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ANO
11 |
EDIÇÃO
3208
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Na última segunda-feira, houve a quarta
conferência da edição deste ano do Fronteiras
do Pensamento. Tivemos o privilégio de ouvir, então, a reconhecida
intelectual francesa, Elisabeth Roudinesco, uma das maiores especialistas em
história da psicanálise. Ela transformou a complexa doutrina freudiana em
matéria-prima para best-sellers, como a História da Psicanálise na França.
Biógrafa de Jacques Lacan e de Sigmund Freud, a intelectual francesa acredita
que a psicanálise deve evoluir no mesmo ritmo das mudanças que transformam o
mundo.
A grande virada dos tempos
contemporâneos, marcados pela crise da democracia e do individualismo, foi a
temática central da conferência. Roudinesco se disse “pessimista por inteligência e
otimista pela vontade. A inteligência acompanha frequentemente o
pessimismo. Porque toda forma de reflexão digna desse nome supõe que a gente adote
uma distância crítica em relação à realidade e que não se deixe enganar".
No entanto, segundo Roudinesco, o perigo está em permanecer no pessimismo da
inteligência e considerar que apenas o mundo do passado era melhor. “Dessa
forma, a gente se condena a nenhuma vontade de agir para mudar o curso da
história. E substitui o pessimismo da reflexão por uma aversão."
A grande virada seria, assim, a
morte de algo antigo que ainda não foi substituído pelo novo. A atualidade é
marcada pelas turbulências globalizadas que ameaçam a Europa com desvios
totalitários, pelo descrédito na política tradicional e pelo sentimento de
perda de representação social. Há um crescente anseio por mudanças, mas de rumo
incerto.





