Escrevo no dia 1º de abril de 2025 (prenhe de evocações dos tempos em que nós narrávamos, uma fake new, mas logo em seguida nos labelávamos: uma pegadinha de primeiro de abril!). Este ano, parece que ‘o brinquedo de dar trotes nos outros no dia 1º de abril’ teve um decréscimo, chegando a quase zero. O que não significa que alguns usuários das redes sociais sejam mais educados. Talvez, até ocorra o contrário.
Duas evocações se fizeram pressurosas nesse blogar. {Pressurosa: mesmo que: apressada, dedicada, frenética, indecisa, irrequieta…} Tento explicar!
Nesses 17 anos de blogares, cerca da metade do tempo esse blogue foi diário. Houve tempos de edições bissemanais. Nos últimos anos, não sem dificuldades, tenho cumprido a promessa de uma edição semanal, nas sextas-feiras, no início do fim de semana. Minha interrogação mais continuada: como conseguia fazer extensas edições diárias se agora é difícil mantê-las semanais? Não aceito o diagnóstico que eu tenha ficado mais preguiçoso. Talvez, mais seletivo na escrita! Ou mais difícil a existência do fazer físico do escrever. Ora, folhear um livro, digitar uma mensagem no smartphone ou ações similares parece mais difícil a cada dia.
Parece acertada a evocação creditada a LF Veríssimo: quando éramos pequenos nos davam livros com letras grandes. Agora, quando somos grandes, nos dão livros com letrinhas cada dia menores…
Agora uma evocação mais remota. Ante a minha não rara aridez intelectual não encontrando assunto para a edição semanal, lembro de uma continuada interrogação trazida, muitas noites por minha mãe: “O que vou cozinhar, amanhã?” Deveria ser uma preocupação pertinente a uma dona-de-casa que tinha — com muito limitadas posses — prover a mesa para o marido e 7 filhos.
Agora, às vezes, desde sábado à sexta-feira, tal qual minha mãe, me interrogo: acerca do que vou escrever na próxima edição?
Trago, então para cumprir tabela, algumas memórias. Defendo a tese que devemos deixar memórias. Nossos pósteros só nos conhecerão se deixarmos memórias. Vou ser breve… mas este outono iniciado há não muito, pede um registro: tenho um presente que pode ser surpresa para alguns.
Meu presente aprilino* (aprilino, adjetivo / 1. Relativo ao mês de abril. 2. Fresco, jovem ou viçoso ~Dicionário Priberam) ~~ com uma Semana Santa e com Tiradentes numa segunda-feira ~~, é apresentar a meus leitores uma sociedade que une os amantes das nuvens.
Acessem ~~ cloudappreciationsociety.org ~~ e conheçam a “Sociedade dos Amantes das Nuvens”. A sociedade para pessoas que amam o céu! Bem-vindos, artistas, cientistas, observadores de nuvens e sonhadores. Vocês vieram ao lugar certo!
Quantas vezes nos surpreendemos vagabundeando nas nuvens ou até somos convidados a ‘abandonar o mundo das nuvens’ e cair na real. Pois eu não sabia que nuvens a tantos agradam. Há não muito as nuvens passaram ser (também) local repositório de nossas produções intelectuais… vez ou outra somos alertados a comprar mais local para armazenar (na nuvem) nossas produções.
Nesse março recém terminado as nuvens (des)agradaram os mais atentos! Talvez, se devesse reconhecer que não são as nuvens que nos (des)agradam: Parece que são os ditos ‘meteorologistas’ que se transmutam em profetas e anunciam o que interpretam nos mapas das nuvens. Anunciam ou melhor fazem previsões para uma ou duas semanas ou mais…
Também nas interpretações que os magos divulgam houve/há uma usual greminação. Eis exemplo: para os gremistas, são percentuais aceitáveis, 52% de gremistas e 48% de colorados. Para os colorados são cerca de 52% colorados e quase 48% de gremistas.
Deixo os números discutíveis das duas maiores torcidas do futebol do Rio Grande do Sul e vamos ver como se dividem nas nuvens.
Março praticamente não choveu. Houve aqueles que — quais pregoeiros — a cada dia, ao olhar um céu azul sem um rasgo de nuvem, choravam as plantações que, com o plantio choravam junto com o plantio. Todavia, outros viam um dia de sol para passar o dia festejando férias. Não é possível não entender os dois: uns têm razões sobejas para chorar; outros há que têm os melhores motivos para celebrações.
Mas parece que há outra classe de pregoeiros, que se põem a matraquear nas redes em televisões e em redes de emissoras de rádio. A situação é de inexperiência de pregoeiros (escolhidos muitas vezes pela beleza corporal em oposição a conhecimentos meteorológicos) que se põem papaguear previsões para o Brasil inteiro. É fácil prever como as nuvens passam a ser correções para inferir propostas sem bases científicas ou racionais.
A natureza não tem sido generosa para o Rio Grande do Sul. Vive-se aqui secando um desastre atmosférico e preparando nova cheia. A foto é da capa do jornal Zero Hora do temporal desta segunda-feira em Porto Alegre.
Aguardemos, por ora, uma nova cheia! Então, parece que tudo melhora. A temperatura, nesta sexta-feira, já passou de quase 40 graus para 7 graus. Isso acompanhado de um minuano,
minuano, substantivo masculino: Vento do sudoeste, seco e frigidíssimo, que se manifesta no inverno, após as chuvas, no sul do Brasil. Dicionário Priberam) que nem cusco coloca focinho na rua.
Ainda não sei o que vou escrever na segunda blogada aprilina 2025. Então já será quase Semana Santa. Um bom assunto para quem é considerado igrejeiro! Então, até mais ler!
Eis uma linda amostra de uma nuvem-pássaro. Há muitas outras.