ANO
8 |
EDIÇÃO
2830
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Se nos dias atuais, quase não percebemos como
o saneamento básico, as vacinas e os antibióticos modificaram/modificam nossa
qualidade de vida, vimos na edição de segunda-feira o quanto a estas produções
da Ciência modificaram o perfil de óbitos na Primeira Guerra Mundial. Foi essa mesma Ciência que produziu a arma
mais mortífera na Segunda Guerra Mundial
— a bomba atômica —. Os devastadores feitos em Hiroshima e em Nagasaki
constituíram-se em ícones novos indicadores do poderio bélico de potências.
Por outro lado na Segunda Guerra Mundial foi a toda poderosa bomba atômica que exigiu
esforços de renomados cientistas consumindo recursos imensos que acelerou com o
término de um dos mais bárbaros genocídios da história do Planeta. Hiroshima e
Nagasaki constituíram-se em ícones novos indicadores do poderio bélico de
potências, como se pretende mostrar agora.
Sobre este tema, a seguir comentários
preparados a partir de excertos do texto “Hiroshima
e Nagasaki: o maior crime de guerra contra a humanidade segue impune*” de autoria de José Rogério Beier, do mestrado
em História Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da
Universidade de São Paulo, bacharel e licenciado em História pela mesma
universidade.
Hiroshima e Nagasaki: crime
ainda impune. Em agosto de 1945
os Estados Unidos da América entraram para a história mundial por ser Estados
Unidos da América entraram para a história mundial por ser a primeira e única
nação a despejar o terror atômico sobre enormes populações de civis. Mesmo que a
Segunda Guerra Mundial estivesse quase
acabada, havia que justificar o gasto de 2,6 bilhões de dólares no Projeto
Manhattan (projeto de construção da bomba atômica). Presidente Harry Truman
busca oportunidades para demonstrar ao mundo o tamanho do poder bélico dos
Estados Unidos: opta-se pelo holocausto nuclear contra as cidades japonesas de
Hiroshima e Nagasaki.
O povo
estadunidense já estava sendo “envenenado” há muito tempo por sua mídia
tendenciosa que os fazia crer que a bomba atômica daria fim a uma guerra e
salvaria vidas, já que seus filhos retornariam a seus lares. De acordo com Livro Negro dos EUA, de Peter Scowen: “(…) para os estadunidenses, a detonação das
bombas em Hiroshima e Nagasaki foram ações militares realizadas contra uma
nação despótica que só podia culpar a si mesmo pelo sofrimento de seu povo. (…)
Havia até um fervor religioso no desempenho estadunidense, pelo menos na cabeça
de Truman: “… Agradecemos a Deus por [a
bomba] ter vindo a nós ao invés de nossos inimigos; e oramos para que Ele nos
guie para usa-la a Sua maneira e com Seus propósitos…”
Foi assim que, no fatídico dia 06 de agosto
de 1945, movidos além de tudo por um sentimento indissimulável de vingança pelo
ataque japonês à base militar de Pearl Harbor, aviões estadunidenses se
aproximaram do primeiro alvo a sofrer os horrores das armas nucleares.
Hiroshima, a então sétima maior cidade japonesa, com 350 mil habitantes, foi alvejada
pelo Enola Gay [nome dado ao bombardeiro B-29 pilotado pelo coronel Paul
Tibbets Jr., então com 30 anos, que desde fevereiro de 1945 preparava-se para a
missão; o B-29, batizando-o com o nome Enola Gay em homenagem à sua mãe] que
lançou a bomba Little Boy ["Menino Pequeno” nome-código
dado à primeira das bombas atômicas lançadas no Japão(alusão a personagem de
literatura policial criado por Dashiell Hammett)]. Isto até o fim do ano de 1945, decretou a morte
de aproximadamente 150 mil japoneses, dos quais apenas 20 mil eram militares.
Não satisfeitos com
tamanha atrocidade e, apenas, três dias depois do primeiro ataque, como se
fosse possível preparar uma declaração total de rendição incondicional em três
dias, os estadunidenses atacaram a segunda cidade-alvo no dia 09 de agosto.
Nagasaki e seus 175 mil habitantes foram vítimas da bomba Fat Man ["Homem Gordo", nome-código dado à segunda das bombas atômicas
lançadas no Japão, (como Litlle Boy, é alusão a personagem de literatura
policial criado por Dashiell Hammett)], lançada pelo B-29 Bockscar — uma segunda e quase duas vezes mais poderosa que a primeira
bomba. Esta vitimou aproximadamente 70 mil seres humanos na contabilidade
macabra feita em dezembro de 1945.
De acordo com
estudos realizados nos escombros das cidades, praticamente todas as pessoas que
estavam até 1 km do centro da explosão foram mortas instantaneamente (86%). As
bombas explodiram nos centros das cidades e pulverizaram escolas, escritórios,
prisões, lares, igrejas e hospitais. No centro do ataque, tudo virou pó, não
havia cadáveres. Mais longe do ponto zero havia corpos espalhados por toda
parte, inclusive de bebês e crianças.
Ainda hoje,
continuam morrendo pessoas vítimas de câncer herdado geneticamente de seus pais
e avós, além de ser possível encontrarmos nos dias atuais, milhares de pessoas
com deformações físicas, câncer congênito, problemas de esterilidade e outras
doenças decorrentes da liberação radioativa sobre essas cidades em 1945. O
Japão rendeu-se em 2 de setembro de 1945. Era o final da Guerra.








