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domingo, 5 de setembro de 2010

05- Uma blogada dominical para ouvir a voz do Pastor.

Porto Alegre Ano 5 # 1494

É um domingo imerso no feriadão da Semana da Pátria. A estada da Gelsa em Campo Grande matiza com saudades este dia. Ontem uma surpresa: a manhã de chuvaradas, transmutou-se em tarde ensolarada. Agora o sol já espia tímido por densas nuvens. O frio voltou: se aproxima dos 10ºC.

Nos meus tempos de estudante era o domingo da parada da juventude. Os colégios disputavam que marchava ‘com mais garbo’. Para mim, como já comentei os ensaios e mesmo o desfile era algo muito chato, pois era sempre o aluno de passo errado. Talvez desta falta de ritmo decorra minha continuada inabilidade para a dança

Ontem recebi a visita do IBGE para o censo. No Brasil, o responsável pelos censos é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), desde 1936, quando o instituto foi criado, realizando em média a cada dez anos o Censo Demográfico. O primeiro censo foi realizado no ano de 1872, seguido pelos de 1890, 1900 e 1920. Os censos demográficos são planejados para serem executados nos anos de finais zero, ou seja, a cada dez anos. Desta forma o último censo realizado no Brasil foi no ano 2000, sendo que o atual é o do ano de 2010. No intervalo entre dois censos demográficos, realiza-se a contagem de população.

Por primeiro falei para a recenseadora: “Tomara que eu seja selecionado para responder a pesquisa ampla!" Minha torcida não foi atendida. O programa escolhe aleatoriamente apenas 5% para responder a pesquisa detalhada. Respondi ao questionário básico. Não demora mais que 10 minutos. Recordo que 2000 tive a mesma decepção. Agora, talvez em 2020! Este ano, ao contrário dos ano anteriores, quando os recenseadores portavam planilhas em papel, estes trazem um computador, não muito maior que um celular. Deve haver ao lado de uma muito significativa economia de papel um muito grande redução de apropriação e contagem de dados. Ao final ainda rubrica-se em uma pequena tela.

Pretendera comentar hoje o assunto da semana, que me foi sugerido por leitores muito atilados: as declarações do físico britânico Stephen Hawking acerca de seu novo livro. Depois pensei que ‘no dia do Senhor’ o tema poderia parecer um desrespeito. Talvez faça isto amanhã. Afinal é o dia da Lua.

Mas domingo é dia de ouvirmos nossos pastores. Hoje este blogue vai ensejar àqueles que não puderem/quiserem ir à igreja não ficar desassistidos. Poderão ouvir, aqui, uma pequena prédica. Ofereço uma oportunidade para um elevo espiritual. Não deixa de assistir. É menos de três minutos que poderão ser semente de uma felicidade imensa e duradoura.

http://www.youtube.com/watch?v=sKrcF19N4Fk

Se apreciaste e quiseres ver outras pérolas, fiz uma pequena seleção e ofereço outras três. Uma é mais certificadora de felicidade que a outra. Vale apenas. E se achaste pouco, no YouTube encontrarás novas oportunidades de mudar para melhor.

http://www.youtube.com/watch?v=YhJDFa0e210&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=_F7P5Qhu1ac

http://www.youtube.com/watch?v=IdSJMV9G7m8&NR=1

Desejo aos conversos e aos não conversos aos Pastores que ‘igrejaram’ um domingo

ótimo para cada uma e cada um. Aos que desfrutam o feriadão, desejo curtidos momentos. Amanhã poderemos nos encontrar aqui.

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sábado, 4 de setembro de 2010

04- O cântico dos cânticos

Porto Alegre Ano 5 # 1493

Agora, há uma alternativa: Comentar como ANÔNIMO. Neste caso, se pede para assinar e colocar o endereço eletrônico.

Manhã chuvosa em Porto Alegre, com relâmpagos e trovões. A Gelsa está partindo para Campo Grande, para participar do XIV Encontro Brasileiro de Estudantes de Pós-Graduação em Educação Matemática (XIV EBRAPEM) na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Um sábado para falar em livros e fazê-lo com dulçor. Brinco com as diferentes associações que tecem o texto de hoje. Talvez elas comecem no sábado passado quando referi lateralmente ao erótico ‘Cântico dos cânticos ao transformar em dica de leitura o Cântico para Soraya uma princesa sefardita // Cantique à Soraya une princesse séfarade, uma primorosa edição bilíngue português / francês. Pois hoje, sirvo-me de uma preciosidade literária que possuo e preparo um manjar sabático com o ‘Cântico dos cânticos de Salomão. Tenho uma edição que uma das jóias de minha biblioteca.

O CÂNTICO DOS CÂNTICOS. Tradução do hebraico Frei Luis de León. Tradução do espanhol e introdução Pedro Port. Edição bilingue Português Espanhol. Florianópolis: Letras contemporâneas, 1997, 87p. ISBN 85-85775-26-2 R$ 17,90 (no sítio da editora).

Para se entender a histórica beleza da obra, trago palavras de Pedro Port na abertura da apresentação da edição acima referenciada: “Razão teve sobeja o Rabi Aqiba, quando disse que o mundo todo não vale o dia que o Shir Há Shirim [em hebreu ‘Cântico dos cânticos’] foi dado a Israel. Dia abençoado pela dádiva mais radiosa, agraciado pela revelação mais sábia. Dia em que o povo de Israel se reconcilia com o Criador e o homem e a mulher com a criação, quando a palavra divina, conforme exegese, anuncia a sua religação com a Terra Prometida”.

Parece que não mais seria preciso acrescentar algo. Adito a essa abertura um pequeno excerto de tese de doutorado acerca da tradução que é trazida na blogada de hoje: “O Cântico dos Cânticos, um canto nupcial que consagra o amor humano e, por conseguinte redime a desconfiança original do relato da criação – se neste a mácula gera certa barreira (certa parreira) entre homem e mulher, no Cântico uma descrição detalhada das formas do corpo nu. No Cântico a referência a Deus ocorre somente uma vez para exprimir uma coisa no grau superlativo, assim não se trata de um agradecimento ou do reconhecimento da participação Dele naquele encontro amoroso. Deus é convenientemente deslocado e no momento que se relata a intensidade do amor que une os que amam, diz-se brasas de Deus. Um amor fumegante une os amantes”. [OLIVEIRA, Nilton José dos Anjos de. Frei Luis de León: do Cantar dos Cantares referido a Jó. Rio de Janeiro: UFRJ, Faculdade de Letras, 2007.Tese de Doutorado em Teoria Literária, 225 páginas].

A fruição destes dois excertos parece traduzir a excelência da obra. Parece que a maioria dos que tem a Bíblia em suas casas (como objeto de leitura ou de decoração) não se abebera da preciosidade que tem ao alcance de suas mãos, Talvez porque o menor dos livros da Bíblia esteja ‘sufocado’ por outros livros no menos lido antigo testamento. Ou porque as traduções correntes estão por demais mutiladas, como já comentei aqui.

Merece um comentário muito especial o tradutor do livro de hoje: Frei Luís de Leon ou Fray Luis de León (1527-1591), humanista, teólogo, poeta e tradutor espanhol, foi monge da ordem de Santo Agostinho (354-430) a mesma a que pertenceu seu contemporâneo Martinho Lutero (1483-1546). Era professor na Universidade de Salamanca. Durante quatro anos permaneceu preso nos calabouços do Santo Ofício em Valladolid acusado de preferir o texto hebraico da Bíblia ao latino da Vulgata e por ter traduzido, em 1561, o Cantar de los Cantares em língua vulgar, prática proibida então pelo Concílio de Trento. Ele traduziu também o livro de Jó.

Este sacerdote e insigne professor, quando foi libertado regressou à Universidade de Salamanca. O seu regresso causou grande surpresa e também muita curiosidade. Assim, quando ministrou a primeira aula depois de libertado, a sala encheu-se, pois toda a gente queria saber o que ia dizer sobre os cinco anos de cárcere. Quando os alunos fizeram silêncio, Frei Luís tomou a palavra e, para espanto de todos os assistentes, disse: “Vamos continuar a matéria no ponto em que a deixamos ontem”. Quis, com isto, colocar uma pedra sobre os anos de prisão, fazendo como se eles nunca tivessem existido.

A referência a Universidade de Salamanca, fundada em 1218, recorda-me quando em 2002 visitei a mesma. Tenho no acesso de minha biblioteca afixado um azulejo que adquiri então.

O texto em um espanhol arcaico, recebeu uma tradução ao português.

Hai excomunión reservada a su santidad contra qualesquiera personas que quitaren, distraxeren, o de otro qualquier modo, enagenaren algun libro, pergamino o papel de esta bibliotheca, sin que puedan ser absueltas, hasta que esta esté perfectamente reintegrada.

Tem excomunhão reservada a sua santidade contra qualquer pessoa que retirar, subtrair ou de qualquer modo, alienar algum livro, pergaminho o papel desta biblioteca, sem que possa ser absolvido, até que esta esteja perfeitamente reintegrada.

Com esta ameaça sinto meus livros protegidos. Com o convite que saboreie (de saber a sabor) o ‘Cantar dos cantares salomônicos’ num muito bom sábado. Amanhã lemo-nos na blogada dominical.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

03- A era das mãos entrelaçadas

Porto Alegre Ano 5 # 1492

Uma vez mais essa blogada ocorre da Morada dos Afagos. As intensas chuvas da noite prosseguem neste início de manhã. Não se pela intensidade da programação (das seis viagens com as longas horas de aeroporto) de Pato Branco, parece que, há vários dias, não posto daqui. Mas estive ausente apenas algumas horas.

Nas três etapas do retorno tive a agradável e sábia companhia de meu colega Prof. Dr. Antonio Salvio Mangrich, da UFPR. A maratona foi amenizada com significativos aprendizados. Sobre o retorno um registro que pode soar a merchandising. No aeroporto municipal de Chapecó, há disponibilização de WiFi por cortesia do hotel Lang. Pareceu-me uma propaganda tão simpática e bem bolada que merece o registro aqui.

Antes da edição de hoje me permito reeditar um aviso, que já ensejou o retorno de comentarista.

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Ontem, pela manhã, na abertura de minha fala para um grupo de cerca de meia centena de professoras e professores de Ciências da Escola Básica trouxe uma citação de Sir James Lovelock (*1919), um pesquisador e ambientalista britânico. Ele defende a hipótese de Gaia para explicar o comportamento sistêmico do planeta Terra. A Terra é vista, nesta teoria, como um super-organismo. Já apresentei aqui Lovelock em outras oportunidades:

"Temos que ter em mente o assustador ritmo da mudança e nos darmos conta de quão pouco tempo resta para agir, e então cada comunidade e nação deve achar o melhor uso dos recursos que possui para sustentar a civilização o máximo de tempo que puderem". http://www.ecolo.org/lovelock

Ao entardecer nas quase quatro horas no aeroporto de Florianópolis, li o texto que se faz manchete e tem conexão com posturas que venho, de maneira sistemática, priorizando em palestras. Assim nesta sexta-feira chuvosa, faço uma oferenda: um texto de um dos mais importantes eco-teólogos. A fonte é www.amaivos.com.br

A era das mãos entrelaçadas

Leonardo Boff

Meus artigos sobre a situação ecológica da Terra poderão ter suscitado nos leitores e nas leitoras não poucas angústias. E é bom que assim seja, pois são as angústias que nos tiram da inércia, nos fazem pensar, ler, conversar, discutir e buscar novos caminhos. A tranquilidade em tempos sombrios como os nossos se afigura como uma irresponsabilidade. Cada um e todos devemos agir rápido e juntos porque tudo é urgente. Temos que nos mobilizar para definir um novo rumo à nossa vida neste Planeta, caso quisermos continuar habitando nele.

Os tempos de abundância e comodidade pertencem ao passado. O que está ocorrendo não é uma simples crise, mas uma irreversibilidade. A Terra mudou de modo que não tem mais retorno e nós temos que mudar com ela. Começou o tempo da consciência da finitude de todas as coisas, também daquilo que nos parecia mais perene: a persistência da vitalidade da Terra, o equilíbrio da biosfera e a imortalidade da espécie humana. Todas estas realidades estão experimentando um processo de caos. No início ele se apresenta destrutivo, deixando cair tudo que é acidental e meramente agregado, mas em seguida, se revela criativo, dando forma nova ao que é perene e essencial para a vida.

Até agora vivíamos sob a era do punho cerrado para dominar, subjugar e destruir. Agora começa a era da mão estendida e aberta para se entrelaçar com outras mãos e, na colaboração e na solidariedade, construir "o bem viver comunitário" e o bem comum da Terra e da humanidade. Adeus ao inveterado individualismo e bem-vinda a cooperação de todos com todos.

Como os astrofísicos e os cosmólogos nos asseguram, o universo está ainda em gênese, em processo de expansão e de auto-criação. Há uma Energia de Fundo que subjaz a todos os eventos, sustenta cada ser e ordena todas as energias para frente e para cima rumo a formas cada vez mais complexas e conscientes. Nós somos uma emergência criativa dela.

Ela está sempre em ação mas se mostra especialmente ativa em momentos de crise sistêmica quando se acumulam as forças para provocar rupturas e possibilitar saltos de qualidade. É então que ocorrem as "emergências": algo novo, ainda não existente mas contido nas virtualidades do Universo.

Estimo que estamos às portas de uma destas "emergências": a noosfera (mentes e corações unidos), a fase planetária da consciência e a unificação da espécie humana, reunida na mesma Casa Comum, o planeta Terra.

Então, nos identificaremos como irmãos e irmãs que se sentam juntos à mesa, para conviver, comer, beber e desfrutar dos frutos da Mãe Terra, depois de haver trabalhado de forma cooperativa e respeitando a natureza. Confirmaremos assim o que disse o filósofo do Princípio Esperança, Ernst Bloch:"o gênesis não está no começo mas no fim".

Faço minhas as palavras do pai da ecologia norte-americana, o antropólogo das culturas e teólogo Thomas Berry: "Não nos faltarão nunca as energias necessárias para forjar o futuro. Vivemos, na verdade, imersos num oceano de Energia, maior do que podemos imaginar. Esta Energia nos pertence, não pela via da dominação mas pela via da invocação".

Temos que invocar esta Energia de Fundo. Ela sempre está ai, disponível. Basta abrir-se a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformações que ela inspira.

Pelo fato de ser uma Energia benfazeja e criadora, ela nos permite proclamar com o poeta Thiago de Mello, no meio dos impasses e das ameaças que pesam sobre nosso futuro: "Faz escuro, mas eu canto". Sim, cantaremos o advento desta "emergência"nova para a Terra e para a humanidade.

Porque amamos as estrelas, não temos medo da noite escura. Elas são inalcançáveis mas nos orientam. Lá nas estrelas se encontra nossa origem, pois somos feitos do pó delas. Elas nos guiarão e nos farão novamente brilhar. Porque é para isso que emergimos neste Planeta: para brilhar. Esse é o propósito do universo e o desígnio do Criador.

Depois desta fruição e quase impossível imaginar que tenhamos no Brasil, nos 30 dias que nos separam das eleições, o recrudescimento de ataques, marcados pela baixaria daqueles que já se sentem prováveis derrotados. Isto faz de alguns de nós literalmente enojados. Lamento que seja neste o clima que deseje: uma muito boa sexta-feira. Para aqueles e aquelas com quem estive na jornada de Pato Branco, desejo parte desta chuva que aqui se faz copiosa para amenizar a seca em os assola. Lemo-nos amanhã comentando uma leitura mais amena.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

02- UTFPR – Uma universidade transformada

Pato Branco Ano 5 # 1491

Em mais de uma edição, contei as diferentes facetas que tem este blogue. Uma delas – e vale repetir em homenagem a um número maior de novos leitores que se aditaram mais recentemente – é Diário de viagem: narro minhas viagens, usualmente a trabalho. Assim, quando em julho de 2008 estive em Pedras de Fogo, que, provavelmente, nenhum de meus leitores sabia onde era, estes viajaram comigo cerca de 6 mil quilômetros em menos de dois dias. Minhas viagens de férias ganham espaços e têm consequências: um médico de Porto Alegre, que não me conhecia, um dia escreve-me uma mensagem em que dizia que incluíra a Croácia e a Eslovênia em seu roteiro pelo que leu acerca de minhas andanças nesses dois países em fevereiro de 2008. Quando voltou, foi a minha casa levar-me um mimo de viagem. Quando em fevereiro e março deste ano, estive como professor visitante na Ålborg Universitete, meu cotidiano dinamarquês marcado por fotos em meio as maiores nevadas se fez presente aqui, a cada dia.

Pois desde o fim da tarde de ontem estou, pela primeira vez em Pato Branco, um

município brasileiro localizado no sudoeste do Paraná. Com população em torno de 80 mil habitantes e índice de desenvolvimento humano (IDH) de 0,849, coloca-se como a 34ª melhor cidade em qualidade de vida do Brasil. A cidade se destaca na microrregião como um centro de serviços com ênfase nos setores da saúde e da educação. A partir de 1996, Pato Branco buscou variar sua economia através de incentivos fiscais a empresas dos setores de informática e eletro-eletrônico, o que resultou na criação de um pequeno centro tecnológico industrial. A agricultura também representa uma importante fatia na economia do município. A existência de uma instituição federal de ensino superior, a UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná (antigo CEFET - Centro Federal de Educação Tecnológica) enfatiza o caráter de "centro provedor de serviços" regional de Pato Branco. Senti também o orgulho dos locais quando referi saber que aqui nasceram o Alexandre Pato, o Rogerio Ceni e outros nomes ilustres.

Cheguei aqui depois de dois voos de 50 minutos (acrescidos de esperas algumas vezes maiores de aeroportos) na terceira etapa de uma viagem de 2,5 horas, para percorrer 140 quilômetros esburacados e sinuosos das BRs 282 e 159 trazido habilmente pelo senhor Ari Gasperin, um filho de gaúcho de Santa Lúcia. A marca da viagem foram as lindas floradas de azaléias e de ipês-amarelos, estas atestando – como flor símbolo nacional – estarmos na Semana da Pátria.

À noite falei por mais de duas horas, para cerca de 150 pessoas na IX Semana de Química da UTFPR, campus de Pato Branco. Ao final autografei dezenas de meus seis títulos em circulação, inclusive os primeiros exemplares da nova edição do Alfabetização científica: questões e desafios para a Educação. Ainda recebi o acarinhamento de alunos e professores em uma janta. Então pude conhecer um pouco mais da UTFPR, prestigiado lócus acadêmico dos mesmos. Conhecer a realidade da Educação superior no Brasil me encanta e ouvir relatos de pujança como ouvi é muito bom.

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) é a primeira assim denominada no Brasil e, por isso, tem uma história um pouco diferente das outras universidades. A Instituição não foi criada e, sim, transformada a partir do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET-PR). Como a origem deste centro é a Escola de Aprendizes Artífices, fundada em 1909, a UTFPR herdou uma longa e expressiva trajetória na educação profissional.

Eu particular recordo a excelência dos cursos de engenharia do CEFT, na década de 90. Acompanhei então e estive na formatura de meu sobrinho Cássio Cardoso.

Atualmente, a UTFPR tem como principal foco a graduação, a pós-graduação e a extensão. Oferece 63 cursos superiores de Tecnologia, bacharelados (entre eles Engenharias) e licenciaturas. A consolidação do ensino incentiva o crescimento da pós-graduação, com a oferta dezenas de cursos de especialização, sete mestrados e dois doutorados, além de grupos de pesquisa.

A Universidade Tecnológica também atende à necessidade de pessoas que desejam qualificação profissional de nível médio, por meio da oferta de cursos técnicos em diversas áreas do mercado. Na área de relações empresariais e comunitárias, atua fortemente com o segmento empresarial e comunitário, por meio do desenvolvimento de pesquisa aplicada, da cultura empreendedora, de atividades sociais e extraclasse, entre outros.

Com ampla abrangência no Paraná, a UTFPR tem onze campi no Estado – isto foi o que mais me surpreendeu – e pretende ampliar essa atuação. Cada Campus mantém cursos planejados de acordo com a necessidade da região onde está situado. Boa parte deles oferta cursos técnicos, de Engenharia e de Tecnologia, a maioria destes

reconhecidos pelo Ministério da Educação com conceito A. No Campus Pato Branco – (foto) primorosamente cuidado, há entre outros cursos Administração, Matemática, Ciências Contábeis, Agronomia, Química (bacharelado e licenciatura) e Licenciatura em Letras e um Programa de Mestrado na área de Ciências Agrárias.

Esta manhã, encerro minha estada aqui com uma palestra – oferecida lateralmente à Semana de Química, a professoras e professores de Ciências das municipais (há convite a municípios vizinhos) e estadual. Às 11h30min inicio a primeira das três etapas (Pato Branco – Chapecó), para muito provavelmente (depois dos voos Chapecó/Florianópolis/Porto Alegre estar em torno das 21 horas em casa.

Vencido alguns percalços operacionais, especialmente de conexões internéticas, desejo aos meus leitores uma muito boa quinta-feira. Para amanhã, uma vez mais, um convite para um encontro em mais uma blogada.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

1- Uma homenagem a uma leitora muito especial

Porto Alegre Ano 5 # 1490

A inauguração de um mês que em tempos remotos sempre foi diferenciada. Começo da Semana da Pátria. À meia noite chega(va) o fogo simbólico. Hora cívica na praça da cidade. No colégio os ensaios finais para a parada da juventude. A dificuldade de acertar o pé direito, quando o bumbo marcava a cadência. No uniforme fita verde-amarela. Agora as evocações se fazem sonhos com outros planos para mais um setembro.

Inauguro setembro com uma maratona de viagens. Esta noite faço a palestra “A Ciência como instrumento de Leitura para explicar as transformações da Natureza” em Pato Branco, Paraná no campus local da UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná (antigo CEFET - Centro Federal de Educação Tecnológica) na IX Semana Acadêmica de Química.

Mas para tal tenho três etapas de viagens. Às 9h40min voo a Florianópolis. Depois de 3 horas de aeroporto, no começo da tarde, faço um voo de uma hora a Chapecó. Vou percorrer os catetos, ao invés de voar uma hipotenusa. Desta cidade, no Oeste de Santa Catarina, onde já estive este ano, percorro 120 quilômetros, com destino ao Sudoeste do Paraná, para chegar a Pato Grande onde, além da fala desta noite, faço amanhã pela manhã palestra “A Escola mudou ou foi mudada?” para professoras e professores no Projeto Prodocência. Às 11h começo o mesmo roteiro de hoje, ao inverso, para chegar à Porto Alegre, depois das 20h.

Uma das duas dificuldades trazidas ontem foi solucionada. Há uma alternativa: Comentar como ANÔNIMO. Neste caso se pede para assinar e colocar o endereço. Obrigada Professora Thaiza.

Antes de ir ao aeroporto vou abraçar uma leitora diária muito especial deste blogue. A Liba está de aniversário. Para falar dela vou trazer um excerto de uma entrevista da Gelsa, na edição do IHU-on Line que circula essa semana. O texto completo está em: http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3474&secao=341 Ali entre diferentes segmentos, fala de sua história, de seu pai, de sua mãe, da família e outros narrares bonitos.

Antes dar a palavra a primogênita da aniversariante (uma e outra comigo numa foto do último sábado), adito que se um dia o Antônio, receber um pedido para aceitar a sua bisavó em uma comunidade de relacionamento, isso, provavelmente, não será um perfil falso. Da Liba isto é possível.

Minha mãe, que esta semana está completando 89 anos, é, para mim, um exemplo de mulher e de intelectual. Foi isso que escrevi ao dedicar-lhe minha tese de doutorado. Ela tem um grande interesse pela música, pelas artes visuais, pelo cinema. Tem uma agenda atribulada. Além de atender a esse interesse pela arte, frequenta um curso de História da Arte e segue com seus estudos de inglês e alemão, mesmo que seja fluente nesses idiomas. Mas um compromisso que coloca acima de todos esses são os dois turnos semanais que passa com seu bisneto Antonio, de três anos. A relação de amor que os une é algo comovente. Ela está muito em dia com as coisas do mundo, com a vida política do país. Até hoje acompanha de perto minha trajetória acadêmica, lendo e comentando meus escritos, defendendo, com veemência, seus pontos de vista. Preparou os quatro netos para o vestibular e com eles fez viagens ao exterior, para que pudessem usufruir da arte contemporânea internacional. Com seu entusiasmo e vibração pela vida e, em particular, pela educação, muitas vezes escuto dizer que ela ofereceu uma contribuição importante na área de formação de professores em nosso estado.

Embalado por este exemplo de garra e tenacidade aos votos de saúde e felicidades à Liba, desejo a cada uma e cada um de meus leitores uma quarta-feira muito boa na abertura deste primaveril setembro. Amanhã nos lemos desde Pato Branco.