TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

05.— VENDO A TERRA SANTA DESDE O MONTE NEBO


ANO
 8
T E L A V I V E - Israel

EDIÇÃO
 2674

Esta edição ocorre desde Tel Aviv-Yafo geralmente chamada de Tel Aviv ou Telavive, a segunda maior cidade de Israel reconhecida internacionalmente como capital de Israel, com uma população estimada em mais de 405.000 habitantes.
Era cerca de 15h quando ingressávamos em Israel procedente da Jordânia, mas por problemas complicados (detenção e liberação sem explicações de um companheiro do grupo) já era mais de 19h quando chegamos a Telavive, depois de uma peregrinação por Jerusalém, que serviu para recordar aqueles fruídos cinco dias da semana passada.
Mas nosso terceiro dia de Jordânia foi muito bem valorizado. Pelas 8h deixamos a inesquecível Petra, detalhada aqui ontem, e viajamos mais de 200 km para o norte, quase até Amã e depois à sudoeste até Madaba, quinta maior cidade da Jordânia com uma população de cerca de 90 mil habitantes, muito conhecida por seus mosaicos bizantinos e por sua produção de tapetes. A cidade situa-se na ''Via Regia'', uma estrada construída há cinco mil anos, a quase 730 m de altitude.
Nesta cidade visitamos o famoso mapa de Madaba (também conhecido como o mosaico de Madaba) é uma parte do mosaico que cobre o chão da igreja bizantina de São Jorge. O mapa mostra a área do Líbano (norte) para o delta do Nilo (sul) e do Mar Mediterrâneo (oeste) e o deserto árabe. Entre outras características geográficas, o Mar Morto com dois barcos de pesca, várias pontes que ligam as margens do rio Jordão, Jericó rodeada por palmeiras, Belém e outros cenários da história bíblica do cristianismo. Servia como um mapa para orientar os peregrinos em seu caminho para a Terra Santa. A paisagem é marcada com explicações em grego. Nele aparecem cerca de 150 cidades e aldeias. O elemento maior, no centro do mapa, é a descrição topográfica detalhada de Jerusalém, a partir da porta de Damasco, onde estivéramos no sábado.
Não muito longe de Madaba está localizado o Monte Nebo, local seguinte de nossa visita nesta terça-feira. O monte Nebo um monte na Jordânia com cerca de 817 m de altitude, mencionado na Bíblia (no Deuteronómio) como o local onde Moisés viu a Terra Prometida e onde morreu, sem chegar a entrar nessas terras que viu ao longe. 
Do alto do monte Nebo observa-se um panorama da Terra Santa e, para norte, uma vista mais limitada do vale do rio Jordão e do Mar Morto. A cidade de Jericó é visível também do topo, assim como Jerusalém.
Os restos de uma igreja e de um mosteiro primitivos foram descobertos no topo em 1933. A igreja foi construída na segunda metade do século 4º em memória da morte de Moisés.
Em 20 de março de 2000, o Papa João Paulo 2º visitou o local na sua peregrinação à Terra Santa. Durante a visita plantou uma oliveira, que visitamos, junto à capela bizantina como símbolo de paz. O Papa Bento 16 também visitou o local, em 9 de maio de 2009, tendo proferido um discurso e visto o panorama na direção de Jerusalém, como nós na manhã de ontem.
Ainda visitamos dois museus no Monte Nebo. Um recém inaugurado, de cenas bíblicas e do cotidiano próximo da Jordânia e outro junto de materiais históricos coletados na região.
Descemos, então dos 800 metros de altitude do monte Nemo aos 400 metros abaixo do nível do mar, para cruzar a fronteira, próximo do ponto onde o rio Jordão encontra o Mar Morto, não distante do local onde a tradição diz Jesus ter sido batizado por João Batista.
Então fizemos os complicados trâmites de deixar a Jordânia e cumprimos rigorosas exigências para reingressar à Israel.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

04.— البتراء, DESDE UMA DAS MARAVILHAS DO MUNDO


ANO
 8
P E T R A – Jordania

EDIÇÃO
 2673

Estamos em nosso terceiro e último dia na Jordânia. Ao entardecer voltamos à Telavive, para os dois últimos dias de Oriente Médio.
A blogada desta terça-feira ocorre desde a milenar Petra, na Jordânia. É realmente emocionante estar aqui. Deixamos Amã por volta das 8h, e percorremos cerca de 240 km em estradas de paisagens variadas, onde regiões quase desérticas são alternadas por oásis férteis. Vale recordar que a Jordânia detém os menores índices de água do mundo.

O que impacta quando se chega à Petra? As montanhas gigantes vermelhas e vastos mausoléus de uma raça extinta nada têm em comum com a civilização moderna e nada mais suscitam a não ser contemplação pelo seu valor genuíno: uma das maiores maravilhas da Natureza e dos humanos.
Não obstante muito já se escreveu sobre Petra, mas não há a pretensão de preparar o leitor para este local impressionante. Só vendo mesmo. Petra, maravilha do mundo, é, sem sombra de dúvida, o tesouro mais valioso da Jordânia e a maior atração turística. É uma cidade vasta e singular esculpida na própria face rochosa pelos Nabateus, um engenhoso povo árabe que aqui se fixou durante mais de 2000 anos e que a transformou num local importante para as rotas da seda, das especiarias e outras rotas comerciais que ligavam a China, a Índia e a Arábia do Sul ao Egito, Síria, Grécia e Roma.
A entrada para a cidade é feita pelo "Siq", um estreito com mais de 1 quilômetro de comprimento, ladeado por imponentes penedos com 80 metros de altura. Caminhar pelo Siq é, por si só, uma experiência única. As cores e as formações rochosas são impressionantes. À medida que nos aproximamos do fim do Siq, começamos a ver Al-Khazneh (Tesouro).
Esta é uma experiência que suscita a
admiração. Uma fachada imponente com 30 metros de largura e 43 de altura esculpida na própria face rochosa de um rosa poeirento e que faz com que tudo a seu lado pareça minúsculo. Foi esculpida em inícios do século primeiro para ser o túmulo de um importante rei nabateu e representa o gênio deste povo ancestral.
O Tesouro é apenas uma das maravilhas que compõem Petra. À medida que entra no vale de Petra, ficamos extasiados com a beleza natural deste local e com os notáveis feitos arquitetônicos. 
Há centenas de túmulos esculpidos na rocha com gravações ainda indecifradas ao contrário das casas que, em grande parte, foram arrasadas pelos terramotos, os túmulos foram esculpidos para durarem até à outra vida e 500 sobreviveram, vazios, mas impressionantes quando vistos pelas suas escuras aberturas. Aqui há também uma imponente construção dos Nabateus.
Teatro romano com 3000 lugares sentados. Há obeliscos, templos, altares para oferta de sacrifícios e ruas com colunatas e, lá no alto, sobranceiro ao vale, encontra-se o impressionante Mosteiro Ad-Deir — para lá chegar há uma escadaria com 800 degraus cortados na rocha. Esta optei não subir.
Um tempo do século 13, mandado construir pelo sultão mameluco Al Nasir Mohammad para comemorar a morte de Aarão, irmão de Moisés, pode ser visitado no Monte Aarão na Cordilheira de Sharah.
No local, há vários artesãos da cidade de Wadi Musa e um acampamento beduíno nas proximidades com bancas montadas e a vender artesanato local, como por exemplo cerâmica e joias beduínas e garrafas de areia multicolor e estriada, características da região.

Os veículos motorizados não podem circular no local. Mas, se não quiser andar a pé (ou tiver dificuldades), pode alugar um cavalo ou camelo ou uma carruagem puxada por cavalos para percorrer os mil metros do Siq. Depois de chegar ao local, pode alugar um burro, ou para os mais aventureiros, um camelo. Eles têm tratador e percorrem rotas definidas no local.
Petra foi fundada por volta do século 6º a.C. pelos árabes nabateus, tribo de nómadas que se fixaram na zona e construíram um império comercial que ia até à Síria.
Apesar das sucessivas tentativas do rei Antígono de Selêucia, do imperador romano Pompeu e de Herodes o Grande para controlarem Petra nos seus respectivos impérios, Petra ficou praticamente nas mãos dos nabateus até 100 d.C., quando os romanos a conquistaram. Ainda era habitada durante o período bizantino, quando o império romano passou para oriente, para Constantinopla, mas diminuiu de importância daí para a frente.
Os Cruzados construíram lá um forte no século 12, mas em breve partiram, deixando Petra aos habitantes locais até inícios do século 19, quando foi descoberta pelo explorador suíço, Johann Ludwig Burckhardt, em 1812.
O Parque Arqueológico de Petra (PAP) compreende uma área de 264 metros quadrados em Wadi Musa, considerado um local turístico e arqueológico e Patrimônio Mundial registado na lista de Património Mundial da UNESCO desde 1985. A área tem uma paisagem de ficar fantasticamente impressionado com montanhas de cor rosa cujo ponto principal é a fantástica cidade nabateia de Petra, que foi esculpida na rocha há mais de 2000 anos.
Na escrito apoiado em www.petrapark.com

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

03.— جرش JERASH, UMA PÉROLA (QUASE) DESCONHECIDA

ANO
 8
A M M A N - Jordânia

EDIÇÃO
 2672

Estamos em Amman, capital da Jordânia. Depois de ter deixado Jerusalém às 9h, ingressamos, pela primeira vez no Reino Hachemita da Jordânia, quase às 12 horas, depois de percurso na sua a maior parte em território palestino. Chegamos à capital ao entardecer e nos surpreendemos com uma cidade de mais 2 milhões de habitantes, em um país de mais de 6 milhões de habitantes, aos quais se aditam cerca de 1 milhão de refugiados sírios.
Amman ou Amã é uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo. Talvez o mais impactante, quando se olha a imensa cidade de um belvedere que oferece uma visão panorâmica, é a quase ausência de árvores, a exceção de um verdejante bosque onde fica a residência da família real.
Mas tudo que pudesse falar de Amã ou mesmo da Jordânia ficaria deslustrado se não falasse de uma pérola quase desconhecida para Gelsa e para mim e também para duas chinesas, duas argentinas e um casal inglês que compartilham conosco este tour de três dias.
Logo que fizemos o trâmite de fronteiras por cerca de uma hora percorremos uma região onde os quase desertos se converteram em zonas de agricultura. Chegamos a uma cidade cujo nome tem várias grafias em caracteres latinos: Jerash, Jerasa, Jarase, Gerase ou Gerasa.
Então, fomos convidados a conhecer aquela que se intitula ‘A Pompéia do Oriente’, tida como a cidade greco-romana-bizantina mais bem conservada. Durante mais de duas horas, tivemos surpresas com o que encontramos não apenas o que foi restaurado, mas muitos monumentos originais. Ilustro com algumas fotos, o que vimos hoje.
Escavações recentes mostram que Jerash já foi habitada durante a Idade do Bronze e da Idade do Ferro (5.200 3.200 antes do Presente). Após a conquista romana em 63 aC. Jerash e seus arredores foram anexados à província romana da Síria, e mais tarde se juntou a Decápolis. Em 90 d. C. foi incorporada à província da Arábia, o que incluiu a cidade de Filadélfia (agora Amman). Os romanos garantiram a paz e a segurança na região, o que permitiu ao seu povo dedicar seu tempo e energias para o desenvolvimento econômico e construção de uma grande e magnifica cidade. 
Na segunda metade do primeiro século, a cidade de Jerash alcançou grande prosperidade. Em 106 o Imperador Trajano construiu estradas que atravessam as províncias, aumentando as atividades comerciais da cidade. Adriano visitou Jerash nos anos 129-130. A inscrição em latim registra uma dedicação religiosa feita por membros da guarda imperial que o inverno lá. O arco triunfal — o Arco de Adriano foi erguido para celebrar a visita.
Um forte terremoto em 747 d. C. destruiu grande parte de Jerash, enquanto terremotos subsequentes ao longo dos tempos, guerras e tumultos contribuíram mais para a destruição. Ruínas permaneceram enterradas por centenas de anos, até que foram descobertas pelo alemão orientalista Ulrich Jasper Seetzen em 1806, para então iniciar a escavar e restaurar a antiga Jerash.
A cidade tinha um atamanho de 800 mil metros quadrados intramural. Durante a época das Cruzadas, alguns dos monumentos foram convertidos em fortalezas, incluindo o Templo de Artemisa.
Os monumentos mais importantes da cidade, que podem ser vistos, são: Arco de Adriano, um circo / hipódromo, dois templos imensos dedicados a Zeus e Artemisa, o Fórum, a ágora, cercada por uma bela colunata, uma rua longa com colunas, dois teatros (o grande teatro do Sul e do Norte menor), duas termas para banhos, vários templos menores com paredes quase completos. Há cerca de 16 igrejas cristãs do entorno do século 6º.
Pela qualidade e grau de conservação de restos arqueológicos é a segunda atração turística principal na Jordânia depois de Petra, que visitaremos hoje e amanhã. Este primeiro dia de Jordânia, especialmente Jerash, foi muito impactante.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

02.— DESPEDINDO JERUSALÉM RUMO À JORDÂNIA


ANO
 8
JERUSALÉM

EDIÇÃO
 2671

Um domingo para despedir de Jerusalém, mas não de Israel. Foram quase cinco dias magníficos. Vamos, nas primeiras horas desta manhã, à Jordânia. Na noite de terça-feira, o plano é retornarmos a Israel, chegando a Telavive. Na manhã de sábado, algo inédito para nós: Não havia possibilidade de ter leite quente no café do hotel, pois devido ao shabath não  poderia ser usado ‘chama’ para aquecê-lo. Também, devido ao shabath, nos integramos a uma celebração de chineses pelo inicio seu novo ano (do cavalo), pois não havia restaurantes abertos, salvo chineses, nas imediações do hotel.
Nossa despedida da cidade foi de gala: um inenarrável espetáculo noturno de luz e som, na Torre de Davi. O lindíssimo espetáculo de cerca de 45 min, ocorre em uma antiga cidadela localizada próxima à entrada do Portão de Jaffa na Cidade Velha de Jerusalém. Foi talvez o mais lindo espetáculo audiovisual que já assisti em toda minha vida. Mesmo cansados de uma dupla jornada turística, lamentamos quando a apresentação terminou, com uma apoteose pedindo Paz sobre Jerusalém.
Mas pela manhã e à tarde tivemos dois pontos dentro de nossa programação que foram excepcionais. Trago algo de um e outro, completamente díspares entre si.
Pela manhã, visitamos à exposição The Book of Books no Bible Lands Museum Jerusalem. A exposição busca traçar as raízes do judaísmo e do cristianismo e a difusão da fé monoteísta. Apresenta, entre outros documentos muito raros, os manuscritos do Mar Morto, fragmentos da Septuaginta, o mais antigo livro que contem as escrituras Novo Testamento, requintados manuscritos com iluminuras de diferentes épocas, fragmentos raros de papiros do Cairo e páginas originais da Bíblia de Gutenberg. A exposição mostra como a Bíblia foi responsável pela disseminação do judaísmo e do cristianismo a partir da Terra de Israel para o resto do mundo. De Jerusalém a exposição segue para o Vaticano.
Algo acerca do Bible Lands Museum Jerusalem, o único museu do mundo dedicado à história do Oriente Médio a partir de uma perspectiva bíblica. A exposição permanente exibe uma extraordinária coleção de arte antiga e arqueologia rastreando as raízes do monoteísmo desde o alvorecer da civilização para o cristianismo primitivo. Por mais de 50 anos, o Dr. Elie Borowski, co-fundador, reuniu uma coleção de artefatos de valor inestimável. Seu sonho era criar uma instituição universal, onde pessoas de todas as fés viriam a aprender sobre a história bíblica, os princípios morais e éticos que são a base da herança judaico-cristã .
BLMJ foi aberto ao público em 11 de maio de 1992, e, desde então, ganhou reconhecimento internacional como um centro universal para a programação cultural e educativa. O Museu oferece programas criativos para as famílias e uma rica variedade de atividades durante todo o ano.
À tarde fomos a Jericó (em árabe: أريحا, transl. Ārīḥā; em hebraico: יְרִיחוֹ, transl. Yəriḥo) é uma antiga cidade bíblica da Palestina, situada às margens do rio Jordão, na parte seca do Mar Morto (a quase 240 m abaixo do nível do Mar Mediterrâneo) e aproximadamente a 27 km de Jerusalém.
Descrita no Velho Testamento como a "Cidade das Palmeiras", abundantes campos ao redor de Jericó das deliciamo-nos com as melhores tâmaras. Ela é conhecida na Tradição judaico-cristã como o lugar do retorno dos israelitas da escravidão no Egito, liderados por Josué, o sucessor de Moisés. Há o morro das Tentações onde se diz ser o local onde Jesus foi tentado pelo demônio e o local onde Jesus curou o cego Bartimeu.


Uma vez mais, vimos a situação de apartheid que vivem os palestinos nesta região, em consequência dos continuados novos assentamentos israelis. Aquilo que trouxe ontem aqui foi, nesta nova incursão palestina, ratificado de maneira dolorosamente triste. Nossa pergunta contínua é: o que mundo está fazendo para que se possa evitar a repetição de uma nova intifada? A pólvora está acumulada. Parece próxima uma revolta social. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

01.— UM SHABATH MUITO ESPECIAL E DOLOROSO


ANO
 8
J E R U S A L É M

EDIÇÃO
 2670

Em quase 2,7 mil edições deste blogue, esta que escrevo, literalmente no shabath, talvez seja das mais difíceis de redigir. Divido, uma vez mais, esta blogada em dois momentos, um e outro emocionantes.
O primeiro, ter ido aos territórios ocupados Palestina e visto uma dolorosa realidade que parece quase insolúvel. Outro, ter vivido o início do shabath mais emocionante de minha vida. Um e outro tecem esta blogada.
Desde que organizávamos nossa viagem, havia um desejo de realizarmos um ‘tour político’. Um destes, trazia um anúncio como: Todo mundo conhece acerca da situação muito difícil que os territórios palestinos estão passando. Por esta razão, o nosso trabalho é mostrar ao mundo os eventos e os fatos reais sobre o que está acontecendo na Palestina. Faça um pequeno tour em nossa visão, e contate-nos se você está planejando visitar a Palestina.

Atendemos à sugestão. O Ismael, cedo, abriu o jogo a nós dois e a quatro italianos que compunham a nosso grupo: “Mais que guia turístico, sou militante político. Vou mostrar a realidade palestina, não aquela descrita por judeus, com quem convivemos muito bem, mas aquela produzida pelos sionistas israelis!” A foto reproduz um cartaz em 'check-point' para ingressar na Area A, uma das três nas quais é dividida a região ocupada. Essa área, diferentemente das outras duas, onde o Estado de Israel tem controle inclusive da distribuição da água e fronteiras. Só não controlam ar, no dizer de Ismael.

Mesmo com todo ‘desconto’ à militância de Ismael, vivemos momentos dolorosos. Não vimos solução para o conflito do Oriente Médio.
Na Palestina em resumo vimos: construção de milhares de moradias de muito boa qualidade para colonos israelis (aqui a expressão 'colonos israelis' deve ser vista como cidadãos urbanos, profissionais liberais e trabalhadores de diferentes ramos, sem nenhuma conotação com trabalhadores rurais); erguimento de quilômetros de muros, separando palestinos e os fazendo viver em guetos em territórios que ocupam há milênios. 
Uma situação dolorosamente complexa. Há algumas fotos que fiz na tarde de ontem.
Assim, parece ser impossível sonhar com nenhuma de duas situações no Oriente Médio: dois países: um israeli e outro palestino. Ou um único país co-gestionado por israelis e palestinos. Uma e outra das alternativas, agora, parecem utópicas.
Gostaria apenas de dizer aos meus leituroes que a cada dia os palestinos veem seus territórios usurpados pelo aumento de ‘colonos’ que são implantados por Israel, para assegurar maiores territórios que aqueles que foram definidos pela ONU em 1948.
Voltamos muito tristes. Talvez a mais dura realidade: a guetização dos judeus que vimos na quinta-feira no museu do Holocausto ocorre agora em 2014.
Retornados da Palestina, ficamos onde o tour começara: em um hotel na Jerusalém árabe. Buscamos a porta de Damasco e entramos, mais uma vez, na cidade velha. Parecia que tínhamos saudades da cidade, tão curtida na última quarta-feira. Estávamos em uma região que não conhecíamos. Assim, como pela manhã víramos levas de islâmicos indo a mesquitas para iniciar o dia de guarda, agora eram milhares de pessoas buscando o mesmo destino que nós: o Muro das Lamentações. 
Tivemos sorte de chegar minutos antes do início do shabath (= ao por do sol). Nos separamos, pois há um imenso setor só para homens, e uma parte bem menor para mulheres.
Portando um quipá, misturei-me com centena de homens, a maioria religiosos, para chegar ao Muro. 

Também fiz meu bilhetinho: Paz para o Oriente Médio e o coloquei, devota e emocionadamente em uma das frestas do muro. Algumas fotos do anoitecer de ontem.
Minutos mais tarde, me reencontrei com a Gelsa. Então, o acesso ao Muro era quase impossível. Milhares de pessoas tomavam a imensa explanada. Elas rezavam, cantavam, dançavam. Algo indescritível, pela emoção que me causou. 
Em mais de uma vez fui advertido de não usar a máquina fotográfica, pois o shabath já tinha começado. Por tal, também não se podia usar telefones e fones de ouvido e também fumar. A surpresa maior: depois de vencer labirínticas ruelas, passar pelo bairro armênio, vencer imensas escadarias do quarteirão judaico, chegamos à Jaffa street para tomar o trem e encontramos um aviso: serviço encerrado. Também ônibus, lojas e restaurantes não funcionavam. Estamos no shabath. Um shabath que tem um gosto muito amargo.