa de Pós Graduação em Educação na UFMT. No hotel recebi as boas vindas das Profªs. Drªs Filomena Maria de Arruda Monteiro Coordenadora do 18º SEMIEDU) e Andréia Dalcin ( Vice-Coordenadora e minha ex-aluna na ULBRA);

O voo saiu de Porto Alegre com um atraso de 1,5 hora, mesmo que houvesse me tencionado em um engarrafamento para chegar ao aeroporto. No primeiro voo tive a direita e a esquerda as excelentes companhias o empresário Gerson e do engenheiro Harrison. Aprendi muito com um e outro e quando chego ao hotel encontro este comentário: Mestre Chassot, seu blog é genial, pessoas como o senhor é que mantém as luzes do mundo acessas. Forte Abraço, Harrison. Um belo presente de quem também aprendi como se acessa a área de trabalho no Windows 7.

Não sei quantas vezes já estive em Cuiabá. A primeira foi em 6 de janeiro de 1975. Quando rumo ao Campus Avançado da UFRGS em Porto Velho partimos da Base aérea de Canoas, em um DC-3 da FAB. A viagem era uma operação militar. Viemos a Cuiabá, de onde partimos, como previsto, só no dia seguinte. Não recordo onde dormimos (hotel ou quartel), mas lembro que a janta foi num quartel. Depois, já nos anos 80s vim dar um curso de Educação Química na UFMT. Em 1994/95 vim algumas vezes pois era professor do Mestrado em Educação da UFMT. Aliás, dos 21 mestrandos que formei, a primeira foi neste curso: Irene Cristina de Mello: Contribuições ao ensino da Tabela Periódica privilegiando a História da Ciência. A hoje doutora defendeu a dissertação em 13 de dezembro de 1996. Depois ainda estive em um evento de ensino de Ciências, com a Gelsa, quando daqui fomos ao Pantanal. Mais recentemente vim duas vezes para palestras em escolas salesianas.

A partir de agora, assisto atividades do 18º Seminário de Educação No final da manhã vou ao Instituto de Química e, a convite da Irene e da Elane Soares, minha ex-aluna no Mestrado e que se faz de minha biógrafa em uma atividade enquanto doutoranda da PUCRS esta manhã faço uma fala A Ciência como instrumento de leitura para explicar as transformações da Natureza.

Na semana passada – na quinta e sexta feira – trouxe algumas reflexões acerca da necessidade de fazermos modelos da realidade. Trata-se do texto Sobre los probables modelos de átomos que publiquei em Annales de La Real Sociedad Española de Química, Madrid, v. 98, n. 1, p. 50-51, 2002. Trago hoje a terceira e última parte.

Uma preocupação que deve permear toda tentativa de entender as Ciências, e isso vale para a Biologia, para a Física ou para a Química, é a que as fórmulas e as leis, elaboradas a partir de modelos, procuram fazer aproximações da realidade, dentro das duas limitações antes referidas. Talvez valesse sublinhar que se tenta fazer aproximações da realidade e dificilmente se tem dados precisos da realidade, mas apenas aproximações. Com a Matemática talvez pudéssemos dizer que ocorre o contrário: aproximamos as realidades dos modelos matemáticos.

A propósito, quando considero que na Química fazemos modelos de realidades e na matemática trazemos realidades para modelos vale, mesmo que lateralmente uma consideração em uma dimensão contrária àquela que até aqui foi apresentada. Todos os comentários foram sobre o quanto os modelos nos ajudam a entender a realidade.

Agora queria trazer situação diferente. O mundo cibernético nos impõe uma outra maneira de pensar. Refiro-me a situação de quando se cria através de modelos realidades que passarão existir somente a partir dos modelos. Por exemplo, projetistas de automóveis constroem protótipos virtuais – e poderíamos questionar se esse protótipo é real ou virtualcapaz de evidenciar, numa quase realidade, propriedades como resistências aerodinâmicas ao atrito, consumo de combustível, abrasão em diferentes situações climáticas etc. depois da submissão a diferentes testes é que o protótipo poderá se tornar real, se é que se possa dizer que antes fosse (apenas) virtual. Temos que convir que, por exemplo, programas como o autocad não apenas quase desterraram a prancheta, mas estão a exigir que reformulemos as bases epistemológicas de nossos conceitos de modelos.

Tenho procurado destacar que é difícil, às vezes, fazer bons modelos, até porque conhecemos pouco a respeito do modelado. Isso é difícil também por ser complexa a interação com o modelado. Vale recordar o quanto é mais fácil fazer um modelo da parte externa de um aparelho de televisão de que de seus complexos circuitos internos.

Não obstante, é preciso insistir que uma simplificação não significa que o modelo esteja errado. O modelo é, apenas, menos sofisticado, porém, em determinadas circunstâncias, pode ser o mais adequado para tratar certos conhecimentos. Recordemos, uma vez mais, como um banhista precisa conhecer sobre ondas (diferentemente de um surfista) para prevenir-se de um repuxo. Assim, o modelo de gás ideal é adequado para a maior parte das situações em que tratamos de moléculas de gases; nessas situações, damos um tratamento de gás ideal para um gás real.

Aqui foram introduzidas duas adjetivações para gás que são decisivas para entender muitas situações. Um gás ideal é apenas um modelo, porém não é um gás, que exista na natureza, mesmo que acerca do mesmo façamos a maior parte das teorizações da Física e da Química. Uma planta de uma casa, por mais detalhada que seja, não é uma casa real. Somente podemos morar nela em sonhos. Nenhuma pessoa, quando compra ingresso para um teatro, escolhendo o local em uma planta da sala de espetáculos do teatro, aceita sentar-se no lugar escolhido no modelo. Queremos um assento real e para escolhê-lo é que recorremos ao modelo. A sofisticação não significa, necessariamente, precisão. Um modelo simples pode ser até mais correto e mais útil que o mais sofisticado. Permita-me retornar à planta do teatro. Se nesta tiver os circuitos elétricos, a localização dos condutos de ar condicionado e os detalhes da rede hidráulica, o modelo seria mais completo (mais sofisticado e mais útil para um técnico que precisasse detectar um defeito, por exemplo, no sistema de iluminação), porém, muito provavelmente menos útil para a seleção das melhores localidades para assistir a um espetáculo.

É importante recordar, sempre, que a simplificação de um modelo traz facilidades e adequações que, muitas vezes, um modelo mais elaborado não apresenta. Encerro este texto, na expectativa que um pouco de história recente nos currículos de Ciências tenha instigado envolvimentos com questões atuais de propostas que busquem uma mais eficiente alfabetização científica. Trago, de novo, a resposta dada à questão de abertura deste segmento: Qual o modelo de átomo que devo usar para entender algo relacionado ao mundo atômico? Uma adequada resposta é: Depende para quê os átomos modelados vão ser usados depois...

Com votos de uma boa terça-feira um convite para nos encontrarmos aqui amanhã. Até então.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

22. Patrimônio intangível

22. Patrimônio intangível

Porto Alegre Ano 5 # 1571

Pois está começando a última semana inteira de novembro. A próxima segunda-feira será antevéspera de dezembro. O comércio já esta em ritmo de natal, com papais-noéis cujas risadas mais parecem arrotos.

Uma madrugada quente: mesmos que ditos meteorologistas, que nos brindam com previsões do tempo nas emissora de rádio, onde poderiam dispensar alguns comentários, digam dia de tempo bom, este não é, enquanto se prolonga a estiagem.

Esta minha segunda-feira deverá terminar em Cuiabá: o centro geodésico da América do Sul, nas coordenadas 15°35'56",80 de latitude sul e 56°06'05",55 de longitude oeste. Vou à capital de Mato Grosso para participar da 18ª edição do Seminário de Educação – SEMEDU 2010 – que começou na noite de ontem. Tenho uma fala no evento na manhã de quarta-feira, sendo que amanhã pela manhã, aproveitando minha estada na UFMT falo no Instituto de Química.

Esta tarde, logo depois de uma atividade de orientação e de aula na Universidade do Adulto Maior vou ao aeroporto para em dois voos: Porto Alegre/São Paulo Congonhas/Cuiabá, chegar a cidade conhecida por alguns como a mais quente do Brasil. Esta é minha penúltima viagem deste ano: no próximo sábado, viajo a Boa Vista em Roraima.

Para a blogada de hoje trago algo acerca de Patrimônio Cultural Intangível ou Patrimônio Cultural Imaterial. Este compreende as expressões de vida e tradições que comunidades, grupos e indivíduos em todas as partes do mundo recebem de seus ancestrais e passam seus conhecimentos a seus descendentes.

Apesar de tentar manter um senso de identidade e continuidade, este patrimônio é particularmente vulnerável uma vez que está em constante mutação e multiplicação de seus portadores. Por esta razão, a comunidade internacional adotou a Convenção para a Salvaguarda.

O assunto é pautado a partir de notícia em jornal da última sexta-feira: A acupuntura chinesa, o flamenco espanhol, a arte de domar falcões na Mongólia e a de produzir biscoitos de gengibre no norte da Croácia, além de outras 43 atividades tradicionais, ganharam nesta semana o status de patrimônio da humanidade da Unesco.


Desde a última quarta-feira, integram um seleto grupo de 232 monumentos "intangíveis" – ou seja, feitos não de pedra ou ferro, mas resultado de anos de transmissão de pai para filho.
Para fazer parte dessa seleção anual, os organizadores consideram as tradições culturais que contribuem para manter viva a história de um povo.

O Brasil, dessa vez, ficou de fora. Nenhum símbolo da nossa cultura foi escolhido.
No caso do flamenco, nascido na região de Andaluzia, no sudeste espanhol, a justificativa para a honraria é a de ser "uma dança apaixonante e conhecida por envolver todos os sentimentos humanos, da tristeza à alegria". Também estão lá manifestações gastronômicas como a "dieta mediterrânea", encontrada em países como Espanha, Grécia e Itália. São pratos feitos com azeitona, cereais, frutas frescas e vegetais, além da presença de uma quantidade moderada de peixe, acompanhados de um copo de vinho.

Há rituais exóticos, como a "procissão pulante" de Echternach (Luxemburgo), tradição milenar em que moradores percorrem as ruas saltitando ao som de uma banda. Outra manifestação agraciada, as "torres humanas", chamam a atenção nos festivais da Catalunha. São andares de pessoas, umas em cima das outras. Os de cima se equilibram nos ombros dos de baixo. Para evitar que tudo vá ao chão, os mais fortes ficam na base. A tradicional medicina chinesa, representada pelo milenar método da acupuntura, também está presente.

Adito a notícia: Em São João del-Rei, Minas Gerais, um exemplo de patrimônio cultural imaterial é o modo de tocar dos sinos, cuja "linguagem" é peculiar meio de comunicação e está sendo objeto de registro pelo IPHAN. Em Minas Gerais, por exemplo, a técnica artesanal de se de fazer o queijo minas (Queijo do Serro, especialmente) é importante registro de patrimônio intangível. Em Pirenópolis, Goiás, outro exemplo de patrimônio imaterial é a Festa do Divino de Pirenópolis, criada em 1819 e festejada até hoje. É na Festa do Divino que são apresentadas as Cavalhadas, represeentação da luta entre mouros e cristãos na Idade Média.

Uma boa segunda-feira e votos de uma produtiva semana. Um convite para nos lermos amanhã desde Cuiabá. Antecipo agradecimento pela companhia de cada uma e cada um de meus leitores.




domingo, 21 de novembro de 2010

21 Exercícios para cérebros NÃO enferrujados

Porto Alegre Ano 5 # 1571

Se ontem não segui a regra sabática de trazer dicas de leituras aos sábados, o preceito dominical – blogadas amenas – será cumprido. Gostei de uma destas dezenas de mensagens recebidas. Brindo meus leitores com um Exercício para cérebros NÃO enferrujados.

Mas, antes dois instantâneos do almoço que a Gelsa – uma aniversariante muito feliz – ofereceu ontem para 24 pessoas. No primeiro ela está com sua filha Laura, a Liba, sua mãe e a tia Tereza, orgulhosa madrinha da aniversariante. São três gerações que fazem história. No outro vemos uma representação da quarta geração: Antônio, Maria Clara, Pedro e Guilherme (dos seis netos faltam a primeira: Maria Antônia e o último: Felipe; uma e outro presentes na festa, mas momentaneamente em outra sala) sob os olhares atentos da mamães Clarissa e Tatiana.

E agora votos de êxito no exercício.

Não deixe de ler.
De aorcdo com uma peqsiusa

de uma uinrvesriddae ignlsea,

não ipomtra em qaul odrem as

Lteras de uma plravaa etãso,

a úncia csioa iprotmatne é que

a piremria e útmlia Lteras etejasm

no lgaur crteo. O rseto pdoe ser

uma bçguana ttaol, que vcoê

anida pdoe ler sem pobrlmea.

Itso é poqrue nós não lmeos

cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa

cmoo um tdoo.

Sohw de bloa.

Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

Consegues encontrar 2 letras B abaixo? Não desistas senão o teu desejo não se realizará...
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRBRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRBRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
Uma vez que encontrares os B
Encontra o 1
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIII1IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Uma vez o 1 encontrado.
Encontra o 6
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999699999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999

Uma vez o 6 encontrado ......
Encontra o N (É díficil!)
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMNMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
Uma vez o N encontrado...
Encontra o Q
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOQOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Cumprimentos por um cérebro lúcido. Um muito bom domingo uma excelente semana!!!

sábado, 20 de novembro de 2010

20. DIA DA CONSCIENCIA NEGRA


Porto Alegre Ano 5 # 1570

Este 20 de novembro é dia festivo em centenas de munícipios brasileiros. Somos chamados a refletir sobre o racismo.

Pareceu-me que não cabia honrar a tradição sabática e falar em dicas de leituras. Se fosse o caso recomendaria “Negras Raízes” [de Alex Haley, que originou a premiadíssima série ‘Roots’ em 1977] que li há mais de 30 anos e ainda evoquei na aula de História e Filosofia da Ciência ontem, como talvez o livro que mais tenha me impressionado. Também não cabe falar de Zumbi (Alagoas, 1655 — Viçosa, 20 de novembro de 1695) foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares.

Pensei muito no que trazer hoje. Optei por um pequeno excerto da abertura da carta pastoral dos bispos e bispa da Igreja Metodista. Nele minha reflexão acerca deste dia que não só de festa e de uma contrita reflexão.

O racismo é herança do pensamento europeu,

originado durante a colonização dos outros

continentes e dominação de seus povos. Por meio

desta visão, os europeus - cujo perfil físico é pessoa

branca, olhos azuis, cabelos lisos e loiros formariam

o grupo superior, padrão de humanidade.

Outros povos seriam inferiores, como ciganos,

indianos, árabes, indígenas americanos,

nativos australianos; e, no extremo desta escala,

os povos africanos constituiriam o grupo humano

mais inferior.

Na Índia, o racismo é institucionalizado por

meio do sistema de castas, que parte da concepção

de que alguns grupos carregam hereditariamente

a sua condição de inferioridade social, sem

possibilidades de mudanças, como é o caso dos

dalits, impedidos, assim, de quaisquer direitos e

relações com pessoas de outras castas.

Nós, brasileiros, herdamos a concepção ocidental

de supervalorização dos povos europeus

e norte-americanos, bem como de suas culturas:

conhecimentos tecnológicos, filosóficos, científicos,

artes, músicas, culinária, religiões... como

nossa cultura. Porém, pela lente do racismo tem

se desenvolvido olhares marcados por (pré)juízos

sobre outros povos e suas culturas, vistos como

diferentes, inferiores, exóticos, bárbaros, etc.

Os africanos e seus descendentes formam o

grupo que mais sofreu física, social e culturalmente

a crueldade decorrente deste olhar. O racismo

fundamentou o extermínio de povos africanos

na África e de africanos na diáspora em

todo o mundo, bem como, demonizou e expurgou

suas culturas.

O racismo é uma lente que deturpa a visão de

humanidade, deturpa o olhar, ao dar diferentes

valores a diferentes grupos humanos. Quem é o

pior ou o melhor? Quem é o superior ou o inferior?

A integra deste texto e de outros pode ser encontrada em www.metodista.org.br Vale conferir.

Talvez hoje devamos pensar em trocar de óculos ou pelo menos desembaçar um pouco nossas lentes. Será uma boa experiência.

Junto com meus votos de sábado muito especial a cada uma e cada um vibro com uma muito significativa celebração familiar: hoje a Gelsa e a Júlia estão de aniversário. Nos encontraremos num almoço comemorativo. A Júlia esta semana já nos presenteou com uma gostosa notícia: Ela e o Benjamin virão para estar conosco nas festas de fim de ano.

Para as duas aniversariantes uma homenagem com muito carinho. Orquídeas roxas virtuais para representar aquelas reais que a Gelsa tanto aprecia.