TRADUÇAO / TRANSLATE / TRADUCCIÓN

terça-feira, 25 de setembro de 2012

25.- UM ALIENÍGENA FORA DE SUA TRIBO



Ano 7*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR ***Edição 2246
A fala de ontem no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento localizado no extenso e lindo parque industrial da Souza Cruz teve marcas de ineditismo. Se apenas no segundo semestre de 2012, já fiz 26 palestras, esta foi a única na qual deixei o ambiente escolar, para falar numa empresa (que fabrica cigarros).
O cenário externo (jardins e reserva ecológica) e interno é faustoso. Não foi sem razão, me senti um alienígena. Não só não estava na minha tribo — falei para pesquisadores e técnicos altamente treinados nas mais variadas áreas de conhecimento, como: Química, Engenharia Química, Bioquímica, Farmácia, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Materiais, Estatística, Administração, entre outros, muitos dos quais com mestrado e doutorado — como estava em um muito fino auditório (onde o fumar não proibido, mas ninguém fumou) distante da ‘pobreza’ que predomina no chão da Escola.
Há que registrar que o produto fabricado, mesmo com os conhecidos e repetidos alertas acerca de sua sabida periculosidade é disponibilizado ‘generosamente’ dentro da empresa. Problemas éticos, provavelmente, devem aflorar de maneira permanente entre os funcionários.
Minha fala foi a abertura do 1º Congresso Científico do Product Center Américas que se desenvolve até a tarde da próxima sexta-feira. Os continuados aplausos ao final pode ser um indicador de uma muito boa avaliação à minha fala. As duas fotos do evento — uma com o quarteto organizador do evento — são do fotógrafo Anderson Escouto, que ao enviá-las, manifestou o quanto a palestra lhe agradou.
O PC Americas possui 19.800 m² de área construída, composto por cinco blocos integrados de laboratórios (5.400 m2) nos mais modernos conceitos de arquitetura, construção e operação existentes para laboratórios e centros de pesquisas, de acordo com os mais altos padrões internacionais e uma planta piloto (5.800 m2), destinada ao desenvolvimento de amostras de cigarros e novos processos de fabricação. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

24.- SEMANA FARROUPILHA: UMA BABAQUICE?


.
Ano 7*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR  ***Edição 2245
Começa uma das semanas mais densas para mim e na sua abertura, um ponto de agenda inusitado (e já criticado por pessoas que me são próximas): O que é Ciência, afinal? para pesquisadores do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Souza Cruz em Cachoeirinha, esta manhã.
Meu argumento de aceitação do convite está em texto apócrifo do evangelho: “Usemos os excrementos do demônio para adubar as vinhas do Senhor”. Mesmo que, às vezes, os excrementos possam ser ofertados com parcimônia.
Na edição do feriado gaúcho de 20 de Setembro verberei, aqui, contra o cada vez mais exagerado gauchismo. Encontro algo na mesma direção, com consequências no mínimo prosaicas, onde se ferreteia aqueles que não aderem ao fanatismo dos cultores do ‘tradicionalismo’. Eis o que está na página 3 da Zero Hora de sábado. Antes duas dicionarizações do Priberam:
BABAQUICE
BABACA Duas de quatro acepções.
s. f.
1. [Brasil, Informal] Dito ou ato de quem é tolo ou babaca. =IDIOTICE
2. [Brasil, Informal] O que não desperta interesse (ex.: os críticos consideram aquele filme uma babaquice).
adj. 2 g. s. 2 g.
1. [Brasil] Que ou quem é muito ingênuo. = BOBO, BOBOCA, TOLO
2. [Brasil] Que ou quem tem pouca inteligência ou capacidade de decisão. = BOBO, BOBOCA
adj. 2 g.
3. [Brasil, Informal] Que não é estimulante, interessante ou relevante (ex.: personagem babaca). = DESINTERESSANTE, IRRELEVANTE, SUPERFICIAL
Injusta guerra: “Babaquice” foi a palavra que derrubou o secretário de Governo de Cachoeira do Sul. Loir de Oliveira Filho não roubou, não se omitiu em seu trabalho, nem agrediu ninguém fisicamente. O crime que gerou a queda: externar uma opinião no Facebook. “A Semana Farroupilha é uma babaquice.”
Um ponto de vista não é uma verdade. Não gostou? Recrute argumentos, dispare teses, mire no alvo da razão.
No meio do entrevero, o golpe baixo: um representante do movimento tradicionalista sugeriu ao ex-secretário que fosse morar em outro Estado. Como assim? Lotaremos trens de carga e mandaremos para Santa Catarina os que pensam diferente de nós?
“A Semana Farroupilha é uma babaquice.” Eu não concordo, [diz o titular da página 3] a imensa maioria dos gaúchos não concorda. Mas se houver apenas um entre nós que pense assim, deve ter ampla liberdade para dizê-lo. Não é favor. É direito.
O ex-secretário não é agressor. É vítima. Vítima solitária e idefesa. Socorro, precursores da liberdade! Cioso do seu patrimônio político e eleitoral, o prefeito de Cachoeira se apressou em isolar o doente contagioso: “A opinião não reflete o pensamento da administração”. Se, na hora, tivesse lembrado a letra do hino do Rio Grande, o prefeito teria insistido para que seu ex-colaborador ficasse no cargo. Povo que não tem virtude acaba por ser escravo. Escravo de si mesmo, às vezes. 

domingo, 23 de setembro de 2012

23.- MORREU ARNALDO CAMPOS, O BIBLIÓFILO



Ano 7*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR    ***Edição 2244
Esta edição dominical se tece com luto. Ontem li uma  notícia que me fez triste:
Morre o escritor Arnaldo Campos
O ambiente porto-alegrense das letras perdeu, na manhã de quinta-feira, um de seus principais expoentes. O escritor e livreiro carioca Arnaldo Campos morreu em Gramado, aos 80 anos. Arnaldo sofria de Alzheimer, passou os últimos quatro anos em uma clínica na cidade serrana.
Com a mudança para Porto Alegre na década de 50, fui colega do Arnaldo no curso cientifico noturno do Júlio de Castilhos em 1959/60. Lembro dele chegando em aula com pasta de amostras de remédios depois de cumprir jornada como representante de laboratório farmacêutico. Tínhamos outro colega que exercia o mesmo ofício Brutus Gemignani. Arnaldo e Brutus, os dois mais velhos da turma eram referências: nos intervalos, ouvíamos os dois.
Arnaldo sempre esteve intimamente ligado aos livros, trabalhando com eles e por eles. Quando ele publicou “Breve História do Livro” em 1994, fui a Porto do Livro, então, no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), conversar sobre sugestões que ofereci e ele aceitou. Na entrada da Porto do Livro havia dois atrís [não sei este é o plural de atril ou leitoril] um com a Bíblia e outro com o Manifesto Comunista. E, Arnaldo, o livreiro tinha assunto com todos.  
Ele foi dono das livrarias Vitória (depois rebatizada de Coletânea), na Rua da Praia, onde me reencontrei com ele depois dos tempos do Julinho, da Atualidade, na Galeria do Rosário, da Porto do Livro, primeiro na UFRGS, que mais tarde mudou-se para o 5ª Avenida Center, onde o conversei com ele a última vez. A Vitória foi um importante ponto de encontro de militantes de esquerda durante a ditadura.
Além de ter presidido a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), foi diretor do Instituto Estadual do Livro e titular da Coordenação do Livro e Literatura, da prefeitura de Porto Alegre.
Na Zero Hora de ontem, o escritor Charles Kiefer avalia que a morte do amigo também é uma perda que ultrapassa a literatura: Perdemos um escritor interessante e um homem que atuou na política, que trabalhou em gestões de diferentes partidos.
Entre o fim dos anos 80 e o início dos anos 90, Campos assinou a coluna Biblioteca do Tempo, no Segundo Caderno de Zero Hora. Além de Maria, deixa os filhos Poti e Bartira, ambos do primeiro casamento, com Iara da Silveira.
Agora, lembro de papos que não ocorrerão mais. Perdemos um polímata e  um bibliófilo. 

sábado, 22 de setembro de 2012

22.- FELIZ PRIMAVERA/OUTONO



Ano 7*** WWW.PROFESSORCHASSOT.PRO.BR    ***Edição 2243
Se diz que “não se fazem mais estações como antigamente”. Realmente parece que estamos desformatando as estações, mas hoje às 11h49min começa astronomicamente a primavera.
Assim, é natural que, neste sábado a edição seja de celebração e votos de feliz Primavera/Outono para cada uma e cada um dos leitores dos Hemisférios Sul/Norte.
Aqui a chamada estação das flores. Lá as árvores se vestem de um amarelo dourado. Lá e aqui período de climas mais agradáveis, se confirmarem o previsível.
em separado augúrios para aqueles e aquelas que vivem na linha do Equador (leitores de Belém, Bragança, Manaus, Boa Vista, Teresina...) que não têm diferenças significativas nas quatro estações, desejo ventos suaves e frescos para abrandar o sol que faz clima mormacento.
Do ponto de vista da Astronomia, a primavera do Hemisfério Sul inicia-se no equinócio de setembro e termina no solstício de dezembro, no caso do Hemisfério Norte inicia-se no equinócio de março e termina no solstício de junho.
Hoje, dia do equinócio, o dia e a noite têm a mesma duração. A cada dia que passa, o dia aumenta e a noite vai encurtando um pouco, até 22 de dezembro,
E como esse dia equinocial coincide com dia de letras aqui, honro a tradição de sabatinas literárias com três brindes a meus leitores. E com eles a renovação de meus votos.
"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira."
Che Guevara
"Primavera"
Sandro Botticelli (1445- 1510) um dos pintores Renascentista que tive o privilégio de admirar na Galeria di Uffizi em Florença.
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

21.- JESUS FOI CASADO? PORQUE NÃO!



Ano 7***                 CAMPINAS                     ***Edição 2242
Esta postagem é ainda de Campinas. Devo deixar Viracopos às 6h15min.
Ontem pela manhã, dividi uma mesa-redonda acerca das ‘Ciências Exatas nas Ciências Humanas’ com meu colega Dario Fiorentini— coordenador do maior Programa de Pós Graduação em Educação do Brasil [cerca de 130 professore e quase 700 mestrandos e doutorandos]. Ele em sua fala referiu o quanto foi significativa minha participação na sua transição de ‘um matemático que passa fazer educação com a matemática. Fiquei comovidamente surpreso. Dei ao meu segmento o mote ‘do eSoterismo ao eXoterismo’. Acredito que tenha ajudado a responder a pergunta que foi recorrente na fase de preparação do evento: "Educador(a), que form[a]ção é essa?" Esta interrogação também esta na camiseta que me foi presenteada pelos organizadores.
Almocei com quatro professores da Unicamp: Dário, Pedro da Cunha. Heloisa Rocha e Inês Rosa. As discussões da manhã prosseguiram. Também o RUG assuntado aqui ontem mereceu severas análises.
À noite por mais de três horas cumpri a segundo parte do minicurso. Mais uma vez fui acarinhado pelos estudantes.
Para esta blogada não ficar com o tom exclusivo de ‘diário de viagem’ algo da imprensa desta semana, que tem como manchete: DESCOBERTA POLÊMICA. A tese trazida não é nova. A hipótese é muito provável, se nos dermos conta como as mulheres foram apagadas na história do cristianismo. Eis a notícia:
Um fragmento de papiro que provavelmente data do ano 350 da Era Cristã retrata Jesus usando a expressão “minha mulher”. Segundo a historiadora da Universidade de Harvard (EUA) Karen King, responsável pela análise do texto antigo, que ela apelidou de “Evangelho da Mulher de Jesus”, o fragmento não traz informações confiáveis sobre a figura histórica de Cristo, já que a narrativa quase certamente teria sido composta séculos depois da morte dele.
O que o texto mostra, no entanto, é o intenso debate sobre os prós e contras do sexo e do casamento nos primeiros séculos do cristianismo – uma controvérsia que ainda deixa marcas em temas como o celibato dos padres ou a ordenação de mulheres, por exemplo.
O “Evangelho da Mulher de Jesus” vem a público com uma aura de mistério, além da inevitável polêmica que o tema do fragmento traz. Sua procedência exata é desconhecida. Sabe-se apenas que, em 2010, um colecionador de antiguidades (cuja identidade está sendo preservada) mandou um e-mail para Karen King, especialista em cristianismo antigo da Escola de Teologia de Harvard.
O colecionador queria ajuda para traduzir o fragmento – uma única folha de papiro, medindo oito centímetros de largura por quatro centímetros de comprimento. O texto foi escrito em copta, idioma descendente da língua dos faraós que era falado pela maioria dos egípcios na época do Império Romano (e ainda é usado na liturgia dos cristãos do Egito).
A pesquisadora pediu a ajuda de outros especialistas em papiros e na língua copta e acabou por decifrar o que restou do texto. A descoberta foi anunciada pelo jornal The New York Times. Os fragmentos dizem, entre outras coisas, “Maria (Madalena?) é digna disso” e, logo depois da menção a “minha esposa”, “ela será capaz de ser minha discípula” e “eu habito com ela”. Dá para esperar um debate acadêmico feroz em torno do manuscrito. Entre os especialistas que revisaram o artigo da revista especializada The Harvard Theological Review no qual está a análise do manuscrito, dois chegaram a questionar a autenticidade do material.